Capítulo XII
O raio
—Harry! —A voz de Hermione interrompeu a Harry e fez-lhe dar-se conta de que não podia lhe dizer toda a verdade a Neville, não ali pelo menos.
—Vamos… —Entrou ao oco com a mirada de Neville fixa nele. Avançaram lentamente enquanto Hermione e Ron faziam-lhe todo tipo de perguntas a Neville. Harry, no entanto, pensava em Draco; por fim o veria. Sabia que nesse momento não estaria na Sala Precisa, mas, se as coisas ocorriam como a primeira vez, Draco e Harry se encontrariam mais tarde ali mesmo.
—Todos vão estar muito contentes de ver.
Quando viram a luz do outro lado do túnel se colocaram por trás de Neville. Neville olhou a seus colegas ocultos na Sala: todo o sétimo curso de Gryffindor, grande parte dos Ravenclaw e dos Hufflepuff, todos confiando nele e em Harry, todos dispostos a dar a vida por esse castelo e por seus ideais de justiça e igualdade.
—Tenho-lhes uma surpresa. —Fez-se a um lado para dar-lhes passo a Harry, Hermione e Ron. Pôde ver os rostos de seus colegas alumiando-se, enchendo-se de sorrisos e com a esperança marcada neles.
—Obrigado, muito obrigado por estar aqui. —Hermione e Ron notaram pela primeira vez que a dureza de Harry vacilava um pouco e que mostrava a seus colegas um rosto mais amável. Quase parecia sentir vergonha pela situação na que tinham estado vivendo. Durante sua viagem, nem Ron nem Hermione tinham consertado na situação de seus colegas. Sabiam que os tempos em Hogwarts tinham que ser duros, mas não queriam pensar em que tanto podiam o ser.
—Pensávamos que estava morto… —Ginny saiu dentre a multidão, abraçou a Harry com força e, para sua surpresa, depois a seu irmão.
—Isto tem sido duro para todos. —Harry olhou à cada um dos garotos. Alguns tinham marcas de golpes, outros pareciam demasiado cansados e todos estavam muito assustados. Odiava isso, a sensação de ter arrastado aos demais à luta, mas era algo com o que tinha tido que lidar toda sua vida. Apesar dos anos não podia afastar da responsabilidade. Ainda não podia reconciliar-se com a ideia de que se alguém se punha em perigo só era por decisão própria e não tinha nada que ver com ele nem com o carinho que lhe tivesse. — Quero dar as graças a Neville por tudo o que tem feito por nós, por ser o líder que precisávamos. —Neville negou corando.
—Qual é o plano agora, Harry? —perguntou-lhe Cho com impaciência.
—Esta noite será definitiva. Os comensais entrarão a Hogwarts. —Os rostos de muitos empalideceram e outros pareceram resignados à ideia de brigar a ganhar ou morrer. — Devemos desalojar o castelo. Os mais pequenos tem que se ir e do resto, quem queira lutar a nosso lado será bem-vindo. —Harry olhou a Neville, quem pôs-se em marcha.
—Ginny —disse-lhe Neville. —, toma a um grupo para que te ajudem. Os meninos pequenos de todas as casas devem sair pelo oco para o pub. —A ruiva assentiu buscando aos garotos que a ajudariam. — Os demais que não queiram lutar se podem ficar aqui e mais tarde Ginny os levasse para o outro lado. Nós temos que sair para dizer à professora McGonagall que estão aqui. —Neville sabia, graças a sua guarda noturna, que Severus Snape não estava no castelo.
—Bem. Vamos. —Ron e Hermione seguiram lhes junto com todos os garotos que tinham estado na sala. Harry sentiu-se comovido e um pouco rebalsado. Muitos desses garotos pereceriam, mas não parecia lhes importar.
Foram com passo firme até o Grande Comedor, mas antes de chegar Minerva McGonagall interceptou-os e Harry esteve de repente envolvido pelos braços da idosa mulher, que também não parecia achar que estivessem vivos. A professora comoveu-se até as lágrimas quando abraçou a Ron e agradeceu os ver com vida. Quando todos se repuseram à surpresa, McGonagall voltou a recuperar seu rosto sério e Harry o agradeceu; assim não tinha que ser o único com as facções rígidas.
—Teremos que defender o castelo, professora. —McGonagall assentiu. — Pensávamos levar-nos longe aos meninos…
—Excelente ideia, senhor Potter. —McGonagall acendeu a luz do corredor molestando aos quadros. — É momento de acordar o castelo.
—Mas, que sucede, Miner… Harry? —O professor Slughorn olhou a Harry.
—É hora de mudar a história, professor —foi a curta resposta que lhe deu Potter e que não passou inadvertida para uns curiosos ouvidos.
—Horace, acorde a seus alunos e reúnam-se conosco no Grande Comedor. Senhor Thomas, vá com a senhorita Sprout e informe de nossos planos. Senhor Finnigan…
—A Ravenclaw? —Minerva não disse mais e caminhou para Gryffindor acompanhada pelos alunos do sétimo grau.
Os demais correram com rumo ao Grande Comedor, mas, justo antes de chegar, uma mulher com aparência sinistra plantou-lhe enfrente e lançou lhes um primeiro feitiço do que conseguiram se livrar arrojando ao chão. Harry e Neville rodaram para um oco na parede enquanto Hermione e Ron esconderam-se por trás de um pilar próximo.
—Que amável mulher. Quem é? —perguntou Ron enquanto tentava proteger o corpo de Hermione.
—A professora Alecto Carrow. É a irmã de quem deixou-me estas bonitas lembranças. —Neville assinalou-se o rosto, que tinha alguns golpes a médio curar e uma cicatriz sobre a bochecha direita. — Somos velhos conhecidos e sei que não se deterá a não ser que algo lhe ponha o alto. Sua maldição preferida é a Cruciatus.
—Terá que lhe dar uma pequena lição. —Harry levantou-se e esperou o momento justo para sair e desarmar à professora Carrow, que ficou imóvel quando viu a Harry se acercar. — De modo que maldições imperdoáveis aos garotos… —Harry negou com a cabeça. — Isso é muito mau, professora —cuspiu com veneno. — Acho que é importante que se dê conta de que isso não se faz. —Os olhos de Harry estava fixos nos da mulher, que de repente saiu correndo para a torre de Astronomia. Harry permitiu-se sorrir zombador antes de girar-se para olhar a seus amigos. — Parece que não pôde com a pressão. —Hermione passou de lado olhando-lhe decepcionada. Ron não entendia muito bem, mas sabia que Harry tinha feito algo nesses segundos. Neville, em mudança, colocou uma mão sobre o ombro de Harry e deu-lhe um aperto amistoso.
—Vamos… —Harry deixou-os avançar um pouco e depois uniu-lhes. Essa seria uma noite muito longa para todos.
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O Grande Comedor encheu-se com alunos nervosos e bastante aterrorizados de todos os graus. A professora McGonagall pediu aos garotos de primeiro a quarto grau que se marchassem. Alguns protestaram, sobretudo os maiores, mas McGonagall foi estrita. Já era bastante horrível com carregar na consciência a morte dos jovens mais maiores como para lamentar a morte de uns meninos. Depois pediu-lhes aos que não queriam lutar dentre os demais que se marchassem e, justo nesse momento, a voz de Voldemort golpeou o castelo.
—É admirável o valor que têm. Sei que querem lutar como magos de honra e o aplaudo e o premeio, mas ninguém tem por que sair lastimado. Entreguem-me a Harry Potter e respeitarei o castelo e a todos seus ocupantes. Têm uma hora para decidir-se. —Harry respirava irregularmente. Tinha feito um grande esforço para não deixar entrar a Voldemort em sua mente. Apesar de ter perdido pedaços de alma, Voldemort ainda era muito poderoso.
—Devemos entregar a Potter. —Ao longe escutou-se a voz de Pansy Parkinson. Harry fechou os olhos e concentrou-se em expulsar a sensação que lhe provocava a tentativa de Voldemort de entrar em sua mente.
—Não faremos tal coisa, senhorita Parkinson —falou enérgica McGonagall passando sobre as vozes dos Slytherin que clamavam que se entregasse a Harry. — Professor Slughorn, leve aos Slytherin às masmorras e…
—Não… —Neville se colocou em frente à casa de Slytherin enquanto pensava em Draco lutando lá fora ao lado dos comensais apesar de que seu coração e suas esperanças estavam ali dentro. Também pensou no professor Snape, em sua lealdade inquebrantável apesar de tudo e de todos. — Olhem. —disse a seus colegas em general. —, não podemos o fazer. Eles têm sido nossos colegas durante sete anos, temos crescido juntos dentro deste castelo e não podemos os humilhar assim. —McGonagall baixou o rosto algo envergonhada.
—Eles nos humilharam por sete anos, Neville. Só lhes fazemos o mesmo que nos fizeram. —Seamus olhava para os Slytherin com verdadeiro desprezo. — E agora os olha, querendo entregar a Harry. São uns covardes.
—Não o são! —gritou Neville para surpresa de todos. — Crabbe, Goyle, Nott, Parkinson, Flint, Bulstrode, Greengrass… Malfoy. —Neville engoliu-se o nodo na garganta. — Todos têm pais lá afora. Seus pais elegeram ser comensais, ou talvez não o elegeram e simplesmente não tiveram alternativa. Vocês lutariam contra seus pais? Ficariam tão tranquilos vendo a seus pais morrer a mãos de seus colegas? —Harry viu a todos concentrados nas palavras de Neville, um Neville que, segundo a segundo, lhe parecia maior. — Podem ir pelo oco da Sala Precisa. Vão a suas casas, com suas mães ou seus pais. Não fiquem aqui. —Neville falava-lhes a seus colegas de Slytherin com o coração na mão. — Isto nunca devia passar, mas aqui estamos. Devemos aprender que a inimizade entre as casas não é sã. Podemos ser rivais, mas não inimigos. Temo-lo que aprender para não cometer os mesmos erros que nossos maiores uma vez que a guerra termine.
—Tem razão, senhor Longbottom. Horace, conduz aos garotos de Slytherin à Sala Precisa. —Um a um avançaram. Só Nott e Bulstrode ficaram em seu lugar. — Passa algo, jovens? —Nott negou.
—Ficamos para lutar a seu lado, professora. —Harry avançou para a Neville e lhe palmou as costas.
—Fez bem. —Harry olhou a Nott e Bulstrode unir-se a Ginny, que tentava não lhes olhar com receio tal e como tinha pedido Neville em seu apaixonado discurso. — Esses dois Slytherin de nosso lado têm marcado fundo. —Neville sabia que Harry não se referia a Nott e muito menos a Bulstrode.
—E agora? —perguntou Ron ao acercar-se a eles junto com Hermione.
—Vocês podem ir à Câmera Secreta e destruir a taça com um das presas do brasílico. —Hermione assentiu. — A diadema de Ravenclaw deve de ser um horcruxe mais e quase estou seguro que se encontra na Sala Precisa. Teremos que esperar a que a desalojem para a ir buscar.
—Vemo-nos em frente ao corredor da Sala. —Hermione puxou a Ron para ir para a Câmera.
—Neville, passe o que passe, tem que matar a Nagini. É de vital importância que a serpente morra. —Longbottom assentiu.
—Sabe que se tenho oportunidade o farei. Agora, se me permite, tenho alguns laços do diabo que colocar e outras pequenas surpresas para nossos visitantes.
Harry não temia por seu confronto com Voldemort; isso tendia que passar tarde ou temporão. Do que estava expectante era de seu reencontro com Dumbledore, com o mago que tinha deixado a tumba para governar sobre todos. Sentia que lhe fervia o sangue só de imaginar que a história se repetiria em frente a seus olhos.
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—Que sucede, Mione? —Ron podia sentir o pesado estado de ânimo de Hermione enquanto caminhavam para o imponente esqueleto do brasílico.
—Harry usou uma maldição imperdoável contra Carrow. Estou segura. —Ron negou antes de apanhar duas presas do brasílico com sumo cuidado.
—Essa mulher só saiu correndo por temor ao que Harry lhe faria. Não temos por que pensar mau dele o tempo todo. Quando chegamos parecia o Harry de sempre. Só é a guerra, Mione, que volta louco a qualquer um. Olha-nos a nós, estamos nesta sala, sozinhos e a ponto de destruir um…, bom…, uma coisa dessas. —Hermione soltou um pequeno riso ao ver a cara de horror de Ron.
—Vamos. —Ron colocou a taça no centro e tendeu-lhe a presa a Hermione, quem respirou profundamente e sem deter-se fincou a presa na taça. A água que ainda rodeava o lugar se estremeceu, o mesmo castelo pareceu o fazer. Ron apanhou a Hermione das mãos e saíram correndo de ali.
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Harry podia escutar as tentativas por entrar ao castelo. A guerra tinha começado, os comensais estavam ali e eles lutavam com todo para evitar que entrassem. Olhou a grande porta dupla ante ele. Só tinha que destruir a diadema e por fim poderia lhe pôr ponto final ao capítulo de Voldemort. Escutou os passos apressados de Hermione e Ron que se lhe uniram justo quando estava abrindo as portas da Sala. O lugar estava cheio de objetos perdidos, de artigos que não se queria que fossem achados e de uns quantos mais que não deviam o ser.
—Como diabos é um diadema? —perguntou Ron olhando o imenso lugar cheio de vasilhas rusticas.
—É parecida a uma tiara. —Harry olhou sobre uma pilha de livros e depois mais acima onde a diadema descansava sobre um cofre. — É essa.
Estava o suficientemente elevada como para que nenhum a pudesse atingir. Harry ia subir a por ela quando escutaram uns passos e, uns segundos depois, Crabbe, Goyle e Draco estavam em frente a eles. Harry cruzou olhadas com Draco, que parecia estar muito preocupado por estar ali. Conhecia ao loiro, sabia que gostava de controlá-lo tudo, se controlar a si mesmo, e quando tinha algo que estava fora desse controle se punha nervoso e demasiado expectante. Crabbe e Goyle apontaram-lhes com suas varinhas. Draco não o fez; parecia estar mais preocupado por encontrar uma saída.
—Vamos matá-los. O Lord premiasse-nos por isto, Draco. Seguro que deixasse livre ao pai de Goyle. —Draco não se moveu.
—Não. Recorda que o Lord o quer vivo de modo que não podemos lhe fazer dano. —Draco tentava que Crabbe baixasse a varinha, mas parecia impossível. O garoto estava disposto a escrever seu nome na história como o homem que tinha assassinado a Harry Potter. Triste glória à que aspirar.
—Não me importo o que diga. Levarei sua cabeça ao Lord e ele me premiará…
—Crabbe, Draco tem razão. O Lord disse claramente que ele era o único que podia acabar com Potter. Temos que o levar ante sua presença. —disse Goyle. Crabbe negou enérgico.
—Este é meu momento. Vou levá-los mortos ante ao Lord e assim ele poderá ver que sou um grande mago, mil vezes melhor que Snape e Draco. —Harry notou os gestos maníacos e a soberbia estendendo pelo corpo de Crabbe.
—Não. —Draco interpôs-se entre Crabbe e eles. — Os levaremos como prisioneiros e é minha última palavra. —Crabbe empunhou com mais força sua varinha.
—É um traidor e um covarde e o Lord o saberá por mim quando lhe diga que tive que te matar por defende-los. —Harry viu o lento movimento da varinha de Crabbe de cuja ponta começou a emanar um fogo abrasador.
—Merda. Temos que nos ir. —Harry esticou de Draco, Ron e Hermione enquanto o fogo começava a estender-se sem parar por toda a Sala.
—Vassouras, tenho visto umas vassouras. Accio! —Três vassouras chegaram voando após que Hermione as chamasse. Ron ajudo-a a subir a uma, enquanto Harry e Draco subiam a outra. — Não podemos deixar aqui a Crabbe e Goyle —disse Hermione enquanto sorteava as chamas, que a cada vez eram mais altas. — Devemos regressar a por eles.
—Não… —Ron teve que voar um pouco mais alto quando uma pilha de livros caiu a seu lado. — Não pode estar falando em sério. —Volteou para olhar a Hermione e soube que falava em sério. — Caralho. —Ron girou sua vassoura sem dizer nada mais e Hermione lhe seguiu. Harry também voou na mesma direção buscando entre as chamas algo brilhante.
—Toma-a —disse-lhe a Draco quando atingiu a ver a diadema. — Quando te diga que a arrojes, o faz sem pensar. —Harry voou para o centro do fogo. Parecia que uma grande serpente estava devorando toda a Sala. — Agora!
Draco atirou a diadema para o centro do fogo e Harry saiu voando o mais rápido que pôde com a vassoura meio queimada. As portas da Sala fecharam-se justo após que Draco e Harry as cruzassem. Caíram ao chão rodando. Harry olhou a Ron e a Hermione com o corpo de Crabbe a seu lado, mas não o de Goyle. Sabia que era uma guerra e que não podia os salvar a todos, mas mesmo assim doía muito saber que tinha ocorrido uma morte tão inútil.
Draco levantou-se tossindo pela fumaça e fez um esforço para chegar a Crabbe. Evitou chorar quando viu seu rosto queimado, suas roupas e seguramente grande parte de seu corpo. Harry rastejou para ele e lhe abraçou com força, um pouco por reconfortar a Draco e outro tanto porque ele também precisava contato humano. Draco girou-se e o beijou. Harry correspondeu-lhe de imediato, recordando o forte que era sua atração por Draco e as vontades que tinha do possuir antes que ninguém.
—Hermione, acho que tem razão. Algo anda muito mau com Harry. —Ron parecia a ponto do desmaio vendo a cena que se desenvolvia em frente a ele. Teve que se recordar que estavam no meio de uma guerra, que suas vidas perigavam e que fazer uma ceninha não era o melhor mas… À merda. —Harry! Que merda te passa! Está-te atirando a um comensal em nossa cara! E não a qualquer comensal! Ao FURÃO!
—Ron… —Um estrondo soou por todo o castelo evitando que a cena continuasse. — Podemos deixar isto para mais tarde? Agora temos coisas mais importantes que atender…
Percy e Fred apareceram lutando contra uns comensais. Draco, que sentia inútil regressar a suas filas, levitou a Crabbe para levar à enfermaria e deixou aos Gryffindor para que fizessem as heroicidades que quisessem. Harry, Hermione e Ron levantaram-se para lutar ao lado de Fred e Percy contra os comensais. Harry desarmou a um e justo depois um novo estrondo lhes fez voar a todos. Um comensal encapuchado levantou a varinha contra Fred, mas Percy correu antes de que o feitiço golpeasse contra o peito de seu irmão. Harry escutou o grito desgarrador de Ron e viu Fred movendo o corpo de seu irmão maior. Harry só pôde terminar com o comensal assassino.
—Não, não, não. Percy! Vamos, vamos. —Ron sacudia o corpo sem vida de seu irmão enquanto Fred negava e chorava em silêncio.
—Vamos, temos que nos ir. —Harry tentou levantar a Ron e a Fred. — É importante, temos que nos ir. —Harry não podia com sua alma, com a dor de seu amigo e o de Fred. Fred… Tinha conseguido salvá-lo a ele a mudança de Percy. — Levem o corpo de Percy ao Grande Comedor enquanto eu vou a por a serpente. Temos que acabar com isto. —Hermione tentou detê-lo, mas Harry apartou-se. — Vá com eles. Cuida deles.
Internou-se no bosque proibido enquanto fechava sua mente. Não precisava ver o que sucederia, só queria chegar à Casa dos Gritos e salvar a Snape. A ele não podia o perder. Começou a avançar quando notou as aranhas se agrupando depois dele.
—Genial. —Correu aturdindo algumas, mas eram demasiadas. Em sua fugida tropeçou e caiu. Estava a ponto de ser atingido quando chegou um feitiço aturdidor. Neville saiu dentre as árvores, correu para ele e o ajudou a se levantar.
—Está bem? —Harry assentiu.
—Temos que ir à Casa dos Gritos. —Correram para o Salgueiro. Enquanto no castelo a luta seguia, eles entravam pelo túnel.
Chegaram justo quando Voldemort lhe dava a ordem a Nagini: Mata. Escutaram o grito grave. Snape perdeu um pouco a cor e escorregou para o solo enquanto a enorme serpente desaparecia por um dos buracos da casa. Harry esperou o tempo que considerou prudente para sair. Neville, por trás dele, o empurrava a correr para Severus.
—Não… —Neville colocou as mãos sobre a profunda mordida da serpente. Harry observou o vão do esforço de Neville tentando deter o fluxo de sangue e só conseguindo se manchar as mãos. — Não… —Os olhos de Neville se encheram de lágrimas. Harry apalpava a dor e a derrota. — Não pode morrer. Não agora… NÃO!
Harry moveu-se para Neville e colocou as mãos sobre as suas enquanto olhava a Snape, que tentava lhe dizer algo. Harry negou. Ele sabia o que Severus queria lhe dizer: Sempre.
Um cantou maravilhoso e assustador chegou até seus ouvidos. Respiraram uma rajada demasiado cálida e do fundo do túnel escutaram um voo. Fawkes deu um giro pela Casa para depois chegar ao lado de Neville e olhá-lo por um longo segundo. Depois, a ave moveu a cabeça lentamente para um lado e para o outro e depois posou sua mirada em Severus. Deu uns quantos passos e inclinou o rosto. Duas grossas lágrimas caíram sobre a ferida de Severus Snape. Fawkes desapareceu como tinha chegado. Severus fechou os olhos e depois abriu-os regressando à vida, sentindo que a força voltava a seu corpo.
—Está bem? —perguntou Neville. Snape assentiu sentindo-se um pouco mareado.
—Temos que sair daqui —disse Harry. Ajudaram a Severus a atravessar o túnel. Após cruzá-lo um frio horrível apoderou-se do ambiente. — Dementadores. —Harry olhou para o céu vendo um enxame de dementadores voando para eles.
—Adianta-te e leva ao professor ao castelo. —gritou Neville. Depois esperou o momento justo, levantou a varinha e olhou para Severus para depois gritar. —: Expecto Patronum! —Um grande urso apareceu defendendo do ataque e fazendo que os dementadores se marchassem.
Chegaram ao castelo, que estava quase em ruínas. Uma vez no Grande Comedor, Harry deixou a Severus sobre uma das bancas. Viu aos Weasley chorando sobre o corpo de Percy, a Remus sustentando o corpo de sua esposa, a um punhado de alunos chorando por Hagrid… Era o momento, Harry não podia posterga-lo mais. Com serpente ou sem ela, tinha que se entregar a Voldemort.
—Fiquem-se aqui. —Apanhou com força a pedra da ressurreição, palmeou em sua carteira traseira a capa e sujeitou com mais força a varinha de Draco.
Caminhou de novo para o bosque proibido. A Snitch com a pedra abriu-se entre suas mãos e olhou a seus pais, a Sirius e a Hagrid. Não teve palavras. Harry não vacilou apesar do medo. Caminhou até Voldemort, quem disse-lhe uma frase que Harry sempre recordava: Harry Potter, o menino que sobreviveu, vem a morrer. A força da maldição golpeou lhe de cheio no peito e Harry caiu como em um sonho, sem poder respirar, sem poder se mover. Sentiu que algo se separava dele, que algo que lhe tinha acompanhado por muito tempo se rompia e desaparecia. Harry não pôde mais que soltar um trémulo suspiro e se deixar cair no abismo. Não teve sonho com Dumbledore, não teve uma explicação que jamais foi. O único que sentiu de novo foi o morno fôlego de Narcisa Malfoy.
—Está vivo. No castelo —disse-lhe à mãe afligida.
—Morto, meu senhor. Completamente morto. —Narcisa Malfoy era uma grande atriz, mas, sobretudo, era uma mãe que se arriscava por seu filho.
O corpo de Harry foi levitado por Lucius. Podia sentir a desesperança no pobre homem que estava desejoso porque a guerra acabasse, por regressar a seu velho status e ser ele mesmo de novo. Voldemort era um louco que tinha dominado até a seus próprios aliados.
O castelo estava em perfeito silêncio. Os comensais, agrupados a um lado. Voldemort falando, pedindo aos combatentes da luz que se unissem a ele, falando como o messias, como o único salvador, como Dumbledore o fazia.
—Qual é seu nome, rapaz? —Neville plantou-se em frente a Voldemort.
—Neville Longbottom.
—Gryffindor… Vamos, será o primeiro. Tem que o ser, seu Eleito já tem morto.
—Não. —A cara de Voldemort caiu. — Harry pode estar morto, mas todos vamos morrer em algum dia. Gente boa morre o tempo todo. O castelo agora mesmo está cheio de amigos, de colegas e de seus pais. Que Harry esteja morto não quer dizer que você tenha razão. Só quer dizer que é um louco.
Voldemort colocou o Chapéu Selecionador sobre a cabeça de Neville e fazer arder. Harry aproveitou esse momento para abrir os olhos. Draco gritou seu nome e Voldemort girou-se para vê-lo deixando assim a Neville livre de seu feitiço e com a espada de Gryffindor nas mãos. Neville só teve um segundo. Nagini tentou atacar-lhe enquanto ele apanhava com força a espada e partia à serpente ao meio. Voldemort gritou de dor.
A batalha tinha começado de novo. Neville usou a mesma espada para defender-se de Bellatrix, que se tinha lançado para ele como louca. O corte no peito da mulher foi profundo. Severus fez-se com uma varinha e lançou lhe um Sectumsempra a Amycus Carrow. Harry buscou o momento justo para acabar com Voldemort. O raio verde impactou no centro de seu corpo fazendo-lhe girar e cair como um pesado costal em frente aos olhos de todos. Por fim estavam livres de Voldemort.
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Um raio golpeou o castelo no que parecia o princípio de uma tormenta, mas Harry sabia que era em realidade e correu para a saída para ver a luz chegar à tumba branca. Entre a multidão, buscou os olhos de Severus. Dumbledore estava a ponto de regressar.
Nota tradutor:
Mais um capitulo doido para vocês...
Espero que tenha gostado
Ate breve
Fui…
