Capítulo XIII
Fugitivos
Harry correu para a luz sem importar-lhe os gritos nem os telefonemas de atenção. Não sabia se podia acabar com Dumbledore, mas tinha que aproveitar a vantagem que tinha sobre o velho professor. Deteve-se ao ver a tumba aberta e a luz que saía de seu interior. O corpo de Harry se gelou e isso lhe levou a recordar que ao princípio sempre era assim quando estava com Dumbledore, que parecia que a temperatura a sua ao redor descia.
Albus Dumbledore emergiu da tumba rodeado de uma aura azul. Parecia demasiado sereno, quase etéreo e inofensivo. Essa aparência não era mais que a casca de uma noz que mostrava bondade e esperança, mas que por dentro não era mais que um fruto seco, amargo e cheio de medos.
—Harry, meu querido rapaz. —A voz de Dumbledore era suave, quase afetuosa. — Não pensei que te veria tão cedo. —Harry contraiu o rosto e empunhou a varinha. — Vai atacar-me? —Sabia. Dumbledore sabia tudo. — Não seria um duelo justo; eu não tenho minha varinha e você me leva uma vantagem muito grande.
—Não vou deixar que saia vivo daqui. —Dumbledore sorriu-lhe indulgente.
—Como o conseguiu, meu querido rapaz? As viagens no tempo são impossíveis, e mais quando são tão específicos. —Dumbledore olhou para o castelo. — Tem dado brilhantes mentes ao mundo… Hermione Granger, por exemplo. —Harry perdeu um pouco a tranquilidade quando escutou o nome de sua amiga. — Ela te trouxe aqui, verdadeiro? Brilhante, brilhante. Poderosa magia. Sem dúvida aprendeu mais de Firenze do que imaginava, se ganhou a confiança desse ser. Maravilhoso, terei que cuidar à senhorita Granger até que possa me informar com exatidão de como pôde abrir uma brecha no espaço-tempo e fazer sua viagem possível. —Harry sentia vibrar sua magia; o rancor estava-o dominando. Sabia o que Dumbledore queria dizer: conservaria a Hermione até que deixasse de lhe ser útil e depois…
—Uma razão mais para terminar contigo antes de que faça dano. —Albus surpreendeu-se com as palavras de Harry, mas ele já não podia sentir nenhum respeito pelo homem que lhe tinha causado tanta dor.
—Sabe? Comecei-o a suspeitar na gruta, mas confirmei-o enquanto os dois estávamos mortos. Sua mente bloqueou-me, não queria me ver nem precisava uma explicação. Sua magia era diferente, mais forte e madura. É brilhante, meu querido rapaz. —Dumbledore sorriu com satisfação. — Une-te a mim, Harry. —Essa noite tinha escutado duas vezes a mesma frase e sentia-se enojado. — É nosso destino. Devemos proteger ao mundo, e não só ao mundo mágico. Todos precisam de nós e juntos poderemos evitar que um novo mago escuro se erija como ser todo-poderoso. Seremos os guardiães permanentes do mundo. —Dumbledore dizia-o com uma paixão febril, um êxtase total. Para valer cria-se em suas palavras, para valer cria-se um guardião incorruptível e omnipotente.
—Escuta-te. Para valer não vê o grande parecido? Não posso me unir a ti porque está a ponto de se converter nisso que quer combater. —Dumbledore olhou-o como se acabasse de dizer a pior das mentiras. — Paremos isto aqui e agora. Não pode regressar, não pode se condenar de novo. —Harry podia sentir a magia de Dumbledore agitando-se. — O caminho que está a ponto de seguir é o de um tirano, o de um ditador, o mesmo que seguiu Tom…
—Basta! —Um raio surcou o céu. — Eu levarei ao mundo para a paz e a esperança e te demonstrarei que sou a única resposta. Lamento que não possa o ver assim, meu querido rapaz.
—Não, você não é a esperança. Me recuso a achar que o mundo deva estar encadeado e submetido. Se deixo-te vivo se converterá em um câncer para o mundo e não posso me permitir. —Harry levantou a varinha. Estava a ponto de dizer o feitiço quando Remus apareceu correndo e se colocou adiante de Dumbledore.
—Harry! Que diabos sucede? —Remus olhou a Dumbledore. — Como…
—Se afasta dele, Remus… —Harry reajustou sua varinha disposto a não a baixar. — Preciso acabar com ele! —Remus abriu os olhos desmesuradamente. As contundentes palavras de Harry tomaram ao professor por surpresa.
—Remus, eu nunca estive morto. —Lupin olhou a Dumbledore. — Foi um feitiço. —Remus engasgou. — Harry não é o rapaz que cries. Tem dentro um pedaço da alma do Lord Voldemort…
—NÃO! Mente! Como se atreve a…
—Não sei se podemos lhe ajudar. Ocorreu quando o feitiço se reverteu a primeira vez. Voldemort, sem querer, fez de Harry um horcruxe. E agora que têm destruído todos os demais esse pedaço de alma se manifestou mais forte que nunca. —Remus olhou a Dumbledore e depois a Harry.
—Não lhe pode crer, Remus. Não é verdadeiro! —Harry suava frio. Não podia achar que Dumbledore usasse isso em seu contra. Severus chegou acompanhado de Ron e Hermione, grande parte da família Weasley e alguns alunos do colégio.
—Vocês o viram durante este tempo. Teve um comportamento errático e a cada que um horcruxe era destruído ele se comportava diferente, mais sanguinário. A cada vez menos humano. —Hermione abriu um pouco a boca. Seus olhos diziam-no tudo. — Harry é o último horcruxe. Voldemort devia se dar conta e agora o quer possuir…
—É MENTIRA! NÃO LHE PODEM CRER! É ele. Tenho que lhe deter antes de que faça dano, antes de que seja tarde. —Harry moveu lentamente sua varinha, mas Remus não se apartou. O colégio e seus amigos estavam-lhe dando as costas com só ver a Dumbledore de pé. Remus levantou sua varinha disposto a deter-lhe…
—Impedimenta! —Remus saiu voando e Neville colocou-se ao lado de Harry. Depois os dois saíram correndo para o bosque.
Quando se tiveram afastado um bom pedaço, Neville o apanhou da mão e de repente sentiu o puxão de um aparecimento. Caíram de bruços na Cabeça de Javali.
—Neville? —A voz de Aberforth escutou-se aos poucos segundos. — Não podem ficar aqui, virão a lhes buscar. Ainda dura a comoção por ver a Albus vivo, mas a paralisias passará. E enquanto ele siga contando a história de Potter… Têm que ocultar em um lugar impenetrável para meu querido irmão. O Vale de Godric. A casa dos Potter.
—Isso é uma ruína — respondeu Harry automaticamente.
—Embaixo das ruínas há um esconderijo perfeito. —sorriu Aberforth. — Sirius nunca confiou em Dumbledore, e menos ainda após fugir-se de Azkaban, de modo que preparou um refúgio embaixo da casa de seus pais. Esse cão pulgoso tinha grandes ideias. O feitiço de amor ainda funciona e Albus é incapaz de penetrar ali; só você e os que você convide. Vamos, desapareçam antes de que seja tarde.
Harry apanhou a Neville da manga e apareceram-se no Vale de Godric, justo em frente às ruínas da casa dos Potter. Entraram. Harry olhou com atenção o montículo e encontrou um patrão nas pedras. Sirius sempre tinha sido um cão brilhante. Uso as mãos para movê-las e deixar à vista uma pequena entrada. Harry foi o primeiro em baixar e encontrou-se com uma casa subterrânea. Sirius tinha tido tudo planejado.
Harry fechou os olhos; sentia-se frustrado e enojado. Quando sentiu a Neville por trás dele, se girou com violência e o tomou da camisa para estampa-lo contra uma das paredes.
—Por que me deteve?! —gritou enquanto empurrava-o com força. Neville tentou parar-lhe sujeitando das mãos.
—Que ia fazer?! —A voz de Neville era forte. — Assassinar ao professor Lupin em frente a todos e depois esperar que te deixassem ir a por Albus? —Neville usou o corpo para empurrar a Harry para o outro lado e importar-lhe contra a parede oposta. — Só lhe ia dar uma razão mais para que lhe cressem!
—E você porque me creste a mim? —lhe reptou Harry.
—Não te cri a ti. Não de tudo. Abe contou-me a história de seu irmão e fez-me ver a Albus Dumbledore com outros olhos. Quando estávamos com Ron e Hermione, antes de entrar ao túnel, você me ia dizer algo sobre ele. Quando sucedeu a comoção imaginei que te referia a isso. Agora —disse Neville severamente ao mesmo tempo que lhe soltava. — quero a verdade. Quero toda a história, Harry. Após ter-lhe posto preço a minha cabeça sacando-te de ali mereço.
—Nev…
—A verdade, Harry! —Neville olhou-o tenso. E pela primeira vez Harry se reencontró com a mirada feroz do Neville de seu tempo. — Deixei a minha avó, a Abe, a todos os garotos e a… todos, por vir atrás de ti, por crer em ti! Mereço-me a verdade.
—Tenho trinta e sete anos. —Neville engoliu saliva e olhou-o aos olhos. Harry sentia que estava tratando encontrar a mentira por trás de suas palavras—. Não sei como, mas Hermione conseguiu que regressasse no tempo, ou abriu uma brecha de espaço-tempo, ou alinhou os planetas… Não o sei! Ela morreu antes de que pudesse lhe perguntar.
—Como…
Harry engasgou, aguentou o pranto e respirou fundo. Era o momento. Pela primeira vez ia relatar seus crimes a uma pessoa a quem queria e admirava e que lhe admirava a ele. Não tinha sido um bom amigo, nem um bom mago, nem um bom Gryffindor. Chegou um momento no que só queria sobreviver sem lhe importar nada mais. Odiava-se a si mesmo por ter sido tão débil, mas também tentava se desculpar pensando que em seu mundo não tinha tido outra opção. Não após ter tomado a decisão de seguir a Dumbledore cegamente.
Neville escutou as atrocidades da guerra: Harry arrancando bebes de braços de suas mães; Harry e sua equipe usando imperdoáveis para enganar a esses mesmos pais; Harry ajudando a instaurar o poder de Albus Dumbledore acima de tudo, semeando terror e enchendo a vida da gente de sofrimento; Harry sentindo envida de Neville, porque ele sim podia derramar as lágrimas que Harry não… Ele tinha que se conter porque as lágrimas não serviam de nada. Falou-lhe das mortes, dos rebeldes, de Ron, de Hermione, de Draco e, quando estava a ponto de lhe contar algo sobre ele mesmo, Neville negou.
—Não quero saber o que passará comigo. —Harry não podia lhe crer. Era importante, com Albus de regresso, era muito importante que Neville conhecesse seu destino.
—Tem que o escutar —lhe disse com desespero. — Não pode me deter assim. É importante, tem que ver com teu destino. —Neville girou-se. Suas facções eram duras e o pranto tinha feito enrijecer seus olhos. Harry podia notar o brilhante que eram seus olhos verdes.
—Não há destino! —grunhiu Neville. — Não o vê? —Neville fechou os olhos e baixou o rosto por um segundo. — Só há decisões. Boas ou más, mas nossas. Fazer o correto é o mais difícil. Ensinaste-me antes. Agora o único que quero é fazer o correto e isso é evitar que Albus possa chegar a ter todo esse poder.
—É melhor que vamos dormir. —acabou a conversa Harry. Neville assentiu e buscaram as habitações.
A casa subterrânea tinha as mesmas dimensões que as que tinha tido a antiga casa dos Potter. Harry ocupou o que parecia o quarto principal enquanto Neville se instalou no quarto contiguo. Harry deu voltas sobre a cama enquanto as palavras de Neville faziam-no em sua cabeça… Decisões. Harry tinha tomado tantas más decisões em sua vida… Essa noite Neville tinha-o salvado de cometer outro erro terrível. Cria ter todas as respostas: era maior, tinha vivido mais… Mas não, não tinha todas as respostas e tinha que entender que, apesar de tudo, ainda podia aprender a ser alguém melhor, a ser alguém novo. Mas era tão difícil começar de novo…
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Draco apareceu-se no meio do cemitério. Outra vez tinha sido degradado ao status de coruja. Mas aceitava-o por duas motivações. Para começar Severus tinha conseguido que seus pais saíssem do alcance imediato de Albus Dumbledore. Draco suspirou. Quando viu a Bobo morto pensou que tudo por fim se tinha acabado, mas a louca fugida de Potter lhe disse que algo pior estava por suceder e, como sempre, não se equivocava. Albus Dumbledore tinha voltado da morte e já não era o lindo velhinho que conhecia. Draco tinha estado bem perto da maldade para não a reconhecer quando a via nos olhos de alguém. De modo que Bobo estava morto, mas ZombieAlbus estava levantando-se. Sua primeira ordem, em um mês após seu milagroso regresso: encontrar a Potter e levá-lo ante o ministério. Coisa que era por demais absurda já que ZombieAlbus era quase o ministro; Shacklebolt não dava um passo sem lhe consultar. Era patético ver a esse homem rendendo-lhe pleiteia. Claro que todos o faziam. Todos menos Severus Snape. Draco não podia deixar de admirar a maestria com a que Severus se colocava nos pontos mais perigosos, mas também os mais estratégicos. Deixou de ser mão direita de Bobo para ser mão direita de ZombieAlbus e isso o trazia de novo a sua missão. Não sabia como, mas Severus mantinha contato direto com Potter, de modo que Draco estava no cemitério do Vale de Godric para lhe dar "uma informação de soma importância e vitalidade quantificável" segundo as lindas palavras de Severus.
Draco deu um par de passos até que se encontrou com a tumba dos Potter. As guerras sempre estavam cheias de mortes injustas. Draco sabia que um garoto nunca deveria crescer sem seus pais. Escutou o leve ranger das folhas e empunhou com força sua varinha. Harry saiu da escuridão. Draco engoliu grosso quando o viu. Um sentimento chegado a mais lá do que podia sequer descrever o levou a caminhar para Harry e, de repente, os dois estavam fundidos em um furioso beijo. Harry o foi levando para a escuridão de onde tinha vindo e o prensou contra uma árvore enquanto deixava vagar suas mãos pelo firme corpo de Draco.
—Há… —Draco não pôde continuar porque a língua de Harry se enredava deliciosamente com a sua. Sim, esta era a segunda de suas motivações para vir.
As mãos de Draco buscaram caminho por embaixo da roupa de Harry. Tudo era demasiado quente e urgente. Draco notava-o e sabia que tinha duas opções: parar a Potter em seco ou começar a pensar que, essa noite e nesse cemitério, ia perder seu virgindade. Potter fez mais demandante o beijo e Draco mandou à merda todas suas dúvidas; ele não era nada romântico e estando quente o mesmo lhe davam a seda das cobertas de sua cama que uma árvore sujo no meio de um cemitério lúgubre. Rodou a quadril para roçar-se com a pênis de Potter, que gemeu com desespero e lhe arranjou para elevar as pernas de Draco e lhe ancorar na cintura.
Harry estava faminto por esse tipo de contato, por sentir-se bem de novo. Nesse mês ao lado de Neville tinha estado cheio de absoluta escuridão. Neville não lhe dizia nada, não lhe reclamava nada e parecia sempre disposto a ser amigável e civilizado. Mas Harry não podia o suportar, preferia o ódio ao entendimento. A cada vez sentia-se mais culpada e mais enojado de si mesmo. A sensação de ser um filho de puta que não se pode isentar era terrível. De modo que, assim que viu a Draco, não pôde evitar se lançar sobre ele para se sentir rodeado de seu calor. Estava disposto a acordar a paixão que Draco escondia. Quando o escutou gemer soube que não tinha marcha atrás, que por muito que quisesse se deter seu corpo o evitaria. Precisava possuir lhe.
Ansioso, abriu a calça do loiro e colou as mãos dentro para poder acariciar lhe. A pele de Draco era quente. Apartou as calças e colocou as mãos possesivas sobre as nádegas de Draco para separá-las e roçar com os dedos sua entrada. Harry separou-se um pouco dos lábios de Draco para gemer roucamente. Sabia que Draco era virgem e pensar que esse calor lhe envolveria o fez o desejar mais. Sem varinha, murmurou um feitiço e sorriu ao sentir a pele de Draco estremecendo-se. Espalhou habilmente com os dedos o lubrificante por toda a raja de Draco. Por fim, meteu dois dos dedos no apertado cu do loiro. Viu a Draco fechar os olhos e exalar; estava concentrado. Harry sabia que lhe doía, mas ele buscava lhe dar prazer. Deslizou lentamente os dedos buscando o ponto que voltaria louco ao loiro. Quando o conseguiu, Harry não podia estar mais quente; essa expressão de êxtase era a que queria provocar em Draco com seu pênis lhe golpeando uma e outra vez nesse delicioso ponto.
Harry abriu suas próprias calças e, mal pôde, deslizou seu pênis pela raja de Draco, lubrificada e ansiosa. Colocou a ponta no buraco do cu de Draco e foi entrando nele o mais lento que pôde para desfrutar por completo de sua estreiteza. Estava apertado e quente. Harry grunhiu quando suas bolas chocaram contra as nádegas de Draco. Retomou o beijo, quase tão violento como suas investidas. Harry não podia o fazer devagar, não quando seu corpo demandava o possuir. Draco abraçava-se a ele e o sentia os delgados dedos do loiro fincando em seu ombros. Draco gemeu sobre o beijo. Harry separou mais seus nádegas enquanto massageava os dois fortes montículos que o estavam voltando louco. Seguiu investindo-lhe a cada vez com mais e mais força até que sentiu que seu corpo não podia mais. Draco correu-se sobre sua roupa quase ao mesmo tempo que Harry soltava um rosnado animal enquanto se derramava dentro dele.
Harry apoiou a testa sobre o ombro de Draco enquanto tentava que sua respiração se normalizara. Sentia que todo seu corpo tinha perdido a força, mas se obrigou a se acalmar. Pouco a pouco soltou o corpo de Draco, quem ainda estava sustentando na árvore e tinha os olhos fechados e o rosto sereno. Uns segundos depois o loiro arranjou-se suas roupas e Harry fez o próprio. Draco suspirou ruidosamente. Harry não sabia que dizer ou fazer; não considerava que Draco fosse desses homens que precisavam abraços ou algum tipo de intimidem para além da que já tinham. Olhou-o por uns segundos sem saber que lhe dizer. Draco buscou entre suas roupas e entregou-lhe um sobre selado magicamente.
—Isto é o que me trouxe até aqui. —A voz de Draco estava rouca. Harry evitou qualquer careta de satisfação. — Severus disse-me que era vital que te comunicasse com ele.
—Vamos à casa. É mais seguro ali.
Harry levou-o até as ruínas e convidou-o a entrar para que o feitiço funcionasse com Draco. Neville estava-o esperando. Quando viu a Draco não pôde dissimular o sorriso. Olharam-se por um momento e depois deram-se um abraço.
—Por fim seus estúpidos instintos Gryffindor meteram-te em uma grande —disse-lhe Draco em tom irônico quando se separou um pouco dos braços de Neville.
—Não posso achar que esteja aqui. —Harry se aclarou a garganta conseguindo que os dois se separassem definitivamente.
—Tem trazido isto. O professor Snape enviou. —Neville assentiu sério. — Vejamos.
Harry abriu o sobre onde só tinha um pedaço de pergaminho que tinha escrito:
"Draco é considerado um traidor. Precisava esta distração. Espera à cerva."
Harry mostrou-lhes o pergaminho e Draco grunhiu frustrado.
—Sabia que não podia confiar nele. Merda!
—O professor devia de ter uma poderosa razão para fazer isto. Calma, Draco —tentou tranquilizar Neville ao loiro.
—Teremos que montar guarda; há que esperar o patronus do professor Snape.
*****
Neville se reajustou a manta sobre os ombros; o frio no Vale era bastante intenso pelas noites. Tinha-lhe tocado a primeira guarda e agradecia-o; precisava tempo para pensar e pôr em ordem suas ideias. Desde que Harry tinha-lhe contado tudo sua mente se encontrava revolta: por um lado queria desprezar a Harry, mas pelo outro entendia-lhe. Era tão fácil cair pelas palavras ternas, pelo carinho fingido… Ambos eram órfãos e só alguém que nunca tivesse conhecido a seus pais podia entender as razões pelas que se caía tão baixo a mudança de um pouco de carinho.
—Um knut pelo que pensa justo neste momento. —Neville se sobressaltou quando escutou a voz de Draco.
—Que faz aqui? Deveria estar dormindo; toca-te o terceiro posto na guarda. —Draco encolheu-se de ombros.
—Não tenho sono. Que te passa? Algo tem nessa cabecinha de gato tonto. —Neville riu.
—Nada… Só… —Neville olhou para o solo. Não podia lhe contar a verdade, isso lhe tocava a Harry. — Nunca pensei que terminaríamos assim. Nem sequer sei se minha avó está bem. —Neville resmungou. — Pensei que com a morte de Voldemort tudo voltaria à normalidade.
—Talvez esta é a normalidade. O mundo mágico tem estado em guerra desde antes de que nós nascêssemos. Uma temporada mais não lhe fará dano a ninguém. —Neville riu amargamente. — Tua avó está bem. —Draco apanhou mão direita de Neville entre as suas. — Vi-a em Hogsmeade em uns dias antes de que Severus me tendesse esta armadilha. —Neville moveu-se para passar a manta sobre os ombros de Draco.
—Agradeço que o professor te tendesse esta armadilha. —Draco sorriu.
—Eu sei. Morre-te sem mim. —Ambos riram deixando que o calor lhes calasse.
Harry tinha saído ao bosque muito antes de que Neville se instalasse na guarda. Estava a ponto de sentar a seu lado para acompanhar-lhe, mas quando viu a Draco, quando os viu interatuar, quando os viu tomados das mãos… Neville tinha conseguido com esse minúsculo gesto compartilhar mais intimidem com Draco que Harry após lhe foder como um possesso. Viu um flash entre as árvores e caminhou seguindo à cerva que o levou diretamente para a parte mais escura do bosque. Harry sorriu quando sentiu a presença de seu professor.
—Professor. —Severus Snape apareceu dentre as sombras.
—Senhor Potter, lamento vir a terminar com suas férias. —Harry desenhou um sorriso. — Tenho descoberto algo de interesse. Estive estudando a lenda de Osíris e o amor que o regressou à vida. Recorda que lhe mencionei nossa desafortunada participação na primeira parte do feitiço de nosso amigo? —Harry assentiu cansado. — Tenho descoberto a segunda parte. —Harry olhou a Severus sem poder crê-lo. — O amor de Isis e Hórus foi o que conseguiu que o corpo de Osíris regressasse a eles. Nosso amigo precisou a morte por amor a sua causa para regressar: James Potter, Lily Evans, Sirius Black, Alastor Moody, Percy Weasley e Nymphadora Tonks.
—E mais centos. O castelo encheu-se de mortos. —Severus negou.
—Essas seis mortes são próximas a nós dois, nos usou como vinculo com este mundo. Recorda algo em particular de seu mundo, algo que ele guardasse com reverência? —Harry pensou tentando recordar com precisão. Gringotts, a câmera de Ariana. Albus tinha mandado construir essa câmera especificamente. Harry recordava que ali só tinha seis joias, mas Albus nunca tinha mostrado demasiado interesse.
—A câmera de Ariana. Tinha só seis joias. Contou-nos uma história de um presente para sua irmã, um presente que nunca pôde lhe dar.
—Precisamos essas seis joias. São a única forma de poder regressar à morte. Teremos que colocar na tumba para selar de novo o sacrifício. —Severus mostrou-lhe vários rolos de pergaminho em um idioma ilegível para Harry ou qualquer ser humano normal. Seguro que tinha uns quantos que podiam decifra-lo e agradecia ter a um desses de seu lado. — "Os seis sacrifícios de amor por parte de pessoas amadas pelos executores são os seis unhas do ataúde de Osíris. Quando estejam juntos ele regressará à tumba para não sair jamais". Usou os seis sacrifícios para regressar à vida, mas obviamente não quer que se usem para regressar à tumba. Compreende, Potter? Isto foi o que a Granger de seu tempo não pôde decifrar.
—Eu… Acho que sim… Mas não sei onde estão. Obviamente não as tem longe dele.
—Equivoca-se, não as tem em seu poder. Estou seguro de que as tem disseminado pelo mundo. Ele sabe que você não conhece o feitiço completo, mas mesmo assim não pode se arriscar. E menos ainda quando há uma forma de dar com elas. —Severus buscou entre seus bolsos e sacou uma rocha que Harry conhecia muito bem. — Não lhe chamam a Pedra da Ressurreição por nada.
—Como…
—Tenho bons instintos de busca. A pedra brilhará quando esteja cerca da cada uma dessas joias.
—Segue sem servir. Não é um mapa. —Harry estava pondo-se tenso de novo. Como ia encontrar algo que podia estar em qualquer lugar? Voldemort tinha sido um tonto escolhendo coisas fáceis de deduzir, mas uma joia… Caralho, podiam estar em qualquer parte.
—Leia a imprensa muggle. As joias sempre estarão relacionadas com uma tragédia, com morte e sofrimento. —Severus mostrou-lhe um jornal. Um Ferri dos Estados Unidos tinha chocado com um navio de transporte e tinha centos de mortos e feridos. — O navio transportava objetos raros que se iam estudar no Instituto Smithsonian. —Os olhos de Severus resplandeceram. — Não estaria a mais que fizesse uma visita a América.
Harry ia acrescentar algo, mas Snape desapareceu.
—Genial! Pelo menos ainda tenho o pergaminho! —gritou ao vento.
\*\*\*\*\
Harry regressou à casa com a ideia de contar-lhe tudo a Neville e Draco, mas se deteve quando viu a Hermione e Ron em frente a ele. Ron via-se nervoso e apenado e Hermione tinha lágrimas nos olhos. Harry temia o pior. Empunhou sua varinha dentro de suas roupas…
Nota tradutor:
Hummmmmmmmmm
Que loucura!
Vejo vocês por ai
Ate breve
