Capítulo XVIII

Entre fantasmas

—Como que a uma armadilha? —Draco olhou o diário e depois a Granger. — Explica-te…

—O papel não é muggle e tem magia, algum tipo de sinalização, não de um lugar senão de uma pessoa.

Severus examinou as folhas. Ele não teria suspeitado nunca do diário muggle, para ele era comum e corrente, e isso se devia a que nunca tinha convivido de tudo com os muggles. No entanto, a experiência de Granger fez-lhe suspeitar e decidiu comprovar se tinha razão. E sim, o diário muggle transbordava a magia muito poderosa.

—A senhorita Granger tem razão. Esse diário tem magia. —Severus olhou a cara de desconcerto do resto. — Sim, a casa de Augusta Longbottom está protegida e ninguém que não saiba nossa localização exata poderia nos encontrar, é como se a casa dos Longbottom não existisse em nenhum mapa. No entanto, o feitiço sobre o diário não tem como finalidade romper essa proteção. Quem fez este feitiço sabe-o e não se importa porque o único que queria era que Potter o lesse.

Hermione apanhou de novo o diário e leu a nota. Nesse momento um tiro de magia pôs sobre aviso a todos. Em matéria de segundos duas pessoas se materializaram em frente a eles: Theo Nott e Millicent Bulstrode. Neville baixou a varinha assim que viu-os sem saber muito bem como é que tinham chegado a sua casa.

—Que fazem aqui? Disse-lhes que era muito perigoso que revelassem seu status…

—Isso ainda não tem sucedido, senhor. Cuidamo-nos muito bem antes de aparecer aqui —disse Millicent. — É urgente, senhor. —Severus esperava o pior.

—Ontem Ginny desapareceu após nossa reunião em casa de Millicent —disse Nott. Ron quase salta de seu lugar.

—Qual reunião? —Ron se sobressaltou. — Que poderia estar fazendo minha irmã com duas serpentes como vocês? —Hermione olhou-o mau e Ron acalmou-se um pouco.

—Ginny é a líder de nosso exército. —O quejo de Ron caiu ao solo. — A cada dia reunimo-nos na casa mais conveniente. A última noite que a vimos Ginny nos deu instruções e prometeu se comunicar depois conosco, mas nunca o fez. A senhora Weasley não sabe nada dela e lhe pediu ajuda a Dumbledore. Mas nós duvidamos, senhor.

Fazia meses Theo e Millicent tinham buscado a Severus, o tinham convencido e tinham-no quase contornado para que os convertesse em espiões. Severus tinha-lhes advertido de que a vida de espião era curta e difícil, no entanto nenhum pareceu demasiado perturbado ante a ideia. Assim foi como esses Slytherin rebeldes se converteram em espiões e aliados importantíssimos para Ginny Weasley.

—Uma coisa mais, professor. Encontramos isso em casa dos Weasley. —Severus olhou com interesse os dois ramos de espinho morado.

—O feitiço dos inimigos. —disse olhando com atenção os ramos. — Quem levou-se à senhorita Weasley é a mesma pessoa que fez do diário um instrumento de sinalização. Enfeitiçarão ao senhor Potter para que veja Ginny como seu pior inimigo. Isso quer dizer que…

—Além de querer a Ginny morta querem que seja culpa de Harry —completou Neville.

Hermione saiu correndo para o jardim da casa e uns minutos depois regressou com o semblante sério.

—O orfanato existe ainda que está abandonado e a história do incêndio não é real. Temos que ir imediatamente. Ainda podemos lhes salvar. —Ron assentiu.

—Não tão rápido, senhorita Granger. Antes têm que saber que o senhor Potter se encontra baixo o efeito de um poderoso feitiço. A todas as pessoas que se lhe acerquem as verá como seu mais odiado inimigo e quererá as assassinar. Já têm notado que o senhor Potter não é precisamente delicado com o uso de sua magia dirigida para suas oponentes de modo que…

—São Harry e Ginny. Não os vamos deixar. Não podemos. —disse Ron com firmeza.

—Bem. Então, uma vez sabendo isso, vamos ao orfanato.

Apesar do sombrio aspecto da missão, Neville sorriu. Hermione e Ron ainda queriam a Harry. Estavam pondo em risco sua vida por ele e por Ginny. Dentro de todo o mau que estava sucedendo Neville tentava ver o melhor.

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O orfanato estava fora da cidade. A estrutura do edifício estava intacta e via-se imponente. Severus em seguida percebeu a magia concentrada. Primeiro a de Harry, que era muito poderosa, mas também tinha outra maligna que envolvia o lugar com uma energia escura. Girou-se para olhar ao nutrido grupo de magos que o olhavam expectante. Neville parecia perceber o mesmo que ele ou, pelo menos, sentia o perigo latente no que se encontravam.

—Repito-lhes que o senhor Potter não lhes vai reconhecer e que quererá lhes assassinar, de modo que vocês dirão…

—Vamos entrar diga o que diga, Snape. —disse Ron ao mesmo tempo que empurrava a Severus e atravessava a entrada. Então deu-se conta de que uma grande força rodeava a casa.

Neville se aferrou a sua varinha assim que atravessou a barreira invisível que existia na entrada do orfanato. Era como se um ar frio se lhe tivesse colado até os ossos. Independentemente do feitiço que tivesse, o edifício estava impregnado de sofrimento. A cada parede e a cada móvel estavam cheios de uma sensação negativa.

—Devemos dividir-nos. Este lugar é imenso. —Severus observou a Nott e Bulstrode. Pareciam menos perturbados que os demais, mas ele os conhecia o suficiente como para notar que estavam tão assustados como o resto. O próprio Severus estava temeroso do que lhes podia deparar um lugar como aquele. — Vocês aqui abaixo. Revisem tudo com cuidado e, ao menor indício de Potter, avisem. Não tentem o enfrentar sozinhos. —Theo e Millicent assentiram.

Draco, Severus, Ron, Hermione e Neville subiram as escadas. Severus encomendou-lhe o seguinte andar a Ron e Hermione com as mesmas instruções. Quando estavam a ponto de seguir pelas escadas Severus viu um fantasma. Era um menino pequeno que se via completamente queimado. Sua energia era escura e tentou lançar-se sobre Severus.

—Accio. —Uma barra de metal chegou até suas mãos. Severus golpeou a figura com a barra fazendo que desaparecesse. — Tenham cuidado com os fantasmas, não são amigáveis. —Ron engasgou. Não lhe deram tempo para perguntar nada.

—Acha que todo seja obra do velho? —perguntou Draco a Severus enquanto olhava o vão. A temperatura tinha descido e o frio fazia-lhes tiritar. Severus aplicou-se um feitiço para conservar o calor, mas foi repelido pelas defesas do orfanato.

—Não, acho que escolheu este lugar por algo. Aqui há magia poderosa. Desde que entramos sinto-me observado e esse fantasma que temos visto faz um momento não tem sido casualidade.

—É como que se o sofrimento se tivesse ficado colado às paredes. A morte, o pranto, a dor… —Neville se umedeceu os lábios. No fundo do corredor viu a um garoto de escassos três anos sorrindo-lhe enquanto seu corpo começava a tornar-se vermelho até ficar em carne viva. Depois o menino soltou um grito espectral que atingiram a escutar Severus e Draco. — Sabemos que Albus é retorcido, mas isto é demasiado. Deixar a Ginny aqui, enfeitiçar a Harry para que a mate, para que a cace…

—Vamos, Longbottom. —Draco lhe palmeou as costas.

Caminharam pelo corredor revisando a cada habitação. A maioria estavam cheias de cinzas. Conforme passavam os minutos e não encontravam a Harry, começavam a se desesperar. O ambiente era a cada vez mais sufocante e os fantasmas apresentavam-se de mil formas, todos com a mesma intenção de machucar lhes. Suas próprias forças pareciam estar-lhes abandonando. Draco olhou uma porta sem pomo. Era metálica e parecia estar desenhada para que nada que estivesse dentro pudesse sair.

—Mas… —Severus acercou lhe e olhou a porta.

—Quiçá esteja aqui —disse Neville. Draco assentiu. Tinha tentado controlar seu temor, mas estar em frente a essa porta estava-lhe dando calafrios. — Draco? —Malfoy piscou. — Está bem? —Draco sentiu o abraço de Neville.

—Draco?

—Vamos, estou bem. —Levantou a varinha. — Alohomora. —A porta abriu-se inesperadamente deixando sair um pranto enterrado por muitos anos. Até os três chegaram imagens dos golpes, o abuso e as suplicas. — Este lugar devia queimar até seus alicerces —arquejou Draco.

Tinha umas quantas escadas que os levavam para abaixo. Neville tropeçou e, como reflexo, se apoiou com parede. Em quando sua mão fez contato com a superfície chegou a sua mente a imagem de um garoto sendo levado a empurrões para o quarto. Depois viu-o sendo despido e inclinado sobre uma cama. Neville quis abrir os olhos, quis gritar quando viu ao homem lhe tocando…

—Impedimenta. Neville! —O grito do professor Snape sacou-o do trance. — Vamos. —Nesse momento quase golpeou-o outro feitiço. — É Potter, encontrámo-lo e não está de boas.

Severus e Neville refugiaram-se por trás de uma parede. Tentavam desarmar a Harry, mas era impossível porque, além de que sua técnica era insuperável, Harry estava resguardado por trás de um pilar. Draco, que se encontrava por trás das fracas ruínas de uns móveis, tentava sair dali. Mas era muito tarde; um dos feitiços desfez a pequena barricada.

—Draco? —A voz de Harry era pastosa. Malfoy esperava o golpe final, mas em vez disso os braços de Harry o rodearam em um abraço. — Como tens chegado até aqui? —A voz de Harry rompeu-se. — Isto é um pesadelo. Temos que sair daqui, já tenho a gema. —Harry mostrou-lhe a pedra preciosa de cor negro. — Não sabe o feliz que estou de te ver. —E sem mais, Harry o beijou precisado e Draco correspondeu-lhe. A sensação era maravilhosa, o calor de Potter era reconfortante e pela primeira vez encontrava com que essa caricia não era mecânica senão desejada.

—Harry… —Neville tentou chamar-lhe mas assim que Harry separou-se de Draco e olhou-o levantou a varinha disposto a acabar com ele.

—Não… Espera, Harry. —Draco interpôs-se. — É Neville. —Harry negou. — Enfeitiçaram-te!

Harry piscou. Tinha tentando libertar-se de um mau sentimento, como se estivesse se resistindo a algo, e nesse momento soube de que se tratava. Era o feitiço, estava-se resistindo ao feitiço. Baixou a varinha, olhou intensamente para o Dumbledore que estava em pé por trás de Draco, fez um enorme esforço por sair do feitiço e, por uns breves segundos, pôde ver a Neville.

—Temos que sair daqui —murmurou Severus se colocando por trás de Neville. Harry lutou para não levantar a varinha. Estava sofrendo, as imagens dos dois Dumbledore estavam-lhe perturbando.

—Vamos. —Draco apanhou lhe da mão. — Hoje me terá de lazara-lo de luxo. —Draco lhe beijou com doçura e Harry deixou-se guiar mansamente esquecendo-se de toda a situação.

—Por que reconheceu a Draco? —não pôde evitar perguntar Neville a Severus.

—Chama-se confiança. Além de outra cosinha que não acho que vá fazer muito feliz a Lucius.

Neville tornou-se sério. Estava claro que as palavras do professor lhe tinham deixado a dúvida.

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Ron empurrou a porta com força. Tinha escutado o pranto de sua irmã e não lhe tinha importado nada mais que saber que lhe passava. Dentro tudo estava escuro e só podia escutar os lamentos e pequenos gemidos que escapam da garganta de sua irmã pequena. Hermione viu-o empurrar o mobiliário, buscar a golpe de varinha algum rastro de sua irmã. Quando a encontraram viram que Ginny estava em uma das esquinas da habitação com os olhos vendados e tremendo de medo.

—Ginny. —Ron chegou até ela e a abraçou. — Tudo está bem. —Ginny duvidou-o um pouco, mas depois abraçou-se a seu irmão com uma necessidade que fez que o coração do ruivo se encolhesse.

—Ron… —arquejou Ginny. Hermione limpou-lhe as lágrimas dos olhos. Ginny parecia estar bem fisicamente, mas se via completamente perturbada.

—Temos que sair daqui —lhes disse Hermione olhando o lugar que a cada vez se ensombrecia mais.

Ron quis tomar a Ginny entre seus braços mas sua irmã impediu-lhe. Com sua ajuda pôs-se de pé e saiu caminhando da habitação. Baixaram apressadamente. A cada segundo que passava parecia que a casa cobrava vida, uma vida escura que os estava reclamando. Encontraram-se a Theo e Millicent na porta, ambos bastante inquietos.

—Vocês também o sentem? —Nott olhou para a escuridão e depois para Hermione, quem assentiu.

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Draco ia quase correndo com Harry da mão depois dele. Mais atrasados escutava a Severus e Neville lutando com alguns fantasmas, mas, mais que isso, com a sensação de que algo lhes ia passar se não saíam cedo. Quando viu aos demais reunidos ao redor da porta principal se deteve em seco.

—Vamos fazer algo, Potter. —Draco viu de relance como Neville e Severus estavam arquejantes, quase esperando ser atacados. — Fecha os olhos. Não importa o que passe, não os abra. Não sei que passa, mas só podes me ver a mim. Lá afora para ti só terá velhotes ainda que em realidade não o sejam, de modo que só te fico eu. Confia em mim?

Harry se umedeceu os lábios. Desde que tinha visto a Draco e tinha-o beijado era como se só ele fosse real e todo o demais estivesse sacado de seus pesadelos. Não podia pensar em confiar em ninguém nem nada mais. Se era honesto, Draco tinha avariado um pouco sua barreira e tinha-lhe algo mais que confiança, ainda que ainda não sabia que, mas mais. E não sabia se devia diz…

—Sim… —Harry fechou os olhos e afirmou o agarre sobre a mão de Draco.

Draco caminhou de novo para os demais. Abriram a porta e saíram correndo. No entanto não puderam chegar à grade que tinham que cruzar para se desaparecer. Uns dementadores apareceram voando pelo céu. Harry levantou a cara para as manchas negras e sentiu-o. Era esse frio, esse como nenhum outro, era o frio que lhe provocava Albus Dumbledore. Resistiu-se feroz ao feitiço, tanto que ao abrir os olhos viu entre borrões a Severus, a Neville, a Ron, a Hermione e os demais. No entanto, o ar viciado dizia-lhe que seu verdadeiro inimigo estava perto.

—Têm que se ir, Draco. A casa não me deixará me marchar. —Harry deteve-se olhando a Draco aos olhos. O frio vento fez-se presente.

—Está louco? São dementadores. Não te pode ficar. Te destroçarão. —Harry sentiu-o acercando-se a cada vez mais.

—Vão-se! —gritou-lhes a Severus e Neville. — A casa não me deixará sair! Isso era o que queria, este era seu plano B!

—Vamos, Draco. —Neville o puxou, mas Draco não se moveu e olhou aos dementadores se acercando a cada vez mais.

—NÃO! —gritou o loiro quando viu aparecer ao verdadeiro Albus Dumbledore.

—Corram! —gritou-lhes Harry aos demais ao mesmo tempo que empurrava a Draco com a mão esquerda. — Depulso!

O corpo de Draco saiu voando pelos ares até o outro lado da grade. Os dementadores chegaram até ele. Harry tentou levantar a varinha, mas não tinha nada que pudesse fazer, só podia se concentrar em Albus Dumbledore lhe olhando impassível. Seguro que queria ver como era consumido pouco a pouco pelos dementadores.

—HARRY!

Harry escutou o grito desgarrador de Draco, fechou os olhos e levantou firmemente a varinha.

—Expecto patronum.

O enorme cervo saiu e derrubou aos dementadores. Harry abriu os olhos e olhou a Albus Dumbledore que, pela primeira vez, parecia sentir algo: temor.

Albus levantou a varinha para lançar uma grande bola de água. Como resposta, da varinha de Harry saiu um imenso fogo que se transformou cedo em um dragão que chocou contra a água. O fogo estendeu-se rapidamente por todo o edifício queimando o orfanato e criando um grande circulo de fogo e cinza a sua redor. O grande dragão foi consumindo a água e cedo Albus não pôde manter seu feitiço. O dragão de fogo desapareceu e Harry tomou seu lugar notando as mãos queimadas de Albus e a bochecha cheia de grandes pontos vermelhos.

—Queria ver-me morto? —Albus olhou-o com ódio. — Vir aqui foi um grande erro. —Harry enterrou sua varinha na garganta de Albus. Ia lançar o feitiço quando Albus lhe atravessou a mão com uma adaga.

—Ainda não é tempo, meu querido rapaz. —disse e desapareceu.

Harry recolheu sua varinha do chão e também desapareceu.

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Draco afastou-se de Neville assim que chegaram a casa dos Longbottom. Estava a ponto de regressar sem importar o que dissessem Severus e os demais. No entanto, não foi necessário. Harry caiu quase a seus pés com uma das mãos ensanguentada.

—Harry!

Draco viu a adaga na mão e não se atreveu a fazer nada. Severus acercou e com um passe de varinha tirou-lhe a adaga. A ferida começou a sangrar profusamente, mas com outro feitiço foi fechando-se.

—Tenho estado a ponto de matar, mas o muito infeliz não tem jogado limpo. —Harry tossiu pela fumaça que tinha aspirado no incêndio. — Ainda assim ganhei. —Harry mostrou-lhe a gema.

—Todo um herói, Potter. —disse Snape.

Harry sorriu de novo pela primeira vez e fazer desde a alma. Era como se nessa noite tão terrível e tão escura Harry tivesse recuperado um pouco da luz que lhe fazia falta.

Harry levou a mão ainda ensanguentada à nuca de Draco e lhe acercou para beija-lo. Não se importou com quem pudesse ver-lhes, nem sequer se percebeu de se estavam, só queria voltar a sentir essa faísca de carinho e pertence. Era isso, Draco lhe estava oferecendo a cada uma dessas coisas e Harry estava desejoso de sentir e também de acordar. Só durante esses segundos, durante esse beijo, se deu permissão de sentir, de merecer…

—Draco, o herói precisa descansar. —interrompeu-os Severus suavemente. — Não está bem. Deve de sentir-se débil e mareado. Esteve muito tempo resistindo um feitiço poderoso. Leve a sua habitação, tente que se dê um banho e em seguida lhe subirão algo para que tome.

—Não sou seu nana. —Draco levantou a sobrancelha esquerda e Severus desenhou um meio sorriso.

—Isso já o notámos todos. No entanto, acho que seu status permite-lhe cuidar de Potter.

Draco não disse mais e ajudou a Harry a se levantar para depois subir a sua habitação. As miradas de todos eram atentas, mas a de Neville ademais era dura e triste.

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Neville sentou-se no cadeirão do despacho de sua avó. Todas as luzes da casa estavam apagadas e era muito tarde para deambular pelos corredores, mas Neville não podia dormir. Apoiou as costas sobre o respaldo e fechou os olhos. Não os abriu até que escutou a porta se abrir. Era Draco vestido com sua bata de seda negra e com a firme intenção de apanhar um livro.

—Merda, Longbottom. Assustaste-me.

—Pensei que todo mundo estava dormindo. —Draco não disse nada, passou sua mirada por um estante e apanhou um livro de grossa massa azul. — Como segue Harry?

—Dormindo desde que subimos. —Neville levantou-se do cadeirão e olhou a Draco de acima a abaixo.

—Então… vocês são… —Draco se girou lentamente.

—Nada. O que éramos antes desta missão. —Neville não pôde evitar sorrir amargamente. — Que?

—Que… bom, que hoje se comeram a beijos enfrente de todos. Parece que após tudo Harry já não te resulta tão machucado. —Draco negou querendo sair do despacho para evitar a Neville. — Não tenho terminado. —Neville apanhou lhe do braço, mas Draco se soltou.

—Estás-te comportando como um idiota. —Neville arremeteu contra Draco até prensa-lo contra a parede.

—Digo-te como te está comportando você com Harry?

Draco soltou-lhe um punho, mas Neville, que era maior que ele, regressou, o investiu de novo contra a parede e sem mais… o beijou.

Nota tradutor:

Nossa Neville ficou com um fogo hein...

Vejo vocês nos próximos capítulos

Ate breve

Fui…