Capítulo XIX

Serpentes

—Porra! —arquejou Neville sem fôlego. O punho de Draco tinha sido certeiro e o golpe foi direto em seu rosto.

—Que demônios te passa? —Draco estava furioso. — Como se te ocorre beijar-me? Somos amigos Longbottom. Amigos! —O loiro caminhou por uns segundos como um leão enjaulado e depois se deteve para ajudar a Neville a se levantar.

—Sinto muito Draco… Tem sido… —Neville baixou o rosto envergonhado. — Sou um idiota. Deixei-me levar. É que você…

—Não, nem o diga. Está confundido. —Draco sentou-se mancando sobre um dos cadeirões. — Sente, Longbottom. E tira essa cara de cão repreendido. Gostas dos homens? —Neville engasgou ante a pergunta, que sentiu demasiado frontal. — Vamos, Gryffindor, você pode o dizer.

—Gosto de você. —Draco negou. — Que?

—Claro que gosta, disso é normal. O que te estou pedindo é que faça uma análise de sua vida até hoje, que também não é tanto tempo, e me diga honestamente se nunca te tinha sentido assim por outro homem, ou outro garoto.

Neville fechou os olhos e pensou no beijo com o garoto do bar, no que lhe tinha assustado, mas também tinha algo mais; a pequena faísca de excitação e de liberdade que teve nesse breve instante. Pensou na admiração que sentia por Harry, no muito que pôde ter confundido isso com outra coisa, em que justo nesse momento lhe dava vergonha o admitir sobretudo pelo que acaba de fazer com Draco…

—Gostei de alguns homens. —Draco lhe palmeou as costas amistoso.

—Isso nos dá margem para seguir por esse caminho. Sou o único homem que vê por aqui e é normal que se confunda, mas isto se tem que terminar em algum momento e poderá ver a outros homens e descobrir que tanto te acomoda isso ou as tetas. Isto não é como as matemáticas, aqui se pode escolher. Dizem que são bissexuais, eu lhes disse fodidos sortudos filhos de puta. Em ocasiões divertem-se mais eu. —Draco riu tentando animar a Neville. Não queria perder sua amizade e menos por essa tolice. — Anda, vai-te a dormir e descansa.

\*\*\*\*\

Draco saiu do despacho e soltou um grande suspirou. Longbottom era bastante apaixonado, mas não era seu tipo ou pelo menos não nesse momento, quando tinha a uma bomba de tempo descansando em sua cama, um pouco mais louco a cada dia. Em ocasiões dava-lhe medo olhar aos olhos. No entanto tinha coisas que pesavam e Potter definitivamente estava pesando.

Chegou até sua habitação e viu a Potter dormindo profundamente. Subiu-se à cama e sorriu ao notar que Potter só se aconchegava entre seus braços.

—Espero que tenha arranjo, Potter, porque não quero estar no meio de um maldito drama contigo quando nossa vida esta mais que ameaçada por culpa do velhote. Espero que tenha maneira de passar as noites assim. Bom, não assim senão com algo de ação, mas sem que seus fantasmas nos fodam. Oxalá podemos acabar com eles, Potter. —Draco acariciou lhe o cabelo e olhou a cicatriz em forma de raio. — Oxalá que você possa acabar com esses fantasmas.

\*\*\*\*\*\

Dumbledore chegou dando tombos e caiu justo em frente a Remus, quem levantou-se imediatamente para ajudar-lhe. Albus tossiu um pouco e se ressentiu das queimaduras que tinha em seu corpo; sua mão tinha ficado praticamente inútil. Harry tinha sido muito hábil deixando-lhe sem uma das extremidades. Já não podia apanhar a varinha com nenhuma das mãos.

—Quem tem sido? —Remus não podia controlar seu assombro quando viu o dano das mãos de Albus. — Por Godric…

—Harry…. —disse debilmente. — Quis ver-lhe, falar com ele, mas… —Se moveu debilmente. Depois fingiu um amago de querer pôr-se de pé. Estava causando a impressão correta em Remus, que o olhava com infinita lastima. O licantropo examinou detidamente a marca em sua cara e negou com a cabeça.

—Não posso achar que te tenha feito isto… —A voz de Remus se avariou e seus olhos se inundaram de lagrimas que tentava deter. Para Albus era até verdadeiro ponto enternecedor; esse pobre homem ainda buscava em sua alma uma razão para não achar que Harry era um monstro.

—Não foi culpa sua, Remus… Ele… já não é ele. —Remus baixou o rosto. — Do Harry que conhecemos já não fica nada. Temos que o aceitar, Remus.

O homem lobo olhou por uns segundos para a nada e depois assentiu lentamente enquanto se limpava as lágrimas dos olhos. Até esse momento tinha-se resistido a achar que Harry estava morto e que o único que ficava era um monstro capaz de fazer de tudo para obter poder e a submissão do mundo. Mas o lamentável estado de Albus dizia-lhe que sim, que seu Harry, esse menino bom, estava morto e sem possibilidades de regressar.

—Tens razão. Temos que lhe deter… —Albus viu a tristeza na mirada de Remus e evitou sorrir com todas suas forças. Aí ia-se a última resistência que tinha para não assassinar a Harry assim que lhe vissem. — Darei a ordem após deixar na enfermaria. Algo se tem que fazer, Albus.

Essa noite Albus dormiu com um sorriso nos lábios muito bem dissimulado. Harry era muito poderoso para ele e jamais poderia lhe deter, mas, com a ajuda de Remus e de todos os demais a quem tinha envenenado lentamente, lhe faria todo o dano possível. Recordar a cara de ira dos Weasley ao saber que Harry se tinha levado a Ginny tinha sido a cereja do bolo. Todos o que em algum momento lhe tinham amado estavam mortos ou o odiavam. Dumbledore estava a nada de conseguir lhe deixar sozinho para sempre.

\*\*\*\*\*\ \

Harry removeu-se em seu sonho e abraçou-se mais ao cálido corpo a seu lado. Era a primeira vez que dormia bem desde que tinha regressado. Estava completamente consciente de seu meio, de todo o que tinha sucedido e de como Albus tinha escapado da morte jogando sujo, como sempre. No entanto essas coisas ficavam em um segundo termo, pois, nesse momento, seus sentidos estavam postos em Draco Malfoy e no que estava por passar entre eles dois.

—Não pensei que acordaria hoje, Potter. —Harry abraçou-se mais ao corpo de Draco para surpresa do loiro.

—Eu também não pensei acordar hoje, mas parece que a poção do professor Snape serviu de algo e me recupere à perfeição. —Harry não era um garoto, ele já não era romântico e menos ainda um tipo paciente e subtil para dizer as coisas importantes. Abriu os olhos, olhou a Draco e falou-lhe firme. — Perguntou por que era a única pessoa que podia ver?

—Se sou-te honesto, sim. É intrigante em mais de um sentido, Potter. Não tenho a menor ideia de por que só podia se concentrar em mim.

—Confio em ti. —Draco assentiu. — Mas não é tudo. Em realidade podia-te ver só a ti porque, desafortunadamente, sinto algo por ti. —A mirada de Draco decaiu um pouco.

—Desafortunadamente? Vá, não pensei que sentir algo por alguém te molestaria tanto, Potter. —Harry olhou a Draco e engoliu saliva.

—Não o digo porque ache que esteja mau sentir algo. Digo-o porque todas as pessoas às que tenho querido ou me quiseram têm saído lastimadas por estar comigo. Meus pais morreram, meu padrinho acabou em um imundo cárcere, meus amigos odeiam-me, os Weasley odeiam-me, traí-os e traíram-me... Acha que está bem que tenha um pouco de medo ao me sentir assim por ti?

Draco simplesmente começou a rir a gargalhadas para surpresa de Harry, que não entendia a reação do loiro.

—Acha que eu não tenho medo? Sinto-me perdido, Potter. Porra, nem sequer sei se é capaz de sentir algo por alguém. Estamos no meio de uma guerra e não sei se sairemos vivos. Eu não queria isso para mim. Queria dizer-lhe a meus pais, que tivessem seu período de duelo e depois apresentar a um garoto quente de uma grande família e com uma grande fortuna. Você não é precisamente a melhor opção, Potter, mas não posso deixar de me sentir atraído por ti e, para valer, quisesse confiar em ti tanto como você confia em mim.

—Só posso te dar opções. Podemos tentá-lo ou podemos esquecê-lo, fazer um esforço para não estar juntos de novo. Atraímo-nos, sentimos algo um pelo outro, mas podemos o deixar morrer. —Draco inclinou-se para beijar a Harry intensamente. Era o segundo beijo real que se davam e, apesar de não ser a intenção, o beijo foi demasiado intenso para ser uma simples caricia.

—Só lhe vamos dar uma oportunidade a isso, Potter. Só uma. Espero não ter que me arrepender.

Harry apanhou o quadril de Draco e levou-lhe sobre seu corpo para beijar-lhe de novo. Colou as mãos por embaixo da t-shirt do loiro e os dois gemeram pela maravilhosa sensação de seus corpos esfregando-se lentamente.

—Sabe, Potter? Isso sim que nos sai muito bem. —Harry riu enquanto beijava o pescoço de Draco.

—Sim, essas coisas saem-me de maravilha.

Draco golpeou lhe o peito sorrindo e quase cai-se quando viu a Potter sorrir também abertamente. Vá, se Potter seguia sorrindo assim tinha muitas possibilidades de que isso funcionasse.

\*\*\*\*\*\

Dias após falar com Draco, Neville caminhava pelo jardim pensando. Não podia dormir nem deixar de lhe dar voltas a todas as coisas que tinha em sua cabeça. O beijo com Draco tinha sido bom, afinal de contas era um beijo, mas nem sequer parecia-se ao beijo que lhe tinham roubado no bar. Tinha adrenalina, mas não desejo ou a paixão de sentir algo ilícito, roubado. Inclusive ver a Harry e Draco nesses dias tinha sido raro, mas mais por ver o lado humano de Harry que por lhes ver juntos.

Entre a penumbra da noite encontrou a figura imponente de Severus Snape olhando para a escuridão. Acercou lhe lentamente e deteve-se a seu lado.

—Parece perturbado esta noite, senhor Longbottom. —Neville riu um pouco.

—Nota-se muito, professor? —Severus olhou-o intensamente por uns segundos. — Posso falar com você honestamente?

—Pode deixar de dizer-me professor ou senhor, para começar. Nesta casa todos somos iguais. —Neville soltou o ar dos pulmões para sentir-se um pouco mais livre após as contundentes palavras de Severus. —Desde faz dias vejo-te disperso. Deve de existir algum motivo e não acho que tenha que ver com nossa pequena revolução. —Neville negou.

—É algo que nesses momentos deveria parecer tonto. Vamos, não é muito próprio fazer um drama enquanto sua vida esta em perigo.

—A não ser que o drama esteja justificado. Não pode classificar o que sua mente considera importante ou não. —A noite estava à cada segundo mais fria. Neville envolveu-se em sua camada e pensou uns segundos antes de falar.

—Sinto-me confundido. Faz em uns dias pensava que gostava Draco. E fá-lo. De fato é isso… Acho que gosto dos homens. —Neville baixou o rosto quando o disse. No entanto, Severus não disse nada, nem sequer se imutou.

—Draco é o homem que gosta? Os Malfoy têm esse efeito em muitas pessoas. —Neville olhou curioso ao professor, mas negou ao mesmo tempo que tentava decifrar as palavras de Severus.

—Gostaria de pensar que só é ele, mas me fui dando conta de que…

—Talvez não? —perguntou Severus. Neville assentiu. — Isso te preocupa? Digo, deve significar algo importante para ti, após tudo faz que esteja mau.

—É que não sei… Me sinto confundido ao respeito. É como ter perdido o controle sobre uma parte de minha vida. Sinto-me perdido em algo no que a maioria se sente tão seguro…

—Ou pelo menos isso querem crer. As pessoas não sempre calcam forte nas coisas nas que parece que sim. E o que te pode gostar hoje pode mudar manhã. No entanto ninguém te pode dizer que as coisas passarão e que deixe de pensar em isso. Tudo faz parte de um processo. Reconcilia-te contigo mesmo e desde aí segue até que encontre a resposta que quer, a que te deixe satisfeito. —Neville sentiu como se um milhão de tabiques lhe tivessem caído na cabeça. Falar com Severus tinha-lhe esclarecido muito do que ele não tinha atingido a saber por si mesmo.

—Vá que vocês as serpentes são muito hábeis. —Severus riu. — Acho que sinto debilidade por todas e a cada uma das serpentes. —Severus recordou as palavras do Barão Sanguinário e desenhou uma careta.

—Vocês os leões são muito manejáveis. —Neville assentiu

—Mas só nos deixamos manejar pelas pessoas corretas. —Suas miradas cruzaram-se por uns segundos e Neville engoliu saliva ao ver esses olhos tão negros sobre os seus. — Creio… Já é tarde, deveríamos regressar.

—Eu ficarei um pouco mais. —lhe respondeu Severus.

Essa noite Neville sentiu-se intranquilo, mas por uma razão completamente diferente. Começou a sentir-se incomodamente quente recordando a profunda mirada de Severus Snape. Isso não podia lhe passar a ele, não da noite para o dia. Mas uma parte seu cérebro dizia-lhe que estava encaminhado a se sentir atraído por esses homens que lhe faziam centrar em uma razão, em um momento.

a*a*a*a*a

—Não quero que o faças. —Ron deixou-se cair sobre o sofá olhando a sua irmã, que estava bem mais decidida que antes.

—Há muitas pessoas que estão conosco, Ron. Todos têm nossa idade, é verdadeiro, mas isso não quer dizer que não possam pensar. Eles me precisam, precisam saber que sigo viva e que quero seguir adiante. Não posso simplesmente lhes esquecer porque sim. —Ron negou.

—Pode morrer, ou não o entende? É uma garota… —Ginny levantou-se violentamente.

—Isso que quer dizer, Ron? —O garoto enrijeceu de vergonha.

—Não é o que cries. Digo que é jovem, que não quero que carregue com tudo isso sobre seus ombros. Ainda pode te ir, se esconder. Os pais de Malfoy conseguiram escapar deste inferno e você também pode o fazer…

—Não quero escapar, Ron. Quero lutar, quero brigar, quero terminar com esta guerra. Theo e Millicent sabem muito bem que não me vou ir.

Ron não podia se imaginar perdendo a outro membro de sua família e menos a sua irmã pequena. Sobretudo porque sentia-se impotente por não poder fazer nada para a cuidar. Mal e podia resguardar sua própria vida como para defender a de sua irmã.

—Ginny…

—Ron… —Ginny sentou-se ao lado de seu irmão abraçando-lhe. — Não me passará nada. Juro-te que os dois sobreviveremos a isso e que quando por fim acabe para nós só terá coisas boas. Mas por agora temos que lutar. Não posso simplesmente lhes dar as costas.

—Isso dizia Harry e já vê como terminou. —Ginny negou.

—Ele não tinha um irmão, não tinha uma mãe, um pai. Ron, não pode pensar que Harry e eu somos iguais. Nós fazemos isso porque é o correto, carinho. Harry fazia-o porque tinha que o fazer. Há uma grande diferença. —Ron abraçou a sua irmã com força e depois soltou-a sentindo que seu coração se encolhia.

—Se cuida, Ginny. —A garota assentiu. Sem cerimônias, só com seu irmão diante, se pôs de pé disposta a se marchar junto a seus dois amigos.

—Assim que cheguemos a um lugar seguro me comunicarei com vocês.

Ron assentiu e aos poucos segundos Ginny, Nott e a outra Slytherin tinham desparecido. Ron sentiu que tinha envelhecido dez anos inesperadamente. Fechou os olhos sentindo um vazio enorme no estomago e umas vontades imensas de chorar.

\*\*\*\*\

Ginny chegou a um lugar que só podia ter imaginado. O sítio dos Nott era maior que a Toca, contando o jardim cheio de gnomos. Essa noite jantaram qualquer coisa que encontraram na casa. Após jantar, Ginny se recostou entre as frias cobertas depois de ter-se duchado. Quando fechou os olhos e não pôde evitar pensar em Ron e no mau que lhe tinha deixado.

—Deveria de tentar dormir. —Ginny sorriu quando escutou a voz que vinha de atrás e sentiu os braços que rodeavam sua cintura.

—Não posso. Penso em Ron. —Sentiu um beijo no pescoço. — Gostaria que de tudo isso só fosse uma lembrança, gostaria de poder saber que…

—Vamos estar bem, Gin…

—Isso quero, Theo. —Deixou-se envolver mais pelos braços de Nott e suspirou tranquila envolvida a sensação de proteção que lhe proporcionavam esses braços.

—Não lhe falou do nosso, verdadeiro? —Ginny negou.

—Meu irmão morre-se, mas primeiro mata-te. Já sabe como é. —Nott riu entre dentes.

—Sim, mas não podemos o ocultar sempre. Eu quero que isso seja oficial após que a guerra acabe, minha vida. Não pretendo me esconder toda a vida e menos temer a ira de seus lindos irmãos.

—Não sabe o que diz, Theo. —Nott encolheu-se de ombros.

Essa noite dormiram tranquilos esperando a seguinte jogada. Após o sucedido teriam que calcar com cuidado.

\\*\*\*\*\

Remus Lupin apareceu em tela com uma cicatriz profunda na bochecha. Tinha passado uma lua cheia mais e Harry podia notar seu deterioro físico. No entanto estava ali, dando uma entrevista no meio do Ministério de Magia. Harry estava sentado em frente à tela mágica. Draco tinha-se sentado a seu lado, no braço da poltrona. Apanhou lhe a mão e apertou-a com força enquanto escutava a Remus falar dele.

—É perigoso, não é humano e devemos o conter antes de que o monstro que habita nele se peneire sobre nós. —Harry contraiu a mandíbula e abraçou a Draco aferrando-se a ele como o único real em sua vida. — Faremos até o impossível por manter o mundo a salvo.

Isso queria dizer que em qualquer momento, quando a batalha chegasse, Remus Lupin levantaria a varinha com o único fim de acabar com a vida de Harry. Então se voltaria em uma batalha de ganhar ou morrer.

—Por fim envenenou-o em meu contra. —Harry baixou o rosto.

—Ainda não tem ganhado, Potter. Não pode lhe permitir que ganhe. —Harry assentiu.

Nesse momento uma coruja negra desconhecida entrou à casa com um sobre mágico no bico que caiu nas mãos de Ron.

Uma mais no Hospital Militar de Moscou.

—É de Ginny. Sabe de outra gema. —Harry assentiu.

—Falta muito pouco para que Albus e eu nos vamos as caras de novo.

Nota tradutor:

Hummmmmmmmmmmmmm

Interessante...

Vejo vocês nos próximos capítulos

Ate breve

Fui…