Capítulo XXII

A chuva era densa e o vento golpeava com força fazendo que as árvores se estremecessem. Severus olhava o céu cinza, quase negro, com sua típica aparência de impassibilidade cobrindo à perfeição o temor que sentia. Girou-se para olhar a Neville na cama. As cobertas começavam a empapar-se de novo de seu sangue. Severus engoliu saliva e moveu a varinha fazendo que a vendagem se mudasse magicamente. Neville não se melhorava, só se tinha detido a hemorragia por alguns minutos, mas sua pele continuava sem se fechar apesar de ter usado quase todas as folhas da planta.

Severus fechou os olhos, contraiu o rosto e de imediato sua mente escapou a outro momento, a um feliz.

—Não é tão inútil misturando coisas. —disse Severus ao provar as panquecas que Neville tinha preparado. — Ainda que acho que isso não parece aplicar às poções.

—Bom, aqui não te tenho a ti respirando na nuca esperando que voe um surtem e, me crê, isso ajuda muito. —Neville sorriu e girou-se.

Severus encontrou todo demasiado harmonioso: Neville em mangas de camisa, cozinhando lhe e sorrindo-lhe assim….

Aquela manhã tinha sentido a terrível necessidade de jogar a perder esse quadro perfeito porque Severus não estava destinado a sentir isso, a ter essa paz com ninguém e menos com um garoto da idade de Neville que parecia querer agradar até o ponto de lhe seduzir simplesmente sendo ele, sem nada mais, sem sequer mover um dedo, sem sequer se sacar a camisa. Era possível que uma pessoa ficasse prendada assim de outra? Severus queria regressar no tempo, queria recuperar essa paz porque a realidade que estava a viver era um pesadelo.

—Como segue? —Quando escutou as palavras de Harry, Severus se tomou um segundo para recuperar a compostura.

—Mau… A ferida segue aberta. Não há hemorragia, mas… segue perdendo sangue e não… —Severus baixou a mirada mortificado por não ter a resposta, porque sabia que todas as portas se estavam a fechar. — Já não há muito que fazer.

Harry foi a um dos cadeirões e se deixou cair mancando. Ao fechar os olhos podia escutar os gritos, a gente pedindo piedade. Tinha tentado não dormir por temor aos pesadelos, mas Draco lhe tinha suplicado que dormisse e Harry não tinha podido lhe dizer que tinha medo, que estava aterrorizado de recordar tudo o que tinha sido. Ao fechar os olhos sempre rememorava a aldeia Ardem, ter entrado àquela casa, ter visto morrer aos pais lhes fazendo frente, ter apanhado àquele garoto de não mais de sete anos, tentar salvar do fogo cruzado, pensar lhe ter posto fora de perigo e depois… o ver derrubar por uma maldição que tinha colado de cheio em suas costas. Ver a um de seus homens lhe sorrindo…

Essa noite Harry perdeu o controle de sua magia e praticamente explodiu. Sua magia arrasou a aldeia inteira. Mulheres e meninos, aliados e inimigos tinham morrido aquela noite vítimas da abrasadora fúria da magia de Harry. Essa noite sua alma tinha terminado de corromper-se. Harry sabia que nada tinha sido igual após aquela noite. Desejou que Neville e os rebeldes chegassem para acabar com ele, mas nunca ocorreu. Não ia ser tão fácil para ele libertar de seus demónios e poder obter a paz que tanto precisava.

—Harry… —Sentiu uma suave mão sobre sua bochecha. — Tem que jantar. —Abriu os olhos e olhou a Draco. — Vamos. —A mão do loiro fez-lhe tremer quando fez contato com a sua. — você também tem que comer algo. —lhe disse a Severus, que negou. — Não está a discussão. Ademais, a doninha, Hermione e eu estivemos a procurar livros de maldições escuras e tem que os ver, Severus.

—Vamos… —Severus deu-lhe uma última mirada a Neville engolindo-se a ideia de que não tinha nada que pudesse lhe salvar. Seria muito duro dizer-lhe a Draco e terminar com a última luz de esperança que ainda existia.

Comeram em silêncio. Até os elfos estavam tristes sentindo a partida de seu amo a cada vez mais iminente. Draco recusava-se a crê-lo, Neville não podia morrer assim, não podiam lhe deixar morrer dessa forma tão ruim. Tinha ido à mansão arriscando a pele para obter esses exemplares escuros que seu pai escondia. Tinha que ter uma forma de lhe salvar por mínima e arriscada que fosse. Se tão só seu pai estivesse ali, talvez ele poderia lhe ajudar… Draco olhou os imensos olhos azuis da elfina e quase grunhiu ao lhe ver a tristeza pintada na cara.

—Neville não está morto, asquerosa criatura! —Harry apanhou lhe da mão. — É verdadeiro! —gritou olhando a Harry. — Segue respirando e enquanto siga respirando há esperança! —Olhou a Severus e a Harry. — Não nos podemos render assim. Ele não renderia conosco… Não o fez, nunca o fez. Nunca. —Engoliu saliva quase chorando. — Nunca se rendeu. —Cobriu-se o rosto com as mãos para retomar a compostura.

—Está bem, Draco. —Sentiu os braços de Hermione abraçando-lhe com força. Teriam que lhe arrancar um braço antes de admitir que precisava esse abraço. — Vamos salvar-lhe. —Draco deixou-se envolver uns segundos e depois separou-se da garota. — Então? Vamos ler? —Hermione olhou a Harry e ao professor.

—Sim, senhorita Granger…

A madrugada foi pesada para todos. A única motivação que tinham era ver a Neville de novo em pé. Draco só queria corresponder a Neville por todo o que tinha feito por ele, precisava conseguir o fazer. Mas o nascimento de um novo sol traria uma desventura mais, a pior notícia que Draco Malfoy esperaria, a que nem sequer imaginava…

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O sol apareceu entre as nuvens cinzas dando um pouco de luz. Draco não podia deixar de se sentir derrotado, a resposta não estava naqueles livros. Derrubou-se entre os braços de Harry, quem lhe beijou suavemente a nuca. Ambos se alteraram quando sentiram que lhes envolvia a magia de um aparecimento e em frente a eles se materializaram Theo Nott, Ginny Weasley e Millicent Bulstrode. Severus pôs-se de pé de imediato…

—Que tem passado? —Millicent caminhou para ele quase chorando.

—Tem-lhes levado… —Harry abraçou instintivamente a Draco. — Atacaram a casa, praticamente arrasaram com ela. Era ele. —Milli engoliu saliva. — Só ele.

—De que demônios falam? —Draco olhou aos garotos e apartou-se de Harry. Theo fez-lhe frente porque sabia que era sua obrigação o dizer em voz alta.

—De seus pais. —Draco congelou-se. — Albus Dumbledore encontrou-lhes e levou-lhes.

As palavras de Theo retumbaram na cabeça de Draco, que não podia sequer imaginar essa realidade. Harry tinha-lhe prometido que seus pais estariam sempre a salvo, que nunca tocaria nada e os tinha deixado a cargo desses… de uns… Draco queria dizer meninos, mas eram seus amigos, seus colegas. A dor voltou-o louco por uns segundos, uns segundos nos que quis o destroçar tudo, lhe gritar a Harry, amaldiçoar a Severus e lhes reclamar a esses que considerava seus amigos. Neville estava a morrer-se, seus pais tinham-se ido… Draco estava a perdê-lo tudo.

—Onde estavam? —foi o primeiro que se lhe ocorreu dizer. — A onde os tinham levado?

—A uma casa de segurança. Isto só pode significar que Crabbe… —Harry se temeu o pior para seu agente duplo.

—Vincent? Que tem que ver com isto? —Milli acercou-se a Draco.

—Ele era o guardião do segredo. Quase morre sacando a seus pais da mansão. Draco deveria tê-lo visto. Sentia-se tão mau pela morte de Goyle, tão culpado. Sempre dizia que seu rosto refletia a culpa que sentia. Acercou-se a nós após que Dumbledore ascendeu e nos pediu ser espião. Nós não confiávamos nele, mas fez um juramento inquebrantável prometendo que protegeria a teus pais. E… —Milli avariou-se de novo. — Ver-lhe assim... Dumbledore trouxe-o. Estava ensanguentado, golpeado por todos lados e se resistia, mas lhe fez algo, sei que lhe fez algo para que dissesse onde estavam. Esse filho de puta…

—Calma, Milli. —Ginny abraçou à garota.

—Temos que ir. Têm que me levar a onde estavam. —Draco não ia deixar que se levassem a seus pais sem fazer nada ao respeito.

—Você não vai ir sozinho. —Harry seguiu lhe.

—Não pode ir, Neville te precisa. —Harry negou.

—Neville precisa um milagre e até hoje eu não posso os fazer. —admitiu. — Dumbledore deve esperar que você vá, quererá te capturar a ti também, eu sei. Não pode ir só, não deve ir sozinho.

Draco olhou a Severus, quem baixou o rosto em uma muda resposta, pois estava de acordo com Harry. Neville só podia esperar um milagre.

Draco beijou a Harry e assentiu. Ainda tinha a testa colada à de Harry e estava com os olhos fechados. Podia sentir as mãos de Harry acariciando lhe as costas. Era a primeira vez que lhe reconfortava dessa forma, talvez porque era a primeira vez que Draco o precisava para valer. Apartou-se de Harry e subiu as escadas quase correndo até a habitação de Neville. Olhou as gotas vermelhas na vendagem, apoiou sua testa na dele, lhe acariciou o rosto e baixou os lábios para lhe dar um longo beijo.

—Tenho que lhes encontrar. —lhe sussurrou. — Você entende… —Fechou os olhos enquanto lhe acariciava o rosto. — Só… —A luz do corredor sacou a Draco de sua dor; Severus olhava-lhe desde o quício da porta. Draco se aclarou a garganta e levantou-se. — Pese a tudo, ainda creio nos milagres.

Severus olhou a Draco desaparecer pela porta e depois olhou a Neville. Se os milagres ocorriam tinha que ser cedo porque Neville estava a morrer lentamente.

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Apareceram-se em frente ao que tinha sido a casa de segurança de seus pais. Tudo estava destroçado, como tinha dito Millicent. Draco notou o sangue na erva e por um segundo pensou em seus pais antes de recordar que Vincent esteve ali após que o moiram a golpes. Esforçou-se por continuar, por procurar algo que lhe levasse a seus pais, o que fosse que lhe desse uma esperança de lhes ver de novo. Harry não se lhe descolava, pendente de todos seus movimentos, esperando que lhes atacassem.

Draco viu entre a erva algo que brilhava. Ajoelhou-se e recolheu o camafeu de sua mãe. Tinha sido um presente de sua avó antes de morrer e sua mãe jamais se separava dele. Draco apertou-o com força em seu punho querendo que seu temor se fosse. Queria confiar em que seus pais estavam bem. Olhou para o denso bosque e quase atira o camafeu de novo. Via a sua mãe no meio das árvores. Pôs-se de pé de imediato e jogou a correr para o bosque.

—Draco! Não! —Harry saiu correndo por trás de Draco, que ia imparável se internando a cada vez mais no bosque. Harry só atingia a ver já algumas fibras de cabelo loiro.

Harry perdeu-se entre o denso bosque. Deteve-se olhando para todos lados. No céu, uma imensa nuvem cinza começava a cobrir-lhe. O vento levantou-se e Harry estremeceu-se, porque esse vento não era normal, porque sabia que Albus estava por trás de tudo. Tentou mover-se, mas com o vento era impossível, a força do ar empurrava-lhe. Um pedaço de tronco quase cai-lhe na cabeça. O último que viu antes de que o vento lhe impedisse foi a Draco internando no bosque, se perdendo no mais profundo daquele lugar.

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Draco nem sequer olhou para atrás. Sabia que esse vento não era normal, desde que tinha visto a imagem de sua mãe sabia que ia para uma armadilha, mas não se importava; essa era a única forma de saber algo de seus pais. Quando Albus Dumbledore se apareceu em frente a ele não foi uma surpresa. Draco apanhou com força sua varinha e se erguia olhando desafiante ao velhote.

—Querido Draco…

—Vá-se à merda, velhote ridículo. Onde estão meus pais? —Quando o escutou rir Draco quis lhe sacar os olhos.

—Amo esse impulso que lhe põem a tudo. —Albus caminhou para Draco. — Seus pais estão bem. Estão comigo. —Draco levantou sua sobrancelha direita. — Bom, evidentemente você não confia em mim. Tive medo de que não viesse, mas é um bom filho, ama a seus pais e é capaz de te sacrificar por eles. Maravilhoso sentimento esse do amor, o mesmo morre por ele que o vive intensamente.

—Que quer, velhote? —Albus negou decepcionado.

—Passarei por alto a insolência só porque é produto de sua frustração. Agora, o que quero… —As mãos de Albus se colocaram suavemente sobre os ombros de Draco. — Acho que já o sabe. Quero-te a ti… Quero que venha comigo. Sei que é o mais importante para ele e te tendo a ti o tenho a ele. Então, Draco, é Harry ou seus pais. —Draco olhou os olhos azuis de Albus e apertou os dentes engolindo-se o ódio que sentia por esse homem. — Sem ti, seus pais são inúteis para mim, igual que a pequena rata batota de Vincent Crabbe.

Draco soltou sua varinha e apanhou a mão do velhote. Um segundo depois, desapareceram….

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A nuvem se esfumou e o ar deixou de soprar selvagem. Harry correu em direção a onde tinha visto desaparecer a Draco e só encontrou sua varinha no solo.

—Harry… —Nott olhou a varinha nas mãos de Potter.

—Avisa-lhes de que nos vamos. —A voz de Harry era dura, escura e fria. O sangue de Theo gelou-se só ao lhe escutar.

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Severus inclinou a cabeça e apoiou a testa nos punhos. As horas passavam lentas, tortuosamente lentas e agonizantes para Neville, que a cada vez estava mais débil, perdendo mais sangue sem dar mostra de melhoria por nenhum lado. Severus tinha-lhe mudado a vendagem por quinta vez no dia e a ferida não fechava no mais mínimo.

Os lábios de Neville seguiam entreabertos após o beijo de Draco. Severus soube que os ciúmes se tinham apoderado dele justo quando viu a Draco sobre Neville, mas não tinha sido pela ação senão pela fortaleza de Draco ao mostrar o que em realidade sentia. Em mudança ele ainda se via impossibilitado para essa ação. Uma parte de Severus queria-se arrojar à cama e abraçar ao peito de Neville em uma muda tentativa de refletir toda a dor de sua alma. Mas outra, a parte que lhe dominava, só lhe fazia querer estar ali, ao pé da cama, lhe olhando sem sentir. Essa parte bloqueava a cada sensação, boa ou má, e fazia-o relegar-se a uma só coisa: a impassibilidade. Sua mente racional dizia-lhe que não tinha esperança para Neville, que o final estava escrito e que não podia dar marcha atrás. No entanto, uma voz débil, quase muda, pedia-lhe que mantivesse a esperança e que se levantasse ou que se abraçasse à única tabela que tivesse para manter a Neville com vida.

Severus fechou os olhos sem pensar em nada em particular, só evadindo a dor uma vez mais. Aspirou profundamente e percebeu um aroma a fogo, como aos lumes de uma fogueira a ponto de se apagar. Aos poucos segundos escutou a ave fênix que lhe tinha salvado a vida aquela noite na cabana.

—Fawkes. —A ave estava velha e caía-lhe a pluma; era evidente que morria. Essa ave morria para reviver e Neville... — Que faz aqui? Procura um lugar melhor para queimar-te e regressar à vida.

Fawkes voou sobre Neville recordando-lhe a Severus a essas malditas aves de rapina que só esperam ver morrer a sua presa. Ia corrê-la quando Fawkes parou seu voo sobre a ferida de Neville. Severus olhou à ave moribunda, que parecia lhe pedir algo. O professor elevou lentamente a varinha e desapareceu as vendagens. Fawkes fechou os olhos lentamente e duas cristalinas gotas escorregaram deles caindo diretamente na ferida. Justo um segundo depois os lumes consumiram à ave fazendo que suas cinzas caíssem sobre Neville. Severus quis acercar-se, mas as chamas também envolveram a Neville. Quando o fogo terminou, correu até ele. A ferida estava fechada.

Escutou um suave gemido e depois Neville levantou a mão. Severus Snape perdeu o andar e abraçou-se ao corpo de Neville permitindo-se só por essa vez ser alguém mais, deixar de ser um covarde. Sentiu os braços de Neville rodeando lhe. Ele se moveu um pouco para o olhar e depois lhe beijou, assim de simples, bem como o tinha querido durante tantas horas sem saber que seria o que passaria. Neville correspondeu-lhe ao beijo enredando sua língua com a de Severus, atraindo lhe mais e deixando-lhe sem respiração por um segundo.

—Que… —Se separaram ao sentir algo se movendo entre as cobertas. — Fawkes… —Neville viu a pequena ave e riu.

Severus separou-se de Neville para apanhar a Fawkes e levá-lo para um dos cadeirões, que transfigurou em um pedestal cheio de fogo e cinza. Sua intenção era correr a avisar aos demais de que Neville estava bem, mas assim que se girou e viu a Neville lhe olhando Severus se deteve. Neville moveu-se incomodo entre as cobertas e abriu-as.

—Que… —começou a perguntar Severus. Neville engoliu saliva olhando com esses olhos verdes, cansados, mas brilhantes, tão brilhantes como nunca os tinha visto Severus, talvez porque estavam cheios de vida nova.

—Por favor. —Severus caminhou para a cama e se recostou ao lado de Neville sentindo-se tenso, ainda mais quando Neville lhe passou o braço pela cintura e lhe puxou para abaixo. — Obrigado por cuidar-me. —a mão direita de Neville serpenteou pelas costas de Severus. — Obrigado por esperar-me, obrigado por achar que regressaria. —Severus queria dizer-lhe que nunca pensou em isso, que antes de que a ave fênix chegasse só tinha pensado no iminente final. — Obrigado por beijar-me ao acordar…

—Não seja tão sentimental, Longbottom. —Neville riu acercando mais a Severus e colando seus corpos.

—Estive a ponto de morrer. Deixa-me ser um pouco sentimental, quer? —Severus ia protestar, mas Neville capturou lhe os lábios entre os seus e meteu-lhe a língua até a garganta. Severus queria negar-se, após tudo ele era o maior, mas Neville era demasiado hábil com a língua, demasiado apaixonado como para o deixar passar e, sobretudo, Severus tinha o firme desejo de sentir tudo o que se tinha obrigado a não sentir.

Nota tradutor:

Hummmmmmmmmmmmmmmm

Vejo vocês no próximo capitulo

Ate breve

Fui…