Capítulo 1
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-Não se preocupem com nada, minha casa é enorme e os preservarei de curiosos, ok? Eu sou milionária e famosa, então eu sei como fazer isso!-Dizia Bulma aos namekuseijins, que em silêncio e imóveis prestavam toda sua atenção em seus assentos na nave que os transportava a Corporação Cápsula.
-Tenho tudo planejado: Nada de seguranças externos! Nos conformaremos com as câmeras internas do circuito fechado, Ficarão alojados dentro de um dos espaço da nossa residência. Já dei ordens para que tudo esteja preparado para quando chegarmos. Eu não sei quanto tempo fiquei em seu planeta, mas foram todos muito amáveis, e isso porque estávamos no meio de uma batalha, e eu não quero ficar para trás. Vocês não sabem o que é dinheiro, não é? É uma pena... Pois assim não saberão o bem que se sente em fazer compras, e ser rico faz tudo parecer mais fácil... - parou para respirar.
-Minha mãe está animada, sabe? Já está pensando em todas as coisas que vão fazer juntos. Embora tentaremos garantir que suas vidas aqui não sejam muito diferentes das suas ... À medida do possível, é claro!^^ - Sorriu. –Não precisarão conhecer ninguém mais que minha mãe, isto facilitará as coisas. Estou certa que será uma convivência de benéfica para todos... Para todos! – gritou essa última frase tentando chamar a atenção do fundo, à procura de uma cabeça com cabelo flutuante, mas o indivíduo que o portava não havia aberto os olhos nem levantado o olhar do chão em todo o trajeto.
Ela suspirou e continuou falando:
- A verdade é que apesar de ser uma família bem conhecida em nosso mundo, não estamos acostumados a receber visitas, não sei por quê... -ela disse, olhando para o teto. - Talvez seja porque os deixamos assustados... ainda que não saiba bem a razão... - os namekuseijins seguiam sem entender nada do que ela falava. - A questão é que não tenham medo de perguntar por qualquer coisa, ok? - disse voltando a si. - Tudo que precisarem, deixe-nos saber a meu pai ou a mim. Meu pai é extremamente generoso e é algo que sempre me impressionou, graças a ele sou um gênio, e minha mãe me ensinou a amabilidade... Não se sintam coibidos por ela, hein? Embora acreditem que é a mulher mais chata do mundo, porque não para de falar e falar... – uma gargalhada sútil e quase muda e silenciosa foi ouvida ao fundo. Os namekuseijins preferiram não olhar.
Soube perfeitamente quem havia rido, mas optou por continuar a sua conversa com os seus novos hóspedes. Por um momento, se sentiu como uma professora na escola.
-... Bem, não tenham medo da minha mãe. É tudo sincero nela. As pessoas pensam que ela é um pouco esquisita, e na verdade, eu também acho, porque ela não entende quando está passa dos limites, não sei se entendem... É muito bonita, como eu.
Nada. Absoluto silêncio. Já nem sequer olhavam mais através das janelinhas para observar a paisagem, apenas a observavam com os olhos bem abertos, inclusive temerosos.
-Nós três trataremos de tornar a estadia de vocês na Terra a mais tranquila possível, então qualquer coisa que vocês precisem, qualquer coisa que os incomode, qualquer coisa que lhes chamem a atenção, nos façam saber -. Volta a fazer uma varredura visual sobre os extraterrestres.
- Vocês gostam de animais? - Perguntou sem esperar uma resposta. - Nós temos centenas de animais em casa. O favorito do meu pai é um gato chamado Tama. Ele está sempre pendurado em seu ombro, grudada a ele, sem se soltar. Vocês são alérgicos a animais? Não... Eu não acho... De todo jeito tenho pensado em fazer exames médicos em todos... Em todos! - gritou novamente para o fundo- Pelo menos eu espero que não sejam, porque há muitas espécies diferentes de animais selvagens em minha casa, mas não se preocupem, eles são inofensivos. Temos muitos que assustam os curiosos, assim eles também fazer um favor a vocês. Alguns são maiores, eu diria que são os menos inofensivos de todos, porque seus movimentos são mais lentos do que os menores. E a maioria são herbívoros, por isso não tenham medo de ser comido por eles, não creio que irão comê-los...
Dendê abriu a boca, percebendo que, se eles tivessem que correr, ele seria o primeiro a cair devido suas pequenas pernas.
-Há uma seção na casa só para eles, mas eles tendem a vaguear no jardim... Ah! E também temos piscina! Suponho que pelos seus aspectos saibam nadar, certo? - Isso sim que não entenderam.
- Não importa... Aqui o importante é que vocês estejam bem. Eu sempre vivi lá, sabe? Pra mim também será uma grande aventura, porque nunca tive tantas pessoas em casa, além dos animais, é claro... Embora os rapazes venham algumas vezes, já sabem aqueles que lutaram em Namekusei. Apesar de faltar alguns, como o meu namorado... - neste momento entristeceu-se ao lembrar Yamcha. - A verdade é que foi uma batalha terrível, não é mesmo? Muitos dos nossos amigos morreram... - preferiu reanimar-se para continuar a conversa. - Mas tudo voltará ao normal com as Esferas do Dragão! - disse em voz alta para alegrar-se. - Sim, em poucos meses, as Esferas do Dragão farão que as coisas voltem a ser como antes. Eu me reencontrarei com Yamcha e os outros, e vocês terão um planeta novinho e inteiro para que aproveitem, não parece um plano ruim, certo? - Mais uma vez um rastreamento visual em todos os namekuseijins.
- Vocês sabem como Goku e eu nos conhecemos?- E continuou falando sem parar passando de um assunto para outro até que a nave finalmente pousou enfim em uma vasta planície na Corporação Cápsula
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-Bem, pois ... já chegamos ema casa! - Disse Bulma exultante de felicidade ao pisar o seu jardim.
Olhou detidamente sua casa por alguns segundos e, em seguida, virou-se observando toda essa quantidade de namekuseijins descendo da nave com umas caras estranhas, andando como pêndulos, balançando seu corpo a cada passo. Estava feliz, mas não podia deixar de sentir um pouco sobrecarregada por tudo que havia de se chegar com todos os extraterrestres ali.
Sua mãe saiu emocionada da casa, acenou em saudação extasiada a todos com as mãos desde longe enquanto se dirigiam a ela, mas rapidamente mudou de direção ao observar Vegeta descer da nave. Se acercou a ele tanto quanto Bulma havia pensado que seria. Por um momento se viu tentada a correr até eles e tirar sua mãe de cima dele, temeu-se por si mesma, mas relaxou e sorriu quando viu o olhar de terror no príncipe arrogante, enquanto observava sua mãe efusiva. Vegeta esqueceu-se da loira quando viu de longe uma nave redonda, mas bem pequena situada bem perto dos edifícios centrais da Corporação. A cientista o perdeu de vista enquanto ele caminhava até a câmara de gravidade e subia sua rampa. Decidiu que deveria vigiar o sayajin, mas confiou que ali não daria problema. Com um pouco de sorte e ele arrancava a nave para ir-se para longe da Terra.
-Vamos ver senhores, não se assustem. Aqui há espaço para todos. Siga-me, vamos lá -. Bulma ordenou-lhes sorrindo entrando no edifício. Ao constatar que eles não a seguiam se aborreceu:
- Vamos, me sigam! – Gritou-lhes mudando completamente seu primeiro gesto. Já estava irritada de tanta passividade.
-Sigam-na, por favor -. Piccolo sugeriu, ao vê-los desnorteados e quase assustados com o grito da terráquea. Estava um pouco fora de cena, mas sempre suspenso no ar.
-Ah, bem, onde você esteve todo esse tempo? – Perguntou-lhe irritada.
Ele havia sido uma ajuda na viagem até sua casa. Não estava convencida de que era um grande conversador, mas certamente com ele lá, os namekuseijins não a teriam olhado como se estivesse se tratando de uma louca. Geralmente não incomodava sua distância habitual em relação às pessoas, mas pra ela, ele teria sido útil dentro da nave e não voando ao redor dela, tal como avistara várias vezes pela janela.
Piccolo ignorou a pergunta e apenas lhe sugeriu:
-Bulma eles são os seres quase divinos, não estão acostumados aos gritos.
A pele azul suspirou. Era só colocar os pés em sua casa e começou a sentir o cansaço. Precisava de sua cama, de comer, de casa e de um bom banho, mas antes sentiu que não deveria perder as boas maneiras diante de seus convidados, além disso, eram seres poderosos. Sem planeta e sem saber conduzir uma conversa, mas, no entanto e no final, poderosos...
-Desculpe Piccolo. - Bulma disse esfregando a testa e continuou: "Parece que a fadiga da viagem a Namekusei está me fazendo mal".
-Eu agradeço o que você está fazendo pelos os meus semelhantes.
"Realmente tinha que sentir algo do tipo para que dissesse.", pensou a cientista, porque embora não o conhecesse muito, sabia que não era muito amigável.
-Agora vamos entrar e lhes mostrar o lugar que será sua casa daqui a alguns meses. - Acrescentou secamente a amiga de Goku. Parecia mais uma ordem do que um convite, mas Bulma não estava para suspeitas.
Os namekuseijins duvidavam, porém, finalmente, prestavam atenção. Eles ficaram surpresos ao ver uma casa tão grande e ampla. As paredes foram revestidas com um azul claro, diante deles se abria uma grande escada. As decorações eram concisas e a luz era a dona absoluta das instalações.
-Se vocês subirem por aqui encontrão os quartos particulares da família e alguns outros mais para os hóspedes, mas devido a serem muitos, meu pai e eu concordamos em adaptar uma cúpula inteira só pra sua estadia, tal e com lhes disse na nave.
- Oh, Kami sagrado!- Dendê exclamou. - Na terra vivem melhor que a gente no céu... - O Kamisamá maior tossiu incomodado com este comentário. Dendê preferiu olhar para o chão envergonhado.
- É claro que vivemos melhor! – Sentenciou Bulma orgulhosa. - Embora eu deva lhes dizer mais uma vez que a minha família goza de uma posição mais elevada na Terra, é por isso que esta casa é tão grande.
"Presunçosa!"-julgou Piccolo cruzando os braços. A pele azul continuou:
-À direita temos a cozinha, onde preparamos os alimentos e comemos.
-Nós não comemos. - Ouviu-se entre a multidão.
Bulma achou estranho o comentário e virou-se para eles:
- Como não comem? Do que se alimentam? De Ar? -
-Da água. - Asseverou Piccolo.
-Ah, bem... – atordoou-se a pele azul. - De água...?Ah sim! Eu me lembro, você comentou algo comigo em Namekusei, não é Dendê? - procurou entre os convidados, sem encontrá-lo. -
-Sim -. Foi ouvido timidamente entre a multidão.
-Entendo... - Bulma olhou para o teto, pensativa. - É por isso que são verdes, como as rãs?
A expressão de confusão de todos olhando a pele azul como se fosse um monstro de mil bocas lhe dava a entender que essa convivência não ia ser muito tranquila.
-Bulma, é melhor dizer-lhes onde será o lugar deles. - Piccolo pulou à frente dos namekuseijins novamente.
-Ah, de acordo. – Lhe respondeu a cientista finalmente e não esperando uma resposta. -"Kami, como estou cansada...", expressou-se pra si mesma.
-Sigam-me, vamos voltar para o jardim, temos que passar por lá para chegar a seus quartos.
E todos seguiram. Eles passaram por um mar de flores e plantas que formavam um cenário requintado para os olhos e nariz. Durante o momento foram surgindo animais de todas as espécies, de todas as cores e de todos os tamanhos. Dragões e dinossauros viviam juntos nessa vasta extensão com felinos que brincavam entre eles, peixes que pulavam nos lagos que pareciam tão naturais, e até macacos pendurados nas árvores. Olharam pra cima e viram pássaros que sobrevoavam lugar, suas plumas formavam milhares de cores. Os sorrisos e olhares cúmplices entre eles monopolizaram todo o caminho. Sem dúvida a Terra era um planeta fantástico e se sentiram afortunados por ter encontrado a menina do cabelo azul-do-mar daquele mundo, por mais estranho que lhes parecessem. Chegaram a um dos edifícios semicirculares que compunha o imenso jardim. Era enorme, com pequenas janelas quadradas que sobressaiam à fachada e uma porta igual semicircular e metálica. Frente a ela, Bulma virou-se e disse:
-Esta será a casa de você nesses meses. Os homem-robôs e androides da nossa empresa estão habilitados neste edifício para vocês. Espero que gostem.
E logo abriu a porta, convidando-os a entrar. Os namekuseijins entraram com uma calma que fez com que Bulma desejasse chutar seus traseiros verdes impulsionando-os a entrar mais rapidamente, ainda sim eles estavam intrigados sobre o que iriam encontrar e, e novamente, uma vez foram passando as exclamações de satisfação pelo que viam fizeram a pele azul sorrisse orgulhosa. Era outro lugar iluminado, o que lhes surpreendeu porque as janelas eram pequenas, mas havia muitas que se perdiam até o teto, mais do que as que se podiam olhar por fora, permitindo que lugar quase brilhasse. Fileiras de camas grudadas na parede curvada, um em cima da outra, quase chegando ao topo da semi-cúpula, mas sua posição e composição não era como eles estavam em uma cabana. Se notava o maior cuidado de quem construiu esses beliches, pois as bordas de madeira se podia vislumbrar de onde eles estavam. Na medula do quarto posicionavam-se muitas cadeiras e sofás, que direcionava diretamente para a TV, estrategicamente colocado no centro. Os namekuseijins olhavam para o aparelho com ar de mistério.
-Como vocês vão passar muitos dias e noites aqui e não sei o que fazem para se distrair, sugerir por aqui o objeto sugerido que distrai muitos de nós terráqueos. – A pele azul disse com um sorriso enquanto tomava o controle remoto.
Piccolo voltou a se aproximar a fim de sussurrar algo:
- Bulma, eles não se interessa por essas coisas, você não precisa ... - mas foi interrompido por louvores que seus congêneres liberavam com fascinação esse objeto da qual saiam imagens e sons.
-Mas... Se parece uma esfera do dragão... - disse um se aproximando. Bulma sorriu novamente, desta vez para Piccolo, ignorando o conselho dele.
- E tem vários canais - apontou-os nos comandos. Eles ficaram maravilhados.
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- Vocês usam o banheiro? - Bulma queria acabar com isso o mais rápido possível. Ela se amaldiçoou por ser tão perfeita.
-Tomamos banho, é claro. - respondeu quem para Bulma parecia ser o chefe de todos eles.
-Então vejamos, nessa porta dos fundos vocês tem as duchas, inclusive acredito que eles colocaram algumas saídas pras banheiras além dos sanitários, e as pias para asseio.
- O que é um banheiro? - Questionaram por suas costas.
- Não disseram que usam o banheiro?
-Para tomar banho, mas não sabemos o que é um vaso -. Disse outro namekuseijin gordo.
Seria efeito do cansaço, mas o certo é que aquilo não causou nenhuma estranheza à cientista. Soube como sair desse impasse:
-Piccolo vai explicar isso, que viveu com os seres humanos.
Seu "quase amigo" verde esteve a ponto de mudar de cor.
-Se você me der licença, tenho que fazer muitas coisas -. Sentenciou virando-se.
Mas Piccolo se recompôs e saiu com ela pela porta, tentando evitar a aglomeração de namekuseijins curiosos que queriam ver o que era um vaso.
- Você não deveria sair coando daqui?- sugeriu Bulma com certo sarcasmo.
Não se esqueceu de que ele era o único vínculo conhecido com essas pessoas, tinha limitado a sua intervenção preferindo a vigilância. Não estava tornando as coisas mais fáceis.
-Ficarei uns dias com Gohan... – disse Piccolo.
-Isto é, se mãe dele permitir. – Completou taxativa a pele azul
Parou sua caminhada quando percebeu que Piccolo não a seguia. Bulma não entendeu o que o havia incomodado em seu último comentário. Todos sabiam que Piccolo não era muito bem recebido por Chichi.
-Bulma, você está sendo extremamente amigável com todos eles... –
A cientista entendeu o que estava acontecendo: queria agradecer-lhe por seu gesto com seus congêneres. Parece incrível o que custa a esse homem liberar algumas palavras...
-Oh, não se preocupe, Piccolo, - começou. – Fomos nós os que quase obrigamos esse lagarto chegar a Namekusei, então se pode dizer que me sinto na obrigação de ajudá-los, enquanto aguardam que passe o prazo para reunir de novo as esferas do dragão.
- É por isso que ajuda a todos? –O namekuseijin perguntou intrigado.
-Sim, é claro -. Respondeu ela. Eu não posso deixar essas pessoas sem casas, enquanto eles esperam para o seu planeta volte, muito menos depois de eles nos ajudarem com Freeza.
-Assim, você cobiça a todos ... – Reiterou Piccolo.
Mas Bulma não entendia e então ele a fez saber por seu olhar. O de cor verde olhou em direção à nave, esperando que ela captasse a indireta.
- Ora veja...! Você se refere a ele... -
-Sim, Bulma, o Vegeta. Eu não entendo como você sugeriu ele vir pra aqui com você.
-Ele nos ajudou Piccolo... Não se esqueça de que ele se dispôs por sua parte a derrotar Freeza... - Bulma disse enquanto sem deixar de olhar a nave.
-E você não se esqueça que é um mercenário e que ele fez isso sozinho e exclusivamente por ele, não por nós ou pela Terra ou pelo namekuseijins .
Ele também observou máquina espacial, mas ao contrário da pele azul, com receio e desconfiança.
-Sim, sim... - Concordou com relutância.
-Bulma, toma cuidado. Não vou ser eu quem vai tirar essa sua ideia. Eu sei que você é uma aventureira e que seu coração é grande, você está demonstrando isso abrigando tantas pessoas, mas... -
Ela sorriu:
- Sim, sim, ter cuidado... - e levantou os ombros num gesto que indicava que era inevitável fazê-lo. - Eu vou falar com ele .
Voltou a posar seus os olhos na nave e foi em direção a ela.
-Sinto muito por Yamcha, ele lutou com coragem. Voltará logo... – Foram as ultimas palavras de Piccolo antes de levantar vôo.
-Eu tenho certeza. Obrigado -. E deu-lhe um sorriso franco até que viu uma capa branca se perder no céu. Virou-se para olhar para o último convidado a com quem deveria tratar, o complicado Príncipe dos Saiyajins.
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Morto e ressuscitado em menos de um dia. De inimigo ferrenho a aliado. De estranho a hospede indefinido. "Só eu mesmo para tê-lo como convidado..." Raciocinava Bulma enquanto atravessava o jardim. "A emoção do momento...", justificou-se "isso seria porque se não...não...não dá pra entender ..." "O que eu ia fazer se não...? "Deixá-lo ali pra que voltasse louco para o planeta? Obviamente está perturbado, vai se saber a vida que teve! Como minha mãe diz: um pouco de bondade muda o mundo... Hummm... "
- E desde quando eu ligo pra minha mãe?! - gritou condida alargando os passos em direção à câmara de gravidade. Na frente dela, pode vislumbrar perplexa a porta fechada.
Não se ouvia nada de dentro, mesmo com as luzes acesas. Aproximou-se da entrada, procurando o interruptor para abrir a porta, mas lembrou-se que descartou colocá-lo, porque pensou ser desnecessário. Teria que bater e esperar que o sayajin abrisse. Respirando fundo, assim o fez.
- Vegeta ?- Perguntou do lado de fora.
Não houve resposta. Voltou a bater na porta de com a palma da mão. "Meu Deus, como estou cansada...". Cuidadosamente esquadrinhou a entrada por alguns segundos e girou-se para ir até sua casa.
- Filha! - Seu pai cumprimentou-a olhando por cima da bicicleta.
Ele estava agachado ao lado dela com a caixa de ferramentas de lado e Tama em seu ombro.
- Vegeta não abra a porta?
-Não, pai, parece que está planejando ir com a nave... - respondeu desmotivada sua filha enquanto se aproximava. Parecia incrível que com tudo o que tinha agora em casa com os novos hóspedes, ele teria feito parafuso que bicicleta velha.
-Acho que não... - seu pai lhe disse enquanto virava-se para o centro da bicicleta.
- E isso? - Bulma perguntou.
-É minha bicicleta filha!-seu pai lhe respondeu o tranquilo, embora juro que desde pequena ela lhe havia visto em sua bicicleta.
Bulma suspirou.
-Não, papai, eu quero dizer por que você acha que Vegeta não vai sair daqui...
- Ah! -Exclamou o Senhor Briefs divertido após de dar uma tragada em seu cigarro. -He he he ... Porque o intercomunicador lhe disse-lhe que viesse para a casa, pois sua mamãe queria convidá-lo para comer alguns pasteizinhos e ele só respondeu que estaria treinando na câmara de gravidade... - respondeu.
-Ah... - a explicação não pareceu muito convincente para Bulma, que se dispôs a entrar na casa pela porta da cozinha, a mais próxima ao pátio, onde estava com seu pai agora.
-É um Sayajin, certo? - perguntou o cientista.
- Como disse? – Questionou Bulma voltando – se sobre ele.
-É um Sayajin, como Goku, não? – Mudou sua ferramenta e se concentrou ainda mais em sua amada bicicleta.
-Sim e pelo visto, é o príncipe dessa raça. – Sua filha respondeu sem realmente saber onde daria a questão.
-Pois então, só pensará em uma depois de treinar. ¬¬
Bulma hesitou por um momento, mas depois um sorriso se espalhou pelo rosto. Seu pai pode ser muito distraido, mas às vezes surpreendia por sua transparência, mesmo sua própria filha. O senhor Briefs continuou:
-... A menos que encha até acima a câmara de alimentos, não irá, pelo menos não hoje.
-Sim. - Conseguiu dizer acertadamente sua filha. - Mas não coloque coisas na minha cabeça.
-Vamos querida -. Começou a dizer o cientista. Não seja dura com ele. -
Bulma desenhou uma careta no rosto.
- Que não seja dura com ele? - perguntou indignada.
Parecia que seu pai tinha percebido que eles tinham um assassino sideral alojado na casa. Por causa dela e de sua impetuosidade, sim, mas um mercenário espacial de pleno direito.
-Estou pensando em colocar duas hélices nas laterais...
Isso soou tão estranho pra ela, que ela até esqueceu-se de raiva:
-Em Vegeta?
A imagem ridícula surgiu em sua cabeça por magia.A descartou por um instante balançando a cabeça instantaneamente.
-A bicicleta... –
Seu pai tinha finalmente levantou vista pra ela e a fez parecer que era a mulher mais extravagante sobre o universo e tentava decifrar o que tinha em mente dando-se por vencido e voltando a concentrar-se em seu meio de transporte preferido.
Sua filha se inclinou para um beijo e quando ela finalmente entrou na cozinha e divertida respondeu ao pai:
-Isso já existe, pai, e é chamado de ciclomotor...
O senhor Briefs pensou por um momento e olhando para Tama, que lhe observava imóvel sobre seu ombro, sorriu e lhe disse:
-Bem, é verdade...
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Ao entrar na cozinha viu que a mesa estava repleta de pratos cheios de comida. E não apenas a mesa, em todos os lugares tinham bandejas, taças e fontes inúmeras de alimentos suculentos. Os homens robô deslizavam de um lado para o outro tirando do forno e da geladeira mais comida e colocando-as aos poucos em lugares que estavam vazios. Sua mãe provavelmente viu o céu aberto, quando soube que teria tantas pessoas para alimentar. "Vai ser uma decepção quando ela souber que só bebem água", Bulma pensava. Se posicionou entre dois robôs e apertou o botão do ordenador central que desativava o trabalho dos assistentes. Pelo momento saíram patinando dali deixando-a sozinha. Sentou-se pela primeira vez desde que havia chegado a Terra e na única cadeira que não estava ocupada por uma bandeja. Começou a comer distraidamente olhando ao redor.
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"Controlador matriz. Propulsor de deslocamento lateral. Mecanismo cinético para superar a barreira sônica. Indicadores de velocidade, pressão, combustível, latitude, longitude. Os niveladores estão bem nas laterais. Mapa estelar. Estúdio Geodinâmico Regenerável, humm... e até quatro radares para definir o curso. Veja, parece que essa mulher sabe o que se faz, depois de tudo."
Observação. Quase admiração. Quase.
"Tenho músculos rígidos. Muita tensão. Não conseguia dormir em toda a viagem. Há quanto tempo você não dorme? Hum. Essa mulher estranha passou todo o trajeto tagarelando sem parar... Ahh!"
Desconforto.
"Foi aqui que Kakaroto treinou. Sem dúvida. É uma de suas artimanhas. O aumento da gravidade em até cem vezes dentro desta pequena câmera foi uma das razões. Não é a única. A mim esses imbecis não enganam. Eu conseguirei. Vou superá-lo. Vou lhe mostrar quando for revivido."
Fúria. Esperança. Segurança.
"Embora seja neste maldito planeta, quem sabe? Afinal, treinar nesta nave deve ser apenas um dos muitos segredos de Kakaroto. Humm. Cabelo eu me levar. Não enganarão a mim. O Príncipe dos Saiyajins. Sim, é a base do esforço... Mas, certamente, este terceira classe esconde outras coisas. Tanto faz se neste mesmo neste planeta esconde seu segredo... Sim, aqui deve estar o motivo."
Dúvidas.
"Meus braços doem. A dor é interna. Os músculos realmente estão rígidos. Precisarei descansar. Humm. Logo. Descansarei logo. Onde eu vou dormir? Nem passou pela cabeça dessa terráquea estranha que eu vou dormir com esses namekuseijins!".
Mais dúvidas. Asco.
"Como algo escondido em algum lugar. Como uma força especial que emana de algum site. Como um feiticeiro que lhe concedeu uma poção sagrada. Bah! Besteiras!. Você tem que se concentrar!. Concentre-se!".
Coragem. Confiança.
"Ai está essa mulher. Ela acha que pode me interromper só por que isso é seu. Agora será minha. Poderia tomar essa nave e ir para o espaço. Agora mesmo deve estar um caos. Não há quem o domine. Eu seria um imperador perfeito. Pare de bater na porta! "
Impaciência. Ira.
"Tenho que me concentrar. Vou respirar fundo. Não posso retornar ao espaço agora. Primeiro eu tenho que vencer Kakaroto . Caso contrário, ele virá atrás de mim e me destruirá para ser o imperador. Me deixará como ridículo e não me matará para ver seu reinado solitário como Freeza fez."
Memórias. Repulsão.
"Ela se foi. Menos mal! Não tenho a cabeça de sua tagarelice incessante. Com uma única frase, seu pai compreendeu que vou continuar treinando aqui. Nada mais é necessário. Porque me convidou para vir a sua casa? Humm. Acredita que é esperta. Vai esperar o momento certo para me envenenar ou me matar enquanto durmo. Não o fará agora, nem amanhã. Vai esperar alguns dias. Certamente. Vai querer ganhar confiança. Umas abdominais não cairiam mal. Então eu vou ter que matá-la. Sim, eu vou matar ela e sua família que é ainda mais estranha e vou sair e buscar um bom lugar no espaço para treinar. Não! Antes terá que me dizer qual é o segredo de Kakaroto. Ela o conhece. São amigos. Deveria torturá-la até que confessar. Não. Nem assim. Pelo que entendi são como irmãos. Não me confessará. Terei que... Minha cabeça dói. É inteligente, sim, se foi capaz de fazer algo, sem dúvida que é inteligente. Segundo disse eles se conheceram procurando as Esferas do Dragão, mas não me lembro de dizer nada sobre um feiticeiro ... Maldita! ".
Desconfiança.
"As pernas parecem responder melhor. Engraçado. Voltei do inferno, revivi e meu corpo parece ainda ter memória da batalha. Esticarei as pernas no ar. Um par de movimentos simulando uma luta. Bom. Tudo em seu lugar. Só preciso descansar. memória que eu tenho que fazer tudo o que aconteceu há poucos dias. Relembrar a luta e saber onde eu errei. Ahhh! Que dor de cabeça! Tenho fome... Maldita seja! Se concentre! Não há tempo para relaxar. O inferno."
Cansaço. Terror.
"Eu não posso. Tenho que descansar. São muitos conquistas. Minha mente precisa de descanso e meditar não é o suficiente. Apagarei tudo isso e sairei pela porta. Ok".
Mais fadiga. Tonturas.
"O que está acontecendo comigo? Ok, ok. Não tem nada acontecendo. Basta sentar-se aqui, ao lado da porta para respirar bem fundo, dormirei no chão. Vai Tomarei cuidado para que ninguém chegue. Pelo menos com a porta poderei respirar ar limpo. Respira. Respira fundo. A parede não parece muito dura. Respiração. Super saiyajin. É o meu destino. Meu destino. "
Neblina. Visão turva.
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Bulma observava da cozinha que a camâra se abria. As luzes estavam apagadas. Os dois namekuseijins que estavam ali por perto saíram disparados na direção oposta.
"Bem, parece que depois de tudo eles sabem correr...", pensou, enquanto observava-os perderem-se pelo jardim.
Ela se levantou de sua cadeira para se mover em direção à nave. Respirou fundo antes de subir a rampa.
- Vegeta? -
