- Nossa, foi a prova de transfiguração mais difícil da minha vida – disse Dominique encontrando com Lucy no quarto delas – Demorei uns dez minutos para poder transformar uma cobra em um relógio. Bom, pelo menos foi a última prova da semana.

- Dominique, o trem parte daqui a meia hora, temos que nos apressar. – disse em tom desesperado terminando de arrumar seu malão.

"Caramba, não arrumei nada!" pensou a loira, rapidamente começaram a arrumar as coisas. Jew, que havia terminado de organizar seu malão, se ofereceu para ajudar as Weasley. As demais companheiras de quarto já haviam ido para o trem.

Graças a pequena ajuda de Jew, Lucy e Dominique terminaram de guardar a tempo de descer com o resto da família. As Weasley entraram no trem e procuraram a cabine onde sua família estava, o compartimento estava quase cheio, a sorte delas é que Molly não estava lá. Assim, estavam: Dominique, Lucy, Teddy, Victoire, Louis, Roxainne, Franklin, Fred e Tim.

No meio da viagem para a estação de King's Cross, Dominique se levantou e se ofereceu para comprar guloseimas com a velhinha dos doces, que ainda não havia passado na cabine deles, mas na verdade ela iria procurar Andrew. Louis e Teddy pediram a loira que comprasse dois pacotes de feijãozinho de todos os sabores, e Franklin disse que a senhora provavelmente estaria no inicio do trem. Dominique pegou o dinheiro deles, agradeceu a dica do Corvinal e saiu.

A Weasley estava no meio do trem, então decidiu começar a procurar por McCoy pelo início. Para a infelicidade dela, o rapaz não foi encontrado, logo teve que se dirigir ao outro extremo do trem. Entretanto, antes que pudesse começar a ir para os fundos do transporte, Dominique foi puxada para dentro de uma cabine onde tinham quatro pessoas: o goleiro, do quarto ano, que a segurava; uma das artilheiras e duas de suas amigas, todos da Corvinal.

- Me solta! - disse Dominique se debatendo nos braços do menino.

- Nós não vamos te machucar - disse a jogadora - a não ser que você não nos prometa que não irá jogar a final contra a gente.

- Como é? - perguntou a loira não acreditando no que estava ouvindo.

- Seja inteligente, nós somos quatro e você é apenas uma - falou outra menina.

- Não sabia que os CDFs estavam com tanto medo de perder feio para a gente - sorriu a Weasley. Porém, aconteceu algo pelo qual Dominique não esperava, a artilheira da Corvinal lhe deu um tapa na bochecha.

- Nós lhe avisamos, prometa que você não jogará a final, que deixamos você ir. – disse a terceira menina. Entretanto a loira já não estava ouvindo nada de tanta raiva. Seu sangue borbulhava nas veias. A menina deu uma cotovelada na costela do goleiro, que a largou, em seguida puxou os cabelos das duas amigas da artilheira da Corvinal, e por último se dirigiu a mentora da confusão, que estava assustada com o que havia acabado de acontecer.

- Aprende uma coisa garota – disse a loira segurando o segundo a menina – de mão fechada dói mais.

Após seu segundo soco no ano, Dominique saiu enfurecida do compartimento, a marca de mão em sua bochecha ainda ardia, o canto da sua boca estava sangrando, pois acabou mordendo seu lábio quando tomou o tapa. Assim, ela voltou para a cabine de sua família. Quando a menina abriu a porta, todos olharam para ela, horrorizados.

- Da próxima vez que tentar me forçar a não jogar a final, chame um garoto maior para me segurar – falou Dominique para Franklin. – Vou limpar minha boca. Não se preocupem, eles estão piores do que eu.

Novamente a loira saiu da cabine, dessa vez rumava para o banheiro feminino, pois queria limpar seu rosto. Entretanto na última cabine antes do toalete, ela foi agarrada novamente e levada para dentro do compartimento.

- Me larga! – gritou Dominique – Eu nunca vou desistir de jogar a final!

- Marrentinha! – disse uma voz que a loira conhecia muito bem – O que aconteceu com você?

- Andrew! – falou a namorada, bastante aliviada e abraçando fortemente McCoy. A Weasley explicou tudo para seu namorado, que ficou uma fera, mas como ele sabia que a garota era temperamental e ainda estava de cabeça quente, preferiu mudar de assunto.

- Eu vou sentir sua falta no natal – disse a garota enquanto tinha sua boca ensanguentada limpada pelo namorado.

- Eu sei – falou o rapaz sorrindo – ninguém consegue ficar tanto tempo longe de mim.

- Até parece – riu Dominique entrando na provocação – Você vai sentir mais saudades de mim, do que eu de você.

- Vou escrever para você todos os dias. – disse McCoy. A Weasley sorriu e relaxou, depois de muita tensão nos últimos trinta minutos.

- Caramba! Tenho que voltar para a minha cabine - exclamou a garota ao ouvir a senhora dos doces passar pelo corredor, ela beijou o namorado e saiu.

Dominique voltou para a sua família, Franklin e Roxainne não estavam mais no local, Teddy e Tim estavam saindo, o capitão do time pediu para a loira não se preocupar com os Corvinais, que ele iria mandar uma carta para o treinador Jordan. A Weasley, após agradecer ao amigo, se sentou. Entretanto o clima estava muito estranho lá dentro.

- O que aconteceu? – perguntou a loira vendo as caras pensativas ao seu redor.

- Roxainne e Franklin saíram daqui brigando – disse Victoire.

- Você está melhor? – perguntou Lucy para a prima, que estava bem mais calma.

- Estou sim. – respondeu Dominique.

- Tem uma coisa muito estranha nessa história toda, onde estão meus feijãozinhos? – disse Louis descontraindo e fazendo todos rirem.

O trem parou na estação de King's Cross em Londres, os alunos saiam do transporte e procuravam por seus parentes, que foram busca-los. Os Weasley foram para toca nos carros voadores de Ginny, George e Percy, que os levariam para a Toca, onde todo ano passavam o natal e o réveillon.

Após um delicioso jantar feito pela avó dos jovens, Molly, a garotada foi para a sala conversar. Roxainne anunciou que o namoro dela com Franklin havia acabado, Dominique foi a primeira a comentar:

- Ainda bem, ele não te merecia.

- Deixa de ser insensível – disse Victoire para a irmã, que fez cara feia – Roxy, você está bem?

- Claro, eu não me abato fácil – sorriu a mulata, todos os términos de seus relacionamentos eram daquela maneira – Hogwarts ainda tem muitos garotos bonitos.

- Mas por que você terminou? – perguntou Molly.

- Já não estava dando muito certo, ele é muito certinho para mim – falou Roxainne – Além disso, ele admitiu ter planejado desmontar o time da Grifinória. Obviamente não do jeito que aconteceu com Dominique, mas algo similar.

- Que filho da mãe – disse Fred, em seguida ele virou para a loira mais nova e disse – Bom, pelo menos você lhes ensinou uma lição.

- Espero que sim – disse Dominique rindo. Um pouco antes de dormir, a loira mandou uma carta para o namorado, contando o que havia acontecido na volta para casa.

No dia seguinte pela manhã, Brave, coruja da loira, voltou para a sua dona, que aguardava noticias de Andrew, mas só havia uma carta, e era de Tim, falando que o treinador Jordan ia apurar a denuncia de agressão a ela, mas que provavelmente não mudaria nada no jogo, pois a menina revidou, também, violentamente. "Que raiva, eu só bati neles para me defender", "Os CDFs nunca são punidos". Além disso, no café da manhã Harry avisou que um amigo do trabalho dele iria passar o natal com eles, o que desagradou alguns adolescentes, pois não teriam tanta liberdade.

A tarde, Dominique e Fred foram para o campo de quadribol que ficava nos fundos da Toca para treinar, a medida que o tempo passava, mais forte o treino ficava, pois alguns dos adultos que já haviam jogado se juntaram a eles. Dentre eles, Ginny, que jogou pelas Harpias de Hollyhead; Angelina, que já havia jogado e agora era assistente técnica dos Chudley Cannons; Charlie e Harry haviam sido capitães da Grifinória e George foi eleito, junto com seu falecido irmão Fred, três vezes como melhor batedor de Hogwarts.

Apesar do frio de dezembro, todos suaram bastante praticando o esporte bruxo, Dominique foi a primeira a ir tomar banho. Somente ao sair do banheiro e perceber que já estava de noite é que ela foi se tocou de que passou a tarde inteira jogando quadribol, o que explica a exaustão dos mais velhos.

- Dominique! – exclamou Lucy entrando no quarto – Você não vai acreditar.

- Lucy, bata na porta, eu ainda estou me arrumando – disse loira irritada e vestindo rapidamente a blusa.

- Não surte, o amigo de Harry chegou e trouxe o filho – falou a morena desesperada – são os McCoy.

Dominique gelou, a escova que estava usando para pentear seus cabelos loiros caiu no chão, "Andrew aqui?" pensou a Weasley. Ela não conseguia visualizar a cena de jeito nenhum.