A manhã seguinte raiou, era dia do jogo mais importante do campeonato para os alunos de Hogwarts, se perdessem estariam fora da competição, se ganhassem continuariam na disputa e fariam história. Como o jogo era depois do almoço, os atletas puderam acordar um pouco mais tarde.

Eva e Tim prepararam o almoço, que segundo Jordan tinha que ter bastante massa, pois precisariam dessa energia para o jogo. A refeição, para a felicidade de Dominique foi Fetutinni Alfredo, uma das comidas preferidas da loira, porém o treinador não a deixou repetir.

- Se quiser come no jantar, não posso correr o risco de ter uma das minhas artilheiras passando mal durante o jogo, é muito arriscado – disse o adulto.

O time de Hogwarts foi bem cedo para o campo de gelo, eles precisaram pegar um teleférico para subir até o estádio da montanha de neve. Diferentemente do jogo anterior, nesse, estariam todos encasacados (pois segundo Kursten Blijk, faz menos quinze graus).

- Bom, vou deixá-los sozinhos para conversarem entre si. – disse o treinador Jordan após relembrar as jogadas no quadro negro que tinha no vestiário. – O jogo começa daqui a uma hora, não se atrasem. Estarei no camarote de Ludo, se precisarem de mim.

- Muito bem gente – disse Tim, tomando seu posto de capitão – Nós passamos um semestre inteiro nos esforçando para conciliar os estudos com o quadribol e essa pode ser a última partida de muitos de nós por Hogwarts. Então temos que entrar focados, dando 110%.

- Isso! – disse Eva – temos que disputar todas as bolas, acreditar em todos os lances, inclusive nos improváveis, lutar até o fim.

- Concordo! Quem não fizer isso, vai se ver comigo – falou Paul se levantando.

- É, eu e meu parceiro acertaremos um balaço na cabeça de quem não se esforçar – disse Lucas dando um tapinha no ombro do Sonserino do sétimo ano – sem ofensas Dominique.

- Não me ofendeu – riu a loira.

- Dominique – disse o treinador Jordan surgindo do nada na porta e assustando os seus atletas – vem aqui rapidinho.

Com vários olhares estranhos, a Weasley saiu do vestiário bastante confusa. "O que será que está acontecendo?". Em meio a uma sensação de que tinha alguma coisa errada, a loira e o técnico andaram pelos corredores do estádio, até entrarem em uma sala. Os três organizadores do evento estavam sentados em um sofá, e tinha mais um homem lá, mas a garota não sabia quem era.

- Qual é o seu nome completo? – perguntou o homem estranho com um forte sotaque francês.

- Dominique Delacour Weasley – respondeu a loira muito confusa.

- Você é a filha de Fleur Delacour? – perguntou Bastien.

- Sim – respondeu a segunda pergunta – como você sabe?

- Eu estudei com ela em Beauxbatons, lembro-me do sobrenome – falou o organizador, fracês, do evento.

- Ela não pode jogar – falou o homem estranho.

- Calma Pierre. – disse Kursten.

- Alguem pode me dizer o que está acontecendo? – surtou Dominique.

- A uma semana atrás, aprovaram uma lei na França exigindo a volta de todos os franceses para sua terra natal. Todos os homens tinham que voltar, com suas famílias ou não, mas todas as mulheres tinham que voltar com seus filhos. – explicou Bastien – Pierre LePaul é o técnico do seu adversário de hoje. Ele não quer que jogue esse jogo, pois era para você ser aluna de Beauxbatons, não de Hogwarts.

- O quê?! – exclamou Dominique achando aquilo tudo um absurdo – Eu sou Britânica! Não sou Francesa, nasci na Inglaterra e morei minha vida toda lá.

- Apenas porque sua mãe é uma traidora da pátria – resmungou Pierre – Você tem sangue francês nas veias. Logo, sua escola é Beauxbatons, não Hogwarts. Seu país é França, não Inglaterra!

- Como ousa falar alguma coisa da minha mãe, seu narigudo metido! – a loira se levantou da poltrona e o técnico Jordan teve que a segurar – Eu vou jogar esse jogo sim! E pela escola que estudo há cinco anos!

A Weasley saiu batendo perna da sala e pode ouvir Bastien pedindo para Pierre deixar passar dessa vez, já que a lei era nova e talvez não tivesse dado tempo de Fleur se mudar com os filhos. Depois disso, a loira não ouviu mais nada, entrou no vestiário extremamente vermelha de raiva.

- O que aconteceu? – perguntou Eva.

- O treinador de Beauxbatons não quer me deixar jogar, porque minha mãe é francesa. – disse Dominique. Logo em seguida o treinador Jordan entrou novamente pela porta.

- Técnico, você não pode deixar isso acontecer, Dominique é muito importante para o time! E ... – disse Tim, mas foi interrompido.

- Eles deixarão ela jogar – falou o adulto fazendo seus atletas vibrarem.

- Vamos jogar pela Weasley! – disse Lucas.

- Não, vamos jogar por todos nós – disse Dominique – Um por todos e todos por um!

A equipe foi para o campo, mais motivados do que nunca, Jordan inclusive pensou que todo esse episódio que ocorreu com a Weasley poderia ajudar o time a derrotar Beauxbatons.

- Desculpem o atraso, senhoras e senhores, tivemos um pequeno imprevisto antes do jogo. – disse Ludo pelos alto-falantes enquanto os dois times se posicionavam no campo – Teremos, hoje, um dos melhores jogos do intercolegial, espero que todos aproveitem.

Antes do jogo começar, Dominique olhou de cara feia para Pierre LePaul que estava sentado no camarote da comissão técnica. Em seguida a Weasley olhou para os jogadores adversários, estavam todos encarando ela.

- Andrew, Cecília, eu não sei o que o treinador deles falou, mas acho que vou ser caçada o jogo inteiro. Vocês terão bastante espaço para pontuar. Aproveitem cada chance. – falou a loira para os dois outros artilheiros.

- Paul, não deixe nenhum balaço acertar Dominique. – disse Andrew para seu amigo.

- Faça o mesmo, Lucas – completou Cecília.

- Começou o jogo! – disse Ludo – Hogwarts com a goles. McCoy passa para a Weasley, que dá uma linda assistência para Pradela e GOL!

Todos os ingleses estavam voando velozmente pelo campo de gelo, só dava para ver os vultos pretos cruzando o campo, Ludo mal conseguia dizer quem estava com a posse. Com dez minutos de jogo, Dominique já havia marcado três gols (mesmo sendo fortemente marcada), dado quatro assistências, roubado sete vezes a goles dos artilheiros de Beauxbatons e tomado onze faltas. Ela estava destruindo o jogo. Quem assistiu o primeiro jogo de Hogwarts não podia acreditar que aquele era o mesmo time.

- Mais um gol da Weasley, ela deixou o seu marcador para trás com uma linda finta. – emocionou-se Ludo

Alguns minutos a mais de pura destruição da Weasley e algo chamou a atenção de todos no estádio, a voz do ex-jogador e narrador inglês havia desaparecido dos alto-falantes, em vez disso, ecoou pelo estádio uma voz desconhecida com sotaque francês.

- Aqui é o capitão dos aurores franceses, peço que Dominique Delacour Weasley desça de sua vassoura e posicione-se no centro do campo para poder ser transportada para a amada França. Qualquer tentativa de resistência e todos enviados para a prisão de Bastillenfer.

O estádio virou um caos quando as tropas francesas começaram a invadir o campo de neve, todos os torcedores saíram correndo para saída, deixando muitos feridos, eles tinham medo da possibilidade de tambem serem presos. Dominique ficou sem reação "Por que tudo aquilo estava acontecendo com ela?". Lee Jordan derrubou o árbitro da vassoura e montou nela se dirigindo para perto de seu time.

- Rápido, temos que sair daqui! – disse Eva,

- Precisamos voltar para a nossa casa para pegar a chave do portal, está na minha mala. – disse Jordan – mas acho melhor irmos amanhã.

- O que? Mas onde passaremos a noite? – perguntou Lucas.

- Na montanha – respondeu rapidamente Tim apontando para o que parecia ser uma caverna alguns metros para cima. Vamos dar a volta na montanha para despistá-los em seguida entramos ali.

Rapidamente os membros do time de Hogwarts saíram voando do estádio. As autoridades francesas começaram a disparar feitiços em direção ao time, vendo que a Weasley não iria se entregar. Como se fosse um movimento de equipe, os alunos saíram pelo lado da montanha, fazendo os franceses perde-los de vista, em seguida foram para a caverna.

- "Lumos" – disse Cecília, que foi a primeira a aterrissar na escuridão da caverna cheia de neve. O lugar nem era tão fundo, na verdade era um buraco na montanha, mas era o suficiente para todos os oito. O grupo inicialmente tentou tirar um pouco da neve que havia dentro da caverna.

A noite e a temperatura cairam, as luzes da cidade acenderam, era possível ver tudo ali de cima. As meninas começaram a sentir frio, Dominique ao ver Lucas sentar-se ao lado de Cecília e abraça-la, tentou parar de tremer, pois provavelmente Andrew gostaria de fazer o mesmo. A única diferença é que o relacionamento amoroso dos Corvinais poderia passar despercebido, já que eles eram amigos a anos, então aquele abraço podia não significar nada. Ao contrário da Weasley e do McCoy que, para os demais, se odiavam, logo seria muito estranho ele a abraçar.

Tim olhou para a loira, falando com os olhos que poderia sentar ao seu lado para se esquentar, mas ela indicou para o amigo ir esquentar Eva, que estava com as bochechas vermelhas.

Algumas horas se passaram, ninguém falava nada na caverna, todos poupavam energia, como se qualquer coisa que falassem fosse tirar o calor corporal que os mantinham aquecidos. Dominique estava tremendo demais, seus lábios estavam começando a ficar roxos e seus dedos brancos, Andrew não aguentou vê-la naquele estado e se levantou. A loira o olhou com um olhar de reprovação, mas o garoto não quis saber, sentou-se do seu lado.

- Vamos ver se na necessidade, vocês acabam deixando suas diferenças de lado e passam a se tolerarem – disse o treinador Jordan – Acho melhor todos nós tentarmos dormir um pouco.

- A gente não pode acender uma fogueira não? Está muito frio. – disse Eva batendo o queixo.

- Infelizmente não. Primeiro porque chamaria a atenção lá da cidade, uma claridade na montanha. Segundo que mesmo se usarmos feitiço para diminuir a iluminação, o fogo vai esquentar a neve e ela pode derreter e nós ficarmos soterrados. – respondeu Tim.

Todos se deitaram, Dominique estava tremendo nos braços de Andrew, que a segurava firmemente, pelo menos seus lábios e seus dedos havia voltado a cor natural. Sem que ninguém visse, o McCoy beijou a namorada e disse:

- Acho que não foi como você queria, mas feliz aniversário. Eu te amo.

Realmente, Andrew estava certo, a Weasley nunca pensou que poderia passar seu aniversário tendo sua mãe acusada de traição, não havendo o jogo contra o time mais forte do campeonato, sendo ameaçada pelas autoridades francesas e dormindo em uma caverna numa das montanhas mais geladas da Suíca. O namorado foi o único a lhe dar os parabéns, mas ela não podia culpar seus companheiros de time, que estavam concentrados no jogo e, em seguida, na confusão. Nem seus familiares, que provavelmente não mandaram cartas para não distrair a loira do campeonato.

- De fato não foi, mas pelo menos eu estou com você. – disse a Weasley se encolhendo mais ainda, nos braços do namorado.

A manhã seguinte raiou, e rapidamente o grupo se levantou, graças o sol, a temperatura ambiente subiu um pouquinho. Dominique e Andrew se separaram imediatamente, Cecília e Lucas fizeram o mesmo. Já Tim e Eva pareciam ter gostado de ficarem juntos naquela noite e Paul estava com a boca toda estourada do frio, mas ele era o único que havia se agasalhado em dobro para o jogo contra Beauxbatons.

O time desceu voando para a cidade, que estava deserta, a bandeira do Reino Unido que havia em frente a casa havia sumido e para piorar, as coisas dos atletas de Hogwarts estavam queimadas. Poucos foram os objetos salvos.

- Como voltaremos para a Inglaterra, o travesseiro (chave do portal) deve estar queimado também. – disse Cecília.

O treinador Jordan parecia estar procurando alguma coisa no meio das roupas queimadas. Ele pediu a ajuda dos seus jogadores, disse para eles que havia transfigurado a chave do portal de travesseiro para um relógio metálico de bolso, portanto, não teria sido queimado. Depois de revirarem todos os tecidos ouviu-se algo caindo e quicando na calçada da cidade.

- Achei! – gritou Paul.

- Muito bem, todos devem segurar o objeto, então "Engordio" – falou o adulto aumentando o tamanho do pequeno relógio – Segurem suas vassouras e vamos para casa.

Todos tocaram no relógio e seguraram suas vassouras firmemente e em alguns segundos já haviam saído do chão. Eles chegaram no campo do estádio de Hogwarts, a Diretora McGonagall, os diretores de casa e uns homens estranhos, que pelas roupas, pareciam ser aurores Ingleses.

- Vocês estão bem? – perguntou a diretora aparentando ter passado a noite acordada. A pequena senhora era bem séria e fria, mas as vezes mostrava seu lado mais caloroso.

- Sim, mas só conseguimos salvar nossas vassouras, os franceses queimaram o resto dos nossos pertences. – respondeu Jordan.

- Tudo bem, vou mandar uma coruja para a madame Malkins e pedir sete robes. Vou dar três dias de folga para vocês se recomporem após esse campeonato estressante, mas lembrem-se que os N.O.M.s estão chegando. Sra. Weasley, venha comigo, seus pais estão no meu escritório.

A Weasley se despediu de seus companheiros de time, que foram para os seus dormitórios para compensar a noite de sono em que quase congelaram. Ela seguiu McGonagall até sua sala, onde encontrou não só seus pais, mas seus irmãos também. Estavam todos com feições de preocupação, Dominique suspeitou que eles não sabiam que ela havia chegado, pois pareciam surpresos em vê-la.

- Dominique! – disse sua mãe correndo para abraça-la – você está bem?

A atleta de quadribol balançou a cabeça positivamente. McGonagall disse que iria deixa-los a sós para que pudessem conversar, e saiu de sua própria sala.

- Me desculpe filha, deve ter sido o pior aniversário de todos. Nunca imaginei que Beauxbatons fizesse algo assim comigo, quero dizer, eu estudei lá minha vida toda e ainda os representei no torneio tribruxo. – disse Fleur apertando Dominique.

- O que aconteceu? – perguntou Louis, que assim como Victoire, não sabia o que estava acontecendo.

- Os franceses estão acusando nossa família de traição, porque era para a mamãe ter voltado com a gente para lá. – disse Dominique.

- Ué? E o papai? – perguntou Louis.

- Ele teria que ficar aqui, pois ele é Inglês.

- Mas nós somos ingleses tambem – disse Victoire indignada.

- Eu sei, mas segundo eles, nós carregamos o sangue francês. – explicou Dominique – Mãe, o que vai acontecer com a vovó, o vovô e a tia Grabrielle e nossos primos.

- Não sabemos ainda – disse Bill, mas Harry já mandou um grupo de aurores ir lá busca-los. Nos resta torcer para que estejam bem.

Victoire e Louis ficaram meio chocados com toda aquela situação, seus familiares franceses poderiam ser presos, incluindo seus primos de cinco e dois anos: Gilbert e Gustav.

- Bom, já que não pudemos contatar você, trouxemos um bolinho para cantarmos parabéns – disse Bill à Dominique. A família Weasley andou até a mesa da diretora McGonagall, o ruivo conjurou um bolo de cereja com morango, o predileto de Dominique. Ascenderam uma vela e começaram a cantar o parabéns para você, a diretora de Hogwarts entrou de volta na sala para participar da comemoração.

Após comerem o bolo, Bill e Fleur despediram-se de seus filhos e aparataram para casa. McGonagall mandou os alunos da Grifinória que estavam em sua sala, voltarem para as tarefas. No caminho para a sala comunal, Dominique contou tudo que aconteceu na Suíça. "Só esqueci de contar a parte que dormi abraçada com Andrew e que foi ele, o único a me dar os parabéns no dia do meu aniversário" lembrou-se a menina, sorrindo, após deitar-se na cama para tirar um cochilo naquela final de manhã. "Ai ai ai, McCoy, não sei o que eu faria sem você".