Notas da Autora
Erik fica surpreso quando descobre que...
Laxus fica estarrecido, quando...
Os gigantes ficam surpresos quando...
Jellal abre os olhos e se depara com...
Lissana se surpreende, quando...
Após séculos, ocorre o reencontro entre...
Capítulo 2 - Reencontro
Na ilha repleta de cobras e serpentes, Erik, corajosamente, acertava várias cobras com o galho, conseguindo matar algumas, enquanto lançava outras para longe, ao mesmo tempo em que procurava ignorar o par de olhos vermelhos de dentro da mata, que olhava atentamente para ele.
Porém, a criança se cansava cada vez mais e no instante em que as cobras iriam ataca-lo, um poderoso rugido é ouvido e as serpentes fogem, com Cuberius se encolhendo na cabeça de Erik.
Então, uma voz maternal surge da direção do par de olhos brilhantes:
- Pequeno filhote de humano, se aproxime. Não precisa ter medo.
- Quem é você? – ele pergunta ressabiado.
- É mais fácil me ver... O vi em ação. Você tem uma forte convicção em seu coração. Ficaria feliz em treinar um filhote como você, para torna-lo meu filho.
- Seu "filho"? Como assim?
- Darei a você poderes incríveis. Poderes que os humanos apenas sonham em ter. Gostaria de ter o poder para mudar o mundo? Ou melhor, para salvar o mundo e evitar que outras crianças sofram, assim como você sofreu?
- Como você sabe disso?
- Posso ouvir os pensamentos de qualquer ser. Pobre filhote sofreu tanto... E essa cobra na sua cabeça sofre também. O certo seria chama-la de Kinana. Ela era um filhote de humano como você que foi amaldiçoada por uma bruxa.
- Cuberius é Kinana? – ele pega a cobra da mão, vendo a confusão no rosto ofídico.
De fato, ele sempre achou estranho o fato de uma cobra compreender a linguagem humana.
- Pode quebrar a maldição dela?
- Não vou precisar. Em breve, ela mesma irá se libertar. Afinal, um dos feixes de luz a atingiu também. Era um feixe duplo. Porém, como estavam demasiadamente juntos, pareceram apenas um. Em alguns feixes, isso aconteceu.
Ele olha para a cobra, que está com o cenho arqueado.
Munido de coragem e com um misto de curiosidade, inerente a todas as crianças, ele entra na mata, notando que todas as serpentes e cobras fugiram do local.
- Eu posso mandar nos animais peçonhentos. Eles fugiram da região. Em breve, nem você e nem Kinana precisarão temê-los e sim, eles a vocês, além de obedecê-los, caso aceitem ser os meus filhos.
Após adentrar na mata, Erik vê algo que o faz ficar fascinado.
Era uma dragoa com um corpo prateado e forte, mas, com contornos delicados, sendo que uma parte do pescoço parecia achatado, lembrando o de uma serpente e seus olhos eram vermelhos.
- Me chamo Hanashi (花死 - Flor mortal) e sou uma das princesas dos dragões venenosos e quero transformar ambos em dragon slayers, pois os humanos irão precisar de vocês. Isso foi acordado entre nós que viemos a este admirável mundo novo. Há vários requisitos que vocês dois preenchem, inclusive, terem sido irradiados pelos feixes de luz.
- Vocês não pertencem a esse mundo? Mas, não teve dragões no passado? Ou era apenas um conto?
- Já existiram dragões nesse mundo. Mas, eles foram destruídos, tanto pela guerra entre os dragões e depois por um dragon slayer cruel que matou a sua mãe e começou a caçar todos os dragões para ser o mais poderoso, se intitulando o rei dos dragões, senão me engano, ao se transformar em um dragão negro. Um grupo de dragões conseguiu sela-lo. Porém, em breve, esse selo vai se romper. Eu descobri através dos meus poderes e com a ajuda de Eichiteki (叡知滴 - gota da sabedoria).
- Esse dragão negro deve ser poderoso.
- Sim.
- Qual o seu nome?
- Acnologia. Embora que temos um dragão com esse nome de onde viemos. Mas, a história é diferente e ele nunca foi um dragão slayer e sim, um dragão puro. Um jovem dragão puro estúpido, cruel e inconsequente. – ela fala amargamente, não conseguindo conter um rosnado.
- Por que inconsequente?
- Dentre outras coisas, além do grave crime punível com uma morte pela dor, após uma tortura lacerante, de onde viemos, os seus atos, diretamente e indiretamente, afetaram e ainda irão afetar esse mundo.
- Nossa...
- Então, aceita ser o meu filho? Kinana, você aceita ser a minha filha?
A cobra faz sim com a cabeça, assim como Erik.
- Excelente! Farei o ritual para transformar os seus corpos iguais ao de dragões. Se treinarem muito, poderão se tornar dragões e não irão enlouquecer pelo poder, ficando sedentos pelo mesmo, como aconteceu com o Acnologia daqui. Podem ficar tranquilos. Claro que não será fácil dominar essa transformação.
- Deve ser legal se transformar em um dragão! – ele exclama animado.
- Vocês ganharão escamas, presas, garras e seus pulmões, coração e outros órgãos serão de dragões, inclusive os ossos. Vocês serão capazes de matar um dragão, além de poderem se alimentar do seu elemento, recobrando assim os seus poderes e curando qualquer ferimento que tenha adquirido em uma luta.
- Uau!
Então, a cobra dele começa a brilhar, surpreendendo o garoto que coloca ela no chão. Uma sombra negra sai dela e adentra na mata, fazendo a dragoa meramente arquear o cenho.
O corpo da cobra começa a brilhar e fica maior, assumindo a forma de um corpo humano pequeno envolto em um forte brilho, até que o mesmo cessa, revelando uma menina com sete anos, usando um vestido surrado em vários graus.
Ela olha para as suas mãos e chora de felicidade, sendo que abraça Erik, que havia achado ela muito bonita.
Enquanto chorava de felicidade, ela fala:
- Estou feliz por poder abraça-lo, kina.
- Eu também.
Nisso, eles se separam e olham para a dragoa que os olhava bondosamente.
- Estão prontos?
- Sim.
- Vamos começar o ritual.
Há centena de quilômetros dali, Laxus ainda estava tremendo, enquanto via algo saindo da floresta e arregalou os olhos ao notar que era um dragão imenso de escamas prateadas, sendo que havia algumas pontudas, enquanto tinha manchas rajadas douradas em seu corpo em forma de raios e podia jurar que viu pequenos relâmpagos envolvendo o corpo do dragão imenso.
O ser olha para onde o outro vulto saiu e suspira, comentando consigo mesmo:
- Então, já começou... Isso parece um maldito jogo de shougi. Eichiteki vai adorar jogar. Quem dera que eu apreciasse.
O dragão vira a imensa cabeça para o rapaz e se aproxima do mesmo que chorava.
Ele leva a sua grande pata para a cabeça da criança, afagando-o, procurando confortá-lo, com Laxus abrindo um olho e depois outro, notando que o imenso dragão o olhava bondosamente, sendo que fala com uma voz paternal:
- Pobre filhote de humano... Viu tanta coisa ruim. De fato, vocês são como eu imaginava que seriam.
- Como assim? – ele pergunta fracamente – E qual o seu nome?
- Me chamo Raiufu (雷雨吹 - sopro da tempestade). Não sou desse mundo, assim como os meus amigos e alguns inimigos. Viemos de outro mundo.
- Outro mundo?
- Sim. Dragon Land. Lá não existem humanos. Somente dragões.
- Mas, como sabe sobre nós humanos, senhor?
- Pelo visto, filhote é filhote, independente da espécie... – ele sorri bondosamente, para depois a feição dele fica triste, sendo algo que não passou despercebido para Laxus – Teve uma guerra entre os dragões. Infelizmente, os humanos foram exterminados. Eles não tinham magia e foram pegos pelos ataques cruzados dos dragões de ambos os lados. Eles foram vítimas inocentes do nosso enorme poder. No caso, dos meus ancestrais.
A criança fica assustada e depois pergunta temerosa:
- Nos podemos ser extintos também?
- Bem... vocês, humanos, são consideravelmente frágeis e se houver uma guerra como a que nós tivemos, o que duvido, um pouco, eu e os meus amigos faremos de tudo para salvá-los. Mas, precisamos de ajuda. Há muitos inimigos poderosos e o tal de Acnologia deste mundo parece ser poderoso. Nós temos um do nosso mundo. Mas, é um jovem dragão puro inconsequente, assim como perverso.
- O Acnologia daqui é um dragão, não é?
- Ele não nasceu dragão, ao contrário do nosso. Este Acnologia nasceu humano. Antes era um dragon slayer, que é um humano que ganha um corpo e poderes de dragão, pelo que descobrimos desde que chegamos neste mundo. Hanashi foi a responsável por descobrir, graças aos seus poderes, assim como Eichiteki, cada um usando os seus respectivos poderes. Pelo que compreendemos, após uma breve investigação, esse Acnologia era um dragon slayer que ficou sedento pelo poder. Matou a sua mãe que lhe ensinou a magia e começou a matar os dragões desse mundo. Para nós é surreal, pois, é o inverso de onde vivemos. Aqui, os humanos reinam e até algum tempo atrás os dragões estavam extintos. Em Dragon Land, os humanos é que estão extintos e os dragões reinam.
- E como querem a nossa ajuda? Esses dragões são bons?
- Com exceção dos meus amigos, não... Por isso, não podemos fazer tudo sozinhos. Precisamos dos humanos. Reza a lenda no nosso mundo que um dragon slayer é mais poderoso do que um dragão quando domina a sua magia. Talvez tenha algo a ver com uma característica humana. Não sabemos. Mas, acreditamos nesse mito. Portanto, meus amigos estão escolhendo humanos de coração bom e nobre para serem dragon slayers, sendo que eles precisam ter sido atingidos por um dos feixes de luz. Quero perguntar se gostaria de ser o meu filho. Quero transforma-lo em um dragon slayer. Sou um dos príncipes dos dragões dos relâmpagos. O que acha?
- Eu? – a criança aponta para si – Um dragon slayer? Mas, eu sou fraco. Ou seja, tenho problemas de saúde.
- Você ganhará um corpo com órgãos de dragão, inclusive ossos, garras e presas. Herdará a resistência e força dos dragões, além de poder se alimentar do seu elemento, recobrando assim os seus poderes e curando qualquer ferimento que tenha adquirido em uma luta. Portanto, teria poder para defender os seus entes queridos.
Laxus se lembra de seu amado avô e surge nele um sentimento forte de protegê-lo.
- O que preciso fazer?
- Jure que vai proteger a sua raça. Jure que irá usar o meu poder para o bem e a justiça.
- Eu juro! E aceito ser o seu filho!
- Fico feliz em ouvir isso, filhote de humano. Começaremos o ritual.
Há centenas de quilômetros dali, na vila dos gigantes, as chamas tomam uma forma imensa e eles notam que elas se transformam em um dragão com asas imensas, sendo que ele era composto puramente das chamas sagradas ao ver deles.
O pai adotivo de Flare a protegia com a mão, enquanto o imenso dragão olhava para eles, para depois alçar voo rumo aos céus, enquanto murmurava:
- Igneel...
Um dos gigantes comenta:
- É um deus dragão! Nossas chamas sagradas eram de um deus dragão!
Nisso, todos os gigantes compartilham da animação ao julgarem que era um Deus, enquanto que Flare, milagrosamente, ressonava tranquilamente na mão gigantesca daquele que a adotou, apesar dele e dos demais gigantes comemorarem o surgimento de seu Deus do fogo, enquanto oravam para que ele voltasse.
Algumas horas depois, em uma ilha há milhares de quilômetros dali, Jellal recobra a consciência e ao abrir os olhos, senta e se afasta ao ver um imenso dragão azul, sendo que próximo dele havia uma versão menor que o olhava com visível interesse. Já o maior e que parecia bem mais velho, exibia um olhar bondoso.
- Vejo que acordou filhote de humano. – ela fala bondosamente.
- Então isso é um humano, baa-chan (vovozinha)? – a dragoa jovem parecia animada.
- É um filhote. Um humano é maior, Mizuko (水子 - Filha da água).
- Entendo.
- São dragões? – a criança pergunta estarrecida.
- Sim. Mas, não somos desse mundo. Um terrível acidente fez esta Ryuuzaki (龍咲 - flor dragão), minha neta e alguns outros dragões, amigos meus, chegarem nesse mundo. Perdoe a indelicadeza da minha neta. Entenda, em Dragon Land, de onde viemos, os humanos existem apenas nos livros de história. Nem mesmo, eu, vi um humano vivo. Eu era só um pequeno filhote, quando eles existiam e me lembro de alguns, parcamente.
- Outro mundo?
- Uma dimensão contrária a essa. Aqui, até algum tempo atrás, não existia mais dragões e vocês humanos dominam o mundo. De onde viemos vocês estão extintos e nos, dragões, dominamos o mundo. Não vivemos em cavernas. Temos casas, cidades, enfim, não é muito diferente desse mundo.
- Como os humanos morreram?
- Vitimas de uma guerra... Infelizmente, os nossos ataques são poderosos e normalmente varrem uma área considerável. E para piorar a situação, os humanos não tinham magia. Somente nós... Foi um genocídio total. Um genocídio que envergonha a maioria esmagadora dos dragões desde então. – ela fala tristemente – é um capítulo extremamente vergonhoso da nossa história.
- Notei que foi sem querer.
- Sim... Os dragões do passado estavam concentrados apenas nas lutas e se esqueceram da fraqueza humana. Vocês são tão delicados...
- O que aconteceu com o navio?
- Eu peço desculpas. Eu me descontrolei no voo, ou melhor, na queda e meu corpo provocou o tsunami gigantesco. Não foi proposital. Minha filha que é menor por ser, ainda, um filhote, é mais "leve", digamos assim. Por isso, ela conseguiu estabilizar o seu voo e evitou a queda. Porém, não pode deter a minha, embora tenha tentado, arduamente. O máximo que conseguiu foi diminuir a força do impacto do meu corpo no oceano. A onda gigantesca seria cem vezes maior, se ela não tivesse diminuído a força do impacto do meu corpo na água.
- E a onda gigantesca?
- Eu consegui anular ela. Descobri que posso exercer o meu domínio na água nesse mundo, tranquilamente. Eu anulei a onda e salvei as cidades litorâneas e aquelas além do litoral de serem destruídas pelas ondas gigantescas. Infelizmente, não pude salvar o navio. Peço desculpas. – ela fica cabisbaixa – a outra onda foi provocada por outro dragão que caiu em uma ilha, no caso uma dragoa, a Hanashi. Eu acabei demorando, para anular a segunda onda.
- Baa-chan... – a jovem dragoa murmura.
- Eu lhe desculpo. Eu vi que está sofrendo. Não fique assim. Não teve culpa. Além disso, era um barco de escravos e não sei para onde estávamos sendo levados.
- Como assim?
Ele conta da captura dele e do fato que os seus pais foram mortos. Além disso, revelou que havia várias crianças e alguns adultos de várias vilas.
- Que horror... Não temos escravidão de nenhuma forma, lá. Temos alguns crimes, mas, só.
- Então, ainda é melhor do que esse mundo.
- Bem... não sei se aceitaria ser um dragon slayer dos dragões da água. Lá, eu era a rainha mãe das águas e essa é a minha neta mais nova. Ou seja, uma princesa. Gostaria de ser o meu filho? Quero dar a você o poder dos dragões da água. Você tem um coração nobre e gentil, além de ter sido atingido por um feixe de luz. É um candidato perfeito. Com certeza, protegerá a sua espécie dos futuros perigos.
- Um dragon slayer?
- Sim.
- O que é um dragon slayer?
- Alguém que se torna um dragão, podendo usar as habilidades do dragão que lhe concedeu o poder. Você ganhará escamas, ossos, órgãos, pulmões, presas e garras de dragão, além de poder se alimentar do seu elemento, recobrando assim os seus poderes e curando qualquer ferimento que tenha adquirido em uma luta, assim como terá a capacidade de se transformar em um dragão, após muito treino. Não é fácil se transformar em um dragão.
- Eu terei o poder de um dragão?
- Sim.
- Então, poderei salvar outras pessoas para que não sofram? – ele pergunta esperançoso.
- Sim. Assim como de outros inimigos, que possam ameaçar o mundo de sua espécie.
- Mas... se nos humanos somos fracos... Por que o interesse em dar tais poderes? – ele pergunta, arqueando o cenho.
- Reza a lenda no nosso mundo que um dragon slayer é mais poderoso do que um dragão, quando domina a sua magia. Talvez tenha algo a ver com alguma característica humana. Não sabemos. Mas, acreditamos nesse mito. Portanto, meus amigos estão escolhendo humanos de coração bom e nobre para serem dragon slayers, desde que também tenham sido atingidos pelos feixes de luz.
- Nossa...
Ele ia pergunta sobre o que eram os feixes de luz, quando a voz animada e igualmente extasiada da neta da imensa dragoa a sua frente é ouvida:
- Baa-chan! Os humanos são criaturas interessantes! É muito mais interessante do que estudar em um livro! Estou ansiosa para conhecer mais humanos!
A dragoa sorri e fala:
- Sim. Talvez nós iremos conhecer mais humanos em algum momento do futuro. Agora se acalme e se lembre dos modos. Mesmo que estejamos em outro mundo, ainda é uma princesa.
- Sim.
- Como se chamam? – Jellal pergunta a dragoa.
- Me chamo Ryuuzaki (龍咲 - flor dragão) e esta é a minha neta mais nova, Mizuko (水子 - Filha da água).
- Preciso trata-las com respeito?
- Não. Mesmo senão fosse meu filho...
Ele fica pensativo e depois fala:
- Eu quero ser um dragon slayer!
- Excelente! Eu farei o ritual agora mesmo!
Há centenas de quilômetros dali em uma planície, uma criança de cabelos alvos curtos, desperta. Ela senta e percebe que ao seu lado há um dragão negro imenso com chamas azuladas na ponta da cauda e algumas saindo de suas imensas mandíbulas.
Incialmente fica com medo, enquanto começava a chorar, procurando os seus irmãos.
- Vejo que acordou pequeno filhote de humano. – uma voz paternal e gentil a desperta de seus pensamentos.
Ela olha para o lado e percebe que o imenso dragão a olhava gentilmente, para depois perguntar:
- Está ferida?
- Não.
Ela começa a relaxar, até que se lembra do que aconteceu e começa a chorar.
O dragão a puxa para um abraço, surpreendendo a menina que era confortada pelo imenso dragão que afagava gentilmente a sua cabeça.
Após alguns minutos se acalma e fala, timidamente:
- Muito obrigada, senhor dragão.
O dragão ri levemente e fala:
- Me chamo Kibaryuu (牙龍 - presa do dragão) e sou um dos príncipes dos dragões das chamas azuis.
- Chamas azuis?
- Sim. São chamas muito especiais. Possuímos habilidades interessantes, preocupando assim os dragões das chamas vermelhas. – ele ri um pouco.
Isso parece distrair a pequena de sua tristeza, fazendo o dragão gentil sorrir discretamente.
- Quanto tempo eu estive inconsciente?
- Quase uma hora. Eu a salvei da queda.
- Muito obrigada, senhor príncipe Kibaryuu-sama.
- Não precisa usar tanta formalidade, pequena. Pode me chamar apenas de Kibaryuu... Por falar nisso, qual o seu nome?
- Lissana Straus.
- Viu? Agora, somos amigos.
A menina sorri, enquanto eles davam as mãos, com o contraste da mão pequenina dela em uma pata imensa.
- Onde estamos?
- Em uma planície próxima de onde caiu.
- Eu estava com outros humanos.
- Lamento... Não vi para onde foram.
- E se eles...
- Não se preocupe. Notei um grupo grande de humanos cruéis voltando, murmurando palavreados grotescos por não terem encontrado as crianças alvas. Acho que se referiam a vocês.
- Como soube disso?
- Minha audição e olfato são bem apurados. Portanto, também não senti cheiro de sangue humano neles e nem nos animais que traziam em coleiras. Fique tranquila.
Ela suspira aliviada e ele fala:
- Posso parecer indelicado... mas, gostaria de ser minha filha? Quero torna-la uma dragon slayer. Você preenche os requisitos necessários e tem uma particularidade.
- Qual?
- Recebeu um dos feixes de luz. Esse e outro requisito, que eu e os meus amigos estamos usando.
- Meus irmãos receberam também.
- Pelo visto, estávamos certos Vários humanos receberam esses feixes de luz.
"Acredito que não foram somente os humanos e se for isso mesmo, poderemos ter grandes problemas." – ele pensa consigo mesmo, ocultando a sua preocupação.
- O que vai acontecer com eles? – ela pergunta preocupada, o tirando de seus pensamentos.
- Será algo excelente para eles.
- Verdade?
- Sim... Digamos que eles se tornaram mais poderosos que humanos comuns. Claro que também lhes conferiu outras propriedades extras, de acordo com quem era atingido. Há também o aspecto força e resistência, comum a todos.
- Quais propriedades extras?
- Segredo. Tudo ao seu tempo.
- Entendo... E o que são esses feixes?
- Segredo.
- De novo? – ela pergunta emburrada e o dragão ri, achando muito fofa a face emburrada dela.
Concordava que os filhotes de humanos podiam ser tão fofos, quanto os de dragões.
- Pelo visto, não importa se é dragão ou humano. Todos os filhotes são iguais. Confesso que estou surpreso em saber que os humanos eram como eu imaginava, a partir dos livros.
- Como assim?
Ele suspira e fala:
- Vim de Dragon Land. Há muito tempo atrás existiram humanos e eles não eram muito numerosos. Teve uma guerra entre dragões e os humanos foram mortos por causa dos ataques de dragão para dragão que devastavam áreas consideráveis No final da guerra, não existia mais um único humano vivo. É uma parte vergonhosa de nossa história. E para piorar, eles não tinham poderes mágicos. Isso os tornava ainda mais vulneráveis.
- Nossa...
- Sim. Vergonhoso, né? Desde então, só sabemos dos humanos pelos livros escritos por dragões que chegaram a ver algum espécime. Nunca vi um com exceção de você e deles.
- Entendo...
- Por que eles estavam perseguindo vocês?
Lissana fica triste e explica o acontecido, percebendo que o dragão estava horrorizado com o relato, assim como revoltado:
- Como são cruéis! Como podem fazer isso com filhotes?
- Mas, fizeram... Você disse que queria me transformar em uma dragon slayer. O que é uma dragon slayer?
- Basicamente, é transforma-la em um dragão. Você permanecerá com a aparência humana, mas, poderá usar a dragon force. Receberá escamas, presas e garras, assim como os seus ossos e órgãos, inclusive os pulmões, serão de dragão. Com o tempo e treino, poderá se transformar em um dragão. Também poderá usar todas as habilidades que eu possuo, após treinar bastante, além de poder se alimentar do seu elemento, recobrando assim os seus poderes e curando qualquer ferimento que tenha adquirido em uma luta. Mesmo que nos usemos as chamas azuis, você poderá se alimentar das chamas vermelhas, tranquilamente.
- Que legal! – ela exclama animada.
- Você precisará de poder para defender os seus entes queridos e a sua raça. Você se tornará a minha filha. Confesso que sempre quis ser pai.
Ela pensa em Mirajane e Elfman e sente que deveria ter poder para defendê-los.
- Tenho uma pergunta... os dragões existem nesse mundo? Assim, sem serem vocês?
- Até há pouco tempo atrás, não existiam. Um dragon slayer se tornou cruel e sedento de poder aqui em Earth Land. Matou a sua mãe dragoa, que lhe deu o poder e passou a caçar os dragões. Com muito custo, antes de perderem as suas vidas, um grupo de dragões conseguiu sela-lo. O selo está enfraquecendo. Hanashi e Eichiteki usaram seus poderes para saberem disso. Ele se chama Acnologia. Acho uma coincidência que o jovem dragão do meu mundo que influenciou indiretamente os acontecimentos desse mundo, também se chama Acnologia. Ele cometeu um crime em Dragon Land punido com a pior forma de execução. Uma tortura lacerante e posteriormente, morte pela dor, quando lhe fosse permitido morrer, pois, temos dragões capazes de curar e com isso, podemos prolongar a punição. É a única pena brutal que possuímos e somente é aplicada em um caso específico. O pior é que ele tem parceiros.
- Nossa...
- Sim.
- Vocês têm cidades lá?
- Sim. Temos moradias, cidades, centros urbanos, empregos e etc. Também possuímos vários reinos de acordo com o elemento e temos locais neutros.
- As construções devem ser imensas para poder acomoda-los.
- Nos temos a capacidade de assumir uma forma semelhante à humana. Logo, ficamos menores. Normalmente, os dragões ficam na forma humanoide. É raro mantermos a forma verdadeira.
- Uau!
- E então, aceita ser uma dragon slayer dos dragões de fogo azul?
- Sim.
- Excelente! Começaremos o ritual, filhote.
Há milhares de quilômetros dali, após meia hora, Igneel, Grandinee, Metalicana, Skiadrum e Weisslogia, estão com os seus dragon slayers, que naquele instante conversavam animadamente sobre as patas de seus pais e mães.
Então, Igneel ergue as suas mandíbulas para o alto, sentindo um cheiro conhecido e alça voo, subitamente, surpreendendo Natsu que grita:
- Tou-chan!
Ele fica voando no ar, com os demais olhando o dragão feito de chamas que se aproximava, sendo que todos ficaram surpresos por verem mais um dragão de Earth Land vivo, enquanto que os seus filhotes olhavam de forma curiosa para o dragão desconhecido que se aproximava daquele local.
- Atlas Flame... – Igneel fala, olhando para o dragão que estanca o voo na sua frente.
- Igneel... Rei dos dragões de fogo.
- Tou-chan?
Ambos os dragões olham para o chão, onde Natsu olhava para o novo dragão e pergunta com um sorriso:
- É um ji-chan (tio em um diminutivo carinhoso)? – ele pergunta com um sorriso no rosto, apontando para o dragão.
Atlas Flame arregala os olhos e olha de Natsu para Igneel e vice-versa, sendo que o rei dos dragões de fogo, Igneel, exibia um sorriso orgulho ao olhar para a sua cria.
- Ji-chan? – o dragão feito de fogo repete a pergunta, surpreso, apontando para si mesmo.
- Vejo que já chegaram. Incrível!
Todos os dragões se viram para a origem da voz e ficam surpresos com o que vêem.
