Notas da Autora
Yukino fica surpresa, quando...
Uma criança chamada Lyon, acaba encontrando...
Uma criança chamada Gray, acaba...
Capítulo 6 - Deliora
A jovem guerreira de cabelos negros e olhos azuis usava roupas de artes marciais como haori e hakama, sendo que olhava com raiva para aqueles que perseguiam a criança, com a pequena notando que ela não era como os outros e que a olhava bondosamente, sendo possível ver chaves presas em uma corrente no laço que prendia as suas roupas. Duas eram douradas e uma era de cor escura e de formato estranho.
Yukino olha mais atentamente para a guerreira e nota que emanava poder e conhecimento, assim como força, apesar de ter a aparência de dezesseis anos. Fica tão entretida, admirando-a, que os homens que capturavam crianças e que eram mascarados se aproximam.
A pequena olha aterrorizada para eles e se esconde atrás da jovem, não entendo porque fez aquilo frente a uma estranha, acreditando que era o desespero e que sentia que ela não era como eles.
A mulher sustenta um olhar de raiva para os homens que falam, conforme se aproximavam de ambas:
- Viemos levar essa fedelha! Mas, se está junto, podemos leva-la também. Certo, homens? Afinal, precisamos de alguma diversão. – o que parecia ser o líder fala ao grupo de homens atrás dele que concordam. - Parece deliciosa... É muito linda.
- Entendo... – ela simplesmente fala e se aproxima deles, que se preparam para usar ataques mágicos.
- Não se preocupe. Não queremos ferir seu corpo, ainda.
- Eu me chamo Kireihoshi (綺麗星 - Bela estrela) e vocês irão se arrepender... - ela fala, enquanto os olhava como senão fossem nada.
De fato, eles eram apenas lixo perante ela.
Porém, se lembra de que tem que fazer algo antes e ao pensar nisso, as chaves começam a brilhar.
Uma semana depois, há dezenas de quilômetros dali, em uma vila, uma vidente famosa na cidade, que usava cartas de tarou para fazer previsões, cai doente em meio a uma consulta de um cliente e os médicos fazem um diagnostico alarmante. Cornélia, a vidente, estava morrendo.
Naquele instante, a filha está ao lado de sua adorada mãe, sendo que havia chorado muito, até aceitar o destino da genitora.
Em um determinado momento, enquanto a filha dormia na cama ao seu lado, ela pega as cartas da filha, que havia dado de presente há alguns dias e fica estarrecida quando faz uma previsão em relação a sua cria:
- Não basta falar... Isso é verdade? Oh! Céus!
Ela exclama ao ver o que as cartas mostravam, sabendo que a sua previsão era verdadeira.
Portanto, pega um papel e escreve uma carta, enquanto pensava no aumento do poder mágico de sua filha em uma noite, assim como notou que ela estava mais forte e que não se machucava facilmente quando tropeçava em algo, pois, corria animada até ela, com o seu cãozinho a tira colo, sempre que ela chegava em casa, após um dia de trabalho.
Conforme escrevia a carta, sabia que estava tomando a decisão certa e que deveria ter tomado essa decisão há anos atrás, senão tivesse deixado o seu ressentimento guiar as suas ações.
Afinal, não podia haver animosidade. Gildartz errou em se ausentar tanto, a seu ver, mas sabia que amaria a filha deles e que cuidaria dela. Estava na hora dele saber da filha e de ganhar as responsabilidades de um pai, junto com a alegria da paternidade.
Quando a filha dela acorda, a carta estava selada e a mãe dela fala ao entregar para a filha:
- Vá para a guilda de seu pai, a Fairy tail e entregue ao mestre da Guilda essa carta. Entendeu Cana? Somente ele pode abrir.
- Sim. Kaa-chan... mas, a senhora vai ficar bem, né?
Cana pergunta com lágrimas nos olhos, recebendo um sorriso maternal da mãe que afaga a cabeça dela, falando:
- Sempre estarei com você meu bebê. Além disso, vai conhecer o seu pai.
- Vou conhecer o tou-chan? - ela pergunta com um imenso sorriso.
- Sim. Tanto para ele, quanto para você, será uma surpresa. Ele não sabe que nasceu, mas, vai amar você com certeza.
- Será? Kaa-chan? - ela pergunta preocupada - Ele nunca me viu antes e a senhora nunca enviou uma foto minha para ele.
Ignorando a sensação de culpa que sentia, pois, havia descoberto a gestação, após ter se separado de Gildartz e ainda nutrindo ressentimento para com ele, deixou esses sentimentos ditarem os seus atos e o privou de conhecer a filha, ela fala:
- Sim. Ele vai amar você, assim como eu a amo e peço desculpa por ter sido tão egoísta ao privá-la de um pai.
- Tudo bem. O que importa é que melhore kaa-chan. - ela fala sorrindo.
- Sim, meu bebê.
Ela a abraça e apoia o queixo na cabeça da filha, enquanto chorava, orando para que quando chegasse o momento, Cana fosse forte, já que por causa de sua animosidade e ressentimento para com Gildartz, a filha teria que lidar sozinha com a morte dela, sendo um fardo muito grande para os ombros pueris de sua amada filha, Cana.
Uma semana depois, há vários quilômetros dali, em um local com neve, onde tinha uma vila, um jovem chamado Lyon, estava brincando com os seus amigos e após alguns minutos, entra na sua casa, enquanto que os seus pais chegavam da pequena loja que tinham na vila.
Enquanto a criança ia ao sótão pegar alguns brinquedos antigos para brincar com os amigos no dia seguinte, ele ouve a sirene da vila e depois, um rugido ensurdecedor de gelar o sangue, para em seguida tudo ficar escuro.
Quando o garoto desperta, ele percebe que algumas vigas o salvaram, enquanto que permitiam a passagem dele, garantindo a vida dele ao protegê-lo dos entulhos.
Após se arrastar em direção à luz, inicialmente desorientado, fica em choque com o que vê, pois, a sua casa foi reduzida a um monte de entulhos.
Desesperado, ele tenta cavar, sendo algo infrutífero, enquanto chorava copiosamente.
Após várias horas, Lyon continuava, desesperadamente, revirando os entulhos, orando para que encontrasse os seus pais vivos, enquanto que não percebia a aproximação de homens cruéis que o olhavam com cobiça.
Como se algo o alertasse, ele olha para trás e fica apavorado com o olhar deles e apesar de não compreender os olhares por causa de sua mente infantil, não pôde deixar de sentir medo dos homens estranhos.
Antes que eles pudessem fazer mal a ele, o garoto ouve:
- Ice-Make: Ice Geyser! (氷欠泉: アイスガイザー)
O menino vê os homens serem envolvidos em gelo que surgiu como um gêiser do solo, os prendendo e os matando instantaneamente, enquanto surgia uma mulher, juntamente com uma menina, que se aproximam dele.
A mulher fala:
- Sou Ur, uma maga do gelo e essa é a minha filha, Urtear-chan. Ouvimos o rugido de Deliora.
- Foi Deliora que matou os meus pais?! – ele exclama, chorando.
- Sim. Lamento... Já tentamos fazer algo contra ele, mas, é um demônio poderoso.
Lyon vira o rosto, voltando a chorar, enquanto olhava a sua casa reduzida a entulhos.
- Olha... Gostaria de ser meu discípulo? Eu estou treinando a minha filha.
- Se eu treinar muito, eu poderei derrotar Deliora? – Lyon pergunta com lágrimas nos olhos.
- Apenas se conseguir se tornar um mago poderoso. Praticamente, um mago santo. Aí, terá uma chance. Mas, vai demorar anos.
Ela falou isso, pois, notou que ele precisava de alguma esperança para continuar vivendo, sendo visível pelo brilho nos olhos dele, enquanto que orava para que alguém derrotasse o demônio, antes que Lyon achasse que poderia enfrenta-lo.
O menino faz um enterro simbólico dos pais e depois, segue com Ur e a sua filha, sendo que no dia seguinte, a maga de gelo começaria o treinamento dele.
Dois meses depois, em uma vila dentre montanhas nevadas, uma mulher surge de uma casa, mais precisamente da batente e exclama para o seu filho que corria para se juntar aos amigos no centro da vila:
- Gray! Não se atrase para o jantar!
Como era uma vila na neve, antes de deixar, o seu filho sair para brincar, verificou se o mesmo estava com uma roupa ideal para o frio.
- Vamos escalar o velho celeiro! Não vamos demorar! – ele exclama antes de se despedir de sua amada mãe.
- Já vai anoitecer!
- Vou voltar antes do anoitecer!
Ele se despede, antes de se encontrar com os seus amigos que estavam no velho celeiro coberto de neve.
As horas passam e o jovem acaba se distraindo e não vê que a noite já caiu.
Então, um dos seus amigos percebe que anoiteceu, fala:
- Tenho que ir para casa. Não quero ficar de castigo, de novo.
- Já é de noite?! – Gray olha para o céu, estarrecido – Minha okaa-san vai me matar!
- É melhor correr, amigo. Corra por sua vida. – o outro amigo, fala dentre risadas.
Então, todos saem dali rumo as suas casas o mais rápido que podiam, após se despedirem.
Porém, algo acontece e foi tão abrupto, que ele somente pôde ouvir um rugido e depois, um barulho ensurdecedor, assim como sentiu que era atirado no chão.
Confuso e aterrorizado, ele olha para o lado e vê um monstro imenso que se assemelhava a um que leu em um livro de fábulas.
Mesmo estarrecido, ele murmura:
- Deliora...
Então, um segundo som ensurdecedor surge, sendo que era um rugido gutural e ele sente algo bater em sua nuca, fazendo tudo ficar escuro, enquanto ele mergulhava na inconsciência.
Após duas horas, ele desperta e percebe que foi um galho que caiu em sua nuca, enquanto ele estava de quatro e que onde estava, foi um dos poucos lugares onde não caiu nenhum entulho.
Ele se levanta e começa a chorar ao ver tudo destruído. A outrora vila pacífica fora reduzida a entulhos disformes. Era um cenário apocalíptico.
Gray escala e desvia, assim como corre até onde era a sua casa, enquanto chorava desesperado e rezava para que a sua mãe tivesse sobrevivido, enquanto que não sabia se o seu pai já havia voltado para casa.
Após algum tempo, ele chega e caí de joelhos, enquanto chorava, sendo que viu a sua casa destruída e o braço de sua mãe para fora do entulho.
Ele vai até a mão dela que está fria e a chama diversas vezes, sem obter qualquer resposta, sendo que depois chama o seu pai, sem obter qualquer resposta, também, sendo que não sabia se ele havia voltado ou não.
Longe dali, em uma montanha nevada, uma pequena dragoa alva e felpuda, se arrastava pela neve. Por ser uma yukiryuu, uma dragoa da neve, o ambiente era excelente para a sua espécie, enquanto que andava a esmo.
A pequena dragoa estava assustada, enquanto abria caminho na neve, sendo que estranhava o local, pois, sempre viveu em um palácio e confessava que era estranhava a ausência de muros e de outros dragões.
A pequena não percebe que um caçador a observava atentamente e quando ouve um som estranho, tenta se afastar, instintivamente, mas, cordas prendem as suas patas e em um piscar de olhos está presa. Ela só chegava à metade do joelho do estranho ser, sendo que sabia que não era um dragão, pois, o odor não era de um e os olhos eram malignos, fazendo-a chorar, copiosamente.
Afinal, era a segunda vez que via tais olhos em sua vida, sendo que tentar se debater, sentindo que as cordas lhe machucavam, pois, como era filhote, não tinha, ainda, a resistência da pele dos dragões mais velhos. Um filhote era vulnerável e o homem tomou o devido cuidado de selar o focinho dela.
O homem a joga em um veículo puxado por um animal estranho e parte dali, falando:
- Vou conseguir muito dinheiro com você! É um filhote, mas, com certeza é um dragão! Um ser tão raro quanto você, dará uma pequena fortuna e conheço alguém que adoraria compra-la e que pagaria qualquer preço para ter um ser como você, já que coleciona raças exóticas.
Alguns dias depois, Gray, que procurava algumas coisas para comer, enquanto que chorava, ainda, acaba avistando alguém em uma espécie de carroça puxada por um animal estranho e como era uma criança, inocente, acreditou que era alguém que iria ajudar.
Acabou descobrindo tarde demais que era um caçador cruel e antes que pudesse fugir, tem as pernas presas por cordas, assim como os pulsos, com o homem amordaçando o garoto, para depois coloca-lo, ou melhor, jogá-lo, amarrado na carroça, enquanto a criança se debatia, tentando se soltar.
A criança chorava, enquanto o homem falava:
- Vou vender também um jovem escravo. Sou muito sortudo! Primeiro, encontro um dragão e depois, uma criança! Sou mesmo sortudo.
Gray estranha a palavra dragão e observa um ser encolhido, preso igual a ele, chorando lágrimas peroladas, sendo que tremia e olhava aterrorizado para o homem, assim como, olhava receosamente para ele que fica fascinado ao ver um dragão de verdade, sendo que viu que era belo, com uma pelagem alva e olhos azuis como o céu, sendo que o símbolo de lua crescente azul na testa era interessante.
O pequeno filhote de dragão olha para ele e apesar de não saber que espécie era aquela, ela se sentia de certa forma, ligada ao ser menor. Era uma sensação estranha. Ela o observa atentamente, percebendo que não tinha medo dele e ao ver amarrado como ela, percebe que também estava sendo maltratado, assim como chorava como ela.
Uma voz cruel tira ambos de seus pensamentos:
- Então, o fedelho gostou do dragão? Quem sabe, o senhor Gonzo Tarukane não o compre também? Pode ter a sorte de ficar próximo desse dragão. Ele gosta de seres exóticos e não tem nenhum problema em escravizar crianças. Reze para que ele não seja um pedófilo gay, caso venha compra-lo.
Então, ele gargalha malignamente, sendo que a mente pueril de Gray e de Yukihana, não sabia o que era pedófilo.
Longe dali, um homem andava pela neve, sendo visível em seus olhos a mais pura ira, conforme torcia os punhos, sendo que usava um casaco grosso com capuz por cima da roupa.
