Notas da Autora

Gray e a filhote de dragão, acabam...

Surge alguém, que...

Capítulo 7 - Medo e ira

Algumas horas depois, Gray percebe que chegaram até um palácio na neve e após alguns guardas olharem dele para o dragão, consentem com a passagem do caçador.

A carruagem balança por mais alguns minutos, até que ele abre a porta atrás da carruagem fechada e faz o garoto ficar de pé, soltando os tornozelos dele, enquanto o mantinha preso nos pulsos.

Gray tenta chutá-lo, mas, o homem dá um tapa nele, o jogando violentamente contra o chão, alarmando a pequena filhote de dragão, que é puxada violentamente para fora, fazendo-a cair, com ela notando o olhar de raiva do menor para o maior, pelo que aconteceu a ela.

Ele puxa ambos até uma grande sala aquecida, após passarem por corredores, com todos olhando com visível surpresa o dragão, para depois olharem com pena para Gray.

Eles chegam em uma sala aquecida, onde um homem gordo com terno roxo fumava um charuto, servido pelo mordomo, que tinha os mesmos olhos cruéis de seu patrão, que fala:

- Vejo que os meus homens não estavam mentindo! É mesmo um dragão! E melhor ainda, um filhote. Posso aterrorizá-lo quando filhote para se tonar submisso e obediente quando crescer. Percebo que trouxe uma criança escrava também.

- Sim. Eu tenho um preço por esse animal exótico. Como o senhor sabe, dragões são criaturas fantásticas e não existe nenhum voando por aí. Esse animal é o mais exótico que existe e o seu preço acompanha a extrema raridade.

Nisso, eles começam a discutir o preço, até que o caçador aceita a proposta final de Gonzo Tarukane e entrega o dragão, sendo que Gonzo fala, olhando para o garoto:

- Preciso de um escravo para cuidar desse dragão. Esse garoto viria a calhar. Quanto quer por ele?

Ele fala o valor e ele aceita pagar.

Então, o caçador fala:

- Acredito que seja virgem.

- Por acaso acha que eu sou gay? Se fosse uma menina, eu poderia provar. Mas, é um menino. Quer me ofender?!

- Não, lamento senhor.

- Venha. Vamos ao escritório para eu pagar o que devo. Homens. - ele olha para um grupo de homens que estavam na sala, de prontidão - Leve esse dragão para a melhor cela. Parece ser da neve, portanto, promovam um ambiente "acolhedor".

Ele fala o final em tom irônico, com todos rindo malignamente, sendo que Gray fica irado com eles, com a dragoa percebendo que ficava bravo por ela.

- Vejo que esse moleque tem que aprender a ser um escravo. Arranjem roupas mais simples e apliquem uma punição nesse moleque. Nenhum escravo deve olhar com raiva para o seu dono.

Yukihana fica aterrorizada ao vê-los batendo no garoto, que é surrado por vários adultos. A dragoa tenta interceder, mas, está presa.

- Vejam! O dragão se afeiçoou a ele. Gonzou-sama vai adorar saber disso.

Após a surra, Gray está inconsciente no chão, enquanto puxavam a dragoa até o subsolo, sendo que ela passa por celas onde vê vários monstros e seres estranhos, presos, sendo que alguns de aparência mais feroz são torturados por homens usando magia.

Eles a jogam numa cela e prendem as patas, a cauda, as asas, as esticando e depois as mandíbulas com algemas, sendo que havia espaço para abrir parcialmente a mandíbula. Os membros dela são esticados, inclusive a cauda, enquanto que ascendem tochas em suportes, fazendo um calor intenso surgir em torno dela, que sente-se fraca com o calor que era gerado. Para uma yukiryuu, o fogo era horrível e ela estava assustada com as chamas.

- Por você ter lutado contra nós, não a deixando prender, vamos chicotear você duas vezes... Não que acredito que entende o que falo. Afinal, é apenas uma besta.

Ele pega um chicote em chamas e a chicoteia duas vezes, com ela rugindo de dor, abafado, conforme o chicote queimava um pedaço da pele dela, provocando sucos, sendo que ela começa a chorar, por não compreender o que aconteceu e pela dor lacerante em suas costas.

- Vejo que vocês começaram a diversão sem mim. - Gonzo Tarukane chega com um sorriso maligno - Estava ansioso para ver a minha nova aquisição, que de longe, é a mais magnífica que possuo.

Yukihana vê, aterrorizada, o chicote de chamas, sendo passado para a mão do homem gordo, cujo olhar e sorriso maligno a aterrorizavam mais do que tudo.

- Vamos ver se entende a linguagem humana... vire a cabeça para o outro lado. - ele aponta.

Ela fica confusa e o chicote desce nela, cortando e queimando a sua pelagem alva, agora tingida na cor rubra, assim como havia pelos queimados.

- Para cada desobediência, levará uma chicotada. O que acha de começarmos de novo? – ele fala com um sorriso cruel, aterrorizando o filhote - Vire a cabeça para o outro lado.

Quando ele ergue o chicote, ela vira a cabeça com um pouco de dificuldade, enquanto tremia, passando a temer o objeto na mão dele.

- Vejam! Ele entende a linguagem humana e está aterrorizada. Excelente!

Ele repete mais ordens e quando ela se atrapalhava, sentia o chicote de chamas em sua pele, até que o olhar dela fica vazio, após várias vezes.

- Ele já teve o suficiente. Vamos.

Ela está olhando para um ponto qualquer, enquanto chorava em um pranto mudo, sentindo dores lacerantes nas costas, sendo que não compreendia o motivo de a ferirem tanto, até que houve o barulho da porta sendo aberta e tenta se encolher, enquanto tremia aterrorizada, chorando copiosamente.

Gray surge usando apenas uma bermuda rota, sendo que trazia uma pequena bacia de neve. A dragoa o reconhece e relaxa um pouco, até que enxerga lágrimas nos olhos dele que corre até ela, que se assusta em um primeiro momento, para depois sentir o toque gentil na pele dela, sendo que a mão dele tremia ao ver os ferimentos.

- Que horror! Como puderam!

Ela sente cheiro de sangue que não é dela e vê as costas dele com vergões, sendo que havia hematomas e cortes. Bandagens envolviam os ferimentos. Gray percebe o olhar da dragoa e fala:

- Eu também fui punido, Me chamam de escravo rebelde. Você não foi somente ferida. Foi queimada também. Vou jogar um pouco de gelo em cima. Eu trouxe neve para você comer. Eu fui designado para cuidar de você. Minhas preces foram atendidas.

Ele coloca gelo em cima dos ferimentos, notando que eles estavam sendo curados, sendo que percebe que ela se recusava a comer. Ele tenta fazê-la comer e nada.

- Não posso culpa-la... Por que comeria depois de tudo? Talvez, seja a única fuga que possamos ter. A fuga da morte. Estamos abaixo da superfície e não há nenhuma chance de fugimos.

Ele a afaga na cabeça, sendo que o afago dele a fazia se sentir bem, até que a dragoa ouve uma voz doce e gentil em sua mente, em forma de sussurro:

"Confie nele...".

Ela estranha, mas, sente que deveria seguir a voz e consente, decidindo aproveitar o carinho gentil, sendo que ele pergunta:

- Qual o seu nome? Sabe falar?

- Sim. – ela fala timidamente.

- Meu nome é Gray Fullbuster e você?

- Não lembro... Era Yuki alguma coisa.

- Yukiko Tsukishiro. O que acha desse nome?

- É lindo... gostei. - ela fala timidamente.

Ele volta a afaga-la, até que a porta é aberta, com Gonzo Tarukane surgindo, sendo que sorria malignamente, para depois falar:

- Vejo que o meu dragão não quer comer... Isso é complicado. Afinal, o quero vivo para mostrar ao mundo que tenho um dragão para mim. O que é um dragon slayer, se posso ter um dragão?

Ele se aproxima e fala:

- Sei que entende a linguagem humana e percebemos pela câmera de segurança que tem afeição por ele. Portanto, quando você não comer, ele será punido. Faz cinco minutos que a comida entrou e você não comeu. Serão cinco chibatadas no escravo por isso e mais uma por minuto que se recuse a comer.

- Não coma! - Gray exclama.

- Cale-se escravo! - ele dá um tapa no rosto dele, o jogando no chão.

Dois homens prendem cada braço dele e o mordomo desce cinco chicotadas nas costas já feridas de Gray, que cerra a boca para não gritar, controlando o choro, para não dar esse prazer a eles.

- Vejo que quer ser durão, fedelho... Bem, e aí? Vai cooperar? - Gonzo Tarukane pergunta a dragoa - Quem dera que pudesse falar.

O garoto faz não com a cabeça discretamente, quando percebe que ela ia falar.

Yukiko está chorando agoniada ao ver a punição dele e acaba comendo, com eles soltando o garoto, que fica desesperado ao vê-la comer, indicando que com isso ela continuaria no inferno.

- Por ter me feito sair do escritório confortável, irá receber duas chicotadas com fogo.

Ela fica aterrorizada e tenta se encolher, enquanto o homem desce o chicote pessoalmente nela, sendo que está embebido em chamas, cortando a pele e queimando ao mesmo tempo.

Rindo malignamente, ele sai dali, com os homens dele levando o garoto embora, enquanto a dragoa chorava pela dor, pelo desespero e pela solidão.

Alguns dias se passam com punições, enquanto que Gray se revoltava cada vez mais, quando ia tratar dela uma vez por dia e via o estrago que faziam nela. O gelo cicatrizava, mas, como batiam no mesmo local, havia marcas rosadas de chicotadas gravada na pele dela, que já não chorava mais.

Longe dali, o caçador cantarolava feliz pelo dinheiro que conseguiu, até que encontra um homem que fica no seu caminho.

Ele sai da carroça e começa a concentrar magia, falando:

- Melhor sair da minha frente, seu mendigo. Não tenho nada para você.

- Eu vou perguntar algo e senão gostar da resposta, eu irei quebrar um membro seu, lentamente.

- Vou lhe ensinar a respeitar os superiores, seu desgraçado! – o caçador exclama.

Sons de dor e gritos são ouvidos por toda a floresta, oriundo de apenas uma única voz que clamava por piedade, sendo que após várias horas, somente restava um corpo disforme na neve rubra.

Após alguns dias, Gray consegue planejar a fuga deles e acessa o controle das celas, deixando no manual, sem ninguém ver, sendo que não percebeu que os guardas desconfiaram da posição do botão e passaram a deixar ele executar o seu plano, para que o pegassem em fragrante.

Na cela dela, ele entra com neve e gelo, dando para ela comer, enquanto soltava as algemas, pois, as travas automáticas haviam sido desabilitadas. Ela fica preocupada, mas, o ajuda.

Porém, a porta é aberta e Gonzo está irado, sendo que exclama:

- Então, quer roubar o que me pertence?! Seu ladrãozinho ordinário! Dessa vez será mais do que uma simples surra. Homens! - ele olha pra um grupo de magos - Controlem esse dragão com magias de fogo.

Eles começam a lançar magias de fogo em Yukiko que recua contra a parede, sendo que Gray começa a ser surrado violentamente, com ela assistindo horrorizada, enquanto chorava copiosamente.

No lado de fora, a mesma carruagem aparece, conduzida por um homem e os guardas falam, sem olhar ele:

- O chefe está ocupado e vejo que não trouxe nada para vender.

- E quem disse que estou vendendo?

Ele sai da carroça, matando os guardas, rapidamente, para depois fazer o animal correr em uma única direção.

Os outros guardas surgem, sendo magos e o homem fala, com uma marca em seu antebraço:

- Demon Slayer. Demon Force

- Demon Slayer?!- um dos guardas exclama, aterrorizado.

Em poucos minutos, ele rende toda a parte de cima do castelo, matando todos, ao congelá-los, instantaneamente.

No subsolo, o som de explosões é ouvido e eles param de bater em Gray, que está gravemente ferido, sendo que Gonzo olha assustado para cima e manda alguns homens para ver o que acontecia.

Então, eles ouvem outros sons e quando um deles abre a porta, vê as várias feras e monstros fugindo das celas que foram abertas, automaticamente. Eles saem da cela, com Gonzo sendo protegido pelos guardas.

Apavorada, Yukiko pega Gray e o coloca em suas costas, feridas, o arrastando para fora dali, estranhando o fato de que nenhuma fera avançava neles, enquanto ela saia em direção a luz, acabando por rolar na neve ao chegar em um declive acentuado.

Eles rolam, até que se chocam contra uma árvore, para depois a árvore tombar, com eles caindo em um precipício, com ela sabendo que ele não sobreviveria.

Então, Yukiko parece entrar em transe e recita algumas palavras, enquanto vários círculos mágicos surgiam em Gray, cujo corpo brilhava, se tornando de um dragão, com escamas como pele, ossos, pulmões e demais órgãos. Inconscientemente, ela havia o transformado em um yukiryuu dragon slayer (dragon slayer do dragão da neve).

O corpo dele foi totalmente curado e ele ganhou a resistência de um dragão.

Portanto, quando caiu, não se machucou.

Porém, por ela usar tal magia, avançada demais para o corpo de um filhote, Yukiko acabou inconsciente, sendo que Gray estava inconsciente também.

Silver se aproxima deles e fica aliviado ao vê-los vivos, sendo que ao encostar no seu filho, percebe o que ocorreu e fala:

- Foi melhor assim, meu filho. Eu adoraria ficar com você, mas, sou indigno até de chama-lo de meu filho. Agora que é um dragon slayer, pode se defender sozinho, ainda mais com uma dragoa junto de você. Acredito que seja uma fêmea. Adeus, meu filho. Ainda vai demorar, para nos reencontrarmos.

Ele fica por perto para protegê-lo das feras de Gonzou, até que é seguro deixá-los, pois, precisa voltar ao castelo parcialmente destruído, uma vez que prendeu algumas pessoas com o seu gelo, para que não escapassem.

No castelo parcialmente destruído, Gonzo Tarukane está preso, junto com os seus capangas e enquanto amaldiçoava quem o prendeu, o mesmo surge com uma face sombria, falando:

- Sou Silver. Sou um Demon Slayer. Portanto, acham que simples humanos podem me deter?

- Demon Slayer?! Caçador de demônios?! - Gonzo Tarukane repete, aterrorizado.

O mesmo abre um portão de gelo e entra, estalando os ombros, enquanto falava malignamente:

- Vocês irão conhecer um verdadeiro demônio.

- Eu pago quanto quiser. Me fale o seu preço! - Gonzou exclama aterrorizado - Apenas me poupe.

- Você pisou em meu orgulho. Saiba que dinheiro não pode comprar tudo, seu porco canalha.

- Como assim, pisei em "seu orgulho"? Nunca o vi na vida.

- Meu orgulho foi o meu filho, Gray Fullbuster. Você pisou nele e não obstante, maltratou um pequeno filhote indefeso, assim como cometeu atos atrozes e perversos com seres indefesos, além de maltratar inocentes. Quis agir como um demônio? Irá ficar em frente a um demônio verdadeiro!

Nisso, segue-se torturas lacerantes, com ele fazendo questão de prolongar o máximo possível às torturas, dentro de uma redoma de gelo, para que ninguém ouvisse os gritos.