Notas da Autora
Yukino descobre que Kireihoshi...
Gray decide levar Yukiko a um...
Capítulo 9 - Trauma
Há centenas de quilômetros dali, Yukino estava em uma campina, sendo que antes de começar a meditar, para depois começar os exercícios, pois, era treinada tanto nas artes marciais tanto quanto para dominar as habilidades de um dragão, sendo que já dominou o rugido e o golpe de asas cortantes, olha a guerreira a sua frente que lhe salvou, ou melhor, dragoa, que agora era a sua kaa-chan, enquanto se recordava dos eventos de dois meses atrás, quando estava sendo perseguida e que havia se escondido atrás de Kireihoshi, na ânsia que ela a salvasse.
Naquela noite, ela revelou a sua forma verdadeira, com ela se lembrando, com exatidão, o que ocorreu.
O corpo da jovem guerreira começou a brilhar e sobre o olhar atônito de todos os seu corpo ficou maior e ganhou asas, assim como um pescoço comprido e quando o brilho dispersou, revelou um dragão negro imenso, sendo que parecia haver pequenas estrelas em suas asas, além de ter uma espécie de crina feita de pura magia, percorrendo o pescoço, na parte de cima, o dorso e a cauda.
- É um dragão! – um dos homens exclama, aterrorizado, gaguejando.
Os demais ficam apavorados, sendo que muitos defecam e urinam, quando ela ruge levemente, mostrando as suas presas afiadas e pontiagudas, sendo que depois sorria malignamente.
Eles tentam fugir, quando a dragoa invoca uma barreira feita de estrelas que o impediam de se afastar e ela fala:
- Para a sorte de vocês, eu não me alimento de humanos e não tenho interesse em torturar os fracos.
Nisso, ela usa o seu houkou, os eliminando com um único golpe, sem deixar qualquer vestígio da existência deles, sobre o olhar surpreso de Yukino, sendo que a barreira dela impediu que ela destruísse as árvores do entorno.
Afinal, ela não achava justo destruir a natureza e, além disso, ao olhar a floresta, o rosto gentil de uma mulher lhe veio a mente e ela sorriu com um sorriso saudoso.
Depois, ela volta a sua cabeça para a criança, inicialmente preocupada que ela estivesse com medo, para depois ficar aliviada ao ver que a criança exibia um imenso sorriso e correu para tocá-la, sendo visível nos olhos da mesma, o fascínio e admiração.
Yukino pergunta, timidamente:
- É mesmo um dragão?
- Sim. Sou uma dragoa. Fico feliz em saber que não está com medo de mim.
- Não... os homens eram malvados. Você me salvou.
Nisso, a pequena se lembra de algo e pede, com lágrimas nos olhos:
- Por favor, salve a minha nee-san.
- Tudo bem. Vamos.
A dragoa deita o corpo e convida a pequena a subir, sendo que a mesma sobe, percebendo que a espécie de crina era quente e confortável.
Então, a dragoa fala:
- Se segure. Vamos voar.
Yukino fica com os olhinhos brilhantes ao ver o chão, enquanto voava, se agarrando a dragoa, até que fala:
- Eu me chamo Yukino Agria, senhora dragoa.
O dragão ri levemente e fala:
- Não precisa me chamar de senhora. Chame-me de Kireihoshi.
- Tá. – ela fala com um sorriso, arrancando um olhar terno da dragoa.
Após alguns minutos, ela pousa na vila, que está reduzida a cinzas e escombros, sendo que a dragoa segue a criança que percorre a vila, enquanto Kireihoshi exibia um olhar de pena para com a pequena, que gritava o nome de sua irmã e amigos.
Após uma hora, Yukino fica cabisbaixa e chora, sendo que a dragoa a puxa para um abraço, para confortá-la, enquanto passava gentilmente a mão na cabeça da pequena.
Após alguns minutos, a criança se acalma e a dragoa fala:
- Um dia, vocês irão se reencontrar. Tenha fé. Não perca a esperança.
A pequena consente com a cabeça e a dragoa oferece as suas costas para ela subir, sendo que em seguida alça voo e no ar, fala:
- Eu gostaria de adotá-la como filha... Sabe... eu já tive uma filha igual a você. Eu chamo de destino, o fato que ganhei uma nova vida e que pude encontrar alguém que lembrava a minha filha.
- Não sabia que tinha tido uma filha.
- Sim... Há mais de quatrocentos anos atrás. Na época, os dragões dominavam esse mundo. O nome que possuo é de origem humana.
- Por que humano?
- Eu era uma dragoa órfã. Meus pais e irmãos foram mortos. Somente eu sobrevivi. Acabei caindo em um precipício. Uma humana com um coração nobre e gentil me encontrou e cuidou de mim, como se fosse uma filha, mesmo após, tudo o que sofreu nas mãos dos dragões.
- Como assim?
- Naquela época, os dragões viam os humanos, como comida e matavam inúmeros humanos. Claro, havia dragões bons que protegiam os humanos e eram contra se alimentar deles. Não sei que tipo de dragões os meus pais eram. Eu era um pequeno filhote, na época. Essa mulher teve amigos e até familiares devorados por dragões e pela lógica do ódio, deveria se vingar em mim. Mas, não. Me criou, dando amor e carinho. Quando perguntei de sua família ao ver várias fotos, ela me contou a sua história e disse que não era justo condenar um filhote inocente pelos atos de outros dragões e que havia dragões bons entre os ruins, assim como havia humanos bons e ruins. Inclusive, ela achava pior os humanos perversos, pois, faziam atos atrozes com a sua própria espécie, assim como matava, ao contrário dos dragões, que pertenciam a outra raça.
- Nossa...
- Sim. Ela se chamava Hanako. Amou-me como a filha que nunca teve e me criou escondida dos outros humanos, pois, tinha medo que fizessem algo contra mim. Com o tempo, dominei a magia para assumir a forma humana. Quando os pais morrem, eles podem deixar uma magia latente nas crias, para elas saberem as técnicas que podem usar e conforme crescem, se lembram, sendo que só tem que treinar. Eu sei artes marciais também, pois, ela era uma artista marcial e tinha um doujo. Ela vivia sozinha, pois, nunca pôde ter um filho, por ter nascido estéril. Eu sou o mais próximo de uma filha que ela teve. Ela me deu esse nome, que uso até hoje. Após ser acolhida, defendi a vila de inúmeros dragões, sendo que as pessoas não sabiam que eu era um dragão. Afinal, elas temiam dragões e eu era um. Inclusive, eu fingia que envelhecia com a minha magia, para não desconfiarem, embora Hanako era uma maga e, portanto, pela lógica, eu seria uma maga, também e os magos mais experientes e poderosos, podem retardar o envelhecimento. Mesmo assim, não quis arriscar. Ela usava a magia para potencializar o poder dos golpes e desenvolveu golpes usando magia.
- Mas, você não era como os outros.
- Sim. Mas, para um humano aterrorizado, que vive constantemente ameaçado por dragão, com medo de virar a próxima refeição de um, esse fato não é relevante. Eu sou uma dragoa e só isso, já bastaria para fazerem algo contra mim. Com o tempo, passei a viver na vila. Então, um dia, uma guerra entre dragões aconteceu. Os que defendiam os humanos, falando que os dragões podiam viver em harmonia com os humanos e o grupo que queria manter os humanos, como comida. Para ajuda-los, eu treinei uma criança órfã que apareceu no doujo. Ela era como você. A adotei como filha e usei a técnica de dragon Slayer nela. Minha mãe, Hanako, ainda era viva, mas, idosa e a minha filha se tornou a sua neta. Porém, no final da guerra, surgiu um dragon slayer perverso, Acnologia, que matou a sua mãe dragoa e depois, começou a matar os dragões, se transformando em um dragão negro. A guerra chegou até a vila. Eu perdi para Acnologia e minha filha tentou me salvar. Ela conseguiu arranhar o focinho daquele monstro, mas, ele a matou. Tomada pela dor da perda e ódio, converti toda a minha energia vital em magia. Usei uma técnica proibida da minha espécie, conseguindo, assim, "jogar", digamos assim, Acnologia, para bem longe dali, ao abrir uma espécie de portal, ao mesmo tempo em que o fiz esquecer-se da vila, quando ele passou pelo portal. O custo disso foi a minha vida. Mas, me lembro da minha mãe trazer uma espécie de lacrima, enquanto executava um feitiço na minha direção.
- Lacrima?
- Sim... Algo me fez despertar e concedeu o meu corpo de volta. Eu acordei no doujo dela, ou o que restou, sendo que a minha kaa-chan, Hanako, havia enterrado o lacrima, bem profundo, para ninguém achar, mesmo que se passassem séculos. A vila já não existe mais, mas, não encontrei qualquer vestígio de destruição. Provavelmente foi abandonada. Havia um selo mágico que foi ativado quando saí. Era uma mensagem da minha kaa-chan. Eu chorei emocionada com o fato que ela sempre teve a esperança que um dia, eu voltaria a ter um corpo. Também contou aonde seria o túmulo dela e da minha filha adotiva. Eu fui visita-los e depositei flores. A vila é próxima daqui. Eu ouvi gritos e vim até aqui, onde acabei encontrando você, enquanto percebi que os gritos silenciaram ao longe.
- Ela te amava, mesmo.
- Sim. Por isso, usou o lacrima. Ela quis guardar a minha magia, para que um dia, com sorte, eu pudesse despertar de alguma forma.
- Por que tem essas chaves?
- Quando eu despertei do lacrima e tive meu corpo de volta, eu irradiei um brilho intenso. As chaves sem mestres foram atraídas por causa do meu poder e estão comigo desde então.
- Mas, por que foram atraídas?
- Como somos dragões estrelares, nos atraímos as "estrelas" digamos assim e influenciamos as chaves celestiais. Somos chamados de mestres das estrelas. Por isso, mesmo que se torne a minha filha, poderá continuar usando as chaves, já que é uma maga celestial e tem duas chaves prateadas, né? E que não usou, pois, são de companhia e não para ataque – a criança consente com a cabeça - Inclusive, acredito, que se você se tornar uma hoshiryuu dragon slayer (dragon slayer dos dragões estrelares), elas irão ganhar um poder adicional.
- Nossa... Disse que queria me tornar a sua filha?
- Sim. Você aceita? Eu também vou ensinar você a lutar. Percebi que tem magia para ser uma maga celestial. Não vejo porque não pode ser uma. Até, porque, eu sou uma dragoa estrelar.
- Sim! Eu aceito! Mas, como assim, serei a sua filha?
- Irei transforma-la em uma dragon slayer.
- O que é uma dragon slayer?
- Basicamente, é transforma-la em um dragão. Você permanecerá com a aparência humana, mas, poderá usar a dragon force. Receberá escamas, presas e garras, assim como os seus ossos e órgãos, inclusive os pulmões, serão de dragão. Com o tempo e treino, poderá se transformar em um dragão. Também poderá usar todas as habilidades que eu possuo, após treinar bastante, além de poder se alimentar do seu elemento, recobrando assim os seus poderes e curando qualquer ferimento que tenha adquirido em uma luta. No caso, você pode devorar a luz. As estrelas brilham, por causa da luz que geram.
- Nossa...
- O que acha de começarmos o ritual?
- Eu adoraria.
Nisso, ela pousa em uma floresta, para fazer o ritual.
Ela sai de suas recordações, para começar a meditar, compreendendo que o estilo de artes marciais que estava aprendendo, era usado para lutar contra múltiplos oponentes.
Após algumas horas, há centenas de quilômetros dali, Gray e Yukiko pararam a carruagem próxima do parque de diversões, com a pequena usando a sua magia do pulmão de gelo azul, impedindo assim que alguém roubasse a carruagem, sendo que ele pegou dinheiro, para depois, Yukiko o abraçar, se jogando em cima dele, sendo que depois abraça o braço dele, sendo que sempre o estava abraçando e Gray adorava os abraços dela.
Ela ficou fascinada com vários brinquedos, assim como os doces, sendo que compraram algodão doce, assim como, ela também experimentou vários brinquedos, junto dele, com ambos rindo, sendo que Gray adora vê-la sorrir.
Inclusive, conquistou para ela um gatinho de pelúcia ao acertar os alvos, fazendo-a abraçar o bichinho, o achando macio, para depois leva-lo nos braços, pois, era grande.
Após várias horas divertidas, ele a levou ao circo que estava na cidade para verem os magos executando magias para entreter as pessoas. O problema foi na parte das feras, em que um domador usava um chicote para fazer as feras obedecerem e o som acabou fazendo-a recordar do tempo que esteve confinada, fazendo-a abraça-lo, sendo correspondida por ele, que tentava conforta-la, enquanto controlava um leve tremor.
Então, ele fala:
- Desculpe... Esqueci que haveria algum domador. Podemos sair até essa atração terminar.
Quando ia se levantar, ela o abraçou mais fortemente, mantendo o rosto pressionado contra o tórax dele, falando:
- Eu tenho que superar... Eu preciso. Eu preciso deixar os fantasmas para trás.
- Podemos fazer devagar. Aos poucos. – ele fala preocupado.
- Só me abrace.
Ele a abraça e ela tremia a cada chicotada, até que os tremores ficavam menores, enquanto ele suspirava e a abraçava.
O som do chicote também o afetava, mas, ele procurava ser forte por ambos e por isso, se esforçava para parar a tremedeira na sua mão.
Afinal, já basta vê-la aterrorizada. Se ele desabasse, não poderiam viver. Ele havia feito uma promessa a si mesmo. Seria forte por ambos. Era o seu dever, até como um homem.
Portanto, ambos ficaram abraçados, até que o espetáculo terminou, sendo que ele viu a face dela úmida, que chegou a umedecer as suas roupas.
Ele afaga o rosto dela com o dedo, sorrindo de forma confortadora, vendo-a sorrir aos poucos.
Os próximos espetáculos foram aprazíveis e ela chegou a rir na parte dos palhaços. O problema foi em um truque com argolas em chamas.
Ao ver as chamas, ela tremeu e o abraçou, enterrando o rosto nele, enquanto ele a confortava, com Yukiko tremendo, sendo que o tremor diminuía, enquanto ele a olhava com pena, desejando ter condições de torturar de forma lacerante todos que a traumatizaram
Então, esse espetáculo é encerrado e tem mais alguns, com ela voltando a se divertir, até que termina com eles saindo em direção a carruagem, para irem a próxima cidade, após ela desfazer o gelo azul.
