Na manhã de segunda-feira, bem cedo, Emma despertou com a claridade que prenunciava os primeiros raios de sol, como fazia habitualmente. Por um momento teve o ímpeto de levantar-se, tomar seu banho e sair para a caminhada que fazia todas as manhãs . Porém logo se deu conta de onde estava e aquietou-se, aguardando na esperança de que Regina fizesse a ronda em seu quarto. Não demorou muito para a porta do quarto se abrir.
- Que paciente comportada! Dormiu a noite toda. – disse Regina.
- Mas estou quase fazendo xixi na cama. Posso levantar e ir até o banheiro?
- Claro que pode. Vem, eu te ajudo.
Regina desconectou o equipo do soro, pois o mesmo estava quase terminando e ajudou Emma levantar-se. Esta última ficou um pouco tonta e segurou-se no braço de Regina.
- Fica um pouco sentadinha que já passa essa tontura. – disse Regina segurando-a pelos ombros, com firmeza.
Logo Emma sentiu-se melhor.
- Tudo bem, agora acho que já consigo andar sem me estatelar no chão.
- Então vamos.
Regina percebeu que Emma já estava bem e deixou que entrasse sozinha no banheiro cuja porta ficava do lado esquerdo da porta de entrada do quarto. Aquela ala era a dos convênios e todos os quartos daquele andar eram pequenas suítes, simples mas bem equipadas.
- Não precisa fechar a porta. Se te sentires tonta me chama.
- Eu tô legal.
Ao retornar Emma disse:
- Não deviam colocar espelhos em banheiros de hospital. A gente fica com uma aparência péssima!
- Não exagera, tu não estás tão mal assim.
- Ótima enfermeira, mas péssima mentirosa. Eu tô sem um pente aqui, nem escova de dente eu tenho! Preciso voltar para o hotel.
- Daqui a pouco a Drª Maristela vem te ver e aí a senhorita dirá isso a ela... – respondeu Regina imaginando que Emma não teria alta naquele dia.
Mal havia acabado de dizer aquilo e a médica entrou no quarto, para revisar a paciente.
- Bom dia.
- Bom dia – respondeu Emma
- Como está te sentindo?
- Melhor, bem melhor, pronta para voltar para o trabalho.
A médica sorriu e pegou a planilha da paciente para ver como havia passado a noite.
- É, o quadro está estável. Mas eu quero que permaneça ainda dois ou três dias em observação.
- O quê? DOIS OU TRÊS dias?
- Sim. A informação que obtivemos é que tu moras no hotel, certo?
- É, moro.
- Não há uma pessoa que poderia ficar te cuidando, uma dieta adequada. Com certeza é um quadro de intoxicação alimentar e exige cuidados nessas primeiras horas.
- Mas eu tenho os meus compromissos profissionais.
- Encare como umas férias forçadas. Fique boa logo e logo retornará ao trabalho.
Emma percebeu pelo tom de voz da médica que não haveria possibilidade de negociação. Estava fadada a permanecer ali por mais um tempo. Olhou para Regina que as observava dos pés da cama e disse:
- Parece que você vai ter que conseguir um baralho, enfermeira.
Ambas sorriram, somente Drª Maristela não entendeu a piada. Despediu-se de Emma e saiu do quarto. Regina aproximou-se da cama e disse:
- Bom, eu também estou indo.
- Você volta à noite?
- Não, volto hoje à tarde. Meus plantões são os da tarde, essa noite fiz plantão extra. Parece que tu não vai te livrar de mim tão cedo.
- Bom, pelo prognóstico da doutora parece que ainda nos veremos um tempinho nessa situação.
- É, parece. – sorriu Regina – Cuide-se.
- Pode deixar.
Regina saiu do quarto deixando Emma perdida em seus pensamentos: "Bom, tudo tem um lado bom... ficando aqui mais dois dias vejo essa mulher novamente...", e sorriu.
