[15h46 06/10/2014] drielly passos: Pouco antes que a primeira claridade da manhã surgisse por detrás da linha do horizonte Emma acordou. Eram quase cinco horas da manhã e o relógio ainda não havia despertado. Emma tinha essa capacidade de acordar independente da hora que fosse preciso. Era como se no seu cérebro houvesse um timer, era assim desde pequena. Trancou o despertador e foi tomar um banho demorado. Embora fosse uma mulher bastante segura de si estava de fato numa grande expectativa de viajar com Reginae Juliana. Mal cabia em si de excitação. Tratou de secar os cabelos deixando-os caídos soltos sobre os ombros. Vestiu-se e ligou para a portaria do hotel pedindo que pegassem suas malas.

Enquanto isso Regina e Julianaa também faziam os últimos preparativos para a viagem. Na noite anterior Juliana havia dado banho em Pipoca, e após seca-la com o secador de cabelos de Regina deixou-a dentro de casa, para evitar que se sujasse. De manhã bem cedo Ju deixou Pipoca fazer um xixizinho no pátio e a colocou para dentro de novo, passando novamente uma escova em seu pêlo. Ela estava de coleira nova e parecia entender que sairia a passeio, pois sentou-se comportadamente ao lado do sofá da sala. Regina deu um copo de Nescau para a meninae observou-a sentada no sofá tendo Pipoca a seus pés, com a mochila de um lado e Emilio do outro. Não saberia dizer qual das duas, Juliana ou Pipoca, estavam com a expectativa maior. Quando o carro de Emma estacionou em frente à casa Pipoca levantou as orelhas e soltou um latido agudo, ficando em posição de prontidão. Ju pulou do sofá e correu em direção à porta:

- É a Emma! Vamos mãe!

- Já tô indo, garotinha! Deixa a Emma entrar...

Ju correu até o portão e antes que Pipoca corresse à sua frente disse:

- Parada aí, Pipoca!

A cachorra se manteve sentada, porém abanava a cauda alucinadamente e saltitava só com as patinhas da frente.

- E aí pessoal! – disse Emma entrando em casa de Regina. – Tudo pronto?

- Desde ontem! – respondeu ju

- Então perdemos tempo, poderíamos ter saído ontem?... – brincou Emma.

- Juliana... – disse Regina em tom de repreensão.

Emma riu. Ajudou Regina a pegar as malas e ajeitou ju e Pipoca no banco traseiro. Cintos de segurança colocados, bagagens ajeitadas, casa fechada. Tudo pronto e partiram para o mal cabia em si de contente. Aliás, não era só ela que estava radiante...

A viagem transcorreu tranqüila e antes das três Emma e as Meninas estavam em frente à casa de seu avô e antes que desembarcasse um homem de meia idade correu para abrir o portão. Era Manoel, o caseiro da residência, que já esperava a patroa. Acenou para elas enquanto o carro cruzava o portão de entrada da residência. Regina observou que a casa era de frente para o mar. Uma casa ampla, com uma varanda onde estavam penduradas algumas redes. Da varanda, em direção ao mar, um gramado verde parecia um tapete que se estendia fazendo divisa com a areia fina que se projetava água adentro. Regina sentiu vontade de correr em direção ao mar e jogar-se em suas ondas de coloração esverdeada e espumas branca Emma, como que lendo os pensamentos da amiga disse:

- Dá vontade de dar um mergulho, não dá?

- Realmente... é lindo. – respondeu Regina sem desviar os olhos da água.

Juliana, com Pipoca no colo, caminhou em direção ao gramado. Estava boquiaberta com a extensão daquele mar esverdeado que ia além do que sua vista poderia alcançar. Juliana nunca tinha visto o mar e aquela visão deixou a menina encantada. Colocou Pipoca no chão para que corresse um pouco e foi até Regina.

- Eu não sabia que tinha tanto mar assim...

[16h07 06/10/2014] drielly passos: água assim no mar! - disse Juliana inocentemente.

- Pra você ver... e isso aqui é só um tantinho assim do tamanho total do mar! – respondeu Emmabaixando-se para pegar ju no colo. – Olha só, a gente não enxerga o fim nem o começo.

- É mesmo. – concordou Ju. – A gente pode tomar banho de mar agora?

- Podemos. – respondeu Emma– Mas antes vamos dar uma ajeitadinha nas coisas, ok? Aí a gente dá um mergulho, pode ser?

- Pode! – respondeu Ju alegremente.

Regina assistia à conversa das duas, sorridente, vendo a faceirice da filha e a paciência de Emma. Manoel descarregou as malas e Emma conduziu Regina até o quarto que ocuparia com juliana. A casa era muito confortável. As divisórias eram de tijolos à vista, assim como as paredes externas. Havia cinco quartos, sendo um deles uma suíte, que era o quarto de Emma. Regina e Ju se instalaram no quarto da frente do Emma, onde uma ampla janela descortinava-se para um gramado e um galpão logo adiante cuja porta cerrada não permitia a Regina ver o que havia ali dentro. No centro do gramado havia um caramanchão coberto totalmente por um pé de maracujá. Um pouco mais à frente uma figueira muito antiga sustentava três balanços de corda que oscilavam em sua sombra aconchegante impulsionados pelo vento que vinha da praia. Mais ao longe Regina percebeu uma casa simples de alvenaria que mais tarde descobriu ser do caseiro e de sua família. Manoel era casado com Josefa e tinham quatro filhos: Samir com 11 anos, Sandra com 8 e os gêmeos Diego e Denise com 4.

O quarto de Regina era realmente muito confortável, com uma vasta cama de casal no centro, um roupeiro antigo de madeira escura, uma penteadeira com uma cadeira torneada, um pequeno sofá num canto, dois criados mudos parafusados na parede em ambos os lados do leito e um ventilador de teto no centro do aposento. Regina arrumou suas roupas e as de ju no armário e vestiu um maiô preto com detalhes em verde limão, colocando uma canga verde trançada ao redor do corpo como se fosse um vestido. Ju botou seu biquíni novo, amarelo com flores em cor de laranja e branco. Em menos de uma hora estavam com tudo arrumado. Regina emplastou Ju com filtro solar, pois a menina tinha a pele clara. Aproveitou e passou nela também. ju espalhou o filtro em seus ombros e lambuzou a ponta de seu nariz numa brincadeira provocativa.

Emma, por sua vez, também ajeitou suas coisas em seu quarto e vestiu um biquíni vermelho cujo top tinha um detalhe em branco nas laterais e no decote

[16h24 06/10/2014] drielly passos: As três caminharam até o mar. Emmahavia pegado uma prancha de isopor, dessas pequenas que era de um de seus sobrinhos. Entrou com Ju na água enquanto Regina estendia sua canga na areia e sentava para contemplar o balanço das ondas. Aliás, olhava também para o balanço do caminhar de Emma em direção à água. Ju corria na frente saltitando e jogando água para os lados. Emma correu e mergulhou numa onda que vinha em sua direção. Saiu do outro lado do degrau de água e ajeitou os cabelos que, agora molhados, pendiam soltos sobre seus ombros. Regina sentiu a boca seca frente à visão daquela mulher, principalmente após deixar ju sentadinha no raso brincando com a prancha e caminhar na direção dela com a cadência de uma escola de samba em dia de desfile do primeiro grupo. As gotas d'água que escorriam pelo seu corpo deixavam rastros em sua pele morena como se fossem cursos de rios desbravando territórios ainda inexplorados. Regina sentiu desejo de acompanhar a trajetória daquelas gotículas com a ponta dos dedos e quando Emma sentou à sua frente percebeu que a pele dela estava arrepiada. Com isso seus mamilos ficaram enrijecidos e projetavam-se em relevo por sob o top molhado. Regina desviou o olhar temendo que suas pupilas delatassem seus pensamentos.

- A água tá uma delícia, vamos dar um mergulho? – convidou Emma.

- Não tá muito fria?

- Não tá não, tá ótima.

- Mas tu tá arrepiada...

- É por causa da brisa... – respondeu Emma com um tom de divertida malícia, levantando-se e estendendo a mão para Regina, que se deixou suspender e caminhou até a beira do mar.

Passaram por ju e regina recomendou:

- Fica aqui querida, não vem pro fundo. Emma e eu vamos dar um mergulho e já voltamos.

- Pode deixar, eu tô adorando brincar com as ondas.

Regina e Emma entraram mar adentro. A água estava realmente muito boa, quase morna. Aquela praia não tinha ondas muito violentas e se podia entrar sem receio de maiores repuxos. O clima também estava ajudando. Dias ensolarados e quentes. A estiagem castigava quem dependia da chuva para a lavoura. Emma no entanto estava adorando aquele clima. Não pôde deixar de observar Regun na água, com o maiô molhado desenhando os contornos de seu corpo. Seus pêlos dourados capturavam gotas de água salgada e os raios do sol daquele final de tarde refletiam sua luz alaranjada em cada partícula daquele líquido, conferindo uma coloração brilhante àquela pele alva. Regina parecia ter saído de um livro de conto de fadas. Era a imagem da perfeição, pensou Emma.

[18h18 06/10/2014] drielly passos: Ficaram na praia até o sol se por no horizonte. Quando entraram para tomar banho Josefa já preparava a janta. Depois das apresentações Regina foi supervisionar o banho de ju e separou roupas para a filha vestir. Logo em seguida tomou seu banho. Emma também tomou banho e quando voltou para a cozinha Josefa já tinha terminado a janta e voltado para sua casa. Deixou a mesa posta e as panelas no fogão.

A cozinha dava para uma enorme varanda envidraçada que ficava voltada pra o mar. Era a peça mais usada da casa, onde uma mesa comprida de madeira acabava sediando jogos de cartas, refeições, conversas, trabalhos manuais, enfim, era a verdadeira "sede social" daquela residência. Dois confortáveis sofás e duas poltronas estofadas ficavam num dos cantos, perto de uma televisão suspensa num suporte no outro canto da parede. No lado de fora da varanda havia um área coberta, onde redes pendiam como que convidando para uma sesta. Da varanda interna podia-se subir uma escada de madeira com um corrimão encerado que levava a um mezanino, onde uma janela em forma de arco permitia avistar a imensidão do mar.

As veranistas estavam exaustas e foram dormir logo após a janta. Recolheram-se aos seus respectivos aposentos e mal deitaram as cabeças nos travesseiros adormeceram profundamente.

A segunda-feira despontou com um céu límpido prenunciando um dia ensolarado e quente. Regina despertou lentamente espreguiçando-se e rolando de um lado para outro na vasta cama de casal. Tateando se deu conta de que estava sozinha, juliana já havia se levantado, como sempre. Languidamente estirou novamente os membros superiores e inferiores, imitando o movimento de um felino ao despertar. Pouco a pouco foram se materializando em sua memória lembranças da noite anterior, onde após um dia agradabilíssimo, porém agitado, mergulhou naquela cama macia após um banho relaxante. Os lençóis tinham um perfume suave e o travesseiro antialérgico poderia ser comparado a uma nuvem de algodão doce. A temperatura à noite caiu um pouco e reginaa puxou um cobertor para que não sentissem frio. Mergulhadas naquele ninho aconchegante ela e juliana haviam pegado no sono quase que instantane regina levantou-se lentamente e sentiu um aroma de café fresco no ar. Deu-se conta de que estava com fome. Olhou para o relógio que marcava onze horas da manhã. Vestiu-se e saiu do quarto. Não pode deixar de perceber a porta do quarto de Emma aberta e não resistindo à curiosidade espiou para dentro. A cama estava arrumada e o quarto exalava o perfume de Emma. Regina fechou os olhos e inspirou profundamente, como que tentando capturar e reter aquela fragrância dentro de si. Ainda com a sensação olfativa do quarto de emma foi até a cozinha.

A mesa estava posta, o café pronto numa cafeteira elétrica num canto do balcão e um vaso com flores, o qual prendia um bilhete escrito numa caligrafia harmônica e com duas assinaturas conhecidas: "Bom dia dorminhoca, acordamos cedo e fomos para a praia. Deixamos o café pronto. Fique tranqüila que emplastei juliana de filtro solar! Esperamos por você na praia. Beijos, Emma e Juliana."

Regina sorriu e levou o bilhete aos lábios, involuntariamente, beijando-o com suavidade. Olhou em volta, sentou-se à mesa e tomou café. Havia um pão caseiro delicioso que deveria ter sido feito pela esposa de Manoel. Regina saciou-se e aproveitou para bisbilhotar nos armários da cozinha, para verificar o que havia disponível para fazer no almoço. Satisfeita com o que encontrou pegou uma maça na fruteira e dirigiu-se para a rua.

Regina caminhou em direção ao mar tentando localizar a dupla dentro d'água. Não demorou a vislumbra-las devido aos latidos de Pipoca que fazia festa fora da água enquanto Emmae Juliana divertiam-se furando as ondas. Percebeu que juliana estava com um colete salva-vidas infantil cor de laranja amarrado ao tórax. Ficou satisfeita ao ver o cuidado que Emma tinha com sua filha. Chegou perto e se pôs a contempla-las pensativa. Depois de um tempo foi Emma quem percebeu sua presença e acenou para ela. Pegou ju pela mão e saíram do mar. Pipoca correu saltitante na direção delas.

- Mãe! – gritou ju alegremente – A gente já andou de bicicleta e caminhou na praia. Agora estamos brincando de furar ondas.

- Bom dia madrugadoras! – brincou regina. – Obrigada pela gentileza do café.

Emma fez uma mesura, num gesto teatral, como se fosse um mordomo, sendo imitada por ju.

- Nada mais que nossa obrigação, madame.

Regina teve que rir das palhaçadas das duas.

- Isso aqui é um verdadeiro paraíso – disse reginaa olhando para os lados.

- Realmente. – respondeu Emma – você precisa conhecer as pedras que ficam perto do morro, maravilhosas... podemos ir lá pela tarde.

- Podemos sim.

- Ôôôbaaaa! – pulou ju, sempre pronta para qualquer movimento.

Regina deu um tapinha no traseiro da filha.

- Vamos dar um mergulho? – convidou emma –A água está uma delícia.

- Não sei...

- Tenho uma idéia melhor – continuou Emma– Vamos até aquele trapiche, - disse apontando - tem um jetsky atracado lá.

Antes que Emma terminasse a frase Juliana disparou correndo naquela direção, seguida de Pipoca. Regina questionou:

- Mas não é perigoso?

Emma passou o braço sobre seus ombros, conduzindo-a cordialmente.

- Perigoso é viver... – respondeu Emma sorridente.

Regina sentiu o frescor da pele molhada de Emma de encontro à sua. Sentiu-se incapaz de esboçar qualquer reação, deixando-se conduzir por aqueles braços fortes porém delicados. Emma conseguia deixa-la desnorteada com um simples toque. A loira por sua vez, também percebia o quanto aquela pele suave e macia lhe despertava os desejos mais contidos, enclausurados há bastante tempo dentro de um baú rotulado trabalho. Em verdade vinha se dedicando exclusivamente ao trabalho nos últimos tempos, relegando sua vida pessoal a segundo plano. Com a desculpa de que não lhe sobrava tempo para nada, acabava afastando qualquer vínculo que pudesse configurar compromisso. Deu-se conta de que despertava dentro dela algo de novo, talvez uma nova perspectiva de ver o mundo e o leque de possibilidades que se descortinavam a partir daí. Isso assustava Emma porém, apesar dos riscos, estava decidida a não fugir de seus sentimentos. Como boa jogadora pagaria para ver. Como se a vida fosse um jogo...

Chegaram até o trapiche e emma colocou o jetsky na água, sorrindo para a dupla que a observava atenta:

- Muito bem, quem é a primeira caroneira?

- EU! – saltou ju.

Emma ajeitou a menina atrás dela e partiu veloz fazendo zigue-zagues por sobre as águas verdes do mar. Juliana estava radiante. Por vezes abanava para Regina, porém sem desgrudar-se da cintura de Emma. Depois de quase meia hora retornaram para a beira da praia.

- Muito bem, agora vamos nós! – disse Emma dirigindo-se a Regina.

- Ai, eu não sei, eu tenho um pouco de medo.

- Confie em mim. – disse Emma estendendo a mão e fitando Regina nos olhos.

Regina se virou para Juliana e disse:

- Fica aqui com a Pipoca, nada de entrar na água sozinha.

- Pode deixar, mãe, eu vou brincar aqui na areia.

Regina olhou para Emma e sorriu pegando em sua mão estendida e se ajeitando na garupa do jetsky. Não teve outra alternativa a não ser encostar bem o corpo em Emma e abraça-la pela cintura. Sentiu a firmeza de cada músculo daquele corpo e o contato com sua pele molhada pela água salgada fazia com que aderisse a ela, como se houvessem ventosas em seus poros. O jetsky iniciou sua corrida e automaticamente Reguna ia colando mais o seu corpo ao de Emma, conforme a velocidade aumentava. Por fim deitou seu rosto nas costas de emma, sentindo no canto da boca o sabor da pele salgada. A proximidade das duas fez com que emma se entesasse, forçando seu corpo de encontro à mulher atrás de si. Regina, por sua vez, sentiu o corpo de emma se espremendo junto ao seu e abriu mais suas pernas como que acolhendo-a em seu interior. Instantaneamente sentiu uma umidade invadir-lhe as entranhas e um calor emanando de seu sexo. Emma fechou os olhos e pode sentir o calor atrás de si. Era como se o tempo houvesse parado, ou tivesse deixado de existir. A sensação era de um fogo crescente e pôde sentir sua pulsação em todos os poros de sua pele. Emma abriu os olhos, respirou fundo, e antes que perdesse o controle de suas reações e do jetsky fez uma manobra por sobre as águas e afastou-se um pouco de regina. Com aquele movimento Regina também foi trazida de volta à realidade. Olhou para a margem e avistou juliana a acenar-lhes. Por um momento sentiu um misto de insegurança e angústia, não sabia definir ao certo seu sentimento. Estava adorando sentir o contato do corpo de emma junto ao seu, mas sentia culpa por talvez estar se aproveitando dela. Emma, por sua vez, também estava se sentindo perturbada, sem saber definir direito que sentimento era aquele que turvava suas atitudes racionais e colocava em xeque suas concepções de vida e de liberdade. Na verdade, sabia sim... só não queria admitir o que era. Resolveu retornar para a praia. Ambas desembarcaram caladas, deixando a cargo de juliana e Pipoca a recepção efusiva. Emma deixou o jetsky no trapiche e voltaram para casa sem trocar palavras entre si, somente olhares tímidos com o rabo dos olhos.

[18h51 06/10/2014] drielly passos: Chegaram em casa e trataram de encaminhar aos seus quartos. Regina deu banho em Juliana . Depois foi tomar o seu.

Regina abriu o registro da água quente e entrou naquele jato forte e morno. Deixou a água escorrer por sobre sua cabeça, como que tentando fazer com que clareassem suas idéias e sentimentos, retirando todas as dúvidas que turvavam sua visão e lhe enchiam o coração de insegurança. Após o banho sentia-se bem melhor. Emma também havia tomado seu banho.

Na terça-feira passaram a maior parte do tempo na beira da praia, embaixo de um enorme e colorido guarda-sol. . À noite caminharam até o centrinho, onde uma feira de artesanato local atraía a atenção dos visitantes. Emma comprou algumas bijuterias para Juliana e peças de decoração para casa. Acabaram fazendo um lanche por lá mesmo, arrematado por um saboroso sorvete. Quando eram mais ou menos onze horas da noite retornaram para casa.

Na quarta-feira o tempo ficou ofuscado e perto do meio dia choveu. Elas haviam ido à praia pela manhã e aproveitaram a tarde para dormir e depois jogar cartas, dominó, dama e assistir televisão. Ao anoitecer o horizonte clareou novamente assumindo uma coloração rosada, prenunciando um amanhecer com sol.

Realmente a quinta-feira amanheceu sem chuva. Aproveitaram a praia de manhã e Emma convidou para almoçarem num restaurante que servia frutos do mar. Ju adorou comer carangueijo na casca. Tanto Emmaa quanto Regina apreciavam frutos do mar e comeram até se satisfazerem.

Ao retornarem para casa Emma e Regina sentaram-se à sombra do guarda-sol observando o mar.

- E então, o que está achando das férias? – indagou Emma

- Maravilhosas. – respondeu Reginaa com o olhar no horizonte.

- Daria pra ficar aqui pra sempre, não daria?

Reginademorou um pouco para responder até que se virou para Emma, encarando-a:

- Daria sim, com certeza daria...

Fez-se um longo silêncio. Emma estava há dias pensando em conversar com Emma sobre a vida de ambas. Desejava saber mais dela e queria falar sobre seu passado, conhece-la e dar-se a conhecer. Mas lhe faltava oportunidade, pois juliana estava sempre por perto. E agora estava com a faca e o queijo nas mãos, pensou. No entanto faltava-lhe coragem. Porém não poderia desperdiçar aquele momento. Respirou fundo, armou-se de intrepidez e ousadamente perguntou:

- Você já viveu com alguém?

- Não... quer dizer, viver, viver, não vivi. Só fiquei junto.

- E faz tempo?

Regina baixou os olhos e ficou em silêncio. Emma continuou:

- Olha só... me desculpe se fui invasiva, não precisa responder.

- Mas eu não me importo de responder. Faz tempo sim. Muito tempo... – fez-se novo silêncio até que regina continuou – É engraçado... acho que nunca falei da minha vida com ninguém...

- Se não quiser não precisa...

- Mas eu quero. – respondeu regina encarando emma, para depois novamente dirigir seu olhar para o mar – Como tu já sabe eu fui criada no orfanato. Fiquei lá até meus 19 anos. Poderia ter ficado mais, se não fosse por ter sido expulsa...

- Expulsa?...

- É. Um dia a madre me surpreendeu muito próxima a uma colega de orfanato. Na verdade a gente estava se beijando – Valquíria diminuiu o tom de sua voz e olhou para o chão – Nós duas éramos muito chegadas, dividíamos o mesmo quarto, aí foi surgindo uma atração, sei lá... e no dia em que finalmente estávamos partindo para a ação chegou a madre superiora e nos deu o maior flagra. Eu não preciso dizer tudo o que ouvi, não é mesmo?

- Não... não precisa.

- Pois é, depois daquele dia eu passei a ser vista como uma das duas pervertidas do orfanato, uma anormal. Na verdade eu não fui expulsa literalmente, mas de uma forma velada. Quando a gente se dá conta que não é bem quista em algum lugar só resta cair fora. E foi o que eu fiz. Eu tinha curso de atendente de enfermagem e fazia o auxiliar. Quando terminei fui para a capital. Aluguei um quarto de pensão e arrumei emprego no Hospital Belém . Depois consegui entrar na Santa Casa.

Regina deu uma pausa, como que para tomar fôlego. Emma estava imóvel ouvindo regina. Nem mesmo o burburinho das crianças correndo conseguia desviar sua atenção. No fundo sentiu uma ponta de satisfação ao saber do interesse de regina por uma mulher, mesmo que no passado. Isso lhe aliviava, de alguma forma, qualquer sentimento de culpa por deseja-la. Não queria ser ela a perversora daquele anjo de candura. Após alguns segundos regina continuou:

- Na Santa Casa eu tratei de fechar os olhos para quem quer que fosse. Tentaria deixar a minha "anormalidade" relegada a segundo plano. Até que um belo dia Adriano me convidou para sair. Ele era médico, mais velho, lindo, mas casado. No nosso primeiro encontro eu não sabia que ele era casado e resolvi que ele era o homem ideal para ser o meu primeiro. E assim foi. Depois do nosso terceiro encontro ele me falou da mulher, que não se separaria dela, que tinha filhos... eu decidi continuar com ele, até que meu amor próprio falou mais alto. Eu não queria mais ser a outra. Porém o nosso rompimento não foi fácil. Ele estava disposto a continuar com as duas e me seguia diariamente. Um dia quase me atropelou na saída da faculdade. Eu já estava cursando odonto. Aí decidi que era hora de dar mais uma virada na minha vida. E acabei vindopra Manaus. Logo em seguida juliana entrou na minha vida, e aqui estou. – regina olhou para emma e sorriu melancolicamente.

- Mas agora as coisas estão bem melhores, não estão? – disse emma tentando desanuviar seu semblante.

- Com toda a certeza, sem termo de comparação. – respondeu regina mais animada. – E isso tudo é passado. Não volta mais. E não adianta sofrer pelo que já foi.

Emma sorriu assentindo com a cabeça.

- E tu, Emma? Já viveu com alguém? – disparou Regina.

- Já. Eu sempre fui muito dona do meu nariz. Saí de casa com 18 anos também. Mas isso eu já te contei. Fui viver com um colega de faculdade, ele tinha a mesma idade que eu, mas era um CDF, coitado... só pensava em estudar. Era lindinho, mas intelectual. Me cansei no segundo mês de convivência. E ele era só mais ou menos na cama... – riuEmma - ...depois morei sozinha até namorar o Marcelo. Com ele fiquei dois anos. Quase nos casamos. Mas um belo dia me descobri perdidamente apaixonada pela irmã dele.

Regina encarou Emma boquiaberta e sorriu incrédula. Emma continuou:

- Eu resolvi falar para ela... e levei um sonoro bofetão na cara! Lembro até hoje daquele tapa. Acho que foi o único na minha vida que eu não revidei. Depois conheci uma pessoa especial na faculdade, uma professora. Com ela foi diferente. Ficamos juntas por quase cinco anos, até o dia em que ela me disse estar apaixonada por outra aluna. Sofri como um cachorro, mas sobrevivi. Hoje eu continuo amiga dela, aliás uma grande amiga. Eu e Débora mantemos contatos até hoje, nos ligamos seguido. Ela continua como sempre, trocando uma aluna por outra, mas fazer o quê?... – sorriu Emma. – Depois tive alguns casinhos, nada sério. Hoje me dedico só ao trabalho, não tenho tempo para mais nada, pelo menos por enquanto... ou até encontrar alguém que faça valer a pena arrumar um tempo...

Emma encarou Regina com um olhar atrevido, fazendo-a desviar o seu. Ambas deram-se conta de que aquela conversa poderia mudar o rumo de suas vidas para sempre. Estavam aliviadas em terem aberto os corações. Regina nunca sentiu-se bem tendo que esconder o seu passado, nem tão pouco emma era dada a dar maiores explicações de sua vida para quem quer que fosse. No entanto, com Regina, sentiu necessidade de clarear certas questões. Estava, de fato, sentindo-se mais leve.

[19h39 06/10/2014] drielly passos: Emma e Regina não conseguiram mais conversar naquele dia, pois ju estava sempre perto delas, principalmente de Emma. A garota tinha adoração por ela. Chegava a ficar contemplando Emma enquanto esta fazia qualquer movimento. E era recíproco. Emma estava adorando ficar com juliana, curtia cada momento da alegria e da disposição da menina. Alegrava-se também em desfrutar da companhia da mãe dela...

Já era sexta-feira e a semana havia passado num piscar de olhos.

- Realmente o tempo é relativo – conjeturou Emma pensativa.

- Por que é que tu estás dizendo isso? – quis saber Regina, embalando-se numa rede em frente à Emma e tentando equilibrar a cuia com o tacacá que estavam tomando.

Regina gostava de tomar tacacá, bebida tipicamente paraense, e havia conseguido persuadir Emma acompanha-la, mesmo que a princípio a mesma houvesse reclamado do sabor forte. "A gente se acostuma e acaba gostando", argumentou Regina. E Emma estava percebendo que nos últimos dias vinha fazendo as vontades de rrgina, e não estava se incomodando com isto, muito pelo contrário, agradar regina lhe dava prazer. Cada vez que a morena sorria franzindo seu nariz graciosamente Emma se derretia de satisfação. E tentava fazer de tudo para agrada-la, até tomar tacacá..

- O tempo é relativo porque sempre voa quando a gente está fazendo algo prazeroso e se arrasta quando existe sofrimento. – conjeturou Emma

- É verdade...

- A semana já passou e faltam só dois dias para a gente voltar pro batente.

- Pois é... eu já tinha pensado nisso.

- É uma pena, não é mesmo?

regina baixou os olhos e concordou balançando a cabeça em sinal de afirmativo.

- Mas vamos ver pelo lado bom – continuou Emma – podemos repetir a dose sempre que der!

regina sorriu e concordou. Estavam na área coberta em frente ao mar. O astro rei estava quase se pondo e as sombras compridas formadas pelo ângulo dos raios de sol se projetavam em direção à areia da praia. ju e seus novos amigos corriam pelo gramado verde num animado jogo de futebol, tendo Pipoca como excelente zagueira. Por sobre a linha do horizonte, no lado do nascente, sobre as águas verdejantes do oceano, uma lua cheia esbranquiçada e translúcida surgia como que emergindo de dentro do mar empurrada pelas Ondinas ou pelo próprio Netuno. A noite seria clara e propícia a um passeio à beira mar. Era dia 31 e a virada do milênio teria show de fogos de artifício na beira da praia, espetáculo aguardado ansiosamente por juliana.

Enquanto contemplavam o ocaso, grandiosa apresentação da mãe natureza, o telefone sem fio tocou e Emma atendeu enquanto sorvia pequenos goles de tacacá.

- Alô? Ora, ora, quem é vivo sempre aparece! – disse Emma em tom animado.

- Que novela pra te achar, ein? Celular é só pra enfeite, é?... Ainda bem que continuo tendo meus contatos. – disse a voz do outro lado da linha.

- Mentirosa. Você sabe que sempre que eu preciso recarregar minhas baterias é para cá que eu venho!

- Tá certo! Não foi tão difícil mesmo! – disse Débora sorridente – Escuta, você ainda lembra que dia é segunda-feira?

- Claro que lembro. Dia 3 de janeiro, só não lembro bem qual dos meus conhecidos faz aniversário nesse dia... – respondeu emma debochadamente, fingindo esquecimento.

- Cachorra! Acho bom lembrar, senão te risco da minha lista de convidados!

emma gargalhou:

- E como eu poderia esquecer? Nos últimos tempos eu recebo o mesmo convite em toda a virada de ano!

- Mas no ano passado você não foi!

- Trabalho, minha querida, trabalho...

- E este ano? Vou ficar esperando em vão? – perguntou Débora fingindo sedução.

- Não... com certeza sua festa estará repleta de aluninhas novas pra te dar os parabéns.

- Emma! Faz favor!

Emma gargalhou novamente. De fato sentia muita afeição por Débora, mas só. O amor e a atração física haviam cedido lugar a um sentimento fraterno e de cumplicidade.

regina não pôde deixar de ouvir a conversa e percebeu de quem se tratava. Inconscientemente franziu o cenho. Emma, muito perspicaz, percebeu o desconforto da amiga e tratou de encurtar aquela conversa.

- Muito bem, dona aniversariante, aonde vai ser a festa? – quis saber Emma - ... sei, sei onde é... a gente volta na segunda de manhã. Se eu não estiver muito pregada eu vou sim.

- A gente?... – disse Débora curiosamente – Quem é que está aí com você? Alguma namoradinha nova?

- Débora... menos.

- Aaah... entendi tudo...

- Não entendeu nada não. – retrucou Emma.

- Convida a tua amiga para vir junto, quero conhecer.

- Nem pensar.

- emma... eu prometo me comportar, não faço nenhum comentário pra te deixar sem graça. Prometo!

- Tá bom, vou pensar.

- Tá combinado então, espero vocês! Beijo na boca. – respondeu Débora e desligou antes que Emmadesse tchau.

Emma colocou o telefone no chão e sorriu balançando a cabeça.

- Era sua ex? – perguntou regina com certa contrariedade na voz.

- Era. – respondeu emma brandamente, quebrando o clima tenso – ela sempre me convida para o aniversário dela. É dessas pessoas que adoram festas.

- E tu vai?

- Só se você for comigo.

- Como assim? – surpreendeu-se Regina

- Só vou se você for comigo. - Respondeu Emma pausadamente.

- Mas ela nem me conhece!

- Mas te convidou. – disse emma.

- Me convidou?

- Juro! Além do quê eu preciso de uma guarda-costas para que ela não me ataque sorrateiramente! – respondeu emma fazendo um gesto teatral.

regina foi obrigada a rir. Emma sabia como convence-la.

- Falando sério, vai ser uma festa bacana num bar, um lugar bem interessante, vários ambientes, música ao vivo e mecânica, pista de dança, videokê, eu gostaria que você me acompanhasse... – pediu emma com um tom de voz para o qual seria impossível formular uma resposta negativa.

- Acho que eu tô precisando mesmo sair um pouco. Vamos lá então. Só não vai dar pra ir se a dona Eda não estiver em casa, por que aí eu não tenho com quem deixar a ju.

- Então liga pra ela agora e combina. – disse emma estendendo o telefone.

regina sorriu e fez a ligação. O casal ficou radiante ao receber notícias delas, estavam saudosos. Dona Eda comprometeu-se em ficar com ju na segunda-feira, poderiam ir tranqüilas. Emma não conseguiu disfarçar o contentamento. Parecia uma criança que havia ganhado um presente muito esperado.

O sol se pôs e após comerem alguma coisa leve Emma convidou Regina e juliana para caminharem até o centro. Josefa prepararia a ceia de Ano Novo para elas.

No caminho da cidade uma suave brisa vinda do mar agitava os cabelos negros de Regina. A lua cheia iluminava o cenário da noite transformando-o quase que em dia. Era possível deslocar-se sem o auxílio de nenhuma iluminação artificial. As três vestiam roupas brancas para a virada do ano. juliana trajava um vestido de malha de algodão bem curto, com o decote em viés deixando descoberto um dos ombros e preso no outro por um lacinho prateado. Calçava sandálias brancas, com pequenas flores em relevo. Seu cabelo estava solto e usava uma tiara elástica branca. Regina também usava um vestido branco, estilo tubinho, corte reto e curto. Moldava-lhe as curvas do corpo e realçava o suave bronzeado que havia adquirido naqueles dias, apesar do uso constante de filtro solar. Calçava uma sandália estilo romana, de couro branco. Emma estava com um top e uma calça comprida de malha, de cintura baixa. Calçava tênis brancos e havia prendido o cabelo num rabo-de-cavalo. Também tinha as curvas do corpo moldadas pela roupa justa, isto sem falar na marca da calcinha rendada que aparecia sob a malha branca. Quando Regina viu Emma naquela roupa chegou a ficar sem ar, boquiaberta. Estava realmente deslumbrante. A pele com o bronzeado acentuado pelo sol dos últimos dias, contrastava com a alvura da vestimenta. Emma ainda fez uma maquiagem discreta. juliana também pediu para usar o batom de Emma. No final das contas o trio estava de parar o trânsito.

Caminharam vagarosamente até o centro, admirando a luz do luar e alguns fogos que já explodiam no céu do último dia de dezembro. Chegaram na praça central antes das onze horas da noite e sentaram num banco de madeira para observar o movimento, enquanto comiam algodão-doce. Perto da meia noite foram até a beira da água e quando a contagem regressiva chegou ao zero abraçaram-se efusivamente enquanto um show de fogos multicoloridos explodia no ar. Os morteiros coloridos desenhavam círculos de luz que se desmanchavam em gotas cintilantes, ardendo de encontro ao manto negro da noite. As estrelas ficaram momentaneamente ofuscadas pelo brilho dos fogos. A lua, porém, seguia majestosa e radiante, como que indiferente ao espetáculo que se descortinava a seus pés, como uma verdadeira rainha.

Na beira da praia, após beijarem e abraçarem juliana, Regina e Emma se entreolharam em silêncio.

- Você fez um pedido na virada? – perguntou Emma.

- Fiz. E tu?

- Eu também. – respondeu emma.

- E o que foi?

- Segredo. E o teu?

- Segredo também...

Neste momento ju correu e entrou no meio das duas:

- Posso jogar bola aqui na beira da água? – perguntou juliana referindo-se a uma imensa bola de plástico amarela e prateada que Emma havia comprado para ela um pouco antes numa barraca na praça central.

- Pode, querida... – respondeu Regina

- Mas e se eu molhar os pés?...

- Não faz mal... – completou Regina

- Ôôôbaaa! – gritou ju correndo e chutando a bola para longe.

Regina e Emma começaram a caminhar na beira da praia, lado a lado, seguindo juliana em sua brincadeira. Em dado momento estavam tão próximas que as mãos acabaram se tocando. Emma olhou para o lado e ao invés de retirar sua mão acariciou suavemente o dorso da mão de Regina com a sua. Regina também não se esquivou do toque, muito pelo contrário, suavemente retribuiu o afago e entrelaçou seus dedos aos de Emma. Caminharam assim, de mãos dadas por um longo trecho. Emma sentia-se como uma colegial, seu coração havia disparado com aquele toque e custava a recuperar seu ritmo normal. Reginaa agradeceu aos céus por ser noite, pois enrubesceu ao sentir que Emma retribuiu o seu entrelaçamento de mãos. As mãos de ambas transpiravam, mas o toque era macio e terno.

[20h01 06/10/2014] drielly passos: Faltando ainda algumas quadras para chegarem em casa Emma pegou juliana no colo, pois a menina estava quase que entregue ao sono. Chegando em casa juliana despertou para comer. As três se deram conta de que estavam famintas e devoraram o peru assado e as frutas da ceia.

Em seguida ju bocejou e aninhou-se no colo de emma, pegando no sono. Esta, após coloca-la na cama, ficou olhando demoradamente para Regina, antes de dizer:

- Boa noite... e feliz Ano Novo.

- Feliz Ano Novo... – respondeu regina com a voz embargada pela emoção.

emma sorriu com o canto da boca, um sorriso sedutor e apaixonado. Sentindo que estava prestes a partir para cima de Regina deu dois passos para trás e saiu do quarto, não queria correr o risco de acordar juliana.

- Emma... – chamou Regina à meia voz.

Emma se voltou para Regina e esta continuou:

- Esse foi o melhor final de ano que tive na vida...

- Eu também... acredite... eu também.

Dizendo isto saiu e foi para seu quarto. Tomou um banho frio e se deitou. Ficou olhando para o teto com um sorriso de satisfação estampado no rosto. Estava amando.

Regina também tomou uma ducha, morna, e virou-se de um lado para outro na cama, cuidando para não acordar juliana. Sua vontade era bater na porta do quarto de Emma e passar a noite com ela. Cada vez que pensava em Emma ficava com a boca seca e com o coração descompassado. Estava apaixonada, e como nunca estivera antes. E todos os seus sentidos sinalizavam que Emma também a queria. Deu um beijinho na testa de Juliana e apagou a luz de cabeceira. Sentia-se insegura, pois sabia o que Emma pensava sobre se prender a alguém. Mas ao mesmo tempo algo lhe dizia que deveria investir naquela mulher. A razão e o bom senso lhe indicavam uma retirada estratégica, porém o desejo e a paixão lhe gritavam: "dane-se o bom senso!".

Nos dois dias que se seguiram Emma e Regina não conseguiram mais conversar a sós. Como que sentindo pesar pelo iminente término das pequenas férias, Juliana não desgrudou de Emma. A menina estava muito apegada a ela e Regina já havia se acostumado a deitar com Juliana e, no meio da noite, dar falta da menina, que passava para o quarto de Emma aninhando-se em sua cama e abraçando-a amorosamente. Como as duas costumavam acordar cedo era Emma quem preparava o café da criança para logo depois saírem para a praia, para caminhar, jogar bola, correr, dar muitos mergulhos, andar de jetsky ou simplesmente sentar na beira do mar e fazer castelos de areia. Aquela semana realmente estava sendo bem diferente de tudo o que Emma já vivera até ali. Nunca havia se dedicado a uma criança antes, aliás nunca tivera muita paciência com seus sobrinhos, mas com Ju estava sendo diferente. Ela era diferente. Era uma companhia tão animada que às vezes Emma se esquecia da diferença de idade entre elas. Se algum dia Emma desejasse ter um filho por certo gostaria que fosse igual à Juliana.

No sábado foram até um parque de diversões que havia chegado à cidade por aqueles dias e naquela tarde abriria seus portões aos visitantes. Chegaram no parque à tardinha, quando o sol já estava se pondo e as luzes dos postes e das casas iam gradualmente se acendendo. A música animada, o movimento giratório dos brinquedos, as luzes coloridas e a algazarra da juventude eram marca registrada de qualquer parque de diversões. Todos, sem exceção, tinham o mesmo espírito festivo e animado. juliana quis andar em todos os brinquedos e Regina ficou imensamente feliz por Emma acompanha-la, principalmente nos brinquedos giratórios. O máximo que Regina conseguia suportar sem enjoar era a roda gigante, isto se não olhasse muito para baixo. Já Emma parecia estar se divertindo tanto quanto ou mais do que Juliana. As duas desceram da montanha russa com as faces vermelhas e com os cabelos totalmente desgrenhados.

- As duas, sentem aqui! – disse Regina fingindo um tom autoritário e apontando para um banco perto do chapéu mexicano.

Obedientes Emma e Juliana sentaram lado a lado sem entender o porquê da ordem. Regina se aproximou por trás de Juliana e pegou suas madeixas encaracoladas, juntando-as num rabo-de-cavalo no alto da cabeça, passando os dedos delicadamente para ajeitar os fios rebeldes. Prendeu-os com um elástico colorido. Para a surpresa de Emma, Regina foi para trás dela e fez a mesma coisa com os seus cabelos que, apesar de lisos, estavam tão revoltos quanto os de Juliana. Enquanto Regina ajeitava os cabelos de Emma não pode deixar de sorver o perfume que emanava dos fios loiros. O toque de Regina em sua nuca fez com que todo seu corpo se arrepiasse e ela se entesou no banco, como um felino surpreendido por um predador. Regina sentiu o movimento sutil de Emma e acariciou seus cabelos suavemente, fazendo com que gradualmente relaxasse. Da mesma forma que prendeu os cabelos de Juliana, puxou os de Emma para trás, prendendo-os com outro elástico colorido que tinha na bolsa.

- Pronto! – disse Regina satisfeita – agora vocês estão com cara de gente de novo!

As três caíram na gargalhada. Emma olhou para Reginaa lançando-lhe um sorriso sedutor, como quem dizia com os olhos: "aproveitadora...".

Na segunda-feira, como de costume, Emma e Juliana acordaram cedo e foram dar um mergulho na praia. Na volta acordaram Regina para tomar café. Combinaram de retornar ainda pela manhã, para que Emma pudesse dar uma relaxada nas costas antes de seguirem de volta pois seriam muitas horas no ar.

- Querida, hoje à noite eu vou com a Emma no aniversário de uma amiga dela.

- Ôba! Posso ir também?

- Não, Juliana, não pode. – respondeu Regina carinhosamente.

- Por que?... – quis saber a menina fazendo beicinho.

- Porque é um aniversário de gente grande. – respondeu Regina.

- Juliana, olha só... – emendou Emma– vai ser uma festa à noite, num bar, onde só entram pessoas adultas, é proibido levar crianças.

- E por que?

- Porque o ambiente é fechado, tem gente que fuma, bebe, termina muito tarde, tem música alta, enfim, é programa pra gente grande.

- Quando eu crescer vocês me levam?

- Levamos, se bem que quando estiveres grande e tiveres idade para ir nesse lugar, acho que não vais querer sair com a tua mãe... – riu Regina.

- Por que?

Emma e Regina gargalharam.

- Porque sim, garota! – respondeu Emma batendo com seu dedo na ponta do nariz de Juliana.

- Eu falei com a Dona Eda e pedi pra ela cuidar de ti. Tu vais dormir na casa dela hoje, pois não sei que horas voltamos. – combinou Regina

- Eu já tô com saudades da Dona Eda e do Seu Arno.

- Eles também, com toda a certeza. – disse Regina.

Ao término do almoço seguiram viagem e antes das seis horas estavam em Manaus.

Emma ajudou Regina a descarregar as malas.

- Eu vou dar uma passadinha rápida na loja e depois vou para o hotel. Quero ver se eu durmo um pouco, uma horinha que seja já vai me deixar nova. – disse Emma. – Lá pelas nove horas eu passo aqui pra te pegar, pode ser?

- Claro, está ótimo. – respondeu Regina– Eu vou ver se me recosto um pouco também.

- Então tchau, até mais. – disse Emma sorridente.

- Até...

[20h24 06/10/2014] drielly passos: Emma passou na loja rapidamente e foi para o hotel. Tomou um banho e se deitou com as pernas sobre uma almofada para melhorar a circulação de retorno. Adormeceu e sentiu-se renovada após uma hora de sono. Vestiu-se e passou numa floricultura para pegar um buquê de rosas amarelas para Débora. Às nove horas estava defronte à casa de Reginaa. Buzinou e a morena apareceu logo em seguida, caminhando em sua direção. Vestia uma calça preta, de um tecido acetinado, justa, de cintura baixa e boca de sino. Uma bata em estilo indiano, com estampas, com detalhes bordados em um finíssimo fio dourado. Uma sandália preta completava o conjunto. Os cabelos escovados e soltos sobre os ombros e a maquiagem discreta davam um toque todo especial àquela figura que se movia compassadamente em direção ao carro.

Emma não se conteve e desceu para abrir a porta do carro para ela. Quando Regina chegou perto Emma pode sentir o perfume de sua pele, Byzance. Sorriu com o canto dos lábios e disse:

- Você está linda...

Regina sorriu, franzindo seu nariz:

- São os teus olhos. Aliás... – respondeu Regina olhando Emma de cima a baixo - ...tu é que caprichou no visual... é para agradar a professorinha?... – continuou provocante.

- Pode ser que seja para agradar... mas não a professorinha. – respondeu encarando Regina.

O tiro havia saído pela culatra. Regina ficara rubra até a raiz dos cabelos. Tratou de entrar no carro e puxar o cinto de segurança. Emma fechou a porta num gesto gentil e entrou no seu lado com um sorrisinho maroto nos lábios.

.

Durante a viagem conversaram sobre assuntos banais. Na verdade as duas estavam tensas, como que esperando uma iniciativa da outra para rumarem para um assunto mais pessoal. Regina reparou que Emma vestia um macacão preto sem mangas, colado ao corpo. Uma sandália e uma bolsa prateadas. Cabelos soltos. Somente um bracelete prateado no pulso esquerdo e um anel no dedo anular. Estava a imagem da beleza personificada num corpo de mulher. Regina chegava a ficar sem ar. Chegaram antes das onze horas. Fernanda deixou o carro no estacionamento . O guardador já a conhecia e cumprimentou-a cordialmente:

- Boa noite, dona Emma!

- Boa noite.

Estavam defronte ao local da festa. A porta de entrada era em forma arredondada, de tijolos à vista e dava para um corredor estreito. Da rua não se ouvia nenhum barulho que revelasse tratar-se de um lugar com música dançante. O corredor levava a um ambiente pequeno onde havia um balcão de bar com cadeiras altas e algumas mesinhas espalhadas. Uma música suave tocava ao fundo. Logo após um outro ambiente descortinava uma pista de dança, com música ao vivo, lenta, onde vários pares dançavam enrosquilhados. Regina aguçou a vista devido à penumbra e percebeu tratar-se de um lugar GLS, pois vários pares que dançavam eram do mesmo sexo, tanto homens quanto mulheres. Inicialmente ficou meio sem graça, mas percebendo a descontração de Emma contagiou-se com a música e começou a se embalar discretamente enquanto a morena tentava localizar a aniversariante.

- Ela não está aqui – sussurrou Emma no ouvido de Regina.

Rumaram para outro ambiente, este com música mecânica, dançante, em volume altíssimo, onde seria impossível conversar ou localizar quem quer que fosse devido aos efeitos da luz negra. Emma pegou Reguna pela mão e fez com que a seguisse até outro ambiente, um salão confortável, com vários lugares para sentar e um videokê num canto. E lá estava Débora, de mão no microfone cantando alegremente. Quando avistou Emma parou a música no meio e caminhou na direção dela com os braços abertos. Regina percebeu que era uma mulher madura, depois descobriu que estava completando 54 anos, de porte médio, de loiros cabelos encaracolados, quase ruivos, cortados na altura dos ombros. Tinha um sorriso encantador que deixava à mostra duas covinhas nas faces.

- Ora, ora, se não é a morena mais linda que eu já conheci!... – disse Débora.

- E você é a maior mentirosa que eu conheci! – respondeu Emma abraçando a amiga e oferecendo-lhe o buquê de flores.

- Obrigada, são lindas. – disse a aniversariante.

- Débora, esta é Regina, uma amiga.

- Muito prazer – disse Débora com simpatia analisando Regina de cima a baixo.

Antes que Débora fizesse algum comentário que pudesse constranger Regina, Emma perguntou:

- Se bebe nesta festa ou não? Eu estou de boca seca.

- O de sempre, baby? – perguntou Débora provocante.

- Uma cerveja. E pra você, Regina? – perguntou Emma.

- Uma cerveja também.

Débora levantou o braço chamando o garçom. Fez os pedidos e informou serem convidadas, dispensando as comandas.

- Mas não se prenda por nós, continue com o seu show, eu estava gostando – brincou Emma.

- Então com licença, não posso descuidar da minha criança – disse Débora apontando para uma jovem alta e ruiva, com porte de manequim que acenava para ela.

Emma puxou Débora pelo braço e cochichou ao seu ouvido:

- Deby, ela é uma criança! Você ainda vai ser processada por abuso de menores!

- Criança não! Já fez 18 anos, é maior, logo... – respondeu Débora sorrindo de orelha a orelha e piscando o olho para Emma.

- Pervertida! – disse Emma.

Virou-se para Regina e apontou para dois lugares vagos num sofá, num canto do ambiente. A bebida delas foi servida e alguns tira-gostos.

- E então, chocada? – questionou Emma.

- Com o local ou com a aniversariante? – disse Regina em tom divertido.

- Com as duas coisas.

- Não... eu não me assusto com pouca coisa...

- Ainda bem. – riu Emma e continuou após um breve silêncio – É bom estar aqui... contigo. Acho que fiquei mal acostumada...

- Com a minha companhia?

- É... com o som da tua voz, o teu riso, o teu jeito de arrumar o cabelo...

- Posso te confessar uma coisa? – perguntou Regina com alguma timidez.

- Pode...

- Eu também. Acho que também fiquei mal acostumada.

- E isso é bom?

- Depende do ponto de vista... – respondeu Regina – se não causar sofrimento...

Emma fitou Regina pensativa. Sorriu sabia como desanuviar o coração de Regina com um simples sorriso. Nesse momento Débora chamou-as:

- Meninas, venham aqui, vamos descobrir novos talentos!

- E agora? A gente tem como escapar? – brincou Regina.

- Acho que não... mas vamos mostrar nosso talento! – disse Emma levantando-se e conduzindo Regina para perto do videokê.

Para surpresa de Emma, Valquíria enturmou-se rapidinho com as candidatas ao show de calouros e em dado momento dirigiu-se ao microfone. Remexeu no índice de músicas e escolheu uma de Ivan Lins. Ajeitou-se num banquinho redondo e esperou a música começar para cantarolar a letra melodicamente. Para surpresa ainda maior de Emma, e para seu deleite, Regina cantou quase que toda a música olhando diretamente para ela.

"Vieste na hora exata

Com ares de festa

E luas de prata

Vieste com encantos

Vieste com beijos silvestres

Colhidos pra mim

Vieste como a natureza

Com mãos camponesas

Plantadas em mim

Vieste com a cara e a coragem

Com malas, viagens pra dentro de mim

Meu amor

Vieste à hora e a tempo

Soltando meus barcos

E velas ao vento

Vieste me dando o alento

Me olhando por dentro

Velando por mim

Vieste de olhos fechados

Num dia marcado

Sagrado pra mim

Vieste com a cara e a coragem

Com malas, viagens

Pra dentro de mim

Meu amor..."

Quando terminou de cantar depositou o microfone no suporte enquanto era aplaudida pelos que estavam ao redor e caminhou languidamente até Emma, olhando-a nos olhos. Seu olhar dispensava palavras. O coração de Emma disparou. Decididamente, queria aquela mulher, e estava na hora de lhe dizer isso. Dirigiu-lhe um olhar sedutor e disse:

- Muito bem... minha vez – e levantou-se caminhando até o microfone.

Escolheu a música e sentou-se no banco estofado redondo e alto, ficando de frente para Regina, a fim de poder encara-la. Quando a música começou Emma simplesmente desviou o olhar da tela e cantou a música de cor, do começo ao fim, quase num sussurro, olhando diretamente para os olhos de Regina.

"Eu preciso de você

Porque tudo que eu pensei

Que pudesse desfrutar da vida

Sem você não sei...

Meu amanhecer é lindo se você comigo está

Tudo é mais bonito no sorriso que

Você me dá

Eu não vivo sem você

Porque tudo que eu andei

Procurando pela vida agora eu sei

Que andei sabendo que em algum lugar

Te encontraria

Pois você já era minha e eu sabia

Como a abelha necessita de uma flor

Eu preciso de você e desse amor

Como a terra necessita o sol e a chuva

Eu te preciso

E não vivo um só minuto sem você

Mas eu preciso de você

Porque em toda a minha vida

Nem por uma vez amei alguém assim

Você é tudo e muito mais do que eu

Sonhei pra mim

E é por isso que eu preciso de você..."

Ao final também foi aplaudida, aliás, mais do que aplaudida, foi quase ovacionada. Débora sorria abraçada à sua namoradinha, entendendo perfeitamente o que se passava com sua querida amiga. Emma, elegantemente, levantou-se de onde estava e caminhou até Regina, sem desviar os olhos dela, em momento algum. Regina também mantinha seus olhos fixos nos de Emma tendo um brilho de emoção refletido no olhar.

Emma sentou-se novamente em frente a Regina, sem pronunciar palavras, e tomou sua mão suavemente levando-a aos lábios. O ósculo delicado e quente fez com que Regina estremecesse por inteiro e uma sensação de calor lhe invadisse o corpo. Por instantes teve a impressão de que todos naquele ambiente seriam capazes de ouvir os batimentos de seu coração. Pressionou a mão que lhe afagava trazendo-a para junto de seus lábios e retribuiu o beijo, afagando em seguida a mão de Emma com a sua face. Regin com a voz embargada pela emoção perguntou:

- Tem certeza?...

- Absoluta.

Fez-se novo silêncio entre elas, e era como se o burburinho à volta houvesse desaparecido. Apenas os olhares se cruzavam e diziam o que milhões de palavras não seriam capazes de proferir. Emma aproximou seus lábios do ouvido de Regina e perguntou baixinho:

- A senhorita gostaria de dançar comigo?

- Sim... gostaria imensamente.

Emma levantou-se e conduziu Regina até o ambiente onde a música lenta e a penumbra convidavam ao abraço. Percebendo a retirada estratégica das duas Débora ainda gritou:

- Desistiram de cantar?

De costas, sem fazer menção de se virar, Emma acenou discretamente para ela, numa clara alusão de que naquele momento o que menos queria era cantar, pelo menos ao microfone, já no ouvido de certa pessoa...

Quando adentraram na pista de dança tocava uma música antiga "Rock and Roll Lullaby". Regina virou-se para Emma aproximando-se lentamente e abraçando-a pelo pescoço. Emma passou os braços ao redor da cintura de Regina puxando-a para bem perto de si, colando seu corpo ao dela. Podia sentir o calor e a pulsação de Regina. Olhavam-se nos olhos e Emma percebeu que jamais havia sentido tamanha emoção. Nunca em sua vida fora tocada com tamanha ternura e intensidade. Sentiu o desejo arder num crescente dentro de si e vagarosamente aproximou seus lábios dos de Regina, que se ofereciam quase que suplicantes por um beijo, alheios a tudo o mais em sua volta.

Os lábios se tocaram de forma branda, as línguas explorando vagarosamente cada canto das bocas sedentas por aquele beijo. Era como se o tempo houvesse parado naquele momento. Emma acariciava as costas de Regina enquanto esta afagava sua nuca, passando-lhe a mão por entre os cabelos . Emma puxava Regina cada vez mais de encontro a si, sentindo cada curva de seu corpo moldar-se ao corpo daquela mulher. Não saberiam dizer por quanto tempo ficaram se tocando, nem tão pouco quanto tempo durara aquele contato de lábios. O que perceberam foi que nenhuma delas jamais havia sentido algo tão intenso. E mais, que tinham necessidade uma da outra, que os corpos ardiam de desejo, que as bocas estavam sedentas de mais beijos, e que elas não queriam mais ficar naquele lugar. Queriam estar a sós.

Foi Emma quem sussurrou ao ouvido de Regina:

- Vamos sair daqui? Eu quero ir para casa.

- Eu também... eu preciso...

- Então vamos sair de fininho, sem que ninguém perceba, senão a Débora faz um escândalo. – disse Emma.

- Não sei não, ela até que estava bem entretida...

- Mas não quero arriscar. – respondeu Emma pegando Reginaa pela mão e saindo pela tangente.