Ao cruzarem a porta de saída Emma falou alguma coisa ao pé do ouvido do porteiro, que assentiu educadamente:- Pedi para ele avisar a aniversariante da nossa saída... mas só daqui a uns vinte minutos disse Emma com um sorriso. A estrada estava deserta e Emma aproveitou para pisar fundo no acelerador. Durante a viagem pouco se falaram, Regina apenas recostou-se no ombro de Emma e afagava seus cabelos e rosto enquanto dirigia. Não se excedeu nas carícias para não atrapalhar Emma e distrair sua atenção da estrada. E só os deuses sabem o esforço que isto lhe custou...Emma estacionou no pátio interno do Hotel Tropical e virou-se para Regina, afagando-lhe carinhosamente a face, contornando seus lábios com a ponta dos dedos. Sem dizer palavras tirou a chave da ignição e abriu sua porta. Regina também desembarcou e seu coração estava acelerado a ponto de senti-lo pulsar na garganta. Emma conduziu Regina pelo pátio interno do hotel, indicando-lhe a entrada principal. Ao passarem pela portaria Ângelo estava de plantão e cumprimentou a hóspede mais assídua daquele estabelecimento, quase sem conseguir disfarçar a expressão de encanto que a figura de Emma naqueles trajes causava a qualquer um:- Boa noite, dona Emma!- Boa noite, Ângelo. – respondeu Emma cordialmente caminhando na direção dos elevadores acompanhada de de entrar no elevador Emma se voltou para o jovem e disse em tom brando, porém resoluto:-Ângelo, eu não quero ser perturbada até segunda ordem, não recebo ligações e não estou para ninguém.- Sim senhora, dona Emma, pode ficar tranqüila. – respondeu o rapaz se virou e abriu a porta do elevador para Valquíria. Angelo olhou para as duas mulheres com uma expressão curiosa, mas logo em seguida tirou seu livro de palavras cruzadas de dentro da gaveta e continuou distraindo-se com seu passatempo predileto, enquanto a madrugada apenas começava para alguns...Emma abriu a porta de sua suíte para Regina e quando esta entrou no quarto, girou a chave na fechadura atrás de si. Voltou-se para Regina e sorriu maliciosamente:- Você quer beber alguma coisa?- Água. – respondeu Regina que estava com a boca foi até o freegobar e serviu um copo de água gelada, estendendo-o para Regina. Esta sorveu dois goles de água e depositou o copo na cômoda ao lado da porta. Lentamente aproximou-se de Emma que a observava parada, imóvel. Regina tocou as mãos de Emma com as suas, fazendo com que entrelaçassem as mãos. Emma puxou Regina para si abraçando-a com volúpia. Naquele momento elas não conseguiram mais conter o turbilhão de sentimentos que ficaram abafados já há algum tempo. Como se fossem lavas incandescentes numa explosão incontida do seio da montanha elas deixaram aflorar cada gota daquele desejo de se se deu conta de que havia muita roupa entre elas e num movimento delicado levantou e tirou a blusa de Regina, puxando-a sobre seus ombros. Fitou o colo arredondado e beijou os seios pequenos, afastando com os dentes as rendas do sutiã. Regina, na ânsia de ser tocada, tratou de desprender seu sutiã, deixando seus seios à mostra, para deleite de Emma. Em seguida, com delicadeza, Regina puxou o fecho do macacão de Emma, baixando a parte de cima e deixando exposto o torso nu. Mergulhou na maciez daqueles seios de mamilos rijos de excitação. Num movimento ágil Emma livrou-se do macacão tirando junto a calcinha de preta que vestia e a sandália prateada. Regina deu um passo para trás e contemplou-a totalmente desnuda, linda. Sensualmente jogou suas sandálias para o lado e abriu seu zíper, num convite explícito à Emma para que a ajudasse a se livrar daquele fardo. E Emma não se fez de rogada. Aproximou-se e baixou a calça e a calcinha, ajoelhando-se a seus pés e fitando-a de baixo para cima. Jamais a imagem de uma mulher despida a fascinara tanto quanto aquela. Levantou-se e abraçou Regina, sentindo a suave textura da pele nua. Os corpos se moldavam um ao outro, as mãos exploravam cada parte ainda desconhecida para a outra. Emma suspendeu Regina do chão num abraço, fazendo com que ela entrelaçasse as pernas ao redor de seu corpo. Caminhou até a cama e sentou-se na beirada, puxando Regina para cima de si. Sentia a umidade deRegina escorrendo de encontro a seu sexo, também encharcado de excitação, com a pulsação tão acelerada e forte que chegava a doer. Beijou os cabelos de Regina, sua boca, seu pescoço, seu colo, posicionando seu sexo de encontro à sua coxa. Regina iniciou um movimento de quadril deixando rastros na perna de Emma. Esta também acompanhava os movimentos de Regina lhe penetrando suavemente, aumentando a intensidade conforme aumentavam os gemidos de sua amante. Transbordando de excitação levou sua boca abrindo caminho por entre o sexo da morena e encontrando o ponto sensível do prazer de sua amada. Regina gemeu alto e arqueou seu corpo, fazendo pressão na boca de Emma que deliciava-se com o ato de dar prazer àquela mulher. Num ímpeto Regina virou se levou seus labios até o sexo de Emma que abria suas pernas oferecendo-se por inteiro, incondicionalmente. Dessa vez foi Emma quem não conseguiu conter um grito de puro êxtase. Em golpes de volúpia sussurrou ao ouvido de Regina:- Re... ããhhhããa... eu te... amo...- Eu... eu também, meu amor... eu te amo... eu te quero... toda...Sem conseguirem mais conter o ápice do prazer, explodiram quase que ao mesmo tempo num orgasmo pleno de um sentimento de completude, como se formassem, naquele momento, um único uma nos braços da outra sentindo-se no paraíso. Era como se os corpos fossem feitos de elementos etéreos, sentiam-se flutuar. Continuavam acariciando-se amorosamente. Regina levantou os olhos para encarar Fernanda. O verde encantou-se com o mel.- Eu te amo... – disse Regina.- Eu também te amo... – respondeu Emma beijando suavemente os lábios de sua os beijos se tornaram mais ardentes e os corpos se acenderam na chama do desejo e da excitação. Amaram-se até quase o nascer do sol e adormeceram abraçadas, com um sentimento de plenitude... e manhã Emma acordou com Regina aninhada em seus braços, dormindo com a cabeça repousada sobre seu peito. Muito delicadamente afagou os cabelos tomando cuidado para não despertar Regina de seu sono. Fechou os olhos, respirou fundo e suspirou feliz. Mentalmente fez uma retrospectiva de toda sua vida, de todas as suas convicções e objetivos até então. Era engraçado, porque a partir do momento em que fizera amor com Regina sua visão de mundo e suas perspectivas em relação ao futuro mudaram radicalmente. Assim como uma fênix que renasce das cinzas com um novo espírito, rompendo a barreira da vida e da morte, a Emma ávida de liberdade dera lugar à Emma sedenta de um porto seguro para atracar. E esse porto tinha endereço certo, e lindos cor de mel. Sentindo o calor do corpo nu de Regina junto ao seu percebeu que necessitava daquele contato para sempre para continuar vivendo, como se fosse ar e água, alimento e ós algum tempo, pressentindo o despertar de Emma, Regina abriu os olhos e sorriu para a mulher amada, o sorriso mais encantador que já tinha esboçado até então:- Bom dia, meu amor... – disse com voz respondeu com um sorriso e um beijo.- Ótimo dia... – disse Emma com um olhar aconchegou-se mais junto ao corpo de Regina, como se quisesse fundi-las numa só. Muito provavelmente porque não queria se afastar dali. Num lampejo porém, Regina também tomou consciência da realidade e suspirou de encontro ao peito de Emma.- Qual o motivo desse suspiro? – quis saber ós um breve silêncio Regina respondeu, encarando Emma nos olhos:- E agora?Emma afagou seu rosto. Havia entendido muito bem o sentido da pergunta e respondeu:- Eu te amo como nunca amei ninguém na vida...- Eu também...- ... e nada vai separar a gente agora. Eu prometo. Confia em abraçou Emma com força e esta última continuou:- Hoje eu preciso pensar... colocar alguma ordem na minha cabeça e na minha vida... nas nossas vidas. À noite a gente janta e conversa. Agora eu quero mais um beijo... muitos beijos... e tudo o mais que eu tenho direito... – disse Emma girando Regina e deitando-se sobre ela.- Escuta... tu não tem que trabalhar hoje? Eu só começo amanhã... – disse Regina quase sufocada pelos beijos de Emma.- Depois... agora... eu quero você... – e foi beijando o pescoço, o colo, os seios de Regina que já se abria para as carícias e os toques da mulher que amava. Ficaram na cama até quase meio dia, até que Regina reclamou:- Tu queres me matar de esgotamento e de fome? Me usa, abusa e não me dá de comer? Sabe que até aos escravos não se nega comida? – disse em tom de percebeu que também estava faminta.- Meu Deus! Como pude ser tão cruel com quem me proporcionou o maior deleite que já saboreei na vida? Mil perdões! Tentarei me redimir agora, já. – disse Emma teatralmente levando a mão até o telefone e ligando para a portaria.- Por favor, café da manhã para duas pessoas no meu quarto. – pediu Emma – Eu sei, eu sei que já está na hora do almoço, mas eu quero café. E completo, por favor. E logo.- Emma, eu não acredito que tu pediu café pra nós duas aqui no hotel?... – disse Regina.- E você pensou que eu pediria aonde? Na bodega da esquina?- Mas, Emma, o que é que os funcionários vão pensar?- Que eu sou uma mulher de sorte... – respondeu Emma com um ar malicioso.- Emma!- Eu não me importo com o que os outros pensam, nunca me importei e não vai ser agora. Aqui eu sou hóspede, pago e quero ser bem atendida, e pronto. E eu não estou aqui para que pensem sobre mim, estou aqui porque me é conveniente, e para que atendam às minhas necessidades. E agora eu necessito urgentemente de um café, porque certa pessoa me lembrou que eu estou morta de fome!- Pois essa certa pessoa também está morrendo de fome! – respondeu Regina sapecando muitos beijos no rosto de menos de quinze minutos ouviram uma batida discreta na porta:- Dona Emma, seu café da manhã.- Pode deixar aí que eu já pego. – respondeu Emma enquanto colocava um roupão de seda para esconder sua abrir a porta o funcionário entrava no elevador e acenou discretamente para ela. Emma puxou o carrinho para dentro do quarto e os olhos de Regina brilharam de felicidade. Elas comeram até se saciar. Terminando a refeição Emmaa suspirou:- Pois é... eu tenho que ir até a loja. Acabou-se a minha vidinha folgada da semana passada...- E eu tenho que pegar a Ju. A Dona Eda já deve estar preocupada.- Não deve não... – brincou Emma – ela sabe que eu te cuido direitinho...- Emma! Faz favor!Emma gargalhou e abraçou Regina. Beijou-lhe os lábios e antes que as carícias se excedessem afastou-se dela:- Eu vou tomar um banho. E acho que você devia fazer a mesma coisa. Mas depois de mim, senão eu não vou pra loja!- E nem eu pra casa...- Aliás, na saída vê se compra um limãozinho e chupa antes de entrar em casa... – disse Emma.- Pra que?- Pra tirar esse teu ar de satisfação da cara! Todos vão perceber que você provou desse néctar aqui... – respondeu Emma apontando para si mesma.- Palhaça! – disse Regina sorrindo e arremessando um travesseiro em Emma que se esquivou e entrou no Emma saiu do box Regina entrou. Ao terminar seu banho percebeu que Emma estava quase pronta. Rapidamente se vestiu, pois queria descer com juntas até a loja e antes de entrar Emma disse:- Me espera de noite, eu passo na tua casa, aí aproveito pra dar um beijinho na jujuba.- Eu te espero pra jantar.- Tá. E, Regina... pede pra Dona Eda ficar com a Ju de novo nesta noite... a gente precisa conversar.- Emma..- Eu tô falando sério. A gente precisa conversar.- Tá bom. Eu vou morrer de saudades.- Eu também... eu também – respondeu Emma inclinando-se e dando um beijo respeitoso na testa de Regina. Em seguida entrou na foi para casa, pegou Juliana e aproveitou a tarde para descansar. Estava exaurida da noite de amor. Exausta, mas feliz, muito feliz. Na verdade nunca sentira tamanha felicidade na vida. Porém estava preocupada com o rumo que tomaria a sua vida, e com a conversa que teria com Emma. Estava confusa, mas as palavras de Emma soavam como um bálsamo em seus ouvidos: "eu te amo... confia em mim".Naquela terça-feira Emma tratou de encaminhar as pendências da loja. Realmente ela era indispensável para que tudo funcionasse como uma engrenagem. Apesar de seu esforço em manter sua atenção exclusivamente nos assuntos do trabalho, pelo menos naquela tarde, inúmeras vezes seu pensamento se desviava para a noite de amor que tivera com Regina, e o que aquela mulher significava para ela. Mais ainda, seu pensamento estava voltado para o futuro, para tudo aquilo a que estava disposta a transformar em sua vida. Percebendo que seu trabalho não estava mais rendendo o que deveria deu-se por vencida, sucumbindo à sua mente que fervilhava como o turbilhão de uma cachoeira em época de enchente, pegou sua bolsa e retornou para o hotel por volta das dezoito entrar em seu quarto ainda sentiu o suave perfume de Regina, seu cheiro havia se arraigado na roupa de cama, nas paredes, nos quatro cantos do aposento. Emma respirou fundo, tirou a roupa e tomou um banho. Deixou a água escorrer por sobre seu corpo da cabeça aos pés, como que tentando lavar todas as suas dúvidas e seus medos, clarear suas idéias e ordenar os pensamentos. Após o banho serviu-se de uma dose de whisky com gelo e sentou-se na sacada de seu quarto, olhando para a paisagem da rua, porém sem enxergar o que quer que fosse. Fechou os olhos e ficou naquele estado meditativo por quase uma hora. Por fim levantou-se determinada. Vestiu-se e deixou o Hotel rumo à casa de Regina. Fez o trajeto a pé. Há duas quadras do hotel havia uma floricultura, na qual Emma comprou um buquê de rosas vermelhas. Mais adiante passou num armazém e comprou uma caixa de bombons para preparou o jantar com antecedência. Estava ansiosa esperando por Emma. Vez por outra seus medos afloravam e sentia-se como que acordando de um sonho. "Não..." pensava, "Emma não poderia querer nada mais sério com ela. Emma era uma mulher cuja realidade e os projetos de vida eram muito diferentes dos dela. Não se prenderia numa relação onde havia uma criança envolvida, era muito compromisso...". No entanto esses pensamentos eram afastados instantaneamente de sua mente cada vez que recordava o olhar de Emma e o modo como se amaram naquela noite. Além do mais ela lhe dissera: "confie em mim".Regina estava tão absorta em seus pensamentos que por mais de duas vezes Juliana a trouxe de volta à realidade:- Mãe... MÃE!- O que é menina? – respondeu Regina.- No que é que tu tá pensando?- Nada... nada de mais, porque?- Porque eu tô te chamando a horas e tu não ouve.- O que é que tu queres?- Quero saber se a Emma vem aqui hoje.- Vem, querida, ela vem jantar conosco.- Uêêêba! – vibrou Juliana.- Ju, depois do jantar eu gostaria que tu fosses para a casa da Dona Eda.- Por que? Eu quero ficar com a Emma!- Olha só... a Emma e eu precisamos conversar sobre um assunto bem sério.- Mas eu juro que não atrapalho!- Não é uma questão de atrapalhar, Ju. É que existem assuntos que são de adultos, entende?- Não, não entendo.- Juliana.. é importante para mim. Por favor... alem do quê, tu vais ter tempo de curtir a Emma, acho que ela vem cedo.- Tá bom. Mas amanhã eu posso ir na loja?- Se ela concordar, pode.- Tá bem, então. É que eu adoro ela, mãe...- Eu sei querida, eu momento Pipoca latiu contente e abanou o rabo na direção da porta de entrada. Emma já havia entrado pelo portão e limpava os pés no capacho da porta da frente.- Ô de casa! – gritou disparou para recebe-la, atirando-se em seus braços. Emma ergueu a menina num abraço, cuidando para não desfolhar o buquê que trazia para Regina.- Eu tava morrendo de saudades! – disse a menina.- Eu também, garota. E a tua mãe, cadê?- Na cozinha, terminando a janta.- Olha o que eu trouxe pra você. – disse Emma estendo os bombons para Juliana que sorriu de orelha a orelha.- Obrigada!... – respondeu Juliana - ...as flores são pra minha mãe, né?- Sã pegou Emma pela mão e a arrastou até a cozinha.- MÃE... OLHA QUEM CHEGOU!Quando Regina e Emma se olharam de frente quase não conseguiram disfarçar toda vontade que sentiram de se jogar uma nos braços da outra. Emma estendeu-lhe as flores:- Pra você...- São lindas... – respondeu Regina. – Deixa eu colocar num vaso...- Mãe, eu tô com fome! – disse Ju.- Eu também! – emendou Emma.- Muito bem, a comida está pronta. Será que as duas famintas poderiam pôr a mesa?- Claro! – responderam as num clima animado. Juliana estava radiante com a presença de Emma. Em sua inocência não percebeu o tênue clima de tensão que pairava no ar. Emma estava inquieta, queria dizer a Regina tudo o que havia, durante horas a fio naquela tarde, definido como prioridade em sua vida. Por volta de dez horas da noite Dona Eda bateu na porta:- Com licença... boa noite! Eu vim buscar uma menininha para dormir comigo lá em casa! – disse a velha senhora amigavelmente – Esta noite o Arno volta tarde, ele foi jogar bolão no clube e eu preciso de companhia.- Eu vou pegar o meu pijama – respondeu Juliana – e o minutos Ju estava pronta e se despediu de Emma:- Amanhã eu posso ir na loja te ver?- Pode, querida, claro que pode. – respondeu Emma dando um beijo em Juliana – Eu vou ficar te esperando. A gente pode comer um sorvete, combinado?- Combinado!- Até amanhã, então.- Até amanhã! – respondeu a menina saindo de mãos dadas com Dona Eda e arrastando Emilio embaixo do braç alguns segundos Regina foi até a porta e girou a chave na fechadura. Não queria ser surpreendida no que estava prestes a fazer. Sem conseguir mais controlar sua emoção atirou-se nos braços de Emma que a envolveu num ardente e apaixonado abraço, procurando desesperadamente saciar a sede de beijos naqueles lábios macios e quentes que lhe sorriam convidativos. Com as respirações ofegantes beijaram-se com paixão, os lábios querendo sugar a essência da alma de cada uma. Após um tempo conseguiram separar as bocas.- Eu quase morri de saudades... – disse Emma apaixonadamente.- E eu? Eu tive que esperar as horas se arrastarem... – respondeu Regina.- Re.. a gente precisa conversar...Regina afastou-se de Emma. Respirou fundo e disse:- É... precisamos. Olha, Emma, eu... eu não quero que tu mudes a tua vida, a tua rotina, os teus conceitos por mim...- Re, deixa eu começar. Por favor.- Tá. – respondeu Regina sentando-se no sofá e colocando as mãos sobre o colo, preparando-se para sentou-se na poltrona em frente e começou a falar, olhando Regina bem dentro dos olhos.- Desde hoje de manhã o que eu mais fiz foi pensar... Aliás, eu só faço pensar já há um bom , calada, prestava atenção em cada palavra que Emma proferia.- Desde que eu te vi pela primeira vez naquele hospital, quando acordei e vi os mais belos olhos existentes no mundo, eu percebi que minha vida nunca mais seria a mesma. Depois eu conheci a Juliana... e conheci verdadeiramente você. E a cada dia que passava eu te admirava mais. E o que era encanto e fascinação se transformou em amor. Um amor que eu jamais imaginei ser possível de sentir. Antes de te conhecer eu tinha um modo de ver a vida, hoje eu tenho outro, bem diferente. Na verdade eu acho que sempre alardeei aos quatro ventos minha convicção de que sendo livre e solta eu era feliz porque eu nunca havia conhecido a verdadeira felicidade até então. E quando falo em felicidade me refiro a um estado de espírito onde o que menos importa é o "eu", e o que mais importa é o "nós". E isso quem me ensinou foi você. Apesar de ter nascido numa família abençoada, de nunca ter passado por nenhuma privação material, sempre ter batalhado por meus ideais até consegui-los, eu nunca havia me sentido plena. E é assim que eu me sinto agora. É assim que eu me sinto com você. E isso me assustou muito a princípio. – Emma respirou fundo, tomando fôlego e continuou – Quando a gente foi para a praia eu me deparei com um sentimento que há muito eu havia esquecido. Eu me peguei com vontade de ter um lar. Não somente uma casa, mas um lar. Ter alguém me esperando no final do dia, alguém para tomar café da manhã comigo, alguém para conversar antes de dormir... E eu percebi que é isso que faz com que as pessoas tenham ânimo para continuar vivendo. A gente precisa ter um lugar para voltar no final do dia, um lugar onde a gente encontre o amor e o aconchego. E, Re... esse lugar, o meu lugar, é contigo. E é por isso que eu preciso saber, Re, se você está disposta a ser o meu porto seguro, assim como eu quero ser o teu. Eu quero uma família, uma família completa, uma mulher, uma filha e uma cachorra... – Emma saiu de onde estava sentava e ajoelhou-se aos pés de Regina, segurando-lhe as mãos entre as suas e olhando-a nos olhos - ...eu quero que você me diga: aceita dividir a sua vida comigo?Emma estava com a voz embargada pela emoção. Regina levou suas mãos aos lábios beijando-as delicadamente. Fitando-a nos olhos incrivelmente verdes azulados respondeu com voz suave, mas convicta:- É tudo o que eu quero dessa vida. Eu preciso de ti, Emma... Hoje eu não consigo imaginar a minha vida longe de ti... Eu te amo.- Eu também te amo... muito... mais do que tudo. – Respondeu Emma abraçando-a pela cintura e repousando sua cabeça no colo de Regina.- Mas... eu não sei, eu tenho medo... – titubeou Regina.- Medo? Do que?- De como vai ser a nossa vida... como a gente vai conseguir esconder a nossa relação da Ju..- Como é que é?! – empertigou-se Emma, encarandoRegina com seriedade.- Eu... a gente... o que é que a gente vai dizer pra Ju?... Tu sabe como é criança... criança conta o que acontece em casa... e o que os outros vão dizer?...- Re, - disse Emma levando as mãos aos cabelos - eu não acredito no que eu tô ouvindo. Regina, eu não estou te reconhecendo...Regina baixou a cabeça escondendo o rosto com as mãos sentindo-se angustiada pelas suas dúvidas. Emma respirou fundo e continuou:- Regina, escuta... eu entendo perfeitamente o teu sentimento de querer preservar a nossa relação e, principalmente, a ju. Eu sei que não é fácil criar uma criança... eu sei que não é fácil conviver numa sociedade onde ainda nos consideram anormais ou, o que é pior, doentes. Mas, Regina, eu estou numa fase da minha vida onde o que menos me importa é a opinião alheia, onde o que menos preciso é da aceitação dos "outros", como você disse. Re, eu não quero brincar de casinha, de mamãe-mamãe e filhinha. Eu quero construir um lar. Eu quero uma família, eu quero uma casa. Ou você pensa em continuarmos assim, uma morando aqui e a outra no hotel, e vez por outra nos encontramos para uma trepada?...Regina levantou os olhos para Emma, surpresa pela colocação rude, e exclamou:- Não! Claro que não é só isso!- Então, Re, você vai precisar ter a coragem de encarar nossa vida como ela realmente é. E mais do que isso, assumi-la como ela se apresenta. l... imagina a gente arrumando uma casa pra nós. Como é que vamos explicar pra ju que ela vai ter um quarto e "nós" outro? Você e eu no mesmo quarto, já pensou? Ou nós vamos ter que, durante toda a vida, esperar a juliana pegar no sono para termos algum tipo de contato físico? Nós vamos nos encontrar como criminosas na calada da noite dentro da nossa própria casa? Não, Re, decididamente não é isso que eu quero pra mim! – Emma respirou fundo e continuou – Regina, a gente não constrói uma vida, uma família, que não seja com fundamento na verdade.- Eu sei Emma! Eu sei! – disse Regina com lágrimas escorrendo dos olhos mel. - Eu também acho que uma vida se constrói em cima de verdades. Mas eu só não sei como falar essa verdade para a minha filha! E se ela comentar com alguém, Emma? Tu sabe que o preconceito existe! E a ju vai sofrer com isso! Eu não quero que a minha filha sofra...Emmaenvolveu Regina carinhosamente pelos ombros e disse:- Eu também não quero que a Ju sofra. Mas nós não podemos coloca-la numa redoma de vidro. Com certeza nós vamos encarar uma barra pesada. Mas se vamos ser uma família, a Ju precisa ser a primeira a saber da gente. Ao invés de tentarmos protege-la dos problemas vamos prepara-la emocionalmente para que saiba lidar com eles. Eu sei que vamos enfrentar preconceitos, principalmente a Ju, na escola, no grupo de amigos, pois eu sei que realmente crianças comentam o que se passa em casa. Mas nós vamos estar junto com ela para que ela se dê conta de que é possível sobreviver a contratempos, a preconceitos, a chacotas... que o importante é ter quem se ama ao nosso lado. E isto ela certamente terá! Na verdade este é o preço que se paga por ter uma família diferente. Mas que não deixa de ser uma família... uma família capaz de amá-la imensamente e de defende-la frente a quaisquer dificuldades.- Tu tens razão, Emma. Toda a razão. Na verdade eu acho que quem tem medo de enfrentamentos sou eu... a Ju tira de letra...- Mas para isso eu estou aqui, meu amor. Você não acha que vale a pena tentar? Vamos nos dar uma chance de sermos felizes? E dar à Juliana a chance de participar dessa nossa felicidade?Regina, já mais calma, enxugou as lágrimas de seu rosto e respondeu:- Vamos, vamos alguma forma Emma conseguia transmitir a Regina uma força interior que ela até então desconhecia. Emma fazia com que conseguisse superar seus receios, e ouvindo-a falar suas dúvidas e temores se dissipavam como fumaça diluindo-se no éter. E o que ficava em seu coração era um sentimento de plena confiança de que tudo daria certo.- Emma... eu estou disposta a enfrentar qualquer coisa a teu lado. Qualquer coisa. Mas, e a tua família? O que o teu avô vai dizer ou fazer? E os teus pais?- Regina, eu nunca escondi nada da minha família. Eles simplesmente acham mais fácil não perguntar. Mas eu nunca menti, nem vou mentir. E o meu avô pode até não me aceitar, ou nunca mais querer olhar na minha cara, o que eu acho pouco provável, mas ele vai ser o primeiro lá de casa a ser informado da minha... da nossa decisão.- Bom... nesse caso, Emma, temos que ter uma conversa séria com a minha filha amanhã. – disse Regina.- Nossa filha, a partir de agora somos uma família, lembra? – disse Emma com voz firme. – Mas, até amanhã temos muitas horas para matar as saudades que a longa tarde nos infringiu, concorda?- Plenamente... – respondeu Regina apaixonadamente, capturando os lábios deEmma num beijo.- Huuuummm... você beija bem pra caramba...- Faço o que posso... – respondeu Regina fingindo falsa modéstia.- Convencida.- Quem mandou me abraçou novamente Regina e os beijos se tornaram mais ardentes. Os corpos ávidos por saciarem a vontade de se entregar arfavam a cada toque de mãos e línguas. Os sexos umedecidos pela excitação ardiam como brasas incandescentes. Regina puxou Emma pela mão até o quarto. Fechou a porta atrás de si e jogou Emma sobre a cama, deitando-se sobre ela. Arrancaram as roupas com voracidade e se amaram com paixão e doçura, com volúpia e suavidade. Os corpos suados adormeceram abraçados, numa proximidade onde era impossível distinguir onde terminava uma e começava a outra. A partir daquela noite estavam, de fato, juntas.