No dia seguinte, como sempre, Emma foi a primeira a despertar. Olhou no relógio de cabeceira e viu que já eram sete e meia. Precisava trabalhar. E Regina também, além do quê logo Juliana bateria na porta, a garota acordava cedo como ela.
- Re.. – sussurrou Emma ao ouvido de sua mulher - ...acorda amor, já está na hora de levantar...
- Aaah não... deixa eu dormir mais um pouco...
- Logo a Juliana vai vir para cá.
Regina espreguiçou-se e abraçou o corpo nu de Emma, aconchegando-se nela.
- Huuumm... que coisa boa... – gemeu Regina baixinho.
- O que?
- Te sentir... eu poderia ficar assim o dia todo...
- Ah, sim... e morreríamos de fome, as duas. Vamos lá, dona dorminhoca, hoje é dia de batente. – disse Emma enchendo Regina de beijos.
- Tá bom... teus argumentos me convenceram... – respondeu Regina com a voz pouco convicta, virando-se de lado para deixar Emma levantar.
A vantagem de dormirem numa cama de solteiro era que não havia como se afastarem uma da outra. Haviam passado a noite grudadinhas...
Emma levantou-se e foi direto para o banheiro tomar uma ducha rápida. Vestiu-se e foi para a cozinha adiantar o café enquanto Regina tomava seu banho.
Colocou o leite para ferver e pôs a mesa. Quando Regina apareceu, com um roupão felpudo e a toalha enrolada na cabeça, Emma abraçou pela cintura e a beijou demoradamente, descendo pelo pescoço com mordidinhas, enquanto as mãos ja escorregavam por debaixo do roupão. Ficaram tão distraídas que o leite entornou sobre o fogão. Num pulo Emma desligou o gás.
- Olha só o que dá ficar de safadeza... – disse Regina debochada, sentando no banquinho em frente à mesa.
- Mas eu nunca vou limpar um fogão com tamanha satisfação, certa de que valeu cada gotinha do leite derramado... – respondeu Emma abraçando-a por trás e introduzindo sua mão na abertura frontal do roupão, acariciando-lhe suavemente os seios e beijando-lhe a estremeceu. Emma retirou a mão e sentou-se a seu lado, deixando Regina a recompor-se.
- Mas como você mesmo disse, vamos parar com a safadeza... – falou Emma fazendo-se de difícil.
- Ah, cachorra... isso não se faz...
Ambas tiveram que rir. Regina
a lembrou-se de destrancar a porta da frente e retornou para a mesa. Enquanto tomavam café Emma disse:
- Re, olha só... a gente não vai poder ficar morando aqui...
- Eu não havia pensado nisso, ainda...
- Mas eu sim, aliás eu já te falei que nos últimos tempos eu só penso... Nós vamos precisar de uma casa com, no mínimo, três quartos. A gente precisa de privacidade e a Ju já está na idade de ter o seu próprio espaço. E eu preciso de um escritório em casa, para poder ficar mais tempo perto de vocês.
- Mas, isso vai ficar muito caro.
- Francamente Regina, lá vem você de novo com esse papo de grana. Você sabe que dinheiro não é problema.
- Mas eu não quero ser sustentada por ti. Não é correto.
- E quem disse que eu vou "te sustentar"? Se a gente realmente pretende iniciar uma vida juntas não pode existir esse lance de "teu dinheiro, meu dinheiro". E além do mais você trabalha. Re, não faça com que eu me sinta culpada por minha situação financeira ser diferente da tua.
- Desculpa... tu tens razão.
- Tudo bem. Só o que eu te peço é que não sejas orgulhosa... não comigo. Eu quero construir uma vida com você, Re. Eu quero que tenhamos o melhor, nós e a nossa filha.
- Tu tem razão, já falei... eu sou uma boba mesmo.
- Bom, como eu tava dizendo, pensei em alugar uma casa, acho que vou dar uma olhada nas imobiliárias hoje. Você pode vir comigo?
- Amor, eu hoje começo a trabalhar e não tenho como faltar, senão deixo meus colegas mal.
- Tudo bem, eu vejo quais os imóveis disponíveis e a gente dá uma olhada no sábado de manhã, pode ser?
- Pode.
Regina sorveu um gole do seu café e disse:
- Emma, a gente precisa conversar com a Juliana.
- Eu sei. Pode ser hoje à noite? Eu venho jantar aqui de novo.
- Pode, mas eu acho que hoje a Ju não vai querer dormir na casa da Dona Eda, sabendo que tu vais dormir aqui.
- E quem disse que eu vou dormir aqui?... – brincou Emma.
Regina sorriu:
- Minha intuição... e os bicos dos teus peitos que estão saltando da camiseta só de imaginar este corpinho aqui nas tuas mãos.
- Ai que golpe baixo... – riu Emma.
- Mas falando sério, - continuou Regina- eu conheço o meu eleitorado. Depois da novidade que a gente tem para contar, ela não vai arredar o pé daqui.
- Não faz mal. Ela tem o direito de querer curtir a nossa felicidade. Assim a gente dorme cedo e recupera um pouco da energia usada excessivamente nas últimas duas noites...
- Olha que nesse excesso eu quero mais é me acabar! – gargalhou Regina.
- Ô... nem fale!
Antes de terminarem o café Juliana irrompeu na cozinha e soltou um gritinho de felicidade quando viu Emma:
- Emma! Tu dormiu aqui?
- Dormi. Eu e tua mãe conversamos muito, e ficou tarde. Aí ela me convidou para ficar aqui.
- Aaahh, porque é que vocês não me chamaram?
- Já era tarde, meu amor. – respondeu Regina carinhosamente.
- Vamos fazer assim: - continuou Emma – hoje eu venho de novo para jantar e durmo aqui outra vez, pode ser?
- PODE! Tu vai dormir comigo, na minha cama!
- Olha que eu sou muito grande...
- A gente se aperta que cabe! – respondeu Juliana que sempre tinha uma solução para tudo.
- Tá bom, então, a gente se aperta. – concordou Emma. – Agora eu vou indo porque eu preciso passar no hotel e mudar de roupa.
- Hoje a gente vai tomar sorvete, lembra? – cobrou Juliana.
- Lembro sim – respondeu Emma sorvendo seu último gole de café – pede pra Dona Eda te levar lá no final da tarde que depois eu te trago de volta, ok?
- Ok! – disse Juliana alegremente.
Emma deu um beijinho na testa da menina e um na testa de Regina. Por pouco não a beijou na boca, tamanha sua vontade. Elas se encararam e sorriram em cumplicidade.
A noite enquanto preparava as panelas e lavava as saladas preparava-se psicologicamente para conversar com Juliana. Ensaiava o que falar, mas não conseguia achar palavras adequadas para seu discurso. Decidiu improvisar. Na hora da conversa por certo saberia o que dizer. E assim o fez.
Emma e Juliana chegaram por volta das vinte horas. Após o jantar colocaram os pratos na pia e Juliana pegou o banquinho para alcançar na torneira e lavar a louça, ao que Regina disse:
- Ju, deixa os pratos aí, depois eu lavo.
- Mas eu sempre lavo...
- Meu amor, a gente precisa conversar – disse Regina brandamente – Na sala.
- O que foi que eu fiz?... – perguntou ju, pressentindo a seriedade da conversa no tom de voz da mãe.
- Nada, meu amor, tu não fez nada. É só que a Emma e eu queremos conversar contigo, te contar umas coisas. – continuou Regina.
- Coisas que vocês conversaram ontem?
- É. – respondeu Regina.
Era incrível a capacidade de Juliana em perceber certas situações. Era uma criança bastante perspicaz para sua idade. Juliana deixou a banqueta em baixo da mesa da cozinha e foi para a sala, sentando-se formalmente no sofá.
- Pode falar, mãe.
- Na verdade Juliana não sou só eu que preciso conversar contigo. A Emma também precisa. É que o assunto é o mesmo.
Juliana ficara calada, os olhinhos arregalados, pronta para ouvir o que havia para ser dito.
- Ju, - começou Reginaa – eu sei que tu gosta muito da Emma..
- Gosto mesmo, eu te adoro Emma! – disse a menina sorrindo para Emma.
- Eu também, Ju. – respondeu a loira.
Regina continuou:
- Bom, desde que a gente conheceu a Emma nós fomos ficando cada dia mais amigas. E como você, eu também gosto muito dela, Ju , muito mesmo. E a cada dia que passava eu percebi gostar mais dela ainda. E ela de mim.
- E de mim não?
- Claro que sim, bobinha! – respondeu Emma – mas é que da tua mãe eu gosto de uma forma diferente.
- Como assim? – perguntou Juliana.
Regina respirou fundo e após tomar fôlego continuou:
- Ju a gente tem muitas formas de amar, e tu sabes disso. A gente ama a mãe de uma forma, os amigos e os colegas de outra, os avós de outra, os animais e as plantas de outra e os namorados de outra ainda. Mesmo tudo sendo amor, esse amor se manifesta de forma diferente. Não existe um que seja maior que o outro. Todos são imensos, mas diferentes. Você entende isso?
- Acho que sim.
Regina fez uma pausa, baixou os olhos, como se lhe faltassem palavras. Emma percebeu que ela estava apertando suas mãos nervosamente. Levantou-se e sentou ao lado dela, colocando suas mãos sobre as dela num gesto de segurança e disse:
- Juliana, o que a sua mãe está querendo dizer é que eu e ela... enfim, a gente se gosta de uma forma especial. A gente se ama não só como amigas, a gente se ama como namoradas.
Juliana franziu uma sobrancelha e permaneceu calada. Emma continuou:
- Eu sei que é uma coisa diferente do que costumamos ver na rua, na televisão, na escola. Geralmente os casais que a gente está acostumado a ver são um homem e uma mulher, não é mesmo?
- É. – concordou Juliana.
- Mas existem casais que não são assim. São duas mulheres, ou dois homens. E embora muitas pessoas digam que isso é errado ou feio, de fato não é. Só é diferente. Porque amar nunca é feio, Juliana. Amar sempre é bonito. E a gente se ama muito... muito mesmo... – disse Emma olhando amorosamente para Regina e continuando logo em seguida – E a gente quer formar uma família, morar junto, viver junto.
Nesse momento os olhos de Juliana brilharam.
- Então tu vai vir morar aqui com a gente? – perguntou efusivamente.
- Mais ou menos.
- Como mais ou menos? – quis saber Juliana.
- Aqui a casa é pequena, só tem um quarto...
- Mas a gente divide contigo. Eu não me importo de dormir no chão, tu pode ficar com a minha parte na bicama.
Emma abriu os braços e Juliana se jogou em seu colo abraçando-a carinhosamente.
- Muito obrigada mesmo, Juliana– continuou Emma – mas a gente pensou em alugar uma casa maior, com um pátio maior para a Pipoca, com um quarto só pra você...
- Um quarto só pra mim? – novamente os olhos da menina brilharam – E eu vou poder escolher a cor da minha colcha?
- Vai, meu amor, vai sim.
- E onde é que tu vai dormir? – bisbilhotou Juliana.
- Com a tua mãe, nós vamos ter um quarto nosso. É que os casais precisam ter uma coisa que se chama intimidade.
- Eu sei... vocês vão transar, né?
Regina chegou a se engasgar com a colocação da filha, mas Emma manteve-se impassível e respondeu:
- Vamos. Vamos transar, sim. A propósito, Juliana, você sabe o que é transar?
Juliana a fitou pensativa e respondeu:
- Sei lá! Foi um colega meu que falou que os pais dele transam.
- E ele te explicou como é?
- Não deu tempo, a professora chegou e depois eu esqueci de perguntar.
Emma sorriu e continuou:
- Pois então eu vou te explicar.
Regina permanecia muda e estava rubra até a raiz dos cabelos.
- Ju – disse Emma– quando duas pessoas se amam e resolvem namorar elas querem ficar bem próximas uma da outra. Bem, bem juntinhas mesmo. E elas não querem nada entre elas, nem as roupas. Por isso as pessoas se despem e se abraçam bem forte, como que querendo entrar uma na outra para chegar até o coração. Aí elas se fazem muito carinho, se beijam na boca e ficam agarradinhas por muito tempo. Aí depois adormecem abraçadas, e quando acordam de manhã a primeira coisa que querem ver é o amor dormindo do lado. E os casais querem fazer isso sem ninguém olhando, por isso chamamos de intimidade. Deu pra entender?
- Deu. Então vocês tiveram intimidade ontem, né?...
- Tivemos. – respondeu Emma que tinha a capacidade de não se perturbar com os questionamentos de Juliana, ao contrário de Regina que corava a cada nova pergunta da filha.
- Mas vocês vão casar? Como os outros casais? – continuou Juliana.
- Vamos casar, sim. Embora as outras pessoas ainda não entendem e não aceitam aqueles que são diferentes.
- Se a Re se casasse com um homem eu ia ter um pai, e agora? O que é que tu é minha?
- Tua outra mãe. Você é uma das poucas crianças que vai ter duas mães, ein?
- Isso vai me dar um trabalhão na hora de fazer o cartão pro dia das mães na escola... – conjeturou Juliana
Regina e Emma gargalharam.
- Mas você economiza no cartão do dia dos pais, garota! – disse Emma sorridente.
- É mesmo, pensando por esse lado..emma abraçou Juliana bem forte e disse:
- Eu te amo, sabia, garota levada!
- Eu também te amo... mãe.
Emma havia se mantido senhora da situação até aquele momento, porém Ju sabia como fazer desmoronar aquela fortaleza. Era a primeira vez que alguém a havia chamado de mãe, e aquela palavra soou doce como um bálsamo. Emma abraçou a menina bem junto ao seu peito e respondeu enquanto uma lágrima escorria do canto dos olhos esverdeados e um soluço embargava sua voz:
- Eu também te amo... filha.
Regina também não conseguiu conter as lágrimas e abraçou as duas. Juliana olhou para elas e perguntou serelepe:
- Porque é que tá todo mundo chorando, ein?
- E quem é que tá chorando aqui, garota. Não tá vendo que é um cisco no meu olho? – disse Emma
- Sei... – respondeu Juliana franzindo a sobrancelha.
- Juliana, tem outra coisa... – disse Regina– eu gostaria de conversar com a Dona Eda e o Seu Arno sobre a Emma e eu antes de qualquer pessoa. Por isso eu te peço que não comentes nada com ela ainda. Deixa que eu falo, ok?
- Tá, pode deixar, boca de siri. – respondeu ju fazendo um gesto com a mão como se costurasse a boca.
- Ju, tem mais uma coisa... – disse Emma
- O que?
- ...a gente vai enfrentar uma barra a partir de agora.
- Como assim?
- Ju, quando a gente é diferente dos outros, da maioria, muitas vezes a gente sofre algo chamado preconceito. É quando, por ignorância ou medo, as pessoas julgam os diferentes como errados. E muitas vezes dizem coisas bastante cruéis, coisas que ferem e que magoam. E ter duas mães é algo diferente... E é possível que você escute coisas que não vá gostar, coisas que te façam ficar triste, brava ou até chorar. Você consegue entender isso?
- Acho que sim. Lá na praça tem um menino que usa muletas. Ele é meu amigo, mas ele não consegue correr, nem subir no escorregador. Ele é diferente de todos os meus outros amigos. Mas eu gosto de conversar com ele, ele me empresta os gibis dele. Aí outro dia uns guris ficaram chamando ele de aleijado. Ele chorou. Eu fiquei furiosa e disse pra ele não se importar que eles eram uns chatos. Então, acho que chamar o meu amigo de aleijado é preconceito, né?
- Exatamente, Ju. É isso mesmo. Garota esperta. – disse Emma – E agora, tendo uma família diferente, é pra você que as pessoas dirão palavras rudes e ofensivas. E você precisa ser forte o suficiente para ouvi-las sem se abalar e levantar a cabeça. Você acha que consegue?
- Claro que sim. Se me xingarem eu digo um palavrão bem feio! E viro a cara! E nem ligo! – respondeu Juliana com empáfia.
- Grande garota! – disse Emma beijando a filha.
- E quando é que vocês vão casar? Quando a gente vai se mudar? Quando eu vou poder ter o meu quarto? E a Pipoca vai ganhar uma casinha nova também? A dela tá um horror de velha!
- Juliana! – disse Regina – Calma...
- Mas eu preciso saber, que é pra arrumar as minhas coisas.
Emma e Regina riram muito da menina.
- Vai ser breve – respondeu Emma
a – amanhã mesmo a gente começa a procurar uma casa.
- E eu posso procurar junto?
- Pode. Taí... amanhã a Re não ia poder ir mesmo, então vamos nós. – disse Emma.
- Ôôôbaaa!
- Deus do Céu... – disse Regina – o que me espera com vocês duas sob o mesmo teto...
- Você agradecerá a Deus todos os dias por conviver com pessoas tão despachadas, bonitas, inteligentes, simpáticas e modestas! – respondeu Emma.
Juliana gargalhou.
Sozinhas na sala Regina e Emma se entreolharam:
- E então? Até que nos saímos bem, ein? – disse Regina.
- Pois é. Se bem que esse "nós" fica por tua conta, que quem teve que descascar o abacaxi da transa fui eu! – respondeu Emma fingindo indignação.
Regina sorriu:
- Desculpa, amor, mas aJu realmente me desconcertou. Eu não sabia o que dizer. Tu salvou a pátria.
Emma abraçou Regina e beijou-a nos lábios com doçura.
- Tão tímida... nem parece aquela louca que eu conheço na cama... – provocou Emma
Regina ficou vermelha até a raiz dos cabelos:
- Para com isso, Emma, olha que a Ju pode ouvir.
- Mas é verdade...
Emmanovamente capturou os lábios de Reguna desta vez com avidez.
- Acho bom a gente parar por aqui... afinal hoje temos companhia para dormir, lembra? – disse Regina.
- Tem razão, acho que eu vou tomar um banho frio. Ufa! Vou pegar uma água gelada! Você quer?
Juliana saiu do banho e depois cada uma tomou o seu. Dormiram todas felizes e descansaram depois de um dia cansativo. As mulheres estavam aliviadas de certa forma.
Assim que amanheceu e tomaram o café, trataram de ajeitar algumas coisas e partirem ao trabalho.
Amanha ao meio dia eu venho te pegar na casa da Dona Eda. – disse Emma dirigindo-se à Juliana – A gente almoça e depois vai ver as casas, ok?
- Ok, ok, ok! – respondeu a menina efusivamente.
- Depois eu te trago em casa.
- Mas tu vem para ficar aqui hoje, não vem? – quis saber Regina.
- Huuummm, pode ser. Mas antes que tal a senhora jantar comigo à luz de velas no hotel? – perguntou Emmaa olhando Regina nos olhos.
- Íííí... vai faltar luz hoje, é? – disJuliana
- Não, não vai faltar luz não... – respondeu Regina - ...só que a gente vai jantar namorando.
- Mas porque não jantam namorando com a luz acesa? – quis saber Juliana.
Emma e Regina se entreolharam sorridentes e a primeira respondeu:
- Coisas de casal...
- Aaaah... Então eu não vou poder ir junto, né?
- Hoje não. – respondeu Emma – Hoje o jantar é para as tuas mães. Mas depois a gente te pega na Dona Eda e vem dormir aqui, tá?
- Tá bom.
- Ju. – disse Regina – tu lembra que eu te pedi pra não falar nada pra Dona Eda e pro Seu Arno da gente, lembra?
- Lembro sim.
- Eu te peço de novo. Deixa que eu falo com eles, certo? Por enquanto esse assunto é segredo só nosso, só entre nós três, combinado?
- Combinado! Eu adooooro segredos! – respondeu Juliana
- Que bom! – suspirou Emma levantando-se.
Regina foi leva-la até a porta enquanto Ju terminava seu café. Em frente à porta de saída Regina abraçou Emma e beijou-lhe os lábios amorosamente.
- Vai tranquilo, amor.
- Obrigada. – respondeu Emma.
- Tu me espera aqui quando trouxeres a Ju ou quer que eu vá para o hotel depois? – perguntou Regina.
- Eu te pego na saída do teu plantão. Te trago aqui para trocares de roupa e aí a gente vai jantar. E comer a sobremesa... – disse Emma no ouvido de Regina, maliciosamente.
- Huuumm, algo me diz que eu vou adorar esse jantar...
Já era quase uma hora da tarde quando Emma pegou Juliana e foram almoçar no restaurante da praça central.
- Me desculpe o atraso, Ju – justificou-se Emma– mas é que eu tive de resolver uns problemas na loja.
- Tudo bem. Mas eu tô morta de fome!
- Então vamos comer logo!
Depois do almoço sentaram um pouco num banco da praça onde uma imensa árvore projetava sua sombra aconchegante e convidativa ao descanso. Juliana estava bastante falante e feliz. Não cansava de fazer planos e falar da casa nova. Após as duas horas começaram a visitar algumas casas, acompanhados por corretores de móveis de duas imobiliárias locais. Visitaram sete casas dentro do que Emma propusera aos corretores. Acabaram se encantando por uma distante cerca de cinco quadras da praça central. Ampla, três quartos além da suíte, cozinha espaçosa, dependência de empregada, sala com dois ambientes, garagem para dois carros, pátio frontal com um gramado impecável e pátio nos fundos com um pequeno pomar e espaço suficiente paraJuliana brincar e correr livremente, além de instalar uma casinha nova para Pipoca. A propriedade era toda murada e tinha porteiro eletrônico tanto no portão de acesso quanto na porta da garagem. Era perfeita para elas.
Antes das dezoito horas Emma levou Ju até a casa de Dona Eda, ficando de retornar após o jantar. Passou na loja rapidamente e foi para o Hotel tomar um banho e mudar de roupa. Quando faltavam cinco minutos para as dezenove horas pegou o gol branco do Magazine Libanês e plantou-se em frente ao hospital, aguardando a saída de Regina. Sabia que sempre demorava um pouco em virtude da troca de plantão. Quando Regina saiu, seus olhos procuravam por Emma e ao avistarem o carro conhecido sorriram como em sua direção com sensualidade no andar. Emma respirou fundo e agradeceu aos céus por aquela deusa pertencer a ela.
- A moça está sozinha?... – provocou Regina debruçando-se na janela do carro, deixando Emma poucos centímetros de seu peito, cujas curvas suaves ficaram expostas no decote de sua blusa que tinha os dois primeiros botões abertos.
- Olha... até o momento sim. Eu esperava que uma das mulheres que passassem aqui pela calçada se oferecesse para me fazer companhia...
- Qualquer uma?...
- Não. Uma em especial. A mais linda de todas as mulheres dessa galáxia...
- Bom, então vou indo porque não sou eu! – respondeu Regina virando-se e fingindo ir embora.
Emma num pulo abriu a porta do carro e segurou-a pelo braço:
- Eu não costumo me enganar facilmente, mocinha... eu sei bem a deusa que se esconde embaixo desse uniforme branco! – respondeu abraçando-a afetuosamente.
- Emma! Eu tô na frente do meu serviço! Pode ter gente conhecida olhando!
- E daí? Que se acostumem... E eu nem te dei beijo na boca! – provocou a loira.
- Emma! Faz favor! – disse Regina ruborizada.
Emma gargalhou e soltou sua presa. Regina fez a volta e entrou no carro.
- Eu adoro te ver vermelhinha, sabia? – brincou Emma.
- Imaginava!
- Prometo me comportar mais da próxima vez! – disse Emma em tom teatral – É só não me provocar...
- Tá bom... – riu-se Regina.
Em casa Regina tomou uma ducha rápida e mudou de roupa. Antes das vinte horas instalaram-se numa mesa no restaurante do Hotel Tropical. Tanto Emma quanto Regina estavam deslumbrantes. Vestidas com simplicidade, mas com a aura luminosa dos apaixonados que transforma simples seres humanos em deuses. Não conseguiam disfarçar o encantamento mútuo e qualquer pessoa que as observasse mais amiúde seria capaz de perceber o que se passava. Eram só sorrisos.
- Nós visitamos sete casas hoje à tarde, mas gostamos realmente de uma, aqui perto da praça. – disse Emma entre uma garfada e outra – vamos vê-la no sábado de manhã?
- Pode ser – respondeu Regina com entusiasmo – estou curiosa para vê-la.
- Eu acho que você vai gostar. A Ju adorou! Na verdade eu também. Aquela casa tem a nossa cara! É uma casa relativamente nova. Está em estado impecável, não precisa de reformas, é só mobiliar e pronto! Os donos foram morar no exterior com um dos filhos e não quiseram se desfazer do imóvel.
- Eu imagino a agitação da Juliana. Ela não te incomodou muito?
- Não. A Ju é uma criança adorável. Ela só tem a disposição de uma criança saudável.
- Pois é... – riu Regina.
- Eu quero me mudar o quanto antes – disse Emma fitando Regina com seriedade – Eu não quero mais ficar longe de você...
Regina sorriu amorosamente e assentiu com a cabeça:
- Nem eu... nem eu.
- Você não tem como tirar uns dias no hospital para tratarmos de mobiliar a casa e fazermos nossa mudança?
- Amor... eu recém tirei uns dias...
- Dá um jeitinho e tira outros... é importante.
- Tá bom, eu vou ver o que posso fazer. De repente peço para antecipar minhas férias.
- Isso! Assim teríamos tempo suficiente.
- Eu vou tentar.
Elas terminaram o jantar, e a bem da verdade nem repararam no cardápio. Estavam muito mais interessadas na sobremesa...
Emma levantou-se e conduziu Regina até seu quarto. Mal fecharam a porta, jogaram-se uma nos braços da outra, numa ânsia de se tocarem e darem vazão àquele turbilhão de sentimento que parecia querer explodir dentro delas. As roupas foram tiradas rapidamente e, abraçadas, jogaram-se sobre a colcha de seda macia. Emma deitou-se sobre Regina e beijou-lhe os lábios e a nuca. Desceu a boca pelo colo suave ao tato e capturou um mamilo entumecido de excitação, sugando-o com delicadeza e passando a língua em seu contorno. Regina gemia deliciando-se com a sensação. Emma passou a sugar os seios de Regina com mais vigor. Em seguida deslizou em direção ao sexo da morena enquanto Regina abria suas pernas oferecendo-se à mulher que amava. No momento em que Emma abocanhou o sexo encharcado de Regina esta contorceu-se e sufocou um grito de prazer. Não conseguindo se conter Regina virou-se com a agilidade de uma pantera e, sem que Emma precisasse parar de suga-la, alcançou o sexo de sua amante com a boca. Ajeitaram-se colando os corpos num 69 maravilhoso. Regina deliciava-se com o gosto de sua mulher e passava a ponta da língua em movimentos circulares na protuberância carnuda que aumentava de tamanho a cada estímulo de sua boca. Emma arqueava o corpo e ambas movimentavam-se em ondulações sobre a seda deslizante. Quando os movimentos se aceleraram ambas explodiram em gozo, permanecendo abraçadas na mesma posição enquanto esperavam que os batimentos cardíacos se normalizassem. Nem bem haviam recuperado o fôlego Regina esgueirou-se sobre Emma e reiniciou os carinhos ousados excitando sua mulher a ponto de faze-la gozar em sua coxa.
Novamente reiniciaram as carícias e a excitação aflorou borbulhante como as águas num manancial entre rochas. Amaram-se até ficarem saciadas e plenas uma da outra. Ainda abraçadas Emma passava a mão pelos cabelos de Regina que encontrava-se em estado de sonolência.
- Amor... – disse Emma baixinho, olhando para o rádio relógio do criado mudo – já são onze e meia... a gente ficou de pegar a Ju hoje.
- Huuum, é mesmo. – respondeu Regina abraçando Emma com mais intensidade. – Eu podia ficar aqui pro resto da vida.
- Mas nós temos uma filha, mãe desnaturada. Só quer saber de sacanagem, é?
Regina olhou-a nos olhos e respondeu com seriedade:
- Não é só sacanagem, não. Eu podia morrer nos teus braços que morreria feliz.
- Meu amor... – disse Emma beijando com suavidade os lábios de Regina - ...mas eu te quero bem viva... e quente...
- Pervertida! – disse Regina dando leves beliscadinhas na barriga de Emma – Vamos lá então, senão a coitada da Dona Eda não dorme hoje.
Tomaram uma ducha rápida e se vestiram. Pegaram Ju e desculparam-se com Dona Eda pelo atraso.
- Tudo bem... – disse a velha senhora – o Arno ainda não veio pra casa mesmo, hoje é dia de jogo de bolão e ele só chega lá pela uma hora.
Regina e Emma se entreolharam com olhar maroto. Uma adivinhou o pensamento da outra: "podíamos ter aproveitado mais um tempinho...".
- Dona Eda, amanhã a senhora vai estar em casa de manhã?
- Vou.
- E o Seu Arno?
- O Arno vai na casa do Schiffmann, eles vão arrumar uma estante.
- Eu poderia passar aqui lá pelas dez horas? Gostaria de conversar com a senhora.
- O que foi que houve, Regina? – perguntou Dona Eda evidenciando preocupação.
- Nada não, nada sério. É só umas coisas que eu queria lhe contar.
- Sobre o que? – Perguntou a velha com curiosidade.
- Amanhã eu conto – sorriu Regina.
Emma pegou Juliana no colo, pois a menina já estava dormindo, e foram para casa. Regina arrumou as camas e colocou Julian na cama de baixo. Ela e Emma se aconchegaram bem e dormiram na cama de cima. Desta vez Pipoca ficou em sua casinha, no quintal, não teve oportunidade de se esgueirar por entre as pernas delas. Na verdade a cachorra dormia tão profundamente que nem viu quando elas chegaram.
- Belo cão de guarda! – ainda brincou Regina.
