No dia seguinte tomaram café juntas. Emma disse que teria de viajar para resolver alguns negócios da loja e teria um jantar com fornecedores. Voltaria muito tarde para Manaus e iria direto para o hotel. Na manhã seguinte, sábado, passaria para pegar Regina e Juliana para mostrar a casa à Regina.

Enquanto terminava seu café, após a saída de Emma, Regina se preparava para conversar com Dona Eda. Deu uma arrumada na casa e pediu para que Juliana ficasse comportada vendo televisão que ela iria até a vizinha para uma conversa séria, e Juliana sabia bem do que se tratava.

Regina cruzou o portão da casa dos vizinhos e respirou fundo. Dona Eda a recebeu afetuosamente.

- Entre, querida, entre.

Regina instalou-se numa poltrona na sala e novamente respirou fundo, tentando ordenar seus pensamentos e escolher palavras adequadas àquela revelação que estava prestes a fazer.

- Quer um cafezinho, Regina?

- Não, obrigada.

- Mas então me diga o que tens pra contar, estou curiosa.

- E o Seu Arno? Saiu mesmo?

- Sim, saiu. Este só volta na hora do almoço!

Regina baixou os olhos, estava nervosa. Dona Eda percebeu sua ansiedade e disse:

- Eu vou buscar um copo de água.

Antes que Regina pudesse dizer qualquer coisa Dona Eda foi até a cozinha e serviu um copo com água gelada, trazendo-o para Regina. Esta sorveu alguns goles e começou a falar:

- Bem, Dona Eda... é que... eu nem sei como começar...

- Quem sabe pelo início?...

- É, quem sabe – sorriu Regina e continuou – Eu sei que a senhora e o Seu Arno gostam muito da Juliana e se acostumaram com a nossa presença aqui ao lado. E a Juliana adora vocês também...

Dona Eda, calada, encarava Regina com uma expressão séria.

- Mas nos últimos tempos aconteceram fatos que mudaram muito a nossa vida, a minha e a de Ju... e a de Emma. – disse Regina parando um pouco para tomar fôlego – nós fomos nos conhecendo melhor, ficando mais amigas, cada vez mais. Eu não tenho ninguém, além de Juliana e vocês, é claro. A Emma também está longe da família, então isso acabou nos aproximando... e a gente decidiu... bem, decidimos morar juntas.

A velha senhora continuava calada, somente escutando o que Regina tinha a dizer. Não queria interrompe-la para não interferir na sua linha de raciocínio.

- Então, Dona Eda, a Emma e eu decidimos alugar uma casa, uma casa maior... Mas pode ficar tranqüila que vai ser aqui por perto, e Juliana vai vir vê-los todos os dias, e sempre que for preciso ela ficará aqui com vocês... enfim, não queremos mudar essa relação que Ju tem com vocês. Só vamos mudar de casa.

Regina calou-se. Após alguns instantes Dona Eda disse:

- Regina, minha filha, eu não posso dizer que não estou surpresa... afinal eu e o Arno já estamos acostumados com vocês. Vamos sentir muita falta dessa proximidade. Mas eu sei que a gente não tem o direito de querer governar a vida dos outros. Eu quero que vocês sejam felizes. E a Emma é uma ótima moça, e tem demonstrado ser uma grande amiga, e a Juliana gosta muito dela. Acho que vai ser bom morar com uma amiga.

- Dona Eda, é... – gaguejou Regina – ...é que... tem mais uma coisa. Olha... bem, a Emma e eu... é... eu e a Emma não vamos só morar juntas, nós vamos viver juntas.

- Ué, mas quando se mora junto se vive junto, não é assim?

- Dona Eda, olha só, a senhora não está entendendo, presta atenção: a Emma e eu não nos gostamos só como amigas... a gente se gosta muito mais... nós estamos apaixonadas. E decidimos viver juntas.

Regina percebeu a cor das faces da velha amiga sumirem gradativamente e pensou que ela fosse desmaiar, visto permanecer calada, boquiaberta, olhando para ela.

- Dona Eda! A senhora está passando bem?

- E...estou... – respondeu a mulher recuperando a cor do rosto aos poucos.

- Então, por favor, diga alguma coisa. – pediu Regina.

- Agora sou eu que não tenho o que dizer...

- Dona Eda, o que a Emma e eu sentimos uma pela outra é um sentimento muito bonito, é amor. E nós estamos dispostas a lutar por ele. Nós queremos formar uma família junto com a Juliana. E gostaríamos muito que a senhora e o Seu Arno fizessem parte dela, como fazem hoje.

Dona Eda permanecia calada, como que assimilando cada palavra proferida por Regina, tentando digeri-las e entender o que se passava.

- Pelo amor de Deus, Dona Eda, fale alguma coisa! – pediuRegina com lágrimas no canto dos olhos.

- Regina, eu não consigo entender essa coisa, esse tal de... nem sei dizer o nome...

- Homossexualismo.

- É. Isso pra mim é coisa feia, Regina. Coisa de gente sem-vergonha...

- Não é, Dona Eda. Sem-vergonhice é roubar, é prejudicar os outros, é tentar levar sempre vantagem em tudo, é mentir para tirar proveito próprio! Isso é ser sem-vergonha. Eu não acho que amar uma mulher faz de mim uma pessoa pior do que eu sou... nem melhor. Eu sou a mesma Regina. E vou continuar sendo... Dona Eda, amar não pode ser considerado feio, ou sujo, ou imoral. Amar uma mulher é diferente do que estamos acostumados a ver, mas não é errado. Apesar de todo o preconceito que existe nós resolvemos viver juntas sim, e criar a Juliana com a mesma dignidade com a qual ela seria criada se tivesse um pai e uma mãe, ao invés de duas mães.

Regina tomou mais alguns goles de água. Levantou-se, foi até a cozinha e serviu um copo para a amiga. Alcançou-o sentando-se ao lado dela no sofá.

- Dona Eda, se a senhora não quiser mais falar comigo, ou quiser que eu saia da sua casa amanhã mesmo, eu vou entender...

- Regina, - interrompeu a velha – acho que tu não entendes nada de amizade, nem de família.

Regina calou-se, surpreendida, e Dona Eda continuou:

- Em primeiro lugar, tu dissestes que eu e o Arno somos a tua família, não é mesmo?

- É.

- Pois no meu conceito de família, Regina, as pessoas não podem virar as costas para os parentes no primeiro contratempo. Os pais não devem abandonar os filhos porque eles não são exatamente como gostariam que fossem. E eu te considero como uma filha, Regina. E nós nos conhecemos ha tempo suficiente para dizer que somos amigas, grandes amigas. E amigos também não viram as costas por qualquer besteira.

Regina estava com os olhos marejados de lágrimas, e Dona Eda continuou:

- Eu posso não entender bem esse negócio de uma mulher gostando de outra, de um homem beijando o outro na boca... mas eu entendo de amizade. E tu, Regina, continuas sendo minha amiga, mais do que isso, uma filha, a filha que eu nunca tive. Eu te conheço e sei bem do teu caráter. E embora há menos tempo, também conheço a Emma, e não costumo me enganar com as pessoas, e ela é uma boa moça, tem caráter, é trabalhadora, é gente de bem. Então eu não posso condenar vocês. Eu só preciso me acostumar com a idéia.

Regina abraçou Dona Eda, que retribuiu o carinho afagando os seus cabelos grisalhos.

- Escuta Regina, eu só te peço pra não falares nada pro Arno. Deixa que eu falo. Ele é meio cabeça dura, custa um pouco a entender as coisas. As vezes ele embravece, mas depois de um tempo ele amansa e fica tudo bem. Eu sei como e quando contar as coisas para ele.

- Tudo bem – respondeu Regina enxugando uma lágrima que lhe escorria no canto dos olhos.

- E quando é que vocês pensam em se mudar?

- Logo... ainda não sabemos bem quando, mas será em breve.

- Mas eu é que vou continuar buscando a Juliana na escola! E ela vai dormir aqui em casa algumas noites.

- Claro, minha querida. Eu já disse que não vamos mudar em quase nada a nossa rotina, só vamos morar em outra casa.

- Bom... se é assim... se já está tudo resolvido... sejam felizes.

- Obrigada, Dona Eda, muito obrigada. Agora eu vou indo, o trabalho me espera. Eu vou dizer pra Juliana vir para cá agora. Pedi que ela ficasse em casa enquanto conversávamos.

- A Juliana sabe dessa... mudança?

- Sabe. E sabe o que vai ser diferente na nossa casa nova. Sabe que vai ter, quero dizer, que já tem duas mães.

- Bom... então me manda a pequena. Ah, Regina, pede pra ela não comentar nada com o Arno, está bem.

- Pode deixar.

Regina beijou as faces de Dona Eda e saiu. Explicou para Juliana o que havia conversado com Dona Eda e pediu que mantivessem o "segredo" por mais um tempo. Menos com a Dona Eda, pois ela já estava sabendo de tudo. Juliana comprometeu-se a não comentar nada com ninguém. Regina foi para o serviço.

Quando retornou à noitinha buscou Juliana. Deu janta para a filha e colocou-a na cama. Ficou acordada por um tempo, lendo. Depois recolheu-se, pois sabia que Emma retornaria muito tarde. Estava com sono e precisava acordar cedo no dia seguinte para ver a possível casa nova.

Emma passou o dia em contato com fornecedores e com a transportadora da firma. À noite, após o jantar de negócios na capital voltou para Capital. Quando entrou no quarto do Hotel Tropical o relógio marcava duas e meia da manhã. Pensou em ligar para Regina e dizer boa noite, porém ficou com pena de acorda-la, sabendo que por certo estaria dormindo. Tomou um banho e se deitou, pegando no sono quase que instantaneamente.

O sábado amanheceu com algumas nuvens cinzentas encobrindo o sol. Algumas poças d'água nas ruas indicavam que durante a madrugada havia chovido. A temperatura havia caído um pouco, contrastando com o calor dos últimos dias e a manhã estava propícia para dormir até mais tarde. Emma despertou por volta das oito e meia, muito além do horário que costumava acordar. Realmente havia ficado muito cansada da viagem do dia anterior. Lembrou-se de seu compromisso para aquela manhã e levantou-se num pulo. Antes mesmo de lavar o rosto ligou para a casa de Regina Uma voz sonolenta atendeu:

- Alô...

- Bom dia, eu gostaria de falar com a miss Manaus– brincou Emma.

- A miss Manaus não está... – respondeu Regina entrando na brincadeira – mas serve a primeira princesa?

- Huuum, acho que sim... desde que a primeira princesa seja tão bela e gostosa quanto a rainha.

- Pode ser... isso é uma questão de ponto de vista...

- Então acho que terei de ir pessoalmente até aí para ver com meus próprios olhos... e fazer meus próprios julgamentos...

- Tu tens cinco minutos para chegar até aqui... eu tô morrendo de saudades... – disse Regina com voz melosa.

- Pedindo assim eu vou sair até de pijama. – brincou Emma – Eu também estou morrendo de saudades, minha dorminhoca. Esqueceu que a gente combinou de ver a nossa possível futura casa agora de manhã?

- Ahaaa, mas já amanheceu? – riu-se Regina.

- Se a minha glândula pineal não está desregulada, já. Mas mesmo que não tenha amanhecido, eu preciso te ver, logo...

- Então vem. Vem tomar café com a gente. Pelo barulho de água a Ju já está tomando banho.

- Tô indo então... te amo.

- Eu também te amo... vem logo.

- Beijo.

- Beijo.

Em menos de meia hora Emma chegou na casa de Regina. Foi recebida efusivamente por Juliana, que tinha os cabelos molhados e soltos sobre os ombros.

- Oi Emma! A mãe tá tomando banho.

- Tem café nessa casa para uma faminta?

- Tem sim! O leite já está na leiteira, é só aquecer. E eu já coloquei a mesa. – respondeu Juliana. – A gente vai mostrar a casa pra Re hoje, né?

- Vamos sim.

- Ela tá curiosa. Me disse que tá louquinha pra ver!

- Que bom, espero que ela goste, assim como a gente gostou.

- Eu acho que ela vai adorar!

Nesse meio tempo Regina saiu do banho enrolada numa toalha azul felpuda, tendo uma toalha pequena enrolada nos cabelos, como um turbante. Ao ver Emma seus olhos se iluminaram e foi em sua direção para abraça-la. Emma envolveu pela cintura num abraço forte, apertando-a por longo tempo junto a si. Regina levantou o rosto e deu um beijo nos lábios de Emma.

- Aaaaiii que saudades que eu tava! – disse Regina.

- Só você? Eu quase morri de saudades, sabia?

- Huuum, quanto trelelê... – debochou Juliana.

- Deixa de ser metida, garota – disse Emma fingindo indignação.

Juliana riu.

- Vem aqui vem, - disse Regina puxando Emma pela mão na direção do quarto – Juliana, acaba de colocar a mesa, a gente já vem.

- Tá booom!

Quando elas entraram no quarto Regina fechou a porta enquanto Emma a envolvia novamente pela cintura, desta vez beijando sua boca com paixão e avidez. Emma acariciou a pele fresca de Regina, recém perfumada pelo óleo após o banho que costumava usar. Abraçaram-se com força, como que tentando dissipar a falta que sentiram uma da outra na noite que passou. Após alguns momentos Regina tentava se recompor:

- Para com isso mulher... a Juliana está esperando a gente pra tomar café.

- A minha fome é outra – respondeu Emma beijando Regina na nuca.

- A minha também... mas agora vamos ter que nos contentar com café mesmo – respondeu Regina afastando-se um pouco e deixando cair a toalha que a envolvia – Eu preciso me vestir.

Emma contemplou o corpo nu de Regina e sentiu o seu acender-se como uma pira. Jogou-se para trás, sentando-se na cama, fazendo uma força sobre humana e resistindo à tentação de deliciar-se naquele corpo:

- Isso... muito bem... mostra um banquete para quem está morrendo de fome... – brincou Emma.

- Mais tarde eu te dou esse menu completinho, com direito à rodízio de sobremesas, ok?

- Tenha certeza que eu vou cobrar essa promessa. – disse Emma com a voz embargada pela luxúria.

Levantou-se e saiu do quarto sem tocar em Regina, pois se o fizesse certamente Juliana tomaria seu café sozinha...

Na cozinha Juliana esperava sentadinha na mesa.

- Até que enfim, ein! – disse Ju – Eu tô com fome.

- Como assim, "até que enfim"?...

- Pensei que vocês iam ficar até amanhã lá no quarto.

- Não seja exagerada, nós só ficamos conversando uns cinco minutinhos. – disse Emma – é a enrolada da tua mãe que custa a escolher uma roupa para vestir.

- Tá...

Nisto Regina entrou na cozinha:

- Posso saber qual é o assunto que vocês estão conversando?

- É sobre a demora de vocês no quarto – respondeu Juliana.

- Ju! Não seja abusada. – disse Regina.

- Eu já falei pra ela... – disse Emma – que é você que ficou enrolando para escolher a roupa!

- Aaah éééé?... – disse Regina olhando para Emma com ar de contrariedade, colocando as mãos na cintura.

- É. – respondeu Emma, com a cara mais deslavada possível.

Regina foi obrigada a rir. Serviu o café para elas e logo em seguida foram ver a casa.

Conforme a expectativa de Juliana e Emma, Regina adorou a casa. Encantou-se com a propriedade e combinaram de fazer a mudança tão logo fosse possível. Regina contou para Emma que havia conseguido antecipar suas férias, que seriam a partir da próxima quarta-feira. Porém teria que trabalhar direto nos próximos quatro dias, não teria folga no domingo. Emma combinou que Ju passaria a tarde de sábado e o domingo com ela. Naquela tarde começou a escolher os móveis para o quarto de Ju.

No domingo à noite Juliana ficou com Dona Eda, e Emma e Regina dormiram no hotel. Estavam ansiosas para matar as saudades e se amaram até quase de manhã.

Na segunda-feira Regina fez plantão à noite, além de sua tarde normal de trabalho, e na terça-feira Emma dormiu na casa delas.

Enfim chegou a quarta-feira e Regina estava finalmente de férias.

Na quarta-feira pela manhã quando Regina abriu os olhos sentiu um aroma agradável de café recém passado. Olhou no relógio e já eram nove e meia. Estava sozinha no quarto. Tanto Emma quanto Juliana já haviam levantado." Emma já deve ter ido para a loja", pensou, "e Ju deve estar brincando no pátio", "huuuumm, mas e esse cheirinho de café?..."

Espreguiçou-se demoradamente, feliz por estar de férias, feliz por Emma haver entrado em sua vida, feliz por estar de mudança para uma casa nova com a mulher que amava, feliz por sua filha estar feliz também, enfim, mal cabia em si de felicidade. Sem sequer pentear os cabelos foi até a cozinha. Para sua surpresa Emma estava ainda de calcinha vermelha e camiseta branca e um elástico colorido de Ju a lhe prender os cabelos num rabo-de-cavalo frouxo sobre os ombros. Sentada à mesa da cozinha lia o jornal distraidamente, sendo que nem percebeu a aproximação de Regina. Esta parou na entrada da cozinha e escorou-se no marco da porta, fitandoEmma amorosamente. Realmente amava aquela mulher de forma profunda e irrestrita. Encantava-se com seus mais simples trejeitos, gostava de observa-la e perceber os detalhes de seu rosto, de suas mãos, de como passava a mão no cabelo, como gargalhava efusivamente, como seus olhos deixavam transparecer seu estado de espírito, enfim, poderia ficar admirando-a por horas a fio.

Quando finalmente Emma percebeu a presença de Regina a fitá-la, abriu seu mais belo e encantador sorriso:

- Bom dia, meu amor! Acordou cedo! Pensei que fosse dormir até mais tarde, afinal hoje começam as tuas férias...

- Huuuumm, senti o cheirinho... – respondeu Regina franzindo seu nariz.

- Do café?

- Não, do teu perfume... – disse Regina abraçando Emma e beijando-a nos lábios.

- Huumm, confessa que não foi o meu perfume, não... foi o café...

- Os dois então...

- Tá. Vem, senta aqui que eu te sirvo. – disse Emma levantando-se e pegando uma xícara para Regina. – E então? Vamos tratar de organizar a nossa casa? Já está tudo certo na imobiliária, contrato assinado e tudo. É só mobiliar e fazer a mudança.

- Escuta... a senhorita não deveria estar trabalhando agora de manhã? – perguntou Regina.

- Bom, eu decidi tirar umas férias também. Não vou conseguir trabalhar com a cabeça voltada para a nossa casa, não vai dar. Combinei com o vovô que preciso de férias. E tem a Lourdes que é uma funcionária bem antiga e conhece bem o serviço. E vou deixar o Davi, que também é de extrema confiança, na gerência. Aliás, foi o próprio vovô que sugeriu que eu tirasse uns dias para organizar minha vida nova. – disse Emma sorrindo maliciosamente com o canto da boca.

- Como assim? – quis saber Regina.

- Bom, Re, eu liguei pro vovô segunda à noite. Precisava contar pra ele sobre a minha mudança de casa, enfim, de vida. Na verdade eu queria sutilmente deixar nas entrelinhas nosso relacionamento e deixar para falar pessoalmente com ele sobre a gente. Mas o velho é uma raposa, e como eu já te falei, me conhece muito bem. – riu-se Emma – Eu nem bem havia começado a contar-lhe sobre a minha decisão de alugar uma casa e sair do hotel, e adivinha o que ele me perguntou?

- Não faço a mínima idéia...

- Me perguntou quando eu irei leva-la até sua fazenda, e a Juliana, para que ele as conheça, pois precisa ser o primeiro a cumprimentar a pessoa que conseguiu aprisionar o coração de sua neta favorita. É claro que eu fiquei muda. Foi ele quem continuou me perguntando se eu estava feliz. E eu respondi que sim, muito, muito feliz mesmo. E ele me disse que era isso que importava para ele. E me sugeriu férias, desde que eu prometesse visitá-lo tão logo nos mudássemos... uma visita com a minha nova família.

Regina boquiaberta engoliu em seco:

- Eeeeu não vou! Vou morrer de vergonha do teu avô!

- Por que?

- Sei lá... quero dizer, porque ele sabe da gente... porque ele pode não gostar de mim... porque... sei lá porque!

Emma gargalhou e disse:

- O velho não morde, não! Muito pelo contrário. Minha intuição me diz que ele vai te adorar. E a Juliana também.

Regina respirou fundo e sorriu:

- Que boba que eu sou, né? É claro que nós vamos contigo sim. Do teu lado eu não tenho medo de nada, nem de ninguém.

- Que bom. – sorriu Emma brandamente. – Mas então toma logo esse café e vamos dar jeito na vida, mulher!

- E a Ju cadê? – perguntou Regina.

- No quintal, brincando. Já tá pronta, de banho tomado e tudo!

- Grande novidade...

Regina e Emma levaram menos de dez dias para definir os móveis e comprar tudo o que faltava na casa nova. Regina tinha poucas coisas, pois alugou a casa mobiliada de Dona Eda. Desta forma era praticamente tudo novo. A maioria dos móveis o avô de Emma fez questão de que fossem da loja, pois queria ter o prazer de colaborar com a felicidade da neta. Em duas semanas mudaram-se definitivamente para a casa nova. Juliana estava deslumbrada com seu quarto e com seus brinquedos novos. Emilio tinha um lugar de honra na sua cama e era com ele que Juliana adormeceria abraçada.

Regina percebeu que Seu Arno estava um pouco diferente com ela nos últimos dias, mas encontrava-se tão absorta em seu corre-corre de mudança que nem deu muita importância. No dia em que foi entregar a chave em definitivo para o casal encontrou Dona Eda chorosa e seu Arno taciturno. Ao entrar na casa deles Dona Eda abraçou-a carinhosamente e começou a chorar.

- Eu sei que isto é o melhor pra vocês, mas eu não posso deixar de sentir saudades... – disse Dona Eda, enxugando as lágrimas.

Regina sentou-se e dirigiu-se aos dois:

- Eu gostaria que soubessem, muito embora já o saibam, que eu realmente os considero como a minha família. Vocês são os pais que eu nunca tive, e foram vocês que me acolheram quando eu tanto precisava, e vocês são os avós que a Juliana conhece... Nós só estamos mudando de casa, mas não vamos mudar de família. E é isto que eu quero que vocês tenham a certeza. A nossa casa está aberta para vocês, sempre, em qualquer momento e situação. E... –Regina ficou com a voz embargada pela emoção, enquanto duas lágrimas escorriam dos cantos de seus olhos - ...e eu não quero que esqueçam que... que eu amo vocês.

Seu Arno, que até então havia permanecido sério e calado, levantou-se e abraçou Regina com afeto. Passou a mão nos cabelos negros e disse simplesmente:

- Eu desejo que vocês sejam felizes...

Deu um beijo na testa de Regina e saiu da sala antes que as lágrimas delatassem sua emoção. Dona Eda suspirou aliviada:

- Eu pensei que o Arno fosse ser rude contigo... mas me enganei com meu velho.

- A senhora falou para ele sobre mim e Emma, não é mesmo?

- Falei. O Arno não é bobo. Ele percebe as coisas. No começo pensei que ele fosse morrer de desgosto, disse que era coisa de gente desavergonhada e sem moral. Ele disse coisas muito ofensivas, eu até fiquei assustada. Depois eu sei que ele pensou no que tinha dito e aquele conceito não combinava com a nossa Regina. Hoje eu vi que ele vai conseguir aceitar essa situação, porque ele gosta muito de ti, minha filha. Ele só vai precisar de mais um tempinho ainda.

- Eu sei, e eu gosto dele, de vocês dois.

- Bom, mas me conta, e a casa nova?

- Está linda! Nós estamos pensando em fazer uma janta ainda esta semana para a "inauguração oficial". – brincou Regina – E vocês são os nossos convidados.

- Nós vamos sim! Eu e o Arno vamos estar lá!

- Vamos marcar para daqui a dois dias então? Hoje é... dia 18, né? Fica pro dia 20, nesta quinta-feira.

- Está marcado! – respondeu a velha senhora.

- Bom, então eu vou indo. A Ju e a Emma já foram para lá. Não quis trazer a Ju por não se tratar de uma despedida. Depois a Emma e ela dão um pulinho aqui pra lhe dar um beijo, certo?

- Certo, minha filha. Vá com Deus e boa sorte!

- Obrigada. – sorriu Regina.

Antes de sair Regina ainda parou em frente ao pequeno portão de madeira e deu uma olhada na direção da casa na qual havia vivido nos últimos tempos e onde havia sido feliz. Deu um sorriso e virou-se, seguindo a pé em direção à sua nova casa.

Desta vez, em frente ao portão alto de ferro, Regina parou novamente e vislumbrou o que, a partir daquele dia, seria sua nova morada. A residência ampla, com as janelas abertas onde já pendiam cortinas e onde se escutava o latido alegre de Pipoca, evidenciava que aquele lugar já estava povoado e transbordava de sentimentos de felicidade. Naqueles dez dias elas conseguiram transformar aquela casa vazia num lar, onde a energia emanada daquele amor que sentiam havia colorido as paredes e o teto, penetrado nos alicerces e nas aberturas. Na verdade, em qualquer casa que alugassem a energia seria a mesma, pois tinham a certeza de que a felicidade as acompanharia aonde quer que fossem.

Regina teve o cuidado de entrar com o pé direito no portão e na soleira da porta. Estranhou o silêncio dentro de casa, somente Pipoca latia pressentindo sua chegada. Pareceu ter visto a cortina da sala movimentar-se de soslaio, porém acreditou ter sido somente impressão. Quando girou a maçaneta e entrou na sala sobressaltou-se com o grito de Juliana e Emma:

- SURPRESA! Feliz casa nova!

A sala estava repleta de balões coloridos amarrados em pencas em lugares estratégicos. Uma faixa, com um letreiro vermelho enfeitado com lantejoulas prateadas, ostentava a seguinte mensagem: FELICIDADES!

Regina sorriu e foi efusivamente abraçada por Juliana e por Emma. Recuperando-se do susto disse em tom de brincadeira:

- Bom, sobrevivi à recepção de boas vindas!

Todas gargalharam.

- A gente deixou a Pipoca de guarda, para dar sinal quando tu chegasse! – disse Juliana alegremente.

- E parece que ela cumpriu seu papel à risca! – respondeu Regina sorridente.

Na mesa da sala elas haviam estendido uma toalha e no centro havia um bolo, além de alguns salgadinhos e refrigerantes. Uma garrafa de champanhe repousava num balde de gelo. Emma propôs um brinde. Regina serviu guaraná para Juliana numa taça enquanto Emma tratava de estourar o champanhe.

- Saúde e felicidade! – brindaram.

Após comerem os salgadinhos e o bolo, juliana correu para o pátio dos fundos para andar de bicicleta, sendo perseguida por Pipoca numa brincadeira divertida.

Emma sentou-se de viés no sofá da sala e Regina recostou-se entre suas pernas, sendo envolvida num afetuoso abraço. Por instantes ficaram em silêncio, somente trocando carícias e saboreando o gosto da nova vida.

- Sabe, Emma... às vezes parece que eu estou sonhando... eu olho em volta e é tudo tão bom, tão inacreditavelmente perfeito...

- Mas não é sonho não, meu amor. É realidade. É a nossa realidade a partir de agora.

- Há cinco meses atrás eu jamais imaginaria que estaria vivendo um momento como esse. – disse Emma pensativa.

- E há cinco meses atrás eu nem imaginava que encontraria o amor da minha vida aqui neste canto do mundo. – respondeu Emma beijando Regina carinhosamente nos lábios. - Eu te amo...

- Eu também te amo, muito, muito, muito, muito...

- Nossa! Quanto amor!

- É muito mesmo. – disse Regina olhando Emma nos olhos, com seriedade – Eu não consigo mais imaginar a minha vida sem ti. Promete que nunca vai me deixar?...

- Prometo. E você, promete não me trocar por duas de vinte e cinco quando eu completar cinqüenta? – brincou Emma.

- Sua boba... – disse Regina beijando Emma com paixão.

- Huuumm, acho bom a gente dar uma maneirada nesse arreto – disse Emma com a respiração entrecortada – afinal a noite é uma criança...

- E a madrugada uma tarada... – emendou Regina sorrindo com malícia.

- Ôôô, nem fale... mas ainda não são nem seis horas da tarde e a nossa criança está bem acordada! – sorriu Emma.

- Então quem sabe a gente faz um mate e senta numa sombra no quintal?

- Sim senhora, vamos matear então. – respondeu Emma dando mais um abraço apertado em Regina antes dela levantar e ir até a cozinha colocar água para esquentar.

Já instaladas confortavelmente em cadeiras à sombra cerrada de uma figueira nos fundos do quintal, as duas mulheres conversavam enquanto Ju brincava ao redor.

- Re, eu estive pensando sobre como vai ser a nossa vida daqui pra frente...

- Como assim? Vai ser igual a que levávamos antes, só que morando na mesma casa.

- Mais ou menos, Re. Olha só, essa casa é muito grande, a gente passa o dia fora, precisamos de alguém que faça o serviço por aqui. E tem a Ju, ela não pode ficar sozinha.

- Mas a Dona Eda quer continuar cuidando dela enquanto estivermos trabalhando.

- Tudo bem, mas uma coisa é cuidar por que gosta dela, outra é ter o compromisso diário com ela. Dona Eda já está idosa e não é justo que assuma um compromisso que é nosso.

- Acho que tu tens razão, mas eu não posso simplesmente dizer para ela não ficar mais com a Juliana.

- Mas não é isso que eu estou dizendo. O que eu pensei foi em contratar uma pessoa em turno integral, e no dia em que a Dona Eda não estiver disposta, ou tenha algum compromisso, tenhamos quem busque a nossa filha na escola e com quem ela possa ficar em casa. Além do quê eu não quero que a minha mulher fique se preocupando com arrumação de casa e com cozinhar. E eu sou uma negação nessas coisas!

- E tu já pensaste em alguém?

- Já. Na Antônia, a servente lá do Magazine. É uma pessoa que trabalha conosco desde a inauguração da loja, uma ótima pessoa, meia idade, responsável, não costuma faltar, é pontual, extremamente caprichosa. Eu até já havia pensado em promove-la, mas ela não tem muito estudo e na loja não tenho como passa-la para o setor de vendas, onde poderia ter um salário melhor. Acho que ela toparia trabalhar aqui em casa. Só temos que ver como ela se sai na cozinha.

- Mas... e os comentários com os outros funcionários da loja?...

- Ela é discreta. E além do mais eu não tenho nada a esconder. Quem não estiver satisfeito ou ousar tecer qualquer tipo de comentário sobre a minha vida pessoal pode procurar outro lugar para trabalhar.

- Bom, se tu achas que vale a pena tentar com ela, tudo bem. – disse Regina.

- Re, tem outra coisa...

- O que?

- Você não pensa em terminar a faculdade?

- Pensar eu penso, mas...

- ...mas a hora é agora.

- Mas eu não posso deixar de trabalhar, na verdade não quero. Tu sabe o que eu penso sobre isso.

- Eu sei. Mas em nenhum momento eu cogitei a possibilidade de deixares de trabalhar. É só uma questão de ajuste de horários. Se você não fizer plantões extras à noite pode estudar aqui mesmo na USC. Pensa bem, Re, só faltam dois semestres.

- Mas vai ficar muito caro...

- Com o teu salário não dá para pagar a faculdade?

- Dá. Mas só isso, mais nada.

- Pois o resto eu garanto.

- Mas não é justo...

- É sim. Eu sou uma visionária, Re, esqueceu? Tenho faro para bons negócios. E uma clínica dentária é um negócio bem rentável. Vamos encarar isso como um investimento em nossa renda familiar, certo? E a curto prazo.

- Emma, alguém já te disse que com a tua lábia poderias ser advogada?

- Já, muitas pessoas...

- Pois serias capaz de colocar Deus atrás das grades e o diabo em liberdade!

Emma gargalhou e continuou:

- E então? Podemos pedir o reingresso?

- Podemos. – assentiu Regina balançando a cabeça.

- Amor... eu já estou imaginando aquela cadeira confortavelmente reclinável do teu consultório... huuumm, eu vou adorar fazer amor contigo nela...

- Pervertida!

- Confessa que você também fica imaginando... confessa... – provocou Emma e chegou bem perto para sussurrar no ouvido de sua mulher – eu marcando o horário da última consulta... com um vestido justo, sem nada por baixo... sentando naquela cadeira e me abrindo todinha pra você... implorando a tua boca em mim...

Regina foi obrigada a se abanar e respondeu:

- Tá bom, tá bom!...

- Não falei? É só começar a imaginar que sobe um calor...

- Toma um banho gelado então, pra ver se melhora. – disse Regina em tom brincalhao.

- Re, esse negócio vai me fazer subir pelas paredes!

- No momento, só se for nessa figueira! – divertiu-se Regina.

Ambas caíram na gargalhada.

- O que foi? – gritou Juliana. – Do que é que vocês tão rindo?

- Nada, garota! Coisa de gente grande! – respondeu Emma.

- Sempre a mesma resposta: "coisa de gente grande"! – reclamou Juliana imitando Emma.

Regina riu, pois Juliana a imitava com perfeição, mas não deixou de retrucar:

- Juliana ... não seja abusada.

Mas Juliana nem ouviu, já corria na direção oposta, com Pipoca atrás dela e os cabelos abanando ao vento.

- Amor, tem mais uma coisa... – disse Emma.

- O que é agora, Emma? Mais novidades?

- Que tal se a gente fosse passar mais uns dias na praia. A Juliana gostou tanto. E eu gosto muito do mar. Serve para recarregar as minhas baterias. – argumentou Emma.

- Booom... se for para recarregar as baterias da mulher que eu amo, quem sou eu para não concordar?

- E depois a gente podia ir até a casa do vovô Salim...

- Eu adoraria. Mesmo com uma sensação de frio na barriga eu tenho muita vontade de conhece-lo.

- Então tá combinado. Que tal se a gente for no domingo agora? .

- Pode ser. Assim a gente curte um pouquinho nossa casa nova, faz uma viagem de lua de mel para a praia, faz uma social com a família, enfim, se prepara para começar a vida no retorno das férias... eu estou amando isso tudo, sabia?

- E eu amo você. – respondeu Emma inclinando-se e beijando Regina nos lábios.

Naquela primeira noite na casa nova elas assistiram televisão juntas, amontoadas no sofá da sala, comendo pipoca doce após o jantar. Já Pipoca, a cachorra, dormia enroscada no tapete no lado de dentro da porta de entrada, alheia ao burburinho das três. Juliana estirada no colo de suas duas mães, abraçada à bacia de pipocas, não conseguiu ver nem mesmo a primeira parte do filme que passava. Estava tão cansada de tanto brincar durante o dia que adormeceu profundamente. Emma a carregou no colo e a deitou na cama, colocando Emilio a seu lado. Beijou a testa da menina, apagou a luz e encostou a porta do quarto.

Voltando para a sala abraçou Reginaconvidando-a para deitar.

- A senhora não acha que está na hora de se recolher?

- Acho que está...

- E o filme?

- Prefiro outro... – respondeu Regina maliciosamente.

Com um movimento rápido Emma tomou Regina no colo, conduzindo-a como a uma noiva pelo corredor na direção do quarto. Ao entrar no aposento empurrou a porta com o pé enquanto Regina desajeitadamente girava a chave na fechadura.

- Enfim sós. – disse Emma.

- Enfim sós... – respondeu Regina capturando a boca de sua mulher num beijo sôfrego e apaixonado, ainda em seu colo.

Emma a colocou de pé na cama, abraçando-a pela cintura e fitando-a de baixo para cima, como se fosse a estátua de uma divindade grega sobre um pedestal de mármore. Regina tirou sua blusa expondo seus seios numa atitude provocativa. Emma acariciou suas costas e beijou sua barriga, mordiscando o elástico de seu abrigo e o puxando para baixo. Regina desvencilhou-se da calça de abrigo e Emma passou os dedos no contorno de sua calcinha rendada. Regina gemia baixo e abria suas pernas enquanto Emma passava os dedos por baixo da renda, procurando a cavidade molhada de seu sexo. Quando tocou sua mulher, Emma a sentiu encharcada, tamanha sua excitação. Emanava um cheiro adocicado e quente. Percorreu seu sexo lenta e suavemente, sentindo Regina forçar sua cavidade contra a mão que a acariciava. Com os olhos escurecidos pelo desejo Regina praticamente arrancou a camiseta de Emma. Com a mão que tinha livre a loira tratou de tirar a parte de baixo de sua própria roupa, ficando totalmente nua, para o deleite de sua amada. Também com a mão livre tirou a calcinha rendada de Regina. Emma puxou Regina em sua direção abraçando-a e fazendo com que se deitasse na cama, estirando-se em seguida sobre ela. A sensação dos corpos unidos pulsando um sobre o outro, a energia que emanavam por todos os poros, o sentimento de unidade e completude advindo daquele ato de amor jamais poderia ser definido em palavras. Emma continuava acariciando a protuberância carnuda e ereta de sua mulher, e a sentia aumentar de tamanho a cada novo toque, enquanto Regina deliciava-se passando a língua nos seios firmes de Emma e arrancando gemidos de prazer da loira. No auge da excitação Regina implorou:

- Entra em mim... dentro... eu te quero dentro de mim...

Emma com servidão obedeceu prontamente introduzindo o dedo médio na cavidade úmida e quente de Regina, que arqueou o corpo num movimento de prazer. Emma iniciou movimentos rítmicos, introduzindo mais dois dedos, para o delírio de Regina que mexia seus quadris num vai e vem sincronizado.

- Ãããaahh... assim?... é assim que você quer?...

- É... mais... assim... uuhhmm...

Nisto Regina também penetrou Emma, que abria suas pernas como que implorando ser tocada bem fundo.

- Ããããhhh... que delícia... ãããã... Re... eu te amo...

Não conseguindo mais se conter explodiram em gozo. Continuaram abraçadas, deitadas uma sobre a outra. Não conseguiam separar os corpos. Era como se estivessem interligadas por cordões invisíveis uma à outra. Naquela noite fizeram amor até quase o amanhecer, quando as estrelas começavam a perder sua luminosidade para a primeira claridade da manhã, afinal não tinham hora para acordar mesmo. Estavam de férias, e em lua de mel...