Kurosawa Ruby não nasceu com vocação para lidar com a violência. Sendo a segunda filha de uma das mais importantes famílias do pequeno Reino de Numazu, Ruby foi uma das jovens designadas para estudar Magia Arcana pacífica, usada para cura e ampliação da mentalidade. Acabou se tornando amiga da própria herdeira do trono do Reino e Hanamaru nunca permitiu que o tempo construísse entre as duas barreiras de hierarquia.

Com temperamento doce e curioso, Ruby compensava sua dificuldade em aprender os ritos medicinais lendo muito sobre História e Filosofia antiga. Sendo descendente de uma das poucas famílias com sangue daoísta, ela se interessava em entender mais sobre esse elo cultural perdido. O seu destino parecia traçado desde o começo: tornar-se a primeira Alta Sacerdotiza Arcana de Numazu e buscar o crescimento futuro dos estudos arcanos no reino. Ela se espelhava no exemplo da venerável Alta Sacerdotiza do Reino de Akiba, Ayase Arisa, e sabia que, mesmo jamais chegando a tal excelência, seu trabalho iria acrescentar muito ao futuro de todo o povo.

Mas então aconteceu o incidente do Anjo Caído.

A doença de Tsushima Yoshiko era algo que perturbava profundamente Ruby. Era um teste de fé enorme para a jovem sacerdotisa ver uma de suas grandes amigas perecendo sobre a cama, emagrecendo e empalidecendo, como se estivesse sendo devorada por dentro. A verdade era que Ruby tinha pavor apenas em pensar na possibilidade de Yoshiko morrer. Chegava a acreditar que sua própria sanidade e fé seriam destruídas se isto se concretizasse. Jamais perdoaria Deus se lhe tirasse uma pessoa tão amada sem motivo justo evidente. Cada dia em que a doença de Yoshiko se arrastava, era um dia a mais de suplícios e preces por parte da jovem Kurosawa.

Yoshiko morreu, mas não apenas isto. Yoshiko foi possuída e morta por um espírito demoníaco e teve seu corpo usado como recipiente da entidade demoníaca chamada de Yohane, o Anjo Caído.

Foi na mesma semana deste incidente horrível que Ruby tomou sua decisão e, sem aviso, retornou para a casa de sua família, no litoral. Sua chegada foi sob a chuva, em uma tarde quente. Ela imaginou que não haveria ninguém no sobrado dos Kurosawa àquela hora do dia:

"R-Ruby. . . é você? " Questionou uma voz já quase desconhecida, vinda de um rosto igualmente já pouco familiar.

"Oneechan. . . " Disse a garota de cabelos vermelhos, sentindo o peso das emoções reviradas pressionando a garganta.

"Faz tanto tempo. . . " Disse Kurosawa Dia, em seus dezesseis anos de idade. "Você não avisou que viria. Se soubéssemos. . . "

"Oneechan. . . Por favor. . . " Interrompeu Ruby, sem conseguir conter as lágrimas volumosas que começavam a correr pelo seu rosto. "Por favor. . . "

Dia adiantou-se e aparou a irmã que ia em direção ao chão. Sentaram ajoelhadas enquanto Ruby deixou o choro sair de si doloroso. A jovem de cabelos negros abraçava a irmã a quem tanto estimava e sentia falta, consolando-a como possível:

"E-Eu não pude fazer nada, Oneechan. . . " Lamentava-se a menina, cortada por soluços.

"Soube do caso do demônio no castelo. " Disse ela. "Imagino que a jovem que foi morta devia ser sua amiga. Eram apenas três aprendizes, contando com a Herdeira. "

"Eu não posso mais, Oneechan. " Disse Ruby, engolindo a saliva e enxugando o rosto na manga comprida do manto branco. "Oneechan, eu não posso mais ser uma sacerdotisa. "

"Por que diz isso, Ruby? Todos estes anos de dedicação não foram vazios. "

Ruby procurou acalmar-se e limpou o rosto mais uma vez antes de encarar os olhos esmeralda tão semelhantes aos seus:

"Quero estudar a alquimia daoísta, Oneechan. Quero lutar ao seu lado. " Declarou. Dia ficou boquiaberta diante daquelas palavras.

"Não, Ruby, isto não é para alguém como você. Os daoístas são guerreiros. Você não foi feita para lutar. " Argumentou Dia.

"Isso não é verdade, Oneechan. " Disse Ruby, surpreendendo a irmã outra vez. "Ainda que os daoístas sejam conhecidos como guerreiros, a verdade é que eles são monges cujas habilidades foram conhecidas pela guerra. Além disso. . . "

"Além disso? " Quis saber Dia, perplexa com o conhecimento que sua caçula tinha e aos quais era ignorante.

"Eu não posso mais ser uma sacerdotisa. "

"Por que repetes isto, Ruby? "

"Porque uma sacerdotisa não pode odiar Deus como eu odeio agora, Oneechan. "

O desejo de Ruby foi atendido e Dia passou a treiná-la nas artes da alquimia daoísta. Não demorou para que ficasse claro o talento que a Kurosawa mais jovem tinha para as artes de seus antepassados. Sua habilidade de controle de energias vitais, muito semelhante à telecinese, se tornava mais precisa e eficiente em semanas. Seu corpo magro ganhou força física imperceptível aos olhos alheios. Sua mente adentrou em novos domínios de compreensão da Realidade através da yoga e meditação que sua irmã ignorava. Sua alma tornou-se forte o bastante para aceitar a morte de Yoshiko e seu coração não mais sangrou de ódio.

Kurosawa Ruby não nasceu com vocação para lidar com a violência, mas sabia utilizá-la como poucos para vencer seus adversários. Ainda uma pessoa doce e curiosa por fora, mas de extrema resiliência por dentro. Tornou uma daoísta muito superior a Dia e ainda assim esteve apenas à sua sombra para servir ao Reino de Numazu.

Isso até que o Anjo Caído reapareceu em sua vida.

Ainda era noite quando o pátio interno do quartel de magia arcana se iluminou com chamas mágicas. Estava mais frio do que no dia anterior e a falta de estrelas indicava que as nuvens estavam carregadas sobre todo o céu.

Ruby foi a segunda pessoa que chegou no pátio, logo após Kanan, e ajudou a arrumar as montarias que tinha disponíveis. Por sorte havia um cavalo no quartel para completar a quantidade necessária para que cavaleiras, magas e forasteiras formassem o pelotão que havia planejado na tarde anterior.

Kanan, Ruby e Chika iriam na frente, a capitã levando Mari e Chika levando Riko. You e Yohane viriam em seguida, sem cavalos, pois ambas tinham a capacidade de voo e atacariam do alto (ainda que a prioridade fosse reservar as forças do Anjo Caído para o feitiço salvador, ela estaria de prontidão). Leah viria junto delas, a cavalo, com Hanamaru fechando o comboio. Ainda que a Rei não tivesse habilidades de batalha, magias de escudo e paralisantes seriam úteis tanto como um reforço em caso de dificuldade na frente, como uma maneira eficaz de ter certeza que a feiticeira do gelo não trairia o grupo no meio da ação.

Ruby repassava o plano na cabeça, enquanto verificava uma segunda ou terceira vez as celas dos cavalos e as provisões mínimas que iriam levar. Aos poucos as outras mulheres chegavam ao pátio:

"Kurosawa. " Chamou Kanan, observando a compenetração da outra. "Kurosawa? "

"Oh, Matsuura-san. " Respondeu Ruby, despertando de suas avaliações de cenários hipotéticos. "Desculpe, falou algo? "

"Não realmente. Apenas achei que você parecia deveras tensa. " Disse a mulher mais alta.

"De fato. " Concordou a mulher de cabelos rosados. "Não gosto de batalhas, Matsuura-san. Ainda mais tratando-se de uma batalha onde tantas coisas serão arriscadas. "

"Compreendo. Porém, a tensão em excesso pode levar a erros, então busque se tranquilizar. " Aconselhou a mais velha, com um sorriso de simpatia.

"Obrigada." Agradeceu a alquimista, com um suspiro de ar gelado. "Você sempre parece muito serena, Capitã. Como consegue isto? "

Uma resposta travessa passou pela mente de Kanan antes que pudesse evitar e isso a fez dar uma leve risada e mudar a postura. "Apenas. . . Busco viver o momento, Kurosawa. "

"Hm. . . "

"Você e sua irmã se parecem mais do que é imaginado numa primeira vista. " Comentou Kanan.

Com todas acordadas e os preparativos feitos, comeram um rápido desjejum antes de iniciar a jornada. You aproveitou para testar seus poderes e, abrindo duas asas mágicas que sequer encostavam em suas costas, ela alçou voo, desaparecendo de vista por uns minutos para então retornar:

"Não há suspeito nos arredores. Acho que teremos um começo de caminhada tranquilo. " Disse a cavaleira, ao pousar.

"É realmente formidável que tenhas esta habilidade de voo, You-chan~ É um dom tão raro que jamais o vi nas terras de New York! " Comentou Mari, absolutamente fascinada.

"'You-chan'? " Repetiu Yohane.

"Ahaha, não é nada demais, Mari-chan. Dizem ser um dom de sangue, mas. . . Bom, a verdade é que a família de meu pai é descendente dos daoístas, então provavelmente deve vir da família de minha mãe. " Explicou a Cavaleira, coçando atrás da cabeça, as orelhas vermelhas.

"'Mari-chan'. . . " Repetiu Kanan, do alto da cela de seu cavalo.

"Mysterious! " Riu-se a feiticeira natural.

"Será que podemos entrar em formação? " Perguntou a capitã. Mari deu uma gargalhada e aceitou a ajuda da amante para subir na garupa da sua montaria.

"Quando foi que tu e minha irmã tornaram-se pessoas de trato íntimo, Watanabe-do-charme-maldito? " Questionou Yohane, quando estava apenas as duas ao centro da formação quase completa.

"Ah, ontem trocamos algumas palavras antes de nos recolhermos. " Disse You, divertindo-se com os modos da mulher-demônio. "Né, minha Yohane. "

"Hm? "

"Parece que enfim aprendeste em exatidão o que é o ciúme. " Riu-se a mulher de cabelos prateados, para a surpresa da bruxa.

Um sinete ressoou na frente do grupo. Ruby deixou que seus olhos comtemplassem a formação:

"Partida! " Berrou Matsuura Kanan, batendo as esporas no seu cavalo.

Como o previsto por You o começo da jornada de retorno à Uchiura foi pacato. A neve começou a cair logo após o amanhecer. O grupo pareceu tornar-se gradativamente mais silencioso e tenso conforme as milhas iam ficando para trás. Kanan lançava olhares discretos para os lados e sentia que talvez todas estivessem sendo contaminadas pelos ânimos tensionados do grupo da frente:

"Né, Kanan. " Chamou Mari, às suas costas. "Tem algo após aquelas árvores adiante. "

Kanan sinalizou com o braço para trás e You subiu mais uma vez. Quando voltou ela estabilizou no ar, ao lado do cavalo da capitã:

"Não vejo nada. " Informou.

"Mas está lá. É uma movimentação na energia. " Afirmou Mari. You pareceu incerta depois daquelas palavras.

"Certo. Volte para sua posição. " Falou Kanan. A capitã então ergueu ambos os braços por um momento, sinalizando como se fosse soar o sinete, mas sem fazê-lo. Todas estavam com atenção redobrada a partir daquele momento.

Apenas os sons dos cascos dos cavalos. Passaram pelo ajuntamento de árvores que Mari indicou e tudo pareceu quase congelado de tão quieto:

"Ah! Seu merdinha! " Berrou Chika. Uma figura indistinta voou sobre seu cavalo e de Riko, mas a reação da cavaleira foi precisa. Um golpe laranja cortou o ar e a figura caiu em dois pedaços.

"É um soldado. . . Feito de gelo. " Disse Riko.

"Ali! " Kanan berrou, quando cinco outros destes soldados apareceram do lado o oposto do grupo. Ruby ergueu a mão sem luvas apesar do frio e, num gesto, os soldados todos voaram para um mesmo ponto, colidindo com tanta força que seus corpos se partiram.

Seguiram-se grupos de oito, dez e quinze destes soldados feitos de gelo. Eles eram lentos e fracos, então as três guerreiras na linha de frente foram o bastante para acabar com a ameaça. Kanan partiu duas figuras com um corte projetado de sua espada reta quando ouviu alto passar zunindo ao ouvido esquerdo:

"Flechas! " Berrou, vendo algo da saraiva de dezenas de projéteis vindo de frente. Ela pensou em usar um escudo energético, mas sabia não ser sua especialidade. Mari então adiantou a mão e, com uma palavra desconhecida e um gesto, fez surgir no ar uma parede de fogo que derreteu o ataque.

"Vem de lá! " Apontou Chika, para figuras diminutas distante. Os pequenos arqueiros de gelo eram em centenas.

"Alto! " Ordenou Kanan, parando seu cavalo e gesticulando para que o avanço cessasse. Sua mão da espada levantou, apontando para cima.

You pegou a deixa e ergueu-se no alto. Um arco de energia azul surgiu em suas mãos e, com um único disparo, centenas de flechas de pura força voaram contra os inimigos.

Embaixo a segunda saraiva de flechas de gelo já havia partido na direção do grupo. Ruby não conseguia enxergar os projéteis quase translúcidos no meio da neve caindo suave, portanto não tinha como desviá-las, não tantas. Ela fez o possível, mas sabia que falharia. Foi neste momento que Hanamaru, tendo acelerado seu cavalo, chegou até ela e criou um escudo mágico perfeito, que parou tudo:

"Magestade, não. . . " Tentou dizer Ruby, mas sua distração fez com que seu cavalo fosse golpeado por um soldado menor que havia passado desapercebido. O animal se ergueu e caiu para o lado, trespassado por uma lança de gelo. Ruby foi ao chão e por muito pouco também não foi dilacerada pelo minion, conseguindo despedaçá-lo num gesto quase cego de sua habilidade daoísta.

"Ruby-chan! " Alarmou-se Hanamaru, chegando até a amiga. "Pegue a minha mão. " A cavaleira aceitou e ficou na garupa da nobre.

O grupo não teve folga. Novos grupos de flechas voaram sobre elas, acompanhadas de soldados numerosos. Kanan e Chika abriram mão da montaria naquele momento de batalha e foram direto contra os soldados de gelo enquanto You destruía os atiradores e Mari e Riko produziam paredes de chamas para derreter as flechas que vinham na direção do grupo.

A batalha na clareira durou mais de vinte minutos. Ao final as três Cavaleiras Arcadas e as duas feiticeiras suavam e ofegavam pelo esforço repetitivo. A capitã voltou-se para o grupo antes mesmo de enxugar o suor na testa:

"Vamos aproveitar a chance e avançar. Não falta muito para chegar aos limiares da cidade. "

Dessa vez o avanço foi mais acelerado, com os cavalos a galope, You e Yohane sobrevoando. O imenso cristal de gelo que recobria toda a cidade capital de Uchiura era visível ainda de longe e só se tornava mais e mais opressivo conforme se aproximavam de sua base.

O plano para conseguir adentrar aos domínios de Uchiura já havia sido traçado no dia anterior. Kurosawa Ruby foi a primeira a descer da montaria e se dirigir até à parede congelada. Com a palma desnuda ela passou a mão pelo gelo, como quem tenta perceber aquilo que é invisível ao olhar:

"Acredita que é possível destruir este cristal de modo a não afetar as casas e pessoas congeladas, Kurosawa? " Questionou Kanan, chegando até o lado desta.

"Não é difícil como parece, Capitã Matsuura. " Afirmou a mulher mais jovem. "Basta que comecemos por cima, para depois ir de encontro ao castelo. Por favor me dê um pouco de espaço. "

Ruby fechou os olhos e ergue a palma aberta, ficando a um centímetro do gelo. Inspirou e expirou, concentrando-se. O restante do grupo apenas lhe observava em ansiedade. Então a daoísta saltou mais de cinco metros no ar e disparou o que pareceu ser uma onda de força invisível. Um buraco perfeitamente redondo foi sendo rapidamente escavado e logo se alargou, partindo do algo até quase o telhado das casas. A destruição foi longe, até quase a praça central da capital:

"Por Deus! " Exclamou Chika, vendo os cristais de gelo subindo, fragmentados, agora não mais impedindo-as de seguir em frente.

"Pelos deuses! Esses daoístas são so powerfull~" Miou Mari, saltando da garupa do cavalo de Kanan. Não teriam mais como seguir de montaria por cima do gelo. Levou alguns minutos para que todas estivesse sobre o gelo escorregadio para seguir caminho.

Correram dentro do que era possível, entre alguns escorregões e colisões desnecessárias. You e Yohane também ficaram a pé neste trecho, pois apesar da dificuldade de caminhar em linha reta, não se sentia qualquer ameaça iminente. Foram surpreendidas quando chegaram até a praça e perceberam porque a magia de Ruby fora até ali – Não havia gelo naquela área em diante:

"Já estava dessa forma quando saí. " Disse Leah. "O Cristal parece utilizar essa camada de gelo apenas como um escudo para o mundo exterior. "

"Ainda assim as pessoas permanecem congeladas. Esse Cristal não é tão irracional quanto faz parecer. " Falou Hanamaru, observando as figuras imóveis de dois aldeões paralisados em plena caminhada despreocupada.

Nesse momento You sentiu os cabelos da nuca arrepiarem de tão modo que levou a mão ao local involuntariamente. Ela olhou para Yohane e percebeu pela expressão desta que era provável que tivesse tido a mesma sensação, talvez mais intensa:

"Tem algo! " Exclamou a feiticeira, transfigurando-se em sombras e subindo. A tensão no grupo foi ao limite, e em logo todas puderam perceber com os olhos o que apenas Yohane e You haviam percebido num primeiro momento.

Cristais de gelo flutuavam no alto, acumulando-se como uma nuvem. Giravam em sentindo horário, criando um zunido crescente das eventuais colisões entre os pequenos fragmentos. Sons altos de gelo rachando se multiplicaram e grandes blocos do escudo ao redor da cidade se soltaram e começaram a fragmentar rapidamente. O céu cinzento ficou visível por um curto período, pois logo ele todo foi recoberto pela nuvem de pó de gelo. Uma sinfonia estarrecedora de cristais colidindo e girando parecia querer ensurdecer as guerreiras que aguardavam o que viria daquele caos:

"Separem-se! " Berrou Kanan quando viu o primeiro "braço" de cristais se formar e vir voando do céu na direção do grupo. You alçou voo e Yohane lançou uma cortina pesada de chamas que preveniu que a formação inteira chegasse ao solo.

Porém os cristais não era uma forma única, por isso puderam se separar e desviar em parte da proteção lançada pelo Anjo Caído. Um desses ramos se solidificou em uma lança comprida e fina e desceu em uma velocidade assustadora:

"Argh! "

"Hanamaru-chan?! " Assombrou-se Ruby ao sentir o calafrio momentâneo do golpe passando bem do lado da sua cabeça e ouvindo a exclamação da governante. A cavaleira e alquimista se foi até a amiga e viu o sangue colorindo a manga da roupa de Hanamaru.

"E-Eu estou bem, zura. . . " Disse a Rei, apertando o braço. Uma luz surgiu entre sua palma e o lugar ferido quando ela começou a realizar o feitiço básico de fechar ferimentos da magia arcana.

"Droga! " Exclamou You, frustrada ao ver sua saraiva de mais de cinquenta flechas passar por dentre a nuvem de cristais se destruir nada. Yohane então se adiantou e, com uma única mão, lançou um feitiço mudo que fez com que todos os cristais paralisassem em pleno ar.

"Yohane! " Exclamou Kanan, preocupada com o gasto de energia que seria para a criatura meio demoníaca realizar aquele feito assombroso. Precisavam da força da feiticeira, mas para um propósito ainda mais específico.

A Anjo Caído então desfez aquela paralisia de grande escala, mas os cristais de gelo não retomaram seu movimento circular. Ao invés disso pareceram se comprimir uns contra os outros, formando blocos cada vez maiores. Logo começaram a cair do céu pedaços que se uniam em golems de gelo de três e quatro metros de altura.

"Agora sim! " Exclamou Chika, avançando contra o primeiro inimigo. Seu florete correu o ar deixando um rastro laranja brilhante, partindo a criatura ao meio. O sangue fervia nas suas veias e a possibilidade de lutar de uma maneira minimamente equilibrada fazia seu medo se transformar em selvageria pura.

Os golems e soldados de gelo, desta vez muito mais poderosos e ágeis do que os anteriormente vistos, se multiplicavam ao redor do grupo enquanto a primeira horda avançava. You criou seu arco mágico com uma das mãos, mas antes de disparar olhou para a direção leste.

O castelo estava lá, logo a frente, sem qualquer camada de proteção. Havia inclusive uma luz intensa vindo da exata torre onde o Cristal de Raburaibu estivera guardado. You voltou-se então para oeste e seus olhos cruzaram com os de Yohane.

Não precisavam trocar palavras. A feiticeira apenas sorriu para a cavaleira e lançou-se a toda velocidade contra seu objetivo.