Espero que gostem. E obrigada a todos que estão lendo. Aprecio muito.
Demi's POV
O corpo de Selena se movia em sincronia com o meu, seus dedos traçavam uma linha em meus lábios devagar e antes que eu pudesse respirar, seus lábios estavam nos meus. Desci minha mão para a sua cintura, enquanto a conduzia naquela dança noturna em meu quarto. A sensação era de paz. Os lábios de Selena se moviam carinhosamente e delicadamente nos meus, sua língua tocava meu céu e me arrancava suspiros e gemidos manhosos de prazer. Selena afastou o rosto do meu, selou nossos lábios mais uma vez e sorriu. Eu estava tão feliz que não conseguia falar.
- Eu te amo, cariño . – Ela quebrou o silêncio, proferindo meu apelido preferido com sua voz aveludada.
- Eu te amo, minha latina. Não há mais nada que eu queira tanto além de você. – Eu sorri, sabendo que cada palavra daquela era verdade.
De repente um barulho. Alguns passos, e cada vez mais perto. Abri os olhos, me encontrando na realidade de estar deitada no sofá na mesma posição que havia dormido na noite anterior. Não passava de um sonho. Suspirei, esfreguei os olhos e me sentei, tentando me despertar completamente. A sensação do sonho era tão viva que ainda estava em mim.
- Bom dia, meu raio de sol. – A voz de Naya preencheu o silêncio da sala enquanto ela vinha até mim e selou nossos lábios em um beijo de bom dia.
- Bom dia... é, hum, como entrou? Desculpe, sou meio perdida quando acordo, você sabe. – Gesticulei com as mãos tentando disfarçar meu nervosismo. Eu havia quase transado com Selena noite passada, tinha acabado de acordar de um sonho perfeito com a mesma, e dava de cara com minha a minha namorada. Selena, me lembrei e meu coração acelerou. Será que ainda estava dormindo?
- Você me deu a chave extra, amor. Disse que eu poderia vir passar o dia contigo hoje, ontem. Não se lembra? – Ela se sentou ao meu lado entrelaçando nossos dedos, dando um sorriso animado. Agora eu me lembrava. Eu havia encontrado Naya um pouco depois que Selena havia saído sem me avisar depois de nossa briga e a convidado para vir em casa. Mal eu sabia que seria uma péssima idéia mais tarde.
- Sim, meu amor, lembro sim. – Eu sorri tentando agir normalmente. Me sentia péssima em olhar para Naya e me lembrar que noite passada eu havia beijado outra boca. Não que eu me arrependesse, pois era Selena, mas eu não sabia o que seria dali para frente. Eu ainda precisava conversar com Selena sóbria. Será que a mesma estava tão bêbada a ponto de acordar no outro dia e não se lembrar de nada? Eu estava temendo.
Naya passou as pontas dos dedos sobre meus cabelos os puxando para trás deixando meu pescoço livre e depositou leves beijos ali. Foi subindo até encostar os lábios nos meus e suga-los com carinho. Era diferente dos de Selena, não causavam a mesma sensação que a mesma causava em mim, mas de certa forma eu queria. Eu gostava de Naya e não podia transparecer indiferença aos seus toques. Não podia deixar o que havia acontecido noite passada com Selena me prender a ela de novo, não podia reacender aqueles sentimentos que me consumiam. Selena era uma bagunça, ela nunca sabia o que queria e eu tinha certeza que ela ainda iria brincar com tudo aquilo. O meu problema era: eu queria aquilo. Eu queria aquela bagunça. Eu queria ser aquela que arrumasse a bagunça que Selena era e a estabilizasse. Eu só não sabia como.
Naya ainda sugava meus lábios, mas dessa vez com certa intensidade. Seus dedos apertavam minha cintura e começaram a subir minha blusa.
- Selena está no quarto... não podemos fazer aqui... – Eu sussurrei entre o beijo quando Naya se colocou em cima de mim, me deitando completamente no sofá.
- Ela nem vai escutar, shiu... – Ela colocou os dedos nos meus lábios me calando. Meu coração quase saltava do peito de tão nervosa que eu estava. O medo de Selena aparecer ali era grande, mas me rendi quando Naya tirou a blusa e me olhou maliciosamente. Ela era esculturalmente linda. O corpo moreno em curvas perfeitas, o cabelo solto negro espalhado, o olhar cativante. Eu me perguntava o por quê dessa minha atração por mulheres latinas. Elas eram quentes. Naya curvou o corpo sobre o meu, beijando meu pescoço e descendo por minha barriga lisa, chupando e deixando marcas vermelhas em minha pele branca.
- Mas que diabos está acontecendo aqui?! –Eu ouvi a voz conhecida gritar. Selena estava parada na parede da sala. Olhei para a mesma descabelada, com a mão na cabeça e tentando abrir os olhos para enxergar melhor. O olhar era furioso. Naya saiu rapidamente de cima de mim, vestindo a blusa e se sentando enquanto eu fazia o mesmo.
- Selena, me desculpa, eu achei que estivesse dormindo, nós... – Mas ela me cortou.
- Se vocês querem se comer, façam isso na porra de um quarto e bem longe de mim. Mas que inferno, agora eu acordo com uma puta dor de cabeça e ressaca, vou tomar um remédio e encontro isso na minha sala. – Ela esbravejou, balançando a cabeça descrente no que havia visto.
- Podemos terminar isso no quarto, desculpe Selena. Vem Demi... – Naya parecia não se importar muito com a cena de Selena. Mas eu me importava. Naya puxou minha mão mas eu hesitei, ainda sentada. O olhar de Selena sobre Naya era furioso.
- Eu acho melhor você ir embora amor, podemos nos ver mais tarde, sim? Eu passo na sua casa. Vou resolver as coisas com Selena, afinal... – Eu tentei agir despreocupada, por mais que por dentro eu temesse que Selena soltasse alguma coisa sobre a noite anterior. Naya tinha que sair dali antes que Selena continuasse a falar, e falasse coisas demais.
- Hum, tudo bem. – Naya me olhou desconfiada mas logo veio me beijar. Selou nossos lábios demoradamente e pegou sua bolsa, saindo do apartamento. Pude ver Selena rolar os olhos enquanto a mesma saia sem se dar o trabalho de dar tchau.
Suspirei quando Selena terminou de fechar a porta e me olhou de braços cruzados, furiosa. Me levantei ignorando a mesma, indo buscar água e remédio pois sabia que ela devia estar morrendo de dor de cabeça.
- Sente aqui e tome o remédio antes de começar a gritar comigo. – Eu disse, entregando o copo e o comprimido para a morena. Os tomou e continuou de pé, me encarando.
- Vai ficar aí de pé me olhando com essa cara? Ande, grite, me bata, faça a porra que quiser. Mas não me culpe por estar em momento íntimo com minha namorada. – Cruzei os braços, imitando Selena.
- Você a ama tanto, não é Demi? – Selena deu uma risada irônica. – Ama tanto que noite passada estava comigo, e não com ela. Estava me beijando, me tocando de uma forma que você nunca a tocará. – Ela sorria como se tivesse ganhado um prêmio. – Você não sente por ela o que sente por mim. E nunca irá. – Ela se aproximou de mim, ficando frente a frente. Sua respiração era controlada, encostou os lábios no meu ouvido. – Ela não te faz ter essa sensação, faz? – Ela colocou a mão em cima do meu coração, o sentindo bater forte. Me afastei bruscamente.
- O que você quer Selena? Que porra você quer comigo?! – Eu perguntei indignada em uma altura que a fez dar alguns passos para trás. – Você acha que pode brincar comigo? Eu não vou ser vítima das suas confusões, Selena. Você pode fazer isso com qualquer outro, mas comigo não. Eu sei exatamente como você age quando está confusa, e ontem você me beijou porque estava bêbada. Aposto que se lembra tão bem porque eu te fiz ir ao céu e voltar, não é? Você acha que você tem o domínio, mas não tem. Você jurou não me amar dessa forma, e ontem me beijou. Todo ato bêbado teve uma intenção sóbria, então não me venha com suas desculpas. Você é confusa Selena. É confusa porque sabe que a única pessoa que pode te fazer feliz sou eu e não consegue admitir para si mesma. Mas se você quer jogar, que comece, só não se esqueça que eu sei exatamente como você joga. E faço muito melhor. – Dei um sorriso irônico.
- Eu não estou brincando com você. Eu te quis ontem. Eu sabia o que estava fazendo mesmo bêbada. E não me arrependo. Eu te quis todos os dias desde que você se declarou, mas eu fui medrosa e eu te afastei, te machuquei. Eu achei que com a sua volta eu iria conseguir me encontrar mas eu estou ainda mais perdida. Eu te amo. Só simplesmente não posso ficar com você. Mas não posso te ver com outra pessoa. Você está certa, eu sou uma bagunça, e só cabe a você me arrumar, o problema é que não permito. – Ela gesticulava confusa. O jeito durão havia ido embora e agora só aparentava ser uma garota confusa e perdida dentro de si. Mas eu não iria permitir Selena controlar minha vida com suas indecisões.
- Selena, eu vou te dar um tempo para pensar no que quer. Quando se decidir, eu decido o que fazer. Isso é muito para mim absorver agora. Você sabe que eu te amo de todas as maneiras possíveis e usa isso contra mim, como sua arma para conseguir o que quer. Se o único caminho de chegar no seu coração é com ciúmes, então que tudo comece. Agora se me der licença, vou encontrar minha namorada. – Peguei um casaco, minha bolsa, prendi o cabelo e saí da forma que estava. Eu não podia ficar mais ali. Selena achava que eu era um brinquedo, uma boneca da qual ela poderia brincar. Eu entendia seus sentimentos mas ela precisava entender os meus. Eu estava com Naya porque eu queria supera-la, mas o que eu poderia fazer agora que Selena estava inclinada a ficar comigo também? Dirigi em direção a casa de Naya, mas eu não iria agüentar a pressão de ficar ali com ela de novo, eu me sentia uma mentirosa. Eu precisava dar um jeito de arrumar toda aquela bagunça, e se ficar com Selena fosse um caminho de muita dor, eu arriscaria. Ou não? Ela significava meu mundo, e eu sabia que por mais que eu não quisesse, eu faria aquilo. Eu faria por mim. Por ela. Por nós.
