Selena's POV
1 mês depois.
Um mês havia se passado desde que eu e Demi havíamos montado o quarto dos nossos bebês e não havia um dia desde aquele acontecimento que eu não entrava naquele quarto, sentava na cadeira de balanço onde eu colocaria meus pequenos para dormir, e simplesmente ficava ali imaginando como nossas vidas mudariam com a chegada deles. No começo eu me sentava, olhava ao redor e meus olhos se enchiam de lágrimas, por medo do futuro desconhecido, por medo de Demi acabar me deixando sozinha, mas agora eu simplesmente me sentava e me sentia animada, ansiosa e com idéias maravilhosas para tornar o nosso para sempre um lugar maravilhoso. Estava sentada ali, olhando o céu escurecer pela janela, com meus pensamentos longe, talvez em outro mundo, quando ouço a minha voz preferida no mundo inteiro.
- Posso entrar? – A morena dos cabelos escuros estava parada na porta.
- É claro. - Eu sorri e observei a mesma entrar no quarto e se sentar no chão, de forma que sua cabeça encostasse-se a minhas pernas e eu pudesse acariciar os seus cabelos negros.
- Todos os dias você se senta aqui neste horário e fica horas e horas olhando pela janela. Muitas das vezes eu passo pela porta e fico te observando... No quanto tanto pensa, amor? – Demi perguntou um tanto quanto curiosa.
- Em nós. Nos bebês. Mas mais especificamente em nós. Fico me perguntando se eu tivesse escolhido ficar com Harry. Pergunto-me se ele me apoiaria da forma que você está fazendo, e se me amaria da forma que você faz... E chego à conclusão de que ele poderia ser mágico, mas não tão mágico e real quanto você. Eu tenho tanta sorte de ter você. – Disse suavemente e pude ouvir um suspiro satisfatório da morena. Continuei a passar meus dedos pelos cabelos repicados de Demi até a mesma se levantar em um salto e puxar-me, fazendo com que eu me levantasse também. O sorrisinho sapeca estava nos lábios de Demetria e eu sabia que ela tinha algo planejado em mente. A mesma olhou pela janela, analisou e depois começou a me puxar para fora do quarto.
-Hey, hey, hey... Onde estamos indo? – Perguntei quando já estávamos fora do apartamento, descendo os lances de escadas que davam para o pequeno jardim do nosso condomínio. – Demetria, vai chover, porque estamos aqui fora? – Eu disse brava quando ouvi os céus anunciarem trovões e relâmpagos.
- É exatamente por isso que estamos aqui. – Ela disse olhando para o céu escuro. Uma ventania começou fazendo com que nossos cabelos esvoaçassem e meu vestido florido levantasse. Demi riu de mim e eu fiz um bico extremamente bravo. Senti finalmente os pingos grossos de chuva tocar a minha pele exposta e então Demi estava próxima a mim. A morena pegou minha mão delicadamente e a beijou.
- Posso ter essa dança? – Ela disse e me puxou para seu corpo, colando-os. Olhei para cima quando a chuva começou a engrossar e pude ouvir o som de violinos e as notas musicais que eu conhecia mais do que qualquer outra música. Ed estava em nosso apartamento, com seu violino nos braços e Taylor ao seu lado, tocando "Can I Have This Dance". Dei uma risada nervosa para Demi, ela havia planejado tudo aquilo. A chuva era forte, e Demi conduzia nossos corpos no ritmo da música, me girava pelo jardim e cantava baixinho para que só eu pudesse ouvir. Eu estava chorando e Demi podia ver o vermelho em meus olhos. Quando a música estava no final, a morena colou seus lábios nos meus e me beijou. Não era um beijo comum, era o beijo mais gostoso que Demi havia me dado desde que minha boca conhecera a dela. Havia mais paixão, mais desejado, e obviamente era mais molhado o que fazia tudo se tornar mais quente. As mãos de Demi estavam em minha cintura e me puxavam cada vez mais contra seu corpo, me fazendo ansiar por mais. Demi aos poucos foi parando o beijo até se desvencilhar de minha boca com alguns selinhos seguidos. Ela me olhou daquela forma que só ela sabia, daquela forma apaixonada, devota, submissa. Eu me perdi naquele olhar por alguns segundos.
- Realizei seu maior desejo. Beijar na chuva. – Ela disse com os lábios grudados no meu ouvido enquanto me abraçava. O calor de nossos corpos era o suficiente para não nos fazer tremer com o frio.
- O meu maior desejo é você. E eu te tenho. Eu te amo tanto. – Minhas mãos estavam em seu rosto agora, fazendo com que ela olhasse para mim. – Você é a melhor coisa que já me aconteceu. – Eu disse em meio às lágrimas de felicidade que insistiam em rolar pelo meu rosto. Demi abriu aquele sorriso enorme e encantador, que me fazia perder o fôlego. Era o meu sorriso favorito no mundo inteiro desde que eu a conhecia.
A morena me puxou para as escadas do condomínio novamente quando a chuva começou a ficar mais fria. Estávamos ensopadas.
- Um banho quente cairá perfeito agora. – Eu disse e comecei a subir as escadas devagar, começando a me arrepender no momento que subi o primeiro degrau. Subir escadas com aquela barriga enorme era um dilema para mim, mas eu não poderia usar o elevador, pois estava molhada demais. Subi um degrau de cada vez com Demi me ajudando e segurando minha mão. Por instinto coloquei a mão em meu pescoço, para me certificar de que o colar que Demi havia me dado em nosso primeiro natal juntas estava ali, mas não estava. Meu coração gelou e me virei bruscamente soltando a mão de Demi, descendo os degraus de volta para ir buscar, com certeza havia caído na chuva. Por um descuido de segundos, escorreguei e caí sentada no chão, fazendo com que meu corpo molhado deslizasse o resto dos degraus e meu corpo se chocarem com o chão mais uma vez. Gritei. Dor. Sangue. Coloquei as mãos no meio de minhas pernas e eu sangrava.
- Selena! – Eu ouvi Demi gritar. Em uma fração de segundos ela estava ao meu lado, segurando minha cabeça que pendia para o lado. Meu corpo estava fraco. Ouvi Demi gritar desesperadamente por socorro até Taylor e Ed aparecerem. Senti os braços fortes de Ed me pegarem no colo e então mais dor. Escuridão.
Demi's POV
Os minutos que se passaram até o hospital pareceram eternos. Selena estava desmaiada no banco de trás nos meus braços, o rosto pálido e o corpo molhado. Taylor não parava de chorar e eu estava com o choro travado na garganta, eu não podia chorar, eu precisava ser forte por Selena naquele momento. Ed estacionou o carro na entrada de emergência e eu carreguei Selena nos braços até a maca que a enfermeira trouxe rapidamente. Os médicos avançaram para cima da minha latina e eu senti braços me puxarem, me impedindo de entrar na sala emergencial.
- A senhorita não pode entrar! Por favor, a senhorita precisa se acalmar. – Eu ouvia a voz da enfermeira.
- Ela é minha namorada! Eu quero ficar com ela! – Eu gritei mas as mãos não me soltaram. As lágrimas escorreram e então pude sentir as mãos frias da enfermeira serem substituídas pelo abraço caloroso de minha melhor amiga. Taylor me abraçou forte.
- Shhh shhh... Vai ficar tudo bem, eu estou aqui, vai ficar tudo bem. – A loira disse com a voz embargada pelo choro. Abracei seu corpo fortemente e chorei baixinho em seu peito.
xxx-xxx
Duas horas haviam se passado desde que Selena havia entrado na sala de emergências. Eu estava sentada com a cabeça encostada no ombro de Taylor, mas não agüentei cinco minutos e comecei a andar pelo corredor de um lado para o outro. Duas malditas horas e nenhuma notícia do estado de minha namorada e de meus filhos. Eu estava pronta para ir atrás de alguém que me desse informações quando o médico moreno e alto, obstetra de Selena, entrara no corredor com um semblante preocupado.
- Doutor, doutor, onde está Selena? Ela está bem? E os meus filhos? – Eu disse desesperada quando o doutor Lautner se aproximou de mim.
- Fizemos de tudo para manter Selena estável e para que o corpo segurasse os bebês, mas não foi possível, quando o corpo de Selena se chocou contra o chão, a batida fez com que sua bolsa estourasse e a placenta se abrisse. Selena está bem, mas os gêmeos nasceram prematuros em um parto cesariana, 7 meses e 3 semanas para ser exato. Eles estão na UTI em observação, o caso deles é cuidadoso mas não necessariamente perigoso. – O médico disse e meu coração acelerou. Meus pequenos já estavam no mundo.
- Eu quero ver meus filhos! Quero ver Selena! – Disse quase em uma súplica para o doutor.
- Você pode ver Selena, ela acaba de acordar. Providenciarei que tragam uma cadeira de rodas para que Selena possa visitar os filhos com você daqui a algumas horas. – Ele disse com um breve sorriso.
- Taylor, eu preciso ir ver Selena. Revezamos-nos, tudo bem? Depois de mim você pode ir. – Eu disse a minha melhor amiga que me olhava apreensiva e a mesma assentiu com a cabeça, indo se sentar ao lado de Ed. O doutor me conduziu a uma parte do hospital onde eu podia ouvir choros de bebês e mulheres gritando ao dar a luz. Fiquei agoniada com os gritos até que vi Selena pelo vidro transparente da janela de seu quarto. Ela estava deitada, olhando para a televisão.
- Amor, Demi... – A latina disse com a voz fraca quando me viu entrar pela porta e a encostar. – Demi onde estão os nossos bebês... – Ela me olhava confusa. – Eles não estão mais aqui dentro de mim, Demi, eu sinto... quando eu acordei eles não estavam mais aqui. – Ela disse com a voz embargada pelo choro e totalmente confusa.
- Meu amor, não chore se acalme. Está tudo bem, você está bem, os gêmeos nasceram prematuros, a pancada que você levou fez com que sua bolsa estourasse e você entrou em trabalho de parto mais cedo. Eles estão na UTI em observação cuidadosa, mas vão ficar bem, eu prometo. – Passei as mãos no rosto pálido de Selena enxugando suas lágrimas. Ela me olhava suplicante, a dor de não ter mais os bebês dentro de si era evidente em seu olhar. Acariciei seu rosto até a mesma se acalmar.
Algumas horas depois Selena já havia se alimentado e a cadeira de rodas estava pronta para levá-la para ver nossos filhos. Ela não podia se movimentar muito por causa da cicatriz da cirurgia do parto cesariano, então era necessário uma cadeira de rodas. As enfermeiras a colocaram sentada cuidadosamente e me deixaram empurra-la pelos corredores do hospital até a área da UTI, guiadas pelas mesmas.
A sala de UTI da qual entramos estava cheia de incubadoras com muitos pequenos bebezinhos dentro e meus olhos não paravam de procurar pelos nomes Thomas e Claire. Meu coração se apertou quando a enfermeira apontou para duas incubadoras, uma ao lado da outra, com dois pequenos e branquinhos bebês, em cada incubadora.
- Esses são os seus bebês. Parabéns, mamães. – A enfermeira ruiva sorriu brevemente e saiu da sala, nos deixando a sós com nossos filhos.
Meu coração se encheu de amor ao ver os dois pequenos bebês deitadinhos, tranqüilos. Eles respiravam com a ajuda de aparelhos e muitos fios ligavam os seus pequenos corpinhos a um monte de máquinas, onde se passavam à vida deles. Pude ouvir Selena chorar e as lágrimas teimosas também escorriam pelo meu rosto. Peguei a mão de minha namorada que a segurou forte.
- Eles são tão lindos, e pequenos... Eu não acredito que eu fiz esses bebês. – Selena finalmente disse.
- Eles são lindos, Selena... Olhe, Claire tem os seus olhos, e Thomas o formato da sua boca. – Eu disse reparando nos detalhes dos pequenos.
Reparei que em cada incubadora havia luvas de proteção onde eu poderia colocar minhas mãos para tocar os bebês. Encorajei Selena a ir primeiro e a mesma hesitou com medo de machucá-los, mas com cuidado ela aprendeu e tocou Claire pela primeira vez, fazendo carinho em seu corpinho. A menininha que estava de olhinhos fechados os abriu pela primeira vez. Eram escuros e vivos, exatamente como os de Selena. Lena acariciou a garotinha até que ela adormeceu novamente. Logo depois Selena estava acariciando Thomas, que também abrira os olhinhos pela primeira vez, só que diferente dos da irmã, os dele pareciam com os de Harry. A cor ainda não era definida por ser muito novinho, mas eram parecidos com um verde escuro.
- Eu amo vocês. – Lena disse enquanto eu agora acariciava nossa menininha Claire com uma mão, e com a outra fazia carinho em Thomas.
- Eu amo vocês... – Disse com um sorriso no rosto enquanto observava os bebês e depois meu olhar se voltou para a morena. Ela ainda tinha um ar exausto. Fiz mais alguns carinhos nos bebês e me levantei, tirando as mãos das incubadoras.
- Você precisa descansar meu amor, e Thomas e Claire também. Amanhã nós voltamos para vê-los. – Eu disse com o coração apertado.
- Eles vão ficar aqui sozinhos? Não posso deixar eles sozinhos Demi. Preciso ficar aqui. – A mais velha disse com os olhos marejados.
- Meu amor, as enfermeiras cuidarão deles enquanto você estiver descansando. Você precisa se recuperar, e quanto mais forte você ficar, mais cedo você irá para casa e poderá cuidar deles lá. Tudo bem? – Eu disse tentando acalmar Selena mas minha vontade era de pegar minha namorada e meus filhos e ir para casa logo, cuidar deles lá.
Selena não disse nada e apenas me deixou leva-la de volta para o quarto. As enfermeiras me ajudaram a deitá-la sobre a cama novamente e a mesma adormeceu depois que eu cantarolei para ela, como fazia em todas as noites em que ela estava cansada demais mas não conseguia dormir. Selena dormiu como um anjo e eu me sentei no sofá ao lado observando-a. Eu apenas queria que ela e meus filhos se recuperassem logo e que pudéssemos voltar para casa.
xxx-xxx
