Demi's POV

Após bater a porta do quarto com força, encostei na porta e deixei que meu corpo deslizasse até encostar no chão. Agarrei meus joelhos com força e me encolhi, chorando tudo aquilo que eu não tive coragem de chorar na frente de Selena. Ela não merecia aquelas lágrimas, ela não merecia aquela dor que eu estava sentindo por ela. Selena não era digna nem de uma palavra minha. A cena horrenda se repetindo na minha cabeça estava me atormentando, como ela poderia ter feito aquilo comigo? Tudo o que eu tinha feito por ela até aquele momento era tê-la amado, respeitado, ficado ao lado dela durante meses tão dificíeis. Como eu era idiota! Ela não precisava me cortar daquele jeito, me magoar daquela forma, ela podia simplesmente ter acabado com tudo antes de me trair daquela forma. Era como se ela tivesse fingido que éramos nada todo esse tempo, como se nunca tivéssemos acontecido. Ela não precisava ter sido tão baixa, ela praticamente transou com Harry dentro da nossa casa, da minha casa! Agora penso em todas as vezes em que Selena tinha ficado com ciúmes por algo idiota e sempre me fazia acreditar que era sempre algo que eu tinha feito. Quão hipócrita!

Havia chorado tanto em meio a pensamentos que não percebi que já havia horas que eu estava sentada ali, me dando conta apenas quando percebi que o quarto estava escuro e eu com dores no corpo por ficar tanto tempo na mesma posição. Me levantei com dificuldade, acendi a luz e me sentei na beirada da cama. Eu não sabia o que fazer. Só não queria lidar com Selena agora, minha cabeça doía só de pensar em mais uma discussão e meu peito se apertavada em uma dor terrível ao me lembrar do que havia acontecido.

Mas minha mente me lembrava constantemente que eu não poderia simplesmente mandar Selena embora. Eu não suportaria ficar sem meus filhos. Ou os filhos dela, como seria daqui pra frente se nós nos separássemos e era exatamente o que iria acontecer se eu a mandasse embora. Ela levaria os bebês pra casa de Harry, ou dos seus pais, e eu provavelmente nunca mais os veria. Comecei a chorar só de pensar na hipótese de nunca mais ver aqueles rostinhos perfeitos que enchiam meu coração de amor. Eu os amava tanto, amava como se fossem meus, eu não poderia deixá-los ir.

Ouvi algumas batidas fracas na porta. Só poderia ser Selena. Respirei fundo, eu não sabia o que fazer. Não queria vê-la, mas não queria que ela se fosse com Claire e Thomas. Eles valiam tanto a pena pra mim que resolvi abrir a porta e encontrar uma Selena ainda chorando com o olhar suplicante sobre mim.

- Demi... - Ouvi a voz fraca dirigida a mim. - Eu sinto muito.

- Eu sei que você sente mas sentir muito não muda nada, Selena. - Respondi fria.

- Eu sei que eu te magoei e que você nunca mais quer me ver mas eu não tenho para onde ir, Demi. Eu não posso ir pra casa do Harry, muito menos pra casa dos meus pais... - Ela chorou mais uma vez. - Por favor, não me mande embora. Eu só consigo cuidar deles com você por perto.

Aquilo era maldade. Ela estava implorando para não ir embora enquanto minutos antes eu estava com dúvidas sobre viver em baixo do mesmo teto que ela. Eu não conseguiria deixá-la ir, Deus sabe onde ela se enfiaria com dois filhos e pensar em Selena na rua, por mais que ela merecesse, me aterrorizava porque ela estaria com Claire e Thomas. Eles não tinham culpa nenhuma dos erros da mãe e daquela situação toda em sí, eles não mereciam nem um pingo de sofrimento.

- Selena. - Fechei os olhos e respirei fundo tentando ao máximo não soar mal educada ou amarga demais. - Você não precisa ir embora.

Vi um sorriso aparecer nos lábios da garota mas balancei a cabeça negativamente.

- Você não precisa ir embora porque eu não suportaria a ideia de não saber se meus filhos estão bem ou não. Você pode ficar por causa deles.- Completei.

O sorriso que antes era brilhoso se desmanchou e mais algumas lágrimas escorreram pelo rosto agora vermelho.

- E quanto a nós? - Ela sussurrou.

- Eu agradeceria se você não dirigisse a palavra a mim se não for pra conversar sobre as crianças. Eu não tenho mais nada com você, acho que isso já é bem claro, não é? Você fez sua escolha Selena, você me traiu, e eu não estou suportando nem olhar pra você agora. Eu estou fazendo esse sacríficio pelos bebês. - Respondi em uma mistura de ódio e amargura.

- Eu sinto muito Demi, eu sinto tanto... Aquilo não significou nada pra mim, eu espero que um dia você possa me perdoar. - Selena disse e se aproximou de mim tocando a ponta dos dedos sobre meu rosto. - Eu amo você e somente você, eu não sei o que estava pensando... Por favor, me perdoa.

Me afastei bruscamente do seu toque, fazendo ela dar alguns passos para trás com o susto.

- Você me destruiu, e pra mim agora você é apenas alguém que eu costumava conhecer, Selena. - Cuspi as palavras. - Eu não sinto nada além de nojo de você.

Saí do quarto após ter praticamente vomitado aquelas palavras sobre Selena. Todas aquelas desculpas e choramingos estavam me deixando nervosa. Como ela esperava que eu a perdoasse? Mesmo que eu o fizesse, mesmo que eu desse mais uma chance, nunca mais seria a mesma coisa. Nunca mais eu a olharia da mesma forma, com a mesma devoção que eu costumava olhar. Eu estava com tanto nojo de Selena que eu não conseguia me imaginar a perdoando, a beijando novamente, a tocando novamente depois de Harry ter o feito. As mãos sujas daquele homem sobre o corpo dela me causava naúseas. Ele havia conseguido o que queria e era aquilo que me deixava com mais raiva, Selena era tão idiota que tinha se entregado com tanta facilidade.

Precisava me afastar daquele lugar, sair para pensar, ficar em algum lugar sem Selena pedindo desculpas a cada 5 minutos. Resolvi sair do apartamento, então dei um beijo em Claire em Thomas antes de sair e pegar meu carro.

Dirigi em direção a cafeteria que eu costumava ir todos os dias depois do trabalho, era um ótimo lugar para pensar pois era quieto por ser frequentado por muitos leitores, então era sempre silencioso e calmo. Estacionei meu carro em frente ao lugar e entrei, me sentando em uma das mesas do fundo onde a iluminação era fraca e a vista para a rua era ótima.

- O que vai pedir? - A garçonete parou ao meu lado pegando o bloquinho e a caneta no bolso do avental sem olhar para mim.

- Um capuccino com creme, por favor. - Só quando eu respondi que olhei para a mulher e a reconheci. - Naya? - Chamei.

- Demi? O que está fazendo aqui? - Ela perguntou um tanto surpresa.

- Eu venho aqui quase todos os dias... Não sabia que você trabalhava aqui.

- Eu comecei ontem, preciso do emprego para conseguir pagar minha faculdade. - Ela deu um sorriso de canto. - Que coincidência eu conseguir um emprego na cafeteria que você mais frequenta.

- Pois é, muita coincidência. - Eu respondi um pouco desconfiada mas deixei a desconfiança para lá, não estava com cabeça para questionar nada no momento.

A morena ficou me encarou por alguns segundos e arqueou uma sobrancelha, eu dei um sorriso nervoso para ela e ela se sentou de frente para mim na mesa.

- O que faz aqui sozinha? Cadê a sua namorada? - Ela perguntou.

- Hum, eu não tenho nenhuma namorada. - Respondi fria, torcendo para ela não me fazer nenhum questionário. Não era o momento.

Naya arqueou as sobrancelhas mais uma vez confusa mas acentiu olhando fixamente para mim. Ela estava com certeza tentando entender mas provavelmente não estava dando certo. Suspirei sem saber o que dizer ou fazer então apenas continuei calada.

- Você não me parece bem, mas não precisa me contar nada. - Ela se levantou da mesa. - O meu turno está acabando, quer sair para algum lugar e esquecer o que seja lá que esteja te atormentando? - Ela sorri simpática.

Pensei no convite por alguns segundos antes de responder. Não seria má ideia, eu realmente precisava me distrair, ficar pensando e me martirizando com o que havia acontecido não iria me ajudar em nada. E Naya era uma ótima companhia, nós nos divertíamos muito quando namorávamos em Nova Iorque.

- Então? - Ela disse chamando minha atenção.

- Tudo bem, eu topo. - Sorri e me rendi, aceitando o convite.

Naya abriu um sorriso grande e bateu palmas animada, e então eu a segui para algum lugar dentro da cafeteria onde ela retirou o avental e trocou de roupa rapidamente na minha frente sem se importar. Fiquei meio desconcertada com a cena. Não que eu não estivesse gostando mas era esquisito, fazia praticamente 1 ano que eu não a via daquela forma.

- Desculpe me trocar assim na sua frente mas esse é o único quarto onde os funcionários podem entrar para se arrumar. - Ela disse meio sem jeito.

- Hm, é, tudo bem.

- Então, você quer ir para onde? - Ela perguntou já arrumada e com sua bolsa em mãos.

- Podemos ir até para a sua casa contanto que tenha alguma bebida alcóolica bem forte. - Eu ri ao dizer aquilo.

- Uow, então vamos. - Ela riu comigo. - Pelo jeito a coisa está séria!

Acenti ainda rindo e a segui para fora da cafeteria, entrei no carro e esperei Naya entrar para sair dali. Fiz o caminho ainda conhecido até sua casa, o lugar não era tão longe da cafeteria e o caminho todo eu e Naya não trocamos nenhuma palavra, apenas olhares. Não era um silêncio desconfortável porque eu ainda estava acostumada com ela mesmo depois de tanto tempo sem vê-la. Para ser sincera, eu achava que ela ainda estava com raiva de mim então nunca tentei entrar em contato, até porque Selena também me mataria. Mas pelo visto ela não estava com raiva, estava sendo amigável até demais. Não me importei com aquilo, eu realmente estava precisando daquilo no momento.

Estacionei o carro em frente ao prédio de Naya assim que chegamos. Entramos no condôminio e acenei para o porteiro conhecido que ainda trabalhava por ali.

- Então, quer tomar uma vodka ou uma tequila? - Naya disse em meio a risos assim que abriu o apartamento e entramos.

- É o que você tem de mais forte por aqui? - Eu disse um pouco decepcionada.

- Infelizmente sim, se você veio procurando por uma cachaça eu sinto em lhe dizer que acabei com tudo e esqueci de comprar mais. - Ela riu.

- Tudo bem, vamos com o que você tem por aí então. - Ri e a segui para a cozinha.

A morena nos serviu algumas doses de tequila e depois alguns copos de vodka barata, daquela que te deixa bêbado bem rápido. Sem perceber já havíamos consumido tudo o que ela tinha mas eu ainda queria mais. Sentir o álcool descer rasgando pela minha garganta era tudo o que eu precisava pra esquecer Selena. Em algum momento, Naya me arrastou para o seu quarto alegando que queria me mostrar algo. Eu estava tão bêbada que apenas deixei-me ser arrastada.

- Está tão calor aqui. - Ouvi a garota dizer com a voz embriagada e sexy.

Antes que eu pudesse responder alguma coisa ela já havia tirado sua calça e sua blusa, ficando apenas de lingerie e se jogando na cama de casal enorme. O seu olhar agora malicioso e sustentava o meu. Era impossível não estar completamente atraída. O corpo perfeito semi-nu que agora ela acariciava em uma tentativa bem sucedida de me seduzir.

- Vem Demi. - Ela sussurrou.

Sem hesitar retirei minha calça e minha blusa e rapidamente me deitei sobre a mulher, o seu corpo quente se chocou contra o meu e eu arfei com a diferença de temperatura. Era deliciosa. A morena procurou meus lábios e fechou a distância entre nossas bocas em um beijo urgente. Era extremamente quente, ardido, o choque de nossas línguas me fazendo gemer em sua boca. O efeito do álcool no meu cérebro deixava tudo aquilo ainda mais prazeroso. Tudo o que eu conseguia pensar era que eu queria foder e ser fodida por aquela mulher deliciosa nos meus braços.

Me entreguei a ela sem pudor e ela se entregou a mim sem hesitar, me fazendo chegar ao ápice muitas vezes naquela noite, me fazendo esquecer completamente por algumas horas que Selena existia na minha vida e que ela realmente era apenas alguém que eu costumava conhecer. E apenas por algumas horas eu estava perfeitamente bem com aquilo.