Selena's POV
Após Demi ter ido embora, me permiti sentar no sofá e chorar. Eu estava com tanta raiva de mim mesma. Eu sentia tanto nojo de mim quanto Demi. Ela estava certa, ela deveria sentir nojo de mim porque nem eu mesma estava suportando o que eu havia feito. Eu mal compreendia o por quê de eu ter deixado Harry me tocar daquela forma, eu deveria ter parado, eu deveria ter impedido no momento que os lábios dele encontraram os meus, mas eu cedi aos desejos da minha carne e perdi a pessoa que mais me importava no mundo por um deslize cometido pelo desejo de prazer. Só de pensar que eu havia cometido o maior erro da minha vida meu coração se contraia de uma forma tão dolorosa que parecia que ele queria me punir, meu órgão vital me fazia sentir na pele a dor do arrependimento. Era como se meu coração gritasse que a dor era só uma consequência do amor, e minha mente em um turbilhão de pensamentos que só me levavam a uma linha de razão: Nós nunca damos valor ao que temos até perdermos.
Eu havia chorado tanto sobre as palmas das minhas mãos, que estavam afundadas no meu rosto em uma tentativa de secá-las, que eu poderia jurar que poderia ver meu próprio reflexo nelas. E se eu realmente conseguisse me enxergar, eu tenho certeza que minha aparência não era uma das melhores. Já faziam horas que eu estava ali perdida em meus próprios pensamentos, o choro com certeza havia me deixado com uma vermelhidão imensa ao redor dos olhos e nas bochechas e meus cabelos estavam todos desgrenhados por conta dos puxões que eu mesma acabava me dando em atos desesperados de tentar me punir.
Resolvi me levantar ao me lembrar que Claire e Thomas estavam dormindo a muitas horas e então fui me certificar que estavam bem. Já na porta do dormitório azul e rosa dos pequenos eu pude escutar um choro já reconhecido por mim vindo da direção do berço branco, e então me apressei em ir até o mesmo e aninhar a pequena Claire nos meus braços. O corpinho quentinho em contato com o meu fez um sorriso bobo aparecer nos meus lábios. Balancei a pequena devagar até a mesma se acalmar, senti seu cheiro doce emanar e quase chorei mais uma vez, me lembrando de como Claire cheirava a Demi, em como o perfume da garota havia se prendido na menininha.
Dei alguns passos até o outro berço onde encontrei o pequeno rapaizinho Thomas com os olhos enormes abertos. Aquele verde já definido me fitava de uma forma única. Thomas não era de chorar, ele era muito mais calmo e menos manhoso do que Claire e isso era uma característica que nenhum de seus pais tinha, o que me levava a pensar de quem ele havia herdado. Talvez aquilo fosse unicamente dele, assim como Claire tinha suas características particulares. Aninhei Thomas em meu outro braço, segurando os dois, que eram muito pequenos, bem juntinhos a mim. Eles estavam tão calmos e ainda sonolentos que me chegava a causar uma inveja boa. Eles não entendiam nada do que estava acontecendo por ali, e nem deveriam, mas eu desejava ser como eles... Estar desligada daquele problema, estar desligada de mim mesma, apenas para fazer a dor parar nem que fosse por alguns minutos.
- Eu sinto muito. - Sussurrei para os dois que me olhavam curiosos e mexiam suas pequenas mãosinhas, tentando tocar meu rosto ou puxar meus cabelos.
- Eu sei que vocês não entendem nada do que está acontecendo mas eu estou me desculpando porque hoje eu coloquei tudo a perder. - As lágrimas novamente começaram a rolar pelo meu rosto. - Eu sinto muito por vocês terem vindo ao mundo através de uma pessoa tão inexperiente, e eu quero que vocês saibam que tudo o que eu fiz por vocês foi porque eu tive Demi ao meu lado. Ela é a mãe de vocês. Eu sinto muito por ter estragado a nossa família, e eu vou me arrepender por isso pelo resto da minha vida, mas eu prometo que eu nunca vou deixar vocês sozinhos porque vocês foram as melhores coisas que aconteceram na minha vida. Eu... - Gaguejei entre o choro. - Eu só sinto muito por não poder dar a família estruturada que vocês merecem.
Claire e Thomas ainda me olhavam curiosos, como se pudesse entender cada palavra que eu dizia. Eu sabia que era bobeira conversar com dois bebês de 4 meses mas eu precisava colocar aquilo para fora. Eu me sentia muito culpada por ter tirado a chance deles de terem uma família estruturada, comigo e com Demi juntas, criando-os juntas. Ela havia permitido que eu ficasse com eles por ali no apartamento mas eu sabia que não seria a mesma coisa, Demi mal conseguia olhar para mim enquanto falava comigo, as coisas mudariam muito. Eu sabia que ela não estaria longe mas mesmo assim eu não suportaria aquela distância entre nós. Demi estava com viajando com meu coração nas palmas das mãos e tudo pelo que eu mais torcia era que isso fosse uma coisa temporária, que todos aqueles sentimentos de mágoa, raiva, dor, fossem temporários e que ela pudesse enxergar o quão arrependida eu estava.
Depois de ter amamentado Claire e Thomas por algum tempo, coloquei os dois para arrotar e depois os ninei até coloca-los em seus respectivos berços. Eles dormiriam por mais algumas horas e depois acordariam para mamar novamente e tomar banho.
Saí do dormitório infantil e dei uma olhada na sala, notando que já estava prestes a escurecer. Pensei em Demi e em como ela havia saído perturbada. Eu estava preocupada mas sabia que ela merecia um tempo, ficar no mesmo ambiente que ela e vê-la me tratando daquela maneira fria era doloroso demais. Mas onde ela estaria? Era impossível não ficar me perguntando onde a mesma havia se refugiado e cenas horríveis me passaram pela cabeça mas as afugentei argumentando comigo mesma de que Demi era inteligente e responsável, e que coisas como bebedeiras e até mesmo um "puteiro" eram coisas que só eu faria.
Meu celular tocou estridente a música conhecida e atendi de imediato ficando aliavida ao ouvir a voz conhecida do outro lado da linha.
- Selena! - A voz da Swift era feliz.
- Oi, Taylor! - Respondi tentando soar no mínimo metade feliz do que Taylor parecia, mas a tentativa não foi bem sucedida.
- É o seguinte, não vou dar muitos rodeios porque tenho pouco tempo. Você se lembra de quando eu disse que você cantava muito bem e que um dia deveria se apresentar em algum lugar?
- Sim, claro que me lembro. O que tem? - Perguntei meio desconfiada.
- Acontece que eu e Ed encontramos um barzinho com música ao vivo aqui perto de Santa Monica! O lugar é lotado de gente legal e a música é ótima, eu mesma acabei de cantar e a galera adorou! O Ed conseguiu colocar você pra cantar ainda essa noite. Você precisa ficar pra cá, Sel! - A loira praticamente dizia aos berros no telefone.
- Taylor. - Eu ri da histeria. - Eu não posso. Eu estou sozinha com os bebês e Demi saiu, nós brigamos e é uma longa história... Não posso te contar por telefone. - Suspirei.
- Mais um motivo para você vir para cá e me contar pessoalmente. Ligue para a babá que sua mãe te indicou. Por favor Sel, é uma oportunidade única você vir cantar aqui!
- Taylor, eu nunca me apresentei em frente a uma plateia e eu nem canto tão bem assim! E eu não vou deixar uma estranha cuidando dos meus filhos.
- Selena Marie, uma babá agenciada não é uma estranha, e é uma ótima oportunidade para você sair um pouco... Os últimos 4 meses foram dificieis pra você. Por favor, por mim, vem! - A Swift implorou.
Suspirei e esfreguei as tempôras pensando. Talvez ir não fossem assim tão má ideia. A babá que minha mãe havia me indicado era uma conhecida dela e sempre estava disponível. E me apresentar... Bom, talvez me apresentar fosse divertido. Talvez eu pudesse cantar alguma coisa que me fizesse colocar todos aqueles sentimentos para fora. E ter Taylor do meu lado seria maravilhoso, ela era uma ótima ouvinte e eu precisava conversar com alguém e sabia que a Swift me entenderia melhor do que qualquer outra pessoa.
- Tudo bem. Eu vou. - Eu respondi e ouvi os gritos de vitória de Taylor.
- Eu te mando o endereço por sms! Até daqui a pouco, Sel, tchau! - Dito isso ela desligou.
Depois de alguns minutos meu celular apitou com a mensagem de Taylor com o endereço. Suspirei pesadamente com a possibilidade de deixar meus filhos sozinhos mas depois de um tempo liguei para a babá e por sorte, ela realmente estava disponível. Resolvi tomar um banho e me aprontar enquanto a babá não chegava. Tomei um banho calmo e depois coloquei um vestido branco florido e minha sapatilha preta. Deixei os cabelos soltos e fiz uma maquiagem leve, devido ao calor que estava fazendo e eu não queria ficar toda melecada e derretida.
Algum tempo depois de eu ficar pronta, a babá chegou. Seu nome era Ashley e ela aparentava ter a mesma idade que eu. Era nova mas me passou muita confiança no seu jeito de falar e agir. Dei todos os números de contato possível para ela, inclusive os de Demi, alegando que ela poderia ligar para perguntar qualquer coisa.
Peguei meu violão e minha bolsa no quarto, dei um beijo em Claire em Thomas que agora já estavam acordados e Ashley estava os preparando para o banho. Saí do apartamento quase contra a minha vontade com Ashley me dizendo que iria ficar tudo bem e que qualquer coisa ela me ligaria. Mas era terrível para mim deixar os pequenos para trás. A última vez que eu havia feito isso, era porque eles precisavam ficar no hospital e aquilo me trazia lembranças horríveis.
Suspirei fundo e entrei no meu carro. Pensei mais um pouco antes de dar partida, mas fui confiante de que tudo ficaria bem. Eu precisava superar aquele medo de deixa-los sozinhos e eu estava precisando muito, muito conversar com Taylor sobre tudo o que estava acontecendo. Não demorou muito para que eu encontrasse o endereço do barzinho, em 20 minutos eu já estava estacionando aos arredores de Santa Monica.
Desci do carro e mandei um sms para Taylor me encontrar. Durante os minutos que fiquei esperando a loira, respirei fundo sentindo a brisa gostosa e o cheiro de mar que emanava naquele lugar, já que o bar era localizado bem próximo a praia. O lugar era tranquilo, haviam muitos turistas tirando fotos, casais apaixonados andando de mãos dadas pelas ruas, amigos em rodinhas se divertindo com alguma garrafa de vodca barata nas mãos. Realmente era o lugar tranquilo e legal que Taylor havia descrevido.
- Sel! - Ouvi a Swift dizer vindo em minha direção.
Abracei o corpo magro assim que ela estava próxima o bastante. Não era um abraço normal para se comprimentar mas sim um abraço necessitado. Abracei-a tão forte e ela retribuiu da mesma maneira, alisando minhas costas em um ato confortador. Me permiti chorar ali nos braços da minha melhor amiga e ela mesmo sem entender as secou com as pontas dos dedos e deu um beijo na minha bochecha, me fazendo sorrir de leve. Eu nem sabia porque estava chorando, mas estar ao lado de Taylor me fazia ficar emotiva pois ela era a única que me acolhia.
- Não importa o que esteja acontecendo, meu amor, você vai se divertir, tudo bem? Vamos entrar, Ed está esperando. - Eu acenti e me deixei ser guiada pela loira até dentro do estabelecimento.
O lugar era muito bonito e muito aconchegante. Havia um pequeno palco iluminado no centro do lugar e ao redor dele várias mesas ocupadas por gente descontraída, bebendo e ouvindo a banda que agora estava tocando. A decoração era toda praiana, colorida, alegre, com muitas flores e cores vibrantes para todos os lados.
- Oi Ed. - Comprimentei o ruivo com um abraço assim que chegamos na mesa onde eles estavam sentados.
- Oi, linda! E ai, está pronta para arrasar? - Ele sorriu animado.
- Ela está mais do que pronta, não é, Sel? - Taylor incentivou.
- Estou pronta, não sei se para arrasar, mas sim, vou cantar. - Tentei sorrir.
- Vem, vou te levar para onde você deve entrar. Você já é a próxima. - Ed anunciou.
- Boa sorte, Sel, e se divirta. - Taylor me soprou um beijo.
Ed me apresentou ao Joe assim que estávamos atrás do palco. Joe era o cara que agendava todas as pessoas que se apresentavam e eu o agradeci pela oportunidade. O lugar era bem disputado e era dificil conseguir uma apresentação, ainda mais de noite onde era bem movimentado, pelo que Joe dissera.
- Eu vou voltar para o meu lugar. Arrase, gatinha! - Ed me abraçou e saiu.
Sorri um pouco nervosa. Eu nunca havia me apresentado em frente a uma plateia antes. E aquilo acontecer na mesmo dia que eu e Demi havíamos terminado era um tanto esquisito, porque eu havia escolhido músicas de acordo com meus sentimentos naquele momento. Uma, em particular, era tudo o que eu sentia e eu a deixaria para cantar no final, porque eu tinha certeza que choraria.
- Nossa próxima atração é uma agendamento de última hora, a talentosa Selena Gomez! - Ouvi Joe anunciar no microfone e não pude deixar de rir da forma como ele havia falado que eu era talentosa, já que ele nunca tinha me ouvido cantar.
Entrei no palco e me sentei na cadeira, apoiando meu violão sobre minhas pernas e ajustando o pedestal na minha altura.
- Olá, eu sou Selena Gomez e essa noite eu vou cantar algumas músicas para vocês. Espero que gostem.
E então comecei com I promiss you.
