Demi's POV
- Isso foi... perfeito. - Naya se pronunciou e deitou-se ao meu lado na enorme cama de casal.
- Eu sei. - Respondi em um tom indiferente.
A latina me olhou de soslaio mas se virou, dando um suspiro profundo. Eu sabia o que ela estava pensando. Ou que eu me achava, por ser boa demais na cama, ou que eu era uma filha da puta muito indiferente depois de ter transado com elas repetidas vezes naquela mesma noite. Mas o que eu poderia fazer? Eu estava bêbada, magoada, com ódio de Selena. Queria me vingar de qualquer forma e vi a oportunidade perfeita quando me encontrei com Naya na cafeteria e praticamente me ofereci para beber em sua casa. Provavelmente a mulher achava que ela tinha se aproveitado de mim, mas eu já havia pensando naquilo muito antes de ter ficado bêbada. O álcool foi apenas a desculpa perfeita.
Já se aproximavam das 23:30 quando resolvi me levantar daquela cama e ir tomar um banho. Transar com Naya depois de tanto tempo era um tanto quanto diferente, já que eu estava tão acostumada com Selena, mas foi ótimo. Não havia um resquício de culpa em mim, pelo contrário, eu estava satisfeita comigo mesma por ter deixado aquilo acontecer. Eu me sentia tão vingativa que chegava a ser doente. Queria fazer Selena pagar pelo que tinha feito comigo e por mais que a garota não soubesse que eu estava com Naya, meu interior gritava vitória por ter dormido com a pessoa que ela mais odiava.
Estava tomando um banho calmo quando Naya entrou no banheiro me fazendo prestar atenção nela. Pelo vidro do box pude perceber que ela estava toda arrumada, provavelmente tinha tomado banho no banheiro comum do apartamento, já que eu estava na suíte.
- Só vim pegar minhas maquiagens, pode continuar seu banho. - Ela disse um pouco alto para que eu pudesse ouvir.
- Tudo bem. Aonde você vai? - Respondi no mesmo tom, o barulho da água deixava o ambiente inaudível.
- Aonde nós vamos, Demi. - Naya deu uma risada. - Nossa noite ainda não acabou. Ela acabou de começar.
- Ok. - Respondi indiferente mais uma vez.
Eu gostava da forma como Naya era determinada, eu sabia que ela não aceitaria um não como resposta. Quer dizer, se eu não quisesse ir, eu não iria, mas eu estava afim. Ela estava certa, nossa noite não tinha terminado e quanto mais eu pudesse usá-la, mais minha sede de vingança iria se saciar.
Entrei no quarto enrolada na toalha e deixei-a cair, sem me importar com Naya que estava sentada se maquiando.
- Posso saber aonde nós vamos? - Perguntei enquanto vestia minha calça jeans preta e logo após minha camiseta do Guns N Roses.
- Joe, o Jonas, me ligou enquanto você estava no banho e me perguntou se eu gostaria de passar no bar hoje. Você se lembra dele, né?
Acenti. Eu tinha uma vaga lembrança do homem em minha mente. Naya havia me apresentado enquanto ainda namorávamos em Nova Iorque. Ele estava por lá apenas de passagem, me lembro vagamente dele ter comentado que possuia um bar em Los Angeles, aos arredores do litoral.
- Então quando eu disse que eu estava com você, ele ficou ainda mais animado e disse que não recusava um não como resposta. Você sabe que lá eles tem música ao vivo? - Ela comentou e olho razoalvemente para mim. - Talvez você possa cantar algo, sua voz é linda.
Bufei. Impossível eu me apresentar diante de uma plateia, por menor que ela fosse. Eu não conseguia cantar nem na frente dos meus familiares. A única pessoa que me deixava confortável para cantar era Selena, e no momento, eu não queria mesmo pensar sobre a garota.
- Não, obrigada. - Respondi. - Mas podemos passar por lá e beber alguma coisa.
Naya sorriu e acentiu. Talvez eu a convencesse a cantar quando chegassemos lá, pois ela também era dona de uma voz maravilhosa. Sem exageros, ela cantava como um anjo e aquilo me trouxe lembranças boas de Nova Iorque. Quando eu me mudei para lá, eu estava perdida, triste e com o coração partido por ter deixado Selena, mas com o tempo Naya me ensinou a sorrir e eu não tinha chegado a me apaixonar por ela, mas eu gostava demais. Ela me distraía e pensando bem, eu nunca deveria ter voltado para Los Angeles. Minha vida com Naya não teria sido perfeita, mas teria sido doce como um sonho, fácil. E não essa tormenta que estava sendo agora.
Terminei de me arrumar, deixando os cabelos soltos depois secá-los, e fiz uma maquiagem básica, apenas chamando atenção para meus lábios extremamente vermelhos de batom. Naya já estava pronta e apenas esperando, então saímos do apartamento e pegamos meu carro que estava estacionado em frente ao condôminio.
- Posso te perguntar uma coisa? - Naya disse depois de alguns minutos durante o percurso.
- Claro. - Respondi e desviei minha atenção por alguns para ela.
- O que aconteceu? Entre você e Selena? - Ela perguntou cuidadosamente.
Respirei fundo e voltei a prestar atenção na estrada. Eu não queria contar nada para ela, queria apenas esquecer e usá-la como minha forma de escape. Selena era um assunto que eu não queria conversar com ninguém. Era humilhante contar que eu havia sido traída, ainda mais para Naya, porque eu a havia deixado por Selena.
- É uma história complicada. Não quero estragar nossa noite falando nisso. - Disse por fim.
- Ok. - Ela suspirou e finalmente desistiu.
Um tempo depois chegamos ao bar, que ficava em Santa Monica. Naya e eu não tínhamos trocados mais palavras depois da curta conversa sobre Selena, mas o clima não tinha ficado estranho. Quando descemos do carro, ela entreçou seus dedos nos meus e me guiou para dentro do bar. O lugar era alegre, divertido, e de repente senti uma empolgação crescer dentre de mim contagiada pela música agitada que uma banda qualquer tocava em cima do palco.
Me encostei no bar com Naya e pedi duas doses de tequila. Era só o começo da noite, eu precisava dar uma aquecida. Naya se encostou em mim, ficando frente a frente, e me deu um selinho longo nos lábios. Eu sorri sem entender.
- Acho que essa noite você deveria provar algo mais... forte. - A latina disse e enfiou as mãos nos bolsos, tirando de lá dois saquinhos com uma quantidade boa de um pó branco. Cocaína.
- Você é louca? O que está fazendo com isso aqui? - Olhei ao redor para me certificar de que ninguém estava vendo.
- Relaxe, Demi. Todo mundo aqui com certeza usa algo ilegal. Não é nada demais, é só cocaína. - Ela disse descontraída. - E aí, quer provar?
- Não, obrigada. - Respondi fria.
- Anda, Demi, só uma carreirinha. Eu prometo que isso vai te fazer se sentir tão bem que você vai esquecer qualquer coisa. É melhor do que álcool. É alucinante e te deixa com vontade de fazer coisas impossíveis mas maravilhosas. É a melhor adrenalina do mundo. - Ela me tentou sacudindo os saquinhos plásticos na frente do meu rosto.
As sensações que Naya me prometia eram completamente tentadoras, claro. Mas eu deveria? Drogas eram uma coisa que eu nunca havia experimentado, nem mesmo quando eu era adolescente e meus amigos me ofereciam. Sempre fui pé firme em relação a esse assunto. Beber, por mim tudo bem, mas drogas? Eram algo mais pesado... algo que eu só faria se estivesse na situação que me encontrava naquele momento, com o coração completamente destroçado. Afinal, eu já estava vivendo meu próprio inferno, não estava? Me afundar naquele poço era só mais um passo. Eu não me importava se me faria mal ou não, era impossível ficar pior do que eu estava.
- E então? - Naya disse tentadora mais uma vez.
- Vamos logo com essa merda. - Me dei por vencida e me deixei ser guiada por Naya até o banheiro feminino.
Naya ajeitou a droga sobre a bancada do banheiro, fazendo uma carreirinha para mim sobre a pia. Logo depois, fez uma para ela e tirou de sua bolsa dois canudos.
- É só cheirar. Você sabe como funciona? - Ela me entregou um dos canudos.
- Sim, já vi amigos fazendo. - Tomei o canudo nas mãos.
Sem hesitar, posicionei o canudo sobre a carreirinha e encaixei no meu nariz, cheirando de uma vez todo o conteúdo que estava ali. Foram cerca de segundos para que a droga agisse no meu organismo e então comecei a sentir uma grande euforia e um prazer inexplicável. Fechei os olhos me permitindo sentir todas aquelas sensações maravilhosas e tive vontade de gritar eufórica pelo prazer que eu estava sentindo. Era igualável em um nível tão bom quanto um orgasmo.
- Preciso de mais. - Disse abrindo meus olhos e olhando fixamente para Naya que também estava viajando nas sensações maravilhosas.
- Eu não tenho mais, mas Joe tem. É ele quem me fornece.
- Então vamos atrás. Agora. - Disse determinada e puxei Naya pelo pulso.
Eu precisava de mais. Queria sentir aquilo de novo, já estava quase ficando normal novamente. O ruim da cocaína era que os efeitos eram ótimos mas se esvaiam rápido de mais. Eu precisava de uma quantidade maior para um efeito mais prolongado. Eu queria ficar chapada com aquilo a noite inteira. Avistei Joe atrás do palco falando com alguém que não reconheci, eu só tinha olhos para ele para o que ele poderia me fornecer.
- Joe! - Chamei.
- Demi, Naya, que ótimo verem vocês por aqui! Que bom que aceitaram meu convite! - O homem disse com aquele papo furado que todo mundo tem.
- Você tem uma coisa que preciso muito. Agora. - Disse sem rodeios.
Ele olhou para Naya e ela sorriu piscando, fazendo-o entender imediamente sobre o que se tratava. Ele sorriu, um certo tipo de sorriso malicioso e enfiou a mão no bolso de trás da calça jeans, retirando um saquinho ainda maior do que o de Naya, com uma quantidade enorme de cocaína. Sorri animada ao ver e estiquei a mão para pegar, mas ele se afastou.
- Ok, entendi. Quanto isso vai me custar? - Fui enfiando a mão na bolsa para pegar minha carteira mas ele me parou.
- Uma noite. Com você. - Ele olhou nos meus olhos e eu comecei a dar risada.
- Cara, eu sou lésbica. - Olhei para Naya e ela acentiu confirmando.
- Você quer a droga ou não? - Ele insistiu.
- Talvez... - Naya se intrometeu. - Talvez a noite possa ser comigo e com ela, assim Demi não se sentirá tão desconfortável.
- Perfeito. - Joe sorriu demonstrando ainda mais animação. - Uma noite, Demi, e eu prometo que você terá drogas quando e onde quiser.
- Ok. - Não precisei nem pensar sobre a proposta e aceitei. Cocaína quando e onde eu quisesse por apenas uma noite de sexo com Joe? Ele até que era charmoso, e com Naya seria muito mais fácil.
Ele me entregou o pacote com a cocaína e eu peguei rapidamente nas mãos me dirigindo para o banheiro apressadamente. Naya não me seguiu e eu não me importei, apenas fiz minha carreirinha como a mulher tinha feito um pouco antes e cheirei todo o conteúdo mais uma vez. Cheirei tão rápido que o efeito foi ainda melhor, uma sensação que eu poderia que meu cérebro iria explodir associando tanto prazer. Aquele quantidade foi o suficiente para me manter eufórica por mais tempo e então saí do banheiro, limpei o nariz e fui procurar Naya.
Mas de repente uma vez conhecida me fez parar imediamente aonde eu estava. Meu corpo inteiro se arrepiou. Será que eu estava alucinando? Era a voz de Selena. Não era só a voz de Selena, era Selena cantando. Olhei ao redor procurando de onde a voz vinha e por um minuto pensei que estava ficando louca ou que era algum efeito da cocaína mas meus olhos encontraram a dona da voz. Selena estava em cima do palco, sentada com seu violão, cantando. Pisquei os olhos algumas vezes me certificando de que não era uma ilusão e então me aproximei do palco, ficando de frente para ele. Selena tinha os olhos fechados e não me via, mas a voz doce cantada me deixou estatítica.
I'm not a perfect person
There's many things I wish I didn't do
But I continue learning
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go
That I just want you to know
Eu conhecia aquela música. Eu sabia exatamente do que ela falava. Meu coração se apertou em uma mistura de angústia. O que ela estava fazendo ali? Cantando aquela porra de música? Ela não sabia que eu estava ali, então que diabos ela fazia ali?
I've found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
And the reason is you
Sacudi a cabeça associando tudo aquilo. Olhei ao redor procurando Naya para ir embora dali o mais rápido possível mas encontrei um rosto familiar entre as mesas. Taylor. A loira olhou para mim e arregalou os olhos, como se tivesse visto um fantasma. Aquilo só podia ser brincadeira... Na noite que eu queria esquecer que Selena existia, ela me aparecia misteriosamente no mesmo bar que eu estava, cantando uma letra que claramente era sobre mim e sobre nossa situação. Parecia ser mais uma pegadinha de mal gosto do maldito destino.
Selena então finalmente abriu os olhos. Os olhos carregados pela emoção encontraram os meus e ela os arregalou, surpresa e um tanto assustada. A latina vacilou algumas palavras na música que cantava mas mesmo assim continuou. Dessa vez ela não fechou os olhos e sustentou o meu olhar. Eu queria sair correndo dali mas não consegui, apenas continuei olhando aquele mar castanho chocolate que eram os olhos tristes de Selena.
I'm sorry that I hurt you
It's something I must live with everyday
And all the pain I put you through
I wish that I could take it all away
And be the one who catches all your tears
That's why I need you to hear
I've found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
And the reason is you
And the reason is you
And the reason is you
And the reason is youuuuu!
Selena gritou a última frase como se a alma dela dependesse daquilo. O olhar ainda sustentando o meu fazia minha alma inteira se arrepiar. Uma tristeza estranha e jamais sentida por mim antes possuiu todo meu ser. Selena desceu do banco onde estava sentada e se aproximou da beirada do palco, ficando mais próxima de mim, e cantou praticamente só para mim naquele lugar.
I'm not a perfect person
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go
That I just want you to know
I've found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
And the reason is you
I've found a reason to show
a side of me you didn't know
a reason for all that I do
and the reason is you
Selena finalizou a música e esticou a mão para tocar meu rosto. Senti os dedos queimarem na minha pele. Só o toque me fez querer chorar desesperadamente. Me afastei bruscamente do toque da garota e saí correndo dali e entrei na primeira porta que vi. Eu estava no banheiro novamente. Me encostei na parede e deslizei até o chão, agarrando os meus joelhos e enfiando minha cabeça sobre eles. Aquela tristeza profunda, uma depressão sem fim tomando conta de mim. Eu precisava de mais cocaína para ficar bem de novo. Comecei a chorar em um ato desesperado, não queria sentir aquela tristeza, não queria ouvir as desculpas de Selena, não queria sentir tanta dor ao ponto de querer perdoá-la. Ela não merecia meu perdão.
Ouvi a porta do banheiro se abrir e estiquei minha cabeça para olhar. Era ela mais uma vez. Enfiei minha cabeça entre minhas pernas novamente, não queria olhar, não queria sentir, queria que ela sumisse. Queria que ela não existisse. Queria que aquela dor não existisse. E por um segundo, desejei não existir também.
- Vai embora daqui. - Sussurrei entre os soluços.
- Não, eu não vou. E você precisa me ouvir. - Ela disse determinada.
- Eu já ouvi o suficiente para um dia. Vai embora, Selena! - Rosnei.
- Você não era meu tudo Demi, até que nós nos tornamos nada. E está muito difícil para acreditar que você se foi e falta algo em meu coração. Por favor, Demi, deixe esse orgulho de lado, eu preciso do seu perdão. Eu preciso de você.
As palavras eram como facas em meu coração. Agulhas penetrando cada parte do meu corpo. Eu estava em plena agonia. Tudo que minha cabeça gritava era para sair dali e ir buscar mais drogas.
- O tempo é a cura para tudo. - Sussurrei. - Vá embora.
- Não, não é Demi, agora nesse momento eu me sinto perdida e o tempo não é a cura. Eu não consigo ficar sem você, eu mal consigo respirar sem você do meu lado. - Ela se aproximou do meu rosto susurrando aquelas palavras. - Vale a pena lutar pelo que temos. Eu sempre vou te amar, forever and always, e toda vez que você pensar em mim, saiba que eu sou sua.
A garota se levantou e saiu do banheiro. Não levantei a cabeça para olhar, mas ouvi os passos deixarem o ambiente. Se passaram mais alguns minutos e eu ainda estava ali, praticamente jogada no chão, esperando que meu cérebro formulasse algo além da dor para que eu pudesse me levantar e ir embora. As palavras de Selena ecoando na minha mente me fazendo ter vontade de arrancar minha cabeça fora. As palavras me causavam dor de cabeça. Eu queria ter a capacidade de perdoá-la mas cada vez que aquela dor crescia, menos vontade eu tinha.
- O que você está fazendo aí? Eu estava te procurando! - Naya entrou praticamente gritando no banheiro. - Eu vi Selena lá fora, o que aquela vagabunda está fazendo aqui? Você a chamou?
- Não. - Foi só o que consegui dizer.
- Eu acho bom você não ter chamado aquele troço pra cá. - Ela ameaçou. - Anda, levanta, Joe está nos esperando no carro. Ainda temos uma dívida a pagar.
Naya me puxou do chão e praticamente me carregou para fora do banheiro. Já próxima do meu próprio carro, vi Joe encostado no mesmo, segurando tudo aquilo que eu mais precisava no momento.
- Me dá. - Apontei para o saquinho plástico.
Joe riu e não hesitou em criar uma carreirinha no capô do carro, onde eu cheirei de uma vez sem canudo ou ajuda alguma. Senti novamente as sensações tomarem conta do meu corpo. Sorri abobadamente com a sensação maravilhosa tomando conta de cada pedacinho do meu ser. Era maravilhoso subsituir a dor em uma fração de segundos com apenas uma cheirada.
Entrei no banco de trás junto com Joe enquanto Naya pegava a direção. O homem mantinha aquele sorriso malicioso no rosto e eu retribui, me aproximando da boca carnuda e o beijando com vontade. Era violento, prazeroso, as mãos pesadas passeando pelo meu corpo, me apertando contra ele de uma forma bruta. Eu podia jurar que ficaria marcada pelos lábios que agora chupavam meu pescoço com força e pelas mãos que apertavam minha coxa. Naya estacionou em um beco sem saída e pulou para o banco de trás do carro, onde toda a brincadeira começou.
Não me senti pagando um preço, me senti tendo uma das noites mais loucas da minha vida, não era pagamento quando eu aproveitei cada segundo da melhor forma possível, esquecendo-me totalmente de quem eu era e tomada por sensações de prazeres diferentes que juntos me fizeram explodir em euforia. Não havia Selena, não havia filhos, não havia uma razão para me manter sã. Eu desejava ser tomada por aquele prazer que substituia aquela dor aterrorizante todos os dias, e era isso que eu faria se fosse preciso para esquecer Selena. Eu deixaria que os demônios tomassem conta de mim. Eu faria qualquer coisa.
