Disclaimer: Saint Seya e seus personagens relacionados pertencem ao mestre Masami Kurumada e às editoras licenciadas.

E aqui está Isa, seu presente! E, unindo o útil ao agradável, não poderia ter oportunidade melhor para os eu capítulo no gaiden de ALSA... Espero que goste!

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Isabel x Camus

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A estrada tinha o asfalto perfeito, o que dava à motorista a sensação de que podia ser, por um breve momento, Will Power ao volante. A tentação de pisar fundo e passar dos 100 Km permitidos era grande, mas a amiga sentada no banco do passageiro e também a que estava sentada no banco traseiro do Renault podavam toda e qualquer tentativa de acelerar um mínimo que fosse.

-Sheila... Você já ultrapassou dez quilômetros no marcador.

-Só um pouquinho, Isa... Esse asfalto é uma tentação!

-Nós não estamos em um circuito oval, Sheila. Logo, logo você vai levar uma multa!

Sheila pensou nas palavras de Julia. Uma multa, em uma auto-estrada francesa, seria cobrada em euros. Convertendo para reais... Desacelerou na hora, aquilo ia doer muito no seu bolso.

Estavam em Marselha, rumo à um autêntico chateau francês. Os campos de lavanda coloriam em diversos tons de lilás e roxo as margens da estrada. Era o início da jornada francesa do mestrado de Isa e como Sheila e Julia estavam de férias do trabalho no Brasil, haviam decidido viajar com a amiga, aproveitar um dez dias de férias e depois retornariam sozinhas.

Era a realização de um sonho. Que começara a se realizar á exatamente um ano, quando haviam viajado junto dos amigos do grupo do facebook para a Grécia. Uma viagem de sonho, mas que... Ainda tinha alguns pontos obscuros mal explicados.

Ah, sim, era estranho, mas havia um período de tempo vivido durante a viagem que não parecia ter sido vivido como o grupo de lembrava. Era como se faltasse uma peça em um grande quebra-cabeças. Aquela sensação estava matando Isa.

Principalmente pelo fato de que não se lembrava de ter comprado aquele livro raríssimo e tão importante para sua pesquisa, que tinha em mãos no momento.

-Olha só! – Julia gritou, trazendo Isa de volta à realidade – Já dá pra ver o chateau no fim da estrada!

As amigas sorriram. E Sheila, esquecendo-se por um breve momento da multa em euros, acelerou um tantinho para chegarem logo ao local...

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No chateau, do alto de uma das janelas, podia se ver alguém afastar a cortina de linho azul para observar as amigas recém chegadas, que desciam do carro naquele momento e eram recebidas pelos empregados do local. Os olhos verdes e um tanto embaçados tentavam focar a visão, ainda que estivesse usando óculos.

-Por que tenho a impressão de que você não vai conseguir se manter afastado dela? – disse uma voz masculina em tom grave, ao homem que estava na janela.

-Porque me conhece bem, Milo... – respondeu ao amigo, com um fino sorriso nos lábios ao ver Isa entrar pelo chateau carregando o livro que havia lhe dado de presente.

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-Esse lugar é lindo! – exclamou Sheila ao abrir as cortinas do quarto onde ficaria – Olha só, tem girassóis nos campos que ficam nos fundos!

-E um vinhedo próximo às colinas... – Julia observou, parando ao lado da amiga – Venha ver, Isa!

A morena deixou o livro sobre a cama e se juntou às amigas na janela. E, ao observar a imensidão daqueles campos, por um breve momento ela levou a mão ao pingente que trazia no pescoço.

Um cisne, que parecia feito de gelo. Assim como o livro, não se lembrava de tê-lo comprado em Atenas. Mas não conseguia tirá-lo do pescoço.

Aquele pequeno objeto tinha uma importância que não sabia explicar bem qual era...

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O dia passou sem maiores problemas, as amigas estavam se adaptando ao lugar. Ao final da tarde, desceram todas juntas para o jantar no chateau, junto de outros hóspedes do local. Provaram da culinária local, os melhores vinhos e quando o jantar já estava quase no fim, um garçom se aproximou da mesma, entregando à Isa um pequeno envelope branco.

-O que é isso?

-Parece um cartão, Julia.

Ela o abriu e dentro realmente havia um cartão, simples, com alguns escritos em francês.

"Aujourd'hui, dans le Château Lac à 20 heures."

-O que é isso, Isa?

-Parece que alguém quer me encontrar no lago do chateau mais tarde...

-Ain, meu Deus, Isa! Você fisgou o coração de um francês!

-Menos, Sheila, menos... Vai que é só uma brincadeira.

-Você só vai saber indo até o lago, no horário marcado.

Isa fitou Julia pensativa. E, por instinto, a mão direita foi parar no pingente de cisne, que por um momento pareceu mais frio.

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Mal o relógio havia marcado as 20 horas, lá estava Isa às margens do lago, de boca aberta. Era verão na França, então... Por que o lago estava congelado? Andou mais alguns passos e encontrou uma caixa de madeira com seu nome, ao abrir a mesma, um par de patins para gelo e um bilhete pedindo a ela para calçá-los.

A curiosidade era maior, então ela o fez. Calçou os patins e deslizou para o meio do lago, olhando ao seu redor, tentando visualizar alguém.

Nada...

Então, uma música começou a tocar. De onde ela vinha?

-Nessum Dorma? Por quê?

-Achei que gostaria, senhorita Isabel... – disse-lhe uma voz grave.

Ao se virar, Isa deparou-se com um belo rapaz, de cabelos vermelhos e olhos verdes, usando óculos e vestido em roupas casuais. Ele lhe sorria, ainda que discretamente. Ele patinou até ela, parando bem à sua frente.

Era alto, e tinha porte atlético. E, por um instante, Isa pensou que o conhecia de algum lugar.

-Qual o seu nome?

-Camus.

-Camus... Uma homenagem ao escritor?

-Por assim dizer... O que acha de uma dança, Isabel?

De onde ele a conhecia? Como sabia seu nome? Eram tantas perguntas, mas Isa... Ela simplesmente aceitou a mão que ele lhe estendia, deixando-se conduzir pelo lago congelado, em uma valsa elegante. E assim foi até o último acorde da música, quando Camus a conduziu de volta ao meio do lago, fitando-a diretamente nos olhos.

-De onde eu o conheço, Camus? Você não me parece estranho...

-E não sou, mas... – ele acariciou o rosto afogueado de Isa – Por uma questão de segurança, você me esqueceu...

Isa ia dizer algo, mas Camus impediu, pousando os dedos sobre os lábios macios...

-Mas eu não te esqueci, Isa... Fui eu quem lhe deu este cisne... – ele apontou o pingente – E sou eu quem povoa seus sonhos.

Então Camus entrelaçou os dedos no cachos delineados dos cabelos de Isa e a puxou para junto de si, beijando-a sem pressa, mas com desejo.

Uma beijo guardado há um ano. Para ela. E somente para ela.

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