Um novo começo
Harry envolveu-se do braço de Severus enquanto esperavam notícias sobre a saúde de Draco. Tinham conseguido transladar-lhe a St. Mungo, e graças à ajuda de um medimago conseguiram que sua identidade passasse desapercebida. Somente seus mais alegados colegas tinham permitida a entrada e dantes de fazê-lo deviam submeter a um feitiço de confidencialidade que lhes impedisse revelar o que viam lá adentro.
— Tudo vai estar bem. —sussurrou Harry tentando consolar a seu agoniado esposo.
— Isso cries? Todo mundo lhe detesta e o quer morto.
— Eu não, e você também não. —asseverou sinceramente. — Salvou a vida de meu melhor amigo e de Richie, não poderia me esquecer nunca disso, e pressinto que Ron sente o mesmo.
— Isso não posso o assegurar.
Harry sabia que Severus ainda se preocupava pelas repercussões que Ronald teria com Draco, por algo nem ele nem Hermione tinham passado ao hospital a ver nos dias que levava internado. No entanto o Gryffindor tinha a plena segurança de que seus melhores amigos tão só não conseguiam separar de seu filho e podia os entender.
Não tinha tido oportunidade de falar sobre Draco com eles, mas não os via enfadados e se ofereciam a cuidar de Aimee a cada vez que Harry precisava sair ao hospital para acompanhar a Severus. Isso não o faria ninguém que lhe acusasse de fraternizar com o inimigo.
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Dentro da habitação, Charlie continuava no mesmo lugar de sempre, sentado junto à cama e com a mão de Draco entre as suas, rogava por um milagre. Os medimagos ainda não se atreviam a dar um prognóstico apesar de que as queimaduras nas costas do loiro iam se curando favoravelmente, nem sequer achavam que podiam deixar severas cicatrizes, mas ainda que assim fosse, a Charlie não se importava, o único que queria era voltar a ver seus olhos cinzas com vida.
Estava disposto a tudo, já não pensava se render, nesta ocasião ia dedicar a cada segundo do dia a Draco. Angustiava lhe a ideia de que quisessem lhe deixar enclausurado em um pavilhão especial de St. Mungo para tratar casos de depressão como o seu. Tinha escutado que um dos medimagos lhe comentou a Severus, e ainda que o professor se opôs, Charlie ainda temia que pudessem lhe convencer.
Olhou o rosto de Draco, não tinha acordado em nenhum momento, no entanto suas expressões eram cambiantes. Agora seu gesto se contraía em um rictus de dor. Carinhosamente limpou as lágrimas que escorregaram pelas comissuras do garoto do que se tinha apaixonado.
"Theo" Escutou lhe suspirar. Não obstante, o chamado ao grande amor de Draco não lhe doeu, ao invés, era o primeiro sinal de que estava acordando e seu coração se agitou emocionado.
— Draco? Escuta-me? —perguntou penteando seus cabelos. — Faz favor, acorda já.
Muito lentamente as pálpebras de Draco foram abrindo-se. Charlie nunca o tivesse sonhado, mas assim que o loiro lhe viu, a tristeza de seu rosto deu lugar a um deslumbrante sorriso.
— Sou Charlie. —lhe aclarou, a forma em que lhe via lhe fez temer que alucinara imaginando a Theodore a seu lado.
— Eu sei. —disse sem deixar de sorrir, debilmente levou sua mão ao rosto do ruivo acariciando lhe como se ansiasse comprovar sua presença. — Sempre está… comigo.
— Se sente bem? Irei chamar a uma enfermeira.
— Não… veem… me abraça.
Charlie não lhe pensou duas vezes, trepou à cama com cuidado de não importunar os feitiços de cura que rodeavam ao loiro. Não recordava ter tido essa sensação de bem-estar em sua vida quando Draco se aconchegou sobre seu peito e lhe abraçou.
— Está cômodo? —perguntou-lhe ronronando extasiado.
— Sonhei com Theo.
Charlie tentou não desiludir-se, agora o mais importante era que Draco estivesse bem, e se esse sonho tinha conseguido que sorrisse, rogaria para que a cada noite Theodore Nott lhe visitasse e lhe fizesse feliz.
— Suponho que deve ter sido algo lindo, talvez de quando estavam juntos.
— Não precisamente. —respondeu suspirando feliz. — Estava aqui comigo, sem dizer nada, só me olhando… esperando pacientemente a que minha alma fosse a seu lado.
— Suponho que terá desejado poder o fazer.
— Em um princípio sim, era o que sempre quis, mas quando soube o que isso significava compreendi que meu destino tinha mudado. Se ia-me, então estaria cometendo um erro mais. Já perdi um amor, não quero perder outro.
O ruivo não respondeu nada, temeu ter escutado mau. Draco levantou a mirada apoiando sua queixo no peito do dragonolista.
— Não ponha essa cara. —riu Draco. — Em meu sonho meus sentimentos têm ficado mais claros que nunca, quero que saiba que…
— Que? —insistiu ao ver que o loiro calava corando.
— Que gosto… que te quero… que me tenho…
— Faz favor não o diga se não está seguro disso.
— Estou completamente convencido do que sinto, e também do que quero. —disse-lhe com seriedade. — Charlie, eu não sei que vai ser de minha vida doravante, e se me querem enviar a Azkaban o vou aceitar, mas não quero ir sem ser sincero comigo mesmo. Estou farto de tanto ódio, é absolutamente desgastante, e foi nesses dias que vivemos em Romênia que pude voltar a me sentir esperançado. Talvez perdi já a segunda oportunidade que me deu a vida para endereçar meu caminho, mas pelo menos me sinto agradecido ao saber que realmente nunca estive só. Apesar de não me ter dado conta a tempo, primeiro Severus e depois você, os dois lutaram a sua maneira para me ajudar.
— Draco, ainda seguimos contigo. —afirmou estreitando com cuidado, temia lastimar em suas feridas. — Snape está lá afora, sempre pendente de sua recuperação, inclusive Harry passa grande tempo o acompanhando e perguntando por ti.
Draco já não teve oportunidade de responder, a porta se abriu dando passo a Severus cujos olhos se alumiaram ao ver que seu afilhado por fim tinha acordado. Ao vê-lo, Draco sentiu um nodo na garganta, sempre se resistiu a aceitar o carinho de Severus, mas agora podia recordar sua ternura e calor lhe mantendo em pé depois da morte de Theo.
Sentia falta essa doce sensação paternal, e timidamente estendeu seus braços para ele.
Severus não o recusou, de um par de passos chegou a seu lado envolvendo em seus braços. Agradeceu ao céu escutar os soluços de Draco apagando em seu pescoço, desta vez podia reconhecê-los como sinceros, não pôde evitar derramar um par de lágrimas também quando escutou um arrependido "Perdão" de lábios de quem amava como um filho.
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O fim de cursos chegou, e apesar de todos os contratempos, Harry e seus amigos conseguiram graduar-se, Hermione inclusive conseguiu novamente as melhores qualificações e isso a tinha extasiada e cheia de ânimo se demonstrando a si mesma que poderia continuar com seus estudos sem ter que descuidar a seu adorado filho.
Ao dia seguinte da graduação todos se reuniram na Toca para festejar o primeiro aniversário de Richie acontecido em uns poucos dias atrás durante a temporada de exames.
Quase toda a família estava presente, o ruído era parte do ambiente, Molly repreendia aos gêmeos que tinham feito estalar uns conetores na lareira, Arthur conversava animadamente com Harry sobre sua grande paixão pelos objetos muggles. E Ginny, Ron, Hermione, Percy e Bill jogavam snap explosivo na mesa da cozinha.
No entanto, a cena mais estranha era Severus sentado no chão da sala, com Aimee pendurada de seu pescoço para jogar com o cabelo de seu pai que se tinha convertido em seu entretenimento favorito. A Severus não lhe molestava que lhe lisonjeava, era feliz tendo a sua filha em seu colo, inclusive tinha dado classes com ela nos braços, de modo que já se tinha acostumado bastante às miradas curiosas sobre ele.
Ainda que agora não somente era Aimee. Usava sua mão livre para jogar com Richie e sua pelota favorita. O menino também se tinha ganhado seu coração, Severus nunca esqueceria o tempo em que seu calor o reconfortou quando era impossível se acercar a sua própria filha. E Richie também demonstrava um grande apego ao Professor, lhe divertiam seus jogos que fingiam ser forçados, mas sempre terminavam com um grande abraço que lhe confirmava que esse homem tão alto e sério, tinha uns braços cálidos e protetores.
Harry olhou-lhe nesse momento e sorriu vendo como Severus ajudava a Richie a abrir o resto de seus obséquios de aniversário e se mostrava tão entusiasmado como o menino. Tivesse podido ficar admirando a cena por horas, mas ao ver a Arthur dispondo-se a compor os pedaços da lareira causado pelos gêmeos, dispôs-se a ajudá-lo.
— Tem conseguido um milagre, Harry. —comentou Arthur quando Harry se inclinou a seu lado. — É comovedor presenciar como um homem que parecia destinado a passar o resto de sua vida encerrado em suas masmorras, é agora a viva imagem de que a vida sempre compensa por bem ações.
— Senhor Weasley, o milagre tem sido para mim. —enfatizou Harry com suas bochechas acaloradas.
Arthur respondeu com um sorriso, foi nesse momento em que a porta principal se abriu e espontaneamente todos guardaram silêncio.
Aí estavam Charlie com Draco. O ruivo sorria abraçando a seu companheiro, mas em mudança, o garoto Slytherin estava mais pálido que nunca, respirava contido sem saber que esperar dessa reunião. Nunca tinha falado com os Weasley. Após sua saída do hospital Charlie levou-lhe de regresso a Romênia, supôs que ninguém queria saber dele de modo que preferiu não perguntar, mas Charlie lhe tinha comentado em uma ocasião que todos estavam de acordo com sua relação.
Nunca o pôde crer. Talvez era o que lhe diziam a ele, mas Draco estava convencido de que só o faziam para que Charlie não se angustiasse. De modo que fingiu crer-lhe, demasiados problemas tinha tido já por sua culpa, por isso foi que não se atreveu a se negar quando lhe pediu que aceitassem o convite para esse dia.
Mas agora já não estava tão seguro de que fosse uma boa ideia, sentia as miradas de todos fixas nele, e quase podia lhes escutar jogar de sua casa de uma hora para outra.
— É que não nos vão receber, família? —disse Charlie rompendo o silêncio com seu sorriso.
Severus foi o primeiro em reagir, deixou a Aimee jogando com Richie sobre o tapete e foi para seu afilhado abraçando-o.
— Descuida… —lhe sussurrou ao ouvido. —… são uma manada inofensiva.
Draco não estava muito convencido disso, e esteve a ponto de se refugiar atrás de Severus quando este lhe soltou e viu a Molly Weasley se lançando para ele com os braços abertos. Todo seu corpo se tensou ao se sentir envolvido na forte e maternal demonstração de afeto.
— Bem-vindo a casa, pequeno! —exclamou a efusiva mulher sem deixar de abraçar ao loiro.
Pequeno? Draco esteve a ponto de franzir o cenho ao escutar-se chamar dessa maneira, considerava-se digno de mil adjetivos, mas pequeno nunca. Molly apartou-se e cercando com suas mãos pelo rosto, olhou-lhe de tal maneira que novamente Draco sentiu que essa mulher poderia lhe comer vivo.
— Merlin, que formoso! —voltou a exclamar. — Formoso, mas magro é que não lhe alimenta bem, Charlie?
— Mãe, não siga. —comentou Charlie despreocupado enquanto saudava ao resto de sua família.
— Veem, Draco posso chamar-te assim, verdade? —continuou Molly tomando da mão e conduzindo até a cozinha. — Tenho preparado uma torta de melaço e sei que gostará de muito. Vocês, tirem tudo da mesa! —agregou correndo a seus demais filhos que rapidamente se apressaram a retirar o snap explosivo.
Draco não teve tempo de protestar, viu como Arthur lhe sorria afável, e Ginny se apressava a servir uma gigantesca porção de torta enquanto Molly enchia um enorme copo de suco de abobora.
Mas assim que viu o grande prato servido copiosamente, não pôde o suportar mais, se apressou a atingir a caixa mais próxima e ajoelhando no chão se inclinou sobre ela vomitando ruidosamente sem lhe importar que os demais lhe olhassem confundidos.
— Está grávido. —comunicou-lhes Charlie com um grande sorriso.
Desde seu lugar junto ao cesto, Draco escutou como a numerosa família se reunia ao redor de Charlie lhe felicitando animosamente. Respirou fundo tentando tirar-se as náuseas que ainda tinha, e foi então que viu uma toalha dobrada aparecer em frente a ele. Ao girar-se, descobriu a Ron ajoelhado a seu lado.
— Toma, está limpa. —assegurou o ruivo.
— Porque?
— Porque lavaram-na, tonto. —caçoou sem poder evitá-lo. — Escuta, se pensava que não te receberíamos como parte da família, está equivocado. Suas simples e patéticas tentativas de assassinar-nos eram mais penosos que quando tentava lhe ganhar a snitch a Harry.
— Idiota. —grunhiu entre dentes, mas aceitando a toalha com a que se limpou o rosto.
— Sabe? Isto me recorda um molesto incidente de babosas em segundo curso… é bom ver as voltas que dá a vida.
— Deixa de molestá-lo, Ronald. —interveio Hermione ajoelhando-se junto a eles, Draco a olhou sem saber que dizer mas a garota só lhe sorriu amistosa. — Tem que o desculpar, Draco, se lhe dificulta dizer palavras bonitas.
— Em realidade, acho que fazia-me falta algo de briga. —respondeu o loiro conseguindo um pequeno e inseguro sorriso. — Ademais, esta tonta doninha só conseguiu que me sentisse mais como em casa.
Ronald e Draco trocaram um sorriso que foi demasiado breve, pois nesse momento, o loiro detectou que uma pequena pessoa gateava de pressa para eles. Seu coração retumbou com força ao ver a Richie fazendo-se espaço entre seus pais para abraçá-lo a ele.
Isso não lhe esperava, mas estreitou ao bebê contra seu peito, no pouco tempo que tinham passado juntos se tinha ganhado por completo seu coração.
Nem Ron nem Hermione opuseram-se a esse contato. Mentiriam se dissessem que lhes resultou fácil o poder perdoar o rapto de seu bebê, mas agora olhando como seu pequeno filho tinha conseguido um grande milagre, sabiam que já todo era coisa do passado.
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Harry e Draco também tiveram sua própria conversa. Ocorreu a sozinhas nos jardins da toca enquanto o resto da família terminava de limpar após o jantar.
— É um lugar muito peculiar. —comentou Draco observando as fireflies revolteando entre os arbustos enquanto Cerebrinho voava depois delas tentando as caçar.
— Eu sei, e bem como eu considero esta casa como meu segundo lar, te asseguro que passará o mesmo contigo.
— Não o sei, não consigo me imaginar cômodo entre eles. Após o que fiz.
— Recomendo-te que se esqueça do passado ou os Weasley poderiam se ofender se não conseguem que um convidado se sinta em casa. Com muita mais razão se é também parte da família, eles não poderiam guardar rancor pelos antigos erros de um Weasley, e agora, muito a seu pesar, é um deles. —culminou com um travesso sorriso.
Harry ganhou-se um amistoso punho no ombro que os fez rir por uns segundos, depois voltaram a ficar olhando absortos a paisagem noturna. Draco respirou fundo decidido a dar-se uma segunda oportunidade, era muito estranho pensar que em um dia creu o ter perdido tudo, e agora tinha a Charlie, de quem se tinha apaixonado como um louco, a toda sua família e amigos. Era um giro demasiado incrível.
Estava imensamente agradecido de que Charlie chegasse a sua vida.
Um suspiro regressou lhe de seus pensamentos e volteou a olhar a Harry quem discretamente limpava-se uma lágrima.
— Potter?
— Eu não sabia, Draco. —respondeu com a voz avariada e mais pranto corria por suas bochechas. — Juro-te que teria feito todo o possível para que Theo e seu bebê estivessem a salvo… É que é terrível imaginar que passasse por essa dor tão grande, não merecia algo assim, nem eles também.
— Não falemos disso, ainda dói e acho que nunca deixará de fazer, mas você mesmo o disse, devemos deixar o passado atrás. De qualquer maneira quero agradecer-te por dizê-lo, agora sei que realmente teria dado sua vida por eles se tivesse estado em suas mãos… É um herói ou não, Potter?
Agora lhe tocou a Draco o que recebesse o punho, mas não se queixou, viu que Harry se limpava as lágrimas e ambos voltaram a sorrir. De repente, uma nova presença chamou a atenção de Harry, uma pequena criaturinha tinha-se unido a Cerebrinho em sua perseguição de fireflies.
— Oh, devo estar alucinando. —sussurrou contendo a respiração.
— Vê bem, Potter. —disse Draco ao mesmo tempo que o colega de Cerebrinho deixava seu jogo e fixava seus olhos em Harry, de imediato voou para ele agitando suas asas em demonstração de alegria.
O Gryffindor estava sem palavras, girou sobre si mesmo sem deixar de olhar o dragãozinho que continuava labrestado a seu redor até que finalmente se cansou e se foi posar nas mãos de Harry quem lhe recebeu com um grande sorriso.
— Por Deus, formoso, em verdade é você? —soluçou feliz enquanto o pequeno corneo lambia lhe os dedos com a mesma emoção.
— Severus pediu-lhe a Charlie buscasse, faz em um mês que está conosco esperando o momento preciso para regressar contigo, o tínhamos descansando em uma casinha, mas acho que estava ansioso por sair a jogar. Lamento que se tenha jogado a perder a surpresa que meu padrinho tinha para ti.
— Estava preocupado por ele, não quis lhe confessar nunca a Severus, mas não passou em um dia sem que não me perguntasse que tinha sido de meu dragãozinho.
— Agora já está aqui, terminou seu crescimento faz pouco. —informou-lhe ao mesmo tempo em que Cerebrinho chegou até ele se posando na palma de sua mão, Draco o acercou à de Harry e de imediato ambos animalitos se saudaram se esfregando o nariz. — Voltaram-se muito amigos. Charlie diz que é impossível que façam casais e tenham crianças, mas eu pressinto que estes são mais especiais que um simples feitiço e provavelmente em um dia nos deem a surpresa.
Harry assentiu sem deixar de olhar como os dragãozinhos continuavam juntos, inclusive o de Draco abriu suas asas com a intenção de cobiçar ao pequeno corneo com elas, ambos emitiam uma espécie de ronrono que dizia mais que mil palavras.
— Acho que realmente querem-se. —suspirou Harry sorrindo enternecido.
— Cerebrinho está encantado com ela.
— É uma "ela"?
Draco assentiu e por uns segundos mais olharam como o casal de dragãozinhos continuavam ronronando-se até que finalmente o corneo passou à mão de Draco onde se acomodou junto a seu amigo.
— Vão estranhar-se muito, mas podem ir visitar-nos a Romênia quando queiram.
— Sim irei visitá-lo, mas acho que o melhor é que fique contigo. —afirmou Harry respirando fundo, entre mais via a união das mascotas, mais convencia-se de estar fazendo o correto. — O corneo tem madurado a teu lado, aceitou-te como dono e ademais, não teria coração para o separar, ou melhor dito, a separar de Cerebrinho.
Um sorriso desenhou-se no rosto do loiro, tinha que aceitar que realmente lhe teria angustiado ter que afastar a seu mascota de sua pequena amiga, sabia muito bem da dor de uma separação e não queria que experimentasse o mesmo. Sua mirada agradeceu a decisão de Harry enquanto ambos dragãozinhos voltavam a se esfregar o nariz dantes de ficar dormidos.
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Era quase meia noite quando Harry e Severus chegaram a sua casa, Aimee já dormia nos braços de seu pai pelo que o Professor subiu a acomodar sobre seu berço. Harry esperou na estância principal, e enquanto servia um par de copas de vinho, chamou a Salazar.
— Porque têm que passar tanto tempo aqui? —grunhiu o retrato aparecendo no marco sobre a lareira. — Hogwarts tem bem mais estilo.
— Terá que te acostumar, a Aimee lhe sinta melhor o ar fresco do campo.
— Como seja, o fato é que agora que tem terminado seus estudos suponho que terei que me acostumar a estar só lá.
— Esta casa sempre tem as portas abertas para ti, mas em todo caso, nunca estará sozinho.
— Que comovedor. —comentou com um tom aborrecido ainda que a Harry pareceu-lhe notar que continha um sorriso.
Severus apareceu nesse momento e tomou a taça que Harry lhe ofereceu.
— Ainda não lhe disse?
— Não, é um prazer que não poderia te arrebatar.
— De que estão falando? —interveio Salazar.
Severus só sorriu enigmático, foi para o rincão da sala, tateou um pouco no ar até dar com algo que estava coberto com a capa de invisibilidade de Harry, e ao atirar dela apareceu um enorme retrato do professor.
Ao vê-lo, os olhos de Salazar brilharam cobiçosos.
— Foi ideia de Harry. —aclarou o professor com as bochechas coradas. — E foi sua magia quem conseguiu seu propósito, e também graças a todos esses livros e investigações sobre parsel nos que se especializou após que lhe fizeste ver a importância de seu dom.
— Eu… não sei que dizer.
— Isso sim é um milagre. —comentou Harry com um mordaz tom amistoso ao que Salazar nem sequer pôde responder do aturdido que estava. O jovem Gryffindor compreendia bem como devia se sentir, sobretudo porque não deixava de olhar a imagem de Severus. — Porque não vai com ele?
Não teve que o repetir, em um segundo Salazar apareceu no outro marco. Por um par de segundos, tanto ele como o Severus do retrato se olharam em silêncio sem se atrever a dizer nada. Harry e o Severus real também preferiram se manter calados em espera de ver o que sucederia. O mais jovem não tinha nenhuma dúvida, mas mesmo assim sentia curiosidade pelo ver.
Salazar acurtou o pouco espaço que o separava de Severus, e foi questão de outra mirada para que o Professor se abraçasse dele apoiando sua cabeça no ombro do fundador de Hogwarts.
O Severus de carne e osso decidiu desviar a mirada, essa imagem desatava-lhe sentimentos encontrados que não se sentia cômodo de decifrar. Em mudança, Harry olhava-lhes fixamente, a respiração contida, notou com detalhe como as mãos de Salazar descansavam com ternura ao redor da cintura de Severus e com seu rosto acariciava o longo cabelo que roçava sua pele.
Ao cabo de uns segundos, o Fundador voltou a pôr atenção a Harry e sorriu-lhe.
— Advertidos ficam que não me verão em muito tempo.
— Sobreviveremos.
Harry viu como ambas imagens desapareciam do marco, mas ainda ficou uns segundos com os olhos fixos na pintura de um despacho de poções já vazio.
— Não sei como se te ocorreu tal coisa. —suspirou Severus sentando-se pesadamente sobre um cadeirão. — É… estranho.
— Parece-te? —perguntou distraído e foi sentar-se sobre as pernas de seu esposo se aconchegando em seu peito. — Eu sinto curiosidade de saber a onde terão ido e daí farão.
— Harry Potter, isso é doente.
— Alguma vez tem visto duas personagens de um retrato fazendo-se carinhos? —questionou rindo.
— Faz favor, não falemos mais disso, realmente me perturba.
Harry apartou-se para olhar aos olhos a seu esposo, já não sorria e sim se mostrava muito preocupado por suas palavras. Temia ter-se equivocado, sabia que Severus guardava um sentimento especial por Salazar que talvez nem o mesmo Severus podia reconhecer, no entanto, Harry não o duvidava, por isso sempre achou que um retrato de seu companheiro poderia materializar esse sentimento e o desafogar dentro de uma imagem. Sentiu-se inseguro sobre se Severus estava preparado para isso.
— Acha que foi uma má ideia?
— Não, não é isso, Harry. —assegurou voltando a atrair a seu peito. — Ao invés, agradeço-te o grande gesto que tem tido para com Salazar. Não poderia te explicar bem o que sinto, é só que… bom, eu me sentiria zeloso se estivesse em seu lugar.
O jovem Gryffindor sorriu compreendendo por fim o que passava. O problema não era por ter reunido a Salazar com outro Severus, senão que Harry estivesse feliz por isso.
— Confesso-te algo? —lhe sussurrou ao ouvido. — Não me sinto zeloso porque te tenho a ti de carne e osso, porque posso te tocar e te sentir quantas vezes queira e sei que não há ninguém mais no mundo que tenha esse direito. Que Salazar fique com a cópia, eu tenho o original. —concluiu satisfeito.
— Céus, é tremendamente travesso. —disse mais tranquilo.
— Ademais, quando me convenci de ter esse retrato seu para Salazar, fui a um Notário, está em meu testamento que, a nossa morte, é meu desejo que não estarei só em meu retrato, quero que esteja comigo para a eternidade.
— Em sério fizeste isso?
— Fiz, e apesar de saber que são só imagens sem alma, não suportaria me saber sem ti a meu lado. Desde aquela noite invernal que chegou a minha vida, nada nem ninguém poderá te sacar dela.
— Bom, isso está muito melhor.
— E já que está tudo bem… para valer não gostaria espiar o que faz Salazar de contigo?
— Harry! —exclamou surpreendido mais já não se corava pela ideia.
Harry estalou em gargalhadas que só cederam quando Severus o empurrou suavemente ao andar aprisionando-o com seu corpo e se apoderando apaixonado de sua boca. O jovem de óculos arquejou excitado, não ia precisar bisbilhotar, e era mais divertido e excitante o experimentar em carne própria.
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FIM
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Nota tradutor:
Esse Harry que sim sabe fazer as pessoas corar! Enfim espero que tenham gostado do final da historia! Vejo vocês nos reviews, mas desde já deixo os meus agradecimentos para todos os comentaram ao longo da fic, pelo que eu vi não foi muito, mas deixa quieto...
Vejo vocês nas minhas próximas traduções!
Ate breve!
