Caçada Diurna
There's a place that I know
Tem um lugar que eu conheço
It's not pretty there and few have ever gone
Não é bonito e poucos estiveram por lá
If I show it to you now
Se eu te mostrar ele agora
Will it make you run away
Vai fazer você correr
Or will you stay?
Ou você vai ficar?
Lucy encarava as colinas de Cair Paravel pela grande janela de seu quarto, seu estômago embrulhado com o desjejum, e sua mente pesada com culpa.
Edmund ficaria furioso, ela não tinha duvida disso, mas essa seria a melhor decisão para Nárnia e também para a si mesma. Afinal, o que os outros reinos pensariam de uma irmã que se deixa engravidar pelo irmão.
Quando a porta do quarto dela foi aberta com fúria, fazendo alguns quadros da parede sacudirem perigosamente, ela sabia do que se tratava, de quem se tratava.
"Isso..." A voz dele estava rouca, como se tivesse gritado por muito tempo. "ISSO É UM ABSURDO." Parecia que Edmund ainda podia gritar mais.
"Ed..." Lucy virou-se para encarar o seu irmão, seu melhor amigo e desde aquela caçada também seu amante. "Eu fiz o que foi preciso." Os olhos negros dele caíram sobre os castanhos dela. Incriminadores, como se ela tivesse cometido a maior de todas as traições de sua vida. Talvez fosse.
"Casar com um príncipe vizinho... Por que?" Ele deu um passo vacilante em direção a ela, mas como se a proximidade machucasse, deu dois para trás. "Nós... Eu..." Ele passou a mão pelos cabelos fartos e negros, Lucy sentiu o peito restringir com isso. Ela costumava fazer isso todas as noites, colocando-o para dormir após atos nada respeitosos entres irmãos.
"Isso é... doente, Ed." Lucy voltou a encarar as colinas. "O que nós temos não pode continuar. Isso não é certo, Edmund." Ela sentiu a dor de cada palavra dentro do peito, como se fossem facadas que ela estivesse enfiando em si própria. "Isso é doentio."
O silêncio foi sua resposta, e para Lucy foi a melhor de todas, porque qualquer palavra de Edmund a teria levado a lágrimas e confissão de seu segredo. Ela ouviu a porta bater novamente e dessa vez os quadros não resistiram, caindo e se estraçalhando no chão.
Ela achou irônico, que seu quarto espelhasse a destruição de sua alma.
Even if it hurts
Mesmo que isso doa
Even if I try to push you out
Mesmo que eu tente afastar você
Will you return?
Você voltará?
And remind me who I really am
E me lembrar quem eu realmente sou
Please remind me who I really am
Por favor, me lembre quem eu realmente sou
"Alguém sabe o que Edmund tem?" Peter perguntou durante a refeição. Lucy continuou encarando seu prato de salada.
"Não." Os olhos azuis de Susan cruzaram a mesa em direção a irmã mais nova. "Porém, espero que passe logo... Você está bem Lucy?"
"Sim, claro." Ela largou o talher, encarando os irmãos mais velhos. "Eu estou um pouco enjoada, se vocês me dão licença."
Peter e Susan trocaram olhares preocupados, porém ergueram-se e em silêncio deixaram Lucy partir.
Everybody's got a dark side
Todos tem um lado escuro
Do you love me?
Você me ama?
Can you love mine?
Pode amar o meu?
Nobody's a picture perfect
Ninguém é uma pintura perfeita
But we're worth it
Mas nós valemos a pena
You know that we're worth it
Você sabe que nós valemos a pena
Will you love me?
Você vai me amar?
Even with my dark side?
Mesmo com meu lado negro?
O quarto azul estava completamente no breu. As janelas estavam fechadas e mesmo sem enxergar nada a sua frente Lucy podia sentir a presença dele ali.
"Edmund?" Perguntou baixinho, obtendo como resposta apenas um fungar masculino vindo da direção de sua cama. "Estão preocupados com você... Não apareceu para o almoço."
"Para que?" A voz dele estava grossa e pesada, como se tivesse chorado. "Comemorar o seu noivadinho de merda?" Algo se chocou perto a porta, e Lucy deu um pulo. "Você acha mesmo que somos doentes?" Ele parecia indefeso agora, como aquela criança que havia sido enganado por uma rainha de gelo. Lucy sentiu seu peito pesar com a dor do irmão. Dor que era sua também.
"Eu não sei, Ed..." Ela adentrou no quarto, deixando a escuridão lhe envolver. "Não quero mais continuar com isso... Eu não posso."
"Case-se comigo." Edmund surgiu na sua frente e lhe envolveu em um abraço quente e confortante. "Mudaremos a lei de Narnia e nos casaremos e assim poderemos criar nosso filho juntos."
O coração de Lucy disparou e ela em vão tentou escapar do abraço dele.
"Como você... Como?" Ela perguntou, tentando conter tardiamente o primeiro soluço de muitos que seguiram.
"Eu conheço seu corpo com a palma da minha mão, Lucy." Edmund beijou as lágrimas que escorriam. "Eu conheço cada centímetro de você. Acho que percebi antes de você que estava grávida." Ele ergueu o rosto da irmã e lhe tomou os lábios em um beijo profundo e quente. Um beijo que passava a sensação que todos os seus problemas poderiam ser resolvidos, que ela estaria segura para sempre dentro do abraço de Edmund. "Eu amo você." Ele sussurrou enquanto levava o corpo dela em direção a cama. "E amo nosso bebê."
Quando Lucy acordou estava nua e sozinha na cama. As velas haviam sido acesas e a lareira também. Os quadros haviam retomado seus lugares na parede e o quarto estava organizado e cheirando a limpo. O sol se punha pelas janelas abertas, então Lucy ficou deitada admirando a mistura de cores no céu. De rosa a laranja.
Ela percebeu a pequena orquidia azul no outro travesseiro, pressa a um bilhete.
Preguiçosamente ela estendeu a mão e trouxe a orquídea até seu nariz, exalando o cheiro da flor e sorrindo com lembranças da tarde que havia tido com Edmund.
O bilhete continha a caligrafia fina e bem desenhada do irmão, dizendo que até anoitecer tudo estaria resolvido.
Ela se enroscou nos lençóis, o cheiro de suor e sexo ainda preso ali, o cheiro do amor dela com Edmund. Lucy mal teve tempo de se acomodar melhor na cama, quando sua porta foi aberta sem nenhuma cerimônia por Susan.
"Irmã?" Lucy sentou-se na cama, se enrolou o lençol nos seios nus.
"Edmund acabou de pedir uma mudança nas leis de Narnia... Uma alteração para casamento entre irmãos." Susan deu um passo a frente. "Peter vai aceitar..."
Lucy ficou encarando a irmã com os olhos castanhos arregalados.
"C-Como? Por que?" Não que ela não estivesse feliz, porque significa que ela poderia ficar com Edmund e o seu bebê, porém havia esperado alguma reação dos irmãos mais velhos.
"Eu também estou grávida." Foi a única resposta de Susan, que se virou para encarar o último segundo do pôr do sol. "Vai ser o melhor para todos, que os reis e rainhas de Narnia se casem entre si, e mantenham o poder para os narnianos."
"Então... Você e Peter?" Lucy ergueu-se, ficando ao lado da irmã mais velha, Susan encarou os olhos castanhos da mais nova e deu um sorrisinho de lado.
"Acho que quando se fica muito tempo sozinho no meio de animais falantes, acabamos procurando companhia nos mais próximos. Calor humano, amor... Eu achei Peter e você achou Ed. Eu o amo como mulher Lucy, eu amo como você ama Edmund. Não é vergonha, acho que é natural, como o nascer e se por do Sol." Susan alisou o seu abdômen liso e sorriu, encarando a irmã. "Se vista, temos dois casamentos para organizar."
But we're worth it
Mas nós valemos isso
You know that we're worth it
Você sabe que nós valemos isso
Will you love me
Você vai me amar?
O sol se punha no jardim quando Susan e Peter, Lucy e Edmund trocaram as alianças e seus votos. Ambas as rainhas já mostravam um abdômen avantajado mesmo por debaixo das saias dos vestidos.
O reino de Narnia ficou em festa por uma semana inteira, e alguns meses depois deram as boas vindas as duas princesas: Jade e Saphira, que reinariam em paz e sabedoria assim como seus pais.
Espero que você goste assim como eu, ficou um pouco dramático o segundo capítulo. kkk
O primeiro capítulo é com uma música Going Down do The Pretty Reckless e a segunda Dark Side da Kelly Clarkson. :)
