Jon subiu os degraus rapidamente, Whent havia lhe chamado a atenção, eles precisavam partir o quanto antes, Jon insistira em se despedir de seus primos, ele concordara e agora estava ali, temeroso de entrar no quarto onde Bran residia, não sabia como Lady Stark o trataria, o focinho de Fantasma em sua mão lhe deu coragem e ele entrou.
Catelyn Stark o olhou por um momento e voltou seus olhos a seu filho, ignorando a presença dele, alivio o percorreu, poderia ter sido pior, Jon se aproximou da cama de Bran, ele estava magro, tão magro que ao apertar sua mão ele podia sentir os ossos.
"É minha culpa" Sussurrou a tia de Jon "Eu rezei aos deuses que não o tirassem de mim, que não o levassem ao norte, e agora aqui está ele, preso numa maldita cama, envenenado e a beira da morte".
"Lady Stark" Ele chamou, "Nada disso é sua culpa".
Ela olhou para ele, os olhos dela eram frios como gelo. "Eu não preciso da sua piedade, bastardo".
Jon ignorou o xingamento, ela poderia simplesmente não saber que seus pais haviam se casado e que ele não era um bastardo, antes um filho legitimo, apesar dos xingamentos de Catelyn, ele apertou a mão de Bran e sussurrou uma oração aos deuses de sua mãe para que mantivessem Bran em segurança, para que mantivessem ele vivo.
Quando Fantasma se dirigiu a porta, ele sabia que essa despedida havia acabado, pôs-se de pé e saiu, Lady Stark o chamou, ele ignorou, não precisava ouvir ainda mais os lamentos de uma mãe.
No pátio era tudo uma bagunça, carregavam as coisas de lado para o outro, carroças e cavalos iam e vinham, Robb o chamou de algum lugar, ele foi até ele.
"O morcego te procurava" Disse ele "Queria ter saído há uma hora".
"Mais tarde, ainda tenho algumas despedidas a fazer" Robb assentiu e o abraçou, Jon retribuiu, mas logo se separou, preferia o abraço de uma mulher.
"Tente não morrer, Snow". Ele disse sorrindo, ele retribuiu o sorriso.
"Eu tenho sangue dos Stark em minhas veias, e os Stark são difíceis de morrer".
Dito isso, Jon continuou sua caminhada, deixando Robb com suas carroças, pegou o embrulho e se dirigiu ao quarto de sua irmã.
Arya tentava arrumar as suas roupas, Nymeria a ajudava, Jon sorriu, ela podia ter 11 anos, mas ainda não arrumava a mala como deveria.
Nymeria o percebeu primeiro, ela foi até Fantasma e o cheirou, Arya o percebeu logo em seguida, pulou para abraça-lo, ele deu beijo em sua testa e a colocou no chão.
"Tenho um presente para você" Ele disse "Feche a porta".
Ela olhou desconfiada, mas fez o que ele pediu, "Eu sugiro, irmãzinha, que você arrume essas roupas de forma que esconda esse presente" Ele tirou os panos do embrulho e desembainhou a espada.
"Uma espada" Ela disse em voz sussurrada como se estivesse contemplando um segredo e realmente estava.
"Isso não é brinquedo Arya" ele disse em voz profunda "Não deixe ninguém tomar ela de você e não conte a ninguém que você a tem". Arya assentiu e ele deu-lhe a espada, ela sentiu o equilíbrio e ele mostrou a ela como a segurar.
"Eu encomendei um mestre de dança para você, ele se chama Syrio Forel, ele a achara em Porto Real" Arya o abraçou novamente, ele fez questão de fazer ela soltar a espada primeiro.
"Eu queria que você viesse conosco Jon" Sua voz era fina, parecia que ia quebrar, mas ela era forte, nunca quebrava.
"Em um futuro próximo minha irmã, em futuro próximo" Ele saiu, mas não sem antes lhe dizer o nome da espada, ela sorriu quando ouviu.
Tendo se despedido de sua prima mais nova, ele foi para o bosque sagrado, a neve caia de todos os lados, uma figura solitária estava ajoelhada perante a arvore coração, sua boca recitando orações.
Ela se levantou quando percebeu sua presença, seus cabelos estavam brancos por causa da neve, Ele se aproximou enquanto tirava uma das luvas e tocou o seu rosto, ela era bela, tal como sua mãe, mas onde em Catelyn havia veneno para ele, em Sansa havia gentileza.
"Robb me contou o que pretende fazer" Seu rosto se torcia em preocupação "Está louco se acha que dará certo" Jon suspirou, Robb deveria saber melhor e não espalhar os detalhes de tudo a Sansa.
"Não se preocupe, eu estarei lá no momento certo" Os olhos azuis o olharam, desnudando sua alma, olhos azuis, era por isso que ele não voltaria para Dorne ou iria para o Sul ou mesmo Bravos para se reunir com seus tios e com o resto da guarda real, ele iria para o norte, e seguiria em direção ao norte, até que não houvesse mais Sete Reinos, até que a muralha ficasse para trás, com todas as suas leis e costumes.
"Além disso, Dayne estará com você, como um dos guardas de seu pai".
"Eu suponho que meu Pai não saiba disso" Ele assentiu, Ned Stark estava alheio a muitas coisas, assim como Rickon Stark esteve antes dele.
"Theon me disse" Outro que Jon teria que repreender "Que você vai começar uma guerra, eu não quero uma guerra".
Jon sabia o que ela pensava, sabia que fazia sentido, mas era necessário, ele também não queria que as pessoas morressem, ele não se importava com o trono ou qualquer coisa do tipo, tudo que ele queria era o calor de uma mulher e uma vida tranquila, de preferência com seus primos ao redor, ele se sentia bem perto deles, de uma forma que não se sentiu perto de Viserys ou Aerys.
"Eu não irei começar uma guerra, eu irei termina-la" Sansa entendeu a mensagem, seu Pai havia começado a guerra quando convencera Lyanna a fugir com ele, o que quer que acontecesse seria sobre a influência da outra guerra.
O silêncio reinou entre eles por alguns segundos, a mão de Jon ainda no rosto de Sansa, ela a empurrou de seu rosto, tristeza abateu o coração de Jon, mas ele entendia, ninguém podia saber sobre eles, era perigoso demais, ainda mais debaixo do teto de Lorde Stark, a cabeça dele iria parar em um bloco bem rápido se alguém descobrisse.
Ou foi isso que ele pensou antes dos lábios dela atingirem os seus, quando se separaram, Jon constatou que ela era quente, e aquele calor continuou com ele pela longa caminhada pelo Norte.
