Fatos ocorridos na vida de Naomi enquanto Hisoka havia se tornado um Hunter oficial e partia para a Torre Celestial, lugar considerado como sagrado para lutadores, principalmente aqueles especializados em Nen.
Promovida em um setor em seu local de trabalho, Naomi celebrava com alguns amigos que tinha lá. Champanhe e bombons, salves e brindes, sorte e sucesso.
– Que esse brinde seja o primeiro de muitos! – disse o segundo chefe de Naomi, o que tinha proposto o brinde.
– Tomara! – disse a outra, interessada nos bombons que no champanhe. Ela não apreciava bebidas alcoólicas, a não ser quando havia algo para celebrar.
– É a primeira escritora da nossa empresa que vira sub-chefe do cargo de novos talentos. – observou uma morena alta, de corpo exageradamente voluptuoso, com certo ar orgulhoso. Mas estava alegremente celebrando a vitória da colega de trabalho.
Aparecendo o chefe da empresa – o chefe maior de Naomi – aparecer no corredor, todos se voltaram para ele respeitosamente. E ele não parecia nada animado.
– Acho que a festinha pode continuar depois, não?
– Sim, Senhor Bege. – concordaram todos.
– Desculpa-me, Senhor Bege… eu nem sabia dessa celebração, não queria causar nenhum incômodo.
– Pois se não quer causar incômodo, acaba logo com isso! – disse o baixinho de bigode grosso e de cara amarrada.
– Sim, senhor.
– Ora, Senhor Bege! A ideia foi minha, logo quem merece essa bronca sou eu! – disse o loiro.
– Senhor Don, isso também serve para você! – disse, com um sorriso levemente debochado.
– Ai, ai…
Naomi e Don seguiram para a sala deles.
– Sempre de mau humor esse nosso chefinho, não? – disse ele, dando leves tapinhas no ombro da amiga, para animá-la. Levar broncas, mesmo sendo leves, não animada nenhum funcionário daquela empresa de jornal.
– Já me acostumei. Além disso, sou mais que grata pela oportunidade que estou tendo.
– Que bom, minha querida…
Don era o segundo chefe de Naomi, o que gerenciava os livros que ela escrevia e da atuação dela na empresa. Ele também ajudava a promovê-la, assim como fez quando ela foi promovida a sub-chefe de caçadora de novos talentos. Ele era o chefe principal dessa área, agora duas vezes superior dela.
– Será que vai me aguentar como chefe mais uma vez? – disse o loiro, sentando-se à sua mesa.
– Não teria outro melhor! – disse ela, com sorriso inocente no rosto.
Don admirava aquela jovem escritora de um jeito especial. Sentia-se atraído por ela. Nem mesmo seus recentes quarenta anos completos – embora parecesse ter dez a menos - o fazia olhá-la como uma simples garota qualquer. Ela era uma bela mulher aos seus olhos. E talvez… pudesse aproximar-se mais dela quando surgisse uma oportunidade. Mas sentia-se acuado um pouco, visto que ela era muito séria e respeitosa, uma excelente companheira de trabalho, diferente de outras que tivera. Ficou observando-a em sua mesa, digitando no computador. Seus olhos azuis se dirigiram para abaixo da mesa, onde dava para se ver pernas tão bonitas, ainda mais em um salto médio preto com meia-calça fumê. Carne fresca tentadora.
Desde aquela vez em que a salvou dos estudantes que queriam atacá-la por causa do gatinho salvo por ela, ele ofereceu-se para acompanhá-la até a porta de casa. Naomi aceitou, visto que não era nada demais uma companhia amiga e, ao mesmo tempo, protetora. Ele a respeitava – um ponto positivo para Naomi sempre confiar nele e também admirá-lo.
Os dias se passavam tranquilamente. Cada dia parecia mais longo que o outro. Todas as noites, Naomi pegava naquele tal celular que o ruivo deu. Não tinha mais aquele número registrado, como poderia ligar para ele? Será que, acidentalmente, ela o havia apagado? Não… ela não era tão desastrada para fazer isso. Era o que mais guardava ali. Caía na cama, esperando pelo sono, pensando nele. Podia muito bem esquecê-lo, mas isso nem de longe estava em seus planos. Não sentia atração alguma por outro homem, só aquele Hisoka tomava seus pensamentos. Depois de tudo que ele fez… ele lhe pediu perdão ao confessar que gostava dela. Mas ela ainda não confiava nele. E ao mesmo tempo queria vê-lo de novo. "Droga!", ela sempre resmungava isso antes de cair definitivamente no sono.
…
Enquanto verificava uns papéis a pedido de Don, este entrava na sala levantando uns ingressos.
– Naomizinhaaa! Olha só que tenho aqui!
– O quê? – ela parou seu serviço.
– Gosta de assistir lutas?
– Lutas? Bem… não, na verdade. Mas… por que pergunta isso?
– Ahh! Queria te convidar para irmos ver as grandes lutas da Torre Celestial, mas você não curte lutas… – disse o loiro, com ar de desapontado.
– Bem, posso ir com você, por que não? Ver algo novo, para mim que praticamente nunca saiu dessa cidade...
– Isso, isso! Vai ser uma experiência legal para você!
Ele deu um ingresso para ela.
– O chefe liberou nós e os caras que trabalham no mesmo setor que a gente por uns meses. Vai ser ótimo relaxar nesse verão vendo lutas! – disse ele estendendo-se na cadeira giratória.
– Férias liberadas?! Ah, topo! Vamos nos divertir!
– Opa!
Ambos comemoraram juntos. Ele a convidou para jantar naquele dia, pela primeira vez. Naomi ficou sem jeito, mas não teve como dizer não. O homem que sempre comprava as "brigas" dela com o chefe principal. E que tinha dado um ingresso para ir com ele ver lutas, uma oportunidade de sair de sua vida solitária e curtir com amigos. As pessoas que trabalhavam no mesmo setor dela também eram próximos a ela. Então, iriam ser dias loucamente divertidos, ótimo para esquecer sua solidão e sua esperança em rever Hisoka.
Durante o jantar…
– Bem, Naomi… depois dessas conversas que tivemos, preciso… perguntar algo.
– Pergunte.
– ...nem sei por onde começar… fico sem jeito… mas sou curioso mesmo.
– Pode perguntar, eu não morderei.
– Bem… você é solteira, Naomi?
Ela sentiu-se travar por segundos. Abaixou os olhos primeiramente, depois voltou a olhar nos olhos dele.
– Sim… não sou casada…
– Mas… tem algum namorado?
– Por que… pergunta isso? – ela não sabia o que responder, tinha medo de falar besteiras.
– É que… se estiver realmente livre… eu a pedirei de namoro agora! – enfatizou o "agora" de forma brincalhona, seguido de uma risada simples, como se sentisse aliviado em falar aqui. Realmente, Don estava.
– Ah… fiquei sem jeito… – ela voltou a abaixar a cabeça.
– Por quê?
– Ah… nem sei por onde começar… também não quero falar nada que o chateie…
– Hummm… já vi que tem um outro na jogada, não é?
– É… é… não, sim, bem… – e, por fim, se enrolou toda.
Don a pegou na mão. Sustentou a mão bem menor na palma da sua, que era bem maior. Os anéis que ele usava em todos os dedos – com exceção do anelar - eram luxuosos.
– Naomi… não precisa ter vergonha em falar a verdade. Se já tem alguém que ama, fala. Se está indecisa, também. Vou respeitá-la em sua decisão, minha princesinha. Mas saiba… que estarei aqui. Tem um cara na sua frente nesse momento que te gosta… e que vai saber respeitá-la em qualquer decisão.
Sentiu-se paralisada. Apesar de amar aquele ruivo, a bela figura madura e charmosa do loiro alto e de tom de pele bronzeado lhe impressionou naquele momento. Ele tinha mão macia, forte, de dedos compridos – se quisesse esmagar a mãozinha delicada dela ali, faria com total sucesso. Mas ele estava agindo totalmente diferente de quem queria esmagar sua mão. Viu finalizar sua declaração aproximando a mão dela em direção aos lábios finos. Com os olhos fixos nos dela, Don se preparava para beijar-lhe a mão de forma cavalheira, mas não deu tempo de fazê-lo: A morena tirou sua mão e pôs junto com a outra em seu próprio colo.
– Er… desculpa… fiquei realmente sem jeito.
– E então… o que me diz?
– Bem… no momento não dá, ...não dá para falar muitas coisas… mas sinto que ainda não é minha hora de começar um relacionamento… é que tenho alguns planos… e quero dar prioridade ao meu trabalho antes…
– Está bem, está bem. Don aqui não está chateado, não se preocupe. Bom, quer comer mais alguma coisa?
– Não, estou bem. Nunca tive jantar melhor!
– Hehehe… ótimo...
– Mas da próxima vez, eu ajudarei a pagar.
– Qual nada! Eu a convidei, e sempre que a convidar, a princesa não tirará um Jeni* sequer do bolso!
Ela sentiu que estava ficando cada vez mais vermelha. Após o jantar, ele a levou para a casa, deixando-a na porta. Sua vizinha estava na janela, mas dentro de casa, e a viu chegar com um homem de bom estilo e boa aparência. Terno branco e óculos escuros. Naomi vestia um vestido de decote redondo e meio solto no corpo – exceto na cintura –, de cor azul-marinho.
– Bom, boa noite.
– Até amanhã, e obrigado pelo jantar.
– Eu que agradeço por me fazer companhia. Uma noite solitária, a menos… poderíamos repetir isso sempre… o que acha?
– Dependendo…
– Do quê?
– Que nós juntos dividimos a conta… fico sem jeito de ver só você gastando comigo!
Don riu meio alto, em plena noite silenciosa naquela área.
– … faria com todo o prazer, pequena… – ele foi se aproximando mais, agachando-se um pouco, para deixar um beijo na bochecha rosada dela. Um beijo meio longo, que Naomi não rejeitou. Parecia um beijo simples, inofensivo, a princípio. Mas tinha um calor mágico que a fez fechar os olhos.
– Pensa na minha proposta… darei todo o tempo que quiser…– disse ele, sussurrando ao pé do ouvido.
Com isso, seguiu seu caminho em seu andar meio desengonçado, moleque, com as mãos no bolso. Ela assistiu aquela figura desaparecer na curva da esquina. Depois, foi até a casa da vizinha buscar o gatinho que ela deixou-a tomar conta até que ela voltasse do trabalho. Como eram íntimas, a velha atreveu-se a perguntar sobre aquele homem.
– É meu colega de trabalho. Foi ele quem me salvou daqueles garotos, lembra do que te falei sobre quando salvei o Kuro? – ela perguntou enquanto afagava o gatinho preto nos braços.
Kuro era o gatinho. Ainda filhote e magrinho demais, recuperava-se das feridas. Naomi resolveu se dedicar àquele gatinho, visto que sozinho nas ruas, mesmo que estivesse em sua ninhada, seria pego novamente e só o pior o esperava. Quando ia para a empresa, deixava o Kuro com a vizinha, e o buscava de noite, quando estava de volta. Parece que cada um deles – Naomi, a vizinha e Kuro – se completavam unidos em suas vidas solitárias. O pequenino filhote órfão e abandonado, a idosa sofrida da filha morta e uma jovem mulher saudosa e esperançosa de rever o amado. Uma perfeita novela da vida real – ou não.
Certa noite, quando estava na casa da vizinha para buscar Kuro, vivenciou uma perda lastimável. Naomi ia saindo da casa da vizinha, quando foi se despedir dela em seu quarto. Encontrou a idosa no chão, morta, com o rosto cheio de lágrimas. A foto da única filha morta no chão, aparentemente caído. Desesperada, Naomi tentava reanimá-la, mas a morte havia levado a alma daquela bondosa criatura. Chamou os bombeiros rapidamente. Vieram também médicos e constataram que um súbito ataque cardíaco foi o causador daquela morte tão triste. Foram anos de pesar para aquele pobre coração que já estava tomado por um tumor. A perda de uma única filha foi o fator principal para aquela vizinha ter decaído muito. E apesar de toda a dor, era uma criatura extraordinariamente bondosa, sempre com um sorriso escasso no rosto abatido. Foi uma guerreira. Sem parentes por perto, Naomi foi a única a acompanhar o corpo da vizinha até o cemitério. Ela estava arrasada.
Nos primeiros dias, Naomi levava Kuro às escondidas no trabalho, confiando apenas em Don o segredo. Não tinha mais ninguém para ajudá-la com o pobre gatinho, até que Don recomendou uma conhecida que poderia fazer isso. Essa conhecida era de confiança dele, mas Naomi hesitou inicialmente.
– Não se preocupe, Naomi. Minha ex-empregada não é tão inocente em fazer nada que me desagrada. Ela sabe disso, então pode confiar em mim.
Seria ele tão poderoso assim? Ele passava segurança e conforto para Naomi. Ele quase ou nunca falava de sua vida, mas ela percebia nele um homem de boa situação. Ela jamais perguntou nada da vida dele, o que talvez deveria fazer aos poucos. Precisava conhecer mais aquele que era apaixonado por ela. Como poderia namorar alguém assim, do nada? ...apenas um só… um só homem ela poderia se arriscar sem conhecer nada dele…
Ela não era atraída por Don, embora ele sempre a trazia conforto por estar junto. Não via detalhes em si nem exigia que lhe aparecesse um príncipe encantado, mas aquele homem definitivamente não era o Hisoka. Seria ótimo que aquele fosse o Hisoka! Protetor e que sempre convidasse para um animado jantar.
Depois daquela semana de luto, chegou a semana que começaria as férias de verão e a viagem até a República de Padokea, onde estava a Torre Celestial.
"Um dos edifícios mais alto do mundo, a Torre Celestial fica a 3.250 pés de altura e tem 251 andares. No interior, milhares de artistas marciais competir diariamente, a fim de avançar para andares mais altos. Os competidores têm permissão para lutar e derrotar seu adversário utilizando quaisquer meios, mas as armas não são permitidas nos primeiros 199 andares. O prêmio é dado em dinheiro em cada um dos 199 pisos; depois de atingir o 100º andar, os competidores têm seu próprio quarto privado. No 1º andar, um concorrente terá dinheiro suficiente para uma bebida, não importa o resultado da batalha. No 50º andar, um competidor recebe 50.000 Jennis para uma vitória. No 100º andar o dinheiro do prêmio é de 1 milhão de Jennis e por um 150, a recompensa é mais de 10 milhões Jennis."
Naomi leu sobre enquanto estava no dirigível com o grupo. E Don acrescentava curiosidades.
– A partir do 200º andar, os vencedores não recebem simplesmente prêmio em dinheiro, também recebem um honorável reconhecimento e diversas regalias! E é lá que estão os gladiadores do Terceiro Milênio! O 251º andar é a grande área da Batalha Olímpica! Os melhores estão lá para as mais emocionante lutas!
– Bem interessante… – disse ele, lendo o resto do informativo, mas prestando atenção as palavras do segundo chefe.
– Ih, tem muita coisa para você conhecer, Naomizinha! Tem grandes lutadores aqui, principalmente depois do 200º andar! Há verdadeiros gladiadores que levam a sério com suas vidas! Dizem que há um que nunca perdeu uma luta sequer, e todos os que perderam morreram nas batalhas!
– Nossa… esse deve ser um monstro gladiador… assim não parece tão interessante… – ela parou de ler devido a sua surpresa.
– Ah, querida! Mas eles estão aqui para isso mesmo. Lutar e arriscar suas vidas. Parece chocante, mas irá se emocionar ao assistir tais clássicos!
– ...será? E… quem é esse tal gladiador que mata seus adversários?
– Ah, esqueci o nome… me falaram aqui, mas lá vamos vê-lo em ação!
Mal sabia Naomi que esse "monstro gladiador" era Hisoka.
*Jenni é a unidade monetária no universo de HxH.
