Dois anos atrás, Kastro lutou Hisoka, porém acabou por ser derrotado. Depois disso, ele treinou com rigor para melhorar sua Nen, e ganha nove vitórias em seu retorno à Torre Celestial. Ele então desafia Hisoka para sua décima vitória, confiante de que poderia derrotá-lo. Kastro manteve sua capacidade de duplicar-se (doppelganger), escondido até essa luta especial. Só que não teve a sorte tão esperada: Hisoka o derrotou da forma mais insana e fria que um lutador poderia fazer. A habilidade com as cartas e a mágica foram impressionantes. Arriscou-se em deixar Kastro tirar-lhe dois braços, mas recompôs ambos com sua magnífica habilidade Nen. Duas técnicas que ele usava a partir do Nen: Bungee Gum e Textura Enganosa. Técnicas tão simples e tão eficientes ao mesmo tempo.

Naomi não saiu de perto de Don no hospital. Desinteressada em assistir a tal luta, ficou perto do seu amigo caso ele precisasse de ajuda. Mas os colegas de trabalho e quarto de ambos assistiram boquiabertos, comentando aquela luta sinistramente mágica. Apenas evitavam falar para Naomi desses assuntos, já que sabia do desinteresse dela.

– Daqui há uma semana, vamos ter que voltar para a casa. Espero que fique bom logo, Don! – disse Naomi, bem baixinho perto do ouvido dele.

Foi quando ele deu sinal de sua consciência. Ao abrir os olhos, viu aquela garota linda que tanto gostava. Sorriu e foi correspondido da mesma forma por ela.

– Será que… morri e fui pro céu? – disse Don, rouco.

– Shhhh! Não se esforça para falar… você está fora de perigo!

– E… a luta?

– Que luta? Não sei de nada delas…tinha alguma que você queria ver?

– Tinha! Aihhh… minha cabeça!

– Relaxa, já vou buscar um pano molhado…

– Não, espera… – ele a segurou pelo pulso – fala-me mais…

– Descansa, Don. Não seja teimoso! Já vou buscar um pano! Não fuja! – brincou a outra, indo também chamar a médica que estava cuidando dele.

Ao passar pelos corredores, deparou-se com enfermeiros empurrando uma maca com rapidez até uma das salas. Naomi pode ouvir alguma coisa deles.

– Não adianta, ele está morto!

– Devemos tentar salvá-lo!

– Está ferido até no peito com essas cartas, ele está perdendo sangue demais!

Aqueles enfermeiros falando tal coisa sobre o tal paciente (ou cadáver) fez a moça encostar à parede, assustada. De repente, algo no chão onde passou a maca chamou a atenção dela: uma carta de baralho. Ensanguentada. Ela se aproximou, agachando-se. Olhou bem a carta. Ele veio na memória novamente. As cartas que ele tinha. Não… qual er ao motivo para aquela carta está ali, cheia de sangue?

"Está ferido até no peito com essas cartas, ele está perdendo sangue demais!"

– … estranho… – Naomi pegou a carta. Um cheiro incômodo de sangue. E repente, veio todas as lembranças de quando foi raptada por Kuroro e sua gangue, da vez em que teve que enterrar a cabeça em putrefação do padrinho Majorano. Perturbada, levantou-se dali e saiu correndo. Com a carta na mão.

Acabou esbarrando na médica que procurava. Escondeu a carta atrás de si.

– Oi, Srta. Naomi. E como está o nosso paciente?

– Ah.. é, sim… estava procurando por você mesma… a febre e a dor de cabeça dele está piorando, mas ele já está consciente!

– O que houve, por que fala assim tão nervosa? – a médica acariciava-lhe o braço gentilmente, tentando acalmá-la.

– Bem… é que... não sei o que fazer com ele nesse estado! – ela conseguiu dar uma desculpa esfarrapada.

– Não se preocupe, vamos até ele!

– Já vai, Machi?

– Sim, vim apenas para te dar essa ajudinha e… ah! Ia esquecendo, tenho um recado do Danchou para você...

Ela diz ao ruivo que todos os membros do Genei Ryodan deve encontrar-se em Yorkshin City ao meio-dia em 30 de agosto daquele mesmo ano. Para Machi, era totalmente desagradável reencontrar-se com Hisoka, mas… era a ordem de Kuroro, não poderia contestar. Desde aquela última "travessura" envolvendo aquela raptada, tudo que ela queria era amarrar suas linhas de Nen no pescoço dele e apertar bem, vê-lo sufocar-se até perder a vida. Se bem que o ódio por ele desde essa época havia diminuído, mas sua desconfiança em relação ao ruivo nunca diminuiu.

– Bem, então tudo bem. E mais uma vez obrigado pelo seu serviço! Talvez eu me machuque desse jeito novamente para ver você e essa sua habilidade, sabe?

– Deixa de bajular, e são setenta milhões no total. Trinta pelo braço direito e quarenta pelo direito. Vai passando a grana logo!

– Já sei, Machi… pago em cheque?

Ele pagou o dinheiro exigido por Machi, por costurar os braços para trás junto com sua habilidade Nen. E não perdeu seu costume de flertá-la.

– Er… está livre hoje à noite? Poderíamos jantar, se quiser…

Ele nem chegou a completar a frase, pois ela saiu diretamente, batendo a porta. Após a saída da mulher de cabelos de tom lilás rosado, Hisoka tirou a falsa tatuagem da Aranha das costas: mais uma farsa (ou habilidade mesmo) feita graças à Textura Enganosa.

– Ai, ai… Genei Ryodan… trazem-me lembranças

Fitou a janela sem a camisa, apenas com uma toalha envolta nos quadris. Ela havia entrado na suíte sem bater à porta nem nada, flagrando-o saindo do quarto de banho. Mas tratou de ver o que ela queria assim mesmo. E como ela estava apetitosa…não mais que a sua Naomi, mas estava. Estava cansado, mas sentia seu fogo crescer.

– Agora devo pensar nos outros brinquedos que devo brincar… até que me canse!

Foi para a cama, deitando-se com os braços abertos. Uma linda visão de um formoso e saudável homem… porém insano e caprichoso.

– Não vou me saciar agora… preciso dormir… dormir…

Aos poucos, ele deixava se levar pela inconsciência do sono. E terminou dormindo após lembrar-se de algo em voz alta.

– A camareira não trouxe meu jantar ainda…

Em sua suíte, Naomi não pegava no sono. Diferente de sua colega de quarto, que estava virada de bruços e dormindo quase aos roncos. Estava em sua cama, sentada, com aquela carta na mão. Olhou o sangue coagulado nela. Aquilo lhe trouxe a lembrança que havia "aposentado" em sua mente, embora a paixão em seu coração continuasse sempre constante. Despertava-lhe o desejo de tê-lo ali. Era bem fresca a lembrança que tinha do toque dele, do cheiro dele, do membro dele dentro de si… tinha voltado também seus desejos sexuais. Péssima época para sentir tudo aquilo. Pura frustração…

Aquilo seria uma eternidade. Ele nunca mais voltaria para ela e ela continuaria sempre apaixonada, iludida com a promessa dele. Promessa que o próprio já deve ter esquecido. O que adiantava amá-lo? Naomi não sabia se explicar. Ela suspirou longamente, e calou o suspiro ao ver a outra se mexer na cama – não queria acordá-la. Ela se lembrou de como se sentiu tensa quando conviveu com ele nos primeiros dias após tê-lo conhecido. O coração parecia gaguejar no peito, sempre que ele aparecia diante dela. Será que ele estava nos braços daquela tal Machi? Ah! ...por que tinha que se lembrar dessa criatura? A pior experiência que ele proporcionou foi obrigá-la indiretamente a chegar ao orgasmo roçando-se sobre o corpo e o sexo daquela mulher. Motivo real de que deveria odiá-lo. Mas não. Aquele bandido era louco o suficiente para satisfazer seus caprichos sexuais daquela forma tão insana. Foi praticamente estuprada, duas vezes. Então, por que havia perdoado aquele ser se apaixonando desse jeito? Deveria esquecê-lo de vez… mas…

...queria ele ali. Agora. Ser possuída da mesma forma que foi nas outras vezes, mesmo que fosse na frente da sua amiga inconsciente na cama vizinha. O silêncio da noite facilitava a lembrança de sua voz dissimulada e levemente rouca, falando-lhe ao pé do ouvido. As mãos dele imobilizando-lhe pulsos e tornozelos. Os dedos dele estimulando-a. Ahh…não conseguia evitar aquele desejo, aquelas lembranças. Maldito Hisoka, maldito por ter simplesmente aparecido em sua vida pacata e sossegada! Maldito. Simplesmente isso que ele era. Formoso, encantador, sedutor…

Olhou sua amiga dormindo novamente. De repente, teve uma ideia. Levantou-se e cobriu delicadamente a própria cama com um mosquiteiro meio grosso e confortável que esta sustentava. Queria se arriscar em sua "vontade". Enfiou-se dentro da cama coberta e abriu seu roupão, sem tirá-lo totalmente, revelando sua nudez para si mesma. Sempre de olho na amiga que dormia ao lado, ela tratou de começar a brincar eroticamente com aquela carta, deslizando o canto dela pelos seios e mamilos, rodando a carta em torno deles. Naomi apertou os lábios contendo um gemidinho que poderia ser audível. Seu coração pareceu acelerar um pouco. Imaginou os dedos dele fazendo aqueles movimentos, as unhas deles, uma das cartas dele – sem ferir mortalmente. Desceu a beira da certa do meio dos seios até o umbigo. Contorceu de prazer, assistindo-se em seu "showzinho" privado de erotismo e atenta para qualquer sinal de despertar da outra. Por isso não tirou o roupão e prendia os gemidos.

A carta ia descendo até encontrar-se com o clitóris. Teve a sensação que estava sendo cortada ali, passando um pouco mais levemente. Contorcia discretamente, pois sentia seu pequeno órgão de prazer despertar. Deslizava a carta em volta dele vagarosamente, Arriscando gemidos baixinhos. Dava graças pela amiga da cama ao lado ter um sono de pedra. Masturbava-se com menos timidez agora, levantando os quadris a cada reflexo daquela certa de sangue coagulado. Ao sentir que chegava ao clímax, tirou a carta e usou os dedos para finalizar seu orgasmo clitoriano, deixando escapulir um suspiro meio alto, fechando os olhos. Abriu lentamente os olhos. Foi a sensação mais deliciosa que teve ao pensar nele daquele jeito. A amiga, por sorte, não deu nenhum sinal de vida – tinha sono bom. Aos poucos, ela recuperava o fôlego, sem soltar aquela carta. Em seguida, levantou-se, guardando o mosquiteiro da cama e indo tomar uma ducha.

Quando Don já estava recuperado, as férias temporárias tinham acabado. Até que aquela torre de lutas deixaria uma leve saudade nela, pelo menos na noite anterior. Quando voltavam de viagem, Naomi ficou curiosa em saber quem golpeou Don daquela forma, mas nada perguntou a ele, com receio de incomodá-lo. Nunca imaginou que seu amigo, tão alto e forte daquele jeito, fosse apanhar assim.

Don tinha voltado a ser o mesmo de sempre: animado, extravagante, divertido… e galanteador. Porém, ele não era desses galanteadores chatos. Don também tinha experiência para lidar com moças que nem Naomi. Ele queria conquistá-la com o tempo. Tinha confiança que conseguiria, apesar de, vez em quando, sentir impaciente.

A viagem tinha sido animada, ao mesmo tempo cansativa. Don ofereceu sua casa para Naomi passar aquela semana, mas ela recusou inicialmente.

– Ah, vamos! Fico muito sozinho… quase não tenho amigos e amigas que queiram passar uma noite amiga jogando e batendo papo...

– Sim, mas… e o meu gatinho? Está sob os cuidados de sua empregada, mas ele deve estar sentindo falta de mim…

– Ahahaha, mas se esse é o problema… – o loiro deu a decisão abraçando Naomi pela cintura, mas de forma amistosa – traz ele também! Fazemos assim: vai até sua casa, pega tudo e vem conosco!

– ...está certo. Topo!

– Isso! – ele a levantou nos braços e brincou com ela como se fosse uma criança.

– Ah, solta-me! Ai, ai, ai, vou cair! Não sou pesada, não?

Assim fizeram: Naomi foi buscar seus pertences e o gatinho – que pulou nela e fez aquela festa de saudades – e foram com Don.

A casa de Don – um rico flat que tinha vista para a ponte que começava a cidade de York Shin – era o típico sonho de consumo de todos. Tudo do bom e do melhor. Belas pinturas, móveis e objetos bem arquitetados, plantas decorando de forma sutil e organizada. Um quadro lhe chamou a atenção, pois ele era cilíndrico horizontal e com os ases do baralho desenhados. Em todo canto sempre havia algo que lembrasse Hisoka. Uma vista linda para o mar. Enorme TV digital na área de visitas, junto com uma fogueira artificial multicolorida. Grande bar, cheio de diversas bebidas. Naomi não pode conter sua admiração pelo local, ficando boquiaberta.

– Pelo visto, está bem impressionada com minha humilde casa.

– Humilde? ...Só faltam os serventes para isso ser considerado um palácio real!

– E tenho, Naomi.

– Ahh… então você é um príncipe mesmo!

– Hehehehe… – ele acercou-se dela – só me falta uma princesa tão digna ou mais valiosa que tudo isso aqui! – ele abaixou os óculos, olhando-a de forma paqueradora, deixando a outra ruborizada.

– Er… bem, onde deixo meu Kuro? – Naomi perguntou em relação ao gatinho preto que estava em seu colo.

– Temos uma área para pets.

– Ohh! Que legal! – dirigindo-se para o gatinho, com voz mudada típica de quem está falando com bebês e animais – Viu, meu "pepê"! Agora você vai tirar um dia de férias aqui, que você acha, "pepê"?

– Um dia? ...Que tal uma semana? – propôs o loiro.

– Ah, não quero dar todo esse trabalho! Só essa noite. Amanhã quando for trabalhar, volto para minha casa…

– Por favor! – disse ele, ajoelhado como se fosse um cavalheiro à moda antiga.

– Ah, para…

– Por favor? …sim?

Naomi fez uma pequena careta. Livre, solteira e sem compromissos – por que ela recusaria uma semana hospedada naquele flat?

– Está bem. Uma semana só, está bem?

– Fechado. Bem, quer beber alguma coisa? – foi ele até o sofisticado bar.

– Não tenho hábito de beber mas… se tiver algo sem álcool, agradeceria.

– Tenho. Faço um coquetel especial para você!

– Ah que bom! – ela foi até o bar, ver o que ele faria. Sempre ficava de olho quando lhe ofereciam bebidas. Ela conhecia bem Don, mas… queria ver se ele faria um coquetel sem álcool, como ela pediu.

Ele tinha uma habilidade de mixologia tremenda. Cheio de malabarismos e de agilidade, Don preparou um coquetel de cor avermelhada e colocou uma fatia de maçã e um pedaço de morango na beira do copo.

– Para chegar a um drink perfeito, não basta saber qual fruta ou bebida usar mas qual tipo é melhor para os resultados desejados. Um drink projetado por um mixólogo começa normalmente com uma boa análise no qual são quantificadas as características e, valendo-se da quantidade de informações produzidas, tudo que pode ser criado. – ofereceu o coquetel cremoso para ela – Veja o que acha desse Simples de Maçã e Morango.

– Deixa-me provar… hmm, que delícia! E por que chama-o de "Simples"? – segurava o copo em uma mão e o gatinho na outra. E Kuro fazia menção de pegar os pedaços de fruta com a boquinha, mas Naomi o impedia.

– Por não ter bebidas alcoólicas. Olha só, vou fazer o meu Tequila Flambado de Cacau e Coco.

Ele fez da mesma forma que o da Naomi, e pendurou pedaço de coco branco no copo, adicionando mel em cima do pedaço de fruta. Ela admirava aquilo enquanto degustava sua bebida.

– Que máximo…

– Quer aprender a fazer desses drinks?

– Gostaria! Ah, Kuro! Quer parar de tentar pegar as frutas? – parecia que o gato insistia na sua ideia ingênua.

Ela foi por Kuro pra dormir na área para animais domésticos e passou boa parte da noite aprendendo um pouco de Mixologia com Don. Divertiram-se um bocado. Ótimo para esquecer Hisoka e daquela saudade incômoda.

Na Torre Celestial, Hisoka se preparava para lutar com Gon, aceitando o desafio ao vê-lo vencer uma luta crítica.