No Capítulo Anterior...

Qual não foi a surpresa deles ao vislumbrarem diante de si treze corpos envolvidos naquela luz, como se estivessem aprisionados dentro dela. Saori levou a mão á boca, tamanha sua surpresa.

"Os Cavaleiros de Ouro..." – disse Shiryu.

...

Angels Fall First

Capítulo Dois

"Condição"

That smile used to give me warmth

Aquele sorriso costumava me trazer calor

"O que eles estão fazendo aqui? Eles estavam mortos!" – disse Shun.

"Boa pergunta" – disse Scarlet.

"E porque estão justamente aqui, na Casa de Peixes e envolvidos nesse tipo de aura negra?" – perguntou Ikki.

"Como a gente vai saber?" – disse Scarlet – "Só sei que estou curiosa para descobrir" – sorriu, aproximando-se do local.

"Meu, você tem problema!! Vai se arriscar assim?!" – disse Seiya.

"Cala a boca pônei!! Acha que eu sou tão tola assim? Eu só quero sentir essa energia..." – deu as costas a ele e se aproximou.

Assim que se viu a poucos metros dos corpos, aquela mesma luz roxa começou a aumentar, obrigando-a a afastar-se. Parecia que estava querendo envolvê-la da mesma forma que os cavaleiros. Suspirou pesadamente. Aquela energia era mesmo perigosa. Atena estava em completo silêncio, quando se aproximou de Scarlet, e pousou a mão em seu ombro.

"Vamos dar um jeito de tirá-los dái" – disse Saori.

"Como?" – perguntou Shiryu.

"Esses corpos envolvidos nessa energia estão sem alma" – disse a Deusa.

"O QUE??" – exaltaram-se.

"Exatamente... Seus corpos estão numa espécie de sono profundo, enquanto suas almas estão vagando sem rumo. Acredito que para trazê-los de volta, teremos que voltar aos domínios de Hades" – concluiu.

"Hades?"– perguntou Shun.

"Sim. Teremos que resgatar as almas deles para assim tentar libertar seus corpos dessa energia negativa" – disse Saori.

"Quando partiremos?" – perguntou Ikki.

"Amanhã mesmo" – disse e virou-se para Scarlet – "Obrigada por nos acompanhar, mas a partir de agora, deixe isso conosco sim?".

"Tem certeza Atena?" – perguntou.

"Vai ser melhor assim".

"Está certo então. Agora, vamos voltar? Já cansei de ficar no escuro" – disse, dando as costas á eles e caminhando de volta.

"Ei!! Scarlet!! Espera!!" – disse Seiya, apressando o passo para acompanha-la.

"Pare de resmungar e anda logo pônei!" – disse.

Os outros os seguiram á passos rápidos. Saori sentiu-se aliviada, ao ver que Scarlet entendera a sua preocupação. Sim, ela havia entendido, mas nem por isso ela havia concordado. "Nada posso fazer... Ela é Atena". Depois de poucos minutos caminhando em silêncio, viram a luz fraca entrar pela porta ainda aberta. Saíram da Casa de Peixes e viram Marin e Alene, sentadas debaixo de uma das colunas, a esperá-los. Assim que os viram, levantaram-se, preocupadas.

"Tudo bem com vocês?" – perguntou Marin.

"Sim, não se preocupem" – disse Saori, sorrindo.

"O que aconteceu lá dentro?" – perguntou Alene, curiosa.

"Um sinal de que precisaremos fazer uma visita ao Mundo dos Mortos" – disse Scarlet, passando reto por elas, sem olhar para trás.

"É sério?" – perguntou Marin.

"Sim..." – disse Saori – "Vamos recuperar algo precioso para todos" – disse, por fim afastando-se e indo para a 13ª Casa.

Marin e Alene olharam-se. Se a própria Atena escondia o objetivo daquilo tudo, era algo grave e no mínimo preocupante. Tinham que deixar nas mãos da Deusa, afinal, ela sabia o que fazia. Os cavaleiros de bronze seguiram Saori e logo Alene e Marin voltaram ao trabalho, como se aquele incidente nunca tivesse acontecido.

--xxx--

Noite. Estavam todos reunidos em frente à estátua dourada da Deusa Atena, na 13ª Casa. Os cinco cavaleiros de bronze rodeavam Saori, enquanto ela mantinha seu báculo firme em suas mãos. Ergueu-o em direção aos céus e uma luz dourada os envolveu, iluminando toda a sua volta. Todo o Santuário foi capaz de ver a forte luz que vinha da última Casa. Da mesma forma que apareceu, desapareceu rapidamente. Seus olhos verdes mantinham-se fixos no local antes ocupado pela Deusa e seus cavaleiros. Eles partiram para os Domínios dos Mortos.

"Boa Sorte, Cavaleiros de Atena" – disse Scarlet.

"Eles vão conseguir, eu sinto" – disse Alene.

"Eu realmente não sei o que me deu para te contar isso" – disse Scarlet, olhando para a jovem á seu lado.

"Você sabe que pode confiar em mim Scarlet" – disse, sorrindo.

"É, eu sei..." – sorriu, dando as costas ao local e caminhando para fora dali.

--xxx--

Estavam mais uma vez naquela tão conhecida atmosfera pesada e negra. O mesmo silêncio, a mesma sensação de morte que haviam conhecido á anos. Era muito estranho estarem novamente naquele lugar. O báculo de Saori brilhava, a fim de iluminar seus caminhos no meio das trevas. Mais á frente viram o tão conhecido Castelo de Hades e rapidamente encaminharam-se para lá, seguindo Saori.

"Como faremos para achar suas almas?" – perguntou Hyoga.

"Sinto uma presença dentro do castelo que não deveria estar lá" – disse Saori, séria.

"Inimigo?" – perguntou Ikki.

"Não tenho certeza..." – respondeu.

Depois de minutos caminhando, cada um com seus pensamentos, viram-se diante da sala do trono, que antes era ocupada por Hades e que agora não passava de uma sala vazia. Saori deu um passo à frente e tocou a madeira da porta, empurrando-a para então esta se abrir. A porta rangeu alto, chegando a incomodar os ouvidos. Entraram, hesitantes no local. Arregalaram os olhos ao verem uma sombra negra com um formato humano sentado de qualquer jeito no trono de Hades. Com a pouca luminosidade, mal puderam ver que o mesmo virou o rosto na direção deles. Os cavaleiros de bronze mantiveram-se em alerta, caso fosse um inimigo.

"Atena..." – disse uma voz feminina, vinda do trono de Hades.

"Quem é você?" – perguntou Saori.

Viram o estranho se levantar e a longa capa negra arrastar-se no chão enquanto caminhava na direção deles. O capuz da capa cobria a cabeça e em seu rosto havia uma máscara prateada, muito parecida com as que as amazonas usavam. Realmente não queria ser identificada. Parou a poucos centímetros deles, e parecia manter sua atenção total em Saori.

"Aqui é mesmo muito chato sem ninguém para se divertir..." – levou a mão ao capuz e abaixou-o. Os longos cabelos caíram como cascatas por suas costas. Lisos de um castanho claro com várias luzes – "A que devo a honra?" – perguntou.

"Você não respondeu minha pergunta..." – disse Saori, incrivelmente séria.

"Me chamo Seheiah, Atena" – curvou-se respeitosamente – "Agora, responda a minha pergunta".

"Viemos em paz a fim de resgatar as almas de nossos amigos" – disse.

"Amigos? Refere-se aos treze cavaleiros mortos na batalha contra Hades?" – perguntou.

"C-como sabe?" – perguntou Seiya, pasmo.

"Oras..." – ela levou a mão até a máscara e a retirou, lançando-a longe. Ela sorria e seus olhos verdes brilhavam intensamente – "Porque eu me encarreguei de pegar suas almas".

"O QUE??" – disseram, pasmos.

"Não me olhem com essa cara... Ordens são ordens. Eu estava apenas cumprindo a minha parte" – disse, retirando a pesada capa e deixando-a cair no chão.

Tinham que admitir. Aquela mulher era de incrível beleza. Vestia uma saia preta de pregas e uma blusa branca de mangas longas e largas, que chegavam a cobrir levemente suas mãos. Sobre a blusa branca havia uma espécie de corpete preto de alça com alguns detalhes em branco ao lado. Uma sapatilha preta, delicada estava em seus pés, e para finalizar o conjunto, a longa meia de listras pretas e brancas que chegavam perto de seus joelhos.

"Vamos fazer um acordo" – disse Saori.

"Acordo?" – Seheiah olhou para a Deusa, desconfiada.

"Sim... Devolva-nos as almas dos treze cavaleiros e te daremos algo em troca" – disse.

"O que eu quero, você não pode me dar" – disse, com amargura – "Ninguém pode... Então, acho que não posso ajuda-la" – deu as costas a eles e estava prestes a sumir dali, quando pára de repente e olha para cima, sorrindo – "Finalmente algo divertido".

"O que?" – perguntou Saori.

Viram algo voar para cima de Seheiah como se fosse uma bala. Ela apenas deu um passo para trás e uma parede de pedra surgiu na sua frente, impedindo que uma espada a atingisse. Olhavam pasmos para a velocidade com que ela reagira e com que fora atacada. E ficaram mais abismados ainda quando viram o agressor de Seheiah: asas negras, roupas também negras em frangalhos.

"Um caído" – disse Ikki, de olhos arregalados.

"Olá, Seheiah... Quanto tempo" – disse o anjo, afastando-se dela e pousando no chão delicadamente, enquanto a parede de pedra desaparecia.

Tinha uma bela aparência, pena que tinha um aspecto pálido demais. Os cabelos negros estavam penteados de qualquer jeito, dando um ar rebelde á ele e os olhos igualmente negros transmitiam uma quantidade de ódio jamais vistos. Ele abaixou a espada ao lado de seu corpo e encarou Seheiah, como se estivesse em alerta para qualquer coisa que ela fosse fazer. Afinal, com ela tinha que ter esses cuidados extras.

"Como vai Haziel? Veio se divertir comigo finalmente?" – olhou-o, a fim de provocá-lo.

"Eu não caio mais nessas suas provocações" – disse, sério.

"Ah! Que pena" – disse, sarcástica – "Assim terei que te matar mais rápido..." – levou a mão direita em frente ao peito e uma espada de lâmina luminosa e prateada apareceu – "De que forma você quer morrer? Rapidamente, ou demoradamente?" – perguntou, com um sorriso maldoso nos lábios, passando o dedo na lâmina de sua espada.

"Você fala demais!" – disse ele, desaparecendo e reaparecendo na frente de Seheiah. Infelizmente seu ataque não surgiu efeito algum nela, já que conseguira se desviar com facilidade.

"Como você é apressado!!" – ela sorria, como se nada a abalasse – "A mesma pressa que sua mulherzinha ridícula tinha...".

"Não se atreva a mencionar o nome dela!!" – irado, ele aplicou sobre a espada dela uma seqüência de golpes violentos, mas sem nenhuma coordenação.

"Veio se vingar de mim ou veio acatar ordens hein? Acho que a primeira opção..." – disse, continuando a provocá-lo e a se defender.

"Cala a boca maldita!!" – xingou.

Seheiah encontrou uma pequena falha nos ataques seguidos dele e conseguiu chuta-lo no estômago, fazendo ir alguns passos para trás, meio atordoado. Quando deu-se por si, estava sendo erguido pelo pescoço por sua inimiga. Seheiah olhava-o de uma forma estranha. Uma mistura de pena e de vontade de matar. Os cavaleiros olhavam toda a luta, em completo silêncio e surpresa. Além de sentirem que nada podiam contra aqueles dois, não iriam se meter em uma luta que não lhes pertencia.

"Você é mesmo ridículo..." – disse, balançando a cabeça para os lados – "Seu ódio não vai me vencer. E você sabe muito bem o porquê de eu matar a sua tão amada humana. Mas como você não tinha chance alguma de lutar contra nosso mestre, muito menos agora que ele está morto, veio descontar sua frustração em cima de mim" – largou-o, e ele caiu desajeitadamente no chão – "O que vai ser? Vai querer continuar a lutar comigo, ou vai querer sobreviver? Estou te dando uma escolha...".

"Vou te dar uma resposta de uma outra forma..." – e então, a mão dele começou a brilhar.

Pulou nos pés dela e tocou em sua perna, onde a pele alva estava descoberta. Uma mancha negra apareceu no local e começou a crescer em seu corpo. Seheiah olhava para aquilo inicialmente surpresa, mas logo sua expressão tornou-se de puro ódio. Pegou sua espada e sem pestanejar perfurou o anjo ainda caído no chão.

"Desgraçado..." – disse, irritada – "Vou fazer você pagar por isso... Coercitio" – disse.

Haziel levantou-se do nada, com a espada de Seheiah encravada em suas costas. Sua expressão estava completamente abismada e a parte branca de seus olhos haviam adquirido um tom vermelho sangue. Seheiah caiu de joelhos no chão, olhando para a mancha relativamente grande em sua perna. Viram-na retirar de suas roupas uma pequena faca e sem hesitar fez um corte profundo em sua perna, exatamente onde estava a mancha. O sangue que escorria do local, para a surpresa de todos, não era vermelho e sim preto como carvão. Enquanto o sangue negro de Seheiah começava a cobrir o chão á sua volta, Haziel parecia sofrer a cada segundo que se passava. Seu corpo vibrava como se alguma coisa dentro de si tentava sair a e por todos os orifícios que possuía via-se o sangue escorrer de forma descontrolada. Os gritos de dor e desespero do caído inundavam todo o Domínio dos Mortos, acabando com o tão conhecido silêncio. Num momento de desespero, ele retirou a espada de Seheiah de seu corpo e estava prestes a se matar, se não fosse ela mesma a impedi-lo, retirando a espada de suas mãos.

"Não... Você não vai acabar com seu sofrimento assim tão rápido. Além disso, eu farei questão de te matar" – disse, com seu rosto contraído em dor.

Saídos do choque inicial, os cavaleiros conseguiram finalmente ter alguma reação. Foram até Seheiah que se mantinha sentada no chão, com seu sangue ainda escorrendo do ferimento que ela própria fizera. Ela olhou-os irritada. "Eles ainda estão aqui? Inferno!". Atena ajoelhou-se ao lado de Seheiah e colocou a mão a poucos centímetros do ferimento em sua perna.

"O que pensa que vai fazer?!" – Seheiah segurou a mão da Deusa com força.

"Precisa cicatrizar isso..." – disse, calmamente.

"Eu sei o que estou fazendo!! Não se meta nisso ou vai sobrar pra você..." – Seheiah parecia extremamente irritada com o ocorrido – "E esse infeliz não cala a boca!!" – pegou sua espada no chão e com um golpe só fez a cabeça do oponente rolar no chão enquanto o corpo tombou logo em seguida – "Merda!" – xingou.

"Por Zeus!" – disse Saori, pasma com a forma que Seheiah acabou com o anjo.

"Não adianta falar o nome dele... Ele não vai te ajudar Atena" – disse, pousando a mão sobre o ferimento e sujando sua mão de sangue.

Viram-na fechar os olhos e sua mão brilhou intensamente, como se estivesse a segurar uma estrela. Segundos depois a luz extinguiu-se e ela retirou a mão do local. O ferimento, antes aberto, estava completamente cicatrizado e sem marca alguma. Seheiah levantou-se rapidamente e olhou para os cavaleiros que a rodeavam.

"Voltem de onde vieram e me deixem em paz ok?" – disse.

"Espere! E as almas de nossos amigos?" – perguntou Shun.

"Enquanto eu e Haziel ficamos tagarelando, eu devolvi as almas deles a seus corpos. Mas isso não sairá de graça..." – olhou para Saori – "Eu quero minha liberdade, Atena... E para isso, você precisará dar a sua vida em troca" – disse – "Você será capaz de dar sua vida á mim em troca de seus preciosos cavaleiros vivos?".

Farewell - no words to say

Adeus - sem palavras pra dizer

Continua...

Vocês devem estar se perguntando: "Como esse capítulo saiu rápido desse jeito?"

Pois é... Eu acordei hoje inspirada e fiquei UMA HORA escrevendo mais da metade desse capítulo... Agradeçam á Thyana por me ajudar com ele. Eu tinha uma idéia de como "trazer" os cavaleiros de volta á vida, mas eu queria uma coisa que se encaixasse direito com a fic e que não saísse do contexto... Graças á Thyana, eu consegui!!

Muito Obrigada Thyana!! .

Espero que tenham gostado do capítulo... Essa Seheiah viu?? u.u

Eu AMEI criar ela... Vocês sabem que eu tenho uma queda por personagens rebeldes não? Acho que com a Seheiah eu me superei, principalmente na extrema auto confiança dela XD

Reviews Reviews Reviews!!

É simples, rápido e fácil... Clique e Comente!! (boba)

haushuashusahsuha

Beijos