Chorando, Naomi ainda não acreditava no que tinha feito. Mas precisava fazer aquilo, honrar sua dignidade. Vendo Don jogado no chão naquele jeito, pegou suas roupas, vestiu-se rapidamente e saiu correndo dali, tentando passar por despercebida pelos funcionários do hotel. Desceu pelas escadas que pertenciam à saída de emergência e saiu pelos fundos. Seu choro era incontrolável. Uma noite tão linda e um momento tão horroroso. Saiu tropeçando em seu salto (um deles havia se quebrado durante sua corrida pelas escadas), chegando a cair no chão, batendo a cabeça. Meio zonza com a pancada, ela mal conseguia se levantar. Foi aí que um ser apareceu em sua frente. Mas não um ser do mal. E sim, um ser que a acolheu.
– Está tudo bem, senhorita? – perguntou o homem de uma voz grossa e de tom baixo, de capuz e conjunto de couro preto.
– …
Ele a ajudou a levantar, colocando-a em seus braços. Tinha a testa ferida, talvez tivesse quebrado a cabeça. Ele observou o belo rosto, com a maquiagem borrada por lágrimas. Naomi chegou a abrir levemente os olhos, podendo ver apenas um homem de capuz. Os lábios finos levemente corados. "Quem é… você?" perguntou mentalmente, antes de cair inconsciente em seus braços fortes, que pareciam ainda mais musculosos naquele apertado casaco de couro preto.
– Nossa! Vou levá-la ao hospital agora mesmo! – e assim o fez.
…
Abrindo os olhos aos poucos, Naomi sentiu uma forte luz branca forçar-lhe o despertar.
– ...onde estou?
– Oi, você já está acordada? – disse o mesmo homem que a salvou, aproximando-se da cama hospitalar em que ela estava deitada.
– … quem é…
– Quem sou eu, isso que quer saber? Bom, vou falar quem sou eu, mas por favor não prossiga falando. Você precisa descansar.
– ...OK.
– Chamo-me Eros. Eu estava saindo do meu trabalho quando vi você caída no chão e inconsciente. E também estava com a testa muito machucada.
Naomi pôs a mão instintivamente na área machucada, que agora estava enfaixada e possuía pequenos pontos. Olhou novamente para o homem que a salvou: alto, de capuz que só dava para ver do nariz para baixo, corpulento – sem ser gordo e estatura alta.
– ...obrigada… – disse ela, sentindo as lágrimas virem novamente.
– Ah, não precisa chorar! – ele acariciou levemente o ombro dela, de forma amistosa – E logo, poderá voltar para sua casa. Eles só vão esperar mais um pouco até tirar os pontos.
– ...eu… nem sei por onde começar!
Eram umas dez da manhã e, nessa hora, já deveria estar no escritório. E ela estava ali, em um leito de hospital. E que hospital? Veio as lembranças de tudo que aconteceu há poucas horas daquele dia…
– Não me atrapalha! – ordenou o loiro, colocando os braços de sua deliciosa presa envolvidos em torno de seu musculoso torso. Beijou-a nos lábios, afundando sua língua (quase) totalmente em sua boca. Naomi sentia o ar que respirava ir embora, aos poucos. Ele tinha uma boca grande, enorme, e língua quente e pesada. Não estava acostumada com aquela forma de beijo… ou já tinha esquecido como era ser forçada a fazer aquilo.
Que Don era um homem poderoso e temido em seu meio de trabalho, ela sabia; no entanto, as máscaras que vestiam aquele homem havia lhe decepcionado. Nunca achou que ele fosse capaz disso. Naomi era descrita e tratada por ele como uma mulher amável, muito suave e brilhante. Então, ela caiu de ponta-cabeça literalmente quando via aquele homem sem camisa, com as calças totalmente descidas e sendo tiradas pelos próprios movimentos dele, forçando a ter a mais profunda das intimidades. Havia um contraste tão grande entre os dois, mas isso nunca foi de tanta importância para ela.
– Por que você está fugindo de mim, amor? – Sua voz era quente e fria ao mesmo tempo, como uma tempestade de neve em um deserto em pleno dia. No entanto, aquele sorriso maldito ainda estava em seu rosto e as carícias eram absurdamente irresistíveis. Aquele maldito sabia explorar as partes mais sensíveis de uma fêmea. Naomi precisava resistir àquilo tudo, mesmo que não tivesse forças para se livrar das garras dele – E outra coisa que eu odeio, é quando alguém tenta tirar o que é meu.
– Não sou sua! Aiihh…– ela se contorcia enquanto tinha seu clitóris sendo estimulado pela língua quente do outro, que a chupava como se fosse uma manga apetitosa. – para com… isso…
Ainda tinha o gosto da bebida dele em sua boca que teve o beijo roubado. Aquilo tudo lhe causava nojo e… ao mesmo tempo… certa excitação. Mas Don não era o Hisoka. E ela não era de Don. Tentou se arrastar pela cama, com certa dificuldade, mas ele a segurou pelos quadris, brincando com a ponta da língua em toda sua área genital.
– AAAAHHH…par… por fav… – Naomi choramingava.
Sentindo que o corpo dela gozava contra seu gosto, Don sorveu todo aquele gozo feminino, deixando-a totalmente úmida. Agora sim, ela estava pronta para recebê-lo. Naomi estava sem forças. Havia gozado contra sua vontade. Não queria ter lhe dado esse prazer, ele não merecia. Masturbando-se, ele se preparava para entra nela, que se arrastou até a cabeceira da cama. Queria ter todas as forças para evitar o avanço dele.
– Seu… seu…
Avançando sobre ela na cama que nem um felino prestes a dar o bote, ele deu um forçado beijo molhado. Ela o empurrava-o pelo peito, apertando-lhe as mamas levemente musculosas, quase encravando-lhe as unhas. Ela podia sentir o ritmo constante dos batimentos cardíacos dele. E para cada lado que ela virava o rosto para deixar de beijá-lo, ele acompanhava certinho os movimentos dela, assim mantendo constante aquele beijo com gosto de bebida e sexo.
– Minha pequena boneca… – a voz rouca e morna dele ao lhe falar, ainda querendo manter o beijo.
De repente, ela sentiu algo invadindo sua intimidade. Ele penetrava aos poucos, sentindo deslizar facilmente dentro ela. Aí que ela começou a gritar, mexer-se compulsivamente, tentando atrapalhar Don. Porém, ele facilmente penetrou-se dela, soltando um gemido rouco de prazer. Naomi começou a chorar entre a dor e o prazer do toque que começava a ser perceptível. Ele estava totalmente entregue, movia seus quadris no instinto de satisfazer seu pênis que parecia rasgá-la por baixo. Com os longos cabelos lisos assanhados e com a expressão de terror em sua face, ela ainda estava linda, apetitosa. Don acariciou seu rosto e pele, admirando-lhe enquanto transava com ela. A reação dela permaneceu a mesma. Esse não era o que ela gostaria de ter daquele jeito, e ele só deseja que ela visse o seu amor, a senti-lo, e entregar-se totalmente a si. Não só a base da força, mas por amor. Amor que ela tinha por um outro qualquer.
Ela lhe virou o rosto. E ele continuou a satisfazer os desejos de sua carne, até finalmente gozar. Durante esse tempo, Naomi observou algo em cima do criado-mudo que havia ao lado da cama. Um abajur de porte médio, de vidro grosso, aparentemente pesado. Ficou olhando fixadamente aquele objeto. Viu seu leve reflexo nele, os seios médios e duros se balançavam pouco com os movimentos dele por cima dela. Seu corpo reagia aos poucos diante daquele prazer. Em certos minutos, teve que deixar todo seu orgulho para se render as mais lascivas sensações, entregando-se a mais um orgasmo que o loiro fazia seu corpo sentir junto com ele. Mais uma lágrima quente descia pelo canto dos olhos. Após aquela maré de satisfação sexual de ambos, Don caiu ao lado dela, ofegando, quase caindo inconsciente.
– ...desgraçado.
E veio a ideia de quebrar aquele abajur naquela cabeça. E facilmente o fez, pegando-o e acertando bem abaixo da nuca, fazendo-o o outro dar um grito curto antes de cair inconsciente. O vidro grosso se despedaçou naquela cabeça. Olhando a cabeça ensanguentada dele, apavorou-se com aquela cena. Achou que ele poderia estar morto. E daí, pegou suas roupas, vestiu-se rapidamente e saiu daquele quarto rapidamente.
Naomi enfiou os dedos entre os cabelos na nuca e começou a chorar.
– Fica calma… vou chamar o enfermeiro.
– Não chama ninguém! – ela gritou.
– Ei, não precisa gritar comigo! – ele lhe deu uma bronca, mas ainda preocupado com aquelas reações dela.
– Quero… ir embora daqui!
– Agora, não pode!
Ela quis sair da cama, sendo mantida por Eros.
– Solta-me! Não vai abusar de mim, não! – gritou Naomi.
Eros caiu em si. Experiente nesses tipos de crime, descobriu aquela perturbação dela: tinha sido violentada.
– Ai… perdoa-me, jamais faria isso com ninguém!
Naomi olhou para ele. Pode lhe ver os olhos cor de âmbar. Um rosto tão bonito, um homem gracioso, por debaixo daquelas grossas roupas de couro pretas. Ele… lhe parecia levemente familiar… mas não tinha certeza disso. Pode ver que ele tinha mechas ruivas que desciam pelo pescoço pálido. Parecia… alguém.
– Olha só, fica calma que eu vou chamar o enfermeiro só para ver como está, OK? – disse o tal homem, soltando-a aos poucos. Não faça nenhuma loucura, está bem?
Ele saiu dali, apertado em suas calças similares ao casaco e ao capuz. Fitou-o saindo do quarto e na janela fechada de vidro que dava vista ao corredor do hospital, onde ele apareceu ali só para lhe dizer com gestos manuais e mímicas com a boca para que ficasse quieta e não tentasse fugir dali. Ela apenas acenou com a cabeça que sim, mostrando que ele poderia seguir. Naomi se acalmava aos poucos, ao sair do seu pesadelo e vir para aquele presente. Mas ainda não confiava em ninguém. Não confiaria em mais ninguém.
…
– Então, Kuroro. Já estou em Greed Island. Tem certeza que é aqui que está esse tal removedor de Nen? – perguntou Hisoka, em um telefone simples de um quarto de hotel.
– Sim, Hisoka. Somente ele pode remover esse poder do "Desgraçado da Corrente", e assim retornar a usar.
– Então, pelo que vejo, apenas tem seus poderes bloqueados. Você ainda terá sua habilidade quando tiver desbloqueado essa maldição, não é? – disse ele, animado.
– Sim. – respondeu o outro, apático.
– Bem, vou desligar agora. Retornarei apenas com o removedor de Nen.
– Certo. Até um dia, Hisoka.
– Aur revoir…
Hisoka desligou, e foi até a janela do hotel em que estava. Despido, olhava tranquilamente a paisagem linda daquele jogo em que ele estava inserido. Só estava participando de Greed Island por causa da recuperação de Kuroro, pois nada ali o animava.
Foi até a gaveta do criado-mudo perto da cama e retirou a revista guia sobre Greed Island. Verificou por lugares onde poderia se animar um pouquinho. Achou um interessante: "Ai-Ai". A Cidade do Amor. Lugar cheio de ciladas, encontros e aventuras. Ótimo para passar o tempo e, quem sabe, não descobrir o tal curandeiro removedor de Nen?
Pegou seu celular e pensou em ligar para aquela sua garota, fazendo assim em seguida. Tocou bastante a chamada do outro lado da linha. Naomi não deveria estar presente por perto, senão atenderia de imediato. Sabia bem que faria isso.
– Onde está você, Naomi? – Hisoka se questionava, sem imaginar que ela estava em um leito de hospital.
…
Naomi já estava pronta para voltar para casa. Apenas assinou uma lista necessária para dar como atestado em seu trabalho. Só de pensar em retornar ali e ver… Don novamente… lhe causava sensação de ódio. Essa sensação só desaparecia quando Eros aparecia e a protegia no que precisasse, enquanto estivesse no hospital.
– Quer que eu a leve para casa?
– Não precisa. Sei ir sozinha.
– Sim, mas… está tudo bem ficar assim depois do que passou?
Aquilo deixou a mulher irritada.
– Que é que sabe sobre mim, hein?!
– Desculpa-me… mas… não querendo ser tão intrometido… mas desconfio do que sofreu antes de cair inconsciente no chão.
– Não te interessa o que passei ou deixei de passar! – disse Naomi, saindo da frente dele e seguindo caminho. Mas ele a pegou pelo braço, fazendo dar meia-volta.
– Ora, o que quer de mim? – ela tirou seu braço facilmente, já que ele não segurou para prender.
– Fica calma… apenas gostaria que… lembrasse de mim como alguém que a ajudou. – ele ofereceu um pequeno cartão com seu telefone.
Naomi olhou para o tal cartão e depois para ele. Ela pegou o cartão.
– Posso ir para minha casa agora?
– Pode… pode. – deu-lhe um belo sorriso afável, colocando as mãos no bolso do casaco.
– Certo. Até mais!
– Até! – ele deu as costas, seguindo o próprio caminho.
E ela fez o mesmo, olhando para trás de vez em quando, temendo que ele a seguisse. Passando em uma lixeira, ela jogou o cartão fora e continuou o caminho. Mas… resolveu parar. Algo lhe incomodava em relação ao seu gesto. Dando um suspiro longo, Naomi retornou e pegou do lixo o cartão. Tinha o nome dele escrito e o telefone. Dois telefones. E ela retornou seu caminho longo para casa, pois não estava com a sua bolsa…
A bolsa. Sim, ela tinha deixado a bolsa do hotel onde Don havia levado para passar aquela terrível madrugada. Mas ela não quis voltar ali, lembrando-se que só havia dinheiro e maquiagem, sem ter documentos importantes. Queria nunca mais ter que passar em frente ali, como também nunca mais ter que olhar para a cara de Don.
Olhou novamente para o cartão que Eros havia lhe deixado. Eros… Eros é o nome de um famoso deus grego. O deus do amor. Amor… ficou imaginando se aquele com o nome do deus do amor não tivesse aparecido em seu caminho. Talvez, até morresse ali. Mas o espírito do amor lembrou daquela filha perdida e machucada, e resolveu mandar seu filho para vir em socorro. "Obrigado, amor!", pensou ela. "…o que é que estou pensando?", pensou em seguida, flagrando-se em pensamentos... meio... estranhos. Apertou o cartão em sua mão.
Um pouco distante dela, alguém a seguia. Sim, o mesmo Eros. Ele resolveu segui-la, caso ela deparasse com algum homem abusado que quisesse lhe fazer algo de ruim. Viu ela entrando em sua casa. Estava atrás de uma árvore, observando-a entrar sã e salva em seu lar. Acendeu um cigarro, fumando ali mesmo. Será que ela tinha alguém? Será que vivia bem? Ficou pensando na dor e no sofrimento que aquela bela jovem passou.
– Nenhuma mulher… merece ser ultrajada desse jeito.
…
Em seu lar, Don brincava com o cordão da bolsa de Naomi, sentado em seu confortável sofá. Estava com a cabeça enfaixada, tinha sofrido uma injúria ainda maior na cabeça que a morena.
– Espertinha… – disse ele, fitando a bolsa dela – mas sua esperteza resultará em um bom troco!
Don queria dar o troco nela. Logo no dia seguinte, veria a moça novamente para… devolver-lhe a bolsinha e pedir desculpas por um ato inconsequente devido a bebida. Afinal, precisava recuperar a confiança dela. Até mesmo porque estava de olho na família dela. Em sua vingança. Sim… ele ainda a desejava muito. Parecia ainda mais fissurado nela após provar-lhe do seu corpo. Bela. Apreciável. Virgem, seria ainda mais interessante e curioso em torná-la mulher. Mas o que importa que ela não fosse mais uma… era deliciosa do mesmo jeito. E poderia ainda ser sua.
No dia seguinte, já estava ele bem-disposto em seu escritório – só havia faltado no dia em que teve que também ir para um hospital -, onde era sub-chefe e segundo chefe de Naomi. Estranhou que ela havia faltado aquele dia. E também no outro dia.
– A Naomi está de licença por uma semana.
– Ah, que frescura! Ainda com a cabeça em observação, e estou vindo trabalhar! – resmungou ele para uma companheira de trabalho.
– Acho que ela teve outros problemas de saúde, também… senão, sei que a Srta. Naomi viria trabalhar.
– Bom… depois, vou ligar para ela e ver como está.
– Pensei que soubesse antes de nós que ela estava de licença. Já que… são tão próximos.
– Não tanto como eu queria… – disse bufando.
A outra deu um sorriso enigmático e saiu dali. Agora, estava curioso em saber o que houve com ela. Ela saiu totalmente bem do hotel, fugindo e deixando-o com a nuca arrebentada. Algo sério deve ter acontecido com ela fora dali. E agora?
Resolveu então deixar uma mensagem em seu e-mail.
"Quero lhe pedir desculpas pessoalmente, Naomi. Por aqui, não dá. E também estou com sua bolsa, preciso lhe devolver logo. Responda-me essa mensagem quando puder e diga-me também como está. Espero que, de coração, perdoe aquele que ainda é seu amigo. Fui irresponsável pro não ouvir seus conselhos sobre a bebida. Arrependo-me profundamente. Desculpa-me. E, por favor, retorna a mensagem, estou também preocupado. Sinceros abraços!"
Não podia ser mais cínico que isto. Mas era o jeito de se aproximar dela aos poucos. Afinal, ela era ainda sua colega de trabalho, retornaria logo ao vê-la. Mas sabia que nada mais seria o mesmo. Mas saberia domar aquele espírito furioso dela. Tentaria da forma mais calma possível. Esperava não ter que apelar para os métodos mais duros.
Em sua casa, Naomi checava seu correio eletrônico quando deparou com aquela mensagem de Don. Sentiu uma angústia muito densa dentro do peito. Não quis responder aquela mensagem. Ela se prepararia em sua licença para olhar bem na cara dele e dizer-lhe algumas verdades. Sabia que estava se arriscando, mas deveria abrir o jogo. Ele tinha sobrevivido ao seu ataque surpresa. Mas isso, ela sabia que aconteceria. E deveria estar firme quando voltasse a vê-lo.
Fechou o computador e foi encomendar seu almoço, já que não podia sair de casa. Ainda estava dolorida, desde a cabeça que foi atingida quando fugiu do hotel até sua vagina, que estava dolorida como se estivesse em uma típica TPM. Ela sabia que aquela vida totalmente independente e solitária não lhe fazia bem. Ou era azarada demais em sua tentativa de viver uma vida totalmente livre e independente. Nunca teve uma vida sossegada convivendo com os pais, achou que viver em uma casa só para si seria melhor. Para muitos, isso era uma feliz verdade, mas não para ela. O que Hisoka tanto fazia para viver assim, tão longe dela? Ele e essa busca de uma insignificante luta com Kuroro. Será que ele a amava de verdade? Pois então porque não morava ali com ela? Tantos casais que se formavam e passavam a morar juntos, sem que isso afetasse a vida dos dois. Mas com ela, tudo era diferente e pior. E ainda não confiava muito naquele Eros. Mas algo não a deixava perder o contato com ele. Ainda queria manter aquele cartão com os dois telefones. Quando estivesse em melhores condições, descobriria de onde eram aqueles telefones. Poderia um ser de casa, e outro do trabalho. De fato! Naomi concluiu que era isso mesmo.
Talvez, aquele Eros fosse uma boa pessoa. Don também lhe parecia uma boa pessoa, inicialmente. Mas… algo em Eros era diferente do loiro de olhos azuis. O misterioso homem de olhos cor de âmbar transmitia mais confiança que Don. Do tinha o jeito matreiro e sagaz. Talvez Eros fosse da mesma laia, mas precisaria conhecê-lo melhor para chegar em uma definitiva conclusão. Aquele atraente homem coberto por grossas roupas de couro negras...
