No Capítulo Anterior...

Scarlet estava com roupa e tudo, sentada debaixo do chuveiro, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Seus olhos estavam fechados e sua face pálida o que deixou Alene preocupada. Aproximou-se dela e tocou seu braço. Foi impossível não deixar de surpreender-se.

"Meu Deus... Ela está ardendo em febre!" – disse Alene.


Angels Fall First

Capítulo Quatro

"Dores da Alma"

Needed Elsewhere

Necessários em toda parte

"Vamos tirá-la daí" – disse.

Com esforço, e molhando-se, as duas tiraram-na debaixo do chuveiro e levaram-na para o quarto. Trocaram as roupas molhadas por outras secas e trataram de tentar abaixar a febre. Não se sabe quanto tempo passaram tentando diminuir a febre, mas foi tudo em vão.

"É melhor chamarmos um médico, não acha?" – perguntou.

"Eu vou fazer isso agora!" – dizendo isso, Belinda saiu correndo da casa.

Corria a toda velocidade, preocupada com o estado da amiga. Scarlet sempre teve uma saúde de ferro. Era a primeira vez que a via naquela situação. Quando chegou na 13ª Casa, contatou Atena imediatamente e como se tratava da saúde de uma das amazonas, Saori atendeu-a rapidamente. Em minutos, o médico contratado exclusivamente pelo Santuário chegou e este foi acompanhado por Belinda até a casa de Scarlet. Quando chegaram perto da casa da mesma, viram pasmos a enorme quantidade de amazonas que cercava o lugar. Entraram e ficaram mais chocados ainda ao verem Scarlet falando coisas completamente desconexas. Estava delirando. Imediatamente foi examinada, enquanto vários olhares preocupados acompanhavam a cena.

"Minha nossa" – disse o médico – "A febre dela está alta demais".

"E agora?" – perguntou Alene, com os nervos á flor da pele.

"AH!!" – gritou Belinda, assim que sentiu seu braço ser segurado com força por Scarlet.

"Não se atrevam a me levar para um maldito hospital" – Scarlet levantou-se do nada, assustando a todos – "Me recuso á entrar em um, estão me ouvindo?" – ela parecia fora de si.

"Se acalme" – disse Alene.

"Preciso sair daqui..." – levantou-se da cama.

"Espera!! Você está fraca!" – disse Belinda.

"Então não me levem para um hospital!" – soltou Belinda, enfim.

"Mas você precisa de maiores cuidados" – disse o médico.

"Não me interessa!!" – disse, olhando-o com ódio.

Era tão estranho ver a Scarlet tão cheia de raiva e tão nervosa. Está certo que ela sempre foi nervosa, mas a ponto de olhar para o medico cheia de ódio e trata-lo com tanta estupidez já era demais. Com certeza a dor que estava sentido em sua cabeça estava afetando sua personalidade. Alene estava cada vez mais preocupada.

"Está certo então..." – disse o médico – "Você precisará ficar de repouso por uma semana, alimentar-se corretamente e lhe receitarei um antiinflamatório está bem?".

"Certo..." – disse ela, mais calma.

"Obrigada doutor" – disse Alene.

Assim que o médico deixou a casa de Scarlet, Belinda deu um jeito de despachar aquele bando de amazonas curiosas. Afinal, sua melhor amiga precisa de descanso e não de um bando de abelhudas. Ela podia ter despachado as curiosas, mas um outro par de olhos azuis as observava de longe. Milo e sua curiosidade estavam a mil por hora. Quem seria aquela tal de Scarlet? Mas o verdadeiro alvo de sua curiosidade era aquela bela amazona de olhos âmbar e cabelos negros: Belinda. Sorriu.

Depois que escureceu totalmente e que nenhum cosmo era sentido dentro do recinto, exceto o da doente, Milo resolveu arriscar-se e procurar a amazona que encantou seus pensamentos. Pulou a cerca que demarcava todo o território das amazonas e aproximou-se cautelosamente da casa de Scarlet. Aproveitando a escuridão do local, esgueirou-se até a janela e olhou para dentro do local. Em frente à janela, do outro lado do cômodo, estava uma bela mulher a dormir calmamente. A luz do banheiro iluminava levemente seus traços e os cabelos castanhos espalhados pelo colchão. Aquela, então, era Scarlet?

"Vai ficar aí, me bisbilhotando a noite inteira?" – ouviu ela dizer e sentiu o coração falhar uma batida.

Milo estava com os olhos arregalados. Como ela conseguiu sentir seu cosmo, sendo que em todo o momento estava a oculta-lo? Rapidamente deu as costas ao lugar sem dar uma resposta e voltou para sua casa, deixando Scarlet com um sorriso vitorioso nos lábios. "Curiosos...".

--xxx--

Saori olhava pela janela de seu escritório. O céu claro e o ar fresco acalmavam um pouco seu coração agitado. Já se martirizara demais por dias. Estava na hora de se recuperar!

"Ai meu Pai" - disse Saori, como se Ele estivesse de frente á si - "Porque não me avisou antes? Talvez assim eu não estaria passando por esse impasse..."

"Atena?" – chamou Alene, do outro lado da porta do escritório da Deusa.

Levantou-se e abriu a porta. Alene pareceu feliz ao vê-la. Depois de dias tentando tira-lá de dentro daquele escritório, finalmente conseguiu. Todos estavam preocupados com o que se passava com Saori. Ela parecia não estar bem. Saori fitou Alene, com um olhar sério. Parecia levemente abatida.

"O que aconteceu?" – perguntou Saori.

"Eu só queria saber como a Senhorita está. Você não aparece e não fala com ninguém á dias! Estão todos preocupados" – disse.

"Eu estou bem, mas só fisicamente. Minha alma está cheia de angústias e dúvidas" – disse, com sinceridade.

"Sua alma?" – perguntou Alene.

"Estou a dias pensando seriamente em uma decisão que tomarei... E isso está acabando comigo" – disse, passando a mão pelos cabelos – "Mas não é comigo que me preocupo. E sim com eles. Todos do Santuário".

"Porque não se decide junto dos outros?".

"Como?".

"Se essa sua decisão afetará tanto a vida de todos, una-se a eles e decidam juntos. Você tem grandes amigos para ajudá-la. Não precisa tomar uma decisão assim sozinha" – disse.

Saori olhou-a, surpresa. Foi exatamente por aquele motivo que a escolheu. Apesar da pouca idade, Alene era portadora de grandes visões e ideais, sem contar que parecia ter a solução para todos os problemas. Era mesmo uma excelente companheira nas horas difíceis.

"Vou seguir seu conselho..." - "Mesmo que eles me repreendão por minha escolha".

"Garanto que chegarão á uma decisão boa para todos" – disse, sorrindo.

"Assim espero" – disse, com tristeza – "Poderia reuni-los essa tarde, aqui, para mim?".

"Claro!".

Naquela tarde ensolarada, três dos cavaleiros de ouro estavam a ver o treino das amazonas de terceiro nível. Desde que Atena assumiu o Santuário, as amazonas foram divididas em três classes: a terceira classe, integrada por amazonas de primeira viajem, recém chegadas ao Santuário; segunda classe, nível intermediário, de amazonas com maior experiência e habilidades; e enfim, a primeira classe, integrada de amazonas com maior força e portadoras de uma armadura de prata. Marin estava na primeira classe, junto de Shina. Aquela divisão tinha o intuito de igualar as amazonas entre si. Seria completamente injusto se uma amazona recém chegada treinasse de cara com uma que estava á anos no Santuário. E aquela técnica surtiu efeito. O número de amazonas qualificadas aumentou consideravelmente.

"Que vontade eu tenho de entrar nessa arena e treinar" – disse Shura, entediado.

"Você sabe as ordens de Atena... Primeiro precisamos nos recuperar totalmente" – disse Saga.

"Como será que voltamos á vida?" – Shura perguntou, de repente – "Ela não nos explicou até hoje, já que vive enfornada naquela porcaria de escritório!".

"Você não é o único que está se perguntando isso" – disse Mú.

"Com licença...".

Olharam para a jovem de cabelos dourados a sua frente. Já a tinham visto antes, mas não a conheciam ainda. Os olhos âmbar eram calmos e límpidos.

"Cavaleiros... Atena os chama para uma conversa na 13ª Casa" – disse.

"Assim, de repente?" – perguntou Saga, fixando seus olhos na figura feminina.

"É importante" – disse Alene, olhando Saga diretamente.

Aqueles olhos pareciam ter uma imensidão incrível e eram tão calmos. Foi em um estalo que enfim percebeu que estava a encará-lo, literalmente. Acabou corando devido à indiscrição. "Imagina o que ele deve estar pensando dessa minha cara de pau!".

"Ahn... Acho melhor vocês se apressarem" – disse.

"Vamos então..." – disse Shura, levantando-se junto com os outros – "Obrigado pelo aviso" – agradeceu.

"De nada" – sorriu.

Os dois caminharam em direção ás escadas, enquanto Alene manteve-se em seu lugar. Olhou pasma para o terceiro, que parou no meio do caminho e ficou a observá-la como se observasse uma escultura ou um quadro em um museu. O homem de longos cabelos azuis e olhos idem estava a analisá-la. Tinha uma feição séria, mas incrivelmente bela.

"Como se chama senhorita?" – perguntou, finalmente, fazendo-a acordar para a realidade.

"E-eu? Ahn... Alene" – disse, se atrapalhando com as palavras.

"Prazer Alene. Me chamo Saga" – disse, educadamente, sem deixar um minuto sequer de olha-la – "Sobre o chamado de Atena... Os outros estão sabendo?" – perguntou.

"Ai!! É mesmo!! Preciso avisar os outros!" – e andou apressadamente para longe dele, quando sentiu sua mão ser segurada pela dele.

"Eu faço isso pra você... Se o assunto é mesmo importante, quanto antes iniciarmos melhor" – disse.

"Mas...".

"Não se preocupe... Eu dou conta" – disse, sorrindo.
"Ahn... Está bem" – rendeu-se – "Obrigada" – sorriu, sem graça.

Deu as costas á ela e saiu na velocidade da luz para assim avisar logo a todos. Alene ficou minutos no mesmo lugar, apenas lembrando dos olhos intensos do Cavaleiro de Ouro. Está certo que todos os cavaleiros tinham uma beleza de dar inveja, mas aquele em especial parecia possuir algo a mais, que não conseguia explicar. Arregalou os olhos. Olha até onde os seus pensamentos chegaram!

"Pare de pensar essas coisas Alene!" – repreendeu-se em voz alta – "De volta ao trabalho!" – e caminhou de volta á 13ª Casa.

--xxx--

Depois de minutos, todos os cavaleiros de ouro estavam reunidos no escritório de Atena, juntos de Marin e Shina. Saori estava sentada em sua cadeira, analisando alguns papéis em sua mesa. Escutaram alguém bater na porta e Saori finalmente levantou seus olhos para os cavaleiros a sua frente.

"Pode entrar" – disse.

A porta se abriu e viram Alene entrar na sala, com uma prancheta em mãos.

"Senhorita, mandou me chamar?" – perguntou.

"Sim... Quero que você também escute o que eu tenho a dizer" – disse.

"Tem certeza?".

"Tenho... Afinal, você me aconselhou a falar com todos. Entre".

Sem dizer nada, Alene entrou e fechou a porta atrás de si. Ficou de pé, ao lado de Marin e Shina, que pareciam estar incomodadas com o que Saori tinha para falar. A Deusa estava mesmo séria demais. Saori levantou-se de sua cadeira e dirigiu toda a sua atenção á eles.

"Nesses últimos dias, resolvi ficar aqui, trancafiada, para colocar meus pensamentos em ordem. Eu precisava de um momento comigo mesma, para criar coragem para o que eu estou prestes a fazer" – disse.

"A Senhorita está começando a nos preocupar" – disse Marin.

"Perdoem a minha ausência nos últimos dias, mas eu realmente precisava de um tempo...".

"O que está acontecendo afinal?" – perguntou Milo, nervoso.

"Não sei quando isso irá acontecer e nem como... Mas quero desde já preveni-los. Já tomei a minha decisão... Entregarei a minha vida a um dos anjos de Lúcifer" – disse, enfim.

"O QUE??" – exaltaram-se.

"Atena! Não pode fazer isso!!" – disse Shura.

"Foi o acordo que fiz com ela... Em troca de suas almas e de vocês vivos, ela me pediu a minha vida".

"Como pôde fazer um acordo desses!" – Milo explodiu, sem pensar em suas palavras.

"Sacrificamos nossas vidas para que você vivesse e trouxesse a paz para a Terra!! Se nós tivermos que morrer novamente para que esse acordo idiota não se cumpra, assim será!" – disse Shura.

"ACALMEM-SE!!" – Alene gritou, assustando a todos – "Ela apenas fez o que seu coração pediu... Não adianta revoltar-se agora! O que está feito, está feito!" – voltou-se para a Deusa – "Poderia me esclarecer uma coisa?" – pediu.

"Claro".

"Ela? A quem a Senhorita se refere?" – perguntou.

"Seheiah... Um caído cujas asas negras possuem manchas brancas".

Viram a prancheta de Alene cair no chão e fazer o silêncio reinar no local. Ela mantinha os olhos arregalados, como se tivesse visto um fantasma, tamanha era a sua surpresa.

"Manchadas?" – repetiu.

"Sim... Algum problema?" – perguntou.

"Sim" – Alene colocou a mão no bolso de sua calça jeans e de lá retirou algo que em seguida estendeu á Saori – "Isso... Encontrei faz poucos minutos, perto da 13ª Casa".

Todos se aproximaram curiosos para saber o que Alene tinha nas mãos. Olharam pasmos para uma grande pena negra, manchada de branco nas pontas. Não era possível! Seheiah estava ali, no Santuário.

To remind us of the shortness of your time

Para nos lembrar da rapidez do nosso tempo

Continua...


Oi Pessoal!!

Eu sou mesmo muito dramática... Olha esse final!! XD

Adoro finais com "gostinho de quero mais"

hehehehe

Espero que o capítulo tenha agradado a todos viu??

Até que saiu rápido... O que uma tarde sem o que fazer não faz hein?? .

A Saori está mesmo atormentada em ter que entregar sua vida pra Seheiah hein?? Ela tem um bom motivo para isso e mais para frente vocês entenderam n.n

Não se esqueçam dos reviews sim?? (olinhos brilhando)

Quem não gosta de receber um review certo?? Façam uma ficwritten FELIZ!!

hasuhasuhasuhasuh

Beijos