No capítulo anterior...
"O que Faon fez com Ágron? Porque o fez sofrer antes de sua morte?" – perguntou uma das amazonas de máscara.
"Aquela pose superior que Ágron tinha irritou-o e claro, meu irmão não é de rejeitar um desafio" – disse, sorrindo.
"O que? Irmão?" – exaltou-se Shina.
Angels Fall First
Capítulo Seis
"Pequenos Momentos"
Bury my dreams dig up my sorrows
Enterre meus sonhos, desenterre minhas tristezas
"Sim... Faon é meu irmão" – disse, sorrindo – "Ele é o único em quem eu ainda confio... E o único que sabe tudo o que se passa na minha cabeça. O único que me entende. Por isso ele aceitou tão fácil o desafio de Ágron" – encarou Shina – "Contente agora?".
"Isso não te impede de ser cúmplice dele!" Disse Shina, enfezada.
"Vocês querem parar?!" Manifestou-se Aioros.
Scarlet e Shina voltaram-se para o cavaleiro de ouro. Ele parecia ter ficado levemente irritado com toda aquela confusão. Os outros pareciam mais confusos do que Aioros. Também não era pra menos, já que aquela briga não fazia o menor sentido.
"Por Zeus!" – disse Aioros – "Vocês são amazonas! TODAS vocês! Não deveriam estar discutindo por uma coisa banal como o uso das máscaras... Vocês estão aqui para um bem maior! Então PAREM com essa discussão ridícula!".
"Ridícula?!" Começou Shina.
"Estamos nessa há anos Aioros" – disse Scarlet, olhando-o – "Dificilmente esqueceremos nossas diferenças e tudo o que aconteceu durante esse tempo".
"Mas terão que fazê-lo" – disse Kamus, juntando-se á Aioros – "Não devemos esquecer as diferenças, e sim respeitá-las. Todas vocês estão aqui para lutar por Atena e é isso que vocês têm que fazer" – Kamus fechou a cara ao perceber que Scarlet parecia não prestar atenção ao que ele falava, já que estava olhando para um ponto qualquer atrás dele. Ela parecia estar em outro lugar.
"Scarlet? Está ouvindo?" Perguntou Aioros.
"Não..." – ela enfim voltou seus olhos para eles. Mas não parecia ser ela mesma. Seus olhos estavam incrivelmente frios, assim como sua voz – "Parei de ouvir assim que ele começou seu discurso tedioso".
"Scarlet! O que é isso?" Perguntou Belinda, surpresa com a atitude da amiga.
Scarlet olhou para Belinda mas não parecia vê-la realmente. Estava incrivelmente fria e distante. Voltou a olhar para cada um dos cavaleiros e parou em Kamus.
"Eu estou cansada de me dizerem o que eu tenho ou não que fazer... Eu sei o meu papel de amazona. Todas aqui sabemos muito bem os nossos deveres. É tão fácil vir com um nobre discurso sobre ignorar as diferenças. Queria ver se fosse o contrário. É sempre tão fácil falar e bancar o sábio, não é Kamus?" Disse, sem emoção alguma.
Kamus não expressava nada, mas internamente, estava incomodado com a forma que ela começou a falar. E não era só ele que se incomodou com suas palavras. Viram Scarlet levar a mão á cabeça e cambalear levemente para o lado. Belinda segurou-a, com medo de que ela desmaiasse ali mesmo.
"Scarlet? Tudo bem?" – perguntou Mú.
"Minha cabeça dói" – disse, massageando as têmporas.
"Melhor voltarmos... Você precisa descansar" – disse Belinda, receosa ao falar enquanto a ajudava a caminhar.
"Eu vou..." – Scarlet parou de andar, e voltou-se para eles – "Vou pensar em suas palavras Kamus" – sua voz voltou a tonalidade tranquila de sempre – "Só não garanto muita coisa" – e voltou a caminhar, com a ajuda de Belinda.
Kamus e Aioros se olharam, estranhando a repentina mudança de ideia de Scarlet. As amazonas se dispersaram, cada uma para seu lado e os cavaleiros se reuniram mais uma vez. Não foi apenas os dois que perceberam a mudança dela.
"Foi só minha imaginação, ou a Scarlet pareceu ter uma leve mudança de personalidade?" Perguntou Milo.
"Você não foi o único a notar isso" Disse Afrodite.
"Bipolaridade...".
"Bom, de nada adianta ficarmos quebrando a cabeça com isso. Nesse momento, acho melhor voltarmos ao treino" Disse Aioria.
"Concordo".
-xxx-
Os dias se passaram tranquilos e eles aproveitavam cada segundo daqueles momentos de paz que possuíam. Não sabiam quando a "previsão" de Seheiah ia se concretizar, então era melhor aproveitar ao máximo. E principalmente, aproveitar o tempo para treinarem. Haviam melhorado muito nos últimos tempos. Treinavam todos os dias pra recuperar o tempo perdido e naquela manhã não era diferente. Dividiam a arena com as amazonas, que continuavam com aquela divisão ridícula. Via-se claramente isso: as amazonas de máscara de um lado, em grupo, e as amazonas sem as máscaras, do outro lado, também em grupo. Parecia aquelas panelinhas de escola. Era revoltante e infantil. Mas como discutir com amazonas orgulhosas e teimosas? Era complicado. Mas de uma coisa todos sabiam: na hora da luta, de proteger o santuário e Atena, elas dariam um jeito de deixar essas diferenças de lado e se uniriam para um bem maior. Era quase hora do almoço assim, os cavaleiros resolveram parar o treino e dar ouvidos para a necessidade básica de um humano: comida. Enquanto seguiam cada um para sua casa, conversavam entre si.
"Finalmente estamos desenferrujados" Disse Milo.
"Desenferrujados? Assim parece que somos idosos" Disse Aldebaran.
"Foi mal. Mas sabe? Na primeira semana de treino eu realmente senti os sinais da velhice: dores nas costas, nos joelhos" Comentou Milo.
"Não consigo te imaginar um velhinho de bengala Milo" Riu Aioria.
"É, nem eu. Me imagino mais como um daqueles velhos em boa forma com carrões".
"É a sua cara" Disse Aioria
"É a Alene?" Disse Aldebaran, de repente.
Olharam para o fim da escada e viram Alene sentada confortavelmente em um dos antigos pilares destruídos da casa de Áries. Usava um vestido azul marinho com pregas na cintura e renda nas bordas que cobriam seus joelhos. Sapatilhas pretas completavam o conjunto. Ela olhava fixamente para um ponto qualquer da casa de Áries, mas não demorou nem um segundo para ela se virar e vê-los. Assim que o fez, com um pulo delicado, ficou de pé, aguardando-os no topo.
"Senhorita Alene, estava nos esperando?" Disse Mú, o anfitrião da casa de Áries.
"Sim. Tenho que entregar algo a vocês" Disse ela, com um sorriso radiante.
Ela entregou um convite para Mú e rapidamente começou a entregar um convite para cada um dos cavaleiros. Mas no fim, ainda sobraram convites em suas mãos: para Shion, Dohko, Saga, Kanon, Kamus e Shaka. Os únicos que não foram no treino aquela manhã. A maioria deles por serem mais reclusos e preferirem treinar sozinhos.
"Vocês sabem me dizer aonde Shaka, Saga, Kanon e o senhor Dohko estão?"
"Shaka provavelmente está na cachoeira se purificando" Disse Mú.
"Já o Kanon pode estar em qualquer lugar. Esse nunca foi de se fixar em um único lugar. E que eu saiba, Saga tinha ido conversar com Atena" Disse Aldebaran.
"Imagino que Kamus esteja em sua casa, certo?" Perguntou Alene.
"Você já está pegando o espírito da coisa hein?" Brincou Milo.
"Acho que sou uma boa observadora" Riu Alene.
"Dohko deve estar na praia, perto das rochas" Disse Aldebaran.
"Certo" Disse Alene, fazendo uma nota mental de todos os lugares que teria que ir.
"Quem mais falta?" Perguntou Afrodite.
"Ah! Não falta ninguém. Já sei onde o senhor Shion está. São só esses mesmo. Muito obrigada!" Disse Alene, já saindo apressadamente, escadas abaixo.
"É uma festa" Disse Aioria, assim que Alene sumiu de suas vistas.
"Que?" Disse Aldebaran, abrindo o convite.
Estão todos convidados para a Festa de Reintegração do Santuário que será realizada no dia 20, as 20hrs, na 13ª Casa.
"Não é que é mesmo?" Disse Aldebaran, surpreso.
"O que deu na Atena para organizar um evento desses a essa altura do campeonato?" Perguntou Milo.
"Não questione as ações da Deusa. Ela sabe muito bem o que faz" Disse Aioria.
-xxx-
Alene andava a passos rápidos pelo território do Santuário. De fato encontrou Shaka na cachoeira e ele, de alguma forma, já sabia da festa então simplesmente rejeitou o convite em papel. Mesmo assim, ela deixou-o lá, aonde ele pudesse pegá-lo a hora que quisesse. Em seguida, foi até a praia. O sol fazia sua pele clara arder, mas o vento fresco diminuía a sensação. Olhou para os lados. Nem sinal dele. Ouviu um estrondo altíssimo e uma pedra enorme foi lançada para cima, jogada por um geiser que espirrava água em alta pressão em direção ao céu. Mas... Espera. Dohko estava exatamente na posição que o geiser havia saído. Ela arregalou os olhos. Era o golpe dele! Era incrível! Foi quando notou sua distração momentânea. Ainda precisava entregar os outros convites. Aproximou-se correndo.
"Senhor Dohko!" Gritou Alene.
Inicialmente ele parecia concentrado demais para ouvi-la, mas antes dela gritar pela segunda vez, ele virou-se na sua direção e a viu. Imediatamente um sorriso abriu-se em seu rosto. Assim que se aproximou dele o suficiente, lhe deu o bilhete.
"Estão todos contando com sua presença senhor Dohko" Disse Alene.
"Ora, eles querem mesmo um ancião os vigiando é?" Brincou ele.
"Até parece!" – disse Alene, rindo – "Você ainda está na flor da idade".
"Ah é? Então tenho uma chance?" Perguntou ele, todo sedutor.
"Hã?" Perguntou Alene, sem entender.
E ela continuou sem entender até que Dohko passou o braço ao redor dela. Foi aí que ela corou. Muito. Dohko deu uma daquelas risadas gostosas de divertimento, que rapidamente fez com que Alene relaxasse.
"Não leve a sério as minhas brincadeiras" – ele deslizou o polegar na bochecha rosada dela – "Mas de uma coisa é verdade: se eu fosse ele, não te largaria por nada" Disse ele, sorrindo e enfim soltando-a.
"Ahn... Obrigada senhor Dohko" Disse Alene, sem entender de quem ele estava falando.
"Ah! Tire esse senhor da frente! Assim me sinto mesmo um ancião" Disse ele.
"Tudo bem, Dohko" Sorriu Alene.
"Agora sim! Bom, agora, se você me der licença, vou voltar ao treino" Disse ele, voltando a caminhar na direção das pedras.
"Bom treino" Disse ela, antes de ir para o próximo convite a ser entregue.
O próximo que precisava achar era Saga. Como não sabia aonde achar Kanon, achou melhor deixar isso ao acaso enquanto falava com os outros que tinham localizações. Subiu as escadas da casa tranquilamente para evitar cansaço. Subir todos aqueles degraus não era fácil. Foi na casa de Gêmeos que ouviu os sons estranhos. Tá, não tão estranhos. Eram conhecidos, mas muito constrangedores. Isso era hora de fazer aquelas coisas? Mas como tinha que atravessar aquela casa, que seja. Alene respirou fundo e com passos firmes, entrou na casa. Encontrou Kanon todo estirado no sofá, dormindo, enquanto a TV estava ligada. Filme pornô. Rapidamente desligou a TV, evitando contato visual, e em seguida, colocou o convite em cima da mesa de centro bem diante de Kanon. E ela seguiu seu caminho. Um a menos. Agora teria que tomar cuidado ao entrar na casa de Gêmeos.
Apesar do frio congelante ao entrar na casa de Aquário, foi extremamente fácil achar Kamus no final da casa, rodeado de gelo. Ele não disse nada, nem mesmo quando olhou pra ela. Alene fez a mesma coisa que fez quando encontrou Shaka: colocou o convite próximo a ele, assim ele podia pegar quando quisesse. Murmurou um até logo e continuou seu caminho.
A 13ª Casa estava cheia de gente, afinal, tudo estava sendo organizado para a festa que aconteceria daqui a poucos dias. Alene foi até a sala da Deusa a fim de procurar por Saga, mas assim que a encontrou, ficou sabendo que ele já saíra. Suspirou, meio desanimada. Mas pelo menos, conseguiu entregar para Shion, que estava junto da Deusa. Então Alene resolveu tentar uma última vez e procurou Saga em toda a 13ª Casa. Demorou um pouco, mas o encontrou na sala do Grande Mestre. Ele olhava para a cadeira atrás da mesa recheada de papéis, papiros e coisas antigas, sem contar as novas, todas misturadas. Se criticou por isso. Ficou tão empolgada com a ideia da festa que esqueceu de arrumar a bagunça que fez na mesa. Deixando de lado o que ela pensava, notou que Saga parecia longe.
"Saga?" Chamou Alene.
Acordando para a realidade, ele virou-se para trás e a viu. Por um instante viu devastação nos olhos azuis, mas rapidamente ele disfarçou e sorriu.
"Alene. Desculpe entrar na sua sala assim" Disse Saga.
"Minha sala? Essa sala é sua. Você pode vir aqui quando e o quanto quiser. Eu só estou mantendo as coisas em ordem por um tempo enquanto aguardo a sua volta" Disse ela.
"Voltar?" – ele olhou para a mesa – "Não. Sinceramente acho que não tenho esse direito" Disse ele, a amargura voltando a seus olhos.
Ela sabia bem o que era aquilo. Era remorso puro. E ele parecia que se jogava no remorso de cabeça. Parecia que queria sentir aquilo. "Ele quer se punir" – pensou ela.
"Saga, se seus amigos, que estavam aqui e presenciaram tudo te perdoaram, porque eu teria o direito de te julgar se só estou aqui a poucos anos? Você têm todo o direito de voltar ao seu posto e o merece sim" Disse Alene, se aproximando dele.
"Então, você sabe mesmo" – ele fez uma pausa, ainda sem olhá-la – "Era de se esperar que Atena fosse te contar tudo".
"Saga, olha pra mim" – pediu ela. Ele demorou um pouco, mas o fez – "Você não notou o jeito que seus amigos te tratam desde que voltaram?" Pergunto Alene.
"Como assim?" Perguntou.
"Por acaso eles te rejeitaram? Te culparam por alguma coisa? Falaram alguma coisa sobre o ocorrido com você?"
"Não".
"Então! Isso não é um sinal mais do que suficiente de que eles querem deixar o passado no passado e construir algo novo a partir do que vocês tem agora? A partir do momento em que vocês voltaram?" – um lampejo de entendimento passou pelos olhos azuis dele – "Você só precisa se perdoar" Disse ela.
Saga continuou em silêncio enquanto a olhava. Tudo o que ela falava fazia sentido. Tudo. Mas era tão difícil se perdoar. Era tão difícil lembrar de que tudo o que aconteceu foi culpa dele. E que se ele não tivesse feito o que fez, as coisas poderiam ser diferentes. Era difícil demais. Até mesmo ela, que mal o conhecia, estava perdoando-o.
"Eu tentarei" Disse ele, por fim.
"Sim!" Disse ela, toda feliz, o que o fez sorrir também.
Ele riu e voltou a olhar para a mesa caótica da sala do Grande Mestre. Lembrou-se dos deveres que Alene tinha que fazer ali.
"Ah, eu devo estar te atrapalhando. Você deve ter um monte de coisas pra resolver" Disse ele, começando a se retirar da sala.
"Na verdade, eu estava te procurando" Disse ela.
"É?" Voltou-se ele, curioso.
"Aqui" Disse Alene, entregando-o o convite.
Ele abriu o convite e o leu. Então, surpreso, olhou para ela.
"Nós estaremos esperando por você hein? Não me obrigue a busca-lo" Disse Alene, brincalhona.
"Mulheres encantadoras são mais irresistíveis do que pensava" – pensou Saga. Sorrindo em agradecimento, ele respondeu.
"Pode deixar".
Oh Lord why the angels fall first?
Oh Deus, por que os anjos caem primeiro?
Continua...
E os vivos sempre voltam a aparecer. No caso, eu xD
Depois de séculos morta por aqui, eu reapareço com atualizações. Cheguei a conclusão de que eu não tenho que esperar a inspiração vir. Eu tenho simplesmente que chegar chegando e escrever. Deu certo dessa vez. Vamos ver se nas próximas rola.
O que eu tenho a dizer sobre esse capítulo? Acho que seria a calmaria antes da tempestade kk Vou começar a agitar as coisas depois desse e mais outro capítulo de calmaria. Já acho que estou demorando demais.
Ainda esse mês pretendo atualizar mais uma fic, só não sei qual ainda u.u Fiquem no aguardo
Cansei de pedir reviews u.u Mas deixem uma tá? kkkkkkkk
