No capítulo anterior...
O cosmo de Scarlet continuava a crescer e já estava totalmente sem cor, chegando num tom escuro de cinza. Ela aproximou-se de uma Shina que tinha acabado de se levantar do chão e a golpeou novamente, derrubando-a sem dó. E mesmo com ela caída, Scarlet continuou atacando-a. Os cavaleiros levantaram-se. Tinham que segurá-la, ela estava totalmente fora de si!
"Scarlet!"
Todos se viraram para a voz de Alene, que estava no começo das escadas do Coliseu e caminhava na direção de Scarlet, que a encarava. Eles pararam.
"Alene! Saia dai!" Gritou Shura.
Angels Fall First
Capítulo Nove
"Ataque ao Santuário"
Needed elsewhere...
Necessitados em outro lugar...
"Eu falei pra você vir falar comigo antes de vir pra cá! Como você é teimosa!"
O cosmo de Scarlet havia vacilado e se contido. Largando Shina no chão, ela se aproximou rapidamente de Alene, seu cosmo se acendendo novamente. Os cavaleiros correram até ela, mas não antes de Scarlet alcança-la. Como cobras, seu cosmo se arrastou pelo chão e começou a se enroscar nos pés de Alene, subindo pelos tornozelos. Aparentemente alheia ao fato, ela se aproximou ainda mais de Scarlet.
"Pode vir comigo agora!"
Ela segurou o braço de Scarlet e a puxou. O cosmo se apagou totalmente, como uma vela sendo assoprada pelo vento. Scarlet piscou algumas vezes, confusa, olhando para uma Alene que a puxava e depois, para os cavaleiros e amazonas perplexos e assustados a sua volta.
"Hã?" Scarlet olhava para os lados, confusa demais para formular uma pergunta.
"Eu falei pra você falar comigo hoje de manhã Scarlet! Não lembra?" Perguntou Alene, brava.
"Não"
"Por Zeus" – Alene resmungou e olhou para Faon – "Vêm comigo. Quero que você me ajude a colocar juízo nessa sua irmã".
Faon, totalmente obediente a voz brava de Alene, rapidamente se levantou e foi correndo em sua direção. Os demais foram deixados para trás sem nenhuma explicação. Saga não ia aceitar aquilo em silêncio e foi atrás deles imediatamente. Marin correu até uma Shina que tinha dificuldades para se levantar. A amiga recusou qualquer ajuda, custando para se levantar sozinha.
"Que merda foi essa?" – começou Shina, olhando para a direção em que Scarletfoi – "Desde quando ela tem um cosmo monstruoso desses?".
"Ela não tinha" Disse Belinda, os olhos arregalados em descrença.
Sem avisar nenhuma das amazonas, ela seguiu a direção em que Scarlet foi. Haviam coisas, dúvidas, que precisava sanar.
Os cavaleiros, ainda se recuperando do choque, se aproximaram das amazonas. O corpo de Shina tremia, mas não sabiam dizer se era de raiva ou de dor.
"Você está bem Shina?" Perguntou Mú.
Ela olhou para ele e, ignorando totalmente sua pergunta, ela deu as costas e se afastou. Um claro sinal de que o treino havia sido encerrado.
"Quanta delicadeza" Comentou Milo, vendo as amazonas se dispersarem, pouco a pouco.
"Acho que está mais do que na hora de falarmos com Atena, não acham?" Disse Aioria.
"Sim" Disse Shura.
Haviam coisas mais importantes do que treinar naquele momento. Precisavam falar com Atena imediatamente. Nada daquilo era para acontecer. Nada daquilo era... Normal. Como poderiam confiar em alguém que parecia virar outra pessoa de uma hora pra outra? Como podiam manter uma amazona com aquele cosmo indomável e incontrolável, que, se deixasse, seria capaz de engolir o cosmo de um cavaleiro de ouro? A Deusa saberia o que fazer.
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Saga os havia perdido de vista muito facilmente. Como se eles soubessem que estavam sendo seguidos e deliberadamente sumissem do seu campo de visão. Pelo menos sabia aonde eles iriam: até a 13ª Casa. Acelerou os passos até que se viu correndo pelas escadas e passando como um raio pelas doze casas. Aquele surto de Scarlet o deixou inseguro. A forma como sua expressão mudava, a força do seu cosmo e a forma como lutava. Como se algum ser a possuísse e apagasse todas as memórias daqueles que ela amava, tornando-a fria e implacável. Seria algum movimento dos caídos? Algo não estava certo. Sentia isso no fundo da sua alma.
Atravessou a última casa e conteve todo seu cosmo, tornando-o indetectável. Se eles realmente estavam fugindo dele, agora, não teriam como saber de sua chegada.
Quando subiu os últimos degraus, viu os três parados perto de um dos pilares da 13ª Casa. Pela cara deles, estavam numa discussão intensa. Saga aproximou-se a fim de se mostrar presente.
"O que eu posso fazer?! Ele não para de se corromper! Não sei quanto tempo mais consigo contê-lo" – a voz dela falhou, antes de continuar – "Eu não aguento mais isso...".
Saga parou de andar quando ouviu aquilo. Pelo desespero na voz de Scarlet, não era brincadeira. Mas quem era 'ele'? Observou Alene se aproximar dela e tocar seu ombro, num claro gesto de apoio. Porém, quem falou foi Faon.
"Scarlet, você sabe que o que aconteceu hoje só mostra uma coisa: que você é uma bomba atômica prestes a explodir" – ele tomou fôlego, e com uma expressão de clara repulsa, continuou – "Você tem que pedir a ajuda do mestre".
A expressão dela mudou. Tornou-se furiosa, indignada e magoada. Surpresa com a mudança de comportamento, Alene se afastou.
"Eu me recuso a pedir perdão. Eu me recuso a ser desprezada e descartada por aquele pedaço de..."
"Scarlet!" – Alene a repreendeu, o que fez a outra praticamente rosnar.
Scarlet olhou para Alene, irada, antes de desviar o olhar. Havia uma mágoa profunda nos olhos verdes. Daquela distância, podia jurar que ela parecia prestes a chorar.
"Você não faz ideia, Alene... Não faz ideia do que ele pensa de mim, de nós. Não faz ideia da merda que tive que engolir pra me mostrar 'merecedora'. E quando..." – ela engoliu em seco, controlando a voz – "Porque ele me descartou assim? O que eu fiz pra ser jogada fora assim?" – ela voltou a olhar para Alene – "Eu só segui as suas palavras, só cumpri o meu dever, a minha razão de existir. Mesmo assim, não foi o suficiente" – ela passou a mão pelos olhos, secando as lágrimas que começavam a brotar – "Quão descartáveis nós somos?".
Um silêncio desconfortável se instalou entre eles. Saga começou a se sentir um intruso em algo que parecia ser muito íntimo. Algo que Scarlet não mostrava para ninguém. Absolutamente ninguém. Pensou em se afastar, quando ouviu os passos de Scarlet a descer as escadas. Escondeu-se. A viu passar rapidamente por ele, o rosto abaixado. Ouviu os burburinhos de Alene e de Faon, mas não conseguiu entender o que diziam. Em seguida, o som estrondoso da porta da 13ª Casa se fechando. O que foi aquilo? Não notando qualquer movimentação, saiu de onde estava e levou um susto quando viu Alene aparecer bem do seu lado. Ela estava descendo as escadas e estava igualmente assustada por vê-lo ali.
"Saga? O que está fazendo aqui?" Perguntou ela, claramente nervosa.
"Precisamos conversar Alene. A Scarlet... O que está acontecendo com ela?" Perguntou.
"Agora não Saga. Isso está muito além de nós nesse momento" Disse, com pesar.
"Há algo em que eu possa ajudar?" Perguntou.
Alene parecia sofrer com alguma coisa que se passou por sua cabeça, pois o olhar dela se tornou triste e opaco. Ela suspirou.
"Ninguém pode ajudar Saga" Disse ela, finalmente.
Sem esperar uma resposta, ela se recompôs e, mudando de ideia, subiu as escadas, deixando Saga ainda mais confuso e irritado. Que merda estava acontecendo naquele Santuário? Porque parecia que todos mantinham segredos cruciais e que afetavam tanto os habitantes do Santuário? Impaciente com a falta de resposta, e com as dúvidas se acumulando cada vez mais em sua mente, ele subiu as escadas com passos firmes. Ia ter uma conversa séria com Atena.
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Faon descia as escadas do Santuário quando praticamente trombou com os cavaleiros de ouro, que pareciam marchar como um exército. E não pareciam estar indo para a 13ª Casa para uma conversa amigável. Eles estavam tensos. Todos haviam sido afetados pelo ataque insano de Scarlet. Quando viram Faon no meio do caminho, pararam.
"Já conteve a sua irmã afetada?" Disse Milo, venenoso.
O olhar de Faon foi matador. Sua aura opressiva fez com que todos os nervos deles ficassem contidos e as bocas, fechadas. Apesar de sua inexpressão, eles sabiam, ou melhor, sentiam que ele estava possesso.
"Vocês. Comigo. AGORA" Disse ele, autoritário, continuando a descer as escadas.
"Pra que?" Perguntou Shura.
Ele parou de andar. Sua aura voltou a inflamar. Como um animal furioso enjaulado, a aura cinzenta parecia querer se expandir, mas ele a conteve, fazendo com que ela se debatesse. Ele estava em silêncio e por isso mesmo ainda mais assustador. Ele precisou de uns instantes para se controlar, para então se virar para eles.
"Atena quer que eu treine vocês contra os caídos. E é isso que eu vou fazer agora" – e voltou a andar, resmungando – "Antes que seja tarde" – e aumentou o tom de voz – "Venham!".
Eles se olharam desconfiados, sem saber o que fazer primeiro. Queriam respostas. Precisavam esclarecer todas as coisas que andavam acontecendo e que a Deusa parecia não saber, ou não se importar. Queriam proteger o Santuário, mas estavam tão vulneráveis no momento que chegava a assustar. Era fato de que os caídos eram os inimigos em potencial dessa vez e eles não estavam preparados, sabiam disso. Mú foi o primeiro a seguir Faon. Em seguida, todos foram atrás do cavaleiro de Áries. Atena era a Deusa da Sabedoria. Para eles podia parecer o caos, mas para ela havia um motivo, uma razão maior para deixar as coisas como estavam. Iam confiam na Deusa da Sabedoria.
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Não demorou muito para Saga descer as escadas, irrompendo em fúria por todos os lados. A Deusa sequer quis ouvi-lo. 'Você precisa se acalmar primeiro cavaleiro. Estou ciente dos acontecimentos, e já sei como resolvê-los. Explicarei no momento certo. Agora, temos coisas mais urgentes para nos preocupar' Lembrou-se das palavras da Deusa. Se acalmar? Como podia se acalmar com o Santuário saindo dos eixos desse jeito? Estava um caos, tudo sem explicação, sem planejamento, sem nada, como se a figura do Grande Mestre não passasse de um mero status. Parou. Alene estava substituindo o grande mestre, mas ela não o era. Respirou fundo e passou as mãos de um jeito nervoso pela testa e pelos cabelos azulados. Parecia que, mesmo depois de se negar tanto, eles ainda deixaram a alcunha de Grande Mestre em aberto, esperando que um dia ele voltasse e retomasse o seu posto.
"Que decepção"
Ouviu uma voz ao seu lado e ficou abismado quando viu as enormes asas negras e um punho vir em sua direção, lançando-o com força nas escadarias. Aquilo era a guerra enfim chegando ao Santuário.
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"Tem alguma coisa errada..." – disse Shaka, parando de repente.
"O que?".
Faon já havia parado e olhava para o topo das escadarias. Ele ergueu a cabeça e respirou fundo. Xingou e virou-se para os cavaleiros.
"Caídos".
"Vamos!"
Mú usou seu cosmo para envolver os cavaleiros e teletransportá-los, juntos, para a entrada da 13ª Casa. Quando o brilho dourado cessou, viram Saga soterrado entre concreto e terra. Sangue escorria de ferimentos no rosto, braços e pernas. Ele tentava se mexer, sem sucesso. Quando começaram a se mover para uma formação e olhar ao redor, não tiveram tempo de ver a massa negra se aproximar e foram rapidamente todos jogados contra o chão, exatamente como Saga, enterrados nas escadarias. Ouviram vários passos e o som de risadas.
"Quem foi que disse que ia ser difícil? Tsc. Tão patético".
"Hm".
Afrodite levantou um pouco o rosto e conseguiu ver duas figuras negras com asas enormes. Um deles tinha um cabelo azulado longo amarrado numa trança lateral e olhos inexpressivos; o outro tinha um cabelo ondulado preto jogado para trás, e um sorriso sádico nos lábios.
"I-isso não... Acabou..." – resmungou o cavaleiro de peixes, com dificuldade para respirar.
Os dois se viraram para ele. Um deles se aproximou e sem falar nada pisou com tudo em seu estômago, fazendo o cavaleiro tossir sangue.
"Concordo" – o caído de cabelos negros sorriu, animado – "Nós estamos apenas começando".
"Vocês chegaram na hora perfeita".
Os dois caídos foram atravessados pelas mãos em negro de Faon. Eles olharam para trás, chocados, o sangue escorrendo pelas roupas. Como uma onda de choque, o cosmo combinado dos dois caídos arremessaram Faon para trás, que agachou-se para não sair voando e cair de costas, como os demais cavaleiros. A força do golpe fez com que os pés de Faon arrastassem e destruíssem o chão sob seus pés. Ileso, e com um sorriso maníaco no rosto, ele se levantou, estalando o pescoço. Os dois caídos esticaram as asas enquanto faziam o ferimento cicatrizar, lentamente. O caído de cabelos longos se curou rapidamente, e observava Faon com interesse e reconhecimento.
"Faon, o Rastreador" – a voz dele era gélida e suave – "Que deleite vê-lo em tão boa forma"
"Ora, obrigado Didrik. É um prazer revê-lo novamente".
Faon se moveu de forma imperceptível, e reapareceu com a mão direita enfiada no pescoço do caído de cabelos negros, que fora pego de guarda baixa.
"Eu estava louco para matar alguém" – e ele sorriu, insano.
Didrik levantou vôo imediatamente, afastando-se enquanto Faon puxava o pescoço do outro com força, separando a cabeça do corpo, e em instantes, o corpo ficou negro até se transformar em pó e se desfazer em partículas minúsculas e invisíveis, como se a existência dele nunca tivesse existido. Faon esticou as costas e voltou a estalar o pescoço. Virou-se para os cavaleiros, que aproveitando a distração, se recuperaram e começavam a se levantar. Ao fazerem isso, notaram outras três sombras se agruparem a Didrik, enquanto outras sombras seguiam adiante, em direção a 13ª Casa.
"Separem-se. Vão atrás da Deusa. O resto fique comigo. Isso vai ser bem feio".
Apesar da surpresa ao verem a força de Faon e a forma autoritária como falava, Aioria, Aldebaran, Shura, Mú e Saga não hesitaram. Subiram velozmente até a 13ª Casa e entraram. A prioridade agora era Atena em segurança. O resto, eles pensariam depois.
Continua...
To remind us of the shortness of your time
Para nos lembrar de quão nosso tempo é curto
Adoro quando leio um livro que me inspira a ponto de me fazer atualizar minhas várias fics (horrivelmente desatualizadas) e me fazer escrever como uma louca de tão empolgada. E aqui está o resultado dessa leitura: um novo capítulo!
Espero que gostem, e, pra quem sempre me acompanha, paciência. Até os meus 50 anos eu termino de atualizar todas as minhas fics rsrs (Ok, podem me xingar).
Abraços.
