– Então... o homem que você sempre escondeu não é aquele tal cara?

– Esse de capuz e de roupas de couro é meu vizinho. Por favor... deixa-o em paz, eu te imploro!

– Bom, para que ele fique bem é preciso que você seja obediente a mim. E enquanto esse seu ex... namorado... terei que dar um jeito antes que ele te ponha em risco novamente.

Naomi olhava séria e internamente preocupada enquanto Don falava.

– A partir de agora, não falará mais com esse tal vizinho. Irá comigo ao trabalho, se quiser continuar lá, mas se ele aparecer ali te procurando... lembra bem... a vida dele só depende de você.

– ...se quiser fico confinada aqui, para sempre!

– ...por que isso?

– ...não quero ficar parecendo sua escrava na frente dos outros.

Don gargalhou.

– Prefiro aceitar suas condições aqui presa.

– Olha... está me surpreendendo, Naomi. Quer então ser totalmente dependente de mim, assim? Não... não vai aguentar por muito tempo... precisa sair, trabalhar, fazer o que sempre quis fazer de forma independente!

– ...a verdade é que não estou feliz com nada que me fez desde aquela noi...

– Ah, não! – Don se levantou da cama – Isso já é mais apagado que o próprio passado!

– Não para mim... Don. – ela encarava com brilho nos olhos.

Don parou e olhou para ela.

– ...te machuquei tanto assim?

– ...sim.

– ...quer fazer as pazes de verdade?

– Como assim?

Don se aproximou dela. Naomi recuou um pouco, vendo que ele ficava bem diante dela.

– ...aquela vez... eu estava bêbado... e jurei desde aquele dia que jamais faria algo nesse estado... por isso que... – se aproximou mais um pouco – eu queria ter com você um momento de amor de verdade...

Naomi engoliu seco. Apoiou-se no guarda-roupa.

– ...sem precisar leva-la na força e nem na base da violência. Foi isso que eu não soube cultivar em nosso relacionamento: a paciência, por causa de bebida. Eu... queria que você fosse apaixonada por mim como eu sou por você.

– ...mas já sabe bem que não sou. Então, por que insiste naquilo que não pode ter?

O loiro conteve-se em sua raiva. Falava com calma, persuadia com malandragem.

– Quer me fazer prisioneira? Controlar minha vida? Vai me decepcionar novamente. Olha... eu até cheguei a pensar que estivesse realmente arrependido do que fez...

– Mas estou.

– Sério? Arranjando até um casamento sem meu conhecimento! – Naomi falava com uma calma misteriosa que nem ela sabia de onde vinha. Mas o medo dele se aproximar dela ainda era forte.

Ele pôs a mão direita no móvel, acima da cabeça dela. Olhou-a. Não havia luxúria em seus olhos, era o que parecia para Naomi. Ficaram assim por segundos.

– Eu vou tomar um banho... à propósito, onde fica o banheiro mesmo?

– Segue esse corredor, ao fundo tem dois. Você pode escolher. – disse sem se mover. Ela entendeu o que ele queria: que ela o guiasse até lá. E não somente isso.

Don deu um pequeno sorriso e saiu de cima dela, indo realmente até o banheiro tomar um bom banho e vestir seu roupão – quer dizer, o roupão que era do pai de Naomi, que ele havia encontrado ali. Mas trancou a porta – Naomi não podia sair do quarto. E ela respirou fundo por não ter feito nada com ela ali.

E como ela ficaria indo ao trabalho sem poder falar com Eros? Ignorá-lo seria a pior coisa. E sem ele sabe o que passava.

...

Depois de tomar um bom anho e se recompor, Don tratou de colocar o roupão que era do pai dela e foi até o quarto de casal, ligando a TV e assistindo um filme sozinho. Durante o filme, só vinha à sua memória o sexo escaldante daquela noite em que tomou Naomi à força no hotel… como gostaria de poder tocar naquela carne fresca e saudável novamente!

Naomi ficou olhando a janela em seu quarto, pensando em fugir. Mais uma vez. Pensava em tudo que passou com Eros e chegava a conclusão: que loucura foi aquela… como se deixou levar pelos impulsos… ele havia conquistado um lugar em seu coração completamente, e se sentia sem forças para fugir dele… foi frágil demais… e muito fácil… nem pensou tanto no "chifre" que estava colocando no então seu namorado… deixou-se levar pelo gosto por sexo… e não amor. Sexo mesmo. Havia ficado extremamente sensível e irresistente aos desejos carnais. Estava confusa ainda, ao mesmo tempo em que desejava Hisoka, também lhe agradava lembrar-se dos momentos que teve com o stripper e garoto de programa.

Olhou-se no espelho de dentro do armário. Ainda cheio de adesivos de coisas que curtia quando mais nova, desde bandas até personagens de histórias diversas. De repente, fez o que sentiu vontade naquela hora: arrancou tudo aquilo do espelho, deixando-o limpo novamente. Olhava-se, observando algumas mudanças. Deixando a porta do armário aberta, foi até a porta verificar se tinha alguém próximo – Don, no caso - e depois foi até a janela, fechando a cortina. Acendeu apenas a luz do abajur de pilha que tinha desde que era pequena, de uma cor amarelo escuro, porém iluminava bem. Trouxe o abajur ao alcance de onde estava antes – em frente ao espelho – e colocou em cima da prateleira que separava as roupas do sapato. Admirando-se diante do espelho, ela começou a despir-se devagarinho até ficar totalmente nua. E vendo-se naquele estado, distraía-se com suas "boas" lembranças envolvendo os homens que estavam ali para salvá-la – e ela nem imaginava que estavam ali. Torcia para não ouvir o barulho de chave abrindo a porta – sinal de Don presente ali. Queria estar sozinha com seus pensamentos eróticos, enquanto deslizava a ponta dos dedos pelo pescoço até entre os seios.

A jovem ia ficando mais excitada com seus próprios dedos explorando diversas partes do corpo magro, porém de aspecto sadio. Os seios ainda médios, mas não tão grandes, pareciam mais firmes e cheios. A cintura esguia, a região abaixo do umbigo levemente proeminente, mas não inchada. As coxas roliças que eram bem unidas em pernas simetricamente alinhadas. Não havia mudado tanto desde quando saiu da casa dos pais... mas parecia mais "apetitosa". Naquele silêncio noturno, parecia ouvir as vozes de ambos. E uma das mãos deslizou para o centro de sua intimidade. Naomi apertou os lábios, quase fechando os olhos. Acariciando-se com mais saliência com os segundos que passava, excitava-se mais a ponto de deixar escapar pequenos gemidos.

Pelas mãos que deslizavam em cada parte do corpo, viu-se nos braços de cada um no momento íntimo que teve com os respectivos ruivos. Parecidos e diferentes ao mesmo tempo. Ambos atraentes. E que confundiam prazerosamente a mente da bela moça. E Naomi deleitava-se sozinha... ali, mas por dentro... estava mergulhada nas sensações maravilhosas de suas lembranças com cada um dos dois...

...

Eros e Hisoka estavam escondidos na cozinha dos fundos.

– Está um silêncio... – comentou o homem encapuzado.

– Estranho mesmo... vou na frente, você vem atrás e vigia minha retaguarda. Posso confiar em você?

– ...se confiar em mim, eu faço isso.

Hisoka seguiu pelo mesmo caminho que seguiu fugindo do alcance de Don. Sempre usando o In extensamente para cobrir o outro ruivo atrás. Era meio cansativo usar o poder assim... e se não fosse pela necessidade de salvar Naomi, até se desfazia dele matando-o. Mas era desperdício matar fracos que nem Eros. E ele era interessante... daquelas pessoas como Gon, Killua, Leorio e Kurapika: tinha uma determinação que valia a pena deixar vivo e ver se desenvolver. Talvez... quem sabe se no futuro ele não seria um excelente rival – como lutador?

Ambos seguiram pela escada. Eros seguia Hisoka, que suspeitava que Naomi estivesse em um dos quartos.

– Quantos quartos! – disse Eros, baixinho.

– É... vamos localizar um vazio para nosso esconderijo fixo.

– Certeza que ela está por aqui?

– Meus sentidos nunca erram – disse ele, lambendo os lábios.

Eles não estavam na área dos quartos principais, e sim a área dos hóspedes. Focando em um dos quartos, Hisoka fez sinal para que Eros entrasse ali. Eros fechou a porta cuidadosamente. Sequer imaginava que seus passos e outros ruídos que estava fazendo estavam sendo cobertos por Hisoka.

– Acho que podemos ficar aqui. Amanhã, vamos inspecionar a casa.

– E por que não agora?

– Não vamos fazer isso com Don aqui... vamos fazer do meu jeito... garanto que não vai se arrepender.

– Hmm... tudo bem... e então vamos passar o resto da noite aqui, trancados?

– Sim. – Hisoka disse calmamente – você fica em um canto qualquer e eu fico em outro.

– É lógico! – disse Eros, indo para a grande cama de solteiro e se acomodando nela – mas a cama é minha.

Hisoka riu por uns segundos.

– Pode descansar. Eu tomo conta de tudo agora.

– Mas como assim? Vai agir sem mim, então?

– Não... não posso seguir sem você. – disse em certo tom provocativo, o que fez Eros virar a cabeça de lado, ainda olhando o ruivo de cabelos espetados. Hisoka não tinha nenhuma intenção com o outro, a não ser provocar. Conhecê-lo. Mas Eros, sempre malicioso, começou achar aquilo esquisito. Hisoka esquisito. O homem que Naomi ainda gostava esquisito.

Eros mudou de vista, sem sair da posição que estava: com os braços cruzados, encostado nos travesseiros e com as pernas folgadamente esticadas na cama – e sem tirar o coturno que usava. Hisoka se acomodou no chão, pegando antes umas almofadas do divã que tinha aos pés da cama para confortar as costas e os braços.

– ...boa noite. – disse Eros, fechando os olhos para descansar – sabia que não conseguiria dormir ali – e se preparar para a tarefa de amanhã. Estava ansioso em recuperar Naomi logo, mas resolveu seguir o plano do Hisoka.

– Boa noite. – Hisoka fez o mesmo que o outro.

E o mágico esperava o sono vir, quieto. Em nenhum momento, deixou de usar o In, apenas usando para si então – visto que o parceiro de missão estava quieto, tentando dormir também.

E a prisioneira que ambos queriam resgatar se tomava por um impulso sexual grande, satisfazendo-se sozinha em frente ao espelho. Naomi continha os gemidos mais audíveis. Ela se concentrava, cerrando os olhos. Chegando ao clímax. Nesse mesmo tempo, Hisoka sentiu uma sensação agradável por dentro. Sem saber a origem daquilo, ele abriu os olhos, olhando para o teto de parede decorada. Era como uma sensação similar ao orgasmo. Ele respirou profundamente e soltou o ar relaxado. Era muito gostoso sentir aquilo, mas... de onde vinha aquela sensação assim, repentinamente?

A respiração estava um pouco ofegante. Naomi voltava ao normal. De repente, sentiu tédio em se olhar nua, fechando a porta do seu antigo armário e pegando suas roupas.

– Ah, o abajur! – ela voltou a abrir o armário e pegou o abajur, levando até o móvel de cabeceira. Vestiu-se e foi dormir.

E Hisoka pegou no sono aos poucos, com aquela sensação maravilhosa que não o excitava – curiosamente – mas o aliviou bastante a ponto de fazê-lo dormir. E o outro já estava dormindo antes dele.

...

No dia seguinte, Don já destrancava a porta do quarto de Naomi, fazendo-a acordar com o barulho.

– Dormiu bem? – ele foi até ela, sentando-se ao seu lado.

– Acordei agora.

– Espero que não tenha acordado de forma bruta... eu vim saber se você vai trabalhar hoje.

– Não, já disse.

– Assim... seu rendimento na empresa cairá... poderá até ser demitida. – ele disse manhosamente, acariciando-lhe a bochecha. Naomi se afastou, ainda deitada.

– ... outro dia eu vou. Ainda não estou preparada em lidar com minha vida daqui para frente.

– Heh... acostumará com o tempo. – ele se levantou – Bem, vou indo agora, até mais tarde. Trarei alguma coisa gostosa para você depois. – e fechou a porta.

Ao ouvir "alguma coisa gostosa para você depois", lembrou-se do seu gatinho, lá sozinho em sua casa no centro de York Shin.

– Kuro! Ah, não! Ele deve estar com fome! – ela esfregava as mãos pelo rosto e cabelos, sendo tomada por um desespero ruim. – E se Eros arrombar a porta para salvá-lo, ao menos? – essa ideia lhe tranquilizou mais. Sabia que ele deveria ter feito isso ou até mais. E então o desespero voltou. E Eros? Deveria estar preocupado com ela. Será que ele tentaria uma loucura?

Olhou a janela – outros seguranças vigiavam a entrada. Soltando um palavrão, Naomi maldizia aquela situação em que se encontrava. Enquanto lá dentro da mansão, Hisoka saía do quarto junto com Eros.

– Sinto que há mais gente por essa área...

– Novos seguranças?

– Talvez...

– E aqueles que você fez desaparecer?

– Já desapareceram há tempos... – o ruivo mais velho comentou sorrindo.

– Hum... e agora, que faremos?

– Vamos xeretar tudo aqui. O quarto que estiver trancado será o suspeito.

– Certo. E arrombaremos?

– Na hora certa, Eros...

E seguiram vasculhando as portas dos quartos de hóspedes. E depois de procurarem por outras áreas do segundo andar, o quarto de Naomi ficava mais próximo ao alcance deles. A mão de Eros tentou abrir a porta onde justamente estava Naomi, que se levantou da cama, encostando-se à parede.

– Ei, essa porta está trancada! – Eros alertou Hisoka, que se aproximou e olhou para a porta como se tivesse tentando ver ou ter uma ideia se ela estava realmente lá.

– ... arromba essa porta e tira a Naomi daí rapidamente. Vou à frente para eliminar possíveis seguranças. Siga com ela até aquela porta dos fundos. Se puder, fuja passando pelo muro.

– Certo.

Hisoka saiu correndo e Eros arrombou a porta depois de duas tentativas. Naomi estranhou aquilo, pois Don não precisava fazer aquilo. E seus olhos arregalaram, juntamente com um sorriso de lábios separados em seu rosto, ao reconhecer Eros. Ele a recebeu da mesma forma, indo até ela e a puxando pelos braços, beijando-a nos lábios de forma meio bruta, porém apaixonada. Naomi não esperava aquilo, apenas deixou-se ser beijada. Aquilo lhe aliviava demais, a ponto de algumas lágrimas começarem a se formar no canto interno dos olhos.

– Como... fez para vir? – ela apalpava os braços, vendo se ele era real ou apenas uma miragem.

– Segredo! Vamos embora logo! – ele a puxou pela mão.

– Mas Eros, a casa está cheia de segurança!

– Tenho um ajudante!

– ...ajudante?

– Sim, mas vamos embora logo! – ele deu um puxão que a fez ser quase arrastada dali.

– Meus sapatos! Estou descalça! – Naomi corria junto com ele.

– Depois eu te compro outro par, mas anda mais rápido!

Lá fora, Hisoka esperava ter os dois em vista, enquanto olhava ao redor. Eros chegou com Naomi até o local combinado. Procurou Hisoka e não achou.

– Droga! Cadê ele?

– Quem é?

– Meu ajudante!

– ...

– Ah, que saber?! Vamos tentar sair pelos fundos aqui! – Eros puxou Naomi pela mão e saiu correndo em direção ao muro que dava acesso ao lado de fora.

– Não é muito arriscado?

– Ou assim, ou você fica aqui para sempre!

Hisoka estava no telhado mais baixo da mansão, observando os dois. Eros viu a área livre e foi até o muro da mansão. Ajudou a morena subir pelo muro, levantando-a. Hisoka observava tudo de longe, até sair dali e seguir os dois. De repente, um dos seguranças na frente da casa avisava ao outro que daria uma olhada nos fundos. Até lá, Hisoka já havia entrado em casa novamente, se escondendo ali. Ao ver a porta dos fundos aberta, o segurança gritou pelo outro, que veio correndo. Ao entrarem, ambos tiveram cartas perfuradas por todo o corpo, caindo no chão trêmulos, aparentemente agonizando de dor.

Enquanto isso, os outros dois entraram em um matagal. Eros estava ainda mais perdido que Naomi, que pouco conhecia aquela região.

– E agora? – ele olhava para todos os lados

– Vamos seguir em frente. Talvez encontramos algum vestígio de cidade. – disse Naomi, segundo o outro perdido.

Passaram-se alguns minutos. E Naomi cortou o silêncio.

– Quem foi que te ajudou? Não acha que deve estar te procurando agora?

– Deu-me a ordem de seguir com você longe da casa.

– ...mas quem era? Alguém que eu conheço também?

Eros hesitou em breves segundos em falar que era o tal namorado dela, até que...

– ...alguém que não te vê há muito tempo... pelo visto. Vou contar depois...

Naomi fez uma cara de confusa. Depois de vasculharem aquele grande matagal, eles conseguiram encontrar uma estrada. De longe, viram a ponte que ligava York Shin a uma cidade mais próxima. Respiraram profundamente, olhando um para o outro.

– Acha que eu te deixaria para trás, Naomi?

– ...desconfiava que não. Aconteceram coisas horríveis durante esse tempo todo!

Ele a abraçou, e foi correspondido. Mas desfez o abraço para seguir com ela aquela longa estrada vazia em busca de alguma carona. Sempre de mão dada a ela, protegendo-a.

...

– O quê?! Como assim?! Verifiquem a casa toda! Tranquem todos os quartos e todas as portas, já estou chegando! – Don desligou furioso o telefone, saindo antes do expediente sem dar nenhuma satisfação.

Praguejando, o loiro foi correndo até a casa de Naomi. Teve dificuldade, por causa do trânsito complicado. Travado no engarrafamento, ligou para Hisoka, que não atendeu.

– Raios! Por que ele me mantém o celular desligado?! – Don quase quebrou o aparelho em suas mãos.

Contratou mais seguranças pelo seu celular. Chegando mais homens ali, verificaram todas as partes da casa e fecharam as portas de todos os cômodos. Desativando a Textura Enganosa que formou sobre a pequena pilha de corpos nos fundos da casa, Hisoka deixou bem à vista a cena assustadora para os outros seguranças, que ficaram receosos.

– Quem fez isso?! – perguntou um deles.

Don chegou ao local, colocando o carro na garagem apressadamente, derrubando um pequeno poste próximo. Saiu do carro e foi até os seguranças.

– O que aconteceu?!

– A vítima não escapou, está no quarto dela. Mas alguém tentou entrar aqui.

– ...não era um homem encapuzado, não é?

– Não deu para perceber, Sr. Don... foi tudo muito rápido.

– Sr. Don, temos muitos de nossos homens mortos lá nos fundos! – veio um outro segurança com uma metralhadora de porte pequeno na mão.

– Vamos até lá! – o loiro foi correndo.

Ao ver a pilha dos corpos, aproximou-se e tirou uma carta encravada no crânio de um deles. Olhou bem a carta... reconheceu aquilo.

– Não... não é possível... – disse Don, com a carta na mão.

Ele entrou em casa, pedindo aos outros que continuem vigiando por fora. Entrou no quarto de Naomi. Tudo quieto... e ela aparentemente embaixo do edredom. Ele se aproximou devagarinho, aliviado – pelo menos Naomi estava lá. Ou ele pensava que era ela.

– Ei, Naomi... está dormindo?

Nenhum sinal de movimento. De repente, Don pensou em algo terrível, associando ao que viu: o ataque de cartas... a casa invadida... o celular de Hisoka que não tocava... o corpo de Naomi sem vida e escondido ali? Seria real essa possibilidade? Ele tirou o cobertor subitamente e aliviou-se – não era Naomi. Mas ficou surpreso ao ver outra pessoa...

– O que faz aí, Hisoka?! Cadê a Naomi? – Don gritou.

– Naomi está bem... – ele se levantou da cama – e agora... é hora de resolvermos uma coisinha

– Do que está falando?!