Don e Hisoka se encararam.

– Eu realmente espero que você... não esteja atrapalhando... em vez de ajudar. Eu te contratei para ajudar!

– E não ajudei? – o ruivo perguntou cinicamente – Só que... vi que a pessoa que escolheu para brincar não é a pessoa correta...

Don piscou os olhos por trás dos óculos escuros. Suspirou, com as mãos na cintura.

– ...pessoa correta... afinal, onde quer chegar, Hisoka?

– Quero dizer que Naomi não é a pessoa certa para você brincar. Descobri isso recentemente... logo, resolvi parar aqui mesmo antes que fizesse algo muito feio... – ele falava de forma irritantemente calma.

Don rangeu os dentes.

– Eu não contratei para dar opinião... eu contratei você para que trouxesse a garota para mim e vigiasse para que não fugisse.

– E meu serviço já rendeu bastante...

Don atirou a carta contra Hisoka, que facilmente a pegou entre os dedos.

– ...deve ter visto a surpresinha que deixei lá fora. – comentou o ruivo, olhando para a carta.

– Traidor! Simplesmente um traidor! – ele tirou uma arma de dentro do paletó e apontou para Hisoka, que brincava com a carta entre os dedos, fazendo-a desaparecer e reaparecer.

– Não, não quero ser morto assim tão facilmente... quero uma luta decente entre nós.

– Cala a boca! – gritou o homem.

O grito de Don ferveu um pouco o sangue do ruivo, mas este se manteve. Don aproximou-se com a arma e apontou bem no nariz do mágico, que reagia como se tivesse vendo uma borboleta pousada em seu nariz.

– Aviso antes: posso morrer, mas te garanto que ela também vai comigo... se eu não ficar com ela.

– Morrer todos vamos um dia, não é? O que ganharemos no final de tudo, então?– respondeu ironicamente.

Don atacou Hisoka com a arma, tentando acertar o nariz, mas este se esquivou facilmente, sem contra-atacar.

– Vamos... você pode fazer muito melhor que simplesmente me atacar com uma arma! – ele desafiava o loiro.

– Tem razão... antes de te matar, seria legal me divertir um pouco...

Don deu um sorriso maroto e já havia colocado em prática sua habilidade de cópia transformando sua aura. Seu Nen era de Transformação e ele podia combinar com Materialização. Ele guardou a arma, mas tirou umas cordas de médio porte e mostrou para ele. Hisoka observou se tinha alguma aura naquilo e viu-se amarrado nos pulsos, antebraços e panturrilhas. Imediatamente, as cordas criadas por Don – maiores e mais firmes que as originais – o jogaram no chão, apertando-o. Hisoka sentiu uma considerável dor, mas nada que o abalasse. Afinal, ele nem sabia mais o que era dor na vida.

O loiro se aproximou, pondo-se atrás de Hisoka e amarrou as cordas reais em volta da garganta do outro.

– Vamos primeiramente quanto tempo você resiste sendo enforcado.

Hisoka olhava-o seriamente. Don deu o nó na garganta cuidadosamente e começou a puxá-lo pela garganta. Hisoka sentiu que não poderia se mover com facilidade. Encarou o loiro que sorria sadicamente. E ele começou a ser levantado apenas pelo pescoço, sendo puxado por Don. Hisoka firmou seu pescoço meio grosso, tentando não deixar a corda afundar na carne. Don observou essa resistência.

– Gargalo de ouro, hein?! Acho que devo apertar um pouco mais, um minutinho...

Ele incrementou a corda real com a aura, deixando mais firme. Hisoka já não conseguia mais resistir com o pescoço e a corda aprofundava na carne. Ainda dava para suportar a falta de ar. Não que fosse tão necessário passar por aquilo, mas era o tempo que precisava para conhecer a técnica dele para contra-atacar.

– Hehehe... está tão indefeso... apesar de querer ser resistente... e realmente, você é bem resistente, Hisoka! Mas vejo que, em minutos, vai perder totalmente o ar!

A raiva e a sede de matar cresciam em Hisoka a cada minuto que ele ia perdendo o ar. E ele adorava isso.

– E então, Hisoka? Quero ver você tentar sair dessa! Hahahah!

De repente, Don sentiu algo pressionando por dentro, um pouco mais para o lado esquerdo. Ele olhou para onde começou a doer muito: tinha uma grossa goma esticada e enrolada dentro do pescoço dele. Hisoka tinha lançado sua goma elástica dentro da garganta dele antes mesmo dele começar a amarrar a corda em volta do pescoço.

– Você... está sem saída também... – disse Hisoka, com um sorriso branco e sádico nos lábios. Don sentiu um pânico diante daquilo, pois sabia que ele o sufocaria. Como ele fez isso? O loiro não sabia dizer e nem ter uma ideia de como ele poderia atravessar a pele e grudar a goma elástica dentro dos órgãos internos. Sem nenhum vestígio de carne aberta. Desesperado, ele deu um puxão único e pisou nas costas de Hisoka, facilitando mais a asfixia do ruivo. E a Bungee Gum do Hisoka apertou a traqueia e o esôfago, tirando o ar dele com dor e força. Ambos não soltaram suas respectivas presas, ainda tentando resistir ao ataque um do outro. E Don acabou não resistindo por muito tempo, e foi afrouxando o pescoço do ruivo, que conseguia respirar aos poucos – com dificuldade, mas aos poucos. Não sendo diretamente pego nos órgãos mais vitais, Hisoka facilmente estrangulava o outro, mesmo caído no chão de bruços e respirando ofegantemente. Don já estava com a cabeça quase roxa, agonizando até perder todo o ar e a consciência. Ao vê-lo aparentemente morto, ele tirou sua goma de dentro da garganta dele, deixando uma pequena ferida aberta.

– Oh... dessa vez, deixei escapulir vestígios disso...

Já de pé e diante do corpo jogado do seu inimigo, Hisoka aproveitou e cortou profundamente a garganta, fazendo com que aquele excesso de sangue naquela região da cabeça espirrar em sua calça larga.

– É... você me deu um susto agora... – disse o ruivo, massageando a própria garganta e pigarreando um pouco.

Hisoka saiu dali tranquilamente. Teve que dar de cara com mais seguranças que dispararam, porém atacou-os sanguinariamente como sempre. Na frente da casa, Hisoka ficou parado, olhando.

– Aqui se encerra todas as suas dores, Naomi... – e ele se retirou dali. Pouco tempo depois, vieram alguns carros de polícia que cercaram toda aquela área. Fizeram verificação de toda a mansão. Quem tinha feito a denúncia foi a própria Naomi, num departamento de polícia mais próximo. Enquanto isso, Eros ligava para o chefe avisando que havia conseguido resgatar a tal pessoa que havia sido sequestrada, logo não precisava mais da ajuda do chefe. Naomi contou tudo sobre seu chefe e onde ele trabalhava. Depois de um tempo, todos os departamentos de York Shin receberam uma notícia trágica, envolvendo assassinato em um dos bairros mais ricos de York Shin – a mansão de Naomi estava interditada. Mais uma vez, Hisoka desapareceu daquelas bandas. Precisava descansar um pouco para poder rever Naomi. Falaria com ela, nem que fosse pela última vez. Ele não tinha certeza se ela voltaria com ele. Viu em Eros um homem perfeito o qual ela poderia se apaixonar. E ele cuidava bem dela.

Mas algo ele não podia mudar dentro de si: o amor que sentia por ela. Um amor que o deixava curiosamente inseguro. Nunca imaginou ficar inseguro por causa de mulher. Queria tanto poder se desculpar por certas coisas, mas... nem sabia por onde começar.

...

Uma notícia abalava York Shin e a famosa empresa de jornal da cidade: encontrado morto um dos socialites e chefes da própria empresa, acusado de assédio e rapto de uma de suas colegas de trabalho – Naomi pediu anonimato sobre ela e foi aceito. Ela ainda não acreditava no que tinha visto nas fotos tirada pela polícia. Ela duvidava muito que Eros tinha feito aquilo... mas quem? E ele disse que tinha um ajudante. Mas ela não quis falar nada a respeito daquele incidente. No fundo, sentiu uma tristeza grande por tudo aquilo, ao mesmo tempo em que sentia alívio. Agora, a polícia averiguava o misterioso assassino que não deixou vestígios algum. Ela e Eros tiveram que fazer pequenos exames de corpo de delito. Vistos como inocentes, foram liberados sem nenhum problema. O chefe de Eros e dono do clube onde ele trabalhava também foi chamado. No início, o homem enorme de pele morena e cabelos bem negros, penteados para trás, ficou assustado mais pelo risco de perder um empregado que ser envolvido no caso; mas depois de prestar um pequeno interrogatório em relação ao Don – frequente conhecido da boate -, pode ser liberado. Foram duas semanas para Naomi resolver esse caso de uma vez. Naomi quis leiloar a casa e pegar o dinheiro para si, para fazer uma coisa que planejava desde o início. A parte da herança dos pais – uma fortuna bem considerável – ela conseguiu recuperar, assim como também conseguiu ter seu status de solteira novamente. Don também estava envolvido em outros crimes, mas não poderia pagar por mais nada. A morte dele também foi assunto entre os Hunters, assim como o recente escândalo.

Duas semanas depois, Naomi resolveu ir até onde Don estava descansando para sempre. Eros a levou de moto até o cemitério onde também estavam repousando os pais dela, ainda meio contrariado por ela ficar se envolvendo no que já passou. Sozinha, Naomi depositou uma rosa branca na lápide. Começou a chorar.

– Tudo poderia ter saído melhor... por que foi tão teimoso consigo mesmo? – Naomi perguntou.

Depois de uns minutos, limpou as lágrimas e saiu dali. Odiava visitar cemitérios. Mas sentiu que deveria deixar uma rosa branca em sinal de perdão. Sequer quis rever as lápides dos pais, que morreram em um acidente provocado pelo recente falecido. Eros viu Naomi se aproximando, com o nariz avermelhado. Ficou com pena dela. Queria tanto fazê-la feliz de verdade... mas a vida dela era cruelmente mais forte.

– Não vamos voltar aqui por um bom tempo... está bem?

– ...tudo bem. Você está certo. – disse ela, com a voz meio alterada devido ao choro de antes.

Voltaram para o antigo duplo apartamento onde moravam. Eros desceu da moto, ajudando Naomi sair e tirar o capacete. Olhou Naomi, acariciando a face dela.

– Ainda quero ver um sorrisinho, nem que seja pequeno, em seu rosto.

– Mais para frente... porque nesses dias meu humor está ainda baixo.

– Vamos entrar. Você vai no meu ou eu vou no seu? – Eros se referia ao apartamento deles.

– No meu, quero ver como está o Kuro. Ele ainda não melhorou da gastrite.

– Tadinho... não sei como ele não morreu em ficar um tempo sem comer.

– Pelo menos ele ainda está comigo...

– E eu...

Naomi pegou na mão dele e beijou amistosamente. Eros sorriu vendo-a tão carinhosa com ele.

– Vamos, então.

Dentro do apartamento dela, Naomi pode ver como estava o gatinho. Eros se ofereceu para ajudar a fazer o lanche da tarde, sendo permitido por ela. Enquanto comiam uns sanduíches, Naomi resolveu tocar novamente em uma coisa que queria descobrir.

– Eros... foi esse seu ajudante que matou Don, não foi?

– ...deve ter sido. Ele ficou lá, quando fugi com você dali.

– E eu o conheço?

Eros parou com o sanduíche na mão, olhando para ela.

– ...sim. Não sei se falo isso agora enquanto você está se recuperando emocionalmente...

– Não vou me chocar... o que mais me choca é essa minha curiosidade. E não me leva a mal... mas sinto que está me escondendo uma coisa importante.

– ...talvez... – e mordeu o sanduíche.

– Então, vamos terminar o lanche... depois você me conta lá no sofá.

– Está bem.

Depois do lanche, ambos sentaram no sofá, um ao lado do outro.

– Conta, vai.

– ...na noite em que te procurei feito doido aqui... uma pessoa me apareceu e me explicou o que estava havendo. Inicialmente, acreditei que essa pessoa estava envolvida no seu sequestro... e estava indiretamente... mas ela queria que eu ajudasse a salvá-la.

– Envolvida... indiretamente?

– Sim. Tinha sido contratada por esse canalha para ajudar no rapto, mas resolveu traí-lo.

– ...mas quem era, afinal? Conhecido meu?

– Um importante conhecido... uma criatura esquisita, realmente... só o perdoei porque quis te salvar...

"Uma criatura esquisita"...

– Um homem meio doido, sabe... e realmente doido, por te deixar tão sozinha nesse mundo selvagem...

"...e realmente doido, por te deixar tão sozinha nesse mundo selvagem..."

– Veste-se de forma tão incomum... bem estranho mesmo...

"Veste-se de forma tão incomum..."

– E então, Naomi... tem a ideia de quem pode ser? Ele me confirmou o que você já tinha me confirmado.

Naomi arregalou os olhos e pôs a mão na boca, aparentando surpresa. Eros riu daquilo.

– Acho que talvez você já saiba.

– Hisoka! – ela exclamou dando um leve salto no sofá.

– Quem?!

– Hisoka... essa pessoa se chamava Hisoka?

– ...não me lembro se disse que se chamava... como é mesmo?

– Hi-so-ka. – ela soletrou.

– ...mas me afirmou que era seu namorado, quando perguntei.

Naomi não sabia se sorria ou chorava. Levantou-se, andando em volta do sofá.

– Se era realmente ele, por que ele não veio com você na hora me que me tirou do quarto?! Por que ele não veio falar comigo?! – ela perguntava eufórica.

– Acalma esse fogo aí, Naomi! ...isso eu não sei, aí você liga para ele. Venha cá... senta aqui. Você deve se acalmar primeiro, vem! – ele deu umas palmadinhas no assento do sofá, querendo que ela se acalmasse.

– Ele... te afirmou isso? Como é o cabelo dele, é ruivo? Tem a pintura de uma estrela e uma gota no rosto? – Naomi começou a dar as características dele, e Eros foi confirmando. Coincidiam os fatos sobre Hisoka, e ele confirmava apenas com a cabeça. E o que mais chamou a atenção em Eros foram aquela estrela e gota que ele usava no rosto.

Mais calma, ela voltou a sentar ao lado de Eros.

– Ele te deixou algum número de contato?

– Isso não, e eu mesmo nem quis!

– ...tem como me ajudar a reencontrar com ele?

– Realmente não sei, Naomi... ele só me procurou apenas para isso. Você tem contato com ele pelo celular, não? Peça para ele venha aqui!

– ...mas ele hesita em me encontrar, é sempre assim!

– Idiota!

– ...quem?

– Ele, claro... e você também, um pouco. – Eros se levantou, indo até a janela aberta.

Naomi abaixou a cabeça.

– Eu precisava falar com ele uma coisa... mas estou realmente confusa.

– ...o que seria?

– Eu o amo, mas... sabe, odeio essa distância. Queria resolver isso, mas pessoalmente...

– Termina com ele. Ou só pressiona ele, Naomi... se ele te amar mesmo, ele vem. – ele falava olhando para o céu – se ele não vier nem agora para ver como está... sinto dizer... que ele só te trata como um anjo da guarda, e não como um namorado. – terminou voltando a olhá-la.

– ...tem razão.

– Naomi, responda-me com sinceridade... você me ama de alguma forma?

A morena fitou o rapaz sem responder por alguns segundos.

– ...promete não rir e nem ficar triste?

– Pode falar.

– Você... mexeu demais comigo, Eros. Não apenas pela carência em que me encontro... falo em todos os sentidos. Eu... me arriscaria em ficar com você, mesmo que...

– ...eu trabalhasse como stripper e garoto de programa, não é?

– ...sim. Mas eu morreria de ciúmes!

– Eu largaria toda essa vida que ainda curto... se realmente me envolvesse num relacionamento sério.

– ...bom saber disso.

– E o que mais?

– ...eu ficaria com você se... eu não tivesse conhecido antes o Hisoka. Já quis esquecê-lo, mas... não sei te explicar... é como se algo nos unisse...

– Será que ele pensa o mesmo, garotona? – ele perguntou com as mãos sem luvas no bolso da calça de couro apertada.

– ...é isso que quero ouvir dele, ter certeza de que ele só quer ser apenas um anjo da guarda, como você mesmo disse.

– E se... ele te deixasse seguir em frente solteira... – ele se aproximava dela – você... ficaria comigo? – perguntou com sua típica voz grave e levemente rouca.

Naomi abaixou a cabeça, fechando os olhos por uns segundos. Quando voltou a olhar para ele, Eros já estava em diante dela. Tinha a sinceridade em seus olhos. Eros tinha a melhor das intenções com aquela moça por quem estava cada vez mais atraído. Não só atraído, mas também apaixonado.

– Sabe quando disse que sente algo que te une a esse cara sem uma explicação? Eu sinto o mesmo por você, Naomi. Muito antes de saber de sua vida... quando a vi pela primeira vez, não senti apenas dó... olhei para você... vi que parecia ser uma garota especial... e é coisa rara encontrar garotas assim... aliás, é coisa rara eu me interessar por alguém de forma romântica.

– ...é?

– Olha a vida que eu levo! Tem como ter chances de me envolver assim?

– E você... abandonaria essa vida que você disse que gosta... para ficar comigo?

– É. Afirmo novamente sua pergunta.

– Vou pensar muito nisso... mas... se puder, ajuda-me a encontrar com ele, por favor!

– Ajudo...se for possível, não?

...

De noite, após o vizinho ir embora, Naomi pegou aquele smartphone e ligou para o mesmo número. Foi até a sua cama, de costas para a janela, sentando-se. A chamada estava sendo executada. E foi atendida.

– Ei, Hisoka... bom que atendeu.

– Bom saber que está bem...

– Eu já sei que você esteve envolvido no meu resgate, não é?

Hisoka, do outro lado da linha, fez uma pequena careta.

– ...exatamente. Ele já te contou logo, não é? Queria te fazer essa surpresa quando nos revermos.

– É por isso que quero revê-lo logo! Quero também agradecer...

– ...claro. Espero que não tenha se esquecido de mim...

– Quero te contar tudo que passei, mas tudo mesmo! Mas pessoalmente. Não por esse aparelho!

– Eu ia te fazer uma surpresa no momento que a reencontrasse... mas vendo-a assim tão ansiosa e ainda tão fragilizada, vamos pular a brincadeira... sabe a Praça Central?

– Conheço.

– Será que amanhã, depois do seu expediente... poderia me encontrar na entrada local?

Naomi ficou receosa, de repente, ao ouvir aquele convite.

– ...queria que viesse até minha casa. É mais seguro.

– Ora, ora... não me diga que ainda tem medo de mim?

– ...tenho.

Ele sorriu. Não ficou chateado e nem surpreso. Naomi não mudou em nada, mesmo.

– Pois transforma esse medo em doce, e traga-o para mim. É pegar ou largar?

– ...tudo bem, vou pensar...

– Não quero que pense... quero a resposta agora.

– ...está aceito o encontro. Sairei do trabalho e vou direto para lá. Na entrada da praça.

– Vamos nos divertir muito ali... ah, não traga seu amiguinho!

– ...ele sempre vem me buscar no fim do expediente. O que eu digo para ele?

– Bem... ele já me conhece... não vai ficar tão desconfiado assim.

– Você se engana! ...ele é bastante cuidadoso comigo... foi nesse tempo todo...

– Entendo... – Hisoka conteve um suspiro de tédio – mas o encontro será só nosso. Promete?

– Prometo.

– Estarei em ponto. Ou tentarei... espero que não se aborreça se eu atrasar um pouco... – disse ele, para provocar de forma infantil a outra.

Naomi fez uma careta ao ouvir aquilo. Mas que importava as provocações dele... a saudade era maior...e a ansiedade em revê-lo também. E dessa vez, Hisoka não estava brincando. Queria finalmente revê-la. Não poderia mais deixa-la sozinha aos cuidados de um homem que não fosse ele. Não mais.