Uma mulher estava encostada casualmente contra a parede do outro lado do barzinho. Eros deparou-se com o olhar penetrante dessa pessoa que parecia estar flertando com ele. E parecia muito interessante em seu visual voluptuoso, com belas partes do corpo em destaque no vestido de lista preta e branca. Ela foi se aproximando, e ele deixou visível um belo sorriso discreto para ela. E o sorriso feral dela era estimulante, que conseguia encorajar ou amedrontar qualquer estranho à distância. Há um bom tempo que não encontrava ferinhas daquele tipo. Será que estrearia seu serviço de garoto de programa naquele pé-sujo?

A tal fêmea estava caminhando em direção a ele, fazendo o seu caminho graciosamente por entre as pessoas que dançavam, os olhos ainda fixos nele. O ruivo encapuzado deixou seu olhar avidamente vagar por todo o corpo da desconhecida.

– Olá...

– Olá... como se chama, benzinho? – uma voz feminina, de tom meio grave, lhe dirigia a palavra.

– Chama-me de Eros. – disse ele, mexendo com a bebida balançando levemente o copo.

– Está a fim de se entreter essa noite?

– ...então você quer se entreter... daquele jeito, não é? – o homem falou diretamente, sem ficar em rodeios de típicos jogos de sedução.

– hmm... acertou, gato. – a mulher levou a mão de dedos compridos e magros, com enormes unhas vermelhas, até uma das coxas do rapaz, acariciando. Ele a encarava de forma sutilmente maliciosa.

– 1000 Jenis. – disse ele, sem perder a manha de sedução em sua voz grave e levemente rouca.

– Ahhh... então é um garoto de programa?

– Pensei que já tinha desconfiado.

– Ahhhh...

– Algum problema?

– Nada... pensei que estivesse a fim de se divertir, só.

– E estou... mas dentro do meu trabalho. Vai desistir, gata?

A mulher olhou-o rapidamente de cima para baixo, como se estivesse indecisa. Para Eros, se uma vez ele cobrou Naomi do serviço, como não cobraria de qualquer outra pessoa?

– ...eu topo. Mas com camisinha então. Só que... não tenho aqui agora, então...

– Eu tenho no bolso... jamais ando "desarmado". – Ele piscou o olho.

A mulher concordou com a cabeça, e se dirigiu até a escada que levava ao segundo andar e Eros ainda estava sentado folgadamente no bar, mudo, e observando o belo corpo voluptuoso como um predador faminto. Ela estava receosa com ele, mas não menos excitada. Aquela visão magnífica de um homem alto e corpulento dentro de apertadas roupas de couro a fez arriscar-se em um programa de sexo.

– Vamos então?

Eros deixou a gorjeta embaixo do copo e saiu do banquinho, seguindo a mulher.

...

No apartamento de Naomi, o reencontro parecia agradável demais para ser verdade. Mais uma vez, depois de anos, Hisoka se deitava naquela cama larga de solteiro. Chegou a dar uns pulinhos na cama, sentado nela.

– Quer deixar a cama mais maleável? – perguntou Naomi, pegando um travesseiro extra no armário para dar ao hóspede.

– Seria mais interessante... – ele parou de ficar pulando com o bumbum e se deitou, com os sapatos e tudo.

Fazendo uma certa careta, Naomi olhou para ele com os braços cruzados.

– Será que... daria para tirar esses sapatos curiosos?

– Curiosos... eles são curiosos? – perguntou o ruivo, folgadamente na cama.

– Sim... e andaram na rua. Portanto, tira eles dos seus pezinhos. Por favor?

– ...estou com preguiça... poderia tirar essas minhas roupas para dormir melhor? – perguntou obviamente cheio de malícia.

Suspirando, Naomi riu daquilo e foi até os pés deles, tirando aqueles sapatos de saltos similares as sapatos femininos.

– Consegue andar com saltos assim?

– Ando, corro e pulo normalmente. Acredito que para você não seja diferente.

– ...pior que é... mal ando direito em saltos altos. – comentou ela, deixando nus os pés grandes e limpos do homem. A morena passou a observar aqueles pés a ponto de não conseguir mais disfarçar e ele não deixou passar despercebido.

– Alguma coisa aí?

– Nada... nunca vi pés tão bem tratados em um homem... desse jeito... – disse Naomi, acariciando a planta dos pés dele. Hisoka sequer mostrava sinais de cócegas, mas estava adorando tê-los tocados por ela. Ela começou a esfregar um deles em sua bochecha e arriscou a beija-lo na parte de cima.

– Hmmm... o que você deve ter aprendido... nesse tempo em que ficamos distantes, hein? – Hisoka perguntou propositalmente, ao mesmo tempo em que apreciava aquela ação tão "inovadora" por parte dela.

Naomi parou de afagar o pé dele, olhando para ele.

– ...muitas coisas. – respondeu da mesma forma provocativa.

– Sozinha mesmo? – ele levou outro pé até as mechas dos cabelos dela e jogou-as para trás do ombro.

– ...como sempre, não é? – Naomi sentiu aquele peso que envolvia a noite em que passou com Eros. De repente, algo lhe veio em mente para perguntar.

Passou chupar meus dedos de maneira voraz que fazia meu corpo todo arrepiar. Quanto mais chupava mais eu me contorcia. Aquilo estava me levando a loucura. Percebi que seu caralho estava duro pelo volume da bermuda, aquilo me deixou mais excitada. E você, Hisoka... ocupou-se somente em caçar Kuroro durante esses anos?

Ele apertou um dos olhos para ela, enquanto via sua amada querer imitá-lo. Achou aquilo louco, prazerosamente louco. O começo de um possível ciúme entre eles. Ele sentia falta daquilo, também... tudo ocorria calmo demais para ele.

Ele se ergueu e puxou Naomi numa rapidez, colocando-a deitada na cama. Agora, ele estava sentado ao lado das pernas dela. Tirou-lhe os chinelos de espuma, e começou a brincar com os pezinhos da outra. Ela se sentiu anestesiada ao sentir uma língua quente e úmida passando entre os dedos. Ele passava os dedos de maneira voraz pela sola que fazia o corpo dela todo se arrepiar. Quanto mais ele fazia isso, mais ela se contorcia.

– Ah, pare... aiii, faz cócegas!

Aquilo estava a levando a loucura, apesar do incômodo das cócegas que os dedos e as unhas dele causavam. De repente, seus olhos pararam em direção ao sexo dele, que parecia estar duro pelo volume na calça larga. Aquilo a deixou mais excitada ainda.

Ele desceu as calças, deixando livre seu pênis já erguido, e colocou os pés nela para segurar o próprio membro fálico. Foi o que Naomi fez, inicialmente desajeitada. Hisoka foi guiando os pés dela, segurando-a pelos tornozelos, fazendo subir e descer pelo comprimento todo. Cada vez que os pés macios e mimosos passavam por ele todo, ele suspirava de satisfação. O ruivo estava gozando sem precisar usar tradicionalmente as mãos. E a morena sentiu aos poucos a calcinha levemente úmida.

– Está gostando disso?

– ...sim... – disse enquanto tirava o roupão, revelando o corpo que vestia apenas a calcinha de cor azul-bebê. Ele olhou lambendo os beiços. Aquele corpinho mimoso que ele adorava devorar com poder. E por minutos, ele ia aumentando o ritmo até chegar ao clímax, gozando intensamente entre os pés dela de uma maneira deliciosa e logo lambendo os rastros se sêmen quente entre os pés dela, fazendo a outra gozar internamente apenas olhando e tendo seus pés estimulados daquele jeito. Ao terminar, ele engatinhou por cima dela, olhando-a de olhos fechados e as faces enrubescidas.

– Gostou disso mesmo... mas não me diga que já cansou?

Ela abriu os olhos, sorrindo um pouco para ele.

– ...não.

Ele sorriu. E os dois brincaram mais um pouco da forma simples até chegarem a satisfação total e dormirem do jeito que estavam ao terminar: despidos e suados... realizados.

...

Ele estremeceu novamente e pôs o seu corpo em movimento. Seu coração estava batendo um pouco mais acelerado em seu peito. Ele não iria mais vender o seu corpo, mas precisava se aliviar ali – mas também não faria de graça. Em uma noite regular com circunstâncias normais, ele teria levado a mulher até em casa, mas aquela noite era diferente. Sua vida era diferente, e as circunstâncias em que se encontrava eram diferentes. Estava em conflito consigo mesmo e nenhuma outra droga além de sexo o confortaria. Ele foi vacilante, ele ainda estava hesitante, ele ainda tinha dúvidas. Ele amava Naomi, tinha que esquecer Naomi, tinha que fugir dali, não queria perde-la de vista.

– Eu quero um quarto. – sua cliente pegou a carteira de couro de sua bolsa preta e colocou na mão do inspetor que cuidava dos quartos de aluguel umas cédulas. Eros foi confundido por um segundo. Não ele quem deveria pagar o quarto? Era costume ele – como os outros seus colegas que faziam programa – pagar quartos de aluguel para suas clientes, visto que elas já gastavam muito e frequentemente com ele. Foi só ficar uns meses sem fazer isso que havia esquecido as "etiquetas" de um "politicamente correto" garoto de programa. Parecia que a mulher estava necessitada demais dele.

O homem ruivo parou em frente a uma das portas. Estendeu a mão para que ela desse a chave. E então ele abriu a porta com a chave que tinha sido entregue pela mulher.

– Você primeiro. – Eros deixou a mulher entrar primeiro.

– Ah, obrigado meu querido!

Ela ouviu a porta se fechou atrás dela e, quase inaudível, a chave girou na fechadura, trancando a porta. Ele virou-se para o seu cliente, que havia descido o capuz e tirava as luvas de couro. Na penumbra do quarto, ele parecia ainda mais feroz, mais sexy; valia a pena em gastar uma considerável fortuna com um homem daqueles. Um bonito rosto másculo, pálido, de olhos brilhantemente cor de âmbar. Com o contraste do pálido rosto, a beleza dos seus lábios pintados e a maquiagem de um estilo levemente gótico. Aqueles lábios meio finos implorando por beijos famintos.

Ele começou a despir-se para ela normalmente, sem danças eróticas ou algo parecido que fazia na boate onde trabalhava. Quase cem quilos distribuídos em um corpo com mais de dois metros, músculos torneados e bem feitos, parecia uma pintura.

– E então, o que está esperando? Não vai se despir também? – perguntou ele, com as mãos apoiadas um pouco abaixo da cintura, em posição de espera.

Saindo daquele transe, a mulher prestou atenção ao que ele pedia, aproximando-se da cama e tirando apenas sua bolsa e seus sapatos. Por um momento, sentiu-se intimidada com aquele grande pedaço de gente diante de si.

– Vamos, querida... tira para mim. – pediu Eros, menos imperativo e com um sorriso amável em seu rosto, aproximando-se dela.

Ela esticou o corpo sensualmente sobre a cama, então ela passou a mão por todo o corpo, explorando as curvas, enquanto desfazia do vestido. Ela deixou a mão correr pela sua clavícula até os seios fartos e levemente flácidos. Ele lambeu os lábios. Ela tinha a beleza de uma mulher mais madura, mas não menos apetitosa. Ele subiu por cima dela e começou a beijá-la por todo corpo, fazendo a outra se abrir toda como uma cadela no cio. Depois de por mais fogo nela, saiu de cima para pegar uma de suas camisinhas no bolso da calça. Tirando o embrulho com os dentes e jogando-o par ao lado, foi encaminhando novamente até a cama cobrindo seu pênis com a "arma", como ele dizia para si mesmo, ao mesmo tempo em que o masturbava.

Pondo-se por cima novamente, não se estendeu em carícias mais fogosas como costumava fazer com as clientes. Abriu-lhe as pernas e mirou seu membro bem na entrada da vagina dela, metendo de uma vez só. E começou as estocadas... lentas no início, embalando o corpo da outra que gemia bem safada, abraçada no corpo dele. Em cada estocada, vinha a lembrança do outro corpo de quem amava. Tentava fugir, entregando-se ao prazer carnal, mas Naomi estava ali, em sua cabeça.

De repente, uma mão enorme agarrou os cabelos da fêmea, jogando a cabeça para trás. E ele acelerava mais seus movimentos. Os gemidos começaram a se transformar em uns gritos de dor. Ele estava concentrado em seus conflitos... em seu amor que não seria mais correspondido. E seu desejo precisava ser descarregado. Sua fúria também. Ele enfiou o pênis tão profundo quanto possível e, sem qualquer aviso, a agarrou a cabeça com força novamente e forçou todo o seu pênis naquela vagina não tão úmida que veio a gozar quente enchendo a vagina dela a ponto de poder sentir alguma lubrificação. Lágrimas reuniram-se nos olhos da mulher, que parecia em transe. Ela estava sufocada, arregaçada, com um enorme galo encravado nela. Eros caiu assim mesmo por cima dela, suado e ofegante. Fechou os olhos. Ia quase caindo em um sono, mas lembrou-se que não poderia marcar bobeira ali, ou ela iria embora sem pagar.

– ...hmmm... quer brincar mais um pouquinho? Ainda temos bom tempo, gostosinho. – disse a mulher, com a voz entre suspiros longos.

Ele abriu os olhos seriamente e saiu de cima da mulher. Tirou cuidadosamente a camisinha e deu um nó na abertura. E a fêmea se sacudia na cama cheia de provocações eróticas.

– Tenho que ir. Paga-me agora. – ele foi curto e grosso.

– Mas já?...

– Sim. – cortou a mulher.

Ela começou a ficar com medo. Eros parecia que não estava tolerante.

– Er... tudo bem... – passando as mãos pelos cabelos sem ainda ter terminado de gozar, ela teve que se levantar e pegar o dinheiro de sua bolsa. Eros estava sentado na cama, com os braços apoiados em suas coxas em uma posição corcunda. Ela foi até a frente dele e deu os 1000 Jenis. Ele pegou e foi se vestir para ir embora.

– Pensei que... passaríamos o resto da madrugada comigo... – ela resolveu falar, ainda receosa do que ele poderia fazer.

– Você pode arranjar outro... o quarto você já alugou para si, não? – disse ele, colocando sua roupa e em seguida a touca – Bem, obrigado por passar um tempo comigo, boa madrugada! – destrancando a porta, Eros jogou a chave para ela na cama e saiu, encostando a porta.

Descendo correndo pelas escadas, foi diretamente embora em sua moto. Resolveu voltar para casa naquele meado de madrugada. Parou em frente a sua casa, abriu o portão e entrou. Ao parar em sua porta, olhou para cima por uns instantes. Aquele andar de cima... já começava a incomodar em vez de animar, como antes. Depois disso, entrou em casa, foi tomar um bom banho gelado e foi dormir. Já tinha se aliviado o necessário. E conseguido um bom dinheiro.

...

Bem cedo, Naomi despertava aconchegada nos braços daquele homem que esperou por anos. Parecia um sonho. A janela estava aberta e vinha um vento gelado. Mas estava tão aquecida dos braços do ruivo que dormia tranquilamente. Hisoka era bonito até quando dormia. Traços que pareciam de um anjo... em um típico demônio.

Ela acabou pegando no sono novamente e, assim que acordou de manhãzinha, senti que havia esfriado ainda mais. Levantou-se ficando sentada na cama; olhou pela janela e viu o Sol fraquinho; lá fora, tudo estava nublado. Hisoka se se mexia para virar de lado, dormindo preguiçosamente. De qualquer modo, aquilo a tranquilizava; ele estava bem.
Tremendo de frio, ela foi até a cômoda e vestiu um conjunto de moletom bem grosso para vestir, além de meias felpudas, porque estava com os pezinhos gelados. Tanto ela como ele nem pareciam que tinham adormecido suados. Pegou também um cobertor, cobrindo o corpo pálido e despido do ruivo. Era mais um dia de trabalho e ela deveria se arrumar logo.

Colocando comida para o gatinho, Naomi deixou uma nota avisando Hisoka que havia ido trabalhar e voltaria no mesmo horário de sempre. Ao sair do apartamento, desceu as escadas para não deixar Eros esperando. E se surpreendeu ao ver a moto quieta na frente do lugar onde moravam. Assim, resolveu não incomodá-lo, indo para o trabalho sozinha. Há quanto tempo não se sentia livre e feliz em poder andar sozinha pelas ruas. Devia ser porque não se sentia mais solitária. Além de ter Eros como um irmão que cuidava dela, tinha Hisoka que (acreditava que) viveria com ela sem jamais se separar novamente.

Parece que as coisas se equilibravam aos poucos. Será que havia encontrado finalmente a paz que tanto desejou desde que saiu de casa pela primeira vez?