Hisoka seguiu adiante em busca dos outros dois que queria acabar para chamar a atenção de Kuroro, além de desativar os poderes de ambos os quais Danchou havia usado. E a primeira ideia em relação aos dois foi aos redores da suíte onde estava Naomi. Usando Ten para detectar a presença dos outros perto de onde estava Naomi, respirou aliviado. Bateu a porta.

– Naomi, sou eu.

A outra, ouvindo a porta, foi até ela e, ficando na ponta dos pés, olhou o olho mágico. Por um momento, pensou que fosse uma armadilha, mas se acalmava por dentro ao reconhecer Hisoka... com as roupas ensanguentadas. Naomi abriu a porta rapidamente e arregalou os olhos ao ver as roupas manchadas de sangue e o pescoço nu, com a gola totalmente rasgada.

– Cheguei antes do tempo que te dei para que fugisse. – disse ele calmamente.

– Mas... entra, entra! – ela puxou o outro pela mão não danificada, fazendo-o entrar – você está machucado, amor?

– Só um pouquinho... só sinto dores, preciso tomar um banho morno... ei, espera!

Ela o fez sentar em uma das cadeiras ali na sala principal. Ficou diante dele.

– Conta... foi muito tenso, não foi?

Hisoka teve a sensação que ela passou horas preocupada, sem ter visto pelo canal de TV exclusivo da Torre Celestial.

– E então? Tentaram vir te pegar aqui?

– Não sei... usei meu Nen para me ocultar totalmente... eu e o Kuro. Nem me preocupei em ficar verificando a porta.

Ele começou a rir ao lembrar-se do gato.

– Esse gato tem histórias para contar em poucos anos! – comentou Hisoka, olhando por baixo da cadeira e olhando pelos cantos da área em que estava – mas você pode sentir a presença das pessoas usando sua própria habilidade de ocultação... isso para você que é iniciante.

– Eu... somente pesava em você.

Ele a puxou para o colo, mas ela não quis sentar, e ainda explicou que não queria machuca-lo.

– Quer cuidar de mim, é? – abriu um sorriso bobo, deixando-se levar por aquela atenção toda.

– Quero. – disse, acariciando o rosto – mostra-me as feridas, posso fazer a assepsia. Depois vamos até o ambulatório e...

Hisoka movimentou as mãos querendo que ela tranquilizasse.

– Eu já fiz tudo isso sozinho... só quero tomar um banho e deitar... somente sinto dores pelo corpo todo. – e puxou-a pela mão, fazendo-a bater com a testa na dele – adoraria uma massagem sua

Concordando, Naomi o ajudou a se levantar e deixou que fosse ao toalete se banhar em particular.

– Vou pegando seu roupão! – disse ela, indo pegar o roupão que ele usava. Antes de entrar na banheira de água bem morna, ele verificou mais partes do corpo onde precisava "curar" com sua goma elástica, criando-a a partir da própria água da banheira. Lembrou-se da vez em que descobriu a propriedade de sua aura a partir do tipo de Nen. E como eram úteis para si suas duas simples habilidades, com elas poderia criar outras formas de se proteger, como fez quando se viu encurralado por aquela multidão controlada por Kuroro.

Caído no centro da arena, Hisoka observava toda aquela gente controlada por Kuroro se jogar contra ele. Era praticamente o fim dele ali. Teve os dedos da mão esquerda detonados pela tal explosão que fazia parte do ataque ele, mais o pé direito.

"Poder meu... meu Bungee Gum... proteja primeiramente meus dois órgãos principais, revestindo meu coração e pulmões, aconchegando-os, acariciando-os, imitando seus movimentos automáticos... e faça voltar-me a vida novamente. Ativa-se por todo meu corpo também, da cabeça aos pés..." ele fez sua "prece" a sua habilidade, encravando seus dedos da mão direita dentro do coração, fazendo toda sua aura elástica criar uma barreira muito intensa, fazendo-o gastar praticamente toda sua aura vital. Ao sentir como se estivesse sendo revestido por uma grossa camada de elástico, ele fechou os olhos. Todos os corpos saíram sobre ele e ele podia sentir isso. Seu corpo também se revestia todo, aos poucos perdendo os sentidos. Era simplesmente o que ele sentia, nada mais nada menos que a perda dos sentidos, sem uma dor sequer. "Desculpa se eu não voltar... Naomi." Pensou nela antes de perder a consciência após uma grande explosão se dar bem ali entre ele e aqueles humanos em cima dele.

– Hisoka... – a outra batia a porta do banheiro.

– Entra, não precisa bater à porta. – disse ele, abrindo os olhos.

Ela apareceu com o roupão e foi direto nas roupas que cheiravam sangue e a queimadura.

– Essas roupas... estão com um cheiro de... churrasco!

– Churrasco? – Hisoka fez uma cara de confuso, logo associando as coisas: carne queimada e misturada a sangue.

– É... churrasco, não sabe o que é?

– Claro que sei... só achei essa comparação curiosa.

Ela se sentou à beira da banheira, ainda com a roupa nas mãos.

– Agora me conta... com foi tudo!

Hisoka fez uma careta. Estava tão bem com ela ali... embora tinha seus objetivos a cumprir após sair dali.

– Está cansado? Tudo bem, amanhã você conta. Descanse o resto do dia. – Naomi compreendeu, levantando-se e pegando uma outra parte da roupa dele que estava caída no chão.

– Naomi... temos apenas algumas horas para ficarmos juntos.

Ela parou.

– Como assim?

– Isso mesmo. Depois te conto como foi a luta. Mas ainda estamos em perigo.

– Ah... mais um problema! – ela suspirou – mas... ao menos me conta... se Kuroro foi derrotado.

– Ele venceu e está intacto.

Naomi ficou séria. Do modo que Hisoka falava, eles teriam que se virar para escapar do Danchou. Mas como? De que forma Hisoka pretendia.

– Ele está por perto?

– Talvez sim... e por sua causa. – disse apontando o dedo para ela, indicando apenas.

– E... o que vamos fazer? Bem, nós não íamos sair daqui?

– Sim... mas quero que volte imediatamente para su casa em York Shin.

– Então... vamos nos separar brevemente...

– Exato. Até que eu possa acabar com ele de vez. – disse sério, olhando para o infinito.

– Hisoka... vê-lo vivo e seguro é tão confortável... e você vai se arriscar de novo? – perguntou a morena, desanimada.

– Não te disse que sairia dessa vivo? Apenas... não esperava ter sido vítima de um golpe sujo.

– Golpe sujo? Dele mesmo?

Hisoka acenou com a cabeça que sim. Naomi foi até Hisoka e sentou-se no chão, ficando ao lado dele – porém fora da banheira.

– Não insista, por favor! O importante é que ele sentiu que não conseguirá roubar minha habilidade. Esqueça essa vingança... esse homem é um empecilho no nosso caminho!

– Por isso mesmo que tem que sair das nossas vidas.

– Com minha invisibilidade, ele não sente nem meu cheiro de longe! Podemos sair normalmente daqui e ninguém nos sentirá, quanto mais nos enxergar!

Hisoka olhou para ela desfazendo a cara séria.

– Está sabendo usar bem esse "poderzinho"...

– É só me permitir que eu demonstre. Sua maior vingança, Hisoka... é simplesmente deixa-lo louco sem poder me perceber! Entendeu? Não quero mais deixar se arriscar, e de uma forma pior que foi essa luta... – acariciou os cabelos molhados dele – vamos para Glam Gas Land. Vamos descansar um pouco... depois, se você quiser insistir em dar esse troco no Kuroro... aí é com você. Mas sugiro ao menos... que relaxe após essa luta. Recupere-se, sei que está sentindo dores, está esgotado.

Hisoka prestou atenção até mesmo porque era agradável tê-la não só como amante. Ela era uma irmã, uma amiga... até como uma mãe. Naomi tinha as palavras certas para falar, e bem na hora certa. Uma pessoa tão perfeita. Após ter passado por diversas coisas, não sentia ódio ou rancor vindo dela. Ela foi capaz de perdoá-lo após ele ter feito o que fez com ela nos primeiros momentos em que conviveram (forçadamente) juntos. Era por isso também que sempre atraía a simpatia de diversas pessoas, boa ou más. Estava ainda pouco irritado por causa do homem de penetrantes olhos escuros, mas perto dela... ouvindo-a... e sendo cuidado por ela... dava uma sensação de paz. Ou era aquele banho morno que estava deixando mole. Não... mole era a apenas a sensação física do corpo. O emocional parecia se equilibrar novamente com ela ali. Ainda queria se vingar de Kuroro, mesmo sabendo que precisava ir com calma. Ainda bem que ele quis passar na suíte para ver como estava Naomi.

– ...é difícil te dizer não... como é difícil!

– Diga depois que estiver na cama, vamos! – ela se levantou, ajudando Hisoka a sair da banheira devagar. Apesar de ter recuperado de forma impressionante sua condição corporal, ele sentia dores absurdas que exigiam dele um pouco de repouso. – venha, vamos até a cama. Deixarei que descanse. Tomo conta de tudo!

– Tudo bem... tudo bem. – concordando, Hisoka foi guiado até a cama, onde se deitou sem fazer careta ou expressar de qualquer forma a sua dor física.

– Quer que eu te traga alguma coisa?

– Hummm... que sono... – disse ele, bocejando e fechando os olhos. Realmente, o corpo pedia para dormir.

– Então durma.

– Apenas... não me saia desta suíte... nem mesmo ligue para serviços para pedir comida... vamos fazer de conta que não há ninguém por aqui. Certo?

– Certo.

E ele permitiu-se dormir. Naomi voltou a usar o In novamente em torno de si, como se estivesse bloqueando a sensação de presença dele também. Como fez antes. Procurou pelo gato que estava embaixo da cama, só achando quando este subiu nela e o pegou no colo.

– Vou te colocar no outro quarto enquanto vejo o que tem para comer! – disse a morena para o gato – não quero que incomode o Hisoka.

Assim ela o fez. Mas não fechou a porta totalmente, só encostando. Kuro meteu a cabecinha na fresta da porta e saiu, indo novamente para o quarto onde estava o ruivo dormindo. Subiu na cama e se meteu entre os pés dele – bem maiores que os pés em que estava acostumado a se enroscar. Cheirou o tornozelo que foi cortado o pé do outro, como se notasse algo estranho. Ajeitou-se ali e dormiu. Enquanto ambos dormiam, Naomi pegava o pouco de tinha de legumes na geladeira compacta que havia na área da suíte que equivalia a cozinha e preparava uma salada com esse pouco. Não sairia dali e nem ligaria para pedir comida.

Mas toda aquela segurança deles eram quase em vão. Recebendo a ligação, Kuroro teve que mudar seus planos. Foi contratado para ser um dos seguranças de um dos príncipes de Kakin durante a viagem deste. Uma oportunidade de roubar alguns pertences os quais estava interessado. Desistindo de caçar Naomi e roubar-lhe a habilidade Nen, ele vai embora da Torre Celestial antes mesmo de avisar aos outros três, pedindo que ambos se encontrassem com o resto em um ponto específico ainda naquele continente.

Depois de algumas horas de sono, Hisoka acordou com algo fofo nos pés, quase fazendo cócegas – porém não incômodo. Olhou e viu quem era. Tentou mover os pés com cuidado, mas o espevitado gato acordou e voltou a cheirar o tornozelo da perna atingida. Curioso, Hisoka mostrou as duas mãos, querendo ver se Kuro advinhava qual mão ele usou Nen para restaurar os dedos. Ele foi até exatamente a mão atingida, mas voltou a cheirar a área anterior, realmente interessado ali. Hisoka resolveu levantar, sentindo muito menos a dor que estava antes.

– Ei, Naomi! – ele chamou, caminhando até a sala. Ela foi até ele, encontrando no corredor que dava acesso a sala principal.

– Por que levantou, Hisoka? ...e está melhor, agora?

– Novo em folha! – completou beijando a nuca dela.

– Fiz uma salada de improviso, deixei na geladeira.

– Salada de improviso... nunca ouvi falar dessa verdura. Ou é legume?

– Acordou com bom senso de humor. Enquanto isso, vou tirar o Kuro do outro quarto... deixei ele fechado para ele não incomodá-lo enquanto fazia o almoço.

– Mas ele não me incomoda em nada... até me fez companhia enquanto eu dormia.

A morena sorriu, já imaginando que ele foi deitar-se aos pés dele como fazia com ela.

– Ele continuou dormindo lá... como folgado que é.

– Verdade. Falando nisso, ele tem que comer alguma coisa e acabou a ração dele...

– Dá a salada mesmo!

– Será que o Kuro come alface, tomate, cenoura e batata?

– Se ele estiver com fome, come... come sim. – afirmou o ruivo, indo comer alguma coisa.

Após todos comerem a simples salada (inclusive o gato comeu bem), Hisoka comentou com Naomi.

– Vamos sair daqui ainda hoje.

Ela curvou os lábios em um sorriso, satisfeita.

– Pode descansar seu In, Naomi. Agora, eu assumo o controle de tudo. E obrigado por saber se cuidar tão bem... e de mim também!

– Farei isso para sempre!

– ...arrume as coisas, vamos voltar para York Shin.

– Ué... não queria me levar para Glam Gas Land?

– E vamos, já que está curiosa... mas antes, quero voltar com você segura ali...

– ...então vai mesmo resolver suas pendências com Kuroro. Você não me engana!

– Preciso. Mas não vou confrontá-lo diretamente. Só uma... vingança rápida. Depois que resolver isso, te buscarei e partiremos para Glam Gas Land. Decidi seguir seu conselho, não quero mais lidar com Kuroro... pelo menos não tão cedo. Mas... preciso deixar uma "lembrancinha".

Ela pôs a mão no peito, respirando aliviada. Não tão aliviada, mas o pior Hisoka evitaria. Mas estava com a pulga atrás da orelha. Contudo, não quis insistir com ele. Sabia que, apesar de lhe dar ouvidos, ele ainda era cabeça-dura. Mas sair dali já era uma vitória. Não conseguia se sentir bem dentro daquela torre, embora tenha tido bons momentos com Hisoka.

Após aquele dia, com a ajuda de sua invisibilidade, Naomi partiu com Hisoka e o gato, que agora não mais escondido no decote dela, em direção a sua cidade natal. Ela não imaginava o quanto Hisoka pereceu naquela luta. E ele agradecia secretamente por ela não ter acompanhado aquela luta. Ela não precisava saber como foi, e sim dele ali ao lado dela (quase) inteiro.

...

York Shin.

Eros parava com a moto em frente onde morava. Tirando o capacete, ele saiu da moto e foi entrando no apartamento onde morava. Estranhou o portão estar aberto.

– Ué... eu havia fechado. – ele falou, olhando para dentro do prédio e segurando algo dentro do casaco de couro marrom-escuro. Entrou com cuidado no prédio e resolveu subir às escadas, verificando se alguém tinha entrado ali no andar da Naomi. Mas ao chegar ao andar, levou um susto agradável.

– Assustei?

– N-Naomi? Naomi! – Eros foi até ela, levantando-a nos braços em um abraço exagerado.

– Calma! Hahahaha... calma, você está apertando! – a outra se divertia, apesar de ser girada naquele abraço.

– Saudades! – ele a pôs no chão – Mas foi bom aparecer assim. Senão, eu ia ficar mto ansioso e já tenho problemas com ansiedade.

– Que bom que está tudo bem! E... como conseguiu advinhas que eu estava aqui?

– Na verdade, suspeitei quando o portão estava somente fechado. Aí vim para cá com cuidado, achando que alguém tinha entrado aqui com más intenções.

– Ah... esqueci de fechar o portão. – ela disse, coçando a cabeça – mas quando cheguei aqui, vi que não estava em seu andar e então esperei aqui até que você chegasse. Queria fazer uma surpresa, mesmo.

– Nossa e que surpresa! – ele ria esfregando os dedos nas sobrancelhas ralas – quase que pego na minha arma dentro do casaco!

– E você mesmo disse que cuidaria de tudo aqui para mim...

– E cuidei!

– Obrigada, mesmo!

– E... aquele cara não veio?

– Ele teve que ir à frente resolver umas coisinhas.

– Humm... mas ele vai te deixar aqui para te buscar anos depois?

– Não, ele vem breve. Até porque vamos nos mudar daqui. Acho que já tinha falado algo a respeito com você, não?

– Hmmm... não me lembrava. – disse um pouco chateado em ouvir aquilo.

– Mas nós vamos continuar nos vendo, eu te garanto!

– E se esquecer, vou encher sua paciência, hehehe...

Voltaram a se abraçar.

– Sabe, o melhor de tudo é vê-la feliz! – disse Eros.

– Não quer entrar?

– Claro, vamos, conta tudo sobre essa sua viagem! Ah, você levou o gato?

– Levei sim. Está lá dentro. – dizia enquanto abria a porta do seu apartamento.

Entraram. Após conversarem sobre a viagem de Naomi, foi a vez de Eros comentar o que aconteceu com ele enquanto ela estava longe.

– Nada mudou muito depois desse tempo.

– Ainda continua trabalhando na boate?

– Sim... não me vejo fora dali, não adianta. Tentei mas não consegui. Tenho amigos importantes para mim ali... e estou preso a essa vida, mesmo.

– Entendo... então faça o que sua cabeça achar melhor, sem culpa. – Naomi deu leves tapinhas no ombro grande do amigo. – é que me lembro uma vez que falou em procurar outra profissão. Daí te sugeri se candidatar como um novato escritor lá onde trabalho.

– ...sei que você queria que eu trabalhasse em outras coisas, não é? – disse ele, coçando perto do canto da boca, que dessa vez não estava pintada como de costume.

– Bom... depende. Se você está feliz trabalhando lá, quem sou eu para julgar?

– Sabe... não gosto de meter minha história de vida em conversas, mas acho que posso me abrir para você. Sou órfão, fui criado por uma mulher que também fazia programas e cresci vendo todo esse universo obscuro, no meio de drogas e de violência. Conheci diversos adolescentes que já trabalhavam em alguma coisa descente e eu somente vagabundeava, apenas sonhava em sair daquele meio, daquela vida mundana. Nunca me envolvi com drogas e tentei fugir da possibilidade de seguir o caminho da minha madrinha, como eu chamava minha mãe de criação, mas não consegui. Até porque ela literalmente me pôs nesse meio da prostituição.

– ...como? – perguntou Naomi, completamente atenta ao que Eros falava sobre o passado.

– ...um dia eu até te conto... mas isso atualmente me dói lembrar.

– Tudo bem... mas... fico lisonjeada por confiar em contar alguma coisa de sua vida.

O ruivo de cabelos sempre assanhados olhou para ela longamente, de uma forma melancólica. Naomi ficou séria diante daquele olhar, sem entender o que havia dito para deixa-lo com aquela cara.

– Quando fiquei sabendo sobre o que você passou nas mãos daquele seu antigo chefe, e quando li um livro seu...

– Você... já leu meus livros?

– Você está bem conhecida, apesar de ainda usar seu pseudônimo, não é?

– Já nem mais uso pseudônimo... mas ainda publicam a autoria com ele.

– Pois bem... eu passei a me identificar com você. Até porque... passei por algumas coisas similares. Sei muito bem como é chato sofrer abuso de pessoas que até então, se podia confiar.

– ...se não quiser falar sobre isso, não fala. Ah, quer beber alguma coisa? – ela se levantava para pegar alguma coisa na cozinha, mas ele a segurou pelo braço, como se quisesse que ela continuasse ali sentada.

– Não agora, espera... eu queria desabafar um pouco, se não importar.

– ...tudo bem. – Naomi sentou-se novamente, mais perto dele. Pôs-se atenciosa diante dele, que parecia angustiado.