– Como assim? Entenda, por favor... olha, darei a parte que estou te devendo... é que preciso pagar as contas de luz e gás... mas eu te retorno o dinheiro, eu juro, juro, juro! Olha... não briga comigo... estamos numa sociedade, certo?
Miya implorava ao seu cafetão para que perdoasse o dinheiro que havia "tomado emprestado" para pagar a luz e o gás de onde morava. Eros observava tudo, enquanto estudava fazendo umas contas em seu caderno.
– Deveria abrir mão dessa sociedade, Miya.
– Não posso, a não ser que queira viver na rua.
– Por isso que tenho que trabalhar em alguma coisa... sem ser prostituição.
– Mas como? Você ainda tem quinze e nem o Ensino Fundamental completo. Você só pode ajudar em coisas pequenas... isso se te aceitarem.
– Mas se eu não tentar? Como saberemos se consigo ou não?
A partir daí, Eros se meteu em procurar qualquer trabalho que fosse. Nenhum precisava dele, era o que todos diziam... até que um dia, em uma banca de jornal, um senhor de meia idade, barrigudo e de estatura mais para baixa quis dar uma oportunidade para ele.
– Sério?
– Sim, você pode ajudar a entregar as encomendas que me fazem aqui! Dou-te 100 Jenis por cada entrega.
– 100?! Sério?
– Eu lá sou de mentir, rapazinho?! Mas essa semana farei um teste para ver se te aceito.
Eros fez tudo para impressionar o velho jornaleiro, que adorou ver o desempenho daquele garoto. Em sete dias, Eros ganhou mais de 1000 jenis. Eram valores exagerados para um entregador de jornal, mas o ruivo nada comentou com o velho jornaleiro.
– Agora, para continuar aqui, preciso que faça também meus favores.
– Favores? Quais, eu faço.
– Faz mesmo? – perguntou em um tom brincalhão.
– Se me for possível.
– Venha, fecha as portas da banca. Vou conversar em particular.
Eros fez uma expressão de confusão, mas fez o pedido.
– Quer ganhar 1000 por cada encomenda?
– Nossa... nem em uma empresa eu ganharia isso por cada serviço!
– É... o tio aqui é muito bonzão... principalmente quando seus empregados são bons para ele também. Quero ver uma coisa aqui...
Ele se sentou na cadeira que havia dentro da banca que parecia uma pequena loja e começou a abrir o zíper, pondo para fora um membro meio curto e grosso, com a pele por cima meio enrugada. Eros olhou aquilo sério e desconfiado.
– Vai dizer que nunca viu um pênis, garoto? Ora... para com essa cara! – levantou a blusa, exibindo a barriga grande e meio peluda – não quero que me estimule oralmente ou dê seu ânus para mim... apenas quero que me masturbe quando eu necessitar... ainda te dou mais 500 Jenis por me masturbar...
Eros ficou desconcertado. O valor da oferta daquele homem era irresistível, ele realmente pagaria. Porém...
– Masturbá-lo? – perguntou o ruivo, quase gaguejando.
– Ora, isso, ó! – e pegou o órgão ainda mole e começou a movê-lo com a mão fechada – garotão desse tamanho não sabe o que é isso? E por esse volume aí no seu jeans... deve fazer bem, não é?
– Mas... – Eros olhou rapidamente para seu zíper, achando que tinha algo errado, mas nada. Tudo desculpa do tal homem.
– Se até gostar, podemos fazer amor tranquilamente. Mas como você parece meio novo, apenas vamos ficar nisso... – falou lambendo os dedos. A visão para Eros era asquerosa.
– ...obrigado pela oportunidade. Mas não. – ele se dirigiu até as portas da banca, abrindo-as rapidamente. O folgado do velho pôs-se atrás dele, forçando-o a cheirar a mão que usava para estimular o órgão.
– Sinta... sinta o cheiro de sexo... não te excita? Um jovem como você...
– Vai se ferrar, seu velho podre! – e deu um soco bem dado na cara dele, a ponto de derrubá-lo no chão e tirar sangue do nariz.
E saiu correndo quase com vontade de vomitar. De nojo e de ódio. Chegou em casa e contou tudo para Miya, desabafando o horror que sentiu.
– Miya... espero que você nunca tenha passado por essas coisas... – ele disse, com os olhos úmidos e prestes a chorar. Não por si, mas por imaginar os abusos que Miya deve ter sofrido. Ela chorou ainda mais, abraçada nele.
– Eros... a pessoa mais recatada que você encontrar esconde uma grande perversão. Todos têm um tipo de perversão, mesmo que seja bem pequena. E você... sendo tão jovem e bonito... essa não será a primeira vez.
– Mas ainda consegui 1500 Jenis... não quero ser obrigado a satisfazer sexualmente um velho daqueles... nojo! – disse ele, chorando nos braços dela – Juro... que eu vou te tirar dessa vida!
– Quem sabe... mas olha... – ela segurou-o pela cabeça, olhando ternamente – nem todos os profissionais são obrigados a fazer com todos que lhe vem oferecer dinheiro. Eu pelo menos... eu gosto do que faço.
– ...gosta?
– Eu amo sexo, Eros. E não me vejo em outra coisa... a não ser trabalhar com que gosto.
– E esse cafetão? Ele não parece te tratar bem!
– Mas ele é de confiança, para mim. E eu preciso dele, depois eu o largo e vou voltar a ser minha própria chefa... alias... você vai ser meu chefe. Que tal?
– ...eu quero te tirar dessa vida para ser só minha.
Ela sorriu, enxugando as lágrimas e o beijando muito.
– Vamos aliviar um pouquinho?
– ...só com o pagamento.
– Não tenho mais cartela de pílulas. Acho que você me fez te dar todas elas.
– Vou procurar tudo aqui... enquanto isso... se masturba aí! – ele se levantou e foi para o banheiro. Recusou a ter com ela – Vou tomar um banho, depois ajudo a fazer a janta.
Com o passar dos dias, Eros verificou canto por canto se havia daqueles comprimidos escondidos. Está difícil de achar. Pelo hálito dela também, não sentiu mais aquele gosto e odor de flor. Ela estava mais calma e menos intensa por sexo com ele.
Certo dia, Miya chegou à própria moradia furiosa. Eros a fez contar o que houve e se revoltou também. Ela havia terminado a sociedade com o cafetão após ele ter esbofeteado ela e ter tratado muito mal.
– Eu acabaria com ele!
– Nem pensar! Que tudo de ruim aconteça a mim, não a você, Eros! Deixa quieto! Ele não nos procurará mais! Eu mesma me fiz de velha e desgastada... e me pergunto por que não tinha feito antes!
Mas as coisas começariam a se tornar ruins. Quando Eros chegava com as compras, viu algo aterrorizante: Miya atingida na barriga e na coxa com a bala. O tal cafetão, pessoalmente, havia invadido com outro homem, seu capanga, e acertou-a impiedosamente. Eros gritou feito doido e, ainda assim, ligou imediatamente para o hospital com as mãos tremendo. Enquanto a ambulância chegava, ele chorava ajoelhado sem tocá-la. A ambulância veio, removeu-a com cuidado. Miya perdeu muito sangue. Ao seguir com ela no hospital, viu um bilhete no chão e pegou. "Não morrerá se for socorrida, mas terá que sair de York Shin. Sei que tem um filho de criação. Vai querer que ele também sofra o mesmo? Ou até pior?"
Por sorte, os médicos e enfermeiros acudiram Eros. Um dos enfermeiros pegou o bilhete da mão dele sem pedir licença e leu.
– Esse garoto precisa de proteção. Poderá ser morto também. – comentou este enfermeiro.
– Diga-me, garoto: como você vive com essa mulher? O que ela é?
E ele contou tudo sobre a vida deles, sem comentar que tinham relações íntimas. Descreveu-a como a querida madrinha que havia colhido ao ser abandonado. E que trabalhava como prostituta e, recentemente, recebia ameaças desse tal cafetão.
– Acho que sei quem é. Vou consultar um amigo próximo meu. Tem um homem que controla os pontos de prostituição de York Shin. – disse o médico-chefe do plantão. E este, amigo de um homem que trabalhava com investigações chamado Don, confirmou de quem se tratava.
Miya tinha Hemofilia tipo A, um problema de coagulação do sangue. Perdeu muito sangue e houve complicações que afetaram órgãos vitais, incluindo o cérebro, fazendo com que deixasse a vida ali mesmo, em cima de uma cama de hospital. Ela sabia disso, mas nunca havia comentado nada com Eros. Ele sabia que ela sempre evitava cortes e era cuidadosa com isso, mas achava que isso fosse apenas em nome da vaidade e da profissão, para sempre parecer perfeitamente saudável. Eros abraçou-a arrasado por cima dela, esticada totalmente sem cor nos lábios.
– MIYAAAAAAA! Por favor, você não pode morrer! Eu te amo... te amo... não me deixa...
Beijou aqueles lábios frios tão intensamente, sem se importar com a presença de alguém por ali. Por sorte, estava sozinho. "Que tudo de ruim aconteça a mim, não a você, Eros!" a frase não saía da cabeça do adolescente, que se encontrava desolado e perdido. Mas teve toda a proteção da equipe médica, que cobriu o enterro. Na parte mais isolada das sepulturas, Miya foi colocada para repousar eternamente. Eros estava acabado de tanto chorar, quase desmaiando diante da sepultura, que apenas tinha escrito o nome e as datas de nascimento e falecimento. A primeira mulher que o criou e que também a amou. Com a proteção da polícia, Eros pode pegar os poucos pertences que tinha dele e dela e foi viver em um reformatório. Foram anos difíceis, além de ter que superar a perda horrível da madrinha, tinha que lidar com menores infratores. Ali, aprendeu também a se defender melhor, ainda apanhando de garotos maiores e mais fortes. Mas quando fizesse dezoito anos, jurou para si mesmo que sairia dali – visto que poderia com essa idade – e tentar a vida novamente lá fora. Durante os três anos que esperou sua maioridade legal, o cafetão e sua gangue havia sido exterminadas por Don e seus homens, não por causa de uma prostituta qualquer; e sim, porque o tal estava simplesmente atrapalhando seus negócios.
Mas Eros aprendeu a se impor diante dos menores infratores. Havia se tornado um garoto maduro. Havia crescido mais. Também, era tratado com menos rigor apenas por ser um órfão de menor e sob as ameaças de um perigoso cafetão bandido. Mas nunca havia sofrido abuso sexual de nenhum tipo. Havia encontrado mais respeito dentro do reformatório que fora dele.
Ao completar dezoito anos, exigiu sua liberdade de sair dali. Foram três anos de total seriedade. Havia congelado seu coração e seus instintos. Perdido em uma cidade que ainda conhecia bem, o rapaz procurava por um lugar para viver. A dor e a saudade de Miya apertaram quando deixou o reformatório. Aos poucos, se tornava mais humano, mais sensível como era antes. E sua primeira tentativa foi o clube privé mais famoso de York Shin.
– Procura trabalho aqui? – disse o secretário, olhando o belo homem com mais de dois metros e de belo corpo, vestindo uma camisa polo branca e calças jeans esfarrapadas.
– Se tiverem alguma coisa para eu fazer, eu faço. Trouxe documentos e exames, tudo necessário – disse a voz grossa e levemente rouca.
– Hum... olhando você assim... não vai precisar de muita coisa, não.
Eros olhou seriamente, o que fez o tal homem mudar o modo de falar.
– Digo, não me parece um homem de mau-caráter, entende? ...e aqui somos bastante seletivos, sabe? Venha, vamos entrar.
Foi apresentado ao chefe, que ofereceu diversos serviços dentro do privé. Eros escolheu de barman. Já estava trabalhando logo naquela semana, ao mesmo tempo em que se empenhava muito em aprender o ofício. Foram seis meses trabalhando assim até que foi se interessando em outras áreas ali. Assistia os strippers e se divertia calado, limpando os copos e preparando bebidas.
Um travesti muito famoso e que gerenciava os strippers já estava de olho em Eros, chegando a conversar com o chefe do clube.
– Mas eu não posso força-lo a nada! E ele é um bom rapaz, deixe-o seguro trabalhando aqui!
– Entendo... – ele abriu o leque, abanando-se – mas vou conversar com ele. Parece ser um bom menino... além de lindoooooo! – alongou a última sílaba do adjetivo com sua voz perfeitamente afeminada.
E esta decidiu sentar-se no bar, para conversar com ele.
– Vem cá... sabia que aqui tem cargos que se ganham mais que esse?
Eros parou de lavar o copo e olhou desconfiado para o travesti que tinha um tique de piscar somente o olho esquerdo seguidamente.
– Por que me olhou assim?
– ...aviso que não aceito propostas indecentes. Estou bem aqui no meu cargo. – Eros se lembrou do velho jornaleiro. Podia sentir até o cheiro do sexo na mão do homem que tentou assediá-lo despudoradamente.
– Não, não vou força-lo a nada que não queira, quem sou eu! – e ele se abanava.
Aos poucos, tornavam-se amigos e então, Eros comentou interesse na carreira de stripper. Não demorou muito em deixar o bar para aprender com os outros belos rapazes a arte de sensualizar em uma dança, apenas para se divertir e aos outros, apenas visualmente. Ele progrediu muito em poucos meses, se tornando o mais notório dançarino do clube em pouco menos de um ano. Ele se divertia mais, esquecia-se do seu passado doloroso. Ficava mais safado, também, porém não saía daquilo.
Nesse tempo, também se tornou amigo confidente do travesti que se chamava ali "Butterfly". Butterfly o levou ao camarim e resolveu revelar seu segredo ali. Ele na verdade era uma mulher igual às outras, mas se disfarçava ali de um homem travesti. Logo Eros entendeu o porquê daquela voz e daquelas curvas muito bem femininas e naturais. Também teve um passado triste, e vivia sozinha e feliz dentro daquele perfil que assumiu. Eros prometeu guardar para sempre aquilo. Aos poucos, estava voltando sua necessidade de sexo. O ambiente que vivia – morando ali provisoriamente também – o inspirava mais. Enquanto estava sozinho em sua cama, lembrou-se de Miya quando ela dizia que se prostituía por próprio prazer. Teve uma consciente ideia sobre isso. Mas era somente uma ideia.
Chegou ter interesse em Butterfly e até confessou isso para ela, sem se importar com que os outros pensassem se o visse namorando uma travesti. Mas surpreendeu-se em ouvir da própria que era lésbica e que já tinha uma relação com uma das meninas strippers ali. Parecia que ele não era para ser de ninguém, só de si mesmo. Foi então que decidiu seguir os mesmos passos de Miya e se sentia feliz por fazer isso. Era como se tivesse ela perto de si. Lembrava-se quando ele se prostituía apenas para ela fazendo-a dar as cartelas daquela tal droga e sumir com todo aquele material. Mas era prudente, e só faria com quem quisesse. Teve sua primeira cliente pouco depois de Butterfly ser demitida por descobrirem que ela namorava uma das garotas ali. Então viu que o chefe proibia namoros entre os trabalhadores do clube.
Sua primeira cliente foi uma mulher que parecia um pouco Miya. Teve a necessidade de oferecer serviço para aquela mulher madura que já o admirava como dançarino. Foi uma noite de adoráveis recordações, mesmo com um outro corpo apenas similar. Parecia que aquilo valia a pena.
Aos poucos, Eros se esquecia do passado, se personalizava mais, se tornava vaidoso, criava seu próprio estilo. Andava sempre encapuzado com sua roupa de couro, geralmente preta. Mas tinha aversão as drogas e ali o trafico rolava solto. Um ano depois, aceitou ser um stripper erótico e sua primeira performance ao vivo com duas lindas e loiras garotas foi uma loucura, tanto para ele como para o público que assistia. Suas clientes eram sempre mulheres. Homens ele fugia sempre. Geralmente, pegava mulheres até mais velhas que Miya quando viva, pois eram as que mais procuravam. Mas ele as selecionava. As que ele não tinha interesse, dava uma desculpa bem convincente qualquer.
E ele foi vivendo assim até os dias de hoje...
– Eros... – pronunciou Naomi, ao ouvir a história dele aparentemente emocionada.
– É... – ele limpou os olhos.
– Eros... não sabia que tinha passado por essas coisas todas.
– Acredita? Você... foi a única que me fez esquecer um pouco da Miya que eu amava como mulher...
– Ah, Eros! – e deixou cair uma lágrima – Sinto-me uma pessoa cruel agora... não queria te fazer gostar de mim assim...
– Qual nada! Foi muito bom eu ter te conhecido! Tendo como amiga, já me alivia mais o coração. Pensei que até me evitaria!
– Ainda assim... não queria te machucar mais... entende?
– Naomi... – e a abraçou novamente. Ambos choraram um pouco, ele ainda mais – vamos um dia fazer uma visita aos nossos entes queridos? Aos seus pais e a minha madrinha?
– Não gosto de cemitérios... ali me trazem lembranças pesadas.
– Também nunca visitei Miya depois de vê-la ser enterrada ali. Isso já são... sete anos. Nossa, sete anos!
– Tem certeza que quer ir lá?
– Ela deve estar zangada comigo espiritualmente... mas não quero ir sozinho, tenho medo de ser puxado pelo tornozelo... e ela tinha uma força na mão que...! – ele tentou brincar, mas querendo encorajar Naomi.
No dia seguinte, além de Naomi levar flores para a tumba unificada dos pais, Eros ficou diante dela... naquela laje tão fria. Ela estava ali sozinha, não estava junto nas outras colunas. O cemitério parecia mais um jardim, estava bem arborizado e não tinha o aspecto nefasto. Eros tirou sua carteira do bolso e mostrou a foto de Miya. Naomi se sentiu mal um pouco.
– Era linda... não merecia morrer assim. – e foi até a tumba dela, ajoelhando-se diante. Aquela história legítima de Eros havia mexido demais com ela. Já com os olhos umedecidos também, Eros foi até ela e se agachou atrás dela.
– Vamos, Naomizinha? Já fizemos nossa visita. – disse ele, acariciando-a no ombro.
Ela, antes de ir, tirou uma flor branca que havia trazido para os pais e colocou em cima de onde Miya repousava. Eros tentou se manter firme, conseguindo. Dali, saíram para beber alguma coisa e andar pelo parque.
– Então é por isso que não quer largar sua profissão? No fundo, além de gostar disso, sente como se seguisse os passos de sua madrinha e grande amor, não é?
– Acho que você entendeu... estou bem assim, divirto-me no meu local de trabalho. Quem sabe um dia... afinal, temos só vinte e dois anos! Temos muita estrada pela frente.
– Posso te dizer algo?
– ...pode.
– Sua história merecia um livro. E deveria colocar também mais de suas experiências como stripper e, por que não, garoto de programa. É triste, mas romântica.
– Heh... você é bem sensível, não?
– Defeito dos escritores. Romantizam as coisas que vê, sente ou ouve pelo que escreve. Deveria você mesmo escrever tudo o que viveu e sentiu.
– Naquele seu livro sobre sequestro, você fala no fim que viveu boa parte daquelas experiências. Isso foi verdade?
– Sim.
– Isso me machucou mais quando eu percebi quem era aquela personagem por trás.
– Mas são só águas passadas, não há com que se preocupar comigo!
– Verdade...
E foram conversando mais um pouquinho até se separarem amistosamente quando cada um foi para seu andar. Para acabar com aquela melancolia, Naomi foi até o seu computador escrever pequenos pensamentos, coisa que fazia desde antes de reencontrar o Hisoka. Após se enjoar de escrever em seu "diário virtual", resolveu navegar despreocupadamente na internet. Viu no seu histórico de pesquisa links sobre Meteor City. A cidade de onde era originário o Genei Ryodan. Em um link que estava relacionado a essa cidade, clicou em uma reportagem que parecia bem antiga. Um incêndio trágico em um circo.
– Ah, chega de tragédias! – Naomi fechou a net e o computador, indo brincar com o gatinho.
