Naomi despertava bem naquela manhã de quase onze horas. Lembrou-se do seu trabalho... mas havia pedido mais uma licença de uns dias. Poderia perder seu emprego, mas não se preocupava tanto com isso. Sua prioridade era estar com Hisoka o máximo que pudesse. Ao lembrar-se da noite anterior, pôs a mão na boca e começou a rir, lembrando-se daquela aposta insana e erótica do ruivo, que não estava ali ao seu lado.

– Hisoka? – ela chamou. Não ouvindo sua resposta, ela se levantou e foi até a cozinha, também queria comer alguma coisa. Aquela suíte era a casa que ela sonhava em morar um dia, com Hisoka. Pena que aquela suíte era apenas por um tempo limitado.

Pegou a primeira coisa que viu sobre a mesa – uma fatia de pão – e foi comendo procurar por Hisoka. Ao aproximar-se de uma das mesinhas de cabeceira, viu uma nota e pegou-a. Ali, Hisoka avisava que voltaria logo. Naomi tranquilizou-se e aproveitou para fazer o almoço com o que tinha na geladeira – e não era poucos alimentos -, sem pedir comida por telefone.

O ruivo foi até o hotel onde costumava ficar a trupe que circenses o qual havia amparado desse que foi encontrado inconsciente na entrada da cidade. Um dos serviçais havia lhe informado que a trupe se desfez e que cada um havia seguido seu caminho.

– E... por acaso chegou a conhecer uma garota que andava no grupo?

– Olha... sim, havia uma menina, eu me lembro bem...

– E então? Sabe o paradeiro desta?

– Sei de nada... como havia lhe dito antes, todos seguiram um caminho diferente e não se falaram mais na caravana do Monitorio. Dizem que ele foi morto...

"Sim. Eu o matei.", pensou Hisoka.

– É uma pena, não é? Obrigado pela informação, até mais!

Andava pela cidade sozinho, como sempre fez quando vivia ali e não tinha nenhuma tarefa no grupo. Ao se lembrar de Abaki, a tal garota que tinha mais ou menos sua idade, Hisoka sentiu-se um pouco aliviado da angústia da madrugada anterior. Parece que aquele encontro com o seu passado seria uma mistura de sensações, boas e ruins. Mas procurava por Abaki sem querer se revelar para ela. Seu último encontro com ela, antes de fugir daquela cidade... tinha sido único e especial. Mas algo que deveria ser breve, antes que descobrissem que ele havia matado o líder da caravana. A primeira vez com uma mulher... com aquela que ainda era menina, tão menina e inexperiente como ele.

Mas andando pela praça principal que Hisoka teve uma surpresa. Encostada a uma árvore, uma mulher de estatura mediana estava observando. Ele pressentiu o olhar para ele e virou-se para quem estava olhando. Caminhou até esta pessoa e não pode evitar um sorriso nos lábios.

– É incrível... quando justo...

– Estava me procurando... Hisoka? – a mulher de cabelos curtos e castanhos o observava imóvel, sorrindo também – minhas previsões jamais se enganam.

– Previsões?

– Sim. Sou uma vidente de Nen. Aprimorei muito minhas habilidades e sempre tive um pouco de sensibilidade espiritual.

– Abaki... – ele ficou de frente a frente com a mulher cheia de piercings e de tatuagem de hena pelas mãos e braços.

– Hisoka...

– Curioso... as pessoas sempre mudam quando envelhecem, mesmo que seja um pouquinho... mas você está totalmente idêntica aquela menina de ontem! – ele se encostou à árvore, ao lado dela.

Abaki olhou-o de lado, de forma amistosa.

– Fui guiada pelo destino até aqui... vi você em meus sonhos. Pessoas que não vejo há anos e que aparecem em meus sonhos, eu volto a vê-las, sejam vivas ou mortas. Fiquei preocupada quando acordei... mas que bom que está bem!

– E aqui era um dos lugares em que costumávamos conversar, lembra?

– Sim. – olhou-o de cima para baixo – você cresceu muito bem... e como sempre, com um péssimo jeito em se vestir!

– Não é péssima minha forma de vestir... só apenas não faz seu tipo.

– ...quer saber o que houve com cada um de nós nesse período todo?

– Quero sim.

– Moritonio foi assassinado misteriosamente. Com isso, cada um de nós seguimos caminhos diferentes. Lembra do Yasuda?

– Humm... quem era ele mesmo?

– Aquele que tinha uma inveja de você... você até substituiu ele em uma apresentação, com os malabares...

– Ah... acho q sei quem é? – o ruivo coçou a cabeça.

– Então... ele voltou e tentou reunir a caravana, mas com a condição que ele fosse o líder que nem Moritonio.

– E vocês aceitaram?

– Sim, e ele foi nosso líder temporariamente. Mas ele tinha problemas psíquicos e acabou cometendo suicídio, com isso terminando definitivamente nosso grupo. Ficamos abalados com tudo isso. Cresci me virando como vidente consultada por muitas pessoas, inclusive as mais ricas.

– Por fim, você está bem! Isso me deixa feliz

– E... o que faz por aqui? Que tem feito nesses anos todos?

– Longa história se quiser saber de tudo... mas posso te falar agora o porquê da minha presença por estas bandas...

– Caçando mulheres?

Hisoka riu.

– Na verdade não precisei caçar mulheres... para ter uma.

Abaki inclinou a cabeça de lado, como se estivesse confusa.

– O que quer dizer com isso?

– Eu atualmente tenho uma comigo... e eu gosto muito dela.

– ...entendi. – fechou os olhos, encostando a cabeça no tronco da árvore.

– ...ficou chateada?

– Com o quê? – respondeu nessa mesma posição em que estava.

– Em saber que tenho uma mulher.

– Não, e fico feliz em vê-lo feliz com uma. – e voltou a olhar para Hisoka – Espero que esta lhe ponha um jeito.

Ambos riram por segundos.

– Não ficarei muito tempo por aqui, Abaki... vim aqui para apresentar um lugar muito importante para mim à ela.

– E ela está gostando?

– Está sim.

– ...será que um dia, posso conhece-la?

– Por que não? – concordou o ruivo.

Abaki tirou um cartão de dentro do decote e deu para ele.

– Quando quiser algum contato... só ligar.

– Tudo bem.

Abaki desencostou do tronco e foi andando, sem se despedir dele. Ele a viu desaparecer por entre as árvores da praça. Olhando o cartão, aproximou-o ao nariz e cheirou longamente. "Até seu cheiro... não mudou.", ele pensou.

Hisoka voltou para o hotel. Já sentia falta do cheiro de sua amada.

...

– Ah, Eros! É assim mesmo! – Naomi digitava no computador, conversando com Eros pelo chat.

– Esse seu gatinho é bem espevitado! Mas eu estou gostando de cria-lo temporariamente.

– Viu só? Os bichos completam nossas vidas! Sem o Kurozinho, acho que não teria suportado tanta coisa sozinha... e ele está comendo direitinho?

– Come bem, até... pensei que ele fosse ruim disso. – disse Eros, digitando com certa dificuldade, pois Kuro andava sobre o teclado aparentemente querendo atenção.

– Estou com saudade dele...

– E de mim? – questionou o stripper.

– ...também, claro! – digitou Naomi, sorrindo.

– Cheguei, Naomizinha! – Hisoka avisou em voz alta, entrando na suíte.

– Eros, depois conversamos, vou almoçar aqui.

– Até mais, e com mais notícias do Kuro. – despediu-se Eros e foi até Hisoka.

– Que cheiro de comida cozida... – Hisoka fungava o ar.

– Eu fiz o almoço!

– ...você?

– Ué, que cara é essa? Eu sei cozinhar... bom, estou aprendendo aos poucos.

Ele sorriu.

– Bom, vamos comer... mais tarde vamos continuar a explorar essa cidade!

Após o almoço, ambos descansavam no sofá vendo televisão. Em seu silêncio, Naomi estava com a curiosidade lhe incomodando. Queria saber sobre esses primeiros onze anos da vida de Hisoka. Os anos em que ele vivia em um outro lugar sem ser Glam Gas Land.

Na enorme TV de plasma do hotel, apareceu um mágico apresentando truques de ilusionismo. Hisoka assistia tranquilamente. Foi aí que Naomi começou suas investigações disfarçadas de simples curiosidade.

– ...como foi que aprendeu a arte do ilusionismo?

Ele olhou-a com o canto dos olhos.

– Por que pergunta isso? Poderia saber?

– ... eu quero aprender sua mágica.

– Humm... – ele arqueou uma das sobrancelhas – sério mesmo?

– Sim. Desde que desenvolvi essa habilidade de invisibilidade, tudo envolvendo mistério e mágica começou a me encantar.

– Lembro que me disse uma vez que se inspirou em uma travessura quando aprimorou seu poder.

– Sim, exato! Quando eu brincava de me esconder na infância.

– ...eu tenho essa arte nas minhas veias. – disse, olhando para a TV.

Um ponto interessante. Será que ele começaria a falar de suas origens? Seus pais?

– Ah... então você já tem esse dom. Para mim, seria mais difícil de aprender. – Naomi jogou essa desculpa, deixando o ruivo livre para falar o que quisesse.

– Nada... não é uma questão de dom... disse apenas isso por... bem, eu não nasci sabendo truques, tudo eu vi, curti e aprendi.

– E então por que disse que tem essa arte nas veias? – resolveu arriscar e ir direto ao ponto.

– Porque minha mãe era uma ilusionista. Muito habilidosa também, não era uma simples amadora.

"Ah... fale mais dela... e seu pai, também era?" torcia Naomi, em seu interior.

– Ah, sim... interessante. Você aprendeu com ela, então... e eu posso aprender com você! – disse a moça, animadamente. Sempre despistando sua verdadeira curiosidade simulando mais interesse sobre a habilidade dele que no passado dele.

– Quer saber mais sobre minha mãe? – ele olhou direto nos olhos dela, como se já tivesse entendido a finalidade daquela conversa puxada pela morena.

– ...se estiver à vontade para falar...

O ruivo se esticou no sofá, alongando as pernas sobre a mesinha à frente. Pôs as mãos para trás e, olhando para o teto, começou a falar.

– Minha mãe era uma artista circense... meu pai era apenas um andarilho que resolveu viver com ela depois de anos de conflitos pessoais com ela. Mas eu me dava bem com os dois... tinha amigos ali, também artistas que nem minha mãe, que eram como se fossem meus parentes. Todos viviam bem... até que o destino resolveu separarmos todos de uma forma muito rápida.

"Será que havia perdido os pais? Brigado com eles? Ele fugiu desse circo quando criança? Onde é que eles viviam? Como Hisoka havia crescido nesse meio?", Naomi tinha tantas perguntas em mente, mas cautelosamente só falava quando tinha muita segurança no que perguntaria.

– Onde era esse circo? Ainda existe?

Ele fechou os olhos. Aquilo começava a incomodar por dentro, mas não queria assustar Naomi com qualquer reação de incômodo.

– Não existe mais... nada mais daquele mundo existe nessa vida.

Naomi sentiu uma seriedade na voz do outro e resolveu não perguntar mais nada sobre. Tinha suas suspeitas.

– Entendo... mas, deixa para lá. E então? Vai ser mais uma vez meu mestre?

Hisoka olhou para sua pequena e deu uns leves tapas na coxa dela.

– É lógico que aceito... mas lembre-se: sendo uma mágica ilusionista, terá que fazer uns juramentos para mim antes que eu possa confiar os segredos dessa arte milenar.

– O que me pedir... eu faço!

Após o descanso do almoço, resolveram passear pela cidade mais uma vez. E como fariam sempre até a hora de voltarem para York Shin.

– Hisoka... um dia podemos pisar em Meteor City?

– Quer conhecer lá também?

– Quero conhecer o mundo todo, se puder!

– Tenho muitas curiosidades sobre esse lugar... apesar de trazer a lembrança daquele grupo. – disse Naomi, referindo-se ao Genei Ryodan.

– Se isso te incomodar, não precisa fazer esses momentos voltarem do passado.

– Nada me incomoda mais, Hisoka. – pegou na mão dele – Você me ajudou a superar tudo!

– ... acredito que não fui o único. – disse ele, olhando para a mãozinha dela segurando na mão bem maior dele.

– Sim, você foi a chave de tudo. – confirmou Naomi.

Ao chegarem-no hotel, Hisoka foi tomar uma ducha, enquanto Naomi foi checar mensagens virtuais. Aproveitou e começou as suas pesquisas aleatórias pela internet. Já sabia muitas coisas também de Glam Gas Land por causa dessas pesquisas. Queria descobrir algo que levasse ao passado oculto de Hisoka. Para ela, ele era dali mesmo, mas havia sofrido alguma coisa que o fez ser amparado por outra caravana de circenses. Mas nenhuma pesquisa era efetiva. Ao mencionar que queria conhecer Meteor City, notou que ele havia feito uma cara de indiferente, como se não aprovasse muito aquilo. Talvez fosse porque queria evitar qualquer contato com Ryodan. Eles sabiam que Kuroro estava por aí, vivo.

Debaixo de uma ducha gelada – coisa que ele não costumava fazer era tomar ducha nessa temperatura – Hisoka procurava se acalmar. Era como se o espírito dele estivesse inquieto, sem saber o que fazer diante daquelas sensações que não sentia mais há dezessete anos.

Às vezes, sentia a necessidade de desabafar aquilo tudo com alguém, mas seu interior não permitia se abrir com qualquer um facilmente. Não que tivesse algum tipo de vergonha do que passou, e sim dor em relembrar tudo aquilo. A única pessoa que sabia o que houve consigo foi Moritonio, que guardou secretamente seu passado misterioso. Foi aquele homem de dupla personalidade que queria mata-lo e protegê-lo ao mesmo tempo, quando ele era um garoto.

Tinha receio em envolver Naomi e sentir a mesma necessidade que teve quando lutou com Moritonio: mata-lo. Hisoka não havia matado simplesmente por defesa própria; ele queria acabar com ele porque era o único que sabia como "abrir suas feridas". Tinha receio que Naomi soubesse reabrir essas feridas de forma que fosse nociva para ele. Ele sabia que Naomi queria arrancar informações sobre esses primeiros onze anos de vida de forma até descontraída, como se não estivesse dando muita importância. Mas em seu interior... sabia que Naomi não era como Moritonio e nem mesmo como Abaki, e mesmo assim tinha suas incertezas.

Em alguns momentos, preferia a Naomi que havia conhecido, doce, discreta e meiga. A que estava com ele atualmente parecia ser curiosa e confiante demais. Poderia se tornar perigosa para ele um dia. Havia se decepcionado com certas pessoas assim em sua vida. Tinha medo que ela se tornasse mais uma. E justamente ela... a qual havia lhe despertado não só uma atração insana, mas uma paixão intensa.

Ao terminar sua ducha, foi até sua cama, onde alguém já o esperava. Mas não estava com muito humor para entretê-la em mais uma noite. Ao sentar em sua cama, deitou-se diretamente, sem dar uma "boa noite" para ela. Mas ela já estava dormindo – o que percebeu quando se deitou -, por sorte.

...

Em seu trailer toda adornado em estilo cigano, Abaki lia suas cartas esotéricas de Nen. Via alguém que foi próximo a ela no passado cada vez mais perto de si e angustiado.

– Hisoka... o que é que te incomoda tanto assim?

Foi então que deixou as cartas ali e foi até embaixo da sua fina cama de solteiro e pegou um baú. Abriu e começou a olhar aquelas cartas de papel tom bege-rosado, bem antigas.

– Acho que está na hora de te devolver isso... mas como se conectar com você?

Então, passou dois dias que rondou aquela praça, achando que Hisoka poderia passar por ali. Mas foi no terceiro dia que o reencontrou, ao lado de uma garota mais ou menos de sua altura (sendo um pouco menor). Imediatamente foi ao encontro dele. Naomi e Hisoka olharam para Abaki, que se aproximava com um embrulho nas mãos.

– Hisoka... bom reencontrá-lo!

"Reencontrá-lo? Quem é essa?" perguntou Naomi para si mesma.

– Eu preciso te devolver uma coisa... toma. – ela deu o embrulho, sendo pego por ele.

– O que é isso?

– É algo seu que deixou comigo antes de ir embora.

Naomi observava tudo desconfiada. Então, aquela mulher o conhecia...

– Vocês se conhecem? – ela atreveu-se em perguntar, sem nenhuma alteração visível.

– Ah, Abaki! Essa é a Naomi, a garota que te falei. Nós já estamos juntos há uns anos.

– Muito prazer, Srta. Naomi! – Abaki estendeu a mão. Depois de um breve segundo de hesitação, Naomi correspondeu à saudação apertando sua mão.

– Igualmente, Srta... qual seu nome mesmo?

– Abaki.

– Srta. Abaki! Isso.

– Ela foi uma amiga dos tempos antigos, quando tínhamos aquela caravana.

– Ele me falou de você. E que bom que eu possa conhecê-la! – disse a mulher de cabelos curtos – bem, eu vou indo. Só precisava entregar isso a você, estava ocupando muito espaço onde eu moro. Até mais!

– Ei, espera! – pediu Naomi.

– Hum? – Abaki se virou para trás.

– Por que não passa um tempo com a gente? Gostaria de conhecê-la melhor.

Abaki curvou os lábios pintados de vermelho em um sorriso. Analisou brevemente a aura de Naomi. Não viu nela uma pessoa que representasse algum tipo de ameaça.

– Eu sinto... mas se quiser algum contato... toma. – ela estendeu um cartão com um número, mas aquele era um cartão de propaganda do seu trabalho. Diferente do cartão que deu para o Hisoka.

– Mas eu já tenho aquele. – disse o ruivo.

– Tanto faz, tenha mais um, para caso perder o outro. Até mais!

E Abaki deu as costas mesmo.

– Vocês... já se viram antes aqui, não é?

– ...sim. – resolveu não esconder aquilo.

– Mas eu até queria conhece-la melhor... não tenho ciúmes de nenhuma amiga sua.

– Ela não notou isso... mas deixa... – voltou a olhar aquele embrulho.

– O que será isso? – perguntou Naomi.

– ...algo que foi meu e deixei com ela... o que seria? – Hisoka tentava se lembrar.

...

Ao chegarem ao hotel, Hisoka guardou imediatamente aquele embrulho. Naomi percebeu que ele mantinha aquilo para si – nem abriu ali em frente a ela, como outras coisas que ele costumava fazer com ela ao lado. Mas manteve a discrição. Como se nada tivesse acontecido.

Aquela Abaki... uma bela mulher que parecia uma cigana. Será que ela teria sido uma namorada do seu homem no passado? Ela foi tão rápida ali, sem querer estender conversa. O que tinha naquele pacote? Precisava saber.

Mas não deveria ser conspícua em sua curiosidade. Porém, aquilo atiçava mais a curiosidade entre os dois amigos de juventude que o próprio passado do ruivo. Tinha seu poder de invisibilidade, o que poderia ocultá-la em evitar deixar qualquer suspeita. Estava decidida: ficaria de olho naquela caixa e no que Hisoka poderia esconder ali.

Ainda naquele mesmo dia, enquanto Hisoka estava na sacada, ela avisou que tomaria um banho e até o chamou para ir junto. Ele recusou, dizendo que mais tarde tomaria uma ducha com ela. Ele jamais recusava dessas ofertas assim. Mas foi até o banheiro e ligou a ducha. Mas não entrou. Ativou sua invisibilidade e seguiu Hisoka, que já tinha saído da sacada e estava no sofá, sentado, abrindo o embrulho.

O ruivo fez uma cara de choque ao encontrar aquelas cartas. Aquela Abaki... mas até foi certo o que ela fez. Aquilo nas mãos dele era melhor. Nem se lembrava mais do porquê de ter confiado aquelas cartas para ela. E curiosamente, estavam lacradas. Abaki não as havia aberto. Mas ele, que havia lacrado e confiado aquelas cartas a ela, sabia muito bem o que havia ali.

Naomi espiava Hisoka tranquilamente, isso graças a sua habilidade. Ele se levantou e ela seguiu, vendo que ele guardou no armário que ambos dividiam as pouquíssimas roupas que levaram consigo.

– Naomi! Já estou indo até aí! – gritou Hisoka em direção ao banheiro.

Ela saiu correndo até o banheiro, onde rapidamente ficou nua e entrou na banheira, lá, ela pode ficar em sua maneira normal. Ele entrou.

– Mudei de ideia... acho que vou tomar um banho com você agora.

– Melhor ainda! – disse ela, sorrindo maliciosa.

Agora era hora deles se distraírem. Tempo o suficiente para a morena elaborar como desvendar os mistérios daquelas cartas.