Capítulo 14: Encontros e desencontros

Mary corria por uma das ruas movimentadas de Singapura. Começava a ter medo de ter fugido. Aquela cidade estava cheia de gente esquisita que a olhavam com curiosidade. Umas mulheres tentaram agarrá-la mas esta foi mais rápida. Não queria chorar. Queria ser corajosa como o seu pai e a sua mãe. Como todos dentro do Pearl. Foi ter a uma rua escura, onde não se via viva alma, tendo apenas a iluminação de candeeiros de papel vermelho. Escondeu-se atrás de uns caixotes. Talvez se espera-se, alguém da tripulação a acha-se. Era como jogar às escondidas. Ouviu barulho. Encolheu-se ainda mais começando a tremer.

Viu uma sombra negra no chão e sentiu os seus olhos marejarem. O caixote que a escondia foi levantado e Mary deixou escapar um grito, surpreendendo o homem rude que pegara na caixa. Mary não percebeu o que este queria dizer. Falava numa língua esquisita e de repente falou mais alto. Uma mulher aproximou-se olhando Mary de perto. Era horrorosa. Pequena, com o cabelo grisalho em desalinho e quase sem dentes nenhuns. Falou qualquer coisa com o homem e sorriu diabólicamente. Mary só queria a sua mãe ali.

Tentou fugir mas o homem agarrou-a pelo ombro, erguendo o corpo franzino.

- Largue-me! – Mary tentou bater em vão, choramingando cada vez mais alto. A mulher agarrou na sua face e analisou-a como se fosse um simples objecto.

Numa distração do homem, Mary mordeu a mão deste sentindo-se livre. Correu em direcção ao final da rua, enquanto a mulher se punha aos gritos e o homem a perseguia. Quando chegou a um local movimentado pegou uma das maçãs que estavam numa banca e atirou-a contra o homem, para desespero do vendedor.

O sujeito acabou se irritando e sacou de uma faca para horror de Mary. Olhou as pessoas na rua e o vendedor. Todos se afastaram. Era impossível que ninguém a ajuda-se. No entanto, numa fracção de segundos, Mary viu algo a voar na direcção do homem mau, acertando-lhe no pescoço e fazendo este se estatelar no chão. Horrorizada recuou um passo começando a soluçar violentamente.

Sentiu que alguém a tinha agarrado pela cintura e elevado do chão. Ao afastar-se, viu a multidão aglomerar-se junto ao homem. Alguém a levava. Mary sorriu ao pensar que se tratava de alguém conhecido, mas deparou-se com um homem jovem que nunca vira na vida. O medo apoderou-se de si. Ele ia raptá-la.

- Solte-me! – Mary estrebuchou.

- Calma, agora você está segura! – o homem falou.

Mary tentou se soltar mas o homem era forte e bastante alto.

- A minha mãe diz para eu não falar com desconhecidos. – Mary disse. O homem parou subitamente, posando-a no chão. Agachou-se ficando cara a cara com o desconhecido.

- A sua mãe era aquela mulher que estava aos gritos? – o homem perguntou.

- Não. A minha mãe é a mulher mais linda do mundo. – Mary disse. – E muito valente.

- Acredito. – o homem sorriu. Tinha um sorriso simpático, o que relachou Mary. – Mas uma menina assim tão pequena não deve andar por estas ruas sozinha.

- Eu sei me cuidar. – Mary disse.

- Também acredito. – o homem sorriu ainda mais. – Mas agora deves ir para casa. Onde moras?

- Num navio. – Mary disse com naturalidade, fazendo o homem franzir o sobrolho.

- A sério? Então deve estar no porto. O meu navio também está lá. – o homem disse. – Vou levar-te até à tua mãe.

- Não me vai raptar? – Mary perguntou desconfiada.

- Claro que não. Ao contrário do homem que corria atrás de ti. – avisou. – Já agora, a princesinha tem nome?

Mary ficou calada. Não sabia se era seguro dizer o seu nome verdadeiro. Essa era uma das primeiras lições de pirataria que se aprendia.

- Mary... – disse a medo.

- Bonito nome! – o homem esticou a mão. – Chamo-me Thomas e estou ao serviço de sua senhoria. – disse em jeito de brincadeira arrancando um sorriso tímido a Mary.


- ASSIM NÃO DÁ! – Alicia berrou. Andavam à mais de meia hora pelas mesmas ruas tentando encontrar Mary. Cada um puxava à sua sardinha. Uns diziam que tinha ido para a direita, outros para a esquerda. – O melhor é organizar dois grupos. Será mais fácil achar a Mary.

- A Alicia tem razão. Singapura é uma autêntica bifurcação de ruas e portas abertas. – Barbossa disse.

- Sendo assim eu, o Barbossa, o Cotton e VOCÊ... – Alicia puxou Norrington pelo casaco quando este se esquivava. - ... vamos percorrer a zona periférica.

- Eu? Mas eu não tive nada a ver com o assunto! – Norrington exclamou. – A pirralha sumiu porque quis!

- Volte a chamar a minha filha disso, seu camelo da Marinha Rea... – Jack quase avançou para cima do ex-Comodoro, se Lara não o tivesse segurado.

- Com estas confusões não vamos a lado nenhum e a Mary pode estar correndo perigo. – Darius disse.

- Tem razão. – Lara apoiou. – Eu, o Jack, o Darius e o Gibbs vamos pelo interior.

- Ele? – Jack perguntou esticando o dedo na direcção de Darius com olhar escandalizado.

- Jack não é hora para birras. A nossa filha fugiu e ele já foi muito útil, lembras-te? – Lara cerrou os dentes, deixando Jack amuado. – O primeiro que a achar vai ter ao Pearl.

Os grupos separaram-se, desaparecendo facilmente nas ruas agitadas.

- Que falta faz aqui o Will! – Alicia lamentou-se entre dentes.

- Nunca vi marido mais ausente.- Norrington falou com ar importante.

- Ouça lá seu banana, você está dizendo mal do meu marido maravilhoso? – Alicia perguntou bufando.

- Não. Apenas digo que ele é bastante ausente. Não sei como aguenta. – James disse. - E seja a última vez que me chame banana.

- O meu marido é ausente porque carrega um fardo que não recomendo a ninguém. E você é um banana sim. Afinal deixou escapar a noiva por entre os dedos. – Alicia disse.

- Como? – James parou subitamente olhando para Alicia com ar incrédulo.

- O quê? – esta perguntou sem perceber.

- Você disse que eu tinha uma noiva. – James disse.

- Eu... não... ah eu não disse que tinha uma noiva. Quis dizer que com esse seu jeito, uma noiva fugiria de si a sete pés. – Alicia andou rapidamente até alcançar Barbossa.

- Você é insuportável e irritante! – James exclamou.

- O mesmo de si. – Alicia disse. – Seu desmemoriado! – exclamou baixo e sorrindo disfarçadamente.


Mary sentiu uma ansiedade crescente quando chegou à zona do porto. Ao colo de Thomas rodou a cabeça em todas as direcções tentando achar o Black Pearl.

- Consegues ver o navio em que viajas? – Thomas perguntou.

- O navio é meu. – Mary disse.

- Oh como queira capitã Mary! – Thomas exclamou.

- Quem é essa garota? – a pergunta fez Mary olhar para uma mulher que se tinha colocado ao lado de Thomas.

- Eu salvei-a de ser raptada por essa máfia de malfeitores que aí anda. – Thomas explicou. – Chama-se Mary e diz que mora com a mãe num navio.

- Será alguma viajante? – a mulher perguntou. Os cabelos loiros desta contrastavam com a pele tostada do sol. Era uma mulher bastante bonita. – Olá querida! Em qual navio tu e a tua mãe viajam?

- No navio do meu pai. – Mary respondeu.

- Oh, o teu pai é capitão? – a mulher perguntou.

- Sim. Ele e o vô emprestado. – Mary disse.

- Avô emprestado? – a mulher franziu o sobrolho. – Podes chegar aqui, Thomas?

Thomas deixou Mary sentada encima de um dos pilares do cais.

- Donde apareceu essa miúda? – a mulher questionou.

- Eu sei lá! Ela estava a ser perseguida, salvei-a e prometi que iria levá-la à mãe. – Thomas explicou. – Porque é que está desconfiada?

- Não sei. Ela não me é estranha. Parece que já vi aqueles olhos em qualquer sítio. – a mulher disse, olhando Mary de soslaio.

- Agora que falas, tens razão. Ela disse que a mãe era muito bonita. – Thomas disse.

- Todas as mães são bonitas, Thomas! – a mulher exclamou. – Eu olho para ela e faz-me lembrar alguém.

- Espero que não aches que é minha filha! – Thomas brincou.

- Ai de ti! – a mulher deu um murro no ombro deste.

- Sabes que só tenho olhos para ti, Elizabeth. – Thomas acariciou os cabelos desta.

- MARY! – o berro fez com que o casal virasse as cabeças repentinamente. Uma mulher veio de braços a correr, abraçando a menina.

- Parece que a mãe andava louca à procura dela! – Thomas exclamou. – A sua filha andava perdida por aí. Trouxe-a para aqui porque corria perigo.

- Obrigado, mas ela não é minha... – Alicia colocou Mary no chão ao mesmo tempo que ficava em choque dando de trombas com... -... Thomas?

- Alicia? – Thomas arregalou os olhos ao ver a velha conhecida à sua frente. – Alicia Grant?

- Errado! Alicia Grant Turner! – Alicia sorriu abertamente. – Quem diria. Thomas Cole em Singapura com... – Alicia desviou os olhos para Elizabeth. - ... Lizzie!

- Olá Alicia. – Elizabeth sorriu meio encabulada. – Já vi que tens uma filha! Tu e o... Will. – uma nuvem negra passou pelos olhos desta.

- Oh não. A Mary Rose não é minha filha. Eu e o Will ainda não conseguimos... – Alicia sentiu uma ansiedade no peito. - ... deixa para lá. A Mary é filha da Lara e do Jack.

- Lara? A Lara Stevens? – Thomas perguntou.

- O Jack Sparrow? – Elizabeth abriu a boca.

- Mas vocês ficaram parvos? Só há uma Lara e um Jack. – Alicia sorriu. – E já se esqueceram que a Lara estava grávida?

- Não. Mas é que é tão estranho ver uma filha do Jack. - Elizabeth olhou Mary que tinha corrido até Cotton. – Vendo bem ela é a cara do Jack.

- Não exageres. Agora compreendo o porquê de dizer que a mãe era linda. – Thomas disse e quase foi fulminado por Lizzie.

- Ainda não me disseram o que fazem aqui em Singapura. Mudaram-se para cá? – Alicia perguntou.

- Não. Estamos de passagem. – Elizabeth disse.

- Compramos um navio há um ano. Arrumamos uma tripulação pequena e a Lizzie é a capitã. – Thomas sorriu.

- Nossa, depois de rainha passas-te a capitã! – Alicia exclamou, até que um assombro de curiosidade passou por si. – E vocês? Já casaram?

Thomas e Elizabeth engasgaram-se e começaram-se a rir.

- Nós estamos juntos mas gostamos de ser livres como pássaros. – Elizabeth passou o braço por cima do ombro de Thomas enquanto este envolvia a sua cintura. – E quem é vivo sempre aparece! – Elizabeth exclamou ao ver Barbossa se aproximar. – Como vai Capitão Barbossa?

- Miss Swann. – Barbossa fez uma vénia.

- E quem é o homem que está com vocês além do Cotton? Não o conheço. – Elizabeth disse, olhando o homem que se encontrava de costas.

- Um tótó que entrou dentro do navio! – Mary exclamou, botando a língua de fora para este.

- Olhe aqui sua diaba... – Norrington virou-se mas antes de poder fazer algo os seus olhos prenderam-se em Elizabeth.

Elizabeth fixou Norrington e ficou branca como a cal. Sentiu-se desfalecer, sendo amparada por Thomas.

- James? – disse entre lágrimas.

Este aproximou-se de Lizzie tocando o rosto desta com a mão e deixando Thomas sem perceber nada.

- Eli...zabeth? – perguntou, sentindo um turbilhão de memórias assolar a sua mente.

- James... – Elizabeth abraçou este com toda a força. - ... estás vivo!


Jack, Lara, Gibbs e Darius andavam às voltas pelas ruas estreitas.

- Começo a ficar preocupada, Jack. – Lara disse. – Isto é enorme, cheio de recantos e de gente duvidosa. O que é que deu na cabeça daquela rapariga?

- Love, há sempre uma fase em que cometemos loucuras. – Jack disse.

- Pois, mas não é aos cinco anos. – Lara disse, cruzando os braços e sentindo uma aflição cada vez maior.

- Passa-se algo ali à frente, Jack. – Gibbs apontou para o amontoado de gente que rodeava algo.

- É melhor ver o que é. – Jack disse, dando um passo em frente, mas rodando em seguida travando o passo de Lara. – É melhor ficares aqui. Eu e o Gibbs vamos lá ver.

- Jack, mas pode ser algo relaccionado com a minha filha! – Lara exclamou.

- Nossa filha, love. Por isso mesmo. – Jack disse colocando as mãos em sinal de compreensão. Lara encostou-se a uma das casas. - Estou de olho. – Jack sussurrou para Darius, fazendo Lara revirar os olhos. Quando é que ele iria aprender que ela só tinha um único amor no coração: Jack Sparrow e mais ninguém.

Quando Lara viu Jack e Gibbs desaparecerem na multidão, suspirou e encostou a cabeça à parede, olhando o céu.

- Tem filhos? – Lara perguntou a Darius.

- Não. – Este baixou a cabeça.

- Porque não quer ou porque nunca se importou em saber se tinha por aí algum espalhado?

- Por nenhuma das duas. – Darius disse, olhando para si.

- Homens do mar têm sempre amores por aí espalhados. É normal que tenha algum descendente e nem sequer saiba. – Lara disse, olhando para este.

- Eu não sou desses. Para mim só o amor de uma mulher importa. – Darius disse, olhando Lara com tal intensidade que esta desviou os olhos.

- E nunca pensou ter filhos com a mulher que ama?

- Ela morreu antes de haver tempo para qualquer coisa. – Darius voltou a baixar a cabeça.

- Oh desculpe. Eu não sabia. – Lara tentou se desculpar. – Melhor mudarmos de assunto.

Lara ficou um tempo sem falar, fechando os olhos e tentando pensar no que fazer para encontrar a sua filha. Sentiu algo passar pelos seus pés e abriu os olhos. Uma ratazana enorme estava mesmo encima da sua bota. Lara não tinha medo de ratos, mas o mesmo não se passava em relação a ratazanas gordas e raivosas. Saltou com tamanha pressa que acabou nos braços de Darius.

- O que foi? – Darius perguntou.

- Uma ratazana... – Lara disse mas os seus olhos captaram os de Darius.

Foi como se a sua mente se ausentasse dando lugar a outra pessoa. Estavam tão próximos que mais um passo ligaria as suas bocas. Lara acabou por suster a respiração e tudo ficou turbo.

Continua...


Oi Leitoras e Leitores! Até que enfim tive tempo para escrever um novo capítulo. Com os exames da faculdade fiquei sem espaço e sem inspiração. Agora que acabaram mando este capítulo que escrevi. E por favor não me matem! Porque digo isto? Porque sei que as fãs do Jack não vão gostara da última parte. Mas também sei que as apoiantes do Darius vão gostar...

Dupla Marota: Oi Dêh! Obrigada pelo seu comentário sempre lindo! Mary é safada mesmo. Mas como você mesma disse, quem sai aos seus...:P A Lara é teimosa que nem uma mula como se diz aqui em Portugal. Todo o mundo a avisando e ela... enfim. Mas será que o Darius é tão mau assim...? Obrigada de novo! Bjs!:D

Olg'Austen: Oi Olga! Obrigada pelo seu comentário sempre fiel e lindo! *.* Darius é bem misterioso. Marcas nas costas, percebe de embarcações (factor irrelevante), enfim... Pode deixar que o Norrie e o Darius não estam tão abandonados assim! Não sei como hei-de de dar a volta a isto. Eu tinha escrito no princípio que o Darius era moreno de cabelos e olhos escuros e agora você me deu a volta e acabei achando o Ewan perfeito para o papel :va: Obrigada e ainda não morreu minha esperança de ler novas aventuras da Penny em Maus Costumes. Bjs!:D

Espero que gostem! Saudações Piratas! :D

JODIVISE