Capítulo 24: Explorando o terreno

Um vento forte embalava os dois navios fundeados ao largo da grande ilha. Um deles, de madeira negra e velas recolhidas, colocava um bote na água. No outro, decorado de um cinzento esverdeado, reinava o silêncio.

- Como é que acha que está a menina Alicia? – Grace perguntou a medo, enquanto Lara fixava o Holandês.

- Uma leoa. – Lara disse secamente. – Mas ela tem de aprender que é para o próprio bem.

- Não achas que estás a exagerar? – Jack perguntou.

- Claro que não! O Will concordou comigo e é o único que a pode convencer. – Lara cruzou os braços.

- Pois eu não acho. – Elizabeth ripostou. – Da maneira que o Will é protector e a Alicia independente, eles vão acabar por brigar e não vai adiantar nada.

A troca de ideias foi silenciada por um grito de raiva vindo do Holandês.

- Eu avisei! – Elizabeth exclamou.


No Holandês Voador…

- Não, não e não! – Alicia exclamou em desespero de causa.

- Alicia… - Will obrigou esta a sentar na beira da cama e secou-lhe as lágrimas. – Compreende uma coisa. Ninguém sabe que perigos esconde esse tesouro. Além do mais os avisos do Hermes e da Serena não auguram nada de bom. Nesse estado tu não podes…

- WILL GRAVIDEZ NÃO É DOENÇA! – Alicia berrou. – E eu sinto-me óptima.

- Mas isso não quer dizer que… - Will tentou argumentar.

- A Lara correu perigo de vida e no entanto deu à luz uma criança saudável. – Alicia protestou. – Daqui a pouco vocês vão-me colocar na Corte alegando que não posso navegar grávida. Isso é ridículo!

- Não se trata disso. – Will disse. – Ninguém te iria levar para lado nenhum. Poderias ficar no Pearl com a companhia da Grace e até minha. Eu ficaria no Pearl até de dia se for preciso.

- Não obrigada. – Alicia bateu o pé e não mudou a expressão. – Mais do que a vontade que tenho de encontrar esse tesouro está o papel que tenho. Eu jurei proteger a Mary e o nosso filho.

- E não há melhor forma de protegeres o nosso filho do que ficares fora disso. – Will disse.

- E a Mary?

- Ela tem o Jack e a Lara. Nada lhe irá acontecer com os pais por perto. – Will disse e Alicia cerrou os dentes.

- Tu não entendes? – Alicia começou a chorar copiosamente. – Eu tenho de proteger a Mary porque…

Alicia não continuou e deixou-se cair na cama, preocupando Will.

- Eu não quero pressionar-te, mas há algo que te preocupa, certo? – Will abraçou Alicia e esta acalmou.

- A Serena… - Alicia limpou as lágrimas. - … ela disse que algo iria acontecer à Lara e ao Jack.

Ambos se olharam nos olhos e Alicia desabou nos braços de Will. Não a queria deixar ir. Não a queria perder, mesmo sabendo que estaria com os melhores piratas do mundo. Mas por outro lado, e essa seria a sina de Will Turner, tanto Alicia como Elizabeth eram duas mulheres fortes, que não viravam costas aos problemas e principalmente aos seus sonhos. Vendo Alicia chorar nos seus braços, teve a certeza de duas coisas: que a mulher que amava estava com tanto medo ou mais do que ele próprio e que esta era mais corajosa do que alguma vez este fora.

- Eu mandarei alguns homens da minha tripulação com vocês. – Will disse e Alicia fitou-o confusa. – Não posso ir a terra mas eles podem. Se houver algo ruim vão precisar de bons marujos.

- Oh Will. – Alicia abraçou-o com toda a força que tinha, aquecendo um coração que estava distante e perto ao mesmo tempo. – Isso quer dizer que…

- Eu não vou dizer que aprovo. Nunca gostei desta aventura em que se meteram e agora que estás grávida muito menos. – Will disse. – Mas sei que não te posso impedir. Sou teu marido não teu dono.

- És o melhor marido do mundo. – Alicia riu abertamente e Will sentiu-se desarmado quando esta o beijou.


No Black Pearl…

-Então? – Lara correu quando viu Alicia e Will subirem ao convés do Pearl.

- Então? – Alicia repetiu a pergunta. – Eu é que perguntou porque é que ainda estamos aqui! Afinal a ilha está olhando para nós e parece que ficamos todos cheios de medo.

Lara abanou a cabeça e viu Will fazer sinal negativo. Para variar, Alicia tinha dado a volta por cima.

- Vais continuar com isso? – Lara franziu o sobrolho.

- Claro que sim. – Alicia fincou o pé. – Eu considero-me uma pirata. Se faço parte da tripulação ajudo. E como não vejo nenhum impedimento para isso, eu vou com vocês.

- Como a pirataria precisava de mulheres assim! – Jack exclamou. – Bonitas, orgulhosas, corajosas e determinadas. – Jack sorriu mas quebrou quando Lara olhou para si, pior que um assassino.

- Alguns homens meus estão à disponibilidade vossa. – Will comunicou.

- Mas isso é fantástico! – Jack exclamou, deixando os outros confusos. – Eu proponho que alguém vá primeiro à ilha em missão de reconhecimento. Sabe-se lá se não haverá canibais espalhados por aí. Ora bem, quem é que se oferece?

Toda a tripulação deu um passo para trás deixando Jack mal-humorado.

- Ninguém se vai arriscar a pisar essa ilha sozinho, Jack. – Gibbs alertou e um burburinho correu a tripulação. – Olha só para o aspecto dela!

Todos olharam na direcção da terra. Embora estivesse um dia lindo, um vento desconfortável e uma certa neblina pairavam sobre a ilha. Ao longe, podiam distinguir um moai e Lara teve a sensação que a tripulação tinha ficado assustada quando olhou a estátua.

- Eu vou. – Darius ofereceu-se e os olhares caíram sobre si. – Afinal já estive aqui antes.

- Óptima ideia! – Jack sorriu ainda mais. – Você vai, dá uma voltinha. Se não houver perigo volta. Se for você a não voltar, desistimos e zarpamos. Com a desconfiança de haver tigres aí não me admira que desaparecesse.

- JACK! – Lara exclamou, vendo que Jack estava a adorar a ideia de ver Darius retalhado por uns dentes afiados. – Vais deixá-lo ir sozinho?

- Eu sei me cuidar, Lara. – Darius disse.

- Lara? – Jack olhou Darius e foi acometido por uma vontade súbita de o matar. – Senhora Lara ou Senhora SPARROW, se faz favor!

- Pelo amor de Deus. – Lara rolou os olhos. – Não é hora para isso. Só acho que ninguém havia de ir sozinho.

- Porque não vamos todos? – Alicia perguntou.

- Porque eu não arrisco sem saber se há canibais nesse monte de terra. – Jack disse.

- Ok, sendo assim eu vou com o Darius. – Lara disse já prevendo o cenário seguinte.

- NÃO! – Jack correu e afastou Lara de Darius. – Eu… vou também.

- A sério? – Lara perguntou, deliciada com os ciúmes do marido.

- Sim. E tu também zombie! – Jack apontou para Barbossa. – Não te vou deixar sozinho no meu navio.

- Eu deixei-te falar à vontade porque já sabia que irias ter uma ideia cobarde. – Barbossa riu cinicamente. – É claro que eu iria. Não tenho medo desses gatos laranjas. Já vi muito na minha vida.

- Homens! – Alicia exclamou. – Se vão vocês vamos todos. O Will ficará de olho no Pearl.

- Eu ficarei aqui. – Grace disse. – Se quiserem tomo conta da Mary.

- Claro Grace. Não vejo outro cenário… - Lara sorriu.

- NÃO! – Desta vez, a exclamação veio de uma vozinha fina, mas que ecoou nos ouvidos dos presentes. – Eu sou pirata. Eu quero ver esse tesouro!

Mary colocou-se em cima do parapeito como declarando guerra, deixando Lara à beira de um ataque de nervos e Jack de olhos arregalados.

- Essa é a minha menina! – Jack exclamou, sorridente e pegando em Mary.


Lara sentia-se um pato depenado quando pisou terra. Falhara na tentativa de colocar em segurança Alicia e Mary. Pior era ter a certeza que a sua filha seria uma pirata destemida, enfiando-se de cabeça em qualquer aventura tal e qual Jack.

O grupo era constituído por dezasseis pessoas. Da tripulação de Will viera Bootstrap que tinha como grande missão ficar de olho em Alicia e mais três marujos. Do Pearl, além de Pintel, Raguetti e Gibbs, estavam presentes um contrariado mas curioso James Norrington, uns energéticos Thomas e Elizabeth, uma contente Alicia, um carrancudo Barbossa, um desconfiado e nervoso Jack Sparrow, uma excitadíssima Mary ao colo de uma cautelosa Lara e por fim, um normalíssimo Darius.

- A bússola aponta para Este. – Jack comunicou ao olhar a sua amada bússola e passou-a a Mary. – A minha filha diz o mesmo.

Jack passou o chapéu a Mary e esta quis ir a pé, liberando Lara. Viu que a filha tinha-se colado a Jack e relaxou ao saber que tinha o melhor pirata do mundo como pai da sua filha.

O vento era gélido. O terreno íngreme, era pintado de amarelo e verde. Até agora, nada de extraordinário tinha surgido no horizonte.

- Mas que perda de tempo. – Norrington falou, enquanto caminhava ao lado de Alicia.

- Você não se cansa? – Alicia interrogou. – De ser tão obtuso? Não há uma brecha nesse cabeça casmurra, para a aventura?

- Digamos que a minha noção de aventura não é a mesma que a sua. – James disse, olhando sempre em frente.

- Amiga, digo-te que a melhor coisa que fizeste foi não casar com este sem sal. – Alicia deixou Elizabeth de cara à banda e Thomas puxou-a para um canto.

- Não há maneira de fechares a boca para não dizeres parvoíces? – Thomas perguntou.

- Ah Thomas, tu também. Ele é sem graça e depois? – Alicia perguntou sorrindo.

- Desculpa a Alicia, ela não o disse por mal. – Elizabeth chegou-se a James.

- Eu já vi que essa sua amiga não tem nenhuma noção de decoro. É como uma selvagem sentada à mesa do rei. – James estava encabulado.

- Ela veio de um tempo diferente. – Lizzie explicou.

- Para mim, continua a ser tudo igual. Não é porque me tornei pirata que vou perder a compostura e as boas maneiras. – James disse e olhou Elizabeth pelo canto do olho.

- Eu sei. Mas eu estive lá James. – Elizabeth viu o ar céptico de James mas continuou. – No futuro tudo será diferente. Pelo menos no tempo delas é qualquer coisa avassaladora. As pessoas estão mais livres, sem preconceitos, sem regras explícitas. E só os objectos que se criaram. Já te falei no telefone?

- No quê? – James perguntou.

- É um mecanismo que te permite falar com outra pessoa, mesmo que não esteja à tua beira. É como uma carta, mas em vez de escrita, podes falar com a pessoa e ouvir a sua voz sem esperar dias, semanas ou até meses!

- Está gozando com a minha cara, Elizabeth? – James olhava Lizzie como se esta fosse um extraterrestre.

- Não. Mas eu ia adorar ver-te lá. – Elizabeth riu divertida e James, mesmo não percebendo riu também.

- Alto. – Darius falou alto e todos pararam.

- Fantástico. – Lara olhou fascinada para o que se erguia à sua frente. Um moai olhava o horizonte, com ar sereno. Lembrava-se deles, mas o facto de isso ter sido há mais de 200 anos, fazia Lara ficar ainda mais espantada com a conservação deste. Tinha à vontade quatro metros de altura. O seu tronco sem membros e cabeça, esculpidos em pedra escura erguiam-se majestosamente. Os olhos pintados de branco com uma órbita em preto, olhavam a imensidão do mar e no cimo da cabeça, ostentava um chapéu em pedra de tom vermelho. Lara lembrava-se do nome daquele objecto: pukaos, um cilindro de pedra vermelha que representaria um chapéu de penas vermelhas, segundo o guia que contara a história a si e aos seus pais.

- Arrepiante. – Jack disse, olhando a estátua e vendo que havia mais em linha recta com esta.

- Quando cá chegamos, alguns homens ficaram com medo de entrar na ilha por causa deles. – Darius colocou a mão na pedra fria da estátua. – Depois, verificou-se que nenhum mal fazem. Apenas estão serenos nos seus lugares, olhando o horizonte esperando que…

- Algo grandioso aconteça. – Lara completou e Darius sorriu-lhe.

- Óptimo. Mas já que eles não são úteis, seguiremos em frente. – Jack deu um passo mas foi travado por Barbossa.

- Alto lá com a pressa. – O mais velho disse e desenrolou o mapa. – Está assinalado um moai aqui. Se eles não têm nada a ver com o Olho-de-Tigre, porque raio está um desenhado no mapa?

O silêncio invadiu o grupo e Barbossa rolou os olhos.

- Talvez devêssemos procurar algum sinal nas estátuas. – Elizabeth disse.

- Como um escrito. – Thomas acrescentou.

- Ou um desenho. – Alicia disse e começou logo a farejar por entre as estátuas, fazendo Lara rir. Esta parecia-lhe um autêntico Sherlock Holmes. Viu Mary acompanhar a madrinha e pensou como o cenário estava completo: "Alicia Holmes e Mary Watson procurando pistas".

- Procurem nas bases das estátuas. – Lara pediu. – Continua apontando para Este?

- Sem se mexer. – Jack disse olhando a bússola.

A fileira de seis moais foi passada a pente fino. No entanto, ninguém encontrara nada de útil.

- Vai ser difícil. – Lara disse, encostando-se na sombra de uma das estátuas.

- Esse é o objectivo dos tesouros. – Darius disse. – Dificultar o caminho aos saqueadores.

Lara sorriu e o peso da palavra caiu-lhe em cima. Sempre fora a favor da entrega de tesouros a museus, mas estava noutro tempo. Era uma pirata e a sua profissão era saquear. E esse era o objectivo que estava em cima da mesa.

- Acho que ele encontrou alguma coisa. – Darius apontou para o último moai e Lara viu James Norrington acenar. Correram até lá e James apontou para a base da estátua.

- Num dos lados verticais, na retaguarda da estátua. – James disse e Lara afastou a vegetação que a rodeava. Gravado na pedra escura pode ver duas linhas formando um ângulo. Olhou na direcção que apontava. Dois pequenos montes se erguiam.

- Este. – Lara lembrou da bússola. – Jack dá-me a bússola.

- Com certeza, my lady. – Jack sorriu e Lara retribuiu. Abriu a bússola e viu esta rodar para Jack. Uma ponta de desânimo invadiu-a, mas logo a agulha girou para outro ponto. Lara levantou os olhos e engoliu em seco. – Podia se afastar um bocado, senhor Darius?

Darius afastou-se e Lara sentiu uma ponta de entusiasmo crescer em si. A agulha apontava exactamente para o mesmo sítio do ângulo esculpido na pedra.

- Então? – Jack estava em pulgas e Lara notou que todos tinham os olhos pregados em si.

- Eu não sei. Não tenho a certeza que isto seja… - Lara calou-se subitamente. Havia mais um desenho. Lara passou as mãos por este. Era oval e tinha um círculo no meio.

- Isso parece um… - Darius disse.

- Olho. – Jack arregalou os seus e mediu a distância entre o lugar em que se encontravam e os pequenos montes. – Será que o olho se encontra aí?


Passado largos minutos…

- Onde ficam as tribos da ilha? – Lara perguntou a Darius. – Não vejo nada que indique presença humana.

- Elas estão espalhadas pelo território. Quando cá estive há dez anos atrás, os navios fundearam numa outra vertente da ilha. Ficámos mais próximos dos indígenas. – Darius explicou.

- Eles são amigáveis?

- Sim, na medida do possível. É claro que ficaram desconfiados quando virão um monte de homens invadindo o seu território. – Darius disse e Lara notou uma certa tristeza nos olhos deste. – Mas eu não os achei tão maus assim.

- Você nunca acha ninguém mau. – Lara disse.

- Eu olho as pessoas de várias perspectivas. E acho que todos têm um lado bom e um lado mau. – Darius disse.

- E qual é o seu lado bom e o seu lado mau? – Lara perguntou.

- Diga-me você.

- Eu não o conheço assim tão bem. – Lara disse e colocou-se perto de Jack.

- Se encontrar-mos esse tesouro ou essa chave, já pensaste no que vamos fazer com ele? – Lara olhou para o marido. – Jack, estou falando contigo!

- Hã? – Jack olhou para a mulher com cara de bobo.

- Aff. Dá para parares de olhar essa bússola? – Lara ficou irritada e andou sempre para a frente.

- Desculpa love, mas é que… - Jack olhou os montes. O seu olhar prendeu-se com um aglomerado de pedras junto a uma escarpa. - … a bússola aponta para aqui.

As pedras estavam predispostas como se tapassem algo, mas nada tinham de estranho esculpido em si.

- É apenas um monte de pedras! – Norrington exclamou.

- Nem tudo o que parece é! – Barbossa exclamou, examinando as pedras.

- Mamã! – Mary exclamou e Lara deu com esta dentro de uma pequena cavidade lateral por entre as rochas.

- Como é que te foste meter aí? – Lara perguntou.

- Por causa dos desenhos. – Mary disse e viu todos espreitarem na sua direcção.

- Alguém acenda uma tocha. – Lara pediu. Mary saiu e Lara espreitou mas nada viu.

- Aqui tem. – Raguetti passou uma tocha a Lara e esta inseriu-a na cavidade. Ao princípio só viu vegetação e teias de aranha mas os seus olhos captaram uma forma estranha gravada na pedra. Ao passar a mão, notou que a pedra onde estava o desenho era menos rugosa. O desenho, deixou-a com um formigueiro no corpo.

- Jack, Barbossa podiam chegar aqui? – Lara pediu e os dois capitães atropelaram-se para espreitarem. – É melhor verem com os vossos olhos.

Lara levantou-se e passou a tocha a Barbossa.

- Um tigre. – Barbossa disse, analisando a figura.

- Deixa-me ver seu zombie. – Jack furou pela cavidade, obrigando Barbossa a sair. – Oh, é mesmo. E para que serve esta alavanca?

- Qual alavanca? – Lara perguntou, mas não obteve resposta.

Ao clique que todos ouviram, seguiu-se um barulho enorme. Sem explicação, as pedras moveram-se abrindo-se numa entrada. Os piratas espreitaram. Uma entrada rectangular tinha aparecido. À sua volta surgiam gravados na pedra tigres e olhos alternados. Não havia porta e um estreito corredor escuro convidava-os a perderem-se no seu interior.

- Eu não vou entrar aí. – Raguetti disse.

- Nem eu. – Pintel acompanhou-o, mas Barbossa agarrou-os pela gola da camisa.

- Ai isso é que vão, suas baratas medrosas! – Barbossa exclamou rindo diabolicamente.

Uma a uma, as tochas foram acesas e os piratas entraram. Por unanimidade, decidiu-se que dois piratas ficariam à porta. O ambiente escuro e estranho tinha colocado os piratas em silêncio. Barbossa seguia à frente logo seguido de Jack, Lara e Darius. Mais atrás, Thomas guiava Elizabeth, Alicia e Mary, James e os restantes.

- Onde me vim meter. – James disse.

- Você não pode parar de resmungar um segundo? – Alicia perguntou. – Cá para mim, você até está a gostar mas continua a achar a pirataria uma perda de tempo.

- Digo-lhe que qualquer aventura consigo presente é uma perda de tempo! – James exclamou, irritando Alicia e fazendo esta calcar-lhe um pé.

- Vocês podem parar com isso? – Bootstrap protestou e tanto James como Alicia se calaram.

- Esses dois não se vão dar nunca pois não? – Thomas perguntou.

- Acho que a Alicia olha para o James ainda como rival do Will. - Elizabeth disse.

- Oh e eu que pensava que ele era meu rival! – Thomas exclamou sorrindo.

- Não te preocupes. Estás mais seguro que nunca. – Elizabeth ronronou com um gato e agarrou a mão de Thomas.

- Detesto aranhas, teias de aranhas, aranhões e aranhiços. – Jack resmungou ao desenvencilhar-se de uma teia de aranha. – O que foi isso? – perguntou quando sentiu algo "crocante" ser pisado.

- Um escorpião. – Barbossa disse com naturalidade e Jack olhou horrorizado para o animal esborrachado no chão.

- Não sabia que tinhas medo de escorpiões. – Lara sussurrou ao seu ouvido.

- E não tenho. – Jack emendou. – Apenas não é uma coisa agradável de se ver.

- Sei… - Lara sorriu deixando Jack mal-humorado.

- Ai! – Jack exclamou quando foi contra Barbossa. – Qual é a tua seu zombie mal morrido? Paras no meio do caminho? – Jack perguntou com uma vontade imensa de queimar o cabelo de Barbossa.

- Em frente. – Barbossa apontou. – Existe uma bifurcação. Dois túneis.

- Isto está complicado. – Alicia observou.

Lara não teve sequer tempo de responder. Num piscar de olhos sentiu o chão fugir e cair no vazio. Depois todo o seu corpo doeu ao cair no chão duro. Viu Jack espreitar e pronto a se atirar, mas novamente tudo ficou escuro. Por sorte a sua tocha continuava acesa.

- O que aconteceu? – Alicia gritou, quando viu Jack berrar por Lara e Mary inquietar-se.

- A Lara caiu numa espécie de armadilha. – Thomas disse e juntamente com Jack tentou levantar a pesada tampa de pedra. Depressa se juntaram todos os homens mas de nada adiantou.

- Eu quero a minha mãe. – Mary choramingou.

- Ele está bem. – Alicia relaxou-a, também ela tomada pelo medo.

- Lara, tu estás bem? Responde-me. – Jack berrou.

Lara sacudiu o pó das roupas e viu que não estava sozinha. – Eu estou bem. Aliás nós estamos bem. – Comunicou, olhando para cima.

- Deve ter sido uma espécie de armadilha. – Darius subiu numa pedra e tentou ver se havia algo na laje que pudesse abri-la, mas sem sucesso.

- Mal sentisse o peso de alguém abria um buraco e fechava-se logo a seguir, de modo a deixar morrer a pessoa. – Lara tentou manter a calma ao mirar um esqueleto num dos cantos do pequeno cubículo onde se encontrava.

- Love, eu vou buscar alguma coisa para… - Jack falou.

- Não Jack. – Lara falou, tentando elevar a voz. – Não há maneira de abrir isto aí em cima.

- A solução deve estar aqui dentro. – Darius disse e Lara assentiu com a cabeça.

- Toma conta da Mary e sigam o caminho. Nós havemos de sair daqui. – Lara disse tentando mostrar calma na voz.

- Mas… - Jack ia argumentar mas Barbossa travou-o.

- A Lara tem razão. Não há nada aqui, nem no chão nem nas paredes que abra isto. Todas as armadilhas têm solução e esta só poderá estar lá em baixo ou mais à frente.

Jack sentiu o seu mundo cair. Se algo acontecesse a Lara morreria.

- Temos de nos separar. – Barbossa disse.

- Mas face ao que aconteceu não é melhor ficarmos juntos? – Elizabeth perguntou.

- Não. Só há um caminho certo e mais vale tentarmos do que irmos todos na mesma direcção para acabarmos num matadouro. – Norrington disse e viu Alicia, Elizabeth, Mary, Pintel e Raguetti engolirem em seco.

- Mr. Norrington tem razão. – Barbossa disse. – Formem dois grupos de seis.

- Eu vou ficar bem Jack. – Lara relaxou o marido.

- Ela tem razão. – Alicia passou a mão pelo ombro de Jack.

- Com aquele tubarão cheio de dentes com ela, não me peças para ficar calmo. – Jack respirou fundo e encaminhou-se para um dos túneis. Barbossa, Alicia, Mary, Bootstrap e Gibbs enveredaram pelo mesmo túnel e os restantes foram pelo da direita.

Continua…


Oi Leitoras e Leitores. Aqui vai novo capítulo. Mas não acaba por aqui. Hoje vou colocar dois capítulos, sendo o próximo quase um bónus, já que será mais pequeno. Espero que gostem!

Olg'Austen: Oi! Obrigada pela review sempre comovente! :emux: Alicia é diva. Pra onde ela vai, vira todo o mundo. Desta vez a coitadinha pouco pode fazer. A Lara se afundou juntamente com o Darius. Relax no próximo eles saem do buraco... :P Você trocava o Jack? Ahhhhhhhhhh eu nunca! :surto: E sim, quando Darius avança Lara recua sempre... Quando ler o próximo não morra por favor! Bjs!:D

Yasmin Potter: Oi! Obrigada pela review! Eu também ri da piada do peixe. :D Espero que goste destes dois capítulos! Bjs!:D

Girls n'Roses: Oi Dêh! Obrigada pelas reviews e moça comente quando puder! Os capítulos quando postados já não fogem! =D Aí, eu digo sempre até o darius estar live de suspeita, amem-no e odeiem-no! E desconfiem sempre. Mary vai correr risco sim. Eu vou explicando uma coisa. Lara está estranha porque está sob a influência da Mayara. Embora só se vá descobrir daqui a alguns capítulos, há uma grande razão para esta não aparecer como aconteceu com Serena. Mas isso está no segredo dos deuses! Bjs!:D

Saudações Piratas! :D

JODIVISE