Capítulo 30: Paranóia no Deserto

Jack piscou os olhos várias vezes. A luz era tão intensa, que sentiu lágrimas se formarem. Ao mesmo tempo sentia como se lhe queimassem as costas. Estava deitado de barriga para baixo e colocou-se de joelhos. Com os olhos semi-cerrados olhou em volta.

- Mas que raio…? – Perguntou ao ver que estava no meio do nada. À sua volta apenas e só uma coisa: areia, areia e mais areia. Montes de areia não deixavam ver o que estava atrás destes. A sua pele estalou devido ao sol forte. Estava habituado ao calor, mas aquele era demais. Levantou-se e olhou o céu azul. Desviou os olhos quando estes quase queimaram com o vislumbre do astro-rei.

Não sabia a mínima ideia donde estava a não ser o óbvio: algures no meio de um deserto. Os seus olhos arregalaram-se quando uma possibilidade lhe passou pela cabeça.

- Não pode ser. – Jack disse sobressaltado. – Eu não morri. Ou melhor, não me sinto morto. – Jack colocou um dedo no ar. – Mas se não estou morto, o que estou aqui a fazer? – começou a andar em círculos completamente desnorteado. – Será que voltei ao cofre daquele molusco?

- Será mesmo? – Uma vozinha soou no seu ouvido e Jack virou-se pronto a atacar.

- QUEM ESTÁ AÍ? – Berrou apontando a pistola para todos os lados.

- Aqui ó palerma! – A voz falou no seu ouvido e Jack notou um pequeno ser no seu ombro. – Já não te lembras de mim?

- Tu? – Jack olhou esgazeado para a sua versão mini.

- Quem haveria de ser? O rei? – O mini Jack agarrou-se a um dreadlock. – Eu sei o que tu está a pensar. Pensas que morreste e vieste parar ao cofre do Jones… de novo.

- É verdade. Mas isto não parece um cofre. – Jack analisou o ambiente. – Além do mais, o Jones está morto.

- É… - o mini Jack sentou-se no seu ombro e limpou as unhas. – De certeza que não te lembras mesmo do que se passou?

Jack coçou a cabeça e sentou-se na areia quente cruzando as pernas. Sabia que tinha agarrado em algo. Depois algo o sugou e Jack acabou rodopiando em pleno ar até cair, desmaiando em seguida.

- O globo. – Jack disse. – Eu agarrei em qualquer coisa redonda juntamente com o emplastro do Barbossa e… - Jack levantou-se rapidamente. – A Mary! Ela entrou primeiro nesse buraco. Onde é que ela foi parar?

- Provavelmente também estará por aqui… - o mini Jack disse. - … perdida no meio do deserto… a choramingar…

- MARY! – Jack berrou correndo que nem um louco em direcção a uma das dunas.

Subiu com dificuldade até à zona mais alta e viu completamente desolado, o deserto sem fim que se estendia à frente dos seus olhos. Desceu aos tropeções e parou quando viu algo a seus pés. Pegou no objecto e constatou ser o chapéu espampanante de Barbossa.

- Bem que podia fazer um buraco nesta coisa horrenda. – Jack sorriu malicioso e colocou a mão na pistola.

- Tenta, seu verme! – Barbossa exclamou e Jack fixou-o à sua frente. Engoliu em seco quando viu a pistola do mais velho apontada a si.

- Com muito prazer zombie! – Jack apontou a pistola ao chapéu. – Antes mesmo de me matares, o teu chapéu será um coador! Aí terás desperdiçado um tiro em vão.

- Nunca é em vão quando se trata de te mandar para o inferno! – Barbossa exclamou mandando uma gargalhada. – Larga isso ou… - Barbossa apontou a pistola a algo que tinha na mão contrária.

- Ou o quê? Darás um tiro a um ovo? – Jack sorriu cafageste.

- Será mesmo um ovo, Jack? – Barbossa sacudiu o artefacto e a ficha de Jack caiu. – Ah pois é. O famoso Olho-de-Tigre. Não o vais querer desperdiçar por um simples chapéu.

- Pois não. – Jack disse. – É por isso que tu também não vais dar um tiro nisso. Desejas tanto esse artefacto quanto eu! Por isso… - Jack guardou a pistola. - … que tal uma troca? O teu chapéu pelo Olho!

- Eu não sou burro, Jack. – Barbossa semicerrou os olhos. – Mal te desse o artefacto, tu fugirias.

- Para onde? – Jack riu. – Estamos no meio do deserto, sua lesma! Porque não tentamos sair daqui e enquanto isso, eu fico com o Olho, guardando-o e protegendo-o?

Barbossa não respondeu e Jack viu que este estava a queimar a sua massa cinzenta pensando nos prós e contras de um acordo com Jack.

- Ora, sempre podes me dar um tiro se eu tentar fugir. – Jack disse abanando a cabeça.

- Atira-me o chapéu primeiro. – Barbossa ordenou.

- Sinceramente… é melhor seres tu a atirar-me o Olho primeiro. – Jack sorriu, deixando Barbossa mal-humorado.

- Ao mesmo tempo, então. – Barbossa disse e Jack sorriu.

Durante uns segundos ficaram-se olhando. Nenhum queria dar o primeiro passo. Mas quando Jack viu Barbossa mexer o braço, atirou o chapéu. Talvez Barbossa não quisesse largar o artefacto, mas ao agarrar o chapéu com as duas mãos, Jack conseguiu alcançar o Olho antes que caísse ao chão.

- Ah! – Jack exclamou.

- Roubaste-me o Olho! – Barbossa exclamou.

- Não roubei não. Eu atirei-te o chapéu, como prometi, tu atiraste-me o Olho, como prometes-te e eu o guardarei, tal como tinha prometido.

- Eu não o atirei! Tu roubaste-mo, antes de fazer qualquer coisa. – Barbossa acusou.

- Para a próxima, não utilizes as duas mãos, zombie! – Jack riu cafageste, mas arregalou os olhos quando Barbossa ficou vermelho de raiva.

- Seu macaco de imitação! Devolve-me isso. – Barbossa voou para si e ambos começaram uma luta, em que valia de tudo para conseguir o Olho-de-Tigre.

- Larga-o seu vegetal ambulante, comedor de maçãs e zombie retardado! – Jack exclamou, dando um murro em Barbossa.

- Larga-o tu, seu parasita de navios e ladrão reles! – Barbossa rasteirou Jack e apanhou o ovo.

Jack correu e voou para as costas de Barbossa deitando-o ao chão. Ambos viram o Olho rolar até ficar uma certa distância, tostando ao sol.

- SAI DE CIMA DE MIM IMPRESTÁVEL! – Barbossa berrou e Jack espetou-lhe um dedo no olho. Mas o mais velho, agarrou uma perna de Jack impedindo-o de chegar ao artefacto.

- PAREM! – Uma voz esganiçada quebrou o ambiente e deixou os dois homens olhando o pequeno ser que os mirava. – O Olho fica comigo, seus piratas chatos!

Mary pegou no Olho-de-Tigre e colocou-o no bolso. Jack e Barbossa olharam-se mutuamente e largaram-se, colocando-se de pé.

- Minha princesa! – Jack exclamou pegando Mary no colo. – Nem sabes o quanto estava preocupado contigo.

- Mas não andavam ao estalo por minha causa. – Mary disse e Jack viu que esta estava brava. Sorriu quando reparou nas semelhanças entre Mary e Lara.

- Claro que andava! Quer dizer, eu queria ir atrás de ti, mas o zombie não deixou e acabamos numa cena lamentável. – Jack explicou.

- Onde é que estamos? – Mary perguntou e os dois capitães entreolharam-se.

- Não vejo qual o objectivo de isto nos ter transportado para cá. – Jack coçou a cabeça.

- Chave. Tesouro. – Barbossa coçou a barba. – Se isto é uma chave e abre um tesouro, não será que nos transportou para o lugar onde esse mesmo tesouro se encontra?

- No meio do deserto? – Jack exclamou. – Não há nada aqui. – Jack pousou a filha no chão e mirou o horizonte. – Já alguma vez estiveste num deserto?

- Não. – Barbossa disse. – Mas já ouvi falar que quem entra num, nunca mais sai. – Barbossa disse e Jack engoliu em seco.

- Está muito quente. – Mary queixou-se e sacudiu o cabelo.

- Muito bem. – Jack colocou as mãos no ar. – Este deserto tem de levar a algum lado. Além do mais, precisamos encontrar algum sítio com água, antes que morramos à sede.

- Só se escavares o chão. – Barbossa rolou os olhos.

- Onde está a bússola, papá? – Mary perguntou e fez Jack Sparrow sentir-se o homem mais estúpido do planeta.

- A tua incompetência admira-me. – Barbossa disse enquanto Jack abria a bússola.

- Ora, todos querem sair daqui, certo? – Jack perguntou e nas suas mãos viu a bússola girar e parar numa direcção. – Nordeste.

- Óptimo! – Barbossa exclamou tomando essa direcção, com Mary atrás.

- Hei! Esperem por mim. – Jack correu para alcançar os outros dois.


Quanto maior o desejo de se sair de um sítio, mais o tempo demora a passar, como se de um homem agrilhoado rastejando suplicante se tratasse. Jack olho de novo a bússola e mirou a altura do sol. Deveriam estar a meio da tarde. Mas nem por isso, o sol deixava de ser fogo. Sentia a boca completamente seca e a sua língua era como um trapo velho. Os seus pés estavam como brasas e as botas pesavam-lhe horrivelmente.

- Tenho sede. – Mary disse e Jack pegou na filha ao colo.

- Daqui a pouco teremos um lago enorme, cheio de água doce para nos consolarmos. – Jack disse, tentando manter a filha calma.

- Moveu-se. – Mary disse quando pegou na bússola.

- Virou um pouco a Norte. – Jack disse.

- Por qual continuamos? – Barbossa perguntou.

- Ela mostrou o desejo da Mary. Qual o teu maior desejo, darling? – Jack perguntou.

- Água. – Mary queixou-se.

- Iremos atrás de água, então. – Barbossa disse. – Se não encontrarmos algo que beber ou comer, não estaremos vivos amanhã.

O dia deu lugar à noite e a temperatura desceu abruptamente. Os três piratas acabaram por parar e passar a noite encostados a uma duna. A temperatura tinha descido abruptamente e sem hipótese de fazer uma fogueira, Jack pode dizer que aquela foi a pior noite da sua vida. A única coisa boa era a presença de Mary. No entanto, começava a recear pela vida desta se não achassem rapidamente uma povoação.

- A estrela polar. – Barbossa apontou e Jack observou a estrela. - Tenho uma leve suspeita de onde podemos estar.

- Como assim? – Jack franziu o sobrolho.

- Existe um deserto no Norte de África.

- Eu sei. Ouvi bastantes referências na costa africana atlântica e mediterrânea. – Jack confirmou.

- Exacto. Chamam-lhe Saara. – Barbossa disse. – Talvez esteja errado, mas se seguirmos as estrelas, poderemos chegar à costa do Mediterrâneo ou Atlântico.

- Só há um problema. – Jack disse. – Não sabemos a que distância estamos. Além do mais, a bússola não aponta na mesma direcção das estrelas.

- Raio de bússola avariada. – Barbossa resmungou, deitando-se na areia e cobrindo a cara com o chapéu.

- Avariada, mas que nunca errou uma direcção. – Jack disse.

Mary mexeu-se. A sede, a fome, o calor durante o dia e o frio durante a noite, tinham-na colocado exausta e esta adormeceu logo que pararam. Jack cobriu-a com o seu casaco e sorriu. Mary adormecida era tal e qual Lara. Jack deitou-se e colocou o braço à volta de Mary. Esta aconchegou-se mais. Olhando as estrelas, pensou o quanto Lara devia estar desesperada. Será que ela e os outros teriam conseguido escapar daquela deusa malévola e estavam no seu encalço? Esta e outras perguntas povoaram a mente de Jack até cair de sono.

Mas sede horrível fez com que acordasse passado um tempo. Olhou à volta. O céu continuava escuro e o único som audível era o ressonar de Barbossa. Jack colocou as mãos na cabeça. Mesmo a dormir, a avalanche de sonhos e pesadelos que o invadiram deixaram-no um caco. Viu o volume no bolso das calças de Mary. Pensou em dar uma espreitadela naquele artefacto que até agora não tinha mostrado sinais de algo mágico, mas segurou-se.

Os seus ouvidos captaram um som estranho. Um riso. Olhou de novo em volta, mas franziu o sobrolho quando viu que não passara de imaginação sua. Sentiu um suspiro no seu pescoço e levantou-se.

- Quem está aí? – Perguntou desembainhando a espada. De novo o silêncio foi a resposta. – Eu só posso estar ficando louco.

- Pensei que fosses louco há mais tempo. – O mini Jack apareceu de novo no seu ombro e fez Jack rolar os olhos.

- Deixa-me em paz. – Jack pediu, sentando-se novamente na base da duna.

- Como queiras. – O mini Jack cruzou os braços e ficou em silêncio. – É, sempre tínhamos razão.

- Razão sobre o quê? – Jack sentiu vontade de dar um tiro na sua própria miniatura.

- Sobre o grego. Isto é, se ele for mesmo grego. – o mini Jack disse. – Parece que ele conhecia muito bem aquela deusa.

- Eu nunca fui com a cara dele. – Jack disse mal-humorado.

- Pois. E ele agora está lá… - O mini Jack olhou Jack pelo canto do olho.

- Como assim? – Jack sentiu uma leve onda de pânico.

- Nós não sabemos o que aconteceu com os que ficaram, certo? – O mini Jack perguntou e Jack acenou afirmativamente. – E eles também não devem saber onde estamos. Ora, tu estás aqui. Ele está lá… com a Lara. Sozinhos.

- Eu… - Jack sentiu a onda começar a ficar maior. - … não tinha pensado nisso.

- É… continuas o mesmo Jack Sparrow de sempre! – O mini Jack exclamou.

- Ah, mas ai daquele desgraçado encostar um dedo na Lara, eu desfaço-o e…

- Será que podes deixar os outros dormir? – Barbossa perguntou com vontade de matar Jack.

- Pensei que os zombies não dormiam. – Jack disse, tentando controlar a raiva.

- Cuidado Jack. – Barbossa deitou-se de novo. – Não são só as ilhas solitárias que deixam os homens paranóicos. – Aconselhou, rindo e colocando de novo o chapéu em cima do rosto.

- Papá. – Mary gemeu e Jack olhou para si.

- O que foi, princesa?

- Há qualquer coisa na areia. – Mary disse, rastejando lentamente até se abraçar a Jack.

- Não vejo nada. – Jack disse olhando a areia à sua volta. O facto de ser Lua Nova não ajudava nem um pouco.

- Eu vi. Algo rastejou perto de mim. Depois quando me virei, vi dois olhos. – Mary queixou-se e Jack notou que esta estava em pânico. Por precaução colocou a mão na pistola. Sabia que no deserto havia bastantes animais perigosos. Sentiu a areia se mover e engatilhou a pistola. No mesmo instante, um clarão formou-se assim como uma nuvem de pólvora.

- ESTÁS DOIDO? – Jack apontou a pistola a Barbossa. – Quase que acertavas em nós!

- Não. – Barbossa disse, levantando-se e guardando a pistola. Depois chegou-se até Jack e Mary e colocou a mão na areia. Para horror dos outros dois, virão o mais velho puxar o que estava oculto na areia. Uma cobra, não muito grande, jazia morta nas mãos deste. – Já vi uma coisa destas num mercado em Marraquexe. Têm uma cabeça que parece um triângulo e possuem dois chifres.

- Cobra com chifres? – Jack abriu a boca.

- Sim. Fica à espera da sua vítima, apenas com os olhos visíveis escondendo-se na areia. – Barbossa explicou e jogou a cobra longe.

- É melhor continuarmos o caminho. – Jack disse. – Eu não quero ver mais nada de desagradável.

- Esperemos pelo amanhecer então. – Barbossa aconselhou. – O calor é tórrido, mas o frio é de gelar.

Jack suspirou. Aquele ambiente inóspito estava a tornar-se um pesadelo completo.


Os primeiros raios de sol clareavam ainda o céu azul-escuro e já três sombras deambulavam por entre as areias do deserto. O espectáculo de cores era indescritível. De um amarelo dourado de dia, aquelas dunas tornavam-se alaranjadas ao nascer e pôr-do-sol.

- Temos de achar água o mais depressa possível. – Jack disse, vendo a iminência de Mary desmaiar.

- Bem que podias ter escolhido uma bússola que em vez de mostrar o caminho, transportasse a pessoa para lá. – Barbossa resmungou, também ele se sentindo dentro de um autêntico inferno.

- Oh, mas eu já tive uma dessas. Pena que os deuses decidiram ficar com ela! – Jack exclamou.

- O que é aquilo? – Mary apontou o dedo fraco numa direcção e os capitães abriram a boca até ao chão.

- Aquilo é… - Jack não acabou a frase. Um dromedário pachorrento olhava para eles. Depois começou a andar lentamente, descendo uma duna.

- ATRÁS DELE! – Barbossa berrou correndo que nem um louco, segurando o chapéu.

Os três pararam no cimo da duna, quando viram o animal desaparecer. À sua frente, no meio de areia e mais areia apareceu aquilo que mais ansiavam no momento. Mais do que um tesouro, mais do que voltar ao Pearl.

- ÁGUA! – os três berraram vendo o oásis na frente dos olhos. Um pequeno lago, rodeado de Palmeiras e vegetação rasteira acolhia alguns animais como dromedários e cabras. Correram que nem loucos fugidos da prisão até àquelas águas límpidas.


- Como é que eles se chamam? – Mary perguntou, enquanto Jack contava as balas que lhe restavam.

- Dromedários. São como cavalos para os homens do deserto. – Jack explicou.

- São lindos. – Mary disse, enquanto fazia festas num. Sentiu um peso dentro do seu bolso. Tirou o Olho-de-Tigre e rodou-o nas mãos. O globo dourado estava mais pesado. Tinha a certeza absoluta. Viu um pequeno círculo e passou o dedo por ele. Com um clique, o globo abriu como uma flor e emitiu uma luz laranja que a cegou. - Oh!

-Mary o que é que… - Jack travou o passo quando viu o que a filha tinha nas mãos.

- Ele abriu! – Mary exclamou e Jack e Barbossa aproximaram-se do que esta tinha nas mãos. O Olho-de-Tigre tinha-se aberto como uma autêntica flor. Do seu interior, a forte luz laranja brotava de um globo mais pequeno, incandescente e que parecia conter lava dentro de si.

- Isso é que é o Olho-de-Tigre? – Jack perguntou esticando a mão para tocar no globo incandescente, mas este fechou-se novamente, passando de novo a ser um globo dourado sem graça.

- Começo a pensar que há mais nesta história do que imaginamos. – Barbossa arregalou os olhos.

Mary guardou o Olho e um miar insistente fez com que se virasse. O miar vinha de um monte de ervas altas. Caminhou, tentando não fazer muito barulho.

- Tu! – Mary sorriu quando viu o gato miar para si e enroscar-se nas suas pernas.

- É melhor utilizarmos estes camelos. – Barbossa disse.

- Não terão dono? – Jack torceu o nariz. Não ia muito com a cara do animal, nem ele com a dele.

- E desde quando é que nos importamos a quem roubamos as coisas? – Barbossa perguntou.

- Pai, olha o que encontrei! – Mary esticou o gato na direcção de Jack e este deu um salto.

- Um gato! – Jack exclamou.

- Tens medo de gatos? – Barbossa riu e Jack fez uma careta.

- Claro que não. – Jack apressou-se a dizer. – Apenas não é um animal que aprecie.

- Posso ficar com ele? – Mary perguntou.

- É claro que não! – Jack fincou o pé.

- Não? – Os olhos de Mary encheram-se de lágrimas e Jack passou a mão pela cara.

- Querida, os gatos não são animais de confiar. Quando menos se espera, eles atacam sem dó nem piedade. – Jack agachou-se até ficar à altura de Mary.

- Mas o Bolina gosta de mim e eu dele. – Mary disse, fazendo beicinho.

- O quem? – Jack franziu o sobrolho.

- É o nome que lhe dei. – Mary disse.

- Jack, deixa a miúda levar o gato. Não fará mal a ninguém e até será útil para detectar cobras. – Barbossa disse.

- Ninguém te pediu opinião, zombie. – Jack resmungou. – Mary, o melhor é deixá-lo aqui em segurança e… - Jack viu os lábios de Mary ficarem trémulos. - … está bom, leva o gato.

- Obrigado papá! – Mary abraçou Jack.

- Espero não me arrepender. – Jack disse mordendo o lábio. – Ora bem, como é que se monta esta coisa?

Parecendo entender ou não, o grande animal olhou Jack e espirrou em cima de si, deixando-o completamente pegajoso.

- Odeio tudo o que tenha quatro patas. – Jack resmungou perante o riso de Mary.

- E eu que pensei que odiavas tudo que tivesse tentáculos. – Barbossa troçou.

- Odeio tentáculos, quatro patas e zombies que me roubam o navio. – Jack respondeu botando a língua de fora.

Continua…


Oi Leitoras e Leitores! Parece que Jack, a sua filha e Barbossa foram parar literalmente no meio do nada. Avisando: a partir de agora, os capítulos serão alternados. Ou seja, como as personagens estão separadas, um capítulo será sobre o que se passa com o Jack, Barbossa e Mary e o outro sobre Lara, Alicia, Will e companhia.

Curiosidades sobre este capítulo: para quem gostar, aqui deixo algumas curiosidades. Os nossos capitães e a caçula Sparrow estão perdidos no meio do deserto Saara, no Norte de África. Eles ainda não sabem, mas estão do lado Este, neste caso no Egipto. No que toca aos animais, coloquei um bem conhecido como o dromedário e um típico do deserto do Saara, neste caso a serpente Cerastes, que possui uma cabeça triangular e dois chifres supraorbitais. Com uma cor bastante semelhante à terra, actua durante a noite e esconde-se na areia, para suportar o calor e supreender a presa. Para quem não sabe, as temperaturas altas que se fazem sentir no deserto, são substituidas por temperaturas baixas á noite.

Agora as reviews!

Girls n'Roses: Oi Dêh! Obrigada pelas suas reviews! Elas sempre são fantásticas e me fazem rir.:D É não é? A Lara tava cega coitada. O Darius tava escondendo algo e parece que não era boa coisa. Mas vamos esperar a história do coitado. O Thomas... nem sabe o que me doeu "matá-lo". Mas tinha de ser. Agora uma coisa: o James não pode correr assim atrás da Lizzie. Temos que ver que ela não gosta dele e está abalada. Pronto, eu sei, querem me matar por deixar a Lizzie nesse estado, mas como disse, a fic... é grande... já vai no cap 30! Obrigada mais uma vez e espero que goste! Bjs!:D

Yasmin Potter: Oi! Obrigada pela sua review! Lara não precisa de cinema, basta sonhar e prontos... =P O Thomas: ok eu escrevo já um PEDIDO OFICIAL DE DESCULPAS POR ELE TER MORRIDO, mas história é assim. Não sou nenhuma Rowling, nem sequer ando lá perto, mas escritor tem destas coisas. E quanto à Rowling: também detestei quando começou a matar tudo e todos. :'( Espero que goste! Bjs!:D

Olg'Austen: Oi Olga! Obrigada pela sua review! Se eu rio com a Dêh, emociono-me com você. :emux: Ah, fico contente de ter curiosidade em saber dos lugares que a fic retrata. Eu pesquiso bastante, porque não quero cometer um erro dos grandes, tanto histórico como geográfico (e sendo de História e Geografia era uma sentença de morte :va:) Mas às vezes eu exagero. Chego ao cúmulo de calcular o tempo que leva para chegar num sítio por viagem marítima e depois converter isso em navios mais lentos e que usam a força do vento, como galeões ou chalupas. Enfim... panca minha. Mais uma vez o Thomas... peço de novo desculpa por tamanho desgosto. Pior é que ele "era" o Heath! :paris: Mas pronto, para aguçar a curiosidade, entrará uma personagem nova além da Circe. É alguém ambíguo, mas quem eu escolhi para "interpretar" é alguém que eu considero divo em Hollywood (atenção que não disse se é homem ou mulher). Agora comentando o leve NC Mayara/Darius... eu tive de pisar fundo no travão porque eu já ia em detalhes que nem conto, nem recordo e já fechei na gaveta... :peter: Por isso ficou bem leve, embora todos entendessem o que se passou... Desta vez não houve Darius...houve Jack que é bem bom!=P Espero que goste!Bjs!:D

Hatake KaguraLari: Oi! Você voltou! E mandou essas reviews fantásticas! *.* Tinha razão, Darius não é ignorante, Circe é uma boa escolha para deusa louca, Calipso é diva e Darius é mesmo o noivo da Mayara. Esquisito né? Mas tudo no seu tempo! O Thomas... pedido de desculpas número 4, ele morreu e não há Shen-Long que o ressuscite. Ele morreu mesmo e não vai voltar. Isso é ponto assente. Mas não quer dizer que a Lizzie não se lembre dele. Sim, vou colocar alguns flashbacks para amenizar a saudade. Mayara é safada mesmo. Quer dizer... com o noivo daqueles até eu perdia o norte... Espero que goste! Bjs!:D

Dadamaxi: Oi! Leitora nova! É sempre uma honra agradecer comentários novos. A história ainda vai ficar mais emocionante! Acredite! Espero que goste! Bjs!:D

Saudações Piratas! :D

JODIVISE