Capítulo 33: Entre Mares e Tempestades
- Que é seu chato? – Pintel perguntou irritado perante a insistência de Raguetti que lhe dava cotoveladas. O zarolho fez sinal com a cabeça e Pintel viu Elizabeth sair pela primeira vez do porão. Desde que tinham zarpado que esta não saía do seu casulo e já havia rumores que tivesse enlouquecido.
- Será que ela vai voltar ao normal ou irá ficar louca como o velho Jack? - Raguetti perguntou.
- Ela já é louca. Ou não tivesse enfrentado tudo e todos para acabar nesta tripulação. – Pintel disse.
- Se ela é louca nós também somos. Estamos aqui, não estamos? – Raguetti perguntou coçando a cabeça.
- Ora… - Pintel percebeu que um nó se formara na sua cabeça. - … nós estamos aqui porque nascemos para isto.
- Coitada. Azarada no amor. Deve estar a sofrer imenso.
- Oh poupa-me desses teus discursos lamechas! – Pintel exclamou.
- O que é que estas duas donzelas tanto conversam em vez de esfregar o chão? – Pintel e Raguetti olharam o pé que batia insistentemente no chão e olharam para cima, encarando com uma senhora Grace de olhos semicerrados.
- Nós apenas comentávamos a decisão da Elizabeth voltar a apanhar ar. – Raguetti disse.
- Trabalhem e deixem a vida dos outros! Este navio tem de estar em condições antes que o Gibbs e Mr. Norrington voltem! – Grace exclamou virando costas.
- Sim, senhora. – Os dois exclamaram.
- É impressão minha ou ela está a ficar com o feitio do Barbossa? – Pintel perguntou.
- Tecnicamente ela já é a senhora Barbossa. – Raguetti falou baixo e os dois abafaram o riso.
- Parece que decidiu espreitar o tempo cá fora. – Lara aproximou-se de Elizabeth, que apoiada na amurada do Pearl olhava fixamente a ilha à sua frente.
- Onde estamos? – Elizabeth perguntou.
- No arquipélago Juan Fernandez. Gibbs disse que as ilhas daqui são ideais para o reabastecimento de comida e água e que os piratas utilizam-nas frequentemente. – Lara explicou colocando-se ao lado de Elizabeth. – Sempre tem mais do que a Ilha de Páscoa.
- Nunca tinha ouvido falar. – Elizabeth disse.
- Nunca ouviu falar de Robinson Crusoe? Alexander Selkirk? – Lara perguntou e Elizabeth abanou a cabeça em sinal negativo. – Esqueça. Às vezes eu esqueço que sou de um tempo diferente.
- Esses dois homens eram piratas?
- Sim e não. No futuro, duas das ilhas deste arquipélago chamar-se-ão Robinson Crusoe e Alexander Selkirk. – Lara explicou. – Selkirk foi um marinheiro que viveu quatro anos isolado numa ilha deserta aqui, depois de ter sido abandonado pela tripulação do navio.
- Por isso a ilha ter o seu nome? – Elizabeth perguntou e Lara acenou afirmativamente. – E o outro?
- Robinson Crusoe foi uma personagem fictícia por Daniel Defoe, inspirado pela história de Selkirk. – Lara explicou.
- Interessante. – Elizabeth disse e fixou de novo a ilha. – Quando é que Selkirk viveu?
- Século XVIII. – Lara disse e viu Elizabeth sorrir. – Não!
- Sabe-se lá! Afinal é nesse século que nos encontramos. – Elizabeth observou e Lara olhou a ilha pensando na possibilidade de um homem solitário os vigiar naquele momento.
- Onde estão os outros? – Elizabeth perguntou.
- Gibbs, Norrington e Will foram a terra com mais alguns marujos. – Lara disse. – Os restantes ficaram cá.
- É bom ver que Will foi "dispensado" do seu fado por agora. A Alicia precisa dele. – Elizabeth disse.
- Tu também. – Lara notou. – Como é que te sentes?
- Normal dentro do possível. – Elizabeth desviou os olhos para o bando de piratas que se divertia a pescar. – Não sei sequer quanto tempo passou desde…
- Isso agora não interessa. A vida continua, Elizabeth. – Lara disse. – Nós somos piratas. Um dia que passa na nossa vida é uma bênção. E tu sabes que não estás sozinha.
- Eu sei. – Elizabeth sorriu. – A Grace tem sido uma mãe. A Alicia a irmã chata que nos tenta a todo o custo colocar um sorriso na cara. O Will, aquele que atura as minhas crises e sempre dá conforto. Até tu, Lara.
- Eu o quê?
- Foste uma boa companhia.
- Eu sei o que estás a passar. – Lara disse. – Não penses que estou melhor sem saber o que se passa com a Mary e o Jack.
- Will disse-me que vamos para o Egipto. – Elizabeth encarou Lara.
- É a única prova. Além do mais eu quero fazer uma reunião hoje à noite.
- Como está o James? – Elizabeth perguntou. – Ele nunca me foi ver.
- Não? – Lara arqueou uma sobrancelha. – Mas ele chegou várias vezes a ir ao porão. Uma vez até o cheguei a ver à porta da cabine.
- Mas ele nunca lá foi. – Elizabeth confirmou. – Talvez me tenha esquecido.
- Não, claro que não! – Lara exclamou. – O James também ficou afectado com a situação. Talvez… ele não conseguisse aguentar a dor porque estavas a passar.
- Como assim? – Elizabeth franziu a testa.
- Tu sabes que ele te ama. – Lara falou directo.
- Ele é apenas um amigo. – Elizabeth caminhou até meio do tombadilho. – E o meu coração fechou-se para sempre.
Lara não conseguiu argumentar e deixou Elizabeth sozinha. Sabia que esta estava sofrendo bastante mas não conseguiu deixar de pensar que a sua situação era muito pior. Thomas tinha morrido. Essa era a verdade. Mas Jack e Mary tinham desaparecido. O seu coração dizia que estes estavam vivos, mas a verdade é que não sabia se estes estavam bem nem onde tinham ido parar concretamente.
- Ela ainda não se convenceu. – A voz de Darius soou atrás de si, mas Lara não se moveu um milímetro.
- Ela vai ter de se habituar e mais do que isso esquecer. – Lara disse.
- Habituar-se sim, mas esquecer? Garanto que isso não acontece. – Darius disse.
- Eu preciso convocar uma reunião. – Lara disse. – Desde que zarpamos que não tomamos nenhuma decisão concreta.
- Os homens comentam que estamos apenas à espera de um sinal de Calipso. – Darius disse.
- Oh por acaso. Se ela decidisse aparecer daqui a um ano iríamos ficar eternamente à sua espera. – Lara rolou os olhos.
- Eles vêm aí. – Darius apontou para os botes que remavam na direcção do Pearl.
- Óptimo. – Lara sorriu e caminhou até à cabine dos capitães.
Retirou o mapa de Sao Feng da arca e estendeu-o sobre a mesa redonda. Com o dedo traçou a rota desde o Arquipélago de Juan Fernandez até ao Egipto. Mordeu o lábio. Nada aparecia na região do Egipto naquele mapa que segundo a lenda tudo mostrava. Isso a deixava intrigada.
- Ou isto não passa de um embuste, ou é muito maior do que julgamos. – disse para si própria.
Mal recolheram os mantimentos e os botes, a tripulação içou a âncora do Black Pearl e este zarpou em direcção à costa chilena. Com o anoitecer, o Holandês colocou-se ao seu lado e juntos navegavam sobre o céu estrelado.
- Para a próxima vêm ajudar! – Grace exclamou, entrando na cabine e colocando as canecas em cima da mesa.
- Deixe que eu ajudo. – Elizabeth prontificou-se.
- Deviam ser todos como esta rica filha! - Grace exclamou, saindo em seguida.
- Ela está cada vez mais brava. – Alicia observou enquanto se sentava numa cadeira à beira de Lara. – A falta que o Barbossa faz…
- Podias ficar calada e não dizer nada de estúpido uma vez na vida? – Lara perguntou desviando a atenção do mapa.
- Ah desculpa… - Alicia fechou a boca. – Alguém como o Jack também deve fazer imensa…
- Cala o bico! – Lara exclamou socando o braço da amiga quando Darius entrou.
- Oh, chegou o príncipe perdido de Atlântida! Boa noite Darius. – Alicia sorriu.
- Boa Noite senhora Alicia. – Darius sorriu e sentou-se ao lado de Lara. – Vejo que os enjoos de ontem não afectaram o seu bom humor.
- Ah, a mim nada me afecta. – Alicia sorriu e Elizabeth sentou-se ao seu lado.
- Eu acho estranhas essas alegrias repentinas. – Elizabeth olhou Alicia de lado.
- Infelizmente a gravidez na Alicia provocou-lhe desvios mentais que a fazem rir-se demasiado, falar demasiado e ficar demasiado estúpida! – Lara exclamou e Alicia olhou a amiga chocada. Depois, imitando a expressão prepotente de Jack aproximou-se desta.
- Sabes o que é isso? – Alicia perguntou com o dedo no ar. – Falta de homem.
Lara levou as mãos à cara e tentou concentrar-se no objectivo da reunião quando viu Grace entrar acompanhada de Gibbs, Will e Norrington.
- Elizabeth! – James exclamou. – Fiquei contente de saber que saiu finalmente daquele quarto.
- Mas no entanto nunca me foi ver. – Elizabeth falou.
- Hiii vai começar. – Alicia sussurrou e puxou Will para si.
- Eu não queria incomodá-la. – James disse e caminhou até à cadeira oposta à de Elizabeth. – Não a queria nem quero vê-la sofrer.
- Obrigada. – Elizabeth disse e ambos se fixaram até que deram conta do silêncio na cabine. – Ah, podemos começar.
- Pois. – Lara disse enquanto alternava o olhar entre Lizzie e James. "Que falta faz uma piada do Jack neste momento", pensou. – Muito bem, como eu tinha dito, há uma forte suspeita deste tesouro estar no Egipto.
- Suspeita? Pensei que aqueles hieróglifos apontassem para isso. – Alicia disse.
- Sim, mas o que é certo é que nada no mapa de Sao Feng aponta para um tesouro no Egipto. – Lara disse.
- Mas isso pode-nos levar a um beco sem saída. – Will opinou.
- Quando andávamos atrás do Olho-de-Tigre, havia uma grande razão para o Jack e o Barbossa não desistirem dessa busca. – Lara explicou. – Eles achavam que o tesouro estava com a respectiva chave. O Jack pensou que encontraríamos um grande tesouro, mas ao invés disso acabamos num labirinto de pedra, com armadilhas sem fim e uma deusa psicopata.
- Mas se o Olho existe é porque o tesouro existe também. – Elizabeth disse.
- E a capitã falou que esses símbolos na Ilha apontavam para o Egipto. – Gibbs acrescentou.
- Sim. Mais concretamente para Mênfis. – Lara disse. – O problema é que eu não vejo como esse tesouro possa ser enorme se não aparece no suposto mapa que tudo mostra.
- Ele existe. Senão não existiria chave. – Alicia disse. – Mas se ele não é pequeno nem grande, só quer dizer…
- Que poderá ser algo que não esteja relacionado com um tesouro material. – Lara concluiu. – E essa tese ganha força com a história do Darius.
- Como assim? – Todos perguntaram.
A verdade é que para esclarecer maus entendidos, Lara tinha contado a história de Darius mas ocultados alguns factos com o acordo deste.
- Vocês sabem que o Darius foi noivo da Mayara e que se ainda está aqui connosco passado milhares de anos foi por causa do cativeiro de Circe.
- Cadela. – Alicia murmurou.
- O que vocês não sabem é que tudo aconteceu no Egipto. – Lara acrescentou.
- Mas eu pensei que ela tinha aparecido em Atlântida. – Alicia disse.
- A Lara pediu-me para que ocultasse essa parte. – Darius explicou.
- Eu fiz isso porque quis juntar os pontos. Se tenho certeza que é no Egipto que esse tesouro está, é por causa da história dele. – Lara olhou para Darius.
- Eu conheci a Circe no Egipto. Ela foi oferecida em sacrifício a um deus qualquer do panteão egípcio. Isso é o que eu pensava. Hoje tenho a certeza que foi outra coisa qualquer. Circe chegou a falar que não era eu que estava em cativeiro, mas sim ela.
- Calipso tinha dito que Circe fora enviada para a Ilha de Páscoa como castigo de ter morto o marido. – Will disse.
- E que precisava proteger a chave de um tesouro que estava protegido pelos deuses. – Alicia acrescentou.
- Exacto. – Lara acenou afirmativamente.
- Só não entendo uma coisa. Se Circe pertence ao panteão grego, o que é que ela fazia no Egipto? – Elizabeth perguntou.
- É essa a questão. Talvez os deuses tenham escondido o tesouro nesse território. – Lara disse.
- Será que sou só eu que estou preocupado com o facto de termos de lidar com outro tipo de deuses? – Will olhou os presentes.
- Não entendi. – Lara franziu a testa.
- Senhor Darius, disse que Circe esteve num ritual de um deus egípcio? – Norrington perguntou.
- Efectivamente.
- Eu sou bastante céptico mas nisso concordo com Mr. Turner. Talvez esse tesouro esteja escondido por deuses… egípcios.
- Ok, é hora de chamarmos a Calipso. Alguém sabe o caminho até àquele pântano? – Alicia perguntou.
- Estamos a milhas de lá. – Lara disse desconsoladamente. - Sendo assim, não há dúvidas que o nosso destino é o Egipto. Gibbs, Mr. Norrington podem fazer o favor de comunicar qual a rota definitiva que vamos tomar e quais os seus perigos?
- Há sempre perigos nestes mares! – Gibbs exclamou.
- Navegaremos pela costa chilena até ao Cabo Horn na Terra do Fogo. – Norrington explicou e traçou a rota no mapa.
- Espere aí. Isso é o ponto mais meridional da América do Sul. E o tempo não parece lá grande coisa. – Alicia disse.
- Verdade. Eu nunca passei lá, mas conheci oficiais que fizeram essa rota. As condições atmosféricas são o maior obstáculo. – Norrington avisou.
- O que nos espera? – Lara perguntou.
- Temperaturas baixas, com ventos constantes. Piora bastante no Inverno. – Norrington explicou.
- E estamos a apenas dois meses da estação. – Gibbs alertou. – Deus tenha piedade do navio.
- O navio é resistente, Gibbs. – Lara disse. – Aguenta condições dessas e muito pior. O que me preocupa é outra coisa. Quais são as chances de encontrarmos navios espanhóis nestas águas?
- Poucas. – Norrington disse.
- O Holandês está com vocês por isso não haverá problema. – Will disse.
- Eu não quero parecer insensível mas a Mary não está aqui, por isso não sem o que receias. – Alicia encolheu os ombros.
- Mas tenho uma mulher grávida aqui. – Lara disse e Alicia semicerrou os olhos.
- Ora, eu aguento tudo. Ainda estou no princípio!
- Por acaso fazes ideia do tempo que levará a viagem? – Lara perguntou e olhou para Will.
- Nunca menos de três meses já a contar com as adversidades. – Will disse.
- E isso é só a estimativa para atravessar o Atlântico. – Darius avisou.
- Eu nem sei o que acontecerá com a Mary, o Jack e o Barbossa durante esse tempo quanto mais com o teu estado. Quando lá chegarmos estarás no final da gestação. – Lara avisou.
- Eu sou uma pirata. O meu filho nascerá aqui e também será um. – Alicia cruzou os braços e olhou mortífera para Lara e Will evitando argumentos destes.
- Deixe estar. Eu vou ficar de olho nessa garota. – Grace disse. – Nada lhe acontecerá.
- Muito bem. Só mais uma coisa. Teremos de ter muito cuidado com a Circe. – Lara disse. – Há uma forte possibilidade de ela querer se vingar de mim.
- Porquê? – Elizabeth perguntou.
- Porque a Mayara ficou a saber do que acontecera com o Darius e foi atrás de Circe. Não me perguntem o que aconteceu a seguir porque não sei.
- Mas porque é que ela te faria mal? Tu não és a Mayara. – Alicia disse.
- Mas é a sua reencarnação. Além do mais, Circe fugiu do seu cativeiro e pode estar no encalço dos três. Há perigo para a Mary.
- Ela tem dois grandes piratas ao lado dela. – Grace exclamou.
- O problema é que ela é doida por homens. – Alicia arregalou os olhos. – O Jack vai ter de ser forte.
- Ok, reunião terminada. Todos aos respectivos postos e toca a rumar até ao Cabo Horn em direcção ao Atlântico. – Lara disse tentando esquecer as palavras de Alicia.
- Eu acho que ela tem razão. – Darius aproximou-se de si. – Ela vai tentar algo com o Jack.
- Eu sei. Não me admirava que ela o conseguisse. – Lara suspirou.
- Não creio. O Jack a ama. Nunca a iria trair. – Darius sorriu.
- Isso foi antes de ele saber o que se passou realmente naquele buraco.
- Você contou?
- Sim. Eu nunca conseguiria mentir ao Jack. – Lara disse e saiu para o exterior.
- Quem me dera ter tido essa chance. – Darius disse.
- Não me parece que a Mayara pensasse que você a traiu. Eu consegui sentir o quanto ela o amava.
- Mesmo assim. – Darius disse. – Não desistirei enquanto não souber o que se passou com ela. Não descansarei enquanto não mandar aquela bruxa para o submundo.
- Espero que assim seja. – Lara suspirou e fixou o céu estrelado, tentando adivinhar como estariam a sua filha e o seu marido.
Uma semana depois…
Com a aproximação do Cabo Horn, o bom tempo que acompanhava as duas tripulações começou a desaparecer. O mar picado fazia as ondas lamber o casco dos navios espalhando grandes camadas de espuma salgada.
A temperatura tinha descido abruptamente e Lara tinha mandado soltar todas as velas. Navegavam a favor do vento e queria passar o mais depressa possível aquele ponto antes que uma tempestade descambasse. Sabia que o Holandês pouco ou nada sofreria, mas não queria que um eventual acidente com o Pearl os atrasasse.
- Achas que isto vai piorar? – Elizabeth aproximou-se de James.
- Quase de certeza. Pelo que ouvi falar, as tempestades aqui não costumam ser amigas dos marinheiros.
- Tenho a certeza que nos vamos safar. O navio é resistente, a Lara tem se mostrado uma excelente capitã e tu um magnífico imediato. – Elizabeth sorriu.
- Ora, pensei que a impressiona-se mais quando era Comodoro. – James disse.
- Na verdade sempre me impressionaste. É verdade que os nossos caminhos não se cruzaram da maneira que muita gente queria, mas eu sempre te admirei.
- Mesmo quando vos traí? Quando levei o coração de Davy Jones ao Beckett? – James arregalou os olhos.
- É claro que eu fiquei brava. – Elizabeth baixou o olhar. – Mas és um bom homem. E tenho sorte por te ter como amigo.
- Amigos. No final de contas. – James sorriu e fixou um dos mastros.
- Sabes que não te posso dar mais do que isso. – Elizabeth avisou.
- De certeza? – James perguntou e Elizabeth engoliu em seco. – ICEM A VELA DE TRAQUETE!
James afastou-se e Elizabeth olhou o mar revolto com um sentimento de revolta dentro de si.
- Parece que há alguém confuso aqui! – Alicia exclamou e aproximou-se de Lizzie sorrindo.
- Não devias estar aqui. O mar está agitado. – Elizabeth avisou mudando de assunto.
- Não é só o mar que está agitado. – Alicia olhou Elizabeth pelo canto do olho. – Ele gosta de ti.
- Isso não vem ao caso. James sabe o que eu sinto desde o início. – Lizzie fechou os olhos.
- Oh. – Alicia levou a mão à boca e respirou fundo. – Acho que vou mesmo para dentro. O meu estômago está às voltas.
Ao passar o Cabo Horn, o tempo piorou bastante. Além das ondas enormes, o vento cortante e a chuva fria sacudia a tripulação, que tentava ao máximo trabalhar e manter-se quente. Tarefa quase impossível.
- O que estás a fazer? – Lara desceu ao porão e deu com Grace na cozinha. As panelas suspensas abanavam ameaçadoramente e Lara teve de se agarrar às paredes para não cair.
- Preparando uma sopa. Quando isto acabar vai querer ter a tripulação operacional. De contrário terá um bando de zombies que não distinguirão um balde de uma esfregona. – Grace disse enquanto cortava um pedaço de carne seca e o colocava na panela.
- Isto está a ficar feio. Vou dar uma olhada na Alicia. Will está ocupado a dar ordens no Holandês e a ajudar como pode aqui. – Lara disse e voltou ao tombadilho mesmo a tempo de ouvir o primeiro ribombar de um trovão.
- Darius, toma conta disto. Eu vou ficar junto da Alicia. – Lara gritou para este.
- Pode deixar. – Darius respondeu. – Talvez não seja tão difícil assim. Já se vê o contorno do cabo.
Lara semicerrou os olhos e pegou no óculo. A algumas milhas de distância era possível distinguir o contorno escuro do Cabo Horn.
- Diga ao Norrington e ao Gibbs para não se aproximarem demasiado de terra. O terreno é desconhecido e ninguém sabe os perigos que aquela escarpa esconde. – Lara aconselhou.
- Eles sabem o que fazem. – Darius piscou o olho e Lara sorriu entrando apressadamente na cabine.
- Como te sentes? – Lara perguntou assim que entrou para o quente do seu quarto e viu Alicia esticada na cama.
- Tenho todo o corpo dorido, a cabeça às voltas e o estômago completamente do avesso. – Alicia queixou-se. – Vai ser assim durante toda a gravidez?
- Nos primeiros três meses sim. Depois começa a rarear até que te vais preocupar mais com os tornozelos inchados do que com enjoos. – Lara riu e sacudiu o cabelo.
- Estou de sete semanas. O que quer dizer que ainda tenho quase dois meses de enjoos pela frente. Porquê meu Deus? – Alicia simulou um choro.
- O melhor é não saíres até a tempestade passar.
- Será que eu não posso fazer nada para travar a tempestade? – Alicia levantou-se subitamente.
- Acho que não. Isto é um fenómeno da natureza, não um perigo relacionado com algo sobrenatural. – Lara disse e sentou-se numa cadeira.
- Eu acho que a Elizabeth está balançada com o James. – Alicia sorriu.
- Era giro que eles ficassem juntos, mas não estou a ver como. – Lara torceu o nariz. – Talvez não esteja escrito no destino a união dos dois.
- Talvez… - Alicia ficou desconsolada. – Mas o Darius e a Mayara não ficaram juntos e no entanto amavam-se loucamente.
- É. – Lara fez ar distante e um ar travesso passou pelos olhos de Alicia.
- Não me disseste o que te fez voltar atrás e falar com o Darius sobre o seu passado. Sonhaste com alguma coisa? – Alicia perguntou e Lara viu um brilho curioso nos olhos desta.
- Deixa de ser alcoviteira, mulher. – Lara avisou e levantou-se, quase se desequilibrando com uma onda mais forte.
- Ah! Quer dizer que viste algo que não queres falar! Eu escutei quando tu disseste que a Mayara não era uma santa. – Alicia puxou Lara pelo braço obrigando-a a sentar-se na cama.
- A Mayara… - Lara suspirou. - … não esperou pelo casamento para se entregar ao Darius.
Lara viu uma expressão de choque estampar-se no rosto da amiga.
- Tu… viste… a Mayara e o Darius… - Alicia engoliu em seco. - … a fazer amor?
- Ai Alicia. Deixa de drama. Vi e depois. Não foi nada que não tivesse visto e feito antes. – Lara disse com naturalidade.
- Mas… caramba o Darius estava louco por ti e tu viste-o nu de graça! E aí, como é o desempenho dele? – Alicia perguntou com ar safado.
- Alicia! Mais respeito. – Lara levantou-se.
- Ah, para com isso. Tu beijaste-o. Agora vais dizer que não gostaste do que viste? – Alicia cruzou os braços e Lara passou a mão na cara, arrependendo-se de contar tudo a Alicia.
- Eu não te vou dizer como ele é. Além do mais a mim só me interessa um homem pelado e tu sabes muito bem quem é. – Lara deitou a língua de fora, deixando Alicia amuada.
A conversa foi quebrada com o som de um estrondo e Lara correu para o exterior. Quando saiu deparou-se com um dos mastros caídos.
- Era só o que me faltava. – Lara disse em desespero.
- Não há problema. A tempestade não parece estar a progredir e vai dar para sairmos daqui e parar na ilha mais próxima. – Gibbs disse.
- E vamos parar aonde? – Lara abriu os braços.
- Nas Falklands. – Norrington disse. – São um bom lugar para fundear e consertar o navio em segurança.
Lara ficou olhando para o mastro caído. Será que o caminho para o Egipto seria atravessar mares e tempestades sem fim?
Continua…
Oi Leitoras e Leitores! Aqui vai um novo capítulo. Desculpem a demora mas aviso desde já que por causa do começo das minhas aulas na faculdade, a actualização de capítulos será mais espaçada. =/ No entanto aqui vos deixo com este capítulo! Espero que gostem!
Curiosidades: Um dos lugares em que os nossos piratas pararam foi no Arquipélago Juan Fernandez a +/- 600 km da costa chilena. Eu citei as história de Selkirk e como este inspirou a história de Crusoe. Existem sim, duas ilhas na Juan Fernandez com o nome do homem real e da personagem fictícia. Quanto ao Cabo Horn que fica localizado na Terra do Fogo, eu citei as condições atmosféricas do local. Por último, as Falklands que serão o próximo ponto de paragem dos nossos piratas são as também chamadas Ilhas Malvinas.
Hatake KaguraLari: Oi! Obrigada pela review! Espero que goste desde capítulo! Bjs!:D
Dadamaxi: Oi! Obrigada pela review! Ah eles teriam se ferrado mesmo se não encontrassem os tuaregues! E coitado do jack. Vai passar por tanta provação! Espero que goste! Bjs!:D
Olg'Austen: Oi! Obrigada pela review! Como sempre: tenha medo da Circe. Mas será que esse gatinho fofo é uma ameaça? Barbossa é o cavalheiro mau carácter. Das minhas personagens favoritas. Sério, ainda hoje me pergunto como o Capitão Teague deu um filho daqueles... Mayara não é santa. Darius também não. Mas é capaz de ser um príncipe adorável... Espero que goste! Bjs!:D
Yasmim Potter: Oi! Obrigada pela review! A Mary é um amor. Também filha de quem é! =D Eu AMO quando o Jack fala desse jeito. Bobo mas adorável! Espero que goste! Bjs!:D
Saudações Piratas! :D
JODIVISE
