Advertência: Este capítulo contém comportamentos de índole homossexual.
Descendência
VI
Abril de 2009
As batidas incessantes não a deixavam dormir durante a sua tão merecida folga. Toshiko estava um verdadeiro caco, a sua aparência dizia a gritos que definitivamente já tivera dias melhores. A depressão pós-parto só piorava e a medicação não era a solução correta. A asiática precisava do seu filho, ali, com ela. Só isso a salvaria de cair além da redenção.
Toshiko abriu a porta, encarando a mulher com olhos vazios e inexpressivos.
― Miss Toshiko Sato?
― Sou eu.
― O meu nome é Claire Fitzgerald. Sou a ama de leite de Tommy…
― Tommy! O meu Tommy? ― Toshiko jogou-se em cima de Claire, agarrando-a fortemente pelos ombros e chocalhando a pobre mulher até à exaustão.
― Sim, escutei os meus empregadores mencionarem o seu nome e que era a mãe do pequeno Tommy.
A japonesa afastou-se, agora mais calma e moveu-se, deixando a mulher entrar no apartamento.
Claire contou-lhe o pouco que tinha pescado entre os breves diálogos que os seus empregadores tinham dividido.
― Foi por isso que tive de fazer algo. Passei os últimos meses a tentar encontrá-la, Miss Sato. Tommy é um ótimo menino. ― A ama de leite rebusca algo dentro da sua mala e retira um pequeno envelope. ― Foi o único que pude fazer sem que me apanhassem. É instantânea, pelo que a qualidade não é a melhor.
― É perfeita! ― disse Toshiko, admirando o pequeno da fotografia. ― Meu pequeno Tommy! Desculpe-me, foi a emoção ― disse, secando as rebeldes e travessas lágrimas que teimavam em surgir sempre nos momentos menos indicados.
oOo
Jack fez uma careta ao escutar o som irritante do telemóvel de Ianto.
― Nem sequer penses nisso! ― disse Ianto ao ver que o namorado pretendia recusar a chamada ― É Toshiko! Olá, Tosh!
Jack sentindo-se ignorado, recosta-se sobre as costas desnudas de Ianto, distribuindo beijos pela nuca e pescoço do homem mais jovem. O Tea Boy morde os lábios, contendo os gemidos, enquanto escuta atentamente as palavras da amiga. Insatisfeito pela falta de reação, o Capitão levanta-se e dá a volta, ficando de frente para Ianto e empurrando-o até fazer as suas costas tocarem os lençóis da cama.
― Isso é fantástico, Tosh… ― Ianto sente o sangue na boca, ao ter mordido os lábios demasiado forte, para conter o gemido quando fora penetrado sem aviso. ― Tenho… Tenho de tratar de umas coisas… ― A avalanche de emoções, deixou a sua mente em branco, sem poder traçar um pensamento coerente. ― Encontra-mos-nos no Hub… Sim… Logo… ― A chamada concluiu e o telemóvel cai espalhafatosamente no chão, ao ser arremessado pelo forte braço de Jack. ― Isto é sério, Jack! Temos de nos levantaaaaah… ― O golpe certeiro sobre a sua próstata fê-lo ver estrelas… Melhor ainda, constelações inteiras… ― Haaaaaa! ― gemeu ao culminar.
― Yaaaan… ― Jack deixou-se cair sobre o corpo húmido e pegajoso do seu amante como peso morto.
― Levanta-te, Jack, precisamos de ir-nos. Toshi está à nossa espera!
O imortal levantou-se sem muita vontade e esboçou uma expressão tristonha.
― Mais uma vez e vamos… ― disse com voz esperançosa e um brilhinho quase infantil na sua mirada.
― Não, Jack! ― Ianto dirigiu-se ao quarto de banho, com um andar engraçado e os líquidos sexuais deslizando pelas suas coxas torneadas e firmes.
O Capitão passa a língua sobre os lábios perante a visão sensual do seu sémen a escorrer pelas pernas e nádegas do seu sexy namorado. Insatisfeito e com vontade de mais, Jack esboça um sorriso travesso que ninguém viu e segue para o quarto de banho com planos de se unir a Ianto no duche.
O Tea Boy deu um pulo ao sentir uns braços alheios rodearem a sua cintura e virou o rosto, sendo recompensado com um beijo apaixonado e esfomeado. Esquecendo momentaneamente o compromisso no Hub, Ianto entregou-se às sensações prazenteiras, dando a volta e passando os braços por detrás do pescoço de Jack.
O imortal pressionou o corpo do mais jovem contra a parede forrada de azulejos, erguendo a perna esquerda do mesmo e estocando-o sem preparação, devido à intensa atividade da noite passada e minutos antes. No meio da emoção, o Capitão ergueu a perna direita de Ianto, que cruzou ambas as pernas à altura da cintura do namorado, que o estocava sem descanso.
― Haaa… Ianto… Não sabes o quão desejável és…
― Penso que tenho uma boa noção… ― O Tea Boy desenhou um sorriso arrogante na sua face embargada de luxuria. ― Haaa… Mais… Mais rápido…
― Como sua Majestade ordene… ― exclamou Jack com tom brincalhão.
― Haaa! ― O casal ejaculou quase ao mesmo tempo. Ianto deixou a sua cabeça descansar sobre o peito de Jack, enquanto este o auxiliava na tarefa de descer as pernas e voltar a pisar solo firme.
oOo
O casal abandonou enfim o apartamento de Ianto Jones e dirigiu-se ao Hub para se poder reunir com Toshiko.
Ao entrar, foram recebidos pela expressão de surpresa de Toshiko ao vê-los chegar juntos com os cabelos ainda húmidos pelo duche. Agora podia entender porque o seu amigo parecia tão ofegante ao telefone. A sua face enrubesceu de vergonha alheia.
― A fenda? Teóricamente falando, a energia de Tommy Jr. é única na sua espécie, não há outra igual, devido às circunstâncias da sua conceção, pelo que não há forma de prever o desenrolar dos eventos que descreves. Mas não duvido que hajam idiotas inconsequentes que queiram tentar ― concluiu Jack.
― Mas quem poderia ser? ― murmurou Ianto.
― Não faço ideia… Não me ocorre ninguém louco o suficiente para tentar fazer algo do estilo. Mas seja quem for, deve ser impedido a todo o custo! ― expressou o Capitão com resolução.
― Essa mulher… Deu-te alguma pista para a localização onde estão a manter o teu filho?
Toshiko tirou um papel enrugado do bolso do casaco e dá a Ianto, que mostra a Jack.
oOo
A equipa invadiu a residência, uma casa abandonada no meio do nada e como tal sem vizinhos que sirvam de testemunhas. De armas em punho, Torchwood avançou pelo rés-do-chão. Gwen e Owen subiram para o primeiro andar. Jack, Ianto e Toshiko revistaram a cave.
― Jack, encontrámos algo! Não é bom ― disse Gwen pelo intercomunicador.
― Onde estão?
― Última porta à esquerda.
O trio seguiu para o andar superior e entraram no quarto indicado.
― Claire! ― disse Toshiko, aproximando-se para confirmar se tinha pulso.
― Revistem tudo e peguem tudo o que nos possa ser de utilidade para encontrar o bebé. Depois chamem a polícia ― ordenou o Capitão Harkness com voz sepulcral.
oOo
A polícia processava a cena de crime, quando Andy pediu a Toshiko que o acompanhasse à esquadra para prestar depoimento. A japonesa pegou no conjunto de roupa infantil e seguiu o agente da polícia.
Terminado o depoimento, Jack informou a mulher que o regulamento estipulava que esta devia ser afastada da investigação, mas que fariam de tudo para encontrar o infante. Toshiko rompeu em lágrimas e soluços, sendo consolada pelo abraço de Ianto e a mão amiga de Gwen, que se separou para falar com Andy e pedir que a mantivesse a par de todas as descobertas que fossem realizadas.
Um alerta de sequestro infantil foi emitido a nível nacional, mas as esperanças dos agentes a cargo eram praticamente nulas. Casos que envolvam crianças são delicados e desmancham-se facilmente, pois estas crescem e mudam, até ficarem praticamente irreconhecíveis, mas estes estavam a fazer o melhor que podiam para descobrir o paradeiro dos sequestradores e de Tommy Jr.
Toshiko, ainda quando tivesse adormecido, chorava agarrada à roupinha de bebé, cujo odor infantil ainda não desaparecia por completo. Ianto pegou na mulher ao colo e levou-a para o carro com a ajuda de Jack e logo deixaram-a a descansar em casa. A pobre chorara até à exaustão.
