Notas:

Olá, pessoal!

Peço desculpa pela demora, primeiro estive sem inspiração e pouco depois fiquei sem pc… Quando me dei conta, esta história já havia caído no esquecimento.

Mas quem persevera sempre alcança, pelo que aqui têm um novo capítulo.

Espero que gostem...


Renascimento

VIII

Aquela manhã tinha tudo para ser perfeita… ou assim pensava Gwen. Com os resultados das análises zelosamente protegidos no interior da sua mala e um sorriso vitorioso no rosto, a ex-polícia dispôs-se a colocar a fase final do seu plano em prática.

Só necessitava entregar o teste de gravidez a Jack e este, como bom cavalheiro que era, não duvidaria em pedi-la em casamento e esquecer Ianto de uma vez por todas.

O único obstáculo a interpôr-se entre ela e o sucesso do seu formidável estratagema era aquela moléstia de nome Nicolò. Precisava livrar-se dele de uma vez por todas. Talvez fazer uso dos seus direitos como mãe do filho do Capitão Harkness e exigir que o veneziano fosse retornado à sua linha temporal, com as memórias devidamente apagadas.

Mas… Nem sempre as coisas correm como esperado e a mulher estava prestes a descobrir isso…

Gwen levantou o braço para poder ver as horas no seu relógio de pulso.

"Tenho de assegurar-me de que chego cedo. Não quero interrupções indesejadas, se demorar muito corro o risco de ser interceptada pela Toshiko."

oOo

Ao chegar ao trabalho, a gestante conteve o instinto de correr ao encontro daquele que ela acreditava ser o seu verdadeiro amor. Precisava manter a compostura, caso contrário pareceria uma mulher desesperada a tentar prender o seu homem com a concepção de uma criança. Facto que não poderia de forma alguma passar pela mente de Jack ou o seu plano iria por água abaixo e nem mesmo um bebé poderia salvá-la daquela enorme desgraça.

Gwen entrou no escritório sendo surpreendida de forma nada grata pela visão de "Janto", como apelidara Toshiko tempo antes, a dividir um fogoso momento.

Jack mantinha Nicolò deitado contra a superfície da mesa, segurando os seus pulsos sobre a cabeça do mesmo e deslizando a sua mão livre ao longo da pele descoberta.

O imortal desceu a cabeça e beijou o delicado peito do menor com amor, adorando cada canto daquele templo vivo.

— Hmm.. J-Jaaack… — ronronou o nobre, erguendo o tronco e indo de encontro aos lábios sedentos do seu amante que atualmente se encontrava a meio do seu ritual de veneração dos botões rosados que coroavam o peito pálido do jovem veneziano.

Jack beijou o mamilo direito, enquanto a sua mão livre, subia através do corpo disposto e entregue, até alcançar o gémeo esquerdo e beliscá-lo levemente, arrancando uma nova sinfonia de gemidos.

— Vou adorar desflorar-te outra vez, Ianto. Não! Nicolò, meu belíssimo Nicolò — murmurou o Capitão Harkness tomando possessão dos lábios inchados e vermelhos do seu amante.

— Seu destruidor de lares — Ao escutar tais palavras, o casal separa-se apressadamente. —, como ousas jogar-te em cima do meu homem e deixar-te foder em cima da minha secretária!? — gritou a mulher fora de si, quase parecendo que começaria a deitar espuma pela boca tal qual um animal raivoso.

— Primeiro de tudo, não sou o teu homem — afirmou Jack Harkness, auxiliando o nobre, que lutava contra o tecido das suas vestes — e segundo, Nicolò não é um destruidor de lares, ele é o homem que eu amo e nada do que digas ou faças poderá mudar isso.

— Mas… Mas… tu… tu dormiste comigo, Jack… duas vezes, na verdade… e… e… vais ter um filho comigo… — A mulher abriu a mala, agarrando nos exames que prontamente lançou na face impávida do seu chefe. — N-Não me podes abandonar agora, Jack... — Gwen explodiu num mar de lágrimas sem fim. — Eu preciso de ti... O nosso filho precisa de ti! — exclamou a mulher, acariciando o seu ventre ainda plano — Sê homem, assume a responsabilidade e casa-te comigo!

Nicolò sentiu uma sensação de ardor nos olhos, mas não quis dar-se por vencido.

"Não vou chorar… Não… vou chorar…", pensou o veneziano, ignorando que a batalha já havia sido perdida antes deste sequer mesmo se aperceber.

Uma solitária lágrima vertida pelo olho direito do jovem europeu, deslizou lentamente pela sua bela face, pendendo na linha do queixo e deslizando ao longo do seu pálido, esbelto e marcado pescoço, graças aos inúmeros beijos que o imortal lhe tinha dado durante o seu ritual de adoração. O pequeno resquício de água salgada aninhou-se por fim no pecaminoso vale da estilizada clavícula do nobre.

— Antes de tudo, não me recordo de ter cometido o erro de partilhar leito contigo duas vezes, Gwen. Aquela noite, aquela... única... noite — Fazendo questão de enfatizar a palavra "única". — foi um erro… — disse Jack, iniciando um breve discurso — Eu estava vulnerável e tu como minha amiga que és, deverias ter-me impedido de cometer uma estupidez da qual me viria a arrepender sem dúvida alguma.

A mulher abriu a boca para reclamar que terem feito o amor não tinha sido uma estupidez e muito menos um erro, sendo impedida pelas palavras do Capitão Harkness.

— Em vez disso, o último que recordo daquela fatídica noite, antes de acordar, ao teu lado na manhã seguinte, na cama daquele motel... foi que não deixavas de me oferecer um copo atrás do outro. Agora que penso bem nisso, o teu objetivo desde então era induvidavelmente embebedar-me, daí haver tanto álcool envolvido — acusou o homem. — Mas se o que dizes é verdade e essa criança é minha, vou assumir a responsabilidade…

Gwen esboçou um sorriso de alegria, tintado pelos leves rastos das lágrimas prévias e Nicolò encolheu-se contra a parede mais próxima, sem poder conter mais o pranto que o acometia.

Os seus ombros trémulos… As suas mãos cobrindo a sua boca, não querendo deixar transparecer a sua dor… constituíam um quadro de partir o coração à mais cruel das criaturas. Mas tal não parecia surtir nenhum efeito sobre Gwen, que com um sorriso arrogante aproximou-se ao menor, cuspindo-lhe na cara.

Enquanto o jovem limpava a saliva do rosto, Jack querendo consolá-lo tentou aproximar-se a ele. Antes mesmo de o poder tocar, Nicolò encolheu-se contra a parede e abraçou-se a si mesmo, buscando consolo naquele gesto vazio e frio.

Desejava aferrar-se a Jack, mas… quem era ele para impedir aquilo? Para privar uma criança do seu pai? Para destruir uma família? Nem possuindo todas as memórias de Ianto poderia cometer tal atrocidade… Família é algo sagrado! E ele nunca se meteria no meio da felicidade do homem que ama desde o fundo da sua alma.

— Entendeste agora, sua puta sem escrúpulos? Ele é meu! Eu vou dar-lhe algo que tu… com esse… ess… — Gwen lançou uma mirada depreciativa, observando o jovem da cabeça aos pés e concluiu com a voz embargada em desdém. — corpo másculo e sem graça... nunca lhe poderias dar, nem em sonhos… Uma criança. Uma criança carne da sua carne e sangue do seu sangue. Tu… Tu nunca lhe poderias dar um filh…

O som da cacetada propiciada pelo Capitão Harkness ressoou ao longo dos gabinetes do edifício de Torchwood Three.

Sem aguentar mais as palavras denigrentes da sua subordinada e a mirada de agonia da sua alma gémea, Jack havia cessado as estupidezes que esta pregava, recorrendo ao uso da força.

— Vou assumir a paternidade, mas é só isso, Gwen… A criança será a minha prioridade e velarei pelo seu bem-estar. Pagarei uma pensão como dita a lei e respeitarei o regime de visitas que impuseres… Mas... tu e eu não somos nada. Ouviste? Nada! Para mim só existe Nicolò — concluiu o Capitão, agarrando o pulso do soluçante veneziano e abandonando o seu local de trabalho sem olhar para trás.