Disclamair: Harry Potter não me pertence, essa fic é feita apenas para diversão, não estou ganhando nada com isso.

OBS: Se vocês acharem algum erro ortográfico por favor me avisem para que eu possa corrigir. Obrigada.

" Itálico com aspas " = comunicação telepática com as fênixes.

' itálico e sublinhado com apóstrofo' = leitura de algum livro/grimório/bilhete/carta.

Itálico com a palavra FLASHBACK = lembranças atuais ou outra linha do tempo

Somente itálico = sonho/ visão.

"Itálico em negrito com aspas" = língua de cobra.

CAP: 02 – Luxor e Pretorian.

Molly estava apopléctica ao descobrir tudo o que acontecera com sua caçula, sua única menina. Desde que soubera que sua sétima criança era uma menina, ela temeu a maldição Weasley. Era fato conhecido na família que desde que Genevive Weasley caiu em desgraça por fugir com um homem casado e se matar quando foram achados e separados novamente pelas famílias, toda a linha Weasley fora amaldiçoada com o declínio social e a falta de uma menina.

A família de Arthur ficou estarrecida e em alerta quando ele comunicara sobre o nascimento de Ginevra. Durante os sete primeiros meses da menina houve um fluxo quase constante de parentes. Principalmente de sua sogra Cedrella, que parecia querer ter a criança dentro do seu campo de visão tanto quanto possível, o que internamente ela agradeceu muito, pois desde seu primeiro dia de nascida sua menina havia demonstrado magia.

Ela e seu marido estavam conversando com Madame Pomfrey sobre o possível uso de poções de sono sem sonhos quando se virou para a cama onde havia deixado sua filha deitada e a viu vazia. Molly estava a ponto de vasculhar todo o castelo atrás da sua filha quando professor Dumbledore entrou no local.

-Ah, Molly, Arthur! Que bom que ainda estão aqui. –ele disse, uma leve sensação de alivio passou pela matriarca da família ruiva, o diretor seria capaz de dizer onde sua menina estava, afinal ele sempre sabia o que ocorria no castelo.

-Sim, estávamos falando com Poppy sobre poções de sono sem sonhos para nossa filha e talvez algum medi-bruxo de mentes. –Arthur disse calmo.

-Claro, claro que sim. Talvez as poções sejam necessárias. –o diretor disse. –Mas creio que o medi-bruxo é dispensável, você sabe como nossa sociedade vê quem consulta esses especialistas em geral.

-Eu não quero minha filha marcada como uma louca, Arthur! -ela disse percebendo o que eles quase fizeram com seu precioso bebê.

-Mas Molly...

-Meu caro Arthur. Creio que o amor da sua família será o bastante, juntamente com o tempo, para curar o trauma da jovem senhorita Weasley. –Alvo disse com um sorriso terno e a mulher concordou.

-Sim, você está certo professor. Qualquer coisa podemos apenas ensina-la em casa pelo tempo que ela precisar. –Molly disse, ela queria garantir que sua filha estivesse perfeitamente bem antes de cogitar a possibilidade de deixá-la sair de casa novamente.

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Harry viu Gina entrando no banheiro da Murta e parou no lado de fora a esperando sair. Ele ficou pensando novamente em tudo o que ocorrera desde que Hagrid foi buscá-lo no casebre sobre o rochedo, não, desde que ele recebeu a primeira carta. Dumbledore sabia como ele era tratado nos Dursley, sua primeira carta foi dirigida ao armário sob as escadas onde ele dormia. Sua mente avançou para tudo o que aconteceu antes e durante seu primeiro ano.

Ele pensou nas pessoas que o cumprimentaram no Caldeirão Furado na primeira vez, ele teria que ser muito burro para não perceber que duas ou três daquelas pessoas, convenientemente estavam perto dele quando sua tia o levava para algum lugar longe da Rua dos Alfeneiros, claro que isso só ocorria quando ela não conseguia despacha-lo com a senhora Figg.

E então... Todos os primeiros anos nascido-trouxa pareciam ter lido os mesmos livros que Hermione citara no trem, onde ele era mencionado... Ele vira Dino arrumar seu malão e viu Ascensão e Queda da Magia Negra entre seus livros. Isso explicava como Colin sabia sobre ele, mas não havia nenhuma explicação para o motivo dele não ter sido orientado sobre os respectivos livros. Duas perguntas martelavam em sua cabeça insistentemente.

O que mais havia sido escondido dele? E por quê?

Ele tinha mandado uma carta para Floreios e Borrões na noite anterior, depois de se despedir de Gina. Era um pedido bem simples o que ele fez e esperava que o lojista pudesse fazer o que lhe foi pedido.

Ele suspirou e olhou para os lados. Gina estava há bastante tempo lá dentro. Entre abrindo vagamente a porta ele chamou por Murta, a fantasma veio parecendo muito feliz.

-Oh, você veio novamente! –ela disse sorrindo.

-Olá Murta. -ele saudou inquieto. –Então... Eu estou procurando por uma amiga, você pode ver se ela está lá dentro, por favor? Ela é da grifinória, ruiva...

-Oh sim, ela está! Ela desmaiou faz um tempo agora. –ela informou e ele invadiu o lugar vendo Gina caída perto da pia. -Fico me perguntando se ela vai morrer também, eu não vou dividir meu box! Mas ela pode usar um dos outros...

-Murta! -Harry a interrompeu. –Você pode, por favor, ficar olhando-a enquanto eu vou chamar um professor?

-Eu não sou babá de ninguém! -ela gritou e mergulhou em um dos vasos.

O moreno balançou a cabeça e olhou para a ruiva, ela estava muito pálida. Ele tirou a gravata e a molhou na pia, ajoelhando-se logo em seguida ao lado dela. Ele colocou a passou o tecido molhado no rosto dela. Ele não notou quando o objeto em seu bolso aumentou a temperatura mais e mais, só quando se levantou para molhar o tecido novamente foi que notou que ele estava rodeado novamente pela mesma redoma da câmara.

Um canto parecido com o de Fawkes soou dentro da redoma, mas era um som duplo novamente, como as vozes na câmara. Gina começou a se mover e ele se abaixou para ajudá-la a sentar-se, ela piscou confusa e olhou em volta surpresa.

-Você consegue se levantar? -ele perguntou, ela acenou silenciosamente.

A redoma novamente se transformou em chamas, mas ao invés de se dividir em outras cores como da última vez, elas avançaram sobre eles.

"Não temam crianças. As chamas não vão lhes machucar. Suas almas foram tocadas e manchadas pelo ódio de Riddle. Nós iremos limpá-las, assim como iremos retirar os bloqueios em sua magia, mas apenas os bloqueios feito por homens. Sua magia deverá vir completa quanto for o tempo certo. Nós estamos aqui para guiá-los nos caminhos antigos".

A voz dupla disse e logo ambos estavam envolvidos por inteiro pelas chamas. Harry sentiu uma sensação morna de aconchego e então, era como se um peso tivesse sido tirado dos seus ombros e peito. A cada segundo era como se ele tivesse tirando mais e mais pesos de cima dele, como se toda a sua curta vida ele tivesse sido obrigado a andar com grossas correntes de ferro em todo seu corpo e agora as correntes eram retiradas.

Ele virou-se para a ruiva e a viu olhando para suas mãos e braços de certa forma... Maravilhada, quase em êxtase. A chama antes branca agora se dividiu em duas aves de puro fogo, uma branca e outra negra e com uma explosão silenciosa as labaredas se transformaram em duas fênixes, um pouco maiores do que Fawkes, e o familiar do diretor era tão grande quanto um cisne adulto.

A ave negra parecia perigosa em um primeiro vislumbre, mas ela emitia uma sensação de poder acolhedor. Suas garras e bico prateados contrastavam fortemente com suas penas que começavam em um tom de prata acinzentado na base do bico e subia escurecendo em tom de grafite no centro da cabeça onde tinha um penacho como as aves de rapina e negro brilhante no resto da cabeça, pescoço e corpo, as asas eram negras mas com tom de vermelho sangue nas pontas, mesmo tom que se repetia no começo da longa cauda, que clareava em um tom vibrante de vermelho alaranjado e terminava em uma cauda como a de um pavão em tom de dourado com prata.

A ave branca tinha as garras e bico dourados, ela tinha o mesmo penacho que a fênix negra, mas essa era no tom de amarelo pálido, o restante de suas penas eram brancas com exceção das asas que escureciam em um tom de amarelo pálido e terminava em um tom de vermelho fogo. Sua calda começava no mesmo tom de vermelho e ia escurecendo em um tom de lilás e terminava como a de um pavão nos tons de roxo, dourado e negro.

Ambas as aves tinham olhares penetrantes em um tom de azul acinzentado, como os olhos do senhor Olivaras. As aves voaram para eles e pousando em seus ombros foram envolvidos novamente por chamas e em meros segundos eles se viram dentro de uma sala do tamanho de uma catedral. O teto abobadado erguia-se a uns bons nove metros acima de suas cabeças, grandes janelas permitiam a luz entrar em abundancia iluminando as centenas de milhares de estante abarrotadas de livros.

"Sejam bem vindos ao coração de Hogwarts crianças" a voz dupla soou novamente.

-O que... –Harry engasgou quando percebeu que as vozes estavam dentro da sua cabeça.

"Não tema, jovem Lord Potter. Eu sou Luxor" uma voz suave e feminina soou e a fênix branca voou para sua frente, um poleiro alto de ferro fundido com uma pira sustentada por correntes apareceu e a ave pousou nele. "Eu vou guiá-lo pelo caminho antigo, assim como meu companheiro Pretorian" completou e a ave negra trinou em acordo.

Harry olhou para a outra ave e Gina muito concentrada na fênix negra que estava pousada em um poleiro idêntico ao da fênix branca. Vez ou outra a menina acenava com a cabeça em uma conversa silenciosa.

-Vocês... Hum... –ele começou sem jeito

"Basta pensar na pergunta criança, se você tem medo que a jovem oráculo ouça suas duvidas" a ave branca trinou em divertimento.

"Ok... Isso é estranho". Ele pensou e teve a nítida impressão de que Luxor girou os olhos.

"Porque isso é sempre a primeira coisa que os humanos pensam?" a ave perguntou balançando a cabeça. "Vou responder as perguntas que sempre fazem".

"OK."

"Somos fênixes nascidas a partir da própria magia por assim dizer, eu posso ensiná-lo pelo caminho da chamada magia branca e Pretorian pela chamada magia negra. Mas a questão é: Não existe magia branca e negra, de luz ou trevas. O que existe é o bem e o mal e como você usa o que você aprendeu." A ave disse.

"Mas todos..."

"Criança, eu vi em sua alma, quando nós a purificamos. Diga-me, o que aconteceria se você fizesse com um humano o que você e o seu amigo fizeram com aquele Troll?"

"Ficaria com muita dor de cabeça? Desmaiaria?" ele perguntou incerto.

"Morreria" Luxor disse categórica e ele sentiu o sangue sumir do seu rosto. "Vou ser honesta com você criança. Nem eu e muito menos Pretorian vamos poupá-los da realidade da vida e da magia. Não muito tempo atrás dessa época, crianças como você já estavam sendo preparadas em campo de batalha em meio ao sangue e dor, preparadas para o casamento e já tinham até mesmo um companheiro escolhido. Eu sei que você deveria ser uma criança normal como qualquer outra do seu tempo, mas a questão é, você nunca foi uma criança foi?"

"Não, eu nunca fui." Harry concordou pensando em seu tempo como escravo e saco de pancada dos Dursley e suas quase mortes em Hogwarts. "Eu não acho que serei um dia, não?"

"Sinto muito Lord Potter, mas não. Nós fomos enviados para ajudá-los a mudar o futuro. Logo suas lembranças do futuro serão desbloqueadas de suas mentes, assim como..."

-Espere! Desbloqueadas, como em eu sabia que tudo isso iria acontecer, mas minha memória não funcionou? -ele perguntou em voz alta. –Eu poderia ter evitado Gina sofrer nas mãos de Riddle e não consegui porque minha memória está bloqueada?

"Quando sua memória voltar, você vai entender o porque disso Lord Potter."

-Eu não sou um Lord! Pare de me chamar assim! -ele esbravejou.

-Sim você é. – ele ouviu uma voz baixa e virou-se.

Ele havia esquecido que Gina estava lá, tão centrado como estava com Luxor. A ruiva ainda estava pálida, mas era bem menos do que quando a encontrou.

-Gina... Eu... Sinto muito, se pudesse ter lembrado... –ele começou.

-Está tudo bem, Harry. Já passou e quando as nossas lembranças voltarem, vamos saber o por quê. –ela disse e as fênixes trinaram em acordo.

-Certo. –ele resolveu deixar o assunto de lado por enquanto. –Por que você disse que eu sou um Lord?

-Professora McGonagoll não lhe contou quando foi lhe entregar a carta? -ela perguntou parecendo confusa, mas agora ele é quem estava confuso.

-Hagrid me levou a carta. –ele disse.

Harry contou tudo para ela sobre sua primeira carta, seu tio pirando e por fim o resgate do rochedo. Depois que ele falou isso, foi que ele pensou melhor sobre todos os acontecimentos. Ele continuou a contar sobre sua chegada ao Caldeirão Furado e tudo o que ocorreu naquele dia e depois a forma como foi sumariamente ignorado por seus parentes e despachado na estação, sem saber como chegar a plataforma e como ele ouviu a senhora Weasley falar sobre a estação.

-Espera! -ela disse de repente. –Harry pelo que você me disse, você foi claramente manipulado para tanto cair em grifinória como para ver Dumbledore como a perfeição em forma humana, além de ter sua curiosidade atiçada para a coisa no cofre e... –ela parou e uma grande e fofa almofada apareceu do nada quando ela quase caiu no chão. –Minha mãe...

-Gina você está bem? -ele perguntou aproximando-se dela.

-Minha mãe nunca falou sobre a plataforma ou sobre trouxas tão alto como naquele dia. –ela murmurou olhando para o nada. –Era quase como...

-Ela esperava que eu estivesse perdido lá? -o moreno perguntou.

-Ou que alguém disse a ela para fazer isso. –ela disse.

-Como assim?

-Desde que eu bem... Não me lembro direito, acho que desde sempre, mamãe é estranha comigo, nunca me deixa sozinha, mas nos últimos três ou quatro anos eu acho, ela tem essa mania horrível de me contar histórias onde você é um cavaleiro grifinório de armadura brilhante e eu sou a princesa. –ela admitiu corando fortemente. –Acho que foi mais por isso, do que qualquer outra coisa, que eu tive essa... Paixonite por você.

-Você acha que está tudo ligado? -ele perguntou sentindo o rosto queimar, por ela ter admitido que teve uma paixonite por ele.

-Acho que sim. –ela acenou, finalmente o olhando nos olhos e sorriu levemente. –Eu conheço uma poção, eu nunca fiz porque eu não achei necessário, ela revela os bloqueios mágicos mesmo os já desbloqueados, mostra também nossas deficiências e poderes herdados caso você não saiba o histórico da sua família. Segundo o livro que eu achei, ele diz a origem do dom e como desfazer os bloqueios se eles podem ser quebrados e as deficiências normalizadas.

-Luxor e Pretorian disseram que iriam desfazer os bloqueios feitos por humanos. –ele comentou lembrando as palavras entre as chamas.

-Sim. Devemos ter somente os bloqueios naturais então.

-Bloqueios naturais? -ele perguntou.

-Nossa magia se bloqueia, caso somos poderosos demais para nossos corpos. –ela disse. –Geralmente desbloqueia após o casamento. –ela disse corada.

-Por que? -ele perguntou e a viu com curiosidade ela ficar mais vermelha. –Gina.

"Por causa do mais antigo ritual de libertação criança" uma voz forte e masculina soou em um tom divertido. "Parece que algumas crianças ainda sabem sobre os antigos rituais" Harry olhou e viu o fênix negro o encarando.

-Se dependesse da minha família eu não saberia. –a ruiva resmungou e as fênixes trinaram um riso divertido.

-Que ritual é esse?

"O acasalamento criança" a voz que ele assumiu ser de Pretorian disse. "Os humanos chamam de sexo" a ave explicou e ele sentiu o rosto queimar ao seu lado Gina gemeu e enterrou o rosto nas mãos.

Depois que a vergonha passou Luxor os salvou da falta de tato de Pretorian e explicou que aquele lugar ficava no sétimo andar e poderia se tornar o que eles precisassem. Explicou como acessar a sala e tudo o que existia ali eram de séculos e séculos de serem escondidos, tanto por alunos, professores e diretores, por isso haviam tantos livros.

Muitos diretores, em surtos de arrogância, pensaram que aquele lugar era acessado somente por eles e usaram o lugar para esconder muitos livros. Livros esses que eles poderiam retirar a vontade, já que ninguém sentiria falta e muito dos conhecimentos estavam perdidos.

Harry viu com preocupação a caçula Weasley dar o mesmo sorriso que ele vira nos gêmeos quando eles iam aprontar alguma coisa. Aquele sorriso colocou todos os seus sinais de alerta piscando e ele quase poderia ouvir sirenes tocando quando ela o olhou e os olhos brilharam como os de filhote de cachorro.

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Neville sentiu uma forte pontada na cabeça e baixou o livro de herbologia que ele havia pegado na biblioteca, abriu as cortinas e viu que todo o quarto estava iluminado, franzindo a testa ele olhou para o relógio e percebeu que era hora do almoço. Praguejando por ter perdido o café da manhã ele desceu para o Salão Principal, certamente um pouco de comida faria a dor de cabeça passar.

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Harry ainda não sabia como a ruiva havia o convencido, mas ele fez uma anotação mental de correr na direção oposta toda vez que ele visse aquele olhar de cachorrinho carente, principalmente se ele viesse logo após o sorriso "Frajola comeu Piu-Piu", ele sorriu vagamente ao lembrar do desenho que ele vira na escola uma vez quando a professora de literatura precisou sair no meio da aula as pressas e o diretor os levou para a sala de vídeo para assistir desenhos até a próxima aula.

Ele balançou a cabeça e tentou não pensar na quantidade de livros magicamente diminuídos que ele estava carregando nos bolsos e nem no que Gina e as fênixes lhe disseram. O moreno estava indo almoçar e sabia que estava indo para enfrentar um interrogatório enorme de Hermione, talvez se ele usasse a mesma tática de comer como Ron ela não o enxeria de perguntas.

Era uma esperança e que se provou ineficaz dada a natureza da sua amiga que não se abalou com o silencio dele. A grifinória fez um barulho de gato zangado e virou-se para falar com Percy que estava dando sugestões sobre as classes opcionais. Harry pensou na conversa na Sala Precisa, como ele chamou o coração de Hogwarts e nas opções que ele escolhera.

-Hei Harry, vamos pegar Adivinhação e Trato das Criaturas, são as mais fáceis de dizem que a professora de Adivinhação é uma piada. –Ron disse depois que engoliu um pedaço realmente grande de torta.

-Eu já escolhi Runas, Aritmancia e Trato das Criaturas. –ele disse não olhando para o amigo.

-Cara, você ficou doido? Quer ter trabalho por quê? -o ruivo perguntou. –Vamos falar com McGonagoll para ela mudar suas opções, ela...

-Eu não vou mudar! -ele exclamou abaixando os talheres e olhando para o amigo. –Eu andei pensando muito Ron. Eu não vou mais me atrasar, eu não vou mais segurar. –ele disse e se levantou, saindo do Salão Principal mal vendo o caminho que fazia a passos rápidos.

-Batata Frita. –ele disse para a mulher gorda quando ele percebeu que estava em frente o retrato da Grifinória.

Ele subiu para o dormitório masculino e tirou uns quarenta livros dos bolsos. Abriu o malão e colocou todos os livros ao lado do malão em pilhas distintas. Os livros da Sala Precisa eram antigos e muitos eram grimórios manuscritos de famílias extintas. Em sua maioria eram sobre os costumes e tradições do mundo bruxo. Os livros de Hogwarts foram divididos por assunto, os de Defesa Contra as Artes das Trevas eram um total desperdício de dinheiro, ele iria dá-los ou tentar trocar por algum outro livro mais interessante em algum sebo no Beco Diagonal.

O moreno tirou as roupas velhas de Duda e as vestes bruxas que ele usava no mundo mágico. Gina lhe contara sobre a troca de moeda em Gringotes e que era principalmente por esse motivo que seu pai conseguia sustentar uma família tão grande. Ele ia dar um jeito nisso com a ajuda de Pretorian, Luxor e Gina. A ruiva havia bolado um plano realmente louco, tão louco que ele ainda se batia por não conseguir fugir daquele olhar de cachorrinho dela. Tirando as penas quebradas e alguns tinteiros virados que ele nem lembrava que existia e jogando-os no lixo ele começou a organizar suas coisas.

Pegando uma ou duas camisas velhas, ele tirou a tinta derramada e limpou o baú, jogou as blusas no lixo também e começou a empilhar os livros em um lado do baú, juntamente com suas penas boas e pergaminhos, e do outro lado suas roupas trouxas e bruxas, a capa de invisibilidade e sua vassoura com o kit de manutenção. Era realmente maravilhoso o quanto o malão se expandia para caber suas coisas, mas ele ia precisar de algo que coubesse muito mais se ele e Gina estavam indo para recuperar todos os livros da Sala Precisa. Ele ouviu a porta abrir e fechar, suspirando pesaroso ele fechou o malão e virou-se para encontrar-se sob o olhar de Ron e Hermione.

–O que foi agora? -ele perguntou sentando-se na cama.

–O que você quis dizer com se atrasar e se segurar? -Hermione perguntou cruzando os braços e lhe dando um olhar cauteloso.

-Porcaria, eu gosto de estudar, ok?! Eu realmente gosto de me dedicar em algo. –ele soltou e esfregou as mãos no rosto.

-Mas, Harry você nunca...

-Olha Hermione, diferente de você que era incentivada a tirar boas notas, eu levava uma surra quando tirava uma nota melhor do que Duda e era pior se era o melhor da classe! –ele explodiu. –Você não sabe o que é ter que pedir aos céus para tirar uma nota pior do que seu primo acéfalo, você não sabe o que é apanhar e ficar sem comida simplesmente porque você foi elogiado por um professor, você não sabe o que é ter seus livros e tarefas trancadas porque seus parentes não querem que você seja melhor do que a porcaria do seu primo, não importa se vocês vivem em mundos completamente diferentes. –Harry rosnou enquanto andava de um lado para o outro do dormitório. -E principalmente você não sabe o que é ter lutar contra sua própria mente para se lembrar que eles não se importam o suficiente para pedir suas notas, desde que eles não o vejam fazendo as tarefas ou algum professor te elogie para eles! -ele terminou e olhou novamente para os amigos.

Ron estava abrindo e fechando a boca como um peixe fora da água e Hermione tinha os olhos brilhando em lágrimas.

-Oh Harry! -ela exclamou e se jogou nos braços dele. –Eu sinto tan...

-Tanta pena? -ele perguntou na defensiva afastando-a dele. –Eu não preciso de pena Hermione! Eu simplesmente contei isso para vocês me deixarem ser eu mesmo! Eu vou ser o que eu sempre quis ser e nada e nem ninguém vai me parar, eu não vou ser um rato de biblioteca, mas eu também não vou mais ser desleixado com a minha educação. –ele disse vendo a expressão dos seus amigos mudarem.

-Desculpe, eu não quis que você... Não quis dizer que era pena, bem, eu só... –Hermione tentou dizer sem jeito, enxugando o rosto de algumas lágrimas que caíram.

-Então... Hum... Era por isso que você sumiu o dia todo? -Ron perguntou com uma expressão estranha. –Estava estudando? -o ruivo perguntou como se tivesse falando um palavrão.

-De certa forma. –ele disse.

-Como assim de certa forma? -Hermione perguntou, voltando ao seu normal. –Ou você estuda ou não estuda.

-Eu descobri umas coisas sobre mim, e estava pesquisando. –ele forçou uma meia verdade.

-Que coisas? Isso tem a ver com você não usar mais óculos? É algo que aconteceu na câmara? Aliais você ainda não me disse o que aconteceu lá...

-Hermione! –ele a chamou e ela parou de falar. –Primeiro, eu achei que Ron já havia explicado pra você, já que eu já expliquei pra ele e eu não vou me repetir. –ele disse quando ela abriu a boca para retrucar. –Não foi algo que aconteceu na câmara e não tem a ver sobre eu não usar mais óculos. É sobre o fato de eu ser o último membro da Casa Potter.

-O que isso tem haver? -ela perguntou e Ron concordou.

-Eu sou o Chefe da Casa Potter desde que meus pais morreram Hermione. –ele disse e ela apenas o encarou e virou-se para Ron que pareceu finalmente entender o que ocorreu.

-Isso é algo que os bruxos não ensinam para os nascido-trouxa e nem escrevem em livros de acesso livre, Hermione. –o ruivo disse. –Isso basicamente significa que Harry pode ter o traço removido dele assim que ele quiser ou seu tutor mágico permitir.

-Só que eu não tenho tutor mágico. –o moreno explicou. –Se eu tivesse um tutor, porque eu teria que viver com os Dursley? -esclareceu com uma pergunta.

-Oh! Você já procurou na biblioteca? Tenho certeza que deve ter algum livro sobre isso. Hogwarts tem a maior biblioteca mágica da Grã-Bretanha pelo li em Hogwarts-Uma História! –ela disse e saiu em disparada do dormitório.

Harry balançou a cabeça e deitou-se na cama preparado para um cochilo ou algo assim.

-Você não sabia que era o chefe da sua família? -ele ouviu Ron perguntar.

-Não, Ron, eu não sabia. –ele disse olhando para o amigo e franziu a testa vendo o olhar descrente do amigo. –Porque todos pensam que eu sei dessas coisas? Porque todos me tratam como se eu tivesse sido criado como um príncipe mimado sangue-puro? Que porra, eu fui criado com pior tipo de trouxa possível! Você viu as minhas roupas, viu o que eles fizeram na janela do segundo quarto do Duda onde eu durmo.

-Aquele quarto não é seu? -seu amigo perguntou franzindo a testa.

-Eu nunca tive nada meu até vir pro mundo mágico Ron. E eles deixaram bem claro para mim que eu só vou ficar no quarto de Duda por enquanto e somente até eu ter idade para poder viver sozinho, depois disso o quarto volta pro meu primo e eu vou estar no olho da rua no minuto que eu ficar maior de idade.

-Oh. –o ruivo murmurou e depois ficou calado mexendo nas coisas dele.

Harry decidiu deixar seu amigo com seus pensamentos e fechou as cortinas da cama, ele deitou e ficou repassando os planos em sua cabeça. Ele tinha muito que pensar, se tudo desse certo, ele só teria que aguentar uma semana, duas no máximo na casa da sua tia. Uma pequena explosão de fogo negro anunciou a chegada de Pretorian que pousou sobre seu joelho.

"Olá jovem Lord Potter." O fênix negro o saudou e quase gemeu em frustração pela forma de tratamento.

"Olá, Pretorian" Ele saudou seu novo familiar em sua mente.

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Gina saiu da enfermaria depois de ter uma conversa com a enfermeira da escola, bem mais esclarecedora do que a conversa que sua mãe lhe deu sobre menstruação. Na sua única conversa sobre o assunto, sua mãe fora bem curta sobre um assunto.

Ela descreveu como um incomodo mensal que toda mulher vai passar por um determinado período de tempo até que seja velha o suficiente para ser mãe e depois quando for velha demais e o incomodo passar.

Madame Pomfrey lhe mostrou um desenho do aparelho reprodutivo da mulher, com os ovários, trompas e útero. A enfermeira lhe explicara que todo o processo que acontece no corpo para o óvulo viajar até as trompas e ficar lá até ser fecundado, mas ela, assim como sua mãe, não lhe explicou se e como aquilo afetaria sua magia.

Se Gina nunca tivesse colocado suas mãos no grimório de Genevive ela poderia ter aceitado a versão da sua mãe e ter ficado realmente enojada do seu sangue. Ou ter aceitado a versão crua e fria da enfermeira e ver isso como apenas algo corriqueiro. Ela ainda não entendia como ou por que as mulheres atualmente não falavam sobre como sua magia e visões ficariam mais poderosas no seu período de fertilidade e mais instáveis e sensíveis quando estivesse sangrando.

Depois que Harry saíra da Sala Precisa, ela tivera uma curta conversa com seus novos familiares. Luxor iria guiá-la primeiro e depois Pretorian assumiria. Usando atalhos logo se viu entrando na torre da grifinória, subiu para o dormitório feminino e guardou seu estoque de poção para cólica caso ela tivesse e um pacote de absorventes mágicos. Tirou o grimório de Genevive e sentou-se na sua cama, apoiando as costas no travesseiro, ela abriu o livro na página marcada com uma velha fita vermelha.

'Essa é a primeira vez que poderei sair sozinha para as festividades do Equinócio de Primavera. Estou tão animada que vou poder dançar no circulo interno! As mulheres da minha família estão preparando os óleos para meu banho, as tinturas para pintar as runas em meu corpo e as flores para meu cabelo. Espero que Eivam me chame para dançar hoje. Resolvi que não vou dormir com ninguém ainda. Meu coração se aquece para Eivam e se tudo correr bem, ele vai falar com seus pais para que possamos nos casar logo.'

-Gina? -alguém a chamou, tirando-a de sua leitura.

A ruiva levantou os olhos e olhou para a menina parada na frente da sua cama. Hermione estava parada a sua frente com um grosso livro nas mãos e olhando interessada no que ela segurava. Gina fechou o grimório e o colocou em seu colo.

-Desculpe, você está chamando a muito tempo? -ela perguntou a outra grifinória.

-Oh, não, não. –Hermione respondeu. –Eu só queria saber se você está bem, eu não te vi no almoço.

-Estou bem sim, Hermione. Almocei na enfermaria com Madame Pomfrey. –ela disse e ergueu uma sobrancelha ao ver o olhar curioso da menina para o grimório, suspirou cansada, ela teria aguentar muito desses olhares por muito tempo. –Eu sinto muito Hermione.

-Pelo que? -a menina perguntou a olhando curiosa. –Oh! Sobre o que aconteceu?

-Sim, eu fui tão estúpida. Eu não deveria ter...

-Está tudo bem Gina. –a amiga do seu irmão disse e ela forçou um sorriso. –Que livro é esse que você está lendo? Eu não acho que eu já o li.

-Não, você não leu. Desculpe-me, mas você não poderá lê-lo. –ela disse e a menina a olhou cautelosa e até mesmo um pouco decepcionada. –É um grimório escrito pela última Weasley nascida mulher e só uma outra mulher nascida na família pode ler. –ela mentiu o motivo da outra garota não poder ler.

-Por que? -ela quis saber.

-Eu não sei. –ela deu ombros, esperando que soasse casual. -Vai ver ela não queria que algum irmão lesse seus segredos. –comentou rindo. –Isso é algo que eu faria com um grimório meu, para manter meus segredos dos meus irmãos.

-Sim, eu acho que eu faria isso também. –a garota concordou. –O que ela disse até agora?

-Coisas rotineiras. –respondeu evasiva. –E o seu livro, é sobre o que? -perguntou para desviar o assunto.

-Oh, não é para mim, é para Harry. –ela disse e completou ao ver seu olhar curioso. –Umas coisas sobre antigas famílias mágicas.

-Sobre ele ser o Chefe da Casa Potter? -a ruiva perguntou e a menina a olhou assustada. –Eu não ouvi suas conversas se é isso que quer saber. Mas Harry e eu estávamos falando sobre a minha dívida de vida e eu falei que ele como Chefe da Família poderia ou teria que discutir a forma de saldar a dívida com meu pai que é o atual Chefe da Casa Weasley. –a ruiva contou uma meia-verdade.

Gina e Harry haviam realmente discutido sobre isso onde o moreno disse que não queria nada por tê-la salvo e ela teve que explicar o costume e o que acarretaria ele renegar um pagamento da dívida, isso estaria basicamente dizendo a sociedade bruxa que a única mulher de sangue Weasley não valia o suficiente para ter uma dívida de vida considerável e que isso além de humilhá-la iria desgraçá-la aos olhos das outras famílias.

-Então foi você que contou pra ele? -a outra garota perguntou quase em um tom ofendido.

-Sim, por quê? -ela quis saber.

-Bem... Eu não sabia de nada disso. –ela disse como se isso resolvesse a questão.

Uma jarra com água ao lado da sua cama explodiu. Fazendo a outra menina gritar e afastar-se, a ruiva respirou fundo tentando acalmar sua magia.

-E só por que você não sabia ninguém mais pode saber? -Gina rosnou, segurando o grimório com força.

-N-n-não foi isso que eu quis dizer. –Hermione gaguejou e afastou-se um pouco da cama.

-Mas foi exatamente isso o que você disse! -exclamou batendo a mão no livro em seu colo, as janelas no dormitório explodiram. –Hermione saia. Eu não quero discutir mais com você.

-Depois conversamos. –ela lhe disse apressadamente e praticamente correu para fora.

Quando a garota abriu a porta, ela pode ouvir várias vozes exaltadas. Pegando sua varinha ela desceu da cama e guardou o grimório trancando seu malão com alguns feitiços de bloqueios. Voltando para sua cama ela puxou as cortinas e tentou acalmar sua magia. Chamas brancas surgiram anunciando a chegada de Luxor que pairou sobre ela trinando baixinho ajudando-a a se acalmar, logo ela estava entrando em um mundo de lembranças e sonhos.