Como você começa a planejar a queda de alguém? Não é tão fácil quanto os filmes fazem parecer e eu fiquei com fome o tempo inteiro. O jogo contra Durmstrang era dali um mês, então, não era muito tempo, felizmente. Eu não conseguiria manter uma mentira por tanto tempo. Talvez eu fosse a pior mentirosa do mundo inteiro, o que complicava bastante a minha situação.

Jogada em meu quarto, o rádio tocando um cd em russo, meus olhos estavam fixos na imagem de O estranho mundo de Jack. Eu sempre fui apaixonada por filmes sombrios, assim como por desenhos japoneses. Eles eram tão detalhistas e envolviam os enredos mais loucos possíveis.

Havia um motivo para eu estar ouvindo música russa no último volume, não apenas porque eu estava tentando aprender a língua, mas porque isso assustava minha irmã de maneira surpreendente. Ela conseguia ser tão estúpida! A idiota achava que eu era satanista e que, todo sábado, eu fazia um ritual no meu quarto. Ela até pensou em contar para mamãe, mas isso acabaria com toda a diversão, então eu a ameacei. Foi surpreendentemente eficaz.

Talvez com isso você perceba que eu não sou um anjo de candura exatamente. Para ser honesta, eu gosto de ser um pouco má, embora não o seja com todas as pessoas. Também pode haver um motivo mais profundo para eu querer me vingar dos marotos, mas, não, não há. Eu só estou incrivelmente irritada que alguém se refira a mim como sem sal. Isso é difícil de engolir.

Lene foi embora hoje de manhã. Ela não tinha muito a acrescentar, nada que eu levei a sério, pelo menos. De algo ela tinha razão, contudo, eu precisava fazer Potter trabalhar um pouco e, depois, ser o pior encontro que ele já teve. Eu poderia fazer isso, só me faltava a abordagem correta. Tonks, por sua vez, foi a mais assustadora. Após me assegurar que ela voltaria para passar mais informações e acompanhar meu progresso, a criança se pendurou na minha árvore e sumiu.

Meus olhos se alargaram ao perceber que já eram nove horas.

_Merda!

Eu tinha de correr até a galeria o mais rápido possível; Frank estava com umas amostras novas e eu tinha que revela-las. Troquei-me em um piscar de olhos, mas, ao abrir a porta do meu quarto, eu soube que me atrasaria. Petúnia estava esperando por mim, aparentemente furiosa.

_Como você ousa?

Parecia que ela tinha acabado de chegar. O cabelo estava todo despenteado e a maquiagem, borrada. Mordi meu lábio, impedindo-me de sorrir.

_Do que você está falando?

Eu devia ter visto, mas não. Em um piscar de olhos, minha irmã estava em cima de mim, puxando meu cabelo e mordendo meu ombro. Eu a arranhei de volta, empurrando-a para a parede. Ela rosnou, voltando a me atacar. Merda. Se tinha algo que eu não sabia fazer era lutar.

_Isso. É. Tudo. Culpa. Sua! Você quase estragou minha festa, sua aberração!

Ela estava puxando meu cabelo de novo, muito, muito forte. Meus olhos piscaram, enchendo-se de lágrimas. Mordi seu braço com força, quase como se quisesse arrancar um pedaço.

Ouvi um barulho ao longe, mas minha atenção não podia ser desviada da enorme massa loira em cima de mim.

_O que vocês duas estão fazendo?

Então, Tuney não estava mais em meu cabelo. Mamãe a segurava apertado, ignorando seus protestos e grunhidos. Papai, mais atrás, estava pálido e parecia prestes a desmaiar. Meu peito subia e descia, algumas lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Ninguém disse nada até que um flash quase nos cegou. Na porta do seu quarto, Sev estava sorrindo, segurando seu celular.

_Severus Evans! – papai andou até ele – entre no seu quarto agora e me dê o celular.

Sev abriu a boca, para protestar, mas a fechou rapidamente quando encontrou os olhos de mamãe.

_Tudo bem, mas eu ia ganhar dinheiro com isso.

Após ele voltar para o seu quarto, mamãe finalmente soltou Petúnia.

_O que diabos vocês duas pensam que estão fazendo?

Antes que eu pudesse abrir minha boca, Tuney começou a jorrar sobre como eu quase estraguei sua festa, todo mundo riu quando o som começou a tocar e eram músicas infantis, e Sirius fugiu dela pelo resto da noite e blá, blá, blá. Okay, eu era culpada, mas não é como se fosse admitir isso.

_Lily?

Papai estava me dando o olhar. Aquele que tudo sabe, tudo vê e tudo faz confessar. Eu não poderia suportar diante dele. Era impossível.

_Talvez eu... Talvez eu tenha mexido – isso era meio que um eufemismo.

Mamãe ignorou o "eu disse que foi ela!" que Petúnia gritou, concentrando-se em mim.

Engoli em seco, pensando na melhor chance de escapar. Se eu não fosse rápida, ela me daria algum castigo horrendo, podendo até mesmo me proibir de ir para a câmara vermelha.

_Eu só... Eu me senti só, é isso – quase chorei ao pensar na desculpa perfeita – não é justo que coisas ruins sempre aconteçam no meu aniversário, é? Eu queria que algo acontecesse na festa de Tuney porque, daí, vocês pensariam que eu não sou culpada, que tudo não passa de um acaso infeliz.

Talvez eu deva reformular: eu sou uma ótima mentirosa.

Os olhos de mamãe imediatamente suavizaram, assim como os de papai. Sim, eu tinha ganhado essa. Ignorando os protestos da minha amada irmã mais velha e prometendo que nunca mais faria algo assim, eu consegui chegar ao trabalho com apenas meia hora de atraso. Não sem antes receber um olhar conhecedor de Sev, mas, tudo bem, não é como se ele fosse me delatar.

Cheguei ao estúdio e não ouvi uma reprimenda do meu "chefe", o que era muito estranho. Frank era fotógrafo. Ele tinha 26 anos e era meu primo. De cabelos e olhos escuros, ele era muito calado, mas nós nos dávamos bem. Não importa para onde ele iria tirar suas fotos, ele sempre voltava para revelá-las aqui, comigo. E eu realmente gostava do que fazia.

Dizer que meus tios quase enfartaram quando ele anunciou o que gostaria de fazer era um eufemismo. Ele teve que começar vencendo esse obstáculo e o fez com muita tranquilidade e reserva. É por isso que hoje era um dia estranho. Frank Longbotton estava sorrindo. Um sorriso enorme e radiante. De onde ele havia tirado algo assim? E ele estava distraído, completamente. E sequer brigou comigo quando eu derrubei as fotos recém-reveladas.

Ele até mesmo me deixou tagarelar, algo que normalmente o irritava. Perto das onze, eu me cansei.

_O que você tem? – eu não podia esconder o tom acusatório.

Mas Frank corou. Ele corou! E então começou a me contar sobre ela, Alice, uma garota que ele conheceu em uma das festas em que foi fotografar. Alice aparentemente era incrível. Ela era formada em física, tinha uma voz maravilhosa e fotografava por hobby. Eu não pude evitar, a expressão sonhadora dele me fez rir. Era tão bobo como as pessoas ficavam ao se apaixonar. Elas perdiam todo o auto respeito e a sensatez. Olhe só para Frank, normalmente um homem tão respeitável e, agora, corando como uma menininha adolescente. Desculpe-me se isso não me soa agradável, senão patético.

Talvez eu pudesse... Não. Esse pensamento fugaz e ridículo me fez rir. Embora eu não me considerasse sem sal, tinha certeza de que era impossível fazer Potter se apaixonar por mim. Além do mais, nem eu era tão cruel assim. Não queria quebrar o coração de ninguém, apenas o orgulho. E para isso, precisava pensar em uma tática antes que segunda-feira chegasse.

~O~

Lene estava me empurrando, sem a menor intenção de esconder que estava se divertindo. Revirei meus olhos, reconsiderando a ideia. Talvez fosse melhor esquecer essa história... Deus, isso seria quase impossível. Eu não podia voltar atrás, não depois do que Potter disse sobre mim.

Sem sal?

_Você tem que começar difícil, Red – ela me avisou, arregaçando as mangas da sua camisa – dê-lhe um pouco de trabalho.

Bufei. Eu pretendia dar muito trabalho para James Potter, ele mal podia esperar. Caramba, eu mal podia esperar. Só de pensar no que poderia fazer, um sorriso maligno se instalava em meus lábios.

_Eu sei, Lene, eu sei. Fazê-lo trabalhar um pouco e depois...

_Humilhe-o!

Ela era tão ruim quanto eu, tive que rir disso. Acenei-lhe um adeus quando meu ônibus chegou, observando, pela janela, sua figura se distanciar. Ela tinha passado o final de semana inteiro na minha casa, confabulando comigo sobre qual poderia ser minha estratégia. Como Tonks não apareceu, deduzi que ela não tinha nenhuma novidade importante, o que não me agradava de todo. Seria bom ter alguma munição.

Peguei meu espelho de bolso, olhando para meu reflexo e para o meu cabelo solto. Tudo bem, eu posso ter prestado um pouco mais de atenção a ele essa manhã. Eu não parecia sem sal. Não muito, pelo menos. Meus olhos, verdes, estavam com um pouco de brilho, mas esfreguei-os rapidamente. Maquiagem já era demais, não importa o que Lene dissesse. É claro, apenas a mudança em meu cabelo já fez toda a minha família me olhar como se tivesse nascido outra cabeça em mim. Será que eu era muito desleixada em relação à minha aparência? Eu estava de uniforme agora, é claro, mas não me vestia como minha irmã. Eu sempre preferi regatas, jeans e all star. Saias me incomodavam, assim como vestidos, porque, então, eu não poderia deixar minhas pernas afastadas e isso era um saco. Arquinhos e presilhas faziam minha cabeça doer e saltos me deixavam com medo de desenvolver estrias e vasos, como aconteceu com tia Alfreda.

Não importava.

Não há nada de errado com minha aparência, mesmo que James Potter pense o contrário. Quem ele é, afinal? Para mim, nada.

_Lily, você está bem?

Meus olhos subiram para encontrar Hagrid. Puxa, eu nem percebi que já havíamos chegado. Abri um sorriso fácil, assentindo.

_To legal. Vejo você mais tarde?

Ele me olhou com cautela, todo o seu corpo enorme projetando-se para o lado.

_Você não deveria perder educação física, Lily, também é importante.

Deus, eu odiava me exercitar. Nós não devemos tudo ao fato de que o homem, um dia, tornou-se sedentário? Bem, quem era eu para mudar isso? Mover-se de um lado para o outro, agitando braços e pernas, era a nova forma de ser nômade e, nós sabemos, que todas as coisas importantes só foram inventadas quando o homem abdicou dessa prática detestável.

_Eu sei... Bem, não é, não, Hagrid. Te vejo depois!

Dei um beijo rápido em sua bochecha, saindo do ônibus. Havia alguns alunos por ali, conversando ou jogando. Mais para o lado da escola, havia um lago. Deus sabe para quê, dado que nada era permitido a se fazer ali. Decoração, apenas isso.

Avistei Tuney junto com Alexi e mais um bando, chegava a ser ridículo vê-los lançar olhares sedentos para onde Potter e a sua gangue estavam. Minha irmã conseguia ser tão ridícula, mesmo que me proporcionasse as melhores risadas, sempre às suas custas. Ela ainda estava profundamente irritada pelo que aconteceu na sua festa, mas sabia que estava proibida de voltar a tocar no assunto. Isso era tão legal! Olhei para seus olhos castanhos, esfumaçados. Nada contra ela se arrumar, eu juro, mas por causa de um garoto? Quem faria algo tão estúpido?

_Saia da minha frente, Evans.

Deus, não. Alguém devia estar me sacaneando. Vire-me para o dono daquela voz anasalada. Malfoy me encarava como se eu fosse um inseto no qual ele gostaria de pisar. Como sempre, Regulus Black, Zabini e Goyle estavam com ele, agindo como seus guarda-costas. Era difícil encontrá-lo sozinho, principalmente porque ele sabia que sempre haveria um tentando pregar-lhe uma peça.

Okay, eu poderia estar morrendo de raiva de Potter, mas ele os outros sabiam pregar peças legais em Malfoy. Falando em raiva, o loiro à minha frente também me devia e ele pagaria caro por isso... Ainda que eu não soubesse bem o que fazer. Difícil escolher algo ruim o suficiente para agradar.

_O jardim é grande, Malfoy. Desvie.

Por que ele estava falando comigo, por quê? Isso nunca acontecia, qual era o problema agora?

_Bem que eu gostaria, mas sua ferrugem está me cegando.

Revirei meus olhos enquanto sua turma ria como se ele tivesse contado a melhor piada em séculos. Claramente, para andar com Malfoy era preciso ter menos do que dois neurônios funcionando.

_Oh, sinto muito... Espere, vá se foder.

Para ilustrar meu ponto de vista e repetir o que fiz na última festa em que nos vimos – falo sobre isso em outra hora –, mostrei-lhe o dedo do meio, afastando-me.

Ainda pude ouvi-lo grunhir e resmungar alguma coisa, mas não prestei atenção. Ele era um grande idiota, nada mais. E o que eu daria a ele seria ainda mais ruim do que planejava fazer com Potter. Eu acho.

Confesso que, na hora do almoço, duvidei sobre aquilo que Tonks me disse. Potter não tentou se aproximar, sequer me olhou, e parecia muito satisfeito consigo mesmo. Talvez a criança tivesse mentido para mim, quem saberia? Pensando bem, isso poderia ser verdade, afinal, eu mal a conhecia. Caramba, só eu mesmo para acreditar no primeiro estranho que me aparece.

No refeitório, sentada na minha mesa de sempre, estava escutando Yellow e tentando ler Frankstein novamente, pois era uma das minhas histórias favoritas. Voltei minha atenção para o resto do refeitório. Tudo estava como era normalmente. Algumas líderes de torcida com as garotas do vôlei ou com os rapazes do basquete. Tuney estava sentada com Megahn, o que me deixou obscenamente curiosa. Ela havia brigado com Alexi? Isso seria novo. Visualizei Héstia Jones na mesa dos marotos, ela se sentava lá de vez em quando, sempre ao lado de Remus, seu cabelo castanho preso em um rabo de cavalo. Estreitei meus olhos ao perceber que Potter não estava lá.

_Hey.

Eu posso ter dado um gritinho. Mas, em minha defesa, o cara me assustou. Você não chega do nada e fala "hey" sobre o ombro de alguém. Girei-me mais rápido do que a menina do exorcista, encontrando Potter. Ele sequer tentou esconder sua diversão, seus olhos cintilando em minha direção. Quatro-olhos estúpido.

Pigarreei, tentando fazer meu coração voltar para o seu lugar e tentando, também, lembrar-me do plano.

_Hey... Potter. Algum problema?

Ele sorriu. Juro, ainda mais. Será que ele não parava nunca? Não doíam as bochechas? Eu tentei sorrir uma vez, competindo contra Lene, pelo maior tempo possível, mas, em dez minutos, pensei que estava perdendo minhas bochechas.

_Não. Posso me sentar?

Estreitei meus olhos. Não, sentar seria ser muito amigável para um primeiro momento.

_Diga o que você quer, eu estou tentando ler.

Ele vislumbrou meu livro, o qual balancei à minha frente.

_Sim, Mary Shelly é...

_Vá direto ao ponto, Potter.

Ele engoliu duro rapidamente e eu tive que morder meu lábio para não sorrir. É óbvio que ele estava surpreso. Provavelmente nenhuma garota aqui o trataria assim.

_Você quer sair comigo?

Seu sorriso voltou, mas eu estava indo para quebrá-lo.

_Não, obrigada.

Sua expressão foi impagável. Ele parecia em choque, quase incrédulo, como se não acreditasse que eu, dócil, quieta e sem sal, pude recusar seu convite divino. Sua mão correu pelo cabelo desalinhado, piorando-o ainda mais, e voltou para ajeitar os óculos, os quais escorregaram um pouco pelo nariz.

_Okay... Bem, até depois.

Não sorri, sem querer encorajá-lo, mas assenti de qualquer jeito. Assim que o vi se afastar, voltei-me para o meu livro. Um sorriso gigantesco se abriu em meus lábios.

Mate-me se isso não foi além de gratificante. Ah, isso é doce, muito doce.

Ele não me procurou pelo resto do dia, mas, na manhã seguinte, não me surpreendi ao encontrá-lo esperando por mim. Apertei meus lábios com força, não querendo exibir a satisfação crua que estava sentindo. Potter não pareceu se importar com o público ou perceber que nós acabaríamos virando fofoca quente. Eu não tinha pensado nisso, mas, vendo bem, seria até melhor que acontecesse; muito melhor para o meu plano.

_Bom dia, Lily.

Ele estava sorrindo. De novo. Ugh. Sua confiança parecia ser firme como uma rocha e impossível de quebrar, era algo no qual eu precisava trabalhar.

_Eu estou confusa, Potter – exibi um pequeno sorriso, vendo o seu crescer em resposta – você bateu a cabeça ou o quê?

Segurei a alça da minha mochila com fingida impaciência, vendo seus lábios repuxarem em uma careta. Petúnia passou ao meu lado, seus olhos suspeitos por um instante, mas ela descartou isso com um dar de ombros. Talvez ela pensasse que ele precisava de um favor.

_Algumas vezes, querida, mas asseguro que continuo funcionando perfeitamente.

Que diabos? Ele estava flertando comigo? Deus, eu iria vomitar desse jeito. E não havia nenhuma forma de ele me chamar de querida. Se isso acontecesse mais uma vez, faria questão de chutar suas bolas.

_Um, não me chame de querida. Dois, se você veio me chamar para sair, bem, perdeu seu tempo.

Evans: 2; Potter: 0.

Os outros dias foram parecidos, ou seja, com Potter chegando até mim e tentando me convencer a aceitar sair com ele. Em alguns momentos, os marotos estavam atrás dele, observando a cena com interesse, quase como se a estudassem. Eles estavam me estudando, procurando a melhor forma de me contornar. Não precisavam se preocupar, amanhã seria o dia em que eu aceitaria o convite de Potter, por mais estúpido que ele fosse.

Outra complicação foi a escola inteira fervendo em burburinhos. Como Potter não tinha saído com mais ninguém desde Megahn, a puta, todo mundo queria saber por que eu, justo eu, consegui atrair atenção de um dos garotos mais populares do colégio. É claro, a reação mais divertida veio da minha irmã, de uma maneira muito previsível.

_Não sei o que aconteceu com James, aberração, mas ele deve ter batido a cabeça ou sido abduzido, então, não se empolgue. Ele vai perceber que você é perda de tempo logo.

Ela também não estava muito confortável com o que estava acontecendo, mas, após ouvir seus sussurros para Alexi, deduzi que ela pensou que eu o tinha enfeitiçado. Sim, nos meus rituais satânicos. Minha irmã conseguia ser incrivelmente insípida. Ela não era a única, na verdade, ninguém parecia entender por que Potter estava gastando parte do seu precioso tempo comigo. Eu não era digna dele, pelo visto. Ah, é, eu era dócil e sem sal.

Na sexta-feira, quando me despedi de Lene, combinando de nos reunirmos nessa noite, tive uma surpresa no ônibus. Como eu aceitaria o pedido de Potter hoje, Marlene deduziu que nós precisaríamos nos preparar para o encontro, planejando minha atuação. Eu seria mais do que irritante, eu seria insuportável. Enfim, ao subir para o meu lugar de sempre, surpreendi-me por encontrar Tonks em um dos bancos. Ela sorriu para mim e acenou para que eu me aproximasse. A garota provavelmente não tinha penteado seu cabelo, o qual parecia cheio de nós, e usava a mesma camiseta dos Beatles. Espero que tenha sido lavada, pelo menos.

_Olá, parceira.

Revirei meus olhos.

_Nós não somos parceiras.

_É claro que somos! Eu estou te ajudando ou não?

Seu tom escondia um pouco de mágoa, mas não me detive nisso, instigando-a a me contar o que sabia.

Segundo Tonks, os rapazes tinham se reunido ontem e pareciam muito confiantes quando saíram do quarto de Potter. Ela me garantiu que eles estavam armando algo grande e importante, algo que me faria aceitar o pedido de Potter.

Tentei segurar meu gemido exasperado. A garota não me ajudou muito, apenas me fez ficar ansiosa e na expectativa, sem a menor ideia do que os rapazes poderiam estar tramando. Eu teria que ver para saber, então? Tudo bem, porém, isso não me deixava feliz.

Na última aula, à tarde, eu me detive para conversar com professor Slughorn sobre meus créditos extras. Como não praticava absolutamente nenhum esporte, eu sempre acabava participando de algo como clube de xadrez, soletração ou o jornal escolar, o qual era coordenado pela professora Macgonagal. Nesse ano, porém, eu queria muito entrar no grupo de química.

_Isso seria maravilhoso, senhorita Evans! – ele sorriu, enxugando seu rosto com um lenço amarelo – na verdade, eu iria pedi-la para fazer isso, nós sempre precisamos de estudantes talentosos.

Minhas bochechas esquentaram consideravelmente.

_Obrigada, professor. Com qual aluno eu tenho que falar?

Ele me deu um tapinha nas costas, gentil. Professor Slughorn era um homem suave, embora esdrúxulo, principalmente na forma com que se vestia. Ele era um homem de cores fortes e chamativas, além de agressivas para uma visão sensível.

_Edgar, do último ano. Ele é o coordenador, por hora.

Assenti, tentando puxar, na memória, a imagem desse rapaz, mas nada me veio à mente. O colégio era enorme, não tinha como conhecer todo mundo.

_Certo, obrigada mais uma vez, professor.

_É um prazer, senhorita Evans. E não se esqueça da minha festa, na semana que vem.

Forcei um sorriso no meu rosto, com a certeza interna de que não havia a menor chance de eu aparecer de novo. Da última vez, tive Malfoy tentando me acariciar por baixo da mesa, o que foi absolutamente nojento.

Despedi-me dele, acelerando meu passo e irritada quando senti alguém trombar em mim, derrubando meus livros no chão.

_Hey, sinto muito, Evans.

Aquela voz era relativamente nova. Encontrei Sirius Black, sorrindo de forma inocente, recolhendo meus três livros caídos no chão. Okay, por mais que minha irmã fosse ridícula, eu entenda por que ela tinha uma queda por ele. Black era devastadoramente bonito e se você só se importasse com isso, poderia aceitá-lo.

Engraçado que eles pareciam saber meu nome agora.

_Tudo bem – minha voz foi uma mistura de rosnado e grunhido.

Mas ele não estava mais olhando para mim. Parecendo extremamente divertido, ele me deu um aceno, afastando-se para o outro lado.

Isso foi estranho.

Antes que recuperasse meu ritmo, meus olhos caíram para um objeto deixado no chão. Era uma rosa, na qual estava enrolado um bilhete. Peguei a rosa com cuidado, um pouco fascinada com sua coloração amarela. Li as palavras do bilhete com precaução.

Vá para o refeitório.

Mordi meu lábio, insegura. Era Potter, não era? Essa devia ser sua tática explosiva. No refeitório havia outra rosa amarela e mais um bilhete. Eu tive eu circular pelo colégio inteiro praticamente, recolhendo rosas amarelas. O último bilhete, por fim, mandou-me para perto do lago. Praticamente corri até lá, parando quando o vidro das portas refletiu minha imagem. Meu rosto estava vermelho, meu cabelo desgrenhado e havia um sorriso bobo em meus lábios. Contei até dez, zangada com minha reação ridícula. Já recomposta, terminei meu percurso, encontrando Potter à minha espera.

_Eu não estou realmente surpresa – falei de imediato, ainda mais irritada pelo seu sorriso estúpido e confiante.

Ele sorriu ainda mais, as mãos nos bolsos, a covinha aparecendo. Aproximei-me um pouco mais, olhando ao redor, e parecia que éramos os únicos por ali.

_Nem mesmo com as rosas? – ele inclinou a cabeça na minha direção – você gosta delas?

Eu gostaria de arranhar o seu belo rosto com elas, isso sim. Tanto para a abordagem. Adotei um sorriso quase infantil – e falso – segurando as rosas com carinho.

_Sim, elas são minhas favoritas – elas realmente eram, na verdade.

Deus, eu esperava que aquele sorriso rasgasse seu rosto fora.

_Você vai me recusar se eu chamá-la para sair mais uma vez?

Observei-o se aproximar, resistindo ao impulso de fugir. Eu precisava ser fria e atuar de maneira impecável. Soltei uma risadinha extremamente ridícula, vendo como ele pareceu ficar surpreso. Sim, Potter, é assim que será, eu serei o encontro mais irritante de todo.

_Amanhã, seis horas. Tudo bem?

Suas mãos já não estavam nos bolsos e ele tinha uma expressão intensa, visível até mesmo pelos seus óculos.

_Sim.

Antes que ele pudesse chegar até mim, recuei rapidamente, batendo meus cílios tantas vezes que quase fiquei tonta.

_Ótimo, te vejo amanhã.

Sem esperar por resposta, acelerei até o ponto de ônibus. Ainda assim, pude ouvir o grito de professora Macgonagal.

_Potter, vocês jogaram tinta no cabelo dos meninos do teatro de novo?

Quando, finalmente, sentei-me em um dos bancos de couro do veículo, permiti-me soltar um suspiro de puro alívio. Amanhã. James Potter teria o inferno de mim, amanhã, e, se tudo der certo, ele vai estar me dispensando antes do encontro terminar.

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Eu voltei! Eu sei, não foi lá um capítulo muito emocionante, mas eu tenho que me lembrar que não dá pra escrever só James e Lily interagindo. Eu preciso – preciso – desenvolver os outros relacionamentos.

Oh, meu Deus! Eu adorei os comentários de vocês! Eu não sabia que vocês eram tão vingativas, to assustada agora ;) Ta todo mundo querendo ver nosso Prongs sofrer, não é? Hohoho, ele vai!

E o que vocês acham que vai acontecer nesse encontro? Eu já adianto que teremos uma Lily afetada e, sim, frustrada.

MaraudersForeverJily: Que bom que gostou! *-* Acha que Lily vai dar muito trabalho para James? Ele merece ;) Beeejs*

Jubs Black: Eu acho que vou chorar! To tão feliz de te ver por aqui! *-* s2 Você me assusta com essa história de perseguição, mas eu ainda te amo! Kkkkkkk Não sofra! Estou resgatando você do orfanato agora mesmo! – mesentindodemais – Eu pretendo ir até o fim, não se preocupe! ;) Senti saudades de ti e dos seus comentários, gata! Beeejs*

Ritha P.W.B.Z.M. Potter: Continuei! ;) Bom te ver também, viu, senhorita? *-* Beeejs*

Guest: Acho que seu nome não saiu – e eu ainda não sei como o site funciona completamente – mas... Bom te ver por aqui! ;) Certo, espero que a história corresponda ou até mesmo ultrapasse suas expectativas. Beeejs*

Karinne: Eu devo confessar que é sempre bom ler seus comentários! *-* Muito estranho, né? Eu fiquei com um pouco de receio, mas, depois decidi dar a cara pra bater, quer dizer, eu já fiz a Lily não ser mãe do Harry na outra fic... Pode ser mais estranho que isso? Kkkkkkkkkkk ;) Essa Tonks me diverte, principalmente pelo seu amor não correspondido pelo Remus... Pobre criança! Espero que a história te agrade muito, nega! E eu também amo esse filme – Matthew era muito charmoso (ainda é) – então, até o próximo. Beeejs*

Thaty: Sim, esse filme é incrível! *-* Eeita, responsabilidade! Espero que você goste! :D Sério? O Severus não te causou estranheza nem nada? lol Sim, isso me deixa feliz! Beeejs*

link: Heey, ouvir isso me agrada! Você tem razão, faz tempo que eu não venho com uma história, mas, espero que essa a agrade infinitamente. Sim! Meu Sev vai arrasar nesse lugar, só adianto! ;) Meu Deus, você é má... Não! Ele merece isso mesmo! Sofra, James, sofra... Por enquanto! Kkkkkkkk Malfoy, huh? Tenho algo especial para ele ^^ Oh, sim, James aprenderá sua lição, eu garanto. E sim, ele vai provar o gostinho dos ciúmes, mesmo que eles sejam bobos e infundados ;) Prometo fazer o máximo para arrasar no próximo (arrasar? To me sentindo com doze anos de novo). Beeejs, gata* (Okay, percebo que eu me dirigi a você como uma garota, mas, como seu nome é meio unissex para mim, gostaria de saber se minhas suposições estão corretas. Obrigada kkkkkkk).