_Que tal esse? Okay. E esse? Deus, Lily, ambos são horríveis, escolha um.
Balancei minha cabeça, insatisfeita. A roupa tinha de ser perfeita. Perfeitamente horrível. Tão ruim que faria Potter chorar, então, nada de roupas decotadas ou justas e nada de cores que se ajustassem ao meu cabelo. Eu precisava de algo laranja. E rosa. Dei uma olhadela rápida no relógio, ainda eram duas horas, mas minha preocupação era enorme, mesmo que Lene tivesse ensaiado comigo cerca de seis vezes. Vislumbrei a blusa alaranjada, de gola alta, que ganhei da tia Alfreda. Ela era neopentecostal e muito rigorosa ao se vestir, concedendo-me o mesmo privilégio na hora de me dar presentes. Não sei por que ainda não havia jogado essa coisa fora, mas, agora era grata. Viria bem a calhar. Escolhi um jeans azul, folgado e sapatilhas cor de rosa - que eram da minha prima Ally.
_Bem, finalmente? Nossa, tia Alfreda que te deu essa blusa horrível? Você deveria fazer uma cortina com ela depois.
_Vai ser seu presente de aniversário.
_Será o fim da nossa amizade - ela exclamou dramaticamente, jogando-se na minha cama. Eu ri, voltando a ligar o rádio e tentando decifrar o que a música dizia. Eu conseguia compreender russo em filmes infantis ou desenhos, mas em músicas aceleradas ou filmes mais adultos, era uma tortura.
Um barulho na porta me fez sorrir. Lene tentou suprimir as risadinhas, conforme começou a cantar junto. Em uma imitação pobre, tentei engrossar minha voz, arranhando minha garganta no processo. Pisquei para a morena na minha cama, sentando-me ao seu lado. Mais tarde, quando Lene desapareceu da minha casa, eu estava tomando café na cozinha. Ela tinha um encontro real hoje, com algum dos clientes que visitou o estúdio na semana. Ela me disse que ele era bonito e tinha tatuagens sexys. Mesmo que fosse verdade, eu sabia que ela fazia isso principalmente para desafiar seus pais. Ainda que não parecesse, Marlene era rica. Rica como os Malfoy e os Black, embora o dinheiro da família dela tivesse vindo, em sua maior parte, honestamente. Estava dando uma mordida deliciosa no meu lanche de presunto, maionese, ovo e batata palha quando meus pais adentraram na cozinha.
_Lily, que roupa horrível é aquela na sua cama?
Eu ri, revirando meus olhos.
_Tia Alfreda que me deu, pai.
Papai lançou um olhar acusador para mamãe e murmurou algo que soou como "É o seu lado da família louco". Ele tinha um ponto aí. Os dois estavam muito bem arrumados, como ocorria em todo sábado, para seu rotineiro encontro romântico. Mamãe até usava um vestido, o que sempre me surpreendia. Ela odiava saias. Como instrutora de uma academia, mamãe vivia de calças de ioga, o que era perturbador. Ela sempre dizia que meu pai não tinha nenhuma reclamação e isso o fazia corar de maneira espetacular. O cabelo dela estava solto, contrário ao que ocorria no decorrer da semana, e ela estava usando maquiagem.
_Você sempre pode doar para a caridade, Red. Ou jogar fora. Pare de me olhar assim, filha, é só um vestido.
Seu tom blasé me fez rir, principalmente porque eu sabia que ela estava fora da sua zona de conforto. Dei de ombros, dando uma boa mordida no meu sanduíche.
_Você está bonita, mãe - pisquei meus cílios para ela, ganhando um tapa na cabeça.
_Sua irmã vai ficar com Sev hoje, então está ok se você e Lene forem mesmo sair. Mas não com aquela roupa.
Assenti, entediada, ouvindo o velho discurso do meu pai para me cuidar, ligar se for necessário e carregar meu spray de pimenta na bolsa. Eu não sei por que ele achava que isso seria algum tipo de defesa, não contra alguém que tivesse uma arma pelo menos.
Após comer tudo, tomei um copo de suco e fui atrás de sobremesa. Era parte do meu plano estar satisfeita antes desse encontro, para que tudo acontecesse conforme eu planejei. Corri até meu quarto, fechando a porta e andando até minha gaveta preciosa. Após destrancá-la, tirei de lá meus pequenos tesouros, mantendo um ouvido em alerta. Não acho que qualquer um da minha casa soubesse sobre eles, porque eu tinha uma reputação a zelar. Petúnia usaria isso contra mim, era uma arma certeira e eu tinha que ter todo o cuidado do mundo para não deixá-la cair em mãos erradas, ou em qualquer uma, para ser exata.
Era um pouco mais das cindo quando fui tomar banho. Após me trocar, prendi meu cabelo em uma trança, olhando para meu reflexo no espelho. Deus, eu estava horrível. Aquela blusa nunca, nunca mais deveria ser usada. Esfreguei o espelho embaçado, detendo-me em partes da minha imagem. Veja bem, não me irritava mais ter a aparência que eu tinha, mesmo que, durante anos, eu tenha odiado meu cabelo e minhas sardas. Mesmo que eu tenha desejado ser como Tuney. Lembro-me bem que isso mudou numa aula de história, quando o professor leu que as mulheres ruivas, na idade média, eram vistas com desconfiança. Elas tinha alta probabilidade de serem bruxas. Nem mesmo a figura de uma queimando em uma fogueira me fez recuar. Eu gostei da ideia de ser considerada uma bruxa. Depois disso, veio filmes como Valente. E a protagonista, Merida, me fez criar uma empatia. Hoje, eu gostava do meu cabelo e também das minhas sardas. Eu gostava de quem eu era. Eu gostava das minhas semelhanças com mamãe.
Sorri ao pensar nela. Ela e papai haviam se conhecido na academia, depois de papai ter se formado em Hogwarts. Ele era muito inteligente e sensível, mamãe nos disse que seu nariz estava sempre enterrado em um livro, compenetrado. Ele tinha ido para acompanhar tio Mike, o irmão dele. Tio Mike flertou com mamãe - eeeeeca -, mas ela não se interessou por ele. Mamãe gosta de dizer que foi amor à primeira vista, mas meu pai sempre nega com a cabeça quando ela diz isso. Papai trabalhava em um banco, não qualquer banco. Ele era funcionário de Charles Potter. Sim, o pai de James Potter, embora eu não precise dizer, não com eles compartilhando o mesmo sobrenome. Antes de ser aceita em Hogwarts, eu vi Potter em uma dessas confraternizações do banco e, acredite em mim, eu posso ter antipatizado com ele imediatamente. O sr. Potter foi simpático e sua esposa era muito bonita e delicada, mas o filho deles... Eu o vi flertando com Diane, ainda que o namorado dela estivesse do outro lado do salão. Ela não o rejeitou, porém. Vadia. Você não fica com alguém se já tem um namorado, só dizendo. É claro, eu não sou idiota, sei que há casos em que nem o homem ou a mulher são vagabundos porque fizeram algo assim, mas há casos e casos. Enfim, eles estavam naquele negócio nojento de flertar quando Diane sugeriu que Potter deveria procurar uma menina solteira. E ela olhou para mim. A prostituta não estava querendo me humilhar, ela só queria que Potter assegurasse a ela que ele não tinha olhos para mais ninguém. Tudo bem. Potter apenas olhou na minha direção. E riu.
Então, talvez, eu queira me vingar. Sim, o que há de errado? Aqui não é um romance de Jane Austen, eu não vou agir só porque meu orgulho está ferido. Não, eu vou, mas nós não somos Elizabeth Bennet e Mr. Darcy. Não, eu até posso ser Lizzie, mas Potter é mais como Collins. Ou Wickhann. Se fosse um romance Austen, minha irmã seria Lydia. Balancei minha cabeça, saindo de meu estupor. Coloquei minhas sapatilhas, pronta para esperar por Potter e abri a porta. Dei um gritinho quando vi Tonks e Sev na minha cama, jogando Uno. Deus do céu, como essa menina tinha entrado na minha casa? Ela estava usando uma touca verde, com um desenho bem mal feito do Shrek nele, seu cabelo castanho caindo em uma cascata torta. Sev, por sua vez, tinha seus olhos escuros em cima dela, injuriados, assim como a careta que ele lhe lançava.
_Você está roubando! Não tem como alguém ter cinco Compra Quatro. Eu não quero mais jogar! - Sev empurrou as cartas para cima dela, seu rosto esquentando consideravelmente.
Tonks bufou, dando-lhe um olhar mordaz.
_Se você não sabe brincar, sai do playground.
_Que diabos vocês estão fazendo no meu quarto? E como você, pequena psicopata, entrou aqui?
Ao invés de responder, Tonks me lançou um olhar horrorizado. Bem, se Potter agisse assim também, a noite caminharia para o sucesso. Sev viu a reação dela e, confuso, voltou-se para mim. Ele abriu a boca, sua expressão uma mistura de horror e confusão.
_O que você está usando, Lily? É atroz.
_Não se importem comigo! O que vocês estão fazendo aqui?
Sev me olhou em confusão, levantando-se da cama.
_Como assim, jovem padawan? A ladra aqui disse que era sua amiga, aí eu disse a ela que você não tinha pirralhos como amigos...
_Você também é um pirralho!
_... Mas ela não quis me ouvir, então eu a deixei entrar.
Revirei meus olhos, exasperada.
_Você não pode deixar as pessoas entrarem assim, Sev! Ela podia ser uma assassina.
Seu desdém foi visível na forma como ele pronunciou "tsc". Isso fez Tonks se indignar, andando até ele e dando de dedo em seu peito. Coloquei minhas mãos na cabeça, perguntando-me brevemente se eu poderia ter parado em um universo paralelo. Ou em um programa do National Geographic.
_Eu poderia ser uma assassina se eu quisesse!
_Você está no caminho certo, então, já que já é uma ladra.
Eu gritei. Realmente gritei, sabendo que meus olhos deveriam estar quase saindo das órbitas. Saiu como "Aaaaaaaaaah, calem-se, estúpidos!". Essas crianças iriam me matar.
_Você, fale de uma vez o que está fazendo aqui. E, Sev, pegue essas cartas ou eu vou roubar Bob.
_Bob? Quem é Bob?
_Não! Isso é tão injusto. A culpa é dela.
Dei a eles meu melhor olhar de gelo, sem falar nada. Depois de um tempo, meu irmão fez o que mandei, saindo do meu quarto com um olhar cortante em direção à nossa convidada. Tão logo eu e Tonks ficamos sozinhas, ela abriu um enorme sorriso, tão brilhante que iluminou toda a sua feição, fazendo-a ficar adorável de uma maneira estranha. Com um gesto, incentivei-a a falar.
_Como assim, por que eu estou aqui? Isso é óbvio, eu tive de vir para ajudá-la.
_Como você poderia me ajudar, Tonks?
O olhar que ela me dirigiu fez minhas bochechas esquentarem. Era como se ela estivesse questionando minha capacidade intelectual.
_Eu sou prima do James, posso falar muito sobre ele.
Vendo o relógio, percebi que nós não teríamos muito tempo para isso. Antes que pudesse respondê-la, uma mensagem chegou no meu celular. Pensei imediatamente em Marlene, mas não era ela.
"Onde é sua casa? Eu não sei onde buscá-la".
Como Potter tinha conseguido meu número? Merda, já era hora. Mordi meu lábio, sentindo-me subitamente ansiosa.
_Sim, mas não dá tempo. Eu falo com você amanhã, okay?
Ela se exasperou, seus olhos do tamanho de duas pires.
_Não, espere, você precisa da minha ajuda! - vendo-me correr para terminar minha produção, ela desistiu - só... Só troque de blusa, então.
Parei, minha mão congelada no caminho de pegar uma luva. A blusa era a melhor parte.
_Por quê?
Ela balançou a cabeça, parecendo muito mais velha do que realmente era.
_James vai levá-la a um restaurante chique. Isso aí não vai envergonhá-lo, mas sim você.
Hesitei. A blusa era meu trunfo, mas, por outro lado, Tonks conhecia Potter melhor do que eu. Assenti rapidamente, tirando-a e escolhendo uma preta, de lantejoulas. Foi presente da tia Pep, um que eu também não havia usado ainda.
_Certo, obrigada. Vejo você amanhã, não espere por mim como uma psicopata. Não quero acender a luz e dar de cara com você na minha cama.
Ela apenas revirou seus olhos, seus lábios juntando em um beicinho. Eu não tinha mais tempo. Não queria que Potter viesse me encontrar em casa, isso poderia ser uma arma para ele, mais tarde.
Já fora de casa, mandei-lhe uma mensagem.
"Encontre-me no shopping Claros Montes. E seja rápido".
~O~
Eu o vi primeiro. Em frente ao Chili Beans, eu o observei caminhar até mim. Ele usava jeans preto, uma camisa branca e um cardigã azul por cima. Quem usava cardigã? Revirei meus olhos, quase vomitando em minha boca quando o vi sorrir para uma das lojistas. Potter não era tão volúvel quanto Black - achei melhor não usar a palavra "prostituto" de novo - mas ele tinha a sua quota. O rapaz deu uma parada quando começou a sair com Megahn, mas, depois de todo mundo descobrir que ela o traia com Regulus Black, as coisas ficaram feias. Obviamente, ele também descobriu com todo mundo e, deixe-me dizer, não foi bonito. Mas foi hilário. Era divertido ver a garota correr atrás dele, dizendo que aquilo não tinha significado nada. Sim, e daí que ela foi dar para o irmão do melhor amigo do seu namorado? Uma tragédia digna de Shakespeare. Por mais que eu detestasse Potter, a ex-namorada dele o superava. A garota era nojenta. Semana passada, ninguém ficou surpreso quando saiu a história sobre ela e Zabini. Ela estava indo para pegar toda a turma do Malfoy. Nojento.
Respirei fundo, inalando um pouco de coragem junto. Okay, Lene, eu me lembro. Aja como Tuney. Seja a perfeita garota enjoada e grudenta. Eu posso fazer isso. Eu posso.
_Hey, James! Aqui!
Ele imediatamente desviou sua atenção da lojista, mantendo o mesmo sorriso para mim.
_Lily, você está muito bonita.
"Quieta, dócil e sem sal". Uhum. Eu ri como se ele tivesse me contado uma ótima piada, enlaçando seu braço. Sua expressão de surpresa foi impagável.
_Oh, James, obrigada. Você não estava pensando o mesmo quando olhou para aquela lojista sem sal, não é? - sim, isso fez seus olhos se estreitarem - eu sou muito ciumenta. Você não gostaria de descobrir.
Ele ficou alguns instantes em silêncio, mas logo riu, guiando-me Deus sabe para onde.
_Tão ruim assim?
Assenti gravemente, piscando em sua direção.
_Eu teria que matá-lo. Ou quebrar algum membro seu - ele riu mais um vez - sério, foi o que fiz com meu último namorado.
Uma ingestão.
_Uh, verdade? O que ele fez?
Acenei com a mão em um gesto de descaso. Nós já estávamos fora do shopping. A noite estava bem escura, sem estrelas ou lua, se não houvesse eletricidade, nós estaríamos num enorme breu.
_Isso não importa. Aonde nós vamos?
Ele me indicou um carro em questão. Era... Não sei qual era a marca, mas ele era prateado e bonito, eu acho. Arqueei uma sobrancelha, não que Potter pudesse ver, quando ele abriu a porta para mim. Tentando jogar as grandes cartas, eu vejo, mas era inútil. Abrir portas para mim ou qualquer coisa desse tipo não estava na minha lista de preferências.
_Ao Palladio.
Nunca pisei nesse restaurante, mas conhecia sua fama de longe. Quem quisesse uma reserva, precisava de muita antecedência, mas acho que as portas costumam se abrir para famílias como a de Potter. Deve ser fenomenal ter tanto dinheiro.
_Uau! Isso é incrível, James! - outra risadinha - sempre quis comer lá.
Nope. Eu era uma garota do cachorro quente, sempre fui. Mas minha reação entusiasmada - e convincente - pareceu agradá-lo de todo. Deus, Potter, você é tão fácil.
Nós nos dirigimos para lá e eu me recostei no banco do carro, ligando o rádio. The Long Road começou a tocar, do Pearl Jam, uma das minhas músicas favoritas. Fechei meus olhos, apreciando a batida.
_Você gosta de Pearl Jam? - sua voz me despertou de forma quase abrupta. Sua mão estava no volante e foi quando percebi que Potter tinha mãos bonitas, delicadas. Elas eram mais bonitas do que as minhas, o que era muito injusto.
Não que uma garota como Tuney não pudesse gostar de Pearl Jam, mesmo que minha irmão não o fizesse, mas eu queria que Potter não tivesse nada em comum com a pseudo-eu. Ignorei seu tom surpreso e incrédulo, contendo a vontade de dizer que ele não deveria ser tão estúpido e cético.
_Quem? Pensei que fosse do One Direction.
Potter murmurou alguma coisa, mas baixo demais para que eu pudesse entendê-lo. Nada contra One Direction, só que... Não.
O resto do caminho foi mais ou menos assim. Ele perguntou sobre meu filme favorito, o qual eu também não respondi com a verdade. Era dificíl decidir qual era o melhor, dado que havia muitos, mas "As patricinhas de Beverly Hills" não entrava na minha lista, mesmo que essa tenha sido minha resposta. No final, Potter continuou sem saber sequer um pouco sobre mim, ainda que ele achasse que o fizesse. O filme favorito dele era "Os infiltrados", o que ganhou meu selo de aprovação silencioso. Esse filme, que era um remake, era excelente, lembro-me de assisti-lo, de madrugada, e ter ficado quase incapacitada de dormir depois. Igual ao que aconteceu com "Suspiria", embora este tivesse me mantido acordada por motivos diferentes: medo.
Nós finalmente chegamos ao Palladio. Esperei que Potter viesse abrir minha porta, dando um sorriso tão enorme que senti minhas bochechas doerem. Ele me deu um olhar estranho, mas suas feições estavam recompostas rapidamente. A hostess, uma loira enjoada, flertou descaradamente com Potter. É óbvio que ele era conhecido aqui, pessoas ricas. Hump! Potter sorriu para a loira, Julie, e perguntou sobre nossa mesa. O olhar que ela me deu disse muito. Em resposta, arqueei uma sobrancelha em sua direção, enviando-lhe meu melhor olhar da morte. Acredite em mim quando digo que eu era realmente boa nisso. Meu sorriso mudou para o sinistro. Sim, vadia, você não vai flertar com meu encontro, mesmo que... Espere. Isso pode ser bom. Voltei a sorrir com simpatia, finalmente chegando à nossa mesa.
Dei uma olhada no cardápio, fingindo-me alheia ao que acontecia. Bom Deus, o que diabos eram esses pedidos? Por favor, que não venha nenhum peixe cru. Ou uma rã. Hey, pessoas comem isso, eu já vi. Por cima do objeto em minhas mãos, percebi Potter e a hostess sorrindo um para o outro. Mordi meu lábio, rindo baixinho. Isso atraiu a atenção dos dois.
_Oh, não se preocupem comigo, mas, se você já terminou de flertar com meu encontro, eu gostaria de fazer o pedido.
Não ria, Lily, não ria. Os olhos de Potter se arregalaram novamente. Já foram quantas vezes essa noite? Sucesso, sucesso, eu sinto o seu cheiro. A hostess, por outro lado, ficou praticamente roxa. Sinto por usá-la assim, espere, não, eu não sinto. Era bom que ela não desse em cima dos clientes. Aposto que se eu jogasse água nela, iria evaporar. Revirei meus olhos diante desse pensamento.
_É claro, desculpe, eu não...
Novamente o meu gesto de descaso.
_Não precisa ficar apavorada! Eu não vou reclamar com o gerente, dessa vez. Afinal, a culpa não é toda sua, não é,Jamesy?
Eu tinha que tirar uma foto da cara de Potter! Era impagável. O que Tuney diria para seu encontro se ele flertasse com outra garota? Canalize Petúnia, Lily, canalize sua irmã louca e desmiolada.
_Se você não me acha bonita o suficiente, Jamesy, por que me chamou para sair? O que está errado comigo? São os meus dentes ou as minhas sardas, que eu sei que você acha que parecem ferrugem.
Porra, Hollywood aqui vou eu, exijo atuar junto com Tom Hiddleston, aquele tudo de bom.
_Lily, o que... Não! - Potter respirou fundo, piscando algumas vezes e virando-se para a hostess - você poderia nos dar alguns minutos? Obrigado.
Arqueei uma sobrancelha, curiosa para saber como Potter se sairia dessa. Nem prestei atenção na prosti... na garçonete, minha concentração toda focada no que meu "encontro" diria. Quase pulei da cadeira quando ele tomou minha mão na sua.
_Lily, sinto muito se pareceu que eu estava flertando, mas juro a você que não estava. Eu costumo ser amigável assim e peço desculpas se isso a ofendeu - ele jogou a culpa em mim, o menino era bom - além disso, eu a chamei para sair, como você bem disse, o que demonstra que acho você bonita mais do que o suficiente. E suas sardas são charmosas. Você acredita em mim, ruiva?
Estreitei meus olhos diante do seu apelido, mas conformada. Eu estava diante de um oponente digno e ele se recusava a cair na primeira jogada, contudo, tudo bem, eu nunca fui uma desistente.
_É claro - pense em coisas tristes, pense em coisas tristes. "Eu vejo gente morta"; Jack e Rose no Titanic; Leonardo Di Caprio morrendo em quase todos os seus filmes. Sim! Meus olhos finalmente marejaram - sinto muito por duvidar de você, Jamesy.
A sua careta foi visível. Bem, Jamesy é pior do que ruiva, acho que é mais um ponto para mim, então.
Nós finalmente fizemos nossos pedidos, mesmo que eu não tivesse a menor ideia do que pedi, apenas rezando para não vir nada cru ou vivo. Ou ovas de peixe porque, acredite em mim, caviar pode ser chique, mas é muito nojento. Potter tagarelou por algum tempo, mas eu tratei de interromper suas frases quando ele se empolgava. Sempre com uma pergunta estúpida ou uma observação desnecessária, a expressão impaciente dele foi meu deleite. James Potter não me chamaria de jeito nenhum para um novo encontro.
Depois que nossos pratos chegaram - e não havia nada cru! -, eu alcancei o bolso da minha calça. Havia mais um teste para meu encontro. Pude ver o suor escorrendo pelo seu rosto quando ele viu as duas alianças que eu segurava. Elas eram meio feias, mas foram baratíssimas. Como ele fez anteriormente, eu segurei sua mão, adotando uma expressão solene.
_Jamesy, conforme esse encontro passou, eu percebi que você é mesmo minha alma gêmea. Quer dizer, é óbvio que nós somos perfeitos juntos, não é? - ele assentiu, seus olhos ainda pregados nas alianças - eu vim preparada. Você usaria essa aliança, Jamesy, para mostrar que está tão envolvido nessa relação quanto eu?
Preparei-me para a queda dele, pois, não havia chance alguma de Potter concordar com isso. Nem mesmo quando ele e Megahn namoraram, houve aliança envolvida. Talvez basquete fosse importante para ele, mas não tanto. Deus sabe que eu estava lhe imprimindo uma tortura incomensurável.
Seu sorriso me pegou desprevenida. Era muito diferente do seu usual, simpático e enfadonho, mas sim selvagem, de lobo, agressivo. Ele pegou uma das alianças, colocando-a na sua mão direita. Minha boca caiu por dois segundos até que me lembrei que deveria expressar felicidade e não surpresa. Maldição! Por essa eu não esperava. Ser capitão daquele time ridículo deveria ser a vida dele afinal. Ele passou essa dita mão pelo seu cabelo, desfazendo toda a ordem que havia, e seu sorriso voltou ao normal e não parecia mais que ele tentaria me matar ou algo assim. Foquei meus olhos em sua mandíbula, observando alguns fios rebeldes aparecendo. Ele tinha uma mandíbula bonita, se eu pudesse dizer. Não que Potter fosse feio, quer dizer, ele não era Black, mas, havia algo naquela mandíbula e nos olhos. Pisquei algumas vezes, saindo dos meus pensamentos. Eu acabei de dizer que Potter era bonito? Não era grande coisa.
_Seria meu prazer, Lily. Você não vai colocar a sua?
Olhei com horror para a aliança que eu segurava. Merda, isso não estava indo bem. Sorri com dificuldade, imitando sua ação anterior. Assim que o fiz, levantei-me de supetão.
_Bem, foi um prazer, Jamesy. A gente se vê na escola.
_O quê? Espere ai, ruiva - ignorei a sensação esquisita quando ele segurou meu cotovelo - eu levo você. Por que você está fugindo?
O seu divertimento era evidente. O problema é que eu não poderia passar mais nenhum segundo com ele, precisava reorganizar meus planos, meu método, porque o atual não estava funcionando.
_Não é necessário - desvencilhei-me do seu aperto - minha amiga mora uma rua à frente.
_Então eu a levo até lá - ele voltou a pegar no meu braço - não discuta.
Bufei, meus pensamentos longe de como Tuney agiria.
_Não seja tão mandão, Potter, isso não é charmoso.
Ele riu, guiando-me para fora do restaurante após agradecer e pagar. O quê? Eu, com certeza, não iria dividir a conta. Lá fora, sem Potter segurando meu braço, pude respirar fundo, retomando um pouco da minha consciência. Pude ver a casa de Lene daqui, ou edifício, para ser precisa. Cada piso era enorme e continha apenas um apartamento. Comecei a andar, com Potter ao meu lado, parecendo estranhamente confuso.
_Potter, huh?
Dei de ombros.
_Eu fiquei irritada.
Isso o fez bufar, atraindo toda a minha atenção.
_O que isso quer dizer?
_Como assim?
Revirei meus olhos, perguntando-me se ele estava sendo obtuso de propósito. Não era possível que ele fosse tão lesado, era? E onde eu estava com a cabeça? Não era assim que deveria estar agindo, mas, honestamente, toda essa atuação drenou as minhas forças. Eu só queria deitar e assistir a algum filme bacana, ou série.
_Não se faça de idiota. Por que você fez isso - bufei como ele fez - quando eu disse que fiquei irritada?
Eu não devia estar fazendo isso, expondo-me, o brilho nos olhos de Potter era um aviso que para que voltasse a agir como antes. No entanto, eu queria brigar, arrancar algum sangue dele, fazê-lo chorar.
_Isso quis dizer, ruiva, que eu pude perceber que você estava irritada. E isso foi um eufemismo.
Antes que pudesse responder a esse estranho comentário, vislumbrei Lene esperando por mim. Eu havia mandado uma mensagem a ela, mais cedo, rezando para que minha amiga já estivesse em casa. Não conseguiria aguentar uma viagem de carro com James Potter, eu já tive o suficiente desse arrogante, obrigada.
_Marlene?
Olhei para Potter, espantada, mas depois dei de ombros. É óbvio que eles já deviam ter se visto, dado que as famílias de ambos eram ricas e influentes. Lene estava usando um vestido dourado, provavelmente vindo do seu "namorado", e me deu um olhar cúmplice, antes de se voltar para Potter.
_Eu me lembro de você - Potter ficou ainda mais branco que o normal, ele estava pálido - você e seu amigo tentaram dar em cima de mim na última festa.
Ver minha melhor amiga foi o suficiente para me fazer voltar ao jogo. Eu tinha deixado uma lacuna para Potter agir antes, mas isso estava prestes a mudar. Minha mente trabalhou rapidamente no material que Marlene me jogou. Com fúria, voltei-me para Potter, tirando a aliança e a jogando em cima dele.
_Como você pode, Jamesy? Eu achei que essa aliança significasse alguma coisa pra você. Isso explica por que você não tira os olhos da minha melhor amiga - isso era digno de uma novela mexicana - eu não posso suportar essa dor! É óbvio que você só está se divertindo comigo, eu não sou boa o suficiente para você, não é?
_Lily...
_Não! Não posso falar sobre isso agora. Adeus, Jamesy, você fez meu coração sangrar.
Lene me puxou rapidamente para dentro, ignorando o protesto de Potter. Respirei aliviada, por fim, mas a preocupação não me deixou. Potter sabia como brincar nesse jogo, ele sabia como jogar bem mais do que eu, então, minhas táticas tinham de mudar. Tonks tinha razão, eu precisava dela. Virei-me para Lene, duas coisas importantes rondando minha cabeça.
_Preciso de um cachorro quente - anunciei minha prioridade - e de Tonks. Lene, Potter não é um novato.
E minha próxima hora foi gasta no relato do meu encontro e na forma como Potter sabia lidar bem com meu comportamento. Muito bem, excepcionalmente bem.
Droga, isso acaba de ficar tão complicado.
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O que acharam do encontro deles? Nunca subestimem o inimigos, meus caros, isso é um erro. E sobre a outra vez, na festa do banco, quando os dois se viram? James não foi nada lisonjeiro. Então, como a ruiva deve proceder com nosso querido Potter agora? ;) Só digo uma coisa, esses dois não vão conseguir passar pelos encontros deles sem discutir.
O próximo será um pouco diferente, mas, deem uma chance. Ele não será POV James, contudo, vai mostrar bem o lado dele.
Gente do céu, esses dias eu não vi a declaração da JK de que o Harry era para ter acabado com a Hermione? O que vocês acharam disso? Eu acho que ela foi meio infeliz jogando isso assim, os fãs HH devem ter ficado loucos. Eu sou HG, mas gosto é gosto. O que não dá pra aceitar é gente dizendo que a Hermione não deveria ter ficado com o Rony porque ele é burro - oi? desde quando? - e que a Ginny é uma sem sal. Quem diz isso é porque nunca leu os livros, né? Faz favor! E eu fico louca kkkkkkkk principalmente porque a Ginny é uma das minhas favoritas, junto com o Harry, o Draco, os gêmeos e Sirius (e o Carlinhos, que deveria casar comigo. Mexer com dragões? Isso é muito sexy).
MaraudersForeverJily: O que achou do plano da Lily? E do encontro deles? Só adianto que ela terá que mudar isso e bastante ;) Obg, gata*
Lally Sads: Que bom que está gostando! O que achou desse? Beeejs*
Stra. Dark Nat: Obg! *-* Realmente, numa situação dessas não dá pra ler drama ou angst (^^). kkkkkkkkkkkk to guardando um papel especial pro Sev e, sim, ele vai importunar o James. Muito. Sim, você vai perceber, provavelmente no próximo, que o James é um idiota, um charmoso, mas ainda um idiota e um crianção... Nada que a Lily não impulsione a mudar ;) Tonks é top mesmo e a obsessão dela com o Remus ainda vai render... O que achou do encontro deles? Ah, acredite, Lily vai ficar muito louca daqui pra frente, James ai ter um trabalhão. Não se preocupe, não vou esquecer. Palavra de escoteiro lol Beeeejs*
Karinne: Então, James vai sofrer sim, mas, não se preocupe, ele também vai dar trabalho kkkkkkkkkkkkkk Eu sei, sou muito louca arriscando os personagens assim, ainda bem que deu certo :O Tonks é ótima! Ah, sim, a obsessão dela com o Remus vai render e muito. Pobre Remus, não deve ser fácil ter uma criança como Tonks atrás dele ;) Obg, gata, fico feliz que esteja gostando! Beeejs*
Clara Reis: Heey, bom te ver! :D Jura? Eu também os adoro, é tão legal vê-los se apaixonar pelas pessoas que juraram odiar, tipo a Elizabeth dizendo que Darcy seria o último homem da terra com a qual ela se envolveria... HOHOHO. Tonks arrasa mesmo! *-* Beeejs*
link: Eu gosto de todos! Doces, chá quentinho e pugs! *-* kkkkkkkkkkk Estou lisonjeada, juro. E depois desse capítulo e essa interação entre o Sev e a Tonks? Te juro que não tinha pensado nisso, mas, agora que você falou... Posso dar essa inovada aí! Nope. Ele usa all star e está planejando dominar o mundo com a química ;) kkkkkkkkkkk A gente não quer ver o James sofrer muito, né? Ninguém gosta dele ser um mala, mas ninguém quer vê-lo se machucar. Não dá, ele é muito querido. Ah, sim, não se preocupe com isso, James terá ciúmes, deixe ele descobrir alguns dos garotos ao redor da ruiva e ele vai imediatamente parar de flertar por aí, o safado. O que achou do encontro, afinal? Muito ruim, meia boca, bonzinho? Uhm... Isso é mesmo uma boa ideia, vou guardá-la na minha seção cerebral de histórias para fanfics ;) Sim! Malfoy merece sofrer e ele vai! Não será algo de uma vez só, mas sim um conjunto de ações! MUAHAHAHA, esse loiro não perde por esperar! Verdade isso aí, minha prima de 13 anos sabe mais coisas sujas do que eu e isso é assustador. Então, eu acertei! Ah, nada de errado em se vestir assim (eu também, minha cara, eu também). Lene e Sirius? É claro que terá um flerte entre eles ^^ Beeeeejs, gata*
