Capítulo 4

Ao presenciar aquela cena, Kagome se viu tomada por vários sentimentos; raiva, ciúmes e... raiva!

Sim, estava com muita raiva, sentia-se fazendo papel de idiota em toda aquela história, era óbvio que Inuyasha tinha lhe omitido algumas coisas fundamentais, como por exemplo, o fato de que tinha outra e não se dera o trabalho de avisá-la que tinha se casado, para que fosse, ao menos, discreta – mesmo que essa não parecesse uma de suas virtudes.

Demorou para entender que Kaede tinha lhe dito que o telefonema era para ela. Sango não lhe ligaria na casa de Inuyasha, sua mãe também usaria o celular, isso limitava suas opções de adivinhação a ninguém. Curiosa, mas ao mesmo tempo dominada por uma vontade absurda de fazer algumas coisas nada admiráveis com as duas pessoas que continuavam entretidas com seu reencontro, ela decidiu que descobriria quem a ligava e depois, era depois.

Inspirou profundamente para acalmar seus nervos pro alguns instantes e ser capaz de não descontar tudo na pessoa que estava do outro lado da linha.

- Kagome Higurashi? – Ela não teve tempo de pronunciar uma letra se quer, assim que fez menção de falar, a pessoa com uma voz completamente desconhecida aos seus ouvidos, foi mais rápida.

- Sim?

- Ah! Que ótimo finalmente falar com você! Sou a mãe de Inuyasha, Izayoi. Fizeram uma boa viajem?

Kagome permaneceu em choque, por isso, não conseguiu responder. Izayoi só viu isso como um incentivo para continuar.

- Inuyasha me disse que esta noite vocês estariam em casa, então não pude me conter, precisava falar com você já que não tivemos a oportunidade de nos conhecer antes. Se importa de falar alguns minutos?

- Não, é.. Claro que não! – ela foi muito educada, por mais que não tivesse palavras para lhe responder.

Era muita coisa para acontecer ao mesmo tempo. Izayoi, que agora levava o título de sua sogra, estava ao telefone, lhe falando, como se já a conhecesse há anos, enquanto o filho dela, tinha seus braços envoltos nos ombros de outra mulher assistindo à conversa de Kagome com a expressão mais normal do mundo. Que coisa mais cínica, irônica, maluca!

O rosto de Kagome mostrava tanta surpresa que Inuyasha teve que perguntar à Kaede de quem se tratava.

- Sua mãe – ela respondeu simplesmente. – Ela tem ligado de 15 em 15 minutos durante a última hora para saber se vocês já chegaram.

Ainda que tivesse pena de Kagome por estar naquela situação, ele riu. Essa era sua mãe, sempre querendo controlar a vida de todos. Isso era tão revoltante que para ele já havia se tornado uma piada em seus 28 anos de existência. Mas Kagome estava se saindo bem, conseguia falar duas palavras de vez em quando, provavelmente sua mãe a bombardeava de perguntas e comentários, e acabava não deixando Kagome falar.

Estava mais tranquila e no final dominou a conversa, e a conduziu para um final brilhantemente. Tivera que fechar os olhos algumas vezes para não perder o controle da sua calma, mas tudo acabou bem quanto à ligação, agora resolveria o que faria com sua outra surpresa.

Kaede já estava ao seu lado para pegar o telefone de suas mãos, e quando ela o fez, logo após desligar, ela foi a outro cômodo, deixando apenas Inuyasha, Kagome e a outra mulher ainda desconhecida. Fatalmente seus olhos se recaíram sobre ela, e ela se lembrou de todo os xingamentos que estava na ponta de sua língua antes de ter que atender ao telefone, mas não os verbalizou

- Sua mãe o intimou que me levasse para conhecê-la no feriado de 4 de julho, sem desculpas. Palavras dela. – A calma de Kagome era fora do comum, quase um deboche.

- Não tinha duvida alguma de que fosse isso! – A 'amiguinha' de Inuyasha falou e ainda teve a audácia de rir.

Só então Inuyasha percebeu o que poderia estar passando pela cabeça criativa de sua esposa, devido ao jeito que ela olhava para a mulher em que ele mantinha seus braços. Teve uma vontade gigantesca de rir, mas sentiu que se fizesse isso, seria um homem morto, então se conteve.

- Kagome. - Mais uma vez ela o fuzilou com os olhos - Essa é Ayame, minha irmã mais nova.

Ela precisou raciocinar, pensar varias vezes na palavra irmã para finalmente entender o que ele tinha lhe falado. Ayame... A ruiva dos olhos claros e sorriso travesso era a caçula da família taisho. Estava à espera de alguma reação de Kagome, sorria simpática, e havia se desvencilhado dos braços de seu querido irmão.

A raiva se dissipou, ela sentiu-se uma boba por ter pensado naquilo tudo, mas agiu normalmente.

- É bom conhecê-la, Ayame - estendeu a mão educadamente, mas a outra preferiu um caloroso abraço – Não via a hora de conhecer você, K-chan!

O entusiasmo em sua voz era fora de serio, seus olhos brilhavam com a expectativa e a intimidade ao chamá-la pelo seu apelido parecia pertencer a elas já há anos.

Kagome olhou para Inuyasha e ele tinha um sorriso completamente sarcástico em seu rosto. Divertia-se com a situação.

- Quando mamãe falou que Inu tinha se casado, estava pronta para acabar com ele, porque achava que ele tinha ficado louco e se juntado com a aquela outra... Mas estou feliz que você não se seja ela, e já te adoro por isso!

Ainda mantendo um braço ao redor dos ombros de Kagome, ela falava cada vez mais feliz.

Kagome foi atingida em cheio pela curiosidade como ela falou em outra mas não perguntaria nada, por enquanto. Já tinha coisas maiores para se preocupar.

- Certo, deixe-a respirar Ayame. – pegou a pela mão e finalmente a apresentou devidamente à Kaede.

– Kaede, esta é Kagome Higurashi Taisho, minha esposa.

- Me surpreende que eu nunca tenha ouvido Inuyasha falar da senhora, esse menino está aprendendo a esconder coisas de mim. – Brincando, balançou a cabeça como se estivesse decepcionada, mas logo se rompeu em um sorriso.- É muito bom conhecê-la Senhora Taisho, espero que se sinta à vontade aqui. Qualquer coisa que precisar, estarei aqui.

- Obrigada, mas por favor, me chame de Kagome, ou K-chan.

Entrando na aura daquela casa, Kagome foi quem abraçou Kaede.

- O jantar pode esperar 30 minutos se vocês quiserem se acomodar antes.

- Você quem sabe, Kagome. - Inuyasha a olhou

- se não se importar, gostaria mesmo dessa meia hora.

- Claro – Kaede concordou já se retirando do cômodo.

Quando foi apanhar as malas, Inuyasha sussurrou para Kagome:

- Você já ganhou pontos com ela! Do contrario ela não faria o jantar esperar. Ela nunca faz isso comigo.

- Está com ciúmes Inu? – rindo discretamente, ela o provocou. – Sua mãe já me ligou, Kaede gosta de mim, e Ayame me adora! Sim, definitivamente eu sou irresistível!

- Que graça você é querida, só a amam porque está comigo. – deu-lhe um beijo na bochecha muito brincalhão e seguiu seu rumo escada acima.

Já conseguia rir, depois de todo o momento de tensão, agora o clima estava muito mais ameno e pela primeira vez desde que entrara pela porta da frente, teve a oportunidade de olhar a casa onde estava. O chão reluzia, o piso de madeira era impecável, as cores quentes que estavam por todos os lados tornavam aquele hall muito aconchegante, uma parede vermelha, outra um pouco mais cor de vinho. Todas combinavam e tinham como adorno, uma ou outra obra de arte. Uma que lhe chamou atenção foi uma paisagem, uma campina reproduzida brilhantemente ao estilo impressionista.

Os móveis eram suntuosos, todos clássicos, com valorosos detalhes entalhados em madeira nobre. Alguns arranjos de cravos brancos davam o toque feminino muito discreto, mas era só um detalhe, todo o resto transbordava o estilo de Inuyasha, sua elegância principalmente. Ela já o perdera de vista, ele tinha subido pelas longas escadarias que provavelmente levavam ao segundo andar.

Antes que pudesse pensar em seguí-lo, Ayame agiu por ela, enganchou seu braço no dela e a levou pela casa.

- Vamos, Kaede não gosta de esperar muito.

Subiram as escadas e acabaram em um corredor, longo e seguindo o mesmo padrão no quesito obras de arte, mas ali as paredes eram claras e as inúmeras portas escuras, de madeira pura. Um lustre era localizado bem no meio do corredor. No teto, viam-se detalhes em gesso por toda a volta e a porta que mais lhe chamou a atenção foi para onde Ayame a guiou. Era gigante, e parecia pesada. Exatamente no fundo do corredor, se estendia até o teto praticamente.

A porta já estava entreaberta, então Ayame nem se deu o trabalho de bater na porta, apenas entrou. Inuyasha surgiu de outra porta dentro do cômodo, e foi até elas.

- Pode deixar que eu assumo a partir daqui, Ayame. – ele lhe tomou kagome, colocando de modo possessivo o braço em sua delgada cintura.

- Tudo bem, mas não se atrasem para o jantar!

Como um sorriso travesso, ela deixou os dois sozinhos, batendo a porta quando saiu.

- Inuyasha! Eu vou matar você, não estou brincando...

Ele não respondeu, apenas riu, muito.

- Como você não me falou de sua irmã, seu idiota? – deu um pequeno soco em seu ombro – Pare de rir!

Inconformada ela cruzou os braços e fez uma careta. Parecia uma criança emburrada.

- Ah! Por favor kagome, foi engraçado, você realmente achou que Ayame fosse minha namorada, ou algo do tipo? Tudo bem que meu histórico com as mulheres não é o mais santo, mas nunca estive com duas ao mesmo tempo, e não seria com você que eu começaria a fazer isso... – envolveu seus braços com as mãos e os acariciou – Quanto a minha mãe, eu já tinha lhe avisado como ela é...

Sua voz era sutil, mas aquele seu sorriso escárnio a irritava profundamente.

- Mas você ainda me paga! – Fazendo-lhe um gesto nada educado com o dedo médio, desmanchou a careta emburrada que deu lugar á uma sonora risada e se soltou de seus braços.

O quarto onde estava era relativamente grande. A cama ficava bem no centro, entre suas mesinhas de cabeceira, um abajur estava sobre cada uma. Em frente, uma televisão estava afixada na parede, com certeza era um dos últimos modelos do mercado. Em diagonal, duas poltronas pretas, elegantes, ficavam em torno de uma mesinha pequena, de madeira pura e escura. As paredes eram de um bege quase branco, no teto os detalhes em gesso antes vistos no corredor ganhavam outros padrões, tão bonitos quanto os outros. Para completar, havia uma lareira, ao lado das poltronas. Ela se erguia imponente até o teto, parecia acalentar todo o quarto com uma facilidade imensa.

Havia ainda duas portas dentro do quarto, uma dupla e outra simples. Antes que ela pudesse pensar para onde elas levavam, Inuyasha lhe disse.

- Naquela porta é o banheiro – apontou para a porta menor. – Sua mala está no closet, logo ali, nas portas maiores. Adoraria tomar banho com você, mas acho melhor não, então vou tomar no quarto de hospedes.

- Tem certeza?

- Não podemos demorar para o jantar. – Ele colou seu corpo às costas dela, provocando-a.

- Você só pensa nisso? Inacreditável! – Ela virou a cabeça para olhá-lo, e para ver se ele realmente havia falado serio.

- E não era isso?

- Não – Kagome riu - Eu poderia ir ao quarto de hospedes e você ficar aqui, se preferir.

- Ah não, você fica e eu vou. Fique à vontade. – Beijou-a rapidamente no ombro, e saiu.

Sozinha, Kagome foi até o closet apanhou uma roupa qualquer de sua mala. Certamente aquele poderia ser um quarto adjacente, era enorme, e pouco utilizado, as roupas masculinas ocupavam apenas uma fração do espaço disponível. Ali o mobiliário provavelmente feito sob medida, era branco e junto com o espelho que ocupava uma parede inteira, dava a impressão de que era ainda maior.

Seguiu para o banheiro e sem distrações ligou o chuveiro no mais forte possível, a água saia com força total e muito quente, bem como gostava. Despiu-se o quanto antes e entrou no box. O banho seria rápido, e se acompanhado logo em seguida de uma cama macia, seria muito mais prazeroso. Mas por enquanto aproveitou o que tinha...

Sentado à longa mesa de jantar, eles só ocupavam uma ponta dela. Primeiro permaneceram em total silencio, então começou uma conversa banal na qual Inuyasha mal prestava atenção. Algo estava o deixando muito curiosos, e nisso se focou, sem resistir, precisou fazer uma pergunta:

- Você não deveria estar no Japão, com Sesshoumaru, Ayame? – Parou por alguns instantes de comer par fazer a pergunta a ela, mas logo retomou sua ação, sem perder o contato visual com sua irmã.

- Minha presença é tão incômoda assim? – O modo tétrico e dramático ao extremo como ela falou fez Inuyasha revirar os olhos. – Desculpe se não tinha idéia que voltaria para casa casado, maninho!

Ayame não deveria ser advogada, pensou Inuyasha, com certeza ganharia milhões se fosse atriz. Com aquele rosto angelical, levemente bronzeado e seus cabelos cor de fogo, conquistava a todos, seus grandes olhos verdes também ajudam muito. Mas só quem conhecia realmente aquele sorriso travesso de menina levada, sabia que de angelical, Ayame não tinha nada!

- Achei que só a veria no próximo mês. – Meneou os ombros sem se importar muito.

- Bom, eu quis vir antes, já que Sesshoumaru não precisa de ajuda por lá, queria começar logo a trabalhar com Miroku.

- Me lembre de dar alguns conselhos a ele de como aguentar você. – Inuyasha piscou pra ela brincando obviamente.

- Eu tinha grades esperanças de que você crescesse quando se casasse, mas é claro que você é um caso perdido. Meus pêsames Kagome... – Suspirando, colocando a mão no braço da cunhada que se havida se sentado ao seu lado. Ela não fez nada mais do que rir.

- Mas continuando na parte que você me interrompeu, Inuyasha, eu cheguei um dia depois que você viajou, queria fazer uma surpresa. – piscou várias vezes, fazendo aquela mesma expressão inocente que sempre lhe absolvia de seus castigos quando era criança.

Riu rapidamente e voltou para seu jantar. Não demorou muito para que Ayame também retornasse para a conversa sobre futilidades que estava tendo com Kagome. Até a hora que se retiraram, cada um para seu quarto, felizmente não houve mais surpresas. Kagome bocejava a cada 3 minutos e mal conseguia manter os olhos abertos quando eles saíram da mesa de jantar. Tudo o que mais queria era uma cama e uma longa noite de sono.

- Eu realmente espero que amanhã seja muito mais tranquilo que hoje. – Ela pensou em voz alta, despindo suas roupas para colocar uma roupa de dormir qualquer que encontrara em sua mala. Coincidentemente o conjunto de shorts preto e blusa branca, de cetim, era o que tinha de mais recatado.

Deparou-se com Inuyasha usando apenas roupas íntimas quando saiu do closet. Era impossível não reparar naquele físico divino.

- Eu nunca a vi usando esse tipo de coisa para dormir – sentado aos pés da cama, ele estendeu a mão, convidando-a para se aproximar. – Admito que a minha maior vontade é livrá-la disso ai. - Kagome revirou os olhos

- Dormir, Inuyasha! Conhece essa palavra? – Sorriu aproximando-se, mas passou direto por ele, para se acomodar ao lado direito da cama.

Pouco conformado, Inuyasha seguiu o exemplo dela e seguiu para seu lado naquela enorme cama. As únicas luzes que iluminavam o quarto vinham dos abajures, um de cada lado da cama, sobre os criados mudos.

- Boa noite – Ele desejou a ela, se acomodando.

- Hm... boa noite. – Ela era rápida, já estava até com seus olhos fechados e sua voz não passava de um murmúrio.

Dorminhoca, divertido com o comentário que lhe ocorreu, Inuyasha ficou olhando para o teto, com as mãos sob a cabeça, pensando. Casamento sempre lhe dera arrepios, pensar em dormir com a mesma mulher todos os dias, era aterrorizante, mas ele precisava se lembrar que aquela era Kagome Higurashi, não qualquer mulher. No mínimo, os próximos meses seriam uma divertida aventura.

Naquela noite, Kagome dormiu tão profundamente que mal se lembrava de ter tido sonhos quando acordou por conta própria. As cortinhas que cobriam a enorme janela que dava acesso à varanda, bloqueavam a luz o suficiente para que apenas uma claridade potencialmente ignorável penetrasse na penumbra do quarto.

Tateou o lugar ao seu lado na cama, ainda de olhos fechados, e o encontrou vazio, então lhe surgiu uma vaga lembrança de alguns barulhos e da imagem de Inuyasha arrumando-se para um dia de trabalho. Foi apenas um breve momento desperta de seu sono, logo voltou a dormir provavelmente.

Espreguiçou-se com um sorriso no rosto, dormir lhe fazia muito bem.

Ainda um pouco entorpecida pelo sono, se levantou e checou o horário em seu celular. Quase dez horas da manhã, significava que ela não teria tempo para fazer muitas coisas, tinha que ir até a sua agência, ligar para sua mãe e para Sango, ir ao seu apartamento e por fim, ter uma conversa descente com Inuyasha.

Começou por um banho que eliminou quaisquer resquícios de sono que ainda tinha, depois ligou para Sango e teve uma rápida conversa, tratando apenas de coisas profissionais, mais tarde, em uma ida ao café que ficava no meio do caminho da loja e o ateliê de sua amiga e o escritório da agencia, elas conversariam por horas a fio sobre tudo.

Estava para ligar para sua mãe, mas ela foi mais rápida, logo reconheceu a voz dela quando atendeu à chamada:

- Bom dia Kagome! Acordei você? – O tom era tão amável que devido a toda a circunstância, Kagome achou muito estranho.

- Bom dia! Na verdade, não. Estava ligando para você agora mesmo.

- Que bom, você está em seu apartamento?

- Não, estou na casa de Inuyasha. Desculpe mãe, acho que tenho que te explicar algumas coisas.

- Seria ótimo! – sarcástica, sua mãe riu.

- Almoço no mesmo lugar de sempre? – perguntou Kagome

- Claro! Se pai quer ir junto, ele está escutando a conversa, mas ele não vai, seremos apenas nós duas.

- É melhor assim. Preciso ir agora, nos encontramos em 1 hora. Tchau mãe!

- Até mais, filha.

A ligação foi encerrada, mas Kagome ainda tinha a impressão de que estava escutando a voz de sua mãe. Para falar a verdade, ela estava nervosa com a idéia de se encontrar com sua mãe, e ter que lhe mentir. Pensou em lhe contar a verdade, afinal, eles remediaram o problema, porém, ela não saberia como lidar com a verdade e ainda, quanto menos pessoas soubessem, melhor seria.

Chegou a essa conclusão no último minuto, antes de conversar com sua mãe. Elas se encontraram em um restaurante muito conhecido por elas, era o preferido de sua mãe. Simples e sofisticado, tinha uma parede inteira de vidro que proporcionava aos clientes uma vista magnífica da Estátua da Liberdade. E embalado pelo clima do oceano, os tons da decoração mantinham-se dentro de um padrão que ia do branco gelo até o azul marinho.

Sentadas à uma mesa muito próxima à parede de vidro, elas recebiam a iluminação indireta do sol esplêndido que se mostrava naquele dia. Kagome já comia uma sobremesa de chocolate, que era sua preferida ali, e sua mãe apenas observava, sentia-se uma criança sob os olhos atentos e curiosos de sua mãe.

- Você falou muito pouco hoje, querida, tem certeza de que está bem? – Cruzou os dedos sobre o colo, em sua pose sempre elegante.

- Claro, só não sei por onde começar...

- Quem sabe pelo começo? – sorriu encorajando-a – Vamos filha, não pode ser tão ruim assim... Eu sei que estava exaltada ao telefone naquele dia, mas na verdade, não é um grande problema, não é como se tivesse se casado bêbada em Las Vegas!

Kagome engoliu a seco, mas conseguiu acompanhar sua mãe, rindo nervosa.

- Deixe-me perguntar então, quem é Inuyasha Taisho?

- Bem... Obviamente não preciso lhe explicar quem é a família Taisho, mas eu o conheci por causa de Sango, ela namora Miroku, um bom amigo de Inuyasha e seu advogado principal no banco. – é, isso pareceu convincente, pensou Kagome antes de continuar.

- Começamos a sair a algum tempo, então, quando estávamos os quatro em Las Vegas, eu, Inu, Miroku e Sango, Inuyasha me pediu em casamento, e eu aceitei. Estamos apaixonados mamãe, não conseguimos evitar.

Durante um longo tempo, sua mãe ficou calada, com o queixo apoiado sobre as mãos e os cotovelos apoiados sobre a mesa, ela a olhava. Um indício de sorriso aparecia em seus lábios, mas ainda tinha a testa levemente franzida, ressaltando algumas rugas inevitáveis devido à sua idade.

- Vocês não poderiam ter esperado para fazer um casamento convencional, aqui? – Visivelmente ressentida, ela perguntou.

- Ele é exatamente como eu, mãe, não gosta do que você chama de "convencional", preferimos fazer algo só nosso, e definitivamente não queríamos que tivesse acabado em uma matéria sensacionalista do Post.

- Vocês são dois chatos, é isso que são! – os lábios pintados com um vermelho vinho, formaram um biquinho o qual Kagome tinha herdado. Mas não demorou muito para que ela risse feliz, e pegasse a mão da filha com um sorriso exuberante no rosto. – Minha pequena se casou, que lindo isso!

Kagome riu ao ver o brilho nos olhos de sua mãe, ela lhe sorria com os olhos acima de tudo. Naomi Higurashi era conhecida por sua beleza clássica e sua vivacidade contagiante. Já não era mais uma garotinha, mas em seus 50 anos ainda era uma inspiração para muitas mulheres, não só no quesito beleza, mas em seus talento e personalidade.

Quando nova, ela era uma linda modelo, com cabelos escorridos, formando uma cortina negra até sua cintura e sua pele de marfim se opondo aos seus olhos profundamente escuros. Mas as passarelas foram substituídas pelo cinema, quando conheceu Yuri Higurashi, um diretor cinematográfico que encontrou em Naomi uma parceira para sua vida, e uma estrela para seus filmes. Desde então, eles passaram a viver na América, onde construíram sua vida.

A imagem que Kagome tinha de sua mãe atualmente era de mulher que de idosa não tinha nada, sempre muito bem vestida, sobre seus saltos altos que a deixavam da altura de sua filha e com uma maquiagem impecável, disfarçando levemente suas rugas. Ela tinha assumido um corte na altura da nuca, um clássico, que lhe tinha caído como uma luva

- Eu preciso muito conhecê-lo, K-chan, - Naomi falou - seu pai também. Desde o momento que soube, ficou me perturbando para falar com você e com o safado que se casou com a filhinha dele sem lhe pedir permissão.

- Vocês poderão conhecê-lo logo, assim que quiserem na verdade, no momento, ele está um pouco enrolado com algumas coisas no banco, já que acabou de assumir o lugar do irmão, mas aposto que terá um tempo para vocês.

- Perfeito! E não tem possibilidade alguma de fazer um casamento de verdade? – Com um fio de esperança, Naomi tentou mais uma vez.

- Não, definitivamente não.

Por volta das duas horas da tarde, Kagome chegou ao pequeno prédio onde se instalava a agencia de publicidade a qual ela tinha orgulho de chamar de sua, apesar de todas as dificuldades. Imagine era uma agência com um bom número de clientes e sua proposta sempre inovadora atraia cada vez mais pessoas, mas ainda não era considerada a melhor do ramo, estava entre as 10 melhores apenas, mas para Kagome, isso era suficiente por enquanto. Todos davam seu melhor e jamais houve uma palavra se quer de reclamação de seus clientes a respeito de seu trabalho.

Cumprimentou normalmente todos que viu, começando pela recepcionista. Todos tinham olhos curiosos sobre ela, mas ela ignorou-os, porém, uma pessoa seria sempre impossível de ignorar...

-Kagome! – Uma voz inconfundível soou acima de todos os barulhos quando entrou na área de trabalho

Ela se assustou por um momento, mas relaxou logo que olhou para o homem alto e moreno, trajando calças jeans e um paletó sobre a camisa branca. Ele apressou o passo para alcançar a mulher, e automaticamente colocou um braço sobre os ombros dela, trazendo-a pra perto de si.

- Você está encrencada mocinha, que história é essa de casamento, com Inuyasha Taisho? – ele sussurrou para que só ela escutasse.

- Nem queira saber – Ela suspirou, enquanto encaminhavam-se para sua sala que ficava no final do corredor.

- Engana-se minha amiga, eu quero saber e muito! – Ele riu, já prevendo todos os detalhes que ela seria obrigada a lhe contar.

- Entre, a história é longa! – ela abriu a porta e deu passagem a ele. Entrou em seguida e fechou a porta atrás de si, trancando-a. Repetiria pela centésima vez aquela história toda de casamento por acidente.

- Estou Cho-ca-do! – ainda atônito o homem pronunciou pausadamente, atirando-se para trás na cadeira estofada, com um gesto muito dramático. A história toda ainda fazia sua cabeça girar.

- Pois então, é isso Jack. Consegue digerir essa? – Perguntou, calma.

- Não.

Ele olhou-a longamente, tinha sua expressão tranqüila no rosto, e quase entediada, era inacreditável essa sua atitude.

- Como pode estar sendo tão pragmática quanto a isso, Kagome?

- Não sei, - suspirou profundamente – apenas, acho que o que está feito, está feito. O melhor é tentar concertar tudo isso, ou pelos menos esconder por baixo dos panos. Foi o que decidimos fazer.

- Boa sorte então minha amiga, mas aproveite, um homem como esse não aparece para qualquer um.

As mãos dele foram parar sobre as dela, que estavam cruzadas sobre a mesa, e seu olhar sonhador fez com que Kagome risse de verdade. Jakoutsu a divertia como ninguém.


Finalmente aqui está o 4º capítulo, estou me sentindo péssima por não ter conseguido postar antes, mas a partir desse capítulo, terá um a cada duas semanas, é o que eu posso prometer. Postarei sempre entre Sexta e Domingo, assim terei tempo pra escrever e vocês não esperarão demais.
Esse capítulo foi muito chato, nos próximos as coisas ficaram mais excitantes, focarei mais em Inuyasha e Kagome. Será divertido.
Ainda assim, espero que tenham gostado um pouco pelo menos. Não se esqueçam das reviews, eu aceito até xingamentos pelo mês que fiquei sem postar hahah

BChibi – Que ótimo que está gostando! Continue lendo, as melhores partes estão por vir...

Lory Higurashi – a parte do telefonema foi realmente estranha, mas esse era o intuito hahah espero que tenha gostado do capítulo!

AdamuNaruto – eu quem agradeço por estar lendo! fico feliz que esteja gostando!

Aricele – dessa eu não desisto, não se preocupe! Não, ainda não é a barrenta hahaha.

Obrigada pelas reviews, meninas, mesmo! Não sabem com elas me deixam feliz, por saber que não estou postando para ninguém hahah :D

Obrigada por ler e tenham uma boa semana!